"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 2 de abril de 2025

“DOUTRINA DA PROVIDÊNCIA”


“DOUTRINA DA PROVIDÊNCIA”

“Sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos.” (At 2.23).

Entendemos que a Doutrina da Providência pode ser definida como “a atividade de Deus por meio do qual Ele provê as necessidades de suas criaturas, preserva todo o universo criado, dirige todos os caminhos individualmente, de modo que nada escapa ao Seu controle”.

Não há como negar a existência da obra providencial de Deus, porque não há coisa alguma que venha acontecer por mero acaso neste mundo e, muito menos, na existência e particularidades de qualquer um de nós. Aqueles que negam a obra providencial de Deus acabam por cair numa espécie de fatalismo ou na ideia do acaso. O fato é que homem nenhum é independente dos eventos que acontecem neste mundo. O ser humano não possui controle sobre o que acontece no universo. O cristão, como lhe deve ser próprio, crê num Deus envolvido com a Sua criação, “sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder” (Hb 1.3), bem como, é sabedor que nada escapa do controle soberano de Deus, pois também crê que “dEle e por meio dEle e para Ele são todas as coisas” (Rm 11.36).

A doutrina da Providência não deve ser vista apenas nos atos agradáveis que acontecem na vida dos homens, como provisões nas horas de necessidade, mas também nos atos que implicam em sofrimento, aflição e morte. Na cruz do Calvário, Cristo Jesus assumiu a posição do vil pecador, sofrendo e morrendo em seu lugar. Mediante a Sua morte, nós fomos incluídos como participantes do mesmo sacrifício. Esta é a garantia de libertação da penalidade eterna a todo aquele que nEle crê (Jo 3.16). Por um ato providencial de Deus, o nosso Salvador nos substituiu naquele maldito madeiro, “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus” (At 2.23).

Deus nos abençoe!

Martyn Lloyd-Jones (1899-1981).

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Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.

terça-feira, 1 de abril de 2025

“SANTIFICA-OS NA VERDADE”


“SANTIFICA-OS NA VERDADE”

“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17).

Devemos dar atenção especial ao pedido de nosso Senhor Jesus em favor da santificação dos seus discípulos. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. Cristo Jesus rogava ao Pai que tornasse seus discípulos mais puros nesta vida. A graça de Deus já os havia alcançado e regenerado. Agora o Senhor da Igreja ora para que esta obra graciosa do Espírito Santo seja levada adiante e seus servos sejam progressivamente santificados no corpo, na alma e no espírito – ou seja, que a cada dia eles se tornassem mais semelhantes a Ele mesmo.

Mais santificação é aquilo que deve desejar todo verdadeiro cristão. Viver em santidade é a grande prova de que somos filhos de Deus. Muitos podem recusar reconhecer a veracidade do que pregamos, mas não podem esquivar-se das evidências de uma vida comprometida com a santidade (Mt 5.16).

Viver em santidade nos aperfeiçoa para estar com Cristo. Nós somos admitidos nas mansões celestiais por graça, não por obras; todavia, ninguém verá o Senhor sem santidade. A nossa vida aqui na terra deve estar em perfeita sintonia com a vida lá no céu, se é que pretendemos desfrutá-la. Somente pelo sacrifício de Cristo temos outorgado o direito a esta herança, mas é pela santificação na verdade que somos habilitados ao seu eterno prazer.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

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“ESTÁ CONSUMADO!”


“ESTÁ CONSUMADO!”

“Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito” (Jo 19.30).

Estamos diante de um testemunho bíblico notável, digno de nossa atenção, uma declaração apresentada de forma singular pelo apóstolo de João. Lemos que o nosso Jesus sentiu sede, sendo-Lhe oferecido vinagre. “Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito” (Jo 19.30).

Não é exagero afirmar que precisamos com urgência entender o significado desta solene declaração: “Está consumado!” O que ela significa? Todos nós devemos perceber que existe nesta maravilhosa exclamação um significado tão profundo que nos faltam palavras para explicar. Entretanto, com reverência vamos imaginar o que se passava na mente do nosso Amado Senhor, quando pronunciou tão admirável declaração. Podemos entender que nela está a consumação de todos os sofrimentos conhecidos e desconhecidos, os quais Cristo como nosso "Substituto" teve que suportar; a consumação da lei de Moisés, onde o “Cordeiro de Deus” tornou-se o verdadeiro sacrifício pelos nossos pecados; a consumação de profecias que como “Messias” viera concretizar; e a consumação definitiva da grande obra de redenção do povo de Deus, realizada pelo "Único e Suficiente Redentor". Tudo isso, sem dúvida, o nosso Senhor tinha em mente quando disse: “Está consumado!”

Ao considerar as palavras de Jesus Cristo, em uma ocasião como esta, diante de um momento de absoluta crise e envolvendo tantos mistérios, o fazemos com cautela. Consideremos um pensamento a mais nesta famosa expressão: “Tudo está consumado!” A vida dos amados filhos de Deus repousa sobre uma obra consumada. Não precisamos ficar intimidados diante das investidas de Satanás com suas insinuações condenatórias. Nesta hora, nós precisamos olhar para o nosso vitorioso Senhor e descansar na verdade de que “já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Leia Rm 8.1-39).

J.C.Ryle (1816-1900).

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segunda-feira, 31 de março de 2025

“DARDOS INFLAMADOS DO MALIGNO”

“DARDOS INFLAMADOS DO MALIGNO”

“Então, perguntou Zacarias ao anjo: Como saberei isto? Pois eu sou velho, e minha mulher, avançada em dias. Respondeu-lhe o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para falar-te e trazer-te estas boas-novas. Todavia, ficarás mudo e não poderás falar até ao dia em que estas coisas venham a realizar-se; porquanto não acreditaste nas minhas palavras, as quais, a seu tempo, se cumprirão” (Lc 1.18-20).

Incredulidade é um estado, atitude, tendência encontrada em pessoas que não se convencem com facilidade ou não acreditam facilmente na verdade (Lc 1.5-20; Jo 20.27).

Observemos o caso de Zacarias, para ele a palavra dita pelo anjo pareceu impossível. Não lhe parecia possível que um homem idoso como ele pudesse ser pai. Por isso, questionou o anjo do Senhor: “Como saberei isto? Pois eu sou velho, e minha mulher, avançada em dias” (Lc 1.18).

Zacarias era sacerdote, instruído em todos os preceitos do Senhor, conhecedor dos grandes e poderosos feitos de Deus, familiarizado com as Escrituras do Velho Testamento. Portanto, era de esperar dele que lembrasse do nascimento miraculoso de Isaque (Gn 21.1-7); de Sansão (Jz 13.1-25); de Samuel (1Sm 1.9-20). Que lembrasse das ocasiões em que o anjo do Senhor esteve com Daniel na cova dos leões (Dn 6.22); e com Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na fornalha acesa (Dn 3.28). Que lembrasse do que Deus havia feito no passado e que poderia fazer novamente no presente, porque para Deus nada é impossível. Mas não foi isso que aconteceu. Mesmo diante do anjo do Senhor, Zacarias foi tomado pela incredulidade.

Este fato histórico deve nos conduzir ao que todos nós precisamos admitir: somos tendenciosos a  descrença, desconfiança, suspeita e esquecimento da palavra de Deus. Sim, de esquecer até mesmo os maiores portentos e maravilhas de Deus. Esta é uma situação em que o inimigo de nossas almas aproveita para lançar os dardos inflamados da dúvida, uma das armas preferidas de Satanás contra os servos de Deus. Trata-se de uma investida diabólica que tem atormentado os santos em todas as épocas, e dela não ficaremos imunes antes da “batalha final”.

Dê atenção ao que o apóstolo Paulo escreveu: “Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno” (Ef 6.10-16).

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

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“CRISTO JESUS, O NOSSO SUBSTITUTO”

“CRISTO JESUS, O NOSSO SUBSTITUTO”

“Assim, a escolta, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus, manietaram-no” (Jo 18.12).

Nos evangelhos temos narrativas em que nosso Senhor Jesus foi preso, levado como malfeitor, conduzido a presença de juízes ímpios, injustos; sendo insultado e tratado com desprezo. Sabemos que se o nosso Senhor Jesus tivesse desejado, imediatamente seria liberto. Precisaria apenas ordenar e seus inimigos cairiam por terra. Sem dúvida esse foi um momento em que Cristo Jesus experimentou intenso sofrimento.

Sofrer por quem amamos e, em algum aspecto, são dignos de nossas afeições é um tipo de sofrimento que podemos entender. Submeter-nos passivamente aos maus tratos, quando não temos poder para resistir-lhes, é uma atitude compreensiva. No entanto, ser preso e sofrer voluntariamente, quando temos o poder para impedi-lo, em favor de incrédulos, ímpios, ingratos, que não pediram tal coisa – esta é uma atitude que ultrapassa o entendimento humano. “Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios” (Rm 5.6). “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

Ao meditarmos na paixão e morte de Cristo, jamais nos esqueçamos que isto constitui a glória de seus sofrimentos: Ele foi levado preso e apresentado diante do tribunal de julgamento do sumo sacerdote, não porque era incapaz de impedi-lo, mas porque o Seu coração estava determinado a salvar pecadores, sendo punido no lugar deles. Cristo Jesus tornou-se um prisioneiro voluntário. Ele foi voluntariamente preso e condenado, para que fôssemos absolvidos, libertos, declarados justos e conduzidos a Deus. “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1Pe 3.18). “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21).

A substituição voluntária de Cristo é uma doutrina que precisa ser ensinada com clareza, poder e graça. Cristo Jesus sofreu e morreu voluntariamente em nosso lugar, sem resistir. Ele sabia que viera para ser o nosso Substituto e, por meio dessa santa substituição, "remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras" (Tt 2.14).

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900). 

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domingo, 30 de março de 2025

ELINE BAKKER - GEEN AFSTAND (LIVE)

ELINE GAKKER - SEM DISTÂNCIA (AO VIVO)

Você não tem medo das minhas perguntas
Minhas dúvidas não te assustam
Você não recua ao ver meu fracasso
Lá na minha fraqueza eu vejo Sua força.

Você não fica surpreso quando eu tropeço
Não zangado ou desapontado
Você me levanta e me mostra sua bondade
Lá em seus braços encontro recuperação.

Você me alcança
Não há distância
Entre você e eu
Não há dúvida disso
Não há distância
Entre você e eu.

Você sempre me recebe de volta
Você limpa a sujeira que há em mim
Eu vejo compaixão em seus olhos
Eu ganho vida quando vejo seu sorriso.

Não mais sobrecarregado pela vergonha
Você me libertou
Agora eu permaneço em Sua palavra e promessas
Você é um Pai que nunca me abandona.

Deus nos abençoe!

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sábado, 29 de março de 2025

ELINE BAKKER - JEZUS OVERWINNAAR (LIVE)

ELINE BAKKER - JESUS VITORIOSO (AO VIVO)

Poderoso guerreiro que luta por nós
Você abre o caminho da vitória
Todo inimigo foge, toda fortaleza cai
Nome acima de todos os nomes, Senhor Supremo.

Seu domínio é para sempre
Seu trono é inabalável
O poder incomparável está em seu grande nome
Jesus, Vitorioso!

A escuridão ilumina por sua causa
O diabo foi derrotado por você
Morte, onde está o seu poder, para onde foi o teu aguilhão?
Jesus vive e eu viverei!

A criação se ajoelha com admiração
O céu se alegra pelo nosso Rei
E os poderes do inferno sabem quem governa:
Nome acima de todos os nomes, Senhor Supremo.

Deus nos abençoe!

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quinta-feira, 27 de março de 2025

domingo, 23 de março de 2025

“NÃO ANDEIS ANSIOSOS POR COISA ALGUMA”


“NÃO ANDEIS ANSIOSOS POR COISA ALGUMA”

“Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes, em tudo sejam vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará vossos corações e vossos pensamentos em Cristo Jesus” (Fp 4.6,7).

Com estas palavras, o apóstolo Paulo exorta os filipenses, como faz Pedro [1Pe 5.7], a “lançar sobre o Senhor toda ansiedade”. Porquanto nossa estrutura não é de ferro para que não possa ser abalada por provações. Mas esta é nossa consolação, este é nosso refrigério - depositar ou (para dizer com mais propriedade) descarregar no seio de Deus tudo o que nos afadiga. É verdade que a confiança produz tranquilidade em nossas mentes, mas só quando pomos em prática o exercício de orações. Portanto, sempre que formos atingidos por qualquer provação ou tentação, recorramos sem delonga à oração, como nosso santo abrigo.

Paulo aqui emprega o termo “pedido” para denotar desejos ou aspirações. Ele quer que se façamos estes conhecidos de Deus por meio da oração e súplica, como se os crentes derramassem seus corações diante de Deus, ao confiarem-lhe a si próprios e também tudo o que possuem. Com efeito, todos os que olham em várias direções em busca dos insignificantes confortos do mundo podem, até certo ponto, parecer aliviados; mas só existe um refúgio seguro - descansar no Senhor.

Com ações de graças. Quão repetidamente oramos a Deus erroneamente, saturados de queixas ou de murmurações, como se tivéssemos apenas motivo para acusá-lo, enquanto que em outras orações não toleramos demora, caso ele não satisfaça imediatamente nossos desejos. Paulo, por essa conta, anexa ações de graças às orações. É como se ele quisesse dizer que devemos desejar aquelas coisas que nos são necessárias da parte do Senhor de tal maneira que, não obstante, sujeitemos nossas aflições ao seu beneplácito e demos graças enquanto apresentamos nossas petições. E, inquestionavelmente, a gratidão terá sobre nós este efeito - que a vontade de Deus será a grande soma de nossos desejos.

E a paz de Deus. Temos aqui uma promessa em que o apóstolo realça a vantagem de uma sólida confiança em Deus e invocação a ele. “Se fizerdes isso”, diz ele, “a paz de Deus guardará vossas mentes e corações”. A Escritura costuma dividir a alma do homem, quanto às suas fragilidades, em duas partes: a mente e o coração. A mente significa o entendimento; enquanto que o coração denota todas as disposições ou inclinações. Estes dois termos, pois, incluem a totalidade da alma, neste sentido: “A paz de Deus vos guardará a ponto de impedir que volteis as costas para Deus com pensamentos ou desejos perversos.”

É com boa razão que Paulo chame isto de a paz de Deus, visto que ela não depende do presente aspecto das coisas nem pende conforme as várias oscilações do mundo, porém se fundamenta na sólida e imutável palavra de Deus. É sobre essas bases também que ele fala dela como algo que excede todo entendimento ou percepção, pois nada é mais estranho à mente humana do que, nas profundezas do desespero, não obstante exercitarmos o senso de esperança; nas profundezas da pobreza, vermos opulência; e nas profundezas da fraqueza, não nos permitirmos recuar; e, por fim, prometermos a nós mesmos que nada nos faltará, quando destituídos de todas as coisas, e tudo isto tão-somente na graça de Deus, a qual não se manifesta, senão através da palavra e da convicção interna do Espírito.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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sexta-feira, 21 de março de 2025

“ELE VOS DARÁ OUTRO CONSOLADOR”


“ELE VOS DARÁ OUTRO CONSOLADOR”

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós" (Jo 14.16,17).

Esta é a primeira vez que o Senhor Jesus menciona o Espírito Santo como uma dádiva especial ao seu povo. De fato, não precisamos supor que o Espírito Santo não habitava os santos do Antigo Testamento. No entanto, Ele foi dado com singular influência e poder aos crentes na dispensação do Novo Testamento; esta é a promessa especial que temos nesses versículos. Descobrimos o proveito desta verdade ao considerar em detalhes aquilo que o nosso Senhor afirmou sobre o Espírito Santo.

Ele se referiu ao Espírito Santo como uma pessoa, “outro Consolador”. Aplicar a uma mera influência ou sentimento inferior a linguagem utilizada por Jesus é uma maneira ilógica de entender suas palavras.

Ele o chamou de “Espírito da verdade”. Este é seu ofício particular: aplicar a verdade aos corações dos crentes, a fim de guiá-los a toda verdade e santificá-los por intermédio da verdade.

Ele disse que o Espírito Santo é alguém que “o mundo não pode receber... nem o conhece”. As atividades do Espírito Santo, no sentido mais amplo, são loucura para nos homens incrédulos. O arrependimento, a fé, o temor, a esperança e o amor, os quais Ele produz, são os aspectos da vida espiritual que o mundo não pode entender.

O nosso Senhor Jesus afirmou que o Espírito Santo habitaria para sempre nos crentes e seria conhecido por estes. Os verdadeiros crentes conhecem os sentimentos que o Espírito Santo motiva em seus corações e os frutos que Ele produz, embora não sejam capazes de explicar como Ele faz isso ou não percebem quando surgem pela primeira vez. Mas todos eles, se comparados às pessoas incrédulas, são novas criaturas, luzes e sal da terra, por serem habitados pelo Espírito Santo.

O nosso Senhor mostrou que o Espírito Santo é outorgado à “igreja dos eleitos”, a fim de permanecer nos crente até que Ele venha novamente a este mundo. O Espírito Santo foi dado à igreja para suprir cada necessidade dos crentes e enchê-los com tudo que carecem, enquanto Cristo não está visivelmente presente entre eles.

Estas verdades são importantíssimas. Cuidemos em assimilá-las com firmeza e não as abandonemos. Juntamente com toda verdade referente à pessoa de Cristo, para desfrutarmos de paz segurança é necessário que conheçamos toda verdade referente à pessoa do Espírito Santo. Devemos rejeitar como erro qualquer doutrina a respeito da igreja, das ordenanças e do ministério cristão que obscureçam a obra do Espírito Santo, em nosso íntimo. Jamais descansemos enquanto não estivermos certos de que o Espírito Santo habita em nós. “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9).

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

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