"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 2 de outubro de 2024

“BONDADE E MISERICÓRDIA CERTAMENTE ME SEGUIRÃO”

(1954 - 2024)

“BONDADE E MISERICÓRDIA CERTAMENTE ME SEGUIRÃO”

“Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre” (Sl 23.6).

Havendo Davi relatado as bênçãos que Deus derramara sobre ele, agora expressa sua convicta persuasão da continuação delas até ao fim de sua vida. Ao dizer a si próprio que, mesmo em meio às trevas da morte, manteria seus olhos postos na providência divina, testificava sobejamente que não dependia das coisas exteriores, nem media a graça de Deus segundo o juízo da carne, senão que, ainda quando a assistência de todos os quadrantes da terra lhe falhasse, sua fé continuaria firmada na palavra de Deus. Portanto, embora a experiência o orientasse a esperar o bem, todavia esse bem estava principalmente na promessa pela qual Deus confirma seu povo com respeito ao futuro do qual dependia. Se se objeta ser presunção alguém prometer a si próprio uma contínua trajetória de bênçãos neste mundo de incertezas e mudanças, respondo que Davi não falava desta forma com o propósito de impor a Deus uma lei; senão que esperava pelo exercício da beneficência divina para com ele segundo a condição deste mundo o permitisse, com o que ele estaria contente. Ele não diz: Meu cálice estará sempre cheio, ou: Minha cabeça será sempre perfumada com óleo; mas, em termos gerais, ele nutre a esperança de que, visto que a bondade divina jamais falha, Deus lhe seria favorável até ao fim.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Homenagem pelo bom testemunho da querida irmã Marilda de Oliveira Vallim Mota (In memoriam).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.  

“E HABITAREI NA CASA DO SENHOR PARA TODO O SEMPRE”

(1954-2024)

“E HABITAREI NA CASA DO SENHOR PARA TODO O SEMPRE”

“Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempre” (Sl 23.6).

Com a frase conclusiva, habitarei na Casa do SENHOR para todo o sempreo salmista Davi manifestamente mostra que não delimitava seus pensamentos aos prazeres e confortos terrenos; senão que o alvo no qual ele mira está fixo no céu, e alcançá-lo era seu grande objetivo em todas as coisas. É como se quisesse dizer: Não vivo com o mero propósito de viver, mas para exercitar-me no temor e no serviço de Deus, e progredir diariamente em todos os aspectos da genuína piedade. Ele traça uma manifesta distinção entre si mesmo e os homens ímpios, os quais se deleitam tão-somente nos prazeres deste mundo. E não só isso, mas também notifica que viver para Deus é, em seu conceito, de tão grande importância, que avaliava todos os confortos de sua carne só na proporção em que serviam para capacitá-lo a viver para Deus. Francamente afirma que a razão por que ele contemplava todos os benefícios que Deus lhe conferira era para que pudesse habitar na casa do Senhor. De onde se segue que, quando se privava do desfruto dessa bênção, ele não levava em conta as demais coisas; como se dissesse: Não terei nenhum prazer nos confortos terrenos, a menos que ao mesmo tempo eu pertença ao rebanho de Deus, como igualmente escreve em outro lugar: “Bem-aventurado o povo ao qual assim sucede; bem-aventurado o povo cujo Deus é o Senhor” [SI 144.15]. Por que ele deseja tão intensamente frequentar o templo, senão para oferecer sacrifícios juntamente com seus irmãos adoradores, e cultivar, por meio de outros exercícios da religião, a meditação sobre a vida celestial? Portanto, é indubitável que a mente de Davi, pelo auxílio da prosperidade temporal de que desfrutava, se elevava na esperança da herança eterna. Desse fato concluímos que, loucos são aqueles que se propõem qualquer felicidade, menos aquela que emana da intimidade com Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Homenagem pelo bom testemunho da querida irmã Marilda de Oliveira Vallim Mota (In memoriam).

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terça-feira, 1 de outubro de 2024

“TODO SER QUE RESPIRA LOUVE AO SENHOR”


“TODO SER QUE RESPIRA LOUVE AO SENHOR”

“Todo ser que respira louve ao SENHOR. Aleluia!” (Sl 150.6).

As palavras deste versículo podem estender-se a todo tipo de criatura vivente; pois já vimos nos salmos anteriores que a proclamação dos louvores divinos é designada até às coisas irracionais. Mas, como os homens estão às vezes exclusivamente implícitos no epíteto “carne”, podemos muito bem presumir que as palavras têm referência aos homens, os quais, embora tenham fôlego de vida em comum com a criação irracional, obtêm à guisa de distinção o título que respira, como criaturas viventes. Sou levado a pensar assim pela seguinte razão: uma vez que o salmista ainda se dirigia, em sua exortação, às pessoas que eram versadas nas cerimônias da lei, agora ele se volve aos homens em geral, dando a entender que viria um tempo em que os mesmos cânticos, até então ouvidos somente em Judá, ressoariam em todos os quadrantes da criação. Nesta predição, fomos unidos aos judeus na mesma sinfonia, para que cultuemos a Deus com sacrifícios de louvor permanentes, até que sejamos congregados no reino celestial, quando cantaremos com os anjos eleitos um eterno aleluia.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“LOUVAI AO SENHOR DA TERRA”


“LOUVAI AO SENHOR DA TERRA

“Louvai ao SENHOR da terra, monstros marinhos e abismos todos;  fogo e saraiva, neve e vapor e ventos procelosos que lhe executam a palavra; montes e todos os outeiros, árvores frutíferas e todos os cedros; feras e gados, répteis e voláteis” (Sl 148.7-10).

Louvai ao SENHOR da terra. Em seguida, o salmista desce às partes inferiores do mundo. Embora, ao mesmo tempo, evite a ordem exata, ele mistura aquelas coisas que são produzidas na atmosfera - relâmpagos, neve, gelo e ventos tempestuosos. Esses deviam ter sido colocados na classe anterior, mas ele se refere à apreensão comum dos homens. O escopo de tudo é que, aonde quer que volvamos nossos olhos, nos deparamos com evidências do poder de Deus. Em primeiro lugar, ele fala sobre as baleias, pois, ao mencionar logo em seguida os abismos ou profundezas, não tenho dúvida de que ele tinha em mente os peixes do mar, tais como as baleias. É razoável pensarmos que assuntos pelos quais louvar a Deus deveriam ser extraídos do mar, que contém tantas maravilhas. Em seguida, ele fala sobre a saraiva, nevascas e tempestades, que, conforme ele disse, cumprem a Palavra de Deus; pois não é como resultado do acaso que os céus se cobrem de nuvens, ou que uma única gota de chuva cai das nuvens, ou que os trovões ecoam. Todas essas mudanças dependem da vontade secreta de Deus: se Ele mostrará a sua bondade aos filhos dos homens por regar a terra ou punirá os pecados deles por meio da tempestade, da saraiva ou outras calamidades. A passagem contém instrução de vários tipos, como, por exemplo, a de que, ao pairar a morte, por mais ressequida que esteja a terra devido ao calor insistente, Deus pode enviar imediatamente a chuva que removerá a seca de acordo com o seu prazer. Se, por outro lado, devido às chuvas incessantes, a semente apodrece no solo ou as colheitas não atingem a maturidade, devemos orar por um tempo saudável. Se o trovão nos deixa alarmados, somos ensinados a orar a Deus, pois, sendo Ele que em sua ira envia o trovão, pode igualmente acalmar todos os elementos que se acham em convulsão. E não devemos adotar o ponto de vista mesquinho acerca desta verdade advogado por homens irreligiosos, o ponto de vista de que as coisas, na natureza, se movem tão-somente de conformidade com as leis impressas nelas desde o princípio, enquanto Deus vive em ociosidade. Pelo contrário, devemos sustentar com firmeza que Deus vela por suas criaturas e que nada pode ocorrer sem a disposição dEle, como já vimos, em Salmos 104.4, que Ele faz de seus anjos ventos e de seus “ministros, labaredas de fogo”.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“LOUVEM O NOME DO SENHOR”


“LOUVEM O NOME DO SENHOR”

“Louvem o nome do SENHOR, pois mandou ele, e foram criados” (Sl 148.5).

Louvem o nome do SENHOR. Como o salmista fala a respeito de coisas que não possuem inteligência, passa a terceira pessoa; disso inferimos que sua razão para haver até aqui falado na segunda pessoa era criar uma profunda impressão nos homens. E não exige nenhum outro louvor, senão aquele que nos ensina que as estrelas não criaram a si mesmas e que as chuvas não descem do céu por acaso; porque, embora tenhamos constantemente diante dos olhos provas magníficas do poder de Deus, ignoramos de modo vergonhoso e displicente o grande Autor. O salmista diz enfaticamente ele mesmo os criou, dando a entender que o mundo não é eterno, como imaginam os homens perversos, nem surgiu mediante um ímpeto de átomos. Ele afirma que essa bela ordem de coisas surgiu repentinamente pelo comando de Deus. E, falando sobre a criação, ele acrescenta o que é ainda mais digno de observação: Deus lhes deu essa lei que permanece inviolável. Pois muitos, enquanto admitem que o mundo foi criado por Deus, passam disso à noção insensata de que agora a ordem da natureza está entregue a si mesma e de que Deus está assentado ociosamente nos céus. O salmista, com muita propriedade, insiste que as obras de Deus, acima de nós nos céus, foram feitas por Ele e que até agora se movem à disposição dEle; e que um poder secreto lhes foi comunicado no princípio, mas, enquanto cumprem seus papéis designados, a sua atividade e ministério, para cumprirem seus vários fins, dependem de Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“LOUVAI-O, SOL E LUA”


“LOUVAI-O, SOL E LUA” 

“Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes. Louvai-o, céus dos céus e as águas que estão acima do firmamento” (Sl 148.3,4).

Esta passagem não sustenta o sonho de Platão, de que as estrelas são superiores em senso e inteligência. Tampouco o salmista lhes dá o mesmo lugar que acabara de assinalar aos anjos. Apenas sugere que a glória de Deus é contemplada em toda parte, como se o sol e a lua entoassem os louvores de Deus com voz audível. Aqui, o salmista reprova indiretamente a ingratidão do homem, pois todos que ouvem esta sinfonia devem atentar imediatamente às obras de Deus. O sol, por meio de sua luz e calor, bem como outros efeitos maravilhosos, não louva o seu Criador? As estrelas, quando percorrem o seu curso e adornam os céus, provendo luz à terra, não ecoam os louvores de Deus? Mas, visto que somos surdos e insensíveis, o salmista convoca os astros como testemunhas, para reprovar nossa indolência. Ao designar céus dos céus, ele quis dizer as esferas. Os eclipses e outros fenômenos de nossa observação revelam claramente que as estrelas fixas se acham acima dos planetas e que os próprios planetas estão situados em órbitas diferentes. O salmista enaltece a excelência desse esquema, falando expressamente dos céus dos céus, não como se houvesse mais do que um céu, e sim para enaltecer a sabedoria inigualável que Deus tem demonstrado em criar os céus, pois o sol, a lua e as estrelas não subsistem confusamente; cada uma delas tem a sua própria posição e atividade que lhe foram prescritas, e seus cursos múltiplos são todos bem regulados.

Visto que sob a designação os céus ele inclui a atmosfera ou, pelo menos, todo o espaço na região intermediária da atmosfera acima, ele chama as chuvas de as águas acima dos céus. Não há fundamento para a conjectura elaborada por alguns de que há águas depositadas acima dos quatro elementos. E, quando o salmista fala sobre essas águas acima dos céus, é evidente que está pensando na descida da chuva. Imaginar que existe um oceano suspenso nos céus, no qual as águas são permanentemente depositadas, equivale a apegar-se estritamente demais à letra das palavras empregadas. Sabemos que Moisés e os Profetas falam ordinariamente num estilo popular, adaptado à apreensão inferior. Seria absurdo tentar reduzir o que dizem às normas da filosofia; como, por exemplo, nesta passagem, o salmista nota o maravilhoso fato de que Deus mantém as águas suspensas na atmosfera, porque parece contrário à natureza que estejam acima das montanhas e que, embora sejam fluidos, pendam no espaço vazio. De acordo com isso, lemos em outra passagem que são mantidas ali como que encerradas em reservatórios [SI 33.7]. O salmista emprestou de Moisés a forma de expressão que diz: “Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas” [Gn 1.6].

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 26 de setembro de 2024

“NÃO ME ARRASTES COM OS ÍMPIOS”


“NÃO ME ARRASTES COM OS ÍMPIOS”

“Não me arrastes com os ímpios, com os que praticam a iniquidade; os quais falam de paz ao seu próximo, porém no coração têm perversidade" (Sl 28.3).

O sentido destas palavras, "Não me arrastes com os ímpios", consiste em que, em circunstâncias tão dessemelhantes, Deus não mistura o justo com o perverso, indiscriminadamente, na mesma destruição. Indubitavelmente, também, ao falar de seus inimigos, o salmista Davi indiretamente assevera sua própria integridade. Mas não ora desta maneira, porquanto pensava que Deus estivesse indiscriminada e irrevogavelmente irado contra os homens. Seu raciocínio tem por base a natureza de Deus, e assim nutre boa esperança, porquanto a prerrogativa divina era que Deus faz distinção entre o justo e o perverso, e retribui a cada um segundo seu merecimento. Por praticantes da iniquidade ele quer dizer o homem totalmente habituado à perversidade. Os filhos de Deus às vezes caem, cometem erros e agem equivocadamente de um ou outro modo, contudo não sentem prazer em seus malfeitos; o temor de Deus, ao contrário, os estimula ao arrependimento. Davi, subsequentemente, define e amplia a perversidade daqueles a quem ele descreve; pois sob a pretensão de amizade perfidamente enganavam as pessoas boas, afirmando com sua língua uma coisa, enquanto que em seus corações acalentavam algo muito diferente. A depravação franca é mais fácil de ser suportada do que a astúcia da raposa, quando as pessoas apresentam bela aparência a fim de granjearem uma oportunidade de fazer malefício. Esta verdade, consequentemente, nos admoesta que aqueles são mais detestáveis aos olhos de Deus, pois atacam os simplórios e desavisados com bela linguagem saturada de peçonha.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“OUVE-ME AS VOZES SÚPLICES, QUANDO A TI CLAMAR POR SOCORRO”


“OUVE-ME AS VOZES SÚPLICES, QUANDO A TI CLAMAR POR SOCORRO”

“Ouve-me as vozes súplices, quando a ti clamar por socorro, quando erguer as mãos para o teu santuário” (Sl 28.2).

Esta petição é emblema de um coração em angústia. O ardor e veemência de Davi em oração são também demonstrados pelo expressivo substantivo voz e pelo expressivo verbo clamar. Quer dizer que estava tão abalado pela ansiedade e medo, que orava não com frieza, mas com ardor, com veemente desejo, como aqueles que, sob a pressão da tristeza, gritam com veemência. Na segunda cláusula do versículo, fazendo uso de sinédoque, a coisa significada é indicada pelo sinal. Tem sido uma prática comum, em todos os tempos, pessoas erguerem suas mãos em oração. A natureza tem criado esse gesto, até mesmo nos idólatras pagãos, para mostrar por meio de um sinal visível que suas mentes eram dirigidas somente para Deus. A maioria, é verdade, se satisfaz com a mera cerimônia, esforçando-se por não serem afetados com suas próprias invenções; mas o próprio ato de erguer as mãos, quando não há hipocrisia e fraude, é um auxílio para a oração devota e zelosa. Davi, contudo, não diz aqui que ele erguia suas mãos para o céu, e, sim, para o santuário por meio do qual, auxiliado por sua proteção, ele podia ascender mais facilmente ao céu. Ele não estava tão grosseira ou tão supersticiosamente ligado ao santuário externo, como se não soubesse que devia buscar a Deus espiritualmente e que os homens então só se aproximam dele quando, deixando o mundo, pela fé penetram a glória celestial. Recordando, porém, que ele era homem, Davi não negligenciaria tal auxílio oferecido à sua enfermidade. Como o santuário era o penhor ou emblema do pacto de Deus, Davi via ali a presença da prometida graça de Deus, como se ela fosse representada num espelho; justamente como os fiéis agora, se desejam ter a percepção da proximidade de Deus com eles, imediatamente dirigem sua fé para Cristo, que desceu a nós em sua encarnação para que pudesse elevar-nos ao Pai. Compreendamos, pois, que Davi subia ao santuário com nenhum outro propósito senão que, pelo auxílio da promessa divina, pudesse pairar acima dos elementos do mundo, os quais ele usava, contudo, segundo as determinações da lei. O termo hebraico, o qual traduzimos por santuário, significa a sala interior do tabernáculo ou templo, ou o lugar santíssimo, onde se encontrava a arca do concerto, e é assim chamado proveniente das respostas ou oráculos que Deus revelava dali, com o fim de testificar a seu povo a presença de seu favor entre eles.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“A TI CLAMO, Ó SENHOR; ROCHA MINHA”

 


"A TI CLAMO, Ó SENHOR; ROCHA MINHA"

“A ti clamo, Ó SENHOR; rocha minha, não sejas surdo para comigo; para que não suceda, se te calares acerca de mim, seja eu semelhante aos que descem à cova” (Sl 28.1).

O salmista começa declarando que se valeria unicamente do socorro divino, no que mostra tanto sua fé quanto sua sinceridade. Embora os homens labutem por toda parte sob um enorme volume de problemas, todavia raramente um em cem recorre a Deus. Quase todos, tendo suas consciências sobrecarregadas de culpa, e não havendo jamais experimentado o poder da graça divina que poderia levá-los a apropriar-se dele, ou soberbamente se atormentam um pouco, ou se enchem de queixas sem valor, ou dão vazão ao desespero, desfalecendo sob o peso de suas aflições. Ao chamar Deus, rocha minha, Davi mais plenamente demonstra que confiava na assistência divina, não só quando se achava à sombra e em paz, mas também quando se achava exposto às mais severas tentações. Ao comparar-se com os mortos, ele igualmente informa quão grandes eram seus apertos, ainda que seu objetivo não fosse meramente realçar a magnitude de seus perigos, mas também mostrar que quando necessitava de socorro, não o buscava aqui e ali, mas descansava somente em Deus, sem cujo favor não restaria esperança alguma para ele. Portanto, é como se dissesse: Se me deixares, me transformarei em nulidade; se não me socorreres, perecerei. Para alguém que se acha em tal estado de aflição não basta ser sensível à sua miséria, a menos que se convença de sua incapacidade de se ajudar e renuncie todo e qualquer auxílio do mundo, recorrendo tão-somente a Deus. E como as Escrituras nos informam que Deus responde aos verdadeiros crentes quando mostra através de suas operações que ele leva em conta suas súplicas, assim a expressão, se te calares, é posta em oposição à sensível e presente experiência de seu auxílio, quando parece, por assim dizer, não ouvir suas orações.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 24 de setembro de 2024

“NÃO ME ESCONDAS, SENHOR, A TUA FACE”


“NÃO ME ESCONDAS, SENHOR, A TUA FACE”

“Não me escondas, SENHOR, a tua face,  não rejeites com ira o teu servo;  tu és o meu auxílio,  não me recuses, nem me desampares, ó Deus da minha salvação” (Sl 27.9).

O salmista Davi elegantemente prossegue na mesma forma de linguagem, mas com um significado diferente. A face de Deus é agora empregada para descrever os efeitos sensíveis de sua graça e favor; como se houvesse dito: Senhor, faz-me realmente experimentar que estás sempre perto de mim e me permites claramente contemplar teu poder em me salvar. Que observemos bem a distinção entre o conhecimento teórico derivado da Palavra de Deus e o que é denominado de conhecimento experimental de sua graça. Pois visto como Deus se revela presente em ação (como costuma-se dizer), ele deve ser primeiramente buscado em sua Palavra. A cláusula que se segue: não rejeites com ira o teu servo, alguns intérpretes judeus apresentam uma forma muito forçada, ou seja: Não permitas que teu servo seja imerso nas ímpias preocupações deste mundo, as quais nada são senão ira e loucura. Eu, contudo, prefiro traduzir o termo hebraico como muitos o traduzem, a saber: voltar-se de, ou afastar-se. Seu significado é mais provável interpretado assim: Não deixes teu servo inclinar-se para a ira. Quando uma pessoa é completamente abandonada por Deus, ela não pode fazer nada além de ser agitada em seu íntimo por pensamentos murmurantes, irrompendo-se em manifestações de desprazer e ira. Se alguém porventura concluir que Davi agora antecipa esta tentação, não objeto, pois não era sem razão que ele se visse acometido de impaciência, a qual nos enfraquece e nos faz ir além dos limites da razão. Quanto a mim, porém, sigo a primeira explicação, confirmada pelas duas palavras que se seguem; e assim o termo ira introduz uma tácita confissão de pecado; porque, embora Davi reconheça que Deus poderia, com razão, deixá-lo cair, ele deplora sua ira. Além do mais, ao recordar dos primeiros favores de Deus, ele se anima na esperança de receber mais, e com este argumento convence a Deus a continuar com seu auxílio e a não deixar sua obra incompleta.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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