"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



segunda-feira, 14 de abril de 2025

“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 5


“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 5

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

5. Aqui vemos uma exemplificação amorosa do seu próprio ensino.

No Sermão do Monte nosso Senhor ensinou aos seus discípulos: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mt 5.44). Acima de todos os outros, Cristo praticou o que ele pregou. A graça e a verdade vieram através de Jesus Cristo. Ele não somente ensinou a verdade, mas ele mesmo era a verdade encarnada. Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Assim, aqui sobre a cruz ele exemplificou perfeitamente seu ensino do monte. Em todas as coisas ele nos deixou um exemplo.

Observe que Cristo não perdoou pessoalmente seus inimigos. Assim, em Mt 5.44 ele não exortou seus discípulos a perdoarem seus inimigos, mas os exortou a “orar” por eles. Mas nós não devemos perdoar aqueles que nos maltratam? Isso nos leva a um ponto com respeito ao qual é necessária muita instrução hoje em dia.

A escritura ensina que sob todas as circunstâncias devemos perdoar sempre? Eu respondo enfaticamente: não, ela não ensina. A palavra de Deus diz: “Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe; e, se pecar contra ti sete vezes no dia e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me, perdoa-lhe” (Lc 17.3,4). Aqui somos claramente ensinados que uma condição deve ser satisfeita pelo ofensor antes que possamos pronunciar o perdão. Aquele que nos ofendeu deve primeiramente “se arrepender”, isto é, julgar a si mesmo por seu erro e dar evidência de sua tristeza por causa dele. Mas, suponha que o ofensor não se arrependa? Então eu não preciso perdoá-lo.

Mas que não haja má compreensão do que queremos dizer aqui. Mesmo que alguém que nos ofendeu não se arrependa, todavia, eu não devo abrigar sentimentos ruins contra ele. Não deve haver nenhum ódio ou malícia cultivada no coração. Todavia, por outro lado, eu não devo tratar o ofensor como se ele não tivesse cometido nenhum erro. Isso seria fechar os olhos à ofensa, e, portanto, eu estaria falhando em manter as exigências da justiça, e isso é o que o crente deve fazer sempre. Deus alguma vez perdoa onde não há arrependimento? Não, pois a escritura declara: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Mais uma coisa. Se alguém me prejudicar e não se arrepender, embora eu não possa lhe perdoar e tratá-lo como se ele não tivesse me ofendido, todavia, eu não apenas não devo abrigar nenhuma malícia em meu coração contra ele, mas devo também orar por ele. Aqui está o valor do exemplo perfeito de Cristo. Se não podemos perdoar, podemos orar a Deus para perdoá-lo.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.

“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 4


“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 4

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

4. Aqui vemos a cegueira do coração humano.

“Porque não sabem o que fazem”. Isso não significa que os inimigos de Cristo eram ignorantes do fato de sua crucificação. Eles sabiam perfeitamente que tinham clamado: “Crucifica-o”. Eles sabiam perfeitamente que o seu vil pedido lhes tinha sido concedido por Pilatos. Eles sabiam perfeitamente que ele tinha sido pregado na cruz, pois eram testemunhas oculares do crime. O que, então, o Senhor quis dizer quando disse: “Porque não sabem o que fazem”? Ele quis dizer que eles eram ignorantes da grandeza do seu crime. Eles não sabiam que era o Senhor da glória que eles estavam crucificando. A ênfase não é sobre “porque não sabem”, mas sobre “porque não sabem o que fazem”.

E, todavia, eles deveriam ter sabido. A cegueira deles era inescusável. As profecias do Antigo Testamento que tinham recebido seu cumprimento nele eram suficientemente claras para identificá-lo como o Santo de Deus. Seu ensino era singular, pois seus próprios críticos foram forçados a admitir: “Nunca homem algum falou assim como este homem” (Jo 7.46). E o que dizer da sua vida perfeita? Ele viveu diante dos homens uma vida que nunca tinha sido vivida sobre a terra antes. Ele não agradava a si mesmo. Ele se ocupava de fazer o bem. Ele estava sempre à disposição dos outros. Não havia egoísmo nele. Sua vida foi de auto-sacrifício do princípio ao fim. Sua vida foi sempre vivida para a glória de Deus. Sobre sua vida estava estampada a aprovação do céu, pois a voz do Pai testificou audivelmente: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Não, não havia escusa alguma para a ignorância deles. Isso apenas demonstrava a cegueira dos seus corações. A rejeição do Filho de Deus por parte deles trouxe pleno testemunho, de uma vez por todas, de que a mente carnal é “inimizade contra Deus” (Rm 8.7).

Quão triste é pensar que essa terrível tragédia ainda está sendo repetida! Pecador, você faz pouca ideia do que está fazendo ao negligenciar a grande salvação de Deus. Você faz pouca ideia de quão terrível é o pecado de menosprezar o Cristo de Deus e repelir os convites de sua misericórdia. Você faz pouca ideia da profunda culpa que está unida ao seu ato de recusar receber o único que pode te salvar dos seus pecados. Você faz pouca ideia de quão medonho é o crime de dizer: “Não queremos que este reine sobre nós”. Você faz pouca ideia do que faz. Você considera essa questão vital com indiferença total. A questão se apresenta hoje da mesma forma como dantes: “Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo?”. Pois você tem que fazer algo com ele: ou o despreza e rejeita, ou o recebe como o Salvador de sua alma e o Senhor da sua vida. Mas, digo novamente, isso lhe parece um assunto de diminuta urgência, de pequena importância. Por anos você tem resistido aos esforços do seu Espírito. Por anos você tem posto de lado essa importantíssima consideração. Por anos você tem endurecido seu coração contra ele, tampado seus ouvidos aos seus apelos, e fechado seus olhos à sua excelsa beleza. Ah! você não sabe O QUE faz. Você está cego em sua loucura. Cego para o seu terrível pecado. Todavia, você não está sem escusa. Você pode ser salvo agora se quiser.

“Crê no Senhor Jesus Cristo e [tu] serás salvo”. Ó, venha ao Salvador agora e diga com alguém de outrora, “Mestre, que eu tenha vista”.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 3


“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 3

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

3. Aqui vemos a avaliação divina do pecado e sua culpa consequente.

Sob a economia levítica, Deus exigiu que a expiação devesse ser feita pelos pecados praticados por ignorância.

“Quando alguma pessoa cometer uma transgressão e pecar por ignorância nas coisas sagradas do SENHOR, então, trará ao SENHOR, por expiação, um carneiro sem mancha do rebanho, conforme a tua estimação em siclos de prata, segundo o siclo do santuário, para expiação da culpa. Assim, restituirá o que ele tirou das coisas sagradas, e ainda de mais acrescentará o seu quinto, e o dará ao sacerdote; assim, o sacerdote, com o carneiro da expiação, fará expiação por ela, e ser-lhe-á perdoado o pecado”. (Lv 5.15,16).

E lemos novamente:

”Quando errardes e não cumprirdes todos estes mandamentos que o SENHOR falou a Moisés, sim, tudo quanto o SENHOR vos tem mandado por Moisés, desde o dia em que o SENHOR ordenou e daí em diante, nas vossas gerações, será que, quando se fizer alguma coisa por ignorância e for encoberta aos olhos da congregação, toda a congregação oferecerá um novilho, para holocausto de aroma agradável ao SENHOR, com a sua oferta de manjares e libação, segundo o rito, e um bode, para oferta pelo pecado. O sacerdote fará expiação por toda a congregação dos filhos de Israel, e lhes será perdoado, porquanto foi erro, e trouxeram a sua oferta, oferta queimada ao SENHOR, e a sua oferta pelo pecado perante o SENHOR, por causa do seu erro” (Nm 15. 22-25).

É em vista de passagens tais como essas que encontramos Davi orando: “Expurga-me tu dos [erros] que me são ocultos” (Sl 19.12).

O pecado é sempre pecado aos olhos divinos, quer estejamos consciente dele ou não. Pecados cometidos por ignorância precisam de expiação tanto quanto os conscientes. Deus é santo, e ele não rebaixará seu padrão de justiça ao nível da nossa ignorância. Ignorância não é inocência. Na verdade, ignorância é mais culpada agora do que na época de Moisés. Nós não temos desculpas pela nossa ignorância. Deus tem revelado clara e plenamente sua vontade. A Bíblia está em nossas mãos, e não podemos alegar ignorância de seu conteúdo, exceto para condenar-nos por nossa preguiça. Ele tem falado, e por sua palavra seremos julgados.

E, todavia, permanece o fato de que somos ignorantes de muitas coisas, e o erro e a culpa são nossos. E isso não minimiza a enormidade do nosso delito. Pecados cometidos por ignorância precisam do perdão divino, assim como a oração do Senhor nos mostra claramente aqui. Aprenda, então, quão alto é o padrão de Deus, quão grande é a nossa necessidade, e louve-o por uma expiação de suficiência infinita, que limpa de todo pecado.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 2


A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 2

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

2. Aqui vemos Cristo identificado com o seu povo.

“Pai, perdoa-lhes”. Em nenhuma ocasião anterior Cristo fez tal pedido ao Pai. Nunca antes ele tinha invocado o perdão dos outros ao Pai. Até aqui ele mesmo perdoou. Ao homem paralítico, ele disse: “Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados” (Mt 9.2). À mulher que lavou seus pés com suas lágrimas, na casa de Simão, ele disse: “Perdoados são os teus pecados” (Lc 7.48). Por que, então, ele agora pediu ao Pai para perdoar, ao invés dele mesmo pronunciar diretamente o perdão?

Perdão de pecado é uma prerrogativa divina. Os escribas judeus estavam certos quando arrazoaram: “Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (Mc 2.7). Mas dirá você: Cristo era Deus. Com toda certeza; mas homem também – o Deus-homem. Ele era o Filho de Deus que tinha se tornado o Filho do Homem com o expresso propósito de oferecer a si mesmo como sacrifício pelo pecado. E quando o Senhor Jesus clamou “Pai, perdoa-lhes”, ele estava sobre a cruz, e ali ele não poderia exercer suas prerrogativas divinas. Repare cuidadosamente suas palavras, e então contemple a exatidão maravilhosa da Escritura. Ele tinha dito: “O Filho do Homem tem na terra autoridade para perdoar pecados” (Mt 9.6). Mas ele não estava mais sobre a terra! Ele tinha sido “levantado da terra!” (Jo 12.32). Além do mais, na cruz ele estava agindo como nosso substituto; o justo estava para morrer pelos injustos. Por conseguinte, ao ser suspenso como nosso representante, ele não estava mais no lugar de autoridade onde poderia exercer suas prerrogativas divinas, e, portanto, toma a posição de um suplicante perante o Pai. Assim, dizemos que quando o bendito Senhor Jesus clamou, “Pai, perdoa-lhes”, o vemos absolutamente identificado com o seu povo. Não estava mais na posição de autoridade sobre a “terra”, onde ele tinha o “poder” ou “direito” de perdoar pecados; ao invés disso, ele intercede pelos pecadores – como nós devemos fazer.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 1


“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 1

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

1. Aqui vemos o cumprimento da palavra profética.

Quanto Deus fez conhecido de antemão do que deveria suceder naquele dia dos dias! Que retrato completo o Espírito Santo fornece da Paixão do nosso Senhor com todas as circunstâncias que a acompanharam! Entre outras coisas, foi predito que o Salvador deveria “interceder pelos transgressores” (Is 53.12). Isso não tem referência com o ministério presente de Cristo à direita de Deus. É verdade que ele “pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25), mas isso fala do que ele está fazendo agora por aqueles que creem nele, enquanto Isaías 53.12 faz referência ao seu ato gracioso no momento da sua crucificação. Observe que sua intercessão pelos transgressores está conectada com “e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos e fez intercessão pelos transgressores”.

Que Cristo deveria fazer intercessão pelos seus inimigos era um dos itens da maravilhosa profecia encontrada em Isaías 53. Esse capítulo nos diz pelo menos dez coisas sobre a humilhação e o sofrimento do Redentor. Lá, é declarado que ele deveria ser desprezado e rejeitado pelos homens; que deveria ser um homem de dores e que sabia o que era sofrer; que ele deveria ser ferido, moído e castigado; que deveria ser levado, sem resistência, ao matadouro; que deveria permanecer mudo perante os seus tosquiadores; que deveria não somente sofrer nas mãos de homens, mas também ser moído pelo Senhor; que deveria derramar sua alma na morte; que deveria ser enterrado na sepultura de um homem rico; e então foi adicionado que deveria ser contado com os transgressores; e finalmente, que deveria fazer intercessão por esses. Aqui então estava a profecia – “e fez intercessão pelos transgressores”; houve o cumprimento dela – “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Ele pensou nos seus assassinos. Ele implorou por aqueles que lhe crucificaram; ele fez intercessão pelo perdão deles.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A PALAVRA DE PERDÃO” - Introdução


“A PALAVRA DE PERDÃO” - Introdução

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

Aquele por quem o mundo foi feito veio ao mundo, mas o mundo não o conheceu. O Senhor da glória tinha tabernaculado entre os homens, mas não foi desejado. Os olhos que o pecado tinha cegado não viram nele nenhuma beleza alguma pela qual ele pudesse ser desejado. Em seu nascimento não havia nenhum quarto na hospedaria, o que prenunciava o tratamento que receberia das mãos dos homens. Pouco tempo após seu nascimento, Herodes procurou matá-lo, e isso sugeria a hostilidade que sua pessoa evocava e predizia a cruz como o clímax da inimizade do homem. Repetidas vezes seus inimigos tentaram sua destruição. E agora os vis desejos deles fora-lhes concedidos. O Filho de Deus tinha se rendido nas mãos deles. Um arremedo de julgamento havia acontecido e, embora seus juízes não tenham encontrado nenhuma falta nele, todavia, eles se rederam ao clamor insistente daqueles que o odiavam à medida que eles repetidamente clamavam: “Crucifica-o”.

Uma ação bárbara tinha sido feita. Nenhuma morte ordinária satisfaria seus inimigos implacáveis. Foi decidida uma morte de sofrimento e vergonha intensas. Uma cruz tinha sido assegurada: o Salvador seria pregado nela. E ali ele foi pendurado — em silêncio. Mas nesse instante seus lábios pálidos são vistos se mexendo — ele está clamando por piedade? Não. O que então? Ele está pronunciado maldição sobre aqueles que estão lhe crucificando? Não. Ele está orando, orando pelos seus inimigos — “E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34).

Essa primeira das sete palavras na cruz do nosso Senhor o apresenta em atitude de oração. Quão significante! Quão instrutivo! Seu ministério público tinha sido aberto com oração (Lc 3.21), e aqui vemos ele sendo fechado com oração. Certamente ele nos deixou um exemplo! Não mais aquelas mãos ministrariam ao doente, pois estavam pregadas no madeiro cruel; não mais aqueles pés poderiam levá-lo nas tarefas de misericórdia, pois estavam presas no madeiro cruel; não mais ele poderia se ocupar na instrução dos apóstolos, pois eles haviam fugido. Como então ele se ocupou? No ministério da oração! Que lição para nós.

Talvez essas linhas possam ser lidas por alguém que, por razão da idade e doença, não é mais capaz de trabalhar ativamente na vinha do Senhor. Possivelmente nos dias de outrora você era um professor, um pregador, um professor de escola dominical, um distribuidor de panfletos: mas agora você está de cama. Sim, mas você ainda está aqui na terra! Quem sabe Deus não está deixando você aqui mais uns poucos dias para te engajar no ministério da oração — e talvez realizar mais através disso que por todo seu ministério passado ativo. Se você for tentado a depreciar tal ministério, lembre-se do seu Salvador. Ele orou, orou por outros, orou por pecadores, até mesmo em suas últimas horas.

Ao orar por seus inimigos, Cristo não somente colocou diante de nós um exemplo perfeito de como devemos tratar aqueles que nos prejudicam e nos odeiam, mas ele também nos ensinou a nunca considerar algo como além do alcance da oração. Se Cristo orou por seus assassinos, então certamente temos encorajamento para orar agora pelo maior de todos os pecadores! Leitor cristão, nunca perca a esperança. Parece para você um desperdício de tempo continuar orando por aquele homem, por aquela mulher, por aquele seu filho obstinado? O caso deles parece se tornar mais sem esperança a cada dia? Parece como se eles estivem além do alcance da misericórdia divina? Talvez alguém por quem você tem orado por tanto tempo foi enlaçado por uma das seitas satânicas de hoje, ou ele pode ser agora um infiel declarado e desbragado; em resumo, um inimigo aberto de Cristo. Lembre-se então da cruz. Cristo orou por seus inimigos. Aprenda então a não olhar para nada como estando além do alcance da oração.

Um outro pensamento concernente a essa oração de Cristo. Devemos mostrar aqui a eficácia da oração. Essa intercessão de Cristo na cruz por seus inimigos recebeu uma resposta marcada e definida. A resposta é vista na conversão das três mil almas no dia de Pentecoste. Eu baseio essa conclusão em Atos 3.17, onde o apostolo Pedro diz: “E agora, irmãos, eu sei que o fizestes por ignorância, como também os vossos príncipes”. Deve ser notado que Pedro usa a palavra “ignorância”, que corresponde ao “não sabem o que fazem” do nosso Senhor. Eis aí a explicação divina dos 3.000 conversos com um simples sermão. Não foi a eloquência de Pedro a causa, mas a oração do Senhor. E, leitor cristão, o mesmo é verdadeiro para nós. Cristo orou por você e por mim antes de crermos nele. Volte-se para João 17.20 para conferir. “Eu não rogo somente por estes (os apóstolos), mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão de crer em mim” (Jo 17.20). Uma vez mais beneficiemo-nos do exemplo perfeito. Façamos intercessão também pelos inimigos de Deus e, se orarmos com fé, também será eficaz para a salvação dos pecadores perdidos.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A MORTE DO SENHOR JESUS CRISTO”


“A MORTE DO SENHOR JESUS CRISTO”

“E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito” (Mt 27.50).

A morte do Senhor Jesus Cristo é um assunto de interesse inexaurível para todos os que estudam em oração a escritura da verdade. Tal é assim não somente porque tudo do crente — tanto no tempo como na eternidade — dela dependa, mas também devido à sua singularidade transcendente. Quatro palavras parecem resumir as características salientes desse mistério dos mistérios: a morte de Cristo foi natural, não natural, preternatural e sobrenatural. Uns poucos comentários parecem ser necessários à guisa de definição e amplificação.

Primeiro: a morte de Cristo foi natural. Com isso queremos dizer que ela foi uma morte real. É porque estamos tão familiarizados com o fato dela que a declaração acima parece simples, corriqueira; todavia, o que abordamos aqui é um dos principais elementos de admiração para a mente espiritual. Aquele que foi “tomado, e pelas mãos de injustos” crucificado e assassinado não era outro senão o Filho de Deus. O sangue que foi derramado sobre o madeiro maldito era divino — “A igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (At 20.28). Como diz o apóstolo: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19).

Mas como o Filho de Deus poderia sofrer? Como o eterno poderia morrer? Ah, aquele que no princípio era o Verbo, que estava com Deus, e que era Deus, “se fez carne”. Aquele que era em forma de Deus tomou sobre si a forma de um servo e foi feito semelhante aos homens; “e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8). Dessa forma, tendo se encarnado, o Senhor da glória foi capaz de sofrer a morte, e assim foi que ele “provou” a própria morte. Em suas palavras, “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”, vemos quão natural foi sua morte, e a realidade dela se torna ainda mais aparente quando ele foi posto na sepultura, onde permaneceu por três dias.

Segundo: a morte de Cristo foi não-natural. Por isso queremos dizer que ela foi anormal. Acima dissemos que, ao se encarnar, o Filho de Deus tornou-se capaz de sofrer a morte, todavia, não deve ser inferido daí que a morte tinha, portanto, um direito a reclamar sobre ele; longe disso, o contrário mesmo era a verdade. A morte é o salário do pecado, e ele não tinha nenhum. Antes de seu nascimento foi dito a Maria: “[que] o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). Não somente o Senhor Jesus entrou neste mundo sem contrair a contaminação da natureza humana caída, mas ele “não cometeu pecado” (1Pe 2.22), “não [tinha] pecado” (1Jo 3.5) e “não conheceu pecado” (2Co 5.21). Em sua pessoa e em sua conduta ele foi o Santo de Deus “imaculado e incontaminado” (1Pe 1.19). Como tal, a morte não tinha nenhum direito a reclamar sobre ele. Até mesmo Pilatos teve que reconhecer que não pôde encontrar “nenhuma culpa” nele. Por conseguinte, dizemos que o Santo de Deus morrer foi não-natural.

Terceiro: a morte de Cristo foi preternatural. Por meio disso queremos dizer que ela foi marcada e determinada para ele de antemão. Ele era o Cordeiro morto antes da fundação do mundo (Ap 13.8). Antes que Adão fosse criado, a Queda foi antecipada. Antes de o pecado entrar no mundo, a salvação dele havia sido planejada por Deus. Nos eternos conselhos da Deidade, foi ordenado de antemão que haveria um Salvador para os pecadores, um Salvador que sofreria, o justo pelos injustos, um Salvador que morreria para que pudéssemos viver. E “porque não havia nenhum outro suficientemente bom para pagar o preço do pecado”, o Unigênito do Pai se ofereceu como o resgate.

O caráter preternatural da morte de Cristo leva o bom termo de o “sustentáculo da Cruz”. Foi em vista da aproximação dessa morte que Deus “justamente ignorou os pecados anteriormente cometidos” (Rm 3.25). Não tivesse sido Cristo, no conceito de Deus, o Cordeiro morto desde antes da fundação do mundo, toda pessoa pecadora nos tempos do Antigo Testamento teria sido lançada no abismo no momento em que ela pecasse!

Quarto: a morte de Cristo foi sobrenatural. Por isso queremos dizer que ela foi diferente de qualquer outra morte. Em todas as coisas ele tem a preeminência. Seu nascimento foi diferente de todos os outros nascimentos. Sua vida foi diferente de todas as outras vidas. E sua morte foi diferente de todas as outras mortes. Isso foi claramente anunciado em sua própria declaração sobre o assunto: “Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai” (Jo 10:17,18). Um estudo cuidadoso das narrativas evangélicas que descrevem sua morte fornece uma prova sétupla e a verificação de sua asseveração.

(1) Que nosso Senhor “deu a sua vida”, que ele não estava impotente nas mãos de seus inimigos, revela-se claramente em João, onde temos o registro de sua prisão. Um bando de oficiais da parte dos principais sacerdotes e dos fariseus, guiados por Judas, o procuraram no Getsêmani. Adiantando-se para encontrá-los, o Senhor Jesus pergunta: “A quem buscais?” A resposta foi: “Jesus de Nazaré”; e então nosso Senhor expressou o inefável título de deidade, aquele pelo qual Deus se revelou nos tempos antigos a Moisés na sarça ardente: “Eu Sou”. O efeito foi impressionante. Esses oficiais ficaram apavorados. Eles estavam na presença da deidade encarnada, e foram sobrepujados por uma breve consciência da majestade divina. Quão claro é então que, se assim o tivesse agradado, nosso bendito Salvador poderia ter se afastado calmamente, deixando aqueles que vieram lhe prender prostrados no chão! Ao invés disso, ele se entregou nas mãos deles e foi levado (não compelido) como um cordeiro ao matadouro.

(2) Voltemo-nos agora para Mt 27.46 — o versículo mais solene em toda a Bíblia — “E, perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”. As palavras que pedimos ao leitor que observe cuidadosamente estão colocadas aqui em itálico. Por que é que o Espírito Santo nos conta que o Salvador pronunciou esse terrível clamor “em alta voz”? Com muita certeza que há uma razão para tal. Isso se torna ainda mais aparente quando notamos que ele as repetiu quatro versículos abaixo no mesmo capítulo — “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito” (Mt 27.50).

O que então essas palavras indicam? Não corroboram elas o que foi dito nos parágrafos acima? Não nos dizem elas que o Salvador não estava exausto pelo que ele tinha passado? Não nos dão elas a entender que suas forças não o tinham deixado? Que ele ainda era senhor de si mesmo, que ao invés de ser conquistado pela morte, ele estava apenas se entregando para ela? Elas não nos mostram que Deus tinha posto “ajuda sobre um poderoso”? (Sl 89.19).

(3) Podemos chamar a atenção para a sua próxima expressão sobre a Cruz — “Tenho sede”. Essa palavra, à luz do seu contexto, fornece uma evidência maravilhosa do autocontrole completo do nosso Senhor. O versículo inteiro diz o seguinte: “Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede” (Jo 19.28). Desde os tempos antigos tinha sido predito que eles deveriam dar vinagre misturado com fel para o Salvador beber. E para que essa profecia pudesse ser cumprida, ele exclamou: “Tenho sede”. Como isso evidencia o fato de que ele estava em plena posse de suas faculdades mentais, que sua mente estava desanuviada, que seus terríveis sofrimentos não a tinham transtornado nem perturbado!

Enquanto permanecia pendurado na cruz, no final da hora sexta, sua mente reviveu o escopo inteiro da palavra profética, e verificou cada uma daquelas predições que faziam alusão à sua paixão. Excetuando as profecias que seriam cumpridas após sua morte, só restava uma ainda não cumprida, a saber: “Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre” (Sl 69.21), e isso não foi negligenciado pelo bendito sofredor. “Sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura (não ‘Escrituras’, sendo a referência ao Sl 69.21) se cumprisse, disse: Tenho sede”. Novamente, dizemos, que prova é fornecida aqui de que ele entregou sua vida de si mesmo!

(4) A próxima verificação que o Espírito Santo fornece das palavras do nosso Senhor em João 10.18 é encontrada em João 19.30: “E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito”. O que se pretende que aprendamos dessas palavras? O que é que se quer dizer aqui através desse ato do Salvador? Seguramente, a resposta não está longe. A implicação é clara. Antes disso a cabeça do nosso Senhor tinha estado erigida. Não era um sofredor impotente que pendia ali desmaiado. Tivesse esse sido o caso, sua cabeça teria se recostado sobre o peito, e seria impossível para ele “arqueá-la”. E observe atentamente o verbo usado aqui: não foi sua cabeça que “caiu”, mas ele, conscientemente, calmamente, reverentemente, inclinou sua cabeça. Quão sublime foi sua atitude mesmo sobre o madeiro! Que compostura esplêndida ele evidenciou. Não foi sua majestosa atitude sobre a cruz que, entre outras coisas, fez com que o centurião clamasse: “Verdadeiramente, este era o Filho de Deus”? (Mateus 27.54).

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sábado, 12 de abril de 2025

“AQUELE QUE FURTAVA NÃO FURTE MAIS”


“AQUELE QUE FURTAVA NÃO FURTE MAIS”

“Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef 4.28).

Isso tem a ver não só com os furtos mais graves, os quais são punidos pelas leis, mas também com aqueles que são de natureza mais secreta, os quais não se expõem ao juízo humano, todo gênero de depravação movidos pelo qual nos apoderamos de alguma propriedade alheia. Mas o apóstolo não nos incita simplesmente a abster-nos de qualquer apreensão injusta e indébita de bem alheios, mas também a prestar assistência a nossos irmãos, quanto estiver em nosso poder de fazê-lo. “Vós que furtáveis, não só deveis ganhar a vida com o labor lícito e inofensivo, mas também deveis repartir com o próximo”. Primeiramente, Paulo nos prescreve esta norma, para que não supramos nossas necessidades às expensas de nossos irmãos, mas também para sustentarmos a vida com o labor honesto. E assim o amor nos leva a fazer muito mais. Ninguém pode viver exclusivamente para si mesmo e negligenciar o próximo. Todos nós temos de devotar-nos à ação de suprir as necessidades do próximo.

Todavia, é possível que se pergunte se Paulo está a obrigar a todos os homens a trabalhar com as próprias mãos. Isso seria algo muito desagradável. Respondo que o significado dos termos é muito simples, se devidamente considerados. Ele proíbe o furto a todas as pessoas; mas muitos preferem a pobreza. Ele antecipa essa escusa, dizendo-lhes que trabalhassem com as próprias mãos. Como se dissesse: “Nenhuma condição, por mais dura ou desagradável que seja, justifica qualquer injúria ao próximo; ou, ainda mais, a ninguém isenta do socorro devido às necessidades de seus irmãos”.

Paulo amplia esta última cláusula. Ela contém um argumento do maior para o menor - o que é bom. Como há muitas ocupações que pouco valem para socorrer os homens em seus deleites lícitos, o apóstolo recomenda-lhes que escolham aquelas que tragam benefício a si e a seu próximo. Nem precisamos admirar-nos disso, pois se aquelas classes voluptuosas de ocupações que só podem trazer corrupção eram denunciadas pelos pagãos como sendo em extremo vergonhosas, um apóstolo de Cristo as incluiria para que figurassem entre ocupações lícitas recomendadas por Deus?

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“DEIXANDO A MENTIRA”


“DEIXANDO A MENTIRA”

“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (Ef 4.25).

Dessa categoria de doutrina, ou seja, da justiça do novo homem, flui todas as exortações piedosas, como um ribeiro de uma fonte. Pois se todos os preceitos para a vida fossem coletados, fariam muito pouco sem este princípio. Os filósofos têm outro método; na doutrina da piedade, porém, esse é o único caminho para conferir vida a alguém. Agora, pois, seguem-se exortações particulares, as quais Paulo extrai da doutrina geral. E antes de tudo ele põe a genuína justiça e santidade na veracidade do evangelho. Ele agora argumenta do geral para o particular, dizendo que devemos ser fieis uns aos outros. Mentira [falsidade], aqui, é usado para todo gênero de fraude, engano, ou astúcia; e verdade, para a simplicidade. O apóstolo exige sincera comunhão entre eles em todos os seus negócios. E adiciona também esta confirmação: “porque somos membros uns dos outros”. Pois seria uma monstruosidade que os membros não desfrutassem de harmonia entre si, e ainda mais agindo fraudulentamente uns contra os outros.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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sexta-feira, 11 de abril de 2025

“NO ESPÍRITO DO VOSSO ENTENDIMENTO”


“NO ESPÍRITO DO VOSSO ENTENDIMENTO”

“E vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.23,24).

A segunda parte da norma de uma vida piedosa e santa consiste em vivê-la, não pelo vigor de nosso próprio espírito, e, sim, pelo poder do Espírito de Cristo. Qual, pois, é o sentido de “no espírito do vosso entendimento” ou “no espírito de vossa mente”? Tomo-o simplesmente como se o apóstolo Paulo quisesse dizer: “Sede renovados, não só a respeito dos apetites ou desejos inferiores, os quais são manifestamente pecaminosos, mas também daquela parte da alma considerada a mais nobre e excelente”. Há um contraste implícito entre o espírito de nossa mente e o divino e celestial Espírito, o qual gera em nós uma outra e nova mente. Quando existe em nós que é saudável ou não corrompido pode-se facilmente deduzir o seguinte: que Deus nos ordena a corrigir principalmente a razão ou mente, na qual não parece haver nada além de virtude e excelência.

E vos revistais do novo homem. Podemos explicá-lo assim: “Revesti-vos do novo homem, que consiste simplesmente em ser renovado no espírito ou interiormente. E sede plenamente renovados, começando com a mente, que parece ser a parte mais inatingível por qualquer pecado”. O que é adicionado acerca da criação pode referir-se ou à primeira criação do homem ou à transformação efetuada pela graça de Cristo. Ambas as explicações são procedentes. Adão foi inicialmente criado à imagem de Deus, para que pudesse refletir, como por um espelho, a justiça divina. Mas aquela imagem, havendo sido apagada pelo pecado, tem que ser agora restaurada em Cristo. A regeneração dos santos, na verdade, outra coisa não é, à luz de 2 Coríntios 3.18, senão a reforma da imagem de Deus neles. Mas a graça de Deus, na segunda criação, é muito mais rica e poderosa do que na primeira. Todavia, a Escritura apenas leva em conta que nossa mais elevada perfeição consiste em nossa conformidade e semelhança com Deus. Adão perdeu a imagem que originalmente recebera, portanto, é necessário dizer que ela nos será restaurada por meio de Cristo. Por isso o apóstolo ensina que o propósito na regeneração é guiar-nos de volta do erro àquele fim para o qual fomos criados.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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