"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 18 de julho de 2023

“O PERIGO DA IMPENITÊNCIA PROPOSITAL”


O PERIGO DA IMPENITÊNCIA PROPOSITAL”

“Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido: Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo” (Mt 11.20-24).

Podemos notar nesta repreensão severa de Jesus “que haverá menos rigor” para Tiro, Sidon e Sodoma, no Dia do Juízo, do que para aquelas cidades que tinham ouvido seus sermões e contemplado os milagres que Ele fez, mas não se arrependeram. É o que chamamos de impenitência proposital, ou seja, eles deliberadamente não demonstraram arrependimento.

Pensemos, por um momento, em quanta imoralidade, devassidão, idolatria e escuridão espiritual deve ter havido em Tiro e Sidom. Relembremos a iniquidade de Sodoma. Recordemo-nos de que as cidades designadas por nosso Senhor - Corazim, Betsaida e Cafarnaum - provavelmente não eram piores do que quaisquer outras cidades da Judéia, e que, seja como for, eram muito melhores, moralmente falando, do que Tiro, Sidom ou Gomorra. Então, observemos que os habitantes de Corazim, Betsaida e Cafarnaum achar-se-ão no mais profundo inferno, porquanto, embora tenham ouvido o evangelho, não se arrependeram, e mesmo dispondo de grandes vantagens religiosas, não tiraram proveito delas.

Essas palavras deveriam soar nos ouvidos de todos que ouvem regularmente a pregação do evangelho, mas não querem converter-se. Quão grande é a culpa de tais pessoas, diante de Deus! Que tremendo perigo espiritual em que se acham, dia após dia! Por mais decentes, morais e respeitáveis que possam ser suas vidas, na verdade eles são mais culpados aos olhos de Deus do que os moradores de Tiro e Sidom, ou do que algum miserável habitante de Sodoma. Aquele povo não dispunha de qualquer luz espiritual, mas estes últimos negligenciaram a luz que lhes é proporcionada. Aqueles nunca tiveram oportunidade de ouvir o evangelho, mas estes não querem obedecer-lhe. O coração daquela gente da antiguidade talvez chegasse a sensibilizar-se, se tivessem desfrutado dos mesmos privilégios destes últimos. Tiro e Sidom “se teriam arrependido com pano de saco e cinza”, e Sodoma teria “permanecido até o dia de hoje”.

Só podemos tirar de tudo isso uma única e dolorosa conclusão: a culpa de tais pessoas, insensíveis ao evangelho, será muito maior do que a daqueles antigos, no último dia.

Que todos nós meditemos com frequência a respeito deste assunto! Que fique bem estabelecido em nossas mentes que o fato de ouvirmos e gostarmos do evangelho, apenas, não é o suficiente. Precisamos ir mais além. Devemos fazer o que o Senhor Jesus disse: “arrependei-vos e convertei-vos”. Precisamos, realmente, valer-nos de Cristo, unindo-nos espiritualmente a Ele. Enquanto não fizermos assim, estaremos em grave perigo. No fim, haverá menos rigor para os moradores de Tiro, Sidom e Gomorra, que não ouviram o evangelho, do que para os que agora vivem em nosso meio e ouvem o evangelho, mas morrem na incredulidade.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

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Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

quarta-feira, 12 de julho de 2023

“QUE FILHO HÁ QUE O PAI NÃO CORRIGE?”

 

“QUE FILHO HÁ QUE O PAI NÃO CORRIGE?”

“É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos” (Hb 12.7,8).

O escritor da carta aos Hebreus arrazoa partindo da prática comum dos homens, dizendo que não é saudável para os filhos de Deus viverem livres da disciplina da cruz. Se não há entre os homens, pelo menos entre os prudentes e ajuizados, algum que não corrija a seus filhos, já que eles não podem ser guiados à real virtude sem disciplina, muito menos Deus, que é o melhor e o mais sábio dos pais, negligenciaria um antídoto tão eficaz. Se alguém replicar que esse gênero de correção deixa de existir entre os homens, assim que os filhos saem da adolescência, repondo que ao longo de nossa vida terrena não somos mais que meras crianças em relação a Deus, e que essa é a razão por que a vara terá sempre de ser aplicada às nossas costas. O apóstolo corretamente chega à conclusão de que qualquer um que busque isentar-se da cruz, ao mesmo tempo se exclui do número dos filhos de Deus. Segue-se desse fato que não damos o real valor à bênção da adoção como deveríamos, e rejeitamos toda a graça de Deus quando procuramos evitar sua disciplina. E isso é o que devem fazer todos aqueles que não suportam as aflições com equanimidade. Por que, pois, ele denomina os que evitam a correão de bastardos, em vez de simplesmente estranhos? Precisamente porque o apóstolo está a dirigir-se aos que se encontram arrolados como membros da Igreja e, portanto, filhos de Deus. Ele está a indicar que se eles se desvencilham da disciplina do Pai, então sua confissão de Cristo é falsa e improcedente, de modo que são bastardos e não filhos.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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domingo, 25 de junho de 2023

“SEJA A VOSSA VIDA SEM AVAREZA”

SEJA A VOSSA VIDA SEM AVAREZA”

“Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?” (Hb 13.5,6).

Com o proposito de corrigir a ganância, o autor de Hebreus correta e sabiamente nos incita a vivermos contentes com o que possuímos. Ao vivermos contentes com que o Senhor já nos presenteou - seja muito, seja pouco -, estamos revelando o genuíno desprendimento do dinheiro ou, pelo menos, a boa intenção no correto e moderado uso dele. Pois raramente sucede que o avarento se satisfaça com alguma coisa, senão que, ao contrário, os que não se satisfazem com uma porção moderada, sempre buscarão mais, mesmo quando desfrutem das mais opulentas riquezas. Essa é a doutrina que o apóstolo Paulo diz ter aprendido, ou seja: que aprendera a viver em abundância, bem como a enfrentar necessidades (Fp 4.12). A pessoa que aprende a restringir seus desejos a fim de descansar feliz com sua porção, na verdade conseguiu banir de seu coração o amor ao dinheiro.

Vemos que o servo de Deus cita, aqui, dois fragmentos de testemunho: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”. Quanto ao primeiro, creio que foi inferido do ensino comum da Escritura, embora ele diga que o Senhor, em outra parte, promete que jamais falhará em relação a nós. De tal promessa ele infere o que se acha expresso no Salmo 118.6, “O Senhor está comigo; não temerei. Que me poderá fazer o homem?”, ou seja: que possuímos uma forte base para subjugar o medo quando nos sentimos seguros do auxílio divino. É indubitável que a ausência de fé constitui a fonte da avareza. Qualquer que alimente a firme convicção de que jamais será esquecido pelo Senhor não viverá em nociva perplexidade, visto que sua dependência está radicada na providência divina. Portanto, ao desejar o apóstolo curar-nos da doença da avareza, com propriedade nos lembra das promessas divinas, pelas quais ele testifica que Deus estará sempre presente conosco. Daqui ele conclui que, enquanto tivermos um Ajudador tão solícito, não deve existir motivo algum para medo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 13 de junho de 2023

JEZUS OVERWINNAAR: HET CONCERT

Jesus Vitorioso: O Concerto


Deus nos abençoe!

“OS ELEITOS DE DEUS E A CONVERSÃO”


“OS ELEITOS DE DEUS E A CONVERSÃO”

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29).

Quaisquer que sejam os propósitos de Deus, os quais são secretos, estou certo de que suas promessas são fiéis. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.26-30).

Com que desespero os rebeldes argumentam: “Se eu sou eleito, serei salvo; não importa o que eu faça. Caso contrário, estarei perdido, faça o que fizer”. Pecador perverso, você começa onde deveria terminar. A Palavra não está longe de você? O que ela diz? “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3.19). “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (At 16.31). “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (Rm 8.13). O que pode ser mais claro? Não fique discutindo sobre a eleição, mas disponha-se a arrepender-se e a crer. Clame a Deus pela graça da conversão. As coisas reveladas lhe pertencem; ocupe-se com elas. Como já bem disse alguém: “Aqueles que não se alimentam da carne da Palavra ficarão sufocados com os ossos”. Quaisquer que sejam os propósitos do céu, estou certo de que se eu me arrepender e crer, serei salvo; e se não me arrepender, serei condenado. Isto não é um chão seguro para você?

Mais particularmente, esta mudança de conversão entende-se ao homem na sua totalidade. Uma pessoa carnal pode ter alguns fragmentos de boa moralidade, mas jamais será completamente boa. A conversão não é o simples reparo de um velho edifício; mas ela o derruba por completo e edifica uma nova estrutura. Não se trata de um remendo de santidade; mas, no caso do verdadeiro convertido, a santidade é tecida em todas as suas capacidades, princípios e práticas. O cristão autêntico é, por assim dizer, uma nova estrutura, desde os alicerces até o telhado. Ele é um novo homem, uma nova criatura; todas as coisas se tornaram novas (2Co 5.17). A conversão é uma obra profunda, é uma obra do coração. Ela produz um novo homem num novo mundo. Ela se estende ao homem inteiro: à mente, aos membros e a todos os aspectos da sua vida.

Deus nos abençoe!

Joseph Alleine (1634-1668).

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sexta-feira, 9 de junho de 2023

“MAS FOSTES SANTIFICADOS”


“MAS FOSTES SANTIFICADOS”

“Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1Co 6.11).

Os membros, estes que antes eram instrumentos do pecado, agora se tornaram instrumentos santos no templo vivo de Cristo. Aquele que antes desonrava o seu corpo, agora possui o seu vaso em santificação e honra, em temperança, em castidade, em sobriedade, e o dedica ao Senhor.

O olho, que antes era irrequieto, dissoluto, arrogante, cobiçoso, é agora empregado, como o de Maria, em chorar pelos seus pecados, em contemplar a Deus através das Suas obras, em ler a Sua Palavra ou procurar motivos de misericórdia e oportunidades para o Seu serviço.

O ouvido, que antes estava aberto à voz de Satanás, e que só se deleitava com coisas imundas ou conversas vãs e com a risada dos tolos, encontra-se agora conquistado por Cristo e aberto aos Seus mensageiros. Ele diz: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve”. Ele espera por Suas palavras como pela chuva e tem mais prazer nelas do que no alimento (Jó 23.12), mais do que no mel e do que no licor dos favos (Sl 19.10).

A cabeça, que estava cheia de desígnios mundanos, está agora cheia de outros assuntos e aplica-se ao estudo da vontade de Deus; e o homem usa sua cabeça não tanto para obter lucro, mas para cumprir o seu dever. Os pensamentos e preocupações que enchem sua cabeça são, principalmente, como poderá agradar a Deus e fugir do pecado.

Seu coração, que era um poço de imundícia, tornou-se agora um altar de incenso onde o fogo do amor divino é mantido sempre aceso, do qual o sacrifício diário de oração e louvor, do doce aroma de desejos santos, exaltações e intercessões se elevam continuamente.

A boca tornou-se uma fonte de vida; sua língua é como prata escolhida e seus lábios alimentam a muitos. O sal temperou seu discurso e tirou a corrupção (Cl 4.6) e limpou o homem das conversas imundas, frívolas, jactanciosas, injuriosas, mentirosas, blasfemadoras, caluniadoras que outrora saiam como relâmpagos do inferno que havia em seu coração (Tg 3.6). A garganta, que era sepulcro aberto, agora exala o doce hálito da oração e do discurso santo e o homem fala uma outra língua, na linguagem da Canaã celestial, e jamais se sente tão bem como quando fala de Deus, de Cristo e dos assuntos referentes ao outro mundo. Sua boca produz sabedoria; sua língua se tornou a trombeta prateada de louvor ao seu Criador.

Nessas coisas, contudo, você encontrará o hipócrita tristemente deficiente. Ele fala, talvez, como um anjo, mas tem um olhar cobiçoso ou o lucro da injustiça em sua mão. Sua mão é branca, mas seu coração está cheio de imundícia (Mt 23.27), cheio de cobiças não dominadas, um forno cheio de concupiscência, uma fábrica de orgulho – a sede da malícia. Talvez, como a estátua de Nabucodonosor, ele tenha uma cabeça de ouro – uma grande quantidade de conhecimento – mas ela tem pés de barro; suas afeições são mundanas, ocupa-se de coisas terrenas, seu caminho e andar são sensuais e carnais.

Deus nos abençoe!

Joseph Alleine (1634-1668).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
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“O AUTOR DA CONVERSÃO”


“O AUTOR DA CONVERSÃO”

“O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6).

O autor da conversão é o Espírito de Deus e, portanto, ela é chamada de “santificação do Espírito” (2Ts 2.13). Isto não exclui as outras pessoas da Trindade, pois o apóstolo nos ensina que devemos bendizer o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, “que segundo a sua muita misericórdia nos regenerou para uma viva esperança” (1Pe 1.3). E Cristo é mencionado como aquele que concede “a Israel o arrependimento” (At 5.31). Contudo, esta obra é atribuída principalmente ao Espírito Santo, e por isso é dito que somos “nascidos do Espírito” (Jo 3.5,6).

Portanto, a conversão é algo que supera o poder humano. Somos “nascidos, não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.13). Vocês jamais devem pensar que podem converter-se a si mesmos. Se tiverem de ser convertidos para a salvação, abandonem qualquer esperança de fazê-lo segundo a sua própria força. É uma ressurreição dos mortos (Ef 2.1), uma nova criação (Gl 6.15), uma obra de absoluta onipotência (Ef 1.19). Isto tudo não está fora do alcance humano? Se não têm nada mais do que aquilo que receberam na ocasião do primeiro nascimento – uma boa natureza, um temperamento humilde, etc. – estão longe da verdadeira conversão.

Na regeneração Deus implanta em Seus eleitos uma nova natureza conduzindo-os a conversão. O termo conversão é empregado geralmente para exprimir os primeiros exercícios dessa nova natureza. É a suspensão de velhas formas de viver para o início de uma nova vida. "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2Co 5.17).

Deus nos abençoe!

Joseph Alleine (1634-1668).

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quarta-feira, 7 de junho de 2023

CHEIO DO ESPÍRITO: Diferença entre Atos 2.4 e Efésios 5.18

 

CHEIO DO ESPÍRITO: A Diferença entre Atos 2.4 e Efésios 5.18

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (At 2.4).

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).

Em Atos capítulo 1 versículo 5, lemos que o nosso Senhor disse aos discípulos que eles seriam “batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias”. Então, em Atos 2, obtemos o cumprimento desta promessa. O interessante é que Atos 2, onde nos é dado um relato de como os primeiros discípulos e apóstolos foram batizados com o Espírito Santo, o termo ‘batismo” não é usado; somos informados que “todos foram cheios do Espírito Santo”, e esse é o termo que geralmente é usado depois.

Isso tende a levar à confusão – as pessoas chegam à conclusão de que, toda vez que você se deparar com a frase “cheio do Espírito”, necessariamente terá que significar exatamente a mesma coisa. E é assim que muitas pessoas ficam totalmente confusas com o que lemos em Efésios 5.18: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”. Agora veja isto, os discípulos ficaram cheios do Espírito no Dia de Pentecostes. Assim, essas pessoas tendem a cair no erro e na confusão de imaginar que essas coisas são idênticas.

O problema aqui é uma falha de entender o ensino do Novo Testamento sobre a obra e o modo de operação do Espírito Santo. Ele cumpre várias funções; elas incluem convicção e, particularmente, a regeneração. Mas ele também faz o trabalho de nos santificar: é o Espírito quem nos santifica através da verdade. Além disso, ele tem um grande papel nos assuntos da segurança, da certeza e, com isso do testemunho, do testificar, do mistério e da obra. Ora, as funções do Espírito Santo devem ser diferenciadas, caso contrário, haverá confusão interminável.

Assim, parece-me (e sempre foi reconhecido pelos grandes tratamentos clássicos deste assunto na doutrina da pessoa e da obra do Espírito Santo) que seu trabalho pode ser dividido da seguinte forma: sua obra regular e sua obra excepcional – ou se você preferir em uma linguagem diferente, sua obra indireta e sua obra direta.

Agora esta divisão na obra e operação do Espírito Santo é de grande importância. Talvez eu possa ilustrar isso de novo para você falando sobre avivamentos religiosos. O Espírito Santo está na igreja hoje e ele faz uma obra regular nela, embora estes sejam os dias das pequenas coisas. Mas não devemos desprezar esses dias porque, afinal de contas, o que está acontecendo é a obra do Espírito Santo. É isso que quero dizer com sua obra regular. Mas no momento em que você começa a ver os avivamentos religiosos, notamos que estes se sobressaem na história da igreja. Eles ainda são a obra do Espírito Santo, ele é ainda o operador, mas agindo de uma maneira excepcional e incomum.

Ou, considerando minha outra classificação, que é, talvez, para nosso propósito imediato, a mais importante das duas – o Espírito Santo normalmente trabalha através de meios. É isso que tenho em mente quando digo que sua obra é “indireta”. É o Espírito Santo quem nos deu a Palavra, e seu ministério regular, seu trabalho ordinário (se alguém pode usar tal termo em relação ao Espírito Santo) é lidar conosco através das Escrituras. Ele ilumina a mente, nos dá compreensão, abre as Escrituras para nós, usa o mestre ou o pregador, e assim por diante. Agora, mesmo que essa obra seja mais ou menos indireta, é simples e claro – esse é o centro de toda essa doutrina do batismo com o Espírito Santo – que o Espírito também trabalha e opera de maneira direta.

Eu quero tentar mostrar-lhes, portanto, que a maneira de evitar esta confusão de assumir que cada vez que você encontrar a expressão “cheio do Espírito” significa exatamente a mesma coisa, é observar o contexto e ver o que o escritor está falando. Em Efésios 5.18, como eu quero mostrar a você, ele está lidando com a santificação, e isso é mais ou menos sua obra regular, e, portanto, não tem nada a ver diretamente com toda essa questão de ser capaz de definir o que se entende por batismo com o Espírito Santo. Eu quero sugerir que um homem pode ser cheio do Espírito de maneira regular, nos termos de Efésios 5.18, e ainda não ser batizado com o Espírito de forma excepcional, direta e incomum, como vemos em Atos 2.

Deus nos abençoe!

Pr. Martyn Lloyd-Jones

*Extraído do livro “O batismo e os dons do Espírito: Poder e renovação segundo as Escrituras” – Martyn.Lloyd-Jones, Carisma Editora.

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domingo, 21 de maio de 2023

"E O LUGAR CHAMOU-SE CAPÃO DAS AMORAS"


"E O LUGAR CHAMOU-SE CAPÃO DAS AMORAS"

Em setembro de 1926, o reverendo Luiz Lens de Araújo Cézar, ao voltar de uma visita a um amigo, passou por um lugar onde havia um grande bosque de amoreiras. Logo encantou-se com a beleza e harmonia que reinavam naquele local. Pastor presbiteriano da igreja em Curitiba, sentiu em seu coração estabelecer ali, um ponto de pregação. Ao encontrar-se com seus pares, na Igreja que pastoreava, desafiou-os a empreender com ele, essa obra. Após orarem a respeito, dirigiram-se ao local. Iniciaram cantando hinos. Suas vozes atraíram pessoas, que se uniram a eles. Entusiasmado, Reverendo Luiz L. A. Cézar, num púlpito improvisado com uma tina de lavar roupa, emborcada, (cedida por uma moradora), fez ali, seu primeiro sermão e então, chamaram o lugar de "Capão das Amoras". Daquele dia em diante, semanalmente, um grupo de líderes da igreja voltou ao lugar e um grupo assíduo de 80 pessoas aproximadamente se formou. A salvação em Cristo Jesus foi anunciada por seis anos, numa congregação de pessoas, a céu aberto, sem teto. Mesmo com o frio curitibano nas épocas de inverno, o grupo se reunia ao relento, sem por isso enfraquecer. Esta foto de 1932, mostra a reunião da congregação já sendo feita diante de uma pequena casinha de madeira construída para abrigar os membros. O pequeno órgão que aparece no canto esquerdo inferior da foto, era transportado do templo da rua Comendador Araújo, por bonde, até o Capão das Amoras, toda vez que tinha culto. Assim formou-se a Congregação do "Capão das Amoras", no local onde hoje está a Igreja Presbiteriana da Av Silva Jardim, 4155. Em 1933, o arquiteto Celso Vianna, produziu o projeto de um templo e coordenou sua edificação. A jovem igreja agora chamada "Congregação do Capão das Amoras", ganhou “casa própria”, e nela habitou por sessenta e seis anos. Cresceu em número, fortaleceu-se, tornou-se robusta na sua fé e revelou sua inegável vocação missionária. Em 09/08/1958, em culto vespertino, a Congregação é reorganizada e passa a ser a 2ª Igreja Presbiteriana de Curitiba. Em 1963, passa a ser denominada Igreja Presbiteriana Silva Jardim. Neste ano é inaugurada em suas instalações, também, uma escola que oferecia: Jardim de Infância, Curso primário e Curso de Artes Industriais. Muitos moradores da comunidade, à época, foram beneficiados pelos cursos ali oferecidos. Com o passar dos anos, a igreja cresceu e um novo templo precisava ser construído, pois o velho templo de madeira estava corroído pelo tempo, já não atendia o fim a que era destinado. O Templo de madeira foi então, removido para o Bosque Alemão, tombado pela Prefeitura de Curitiba, e representa a contribuição alemã e dos reformadores, à formação da cultura curitibana. O trabalho intensifica-se, e em 1997, inauguram-se as dependências do novo Templo da IP Silva Jardim. Alguns anos depois, também foi inaugurado o prédio da Escola de Educação Bíblica D. Florência Withers Rodbard, e adquirido o espaço que hoje constitui o estacionamento da IPSilvaJardim.

Adaptação de Paulo Grani.

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