"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 20 de agosto de 2025

“DE MODO ALGUM PERDERÁ O SEU GALARDÃO”


“DE MODO ALGUM PERDERÁ O SEU GALARDÃO”

“Quem recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo.  E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão” (Mt 10.41,42)

Nestes versículos, o nosso Senhor Jesus conclui a primeira incumbência que determinou àqueles que estava enviando para divulgar o seu evangelho. Ele declarou três grandiosas verdades, que formam uma apropriada conclusão para o seu discurso.

Por fim, em terceiro lugar, nosso Senhor nos alegra com a declaração de que mesmo o menor serviço prestado àqueles que trabalham em sua causa será observado e recompensado por Deus. “E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão”.

Nessa promessa há algo maravilhoso. Ela nos ensina que os olhos do nosso grande Mestre estão perenemente fixos sobre aqueles que trabalham para Ele e procuram fazer o bem. Parece que essas pessoas trabalham sem serem notadas, sem serem consideradas. O trabalho dos pregadores e missionários, dos professores e dos que visitam os pobres, pode parecer de pouco valor e insignificante, em comparação com os ofícios de reis e parlamentares, de generais e estadistas. Mas não é insignificante aos olhos de Deus. Ele observa os que se opõem aos seus servos e aqueles que os ajudam. Ele observa quem é dócil para seus ministros, como Lídia agiu com Paulo, e quem põe obstáculos no caminho, como Diótrefes fez com o apóstolo João. Toda a experiência diária dos discípulos de Cristo fica registrado no grande livro de obras e tudo será revelado no dia de juízo. O copeiro-mór esqueceu-se de José depois de ter sido restaurado ao cargo. Mas o Senhor Jesus jamais se esquece de qualquer do seu povo. Ele dirá a muitos, que menos esperam por isso, no dia da ressurreição: “Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber” (Mt 25.35).

Ao encerrarmos o estudo deste capítulo, perguntemos a nós mesmos como consideramos a obra e a causa de Cristo neste mundo. Estamos ajudando ou dificultando essa obra? Estamos ajudando de alguma maneira, aos profetas e aos “justos” do senhor? Estamos ajudando esses pequeninos? Estamos pondo obstáculos no caminho, ou estamos encorajando os obreiros do Senhor, procurando animá-los?  Os que oferecem o “copo de água fria” sempre que tenham oportunidade, agem bem. Porém, agem ainda melhor aqueles que trabalham ativamente na obra do Senhor. Que todos nós nos esforcemos por deixar este mundo melhor do que aquele em que nascemos. Isso é ter a mente de Cristo.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

“QUEM NÃO TOMA A SUA CRUZ”


“QUEM NÃO TOMA A SUA CRUZ”

“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim” (Mt 10.37,38).

Nestes versículos, o nosso Senhor Jesus conclui a primeira incumbência que determinou àqueles que estava enviando para divulgar o seu evangelho. Ele declarou três grandiosas verdades, que formam uma apropriada conclusão para o seu discurso.

Em segundo lugar, nosso Senhor Jesus nos diz que os verdadeiros cristãos devem estar preparados para sofrerem tribulações neste mundo. Se somos ministros ou ouvintes, se ensinamos ou somos ensinados, não faz muita diferença. Temos que levar a nossa “cruz”. Devemos estar dispostos a perder até a própria vida por amor a Cristo. Devemos nos submeter à perda do favor dos homens, suportar as dificuldades e negar a nós mesmos muitas vezes ou, então, jamais chagaremos ao céu. Enquanto o mundo, o diabo e os nossos próprios corações forem como são, as coisas têm de ser assim.

Descobriremos quão útil é relembrar-nos dessa lição, para então transmiti-la aos nossos semelhantes. Poucas coisas são mais prejudiciais à religião do que as expectativas exageradas e fora de proporção. Certas pessoas esperam encontrar uma medida de conforto mundano no serviço de Cristo, embora não tenham o direito de esperar. E, não encontrando o que esperavam, sentem-se tentadas a desistir, desgostosas, da religião. Feliz é quem compreende que, embora o cristianismo traga uma coroa no final da carreira, traz também uma cruz para o caminho.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

“NÃO PENSEIS QUE VIM TRAZER PAZ À TERRA”


“NÃO PENSEIS QUE VIM TRAZER PAZ À TERRA”

“Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa” (Mt 10.34-36).

Nestes versículos, o nosso Senhor Jesus conclui a primeira incumbência que determinou àqueles que estava enviando para divulgar o seu evangelho. Ele declarou três grandiosas verdades, que formam uma apropriada conclusão para o seu discurso.

Em primeiro lugar, Cristo ordena lembrarmos que o evangelho nem sempre instaurará paz e concórdia onde for anunciado. “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada”. O objetivo da vinda de Cristo à terra não foi o de inaugurar um reino milenar, dentro do qual todos teriam uma única atitude mental; antes, Ele veio trazer o evangelho que haveria de provocar divisões e contendas. Não temos o direito de nos sentirmos surpreendidos se essa predição vai sendo incessantemente cumprida. Não devemos estranhar se o evangelho chegar a dividir famílias inteiras, separando até mesmo os parentes mais achegados. Com certeza esse será o resultado do evangelho em muitos casos, por causa da arraigada corrupção do coração humano. Enquanto um homem crê e outro permanece na incredulidade, enquanto um homem resolve desistir de seus pecados, mas outro está resolvido a continuar em pecado, o resultado da pregação do evangelho será divisão. Não devemos culpar o evangelho, mas, sim, o coração do homem.

Nestes ensinamentos há uma profunda verdade, embora seja constantemente esquecida e negligenciada. Muitos falam em termos vagos acerca da unidade, harmonia e paz na igreja de Cristo, como se devêssemos esperar por essas coisas, e pelas quais tudo o mais devesse ser sacrificado. Tais pessoas fariam bem em relembrar as palavras de nosso Senhor. Não há dúvida, a unidade e a paz são bênçãos poderosas. Deveríamos buscar alcançá-las, orando por elas e até desistindo de tudo o mais para as obtermos, excetuando a bondade e uma boa consciência. Porém, é um sonho vão supormos que neste mundo as igrejas de Cristo desfrutarão de grande unidade e paz.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

“DISPOSTOS A DESISTIR DE TUDO”


“DISPOSTOS A DESISTIR DE TUDO”

“Grandes multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.25,26).

Os verdadeiros crentes têm de estar dispostos a desistir de tudo, por amor a Cristo, se for necessário. Esta lição é ensinada através de uma linguagem notável. Nosso Senhor disse: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo”.

Sem dúvida, esta expressão tem de ser interpretada com algum esclarecimento. Nunca devemos explicar qualquer texto das Escrituras de tal maneira que ele venha contradizer outro texto. Nosso Senhor não tencionava que entendêssemos que o verdadeiro cristão tem o dever de odiar seus parentes. Isso seria contrário ao quinto mandamento. Ele apenas pretendia dizer que seus seguidores devem amá-Lo com um profundo amor, mais intenso do que o amor manifestado em seu relacionamento com pessoas queridas e achegadas e do que o amor a suas próprias vidas. O Senhor Jesus não desejava ensinar que contender com nossos amigos e parentes é uma parte essencial do cristianismo; porém, estava dizendo que, se as reivindicações de nossos parentes e amigos entrarem em conflito com as dEle mesmo, precisamos deixar de lado as reivindicações de nossos parentes e amigos. Antes, devemos escolher desagradar aqueles que amamos na terra do que desagradar Aquele que morreu por nós na cruz.

A exigência que o Senhor Jesus coloca sobre nós é peculiarmente severa e perscrutadora. No entanto, é uma exigência sábia e necessária. A experiência demonstra que, tanto na igreja como em nossa própria pátria e nos campos missionários longínquos, alguns dos inimigos da alma de um homem são, em muitas ocasiões, os seus próprios parentes. Às vezes, acontece que o maior obstáculo no caminho de uma pessoa despertada em sua consciência é a oposição de amigos e parentes. Pais incrédulos não podem suportar ver seus filhos assumindo uma nova postura referente às coisas espirituais. Mães ímpias ficam irritadas ao verem suas filhas sem vontade de participarem nas atividades do mundo. Conflito de opiniões ocorre sempre que a graça divina adentra em uma família. Então, surge aquele tempo em que o verdadeiro seguidor de Cristo tem de lembrar a essência das palavras de nosso Senhor nesta passagem e precisa estar disposto a ofender seus familiares, ao invés de ofender a Cristo.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

“OUVE-ME AS VOZES SÚPLICES”


“OUVE-ME AS VOZES SÚPLICES”

“Ouve-me as vozes súplices, quando a ti clamar por socorro, quando erguer as mãos para o teu santuário” (Sl 28.2).

Esta petição é emblema de um coração em angústia. O ardor e veemência de Davi em oração são também demonstrados pelo expressivo substantivo voz e pelo expressivo verbo clamar. Quer dizer que estava tão abalado pela ansiedade e medo, que orava não com frieza, mas com ardor, com veemente desejo, como aqueles que, sob a pressão da tristeza, gritam com veemência. Na segunda cláusula do versículo, fazendo uso de sinédoque, a coisa significada é indicada pelo sinal. Tem sido uma prática comum, em todos os tempos, pessoas erguerem suas mãos em oração. A natureza tem criado esse gesto, até mesmo nos idólatras pagãos, para mostrar por meio de um sinal visível que suas mentes eram dirigidas somente para Deus. A maioria, é verdade, se satisfaz com a mera cerimônia, esforçando-se por não serem afetados com suas próprias invenções; mas o próprio ato de erguer as mãos, quando não há hipocrisia e fraude, é um auxílio para a oração devota e zelosa. Davi, contudo, não diz aqui que ele erguia suas mãos para o céu, e, sim, para o santuário por meio do qual, auxiliado por sua proteção, ele podia ascender mais facilmente ao céu. Ele não estava tão grosseiro ou tão supersticiosamente ligado ao santuário externo, como se não soubesse que devia buscar a Deus espiritualmente e que os homens então só se aproximam dele quando, deixando o mundo, pela fé penetram a glória celestial. Recordando, porém, que ele era homem, Davi não negligenciaria tal auxílio oferecido à sua enfermidade. Como o santuário era o penhor ou emblema do pacto de Deus, Davi via ali a presença da prometida graça de Deus, como se ela fosse representada num espelho; justamente como os fiéis agora, se desejam ter a percepção da proximidade de Deus com eles, imediatamente dirigem sua fé para Cristo, que desceu a nós em sua encarnação para que pudesse elevar-nos ao Pai. Compreendamos, pois, que Davi subia ao santuário com nenhum outro propósito senão que, pelo auxílio da promessa divina, pudesse pairar acima dos elementos do mundo, os quais ele usava, contudo, segundo as determinações da lei. O termo hebraico, o qual traduzimos por santuário, significa a sala interior do tabernáculo ou templo, ou o lugar santíssimo, onde se encontrava a arca do concerto, e é assim chamado proveniente das respostas ou oráculos que Deus revelava dali, com o fim de testificar a seu povo a presença de seu favor entre eles.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

“A TI CLAMO, Ó SENHOR; ROCHA MINHA”

“A TI CLAMO, Ó SENHOR; ROCHA MINHA”

“A ti clamo, ó Senhor; rocha minha, não sejas surdo para comigo; para que não suceda, se te calares acerca de mim, seja eu semelhante aos que descem à cova” (Sl 28.1).

Após ser libertado de grandes perigos pelo socorro divino, Davi, neste Salmo, segundo seu costume, primeiramente registra os votos que fizera em meio às suas dificuldades, e então [registra] suas ações de graças e louvores a Deus, com o fim de induzir outros a seguirem seu exemplo. É provável que ele esteja se referindo às suas perseguições movidas por Saul.

Davi começa declarando que se valeria unicamente do socorro divino, no que mostra tanto sua fé quanto sua sinceridade. Embora os homens labutem por toda parte sob um enorme volume de problemas, todavia raramente um em cem recorre a Deus. Quase todos, tendo suas consciências sobrecarregadas de culpa, e não havendo jamais experimentado o poder da graça divina que poderia levá-los a apropriar-se dele, ou soberbamente se atormentam um bocado ou se enchem com queixas sem valor, ou dão vazão ao desespero, desfalecendo sob o peso de suas aflições. Ao chamar Deus, rocha minha, Davi mais plenamente demonstra que confiava na assistência divina, não só quando se achava à sombra e em paz, mas também quando se achava exposto às mais severas tentações. Ao comparar-se com os mortos, ele igualmente informa quão grandes eram seus apertos, ainda que seu objetivo não fosse meramente realçar a magnitude de seus perigos, mas também mostrar que quando necessitava de socorro, não o buscava aqui e ali, mas descansava somente em Deus, sem cujo favor não restaria esperança alguma para ele. Portanto, é como se dissesse: Se me deixares, me transformarei em nulidade; se não me socorreres, perecerei. Para alguém que se acha em tal estado de aflição não basta ser sensível à sua miséria, a menos que se convença de sua incapacidade de se ajudar e renuncie todo e qualquer auxílio do mundo, recorrendo tão-somente a Deus. E como as Escrituras nos informam que Deus responde aos verdadeiros crentes quando mostra através de suas operações que ele leva em conta suas súplicas, assim a expressão, se te calares, é posta em oposição à sensível e presente experiência de seu auxílio, quando parece, por assim dizer, não ouvir suas orações.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

“TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO”


“TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO”

“Acaso, não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1Co 6.19,20).

O apóstolo Paulo usa mais dois argumentos para abstermo-nos da imundícia. O primeiro consiste em que “os nossos corpos são templos do Espírito Santo”; e o segundo consiste em que não vivemos sob nossa própria jurisdição, visto que o Senhor nos adquiriu para ele mesmo como sua propriedade particular. Há uma associação de ênfase no uso do termo “templo”, pois, visto que o Espírito de Deus não pode permanecer num ambiente impuro, tornamo-nos sua residência somente quando nos consagramos como seus santuários. Que grande honra nos confere Deus em querer habitar em nós! Portanto, que vivamos em pleno temor a fim de não o expulsarmos, e ele, por sua vez, nos abandone, irado contra os nossos atos sacrílegos.

E que não sois de vós mesmos? Este é o segundo argumento, a saber: que não estamos sob nossa própria autoridade, vivendo segundo o nosso bel-prazer. A razão que ele apresenta em prol disto é que o Senhor já pagou o preço de nossa redenção, e nos adquiriu para ele mesmo. Paulo se expressa em termos similares em Romanos 14.9: “Porque foi para isto que Cristo morreu e ressuscitou, para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos”.

Então, a palavra “preço” pode ser considerada de duas formas, a saber: Podemos entendê-la num sentido literal, como quando falamos normalmente de algo como tendo um “valor de custo”, visto que desejamos deixar bem claro que não o obtemos de graça. O outro significado é aquele substituído por “caro”, “alto preço”, quando geralmente descrevemos as coisas que nos custam um valor muito elevado. Em minha opinião, não há dúvida de que o segundo é mais satisfatório. O apóstolo Pedro escreve em termos similares: “Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa maneira de viver...mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1Pe 1.18,19). Eis o sentido: que a redenção nos mantenha constrangidos, e mantenha a licenciosidade de nossa carne sob a pressão do freio da obediência.

“Glorificai a Deus no vosso corpo”. Dessa conclusão torna-se evidente que os coríntios presumiam que podiam fazer o que bem lhes agradasse com respeito às questões externas, as quais tinha de ser limitadas e refreadas. O apóstolo Paulo, pois, fornece os meios de correção, aqui, onde ele os avisa de que o corpo, bem como a alma, estão sujeitos a Deus, e, portanto, é justo que ambos sirvam à sua glória. É como se dissesse: “Na verdade, a mente de um crente deve ser pura diante de Deus, mas também assim deve ser no tocante à sua conduta externa, a qual é vista pelos homens; esta deve estar em submissão, visto que a autoridade sobre ambos pertence a Deus, que redimiu a ambos”. Com o mesmo propósito em vista, ele assevera no versículo 19 que não é apenas nossa mente, mas também nosso corpo, ambos são templos do Espírito Santo, de modo que não tenhamos ilusão de que podemos inocentar-nos diante dele, pois só podemos fazer isso quando nos dedicamos ao seu serviço, total e sinceramente, para que venhamos também direcionar as ações externas de nossas vidas segundo [os parâmetros de] sua Palavra.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

domingo, 10 de agosto de 2025

Opwekking 896 - Reikhalzend

AVIVAMENTO - 896 


Reikhalzend - Ansiosamente

Aguardamos ansiosamente as nuvens,
Até que apareças em glória às nações.
Como o relâmpago ilumina o céu,
Assim virá o Filho do Homem, e eis que...

A criação se ajoelha.
O céu se alegra.
Sua noiva se levanta.
Sua igreja testifica.

Refrão:

Rei Jesus, nome supremo,
Tu mereces o lugar de honra.
Toda a glória, todo o louvor,
Toda a honra ao Filho de Deus.

Com as mãos erguidas, desinibidas,
Abrimos espaço para Ti, cheios de anseio.
Como os anjos ao redor do teu trono,
Clamamos em alta voz:

Toda a glória ao Filho de Deus.

A criação se ajoelha.
O céu se alegra.
Sua noiva se levanta.
Sua igreja testifica.

(Refrão)

Ponte (2x):

Vozes se unem,
Corações clamam:
Não há ninguém como Tu, ninguém como Tu.
O céu toca a terra,
Se um nome permanecer.
Não há ninguém como Tu, ninguém como Tu.

(Refrão)

Toda a glória ao Filho de Deus.

Mt 24:29-30, At 7:55-56
Letra e música: Sander Nijbroek e Sarah Ben Hamida


Deus nos abençoe!

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

“VENDO A NUDEZ DO PAI, FÊ-LO SABER, FORA”


“VENDO A NUDEZ DO PAI, FÊ-LO SABER, FORA”

“Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos (Gn 9.20-22).

Essa circunstância é acrescentada para agravar a dor de Noé, pois ele é ridicularizado por seu próprio filho. Por isso, devemos manter sempre na memória que essa punição lhe foi divinamente infligida, em parte porque sua falha não era de caráter leve, em parte para que Deus, em sua pessoa, apresentasse uma lição de temperança a todas as épocas. Em si, a embriaguez tem como recompensa o seguinte fato: que aqueles que apagam de si mesmos a imagem de seu Pai celestial se tornam motivo de riso para seus próprios filhos. Pois certamente, tanto quanto possível, os ébrios subvertem seu próprio entendimento e se privam ao máximo da razão, a ponto de degenerar-se em animais irracionais. E recordemo-nos que, se o Senhor se vingou tão seriamente de uma única transgressão do santo homem, ele certamente será o vingador não menos severo contra os que vivem diariamente embriagados; e disso temos exemplos suficientemente numerosos diante de nossos olhos.

Enquanto isso, por rir-se desdenhosamente de seu pai, Cam revela seu próprio caráter depravado e maligno. Bem sabemos que os pais, depois de Deus, devem ser profundamente reverenciados; e, se não houvesse nem livros, nem sermões, a própria natureza nos inculca constantemente essa lição. O consenso popular concorda que a piedade para com os pais é a mãe de todas as virtudes. Portanto, Cam teria sido de uma disposição excessivamente ímpia, perversa e depravada; posto que ele não somente tomou gosto pelo opróbrio do pai, mas também se dispôs a lhe expor a seus irmãos. E isso não se constitui uma leve ocasião de ofensa; primeiro, que Noé, o ministro da salvação aos homens e o principal restaurador do mundo, em extrema velhice, ficou embriagado em sua casa; e, segundo, que o ímpio e perverso Cam tivesse saído do santuário de Deus. Este selecionou oito almas para ser uma santa semente, totalmente purificada de toda e qualquer corrupção, para renovação da Igreja; mas o filho de Noé mostra quão necessário é que os homens sejam refreados por Deus, por mais que sejam exaltados por privilégios.

A impiedade de Cam nos prova quão profunda é a raiz da perversidade nos homens; e que ela produz continuamente seus brotos, exceto onde o poder do Espírito prevalece sobre ela. Mas se, no sagrado santuário de Deus, no meio de tão exíguo número, se preservou um diabo, não nos maravilhemos se hoje, na Igreja, contendo uma multidão muito maior de pessoas, os maus se acham misturados com os bons. Não hão qualquer dúvida de que a mente de Sem e Jafé foi gravemente ferida quando perceberam em seu próprio irmão tão grande escárnio, e, por outro lado, seu pai vergonhosamente prostrado ali no chão. Que loucura vil foi vista no príncipe do novo mundo! E o santo patriarca da Igreja não podia surpreendê-los menos do que eles tivessem visto a própria arca quebrada, lançada em pedaços, partida e destruída. Entretanto, sua magnanimidade vence também o motivo desse escândalo, e o esconde por sua modéstia.

Somente Cam se apodera avidamente da oportunidade para ridicularizar e injuriar a seu pai; exatamente como os homens perversos estão acostumados a aproveitar as ofensas dos outros, as quais podem servir de pretexto para entregarem-se ao pecado. E sua idade o torna menos desculpável, porquanto não era um jovem lascivo que, por sua irrefletida gargalhada, se deixasse trair por sua própria insensatez, visto que sua idade já passava dos 100 anos. Portanto é provável que ele perversamente tenha insultado dessa maneira a seu pai querendo conquistar para si a licença para pecar impunimente. Hoje vemos muitos agirem assim, os quais, com muito empenho espionam as falhas de pessoas santas e piedosas com o objetivo de, sem qualquer pudor, se entregarem a toda e qualquer iniquidade; inclusive tomam as falhas de outras pessoas como ocasião de endurecimento para assim menosprezarem a Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

sábado, 2 de agosto de 2025

“ELA SERÁ SALVA ATRAVÉS DE SUA MISSÃO DE MÃE”


“ELA SERÁ SALVA ATRAVÉS DE SUA MISSÃO DE MÃE”

“Mas ela será salva através de sua missão de mãe, se perseverar na fé, e amor, e na santificação, com toda sobriedade” (1Tm 2.15).

A debilidade de sua natureza feminina torna a mulher mais tímida e arredia, e o que Paulo tem afirmado presume-se que perturba e confunde até mesmo os espíritos mais viris. E assim o apóstolo modifica o que dissera, adicionando uma consolação; pois o Espírito de Deus não nos acusa nem nos repreende com o fim de cobrir-nos de humilhação e em seguida triunfar-se sobre nós. Ao contrário, ao humilhar-nos em sua presença, uma vez mais nos põe de pé. Isso, como já disse, poderia reduzir as mulheres ao desespero, ouvindo elas que toda a ruína da raça humana lhes é atribuída. Então, que juízo divino será esse que lhes sobrevirá? – pergunta essa que torna todas ainda mais debilitadas diante da ininterrupta consciência de que sua submissão é um emblema sempre presente da ira divina. Daí Paulo, procurando confortá-las e tornar-lhes sua condição suportável, lembrar-lhes que, embora sofram o castigo temporário, a esperança da salvação permanece diante de seus olhos. O efeito positivo desta consolação é duplo e merece nota. Primeiramente, ao colocar diante delas a esperança de salvação, são preservadas do desespero e do medo ante a lembrança de sua culpa; e, em segundo lugar, acostumam-se a suportar com equanimidade e serenidade a imposição de viverem em servidão a seus esposos, de modo a submeter-se-lhes voluntariamente, ao recordarem que obediência desse gênero é igualmente saudável a elas e agradável a Deus. Se esta passagem for torcida para apoiar a justificação pelas obras, como alguns costumam fazer, a solução é fácil. Visto que o apóstolo não esteja tratando, aqui, da causa da salvação, suas palavras não podem e não devem ser usadas para apontar o caminho pelo qual Deus nos guia àquela salvação que ele, por sua graça, nos destinou

É possível que os críticos mordazes achem ridículo que um apóstolo de Cristo não só exorte as mulheres a que deem atenção a maternidade, mas lance isso sobre elas como uma pia e santa obra, indo ainda mais longe dizendo que, com isso, elas poderão obter a salvação. Vemos também a maneira como ele repreende os hipócritas que queriam parecer mais santos do que os demais homens, os quais difamavam o leito conjugal. Mas não é difícil responder a esses ímpios zombadores. Pois, em primeiro lugar, o apóstolo Paulo está tratando, aqui, não meramente de se dar à luz filhos, e, sim, dos muitos e severos sofrimentos que tinham que suportar, tanto em dar à luz filhos quanto em criá-los. Em segundo lugar, seja o que for que os hipócritas ou os sábios do mundo pensem, Deus se deleita mais com a mulher que considera a condição que ele lhe destinou como uma vocação e se sujeita a ela, não recusando o fastio por alimentação, a indisposição, as dificuldades, ou, ainda pior, a temível angústia associada ao parto, ou, algo que exibisse suas grandes e heróicas virtudes, mas que, ao mesmo tempo, se recusasse a aceitar a vocação a elas concedida por Deus. A isso podemos adicionar que nenhuma consolação podia ser mais apropriada ou mais eficaz do que demonstrar que na punição propriamente dita estão os meios (por assim dizer) de assegurar-se a salvação.

Se perseverar na fé. A Vulgata traduz, “em dar à luz filhos, se porventura continuarem na fé”, e esta cláusula era geralmente considerada como uma referência a filhos. Mas Paulo usa uma única palavra para “dar à luz filhos”. E assim a fé deve aplicar-se à mulher. O fato de o substantivo ser singular e o verbo, plural, não implica dificuldade alguma, pois quando um substantivo indeterminado se refere a toda uma classe, ele tem a mesma função de um substantivo coletivo, de modo que a mudança de número no verbo é facilmente admissível.

Demais, para evitar-se a insinuação de que toda virtude feminina está envolvida pelos deveres do matrimônio, o apóstolo imediatamente acrescenta uma lista de grandes virtudes pelas quais as mulheres piedosas devem sobressair-se, para que se distingam das mulheres irreligiosas. Mesmo o dar à luz só é um ato de obediência a Deus quando procede da e do amor. A estes ele adiciona a santificação, a qual inclui toda aquela pureza da vida que convém às mulheres cristãs. Finalmente vem a sobriedade, a qual ele mencionou um pouco antes, ao tratar do vestuário, mas agora a estende a outras partes da vida.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.