“JERUSALEM OF GOLD”
ירושלים של זהב - הילה בן דוד
“JERUSALEM OF GOLD”
ירושלים של זהב - הילה בן דוד
“Porquanto cada árvore
é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros,
nem dos abrolhos se vindimam uvas. O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro
tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6.44,45).
Destes versículos
podemos aprender que existe apenas um teste satisfatório para julgarmos o
caráter da vida espiritual de uma pessoa. Este teste é seu comportamento e
conversa.
As palavras de nosso
Senhor Jesus sobre este assunto são claras e inconfundíveis. Ele utilizou a
ilustração de uma árvore e estabeleceu um princípio universal: “Cada árvore é
conhecida pelo seu próprio fruto”. Mas Ele não parou por aí. Prosseguiu mostrando
que a conversa de um homem revela o estado de seu coração: “A boca fala do que
está cheio o coração”. Estas duas afirmativas são profundamente importantes. Ambas
precisam ser guardadas entre as principais máximas de nosso cristianismo
prático.
Este deve ser um firme
princípio de nosso cristianismo: quando uma pessoa não apresenta o fruto do
Espírito, ela não possui o Espírito Santo em seu coração. Resistamos,
considerando-a um erro fatal, à ideia de que todas as pessoas batizadas são
nascidas de novo, e que todos os membros da igreja têm o Espírito Santo. Uma
simples pergunta deve ser nosso critério: que fruto esta pessoa está
demonstrando? Ela abomina as obras da carne? Ela se arrependeu de seus pecados?
De todo o coração, ela crê em Jesus Cristo? Ela vive em santidade, vencendo o
mundo? Quando estes
frutos estão ausentes, não podemos afirmar que alguém possui o Espírito de
Deus em seu coração.
Também este deve ser um
firme princípio de nosso cristianismo: quando a conversa geral de uma pessoa é
ímpia, o seu coração está destituído da graça divina e ainda não se converteu
ao Senhor Jesus. Não devemos aceitar a ideia habitual de que não podemos
conhecer o coração dos outros e de que, embora os homens estejam vivendo de
maneira pecaminosa, em seu íntimo possuem bons corações. Tal ideia é contrária
ao ensino de nosso Senhor. A maior parte da conversa de uma pessoa é mundana,
carnal, contrária às coisas espirituais, ímpia e profana? Então reconheçamos
que esse é o estado de seu coração.
Terminemos esta palavra
com uma auto-inquirição, utilizando-a para julgar nosso próprio estado diante
de Deus. Que frutos estamos apresentando em nossas vidas? São do Espírito de
Deus, ou não? Que tipo de evidência nossas conversas fornecem quanto ao estado
de nosso coração? Falamos como pessoas cujos corações são retos diante de Deus?
Não podemos esquivar-nos do ensino apresentando por nosso Mestre e Senhor: a
conduta é o grande teste do caráter e as palavras são uma grande evidência do
estado de nosso coração.
Deus nos abençoe!
J.C.Ryle (1816-1900).
“Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão” (Lc 6.41-42).
Destes versículos aprendemos que devem se esforçar para manter uma vida pura aqueles que repreendem os pecados dos outros. Nosso Senhor Jesus nos ensina esta lição por meio de uma afirmação prática. Ele nos mostra a falta de coerência da parte de uma pessoa culpar a outra por ter “um argueiro”, ou seja, algo insignificante em seu olho, enquanto ela própria tem uma “trave”, algo enorme em seu próprio olho.
Esta é uma lição que tem de ser recebida com qualificações bíblicas e
adequadas. Se alguém tivesse de pregar e ensinar aos outros somente quando
estivesse completamente sem falhas, não haveria ensino ou pregação no mundo.
Aquele que errou jamais seria corrigido, e os ímpios nunca seriam repreendidos.
Atribuir este significado às palavras de nosso Senhor faria colidir com o
evidente ensino das Escrituras.
O principal objetivo de nosso Senhor era gravar na mente de seus pregadores
e ensinadores a importância de uma vida coerente. Esta passagem é um solene
aviso para não contradizermos com nossas vidas aquilo que dizemos com nossos
lábios. O ministério de um pregador não conquistará a atenção dos ouvintes, a
menos que ele pratique aquilo que ensina. Ordenação no pastorado, graus
universitários, títulos e aceitação pública de possuir sã doutrina, estas
coisas não asseguram ao sermão do pastor o respeito de seus ouvintes, se a
igreja percebe que ele possui hábitos pecaminosos.
No entanto, existem muitas coisas nesta pastoral que todos faremos bem
se recordarmos. É uma lição que muitas pessoas, e não somente os pastores,
devem considerar com seriedade. Todos os esposos, chefes do lar, pais,
professores, responsáveis por jovens, deveriam pensar com frequência sobre o
“argueiro” e a “trave”. Todas estas pessoas deveriam ver nas palavras de nosso
Senhor a poderosa lição de que nada influencia tanto aos outros quando a
coerência.
Deus nos abençoe!
J.C.Ryle (1816-1900).
“Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos. Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5.15,16).
À luz da natureza do tema, tanto quanto das palavras, é possível
conjecturarmos que os gálatas tinham desavenças entre si; pois diferiam em
matéria de doutrina. O apóstolo Paulo agora demonstra, à luz do resultado, quão
destrutivo é um mal desse gênero no seio da Igreja. Portanto, é possível que o
Senhor haja punido sua ambição, orgulho e outros pecados com o ingresso de
falsas doutrinas. Tal coisa se pode inferir à luz do que é costumeiro e à luz
da declaração de Moisés em Deuteronômio 13.3.
Pelos termos morder e devorar, o apóstolo, a meu ver, tem em mente
as calúnias, as acusações, brigas e outros tipos de discórdias verbais, bem
como atos de injustiça oriundos ou da fraude ou da violência. E qual é o fim
deles? Ser destruídos, diz Paulo. A
propriedade do amor, porém, é a mútua proteção e bondade. Recordemos sempre,
quando o diabo nos empurrar para as controvérsias, que as desavenças dos
membros no seio da Igreja, não nos levam a parte alguma, senão para a ruina e
destruição de todo o corpo. Quão desditoso, quão louco é que nós, membros do
mesmo corpo, conspiremos voluntariamente e de comum acordo para a mútua destruição?
A ruína da
Igreja não é um mal de somenos importância. Portanto, seja o que for que a
ameace, deve ser resistido com determinação. Mas, com que método? Quando a
carne não exerce domínio sobre nós, e quando nos sujeitamos ser governados pelo
Espírito de Deus. O apóstolo insinua que os gálatas eram carnais, destituídos
do Espírito de Deus e que viviam uma vida indigna de cristãos. Pois, donde
sucede que atacavam uns aos outros, senão do fato de que eram guiados pelas
concupiscências da carne? Tal coisa, diz ele, é sólida evidência de que não
andavam segundo o Espírito.
Devemos atentar para a expressão, jamais satisfareis. Paulo a usa no seguinte sentido: ainda que os filhos de Deus estejam sujeitos a pecar enquanto gemem sob o fardo da carne, todavia não são seus vassalos ou escravos, senão que se esforçam por resistir o pecado. O homem espiritual não está isento das concupiscências da carne e seus constantes apelos, porém não se curva para permitir que reinem sobre ele.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO”
Aquele que ama
concederá a cada pessoa o que lhe é de direito, não injuriará nem fará dano a
quem quer que seja, e, quanto lhe for possível, fará bem a todos. Haverá algo
mais para se cumprir na segunda tábua? Esse é também o argumento que o
apóstolo Paulo usa em Romanos. A palavra próximo inclui todas as pessoas
vivas. Pois estamos todos unidos por uma natureza comum, segundo nos lembra o
profeta Isaías: “que não desprezes o fulgor da tua carne” [Is 58.7]. A imagem
de Deus deve ser um vínculo de união especialmente sagrado. Por isso, aqui não
se faz qualquer distinção entre amigo e inimigo, pois os perversos não podem anular
o direito natural.
A frase, como
a ti mesmo, significa que, como cada pessoa é movida a amar a si
própria em obediência ao impulso da carne, assim o amor por nosso próximo nos é
imposto por Deus. Pois há os que subvertem e não interpretam as palavras do
Senhor, os quais inferem delas que o amor devido a nós mesmos é sempre o
primeiro quanto à ordem, porque quem é governado é inferior ao que governa.
Pois se o amor por nós mesmos fosse o governante, logicamente seria justo e
santo e aprovado por Deus. Mas jamais amaremos o nosso próximo sinceramente e
em consonância com o critério do Senhor enquanto não tivermos corrigido o amor
por nós mesmos. Os dois afetos são opostos e contraditórios; pois o amor [amor] por nós mesmos gera negligência e menosprezo pelos outros,
gera crueldade, é a fonte de avareza, de violência, de falsidade e de todos os
vícios afins, nos compele à impaciência e nos arma com o desejo de vingança. O
Senhor, portanto, requer que ele seja mudado para caridade.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“TODA A LEI SE CUMPRE EM UM SÓ PRECEITO”
“Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5.14).
Neste versículo, uma antítese deve ser completada entre a exortação do
apóstolo Paulo e a doutrina dos falsos apóstolos. Enquanto insistiam só sobre
cerimônias, Paulo relanceia de passagem sobre os verdadeiros deveres e
exercícios dos cristãos. A presente recomendação do amor visava a ensinar aos gálatas
que ele forma a principal parte da perfeição cristã. Mas devemos ver por que
todos os preceitos da lei se encontram compreendidos no amor. A lei consiste de
duas tábuas: a primeira das quais ensina sobre o culto divino e os deveres da
piedade; e a segunda, os deveres do amor. Pois é absurdo tomar uma parte como
se fosse o todo. Alguns evitam isso, dizendo que a primeira tábua nada contém
senão amar a Deus com o nosso coração íntegro. Paulo, porém, expressamente
menciona o amor devido ao próximo, e por isso se deve buscar uma solução firme.
Piedade para com Deus, confesso, é mais proeminente do que o amor devido aos
irmãos; e assim a observância da primeira tábua é mais valiosa à vista de Deus
do que a da segunda. Mas como Deus pessoalmente é invisível, assim a piedade é
algo oculto aos sentidos humanos. E embora as cerimônias sejam destinadas a
testificar dela, todavia não são provas infalíveis. Às vezes sucede de ninguém
ser mais zeloso e sistemático em observar as cerimônias do que os hipócritas.
Deus, portanto, quer fazer prova de nosso amor para ele através do amor devido
ao nosso irmão, o qual ele nos recomenda. Eis a razão porque não só aqui, mas também
em Romanos 13.8,10, o amor é chamado de cumprimento da lei, não porque seja ele
superior ao culto divino, mas porque ele é a prova deste. Deus, como já disse,
é invisível; mas ele se nos representa nas pessoas dos irmãos, e nessas pessoas
requer o que é devido a ele mesmo. O amor para com os homens flui tão-somente
do temor e do amor de Deus. Portanto, não causaria surpresa se por meio de
sinédoque o efeito incluir em si a causa da qual ele é o sinal. Seria, porém,
errôneo separar o amor a Deus do amor aos homens.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“VIA DOLOROSA”
Pela Via Dolorosa, em Jerusalém se viu
Os soldados conduziam meu Jesus
Mas o povo se juntava
Para ver Aquele que levava a cruz.
Com seu corpo já ferido
E marcado pela dor
A coroa de espinhos, viu então
Mas ouvia, a cada passo
Escárnios a ferir-lhe o coração.
Pela Via Dolorosa, a sofrer terrível dor
Como ovelha veio Cristo, Rei e Senhor
Mas quanto amor Jesus mostrou morrendo ali
Por ti, por mim
Pela Via Dolorosa, ao calvário
Segue enfim.
Com seu corpo já ferido
E marcado pela dor
A coroa de espinhos viu então
Mas ouvia, a cada passo
Escárnios a ferir-lhe o coração.
Pela Via Dolorosa, a sofrer terrível dor
Como ovelha veio Cristo, Rei e Senhor
Mas quanto amor Jesus mostrou morrendo ali
Por ti, por mim
Pela Via Dolorosa, ao calvário
Segue enfim.
Seu sangue, porém, a muitos também
Iria remir a Jerusalém.
Pela Via Dolorosa, a sofrer terrível dor
Como ovelha veio Cristo, Rei e Senhor
Mas quanto amor Jesus mostrou morrendo ali
Por ti, por mim
Pela Via Dolorosa, ao calvário
Segue enfim.
“ANTES, ME RECEBESTES COMO ANJO DE DEUS”
“E, posto que a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação,
contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto; antes, me recebestes como
anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus” (Gl 4.14).
Diz o apóstolo Paulo aos Gálatas: E,
posto que a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me
revelastes desprezo nem desgosto, ou seja: “Ainda que percebestes que eu,
pelo prisma do mundo, não passava de um homem humilde, todavia não me
rejeitastes”. Ele a denomina de “tentação” ou “provação”, visto que era algo
desconhecido ou obscuro, e não conseguia ocultá-lo, como as pessoas ambiciosas
costumam fazer quando se sentem envergonhadas de sua pequenez. Às vezes sucede
que os indignos são aplaudidos antes que sua nudez seja percebida, mas logo
depois são descartadas em meio à vergonha e descrédito.
Antes, me recebestes como anjo de Deus. É assim que todo ministro de Deus deve ser
considerado. Porque, como Deus nos distribui suas graças pela atividade dos
anjos, assim os mestres piedosos são divinamente levantados para
administrar-nos a mais excelente de todas as bênçãos, ou seja, a doutrina da
salvação eterna. Portanto, aqueles por cujas mãos Deus nos dispensa um tesouro de
tal natureza são merecidamente comparados a anjos. Além disso, eles são os
mensageiros de Deus, por cujos lábios Deus nos fala. E esse argumento se
encontra em Malaquias 2.7.
Mas Paulo se eleva ainda mais e acrescenta: como o próprio Cristo Jesus. Porquanto
o próprio Senhor ordena que seus ministros sejam considerados assim como ele é:
“Quem vos der ouvidos, ouve a mim, e quem vos rejeitar, a mim me rejeita” [Lc
10.16]. E não é para menos! Pois é em seu lugar que se desincumbem de sua
embaixada. E assim executam a parte daquele em lugar de quem eles agem. Esses
são seus louvores com os quais a majestade do evangelho nos é exibida e seu
ministério adornado. Se é a ordem de Cristo que seus ministros sejam assim
honrados, é indubitável que desprezá-los é algo que procede da instigação do
diabo. E deveras jamais poderão ser desprezados enquanto a Palavra de Deus for
dignificada. Os que querem ser honrados como anjos devem desempenhar o papel
dos anjos. Os que querem ser ouvidos como Cristo o é, então que fielmente
mantenham imaculada a sua Palavra.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“OS JUSTOS FLORESCERÃO COMO A PALMEIRA”
O justo florescerá como a palmeira. O salmista então passa à consideração de
outra verdade geral: que embora Deus exercite seu povo com muitas provações, o
sujeite a dificuldades e o visite com privações, ele eventualmente mostra que não
os tem esquecido. Não carece que nos sintamos surpresos ante sua insistência tão
explícita e cuidadosa neste ponto, como nada sendo mais difícil do que para os
santos de Deus nutrirem expectativas de se soerguerem e se verem livres quando
forem reduzidos quase à condição dos mortos, cuja aparência não revela que estão
vivos. A menção da palmeira e do cedro, o sentido é simplesmente que,
embora os justos pareçam por algum tempo murchos, ou que permaneçam cortados,
novamente brotarão com renovado vigor e florescerão tanto e com tanta beleza na
Igreja de Deus à semelhança dos cedros do Líbano. A expressão empregada - Plantados na Casa do SENHOR - justifica a razão de
seu vigoroso crescimento; tampouco significa que meramente têm um lugar ali (o
que se pode dizer dos hipócritas), mas que estão firmemente fixos e
profundamente arraigados nela, de modo a estarem unidos a Deus. O salmista fala
dos átrios do nosso Deus, porque a
ninguém, senão aos sacerdotes, se permitia entrar no santo lugar; o povo
adorava no átrio. Pela expressão, os que são plantados na Igreja, ele quer dizer que somos unidos a Deus numa conexão
real e sincera, e insinua que sua prosperidade não pode ser de uma natureza mutável
e flutuante, porque ela não se fundamenta em algo pertencente a este mundo. Nem
podemos duvidar que tudo o que tem suas raízes e se fundamenta no santuário
continuará a florescer e a ter participação na vida, a qual é espiritual e
eterna. É neste sentido que ele fala de ainda produzir fruto
e ser viçoso, mesmo na velhice,
quando o vigor e a seiva geralmente estão secos. A linguagem equivale a que estão
isentos da sorte ordinária dos homens e têm uma vida que é removida de sob a lei
comum da natureza. É por isso que Jacó, falando da grande renovação que ocorreu
na Igreja, faz menção daquele feliz período em que, tendo alguém cem anos de
idade, seria ainda criança, significando que, embora a velhice naturalmente
tende para a morte, e quem tiver vivido cem anos se encontra nos próprios
limites dela, todavia no reino de Cristo uma pessoa deve se considerar como estando
meramente em sua infância e se iniciando na vida, se ingressando num novo século.
Isso só podia ser verificado no sentido em que depois da morte teremos outra
existência no céu.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“PELO PODER DO ESPÍRITO
SANTO”
"Porque não ousarei
discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu
intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras, por
força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo" (Rm 15.18-19).
Estes versículos
mostram que o objetivo do apóstolo Paulo era assegurar a aprovação de seu
ministério entre os romanos, para que seu doutrinamento pudesse alcançar
sucesso. Ele prova, portanto, a partir dos sinais,
que Deus, pela presença de seu poder, atestou sua pregação e selou seu
apostolado, de modo que ninguém deve mais duvidar de que ele fora designado e
enviado pelo Senhor. Os sinais que
ele menciona são palavras, obras e
prodígios. Isto mostra que o termo obras inclui mais que milagres. Ele usa a expressão pelo poder do Espírito Santo com o
intuito de concluir sua lista de sinais, e significa que somente pelo Espírito
é que tudo foi efetuado neles. Em resumo, Paulo assevera que, tanto em seu
ensinamento quanto em suas ações, o poder e a energia que havia demonstrado na
proclamação de Cristo revelaram o portentoso poder de Deus. Mas houve também
milagres, diz ele, que eram sinais para tornar sua evidência ainda mais
conclusiva.
Primeiramente, Paulo menciona palavras e obras, e então
particularmente especifica o poder de operar milagres. A mesma ordem é também adotada em Lucas, quando ele diz
que Cristo foi poderoso em obras e
palavras [Lc 24.19]; e em João, quando Cristo mesmo se refere aos judeus em
relação às suas próprias obras como prova de sua Deidade ([Jo 5.36]. Paulo não faz uma simples menção de milagres,
mas os distingue pelo uso de duas expressões diferentes. Onde fala de “força de
sinais e prodígios”, Pedro tem “obras poderosas e prodígios e sinais” ([At
2.22]. Esses são prova do poder de Deus para despertar os homens para
maravilharem-se nele, bem como para adorarem-no ao serem eles estremecidos ante
os prodígios de seu poder. A importância dos milagres é que eles nos despertam
para alguma verdade particular sobre Deus.
Esta é uma passagem
notável, a qual realça a utilidade dos milagres e suscita nos homens reverência
para com Deus, bem como obediência a ele. Assim lemos em Marcos: ”E eles tendo
partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a
palavra por meio de sinais que se seguiam” [Mc 16.20]. Também Lucas em Atos: “...falando
ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que
por mão deles se fizessem sinais e prodígios” [At 14.3].
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).