"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 15 de outubro de 2026

“AQUELE QUE DENTRE VÓS ESTIVER SEM PECADO”


“AQUELE QUE DENTRE VÓS ESTIVER SEM PECADO”

“Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra” (Jo 8:7).

Cristo Jesus declarou isso em conformidade com o costume da lei, pois Deus ordenara que a testemunha, com suas próprias mãos, tomasse a iniciativa na morte dos malfeitores, em conformidade com a sentença por eles pronunciada, a fim de haver mais prudência em dar-se testemunho [Dt 17.7]. Há muitas pessoas que procedem temerariamente ao esmagarem seu irmão com perjúrio, porquanto não imaginam que estão abrindo uma ferida mortal com suas línguas. E este mesmo argumento foi de muito peso para esses caluniadores, desesperados como estavam, pois nem bem tiveram uma visão dele, se descartaram das incandescentes paixões com que se deixaram encher de vaidades quando chegaram. Todavia existe essa diferença entre a injunção da lei e as palavras de Cristo, a saber, que na lei Deus meramente ordenara que não se condenasse uma pessoa com a língua, a menos que lhes fosse permitido matá-la com as próprias mãos. Aqui, porém, Cristo demanda das testemunhas inocência plenária, de modo que ninguém pudesse acusar outrem de crime, a menos que fosse puro e isento de toda falha. Ora, o que ele disse naquele tempo a umas poucas pessoas, temos de considerar como havendo falado a todos, para que todo aquele que acusar outrem, imponha a si uma lei de inocência, do contrário, não estamos indo ao encalço de atos ímpios, e, sim, estamos sendo hostis às pessoas.

Entretanto, dessa forma Cristo parece anular no mundo todas as decisões judiciais, de modo que ninguém ousará a dizer que tem o direito de punir os crimes. Porque, é impossível encontrar um único juiz que não tenha consciência de haver cometido algum erro? É possível encontrar uma única testemunha que não seja culpada de alguma falha? Portanto, é como se ele proibisse a todas as testemunhas de apresentar seu testemunho público, e a todos os juízes de ocupar seu tribunal. Eis minha resposta: esta não é uma proibição absoluta e ilimitada, por meio da qual Cristo proíba os pecadores de seu dever de corrigir os pecados de outrem. Senão que, por meio dessa palavra, ele apenas reprova os hipócritas que suavemente se lisonjeiam e abrandam seus vícios, contudo são excessivamente severos, e inclusive chegam a ser cruéis, ao censurarem outros. Ninguém, pois, será impedido por seus próprios pecados de corrigir os pecados de outrem, e inclusive de puni-los sempre que achar necessário, contanto que em si e nos outros ele odeie o que deve ser condenado. E além de tudo isso, cada pessoa deve começar interrogando sua própria consciência e agindo como testemunha e como juiz contra si mesmo, antes de chegar a outros. E assim, sem odiar os homens, faremos guerra contra os pecados.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

“JESUS, INCLINANDO-SE, ESCREVIA NA TERRA COM O DEDO”


“JESUS, INCLINANDO-SE, ESCREVIA NA TERRA COM O DEDO”

“Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo” (Jo 8:6).

Com esta atitude Cristo pretendia mostrar que os menosprezava. Os que conjecturam que ele escrevia isto ou aquilo, em minha opinião, não captam sua intenção. Tampouco aprovo a ingenuidade de Agostinho que cria que dessa forma se realçava a distinção entre a lei e o evangelho, porque Cristo não escreveu em tábuas de pedra [Ex 31.18], mas no homem, que é pó e terra. Pois, Cristo, antes, pretendia nada mais nada menos que mostrar quão indignos eram eles de ser ouvidos, justamente como se alguém, enquanto outro falava, se pusesse a rabiscar a parede ou virasse as costas ou por meio de algum outro gesto, insinuasse que nada entendia do que lhe era dito. Assim, na atualidade, quando Satanás tenta, por vários métodos, desviar-nos da reta vereda da instrução, devemos desdenhosamente passar por alto muitas coisas que ele põe diante de nós. Os sofistas nos provocam o máximo que podem, fazendo uso de sofismas triviais, como se lançassem fumaça ao ar. Se mestres piedosos empregarem laboriosamente seu tempo em examinar cada um desses sofismas, começarão a envolver-se em questões sem fim, e, portanto, se delongam de tal sorte, que nada mais fazem senão estorvar o progresso do evangelho, e são sabiamente desconsiderados.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“SURPREENDIDA EM ADULTÉRIO”


“SURPREENDIDA EM ADULTÉRIO”

“Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério” (Jo 8:3-4).

É bastante óbvio que esta passagem não era conhecida das igrejas gregas, e alguns conjecturam que ela foi trazida de alguma outra fonte e inserida aqui. Visto, porém, que a mesma sempre foi aceita pelas igrejas latinas, e está presente em muitos manuscritos gregos antigos e nada contém de indigno de um espírito apostólico, não há razão por que devamos recusar aplicá-la para nosso proveito. Ao dizer o Evangelista que os escribas e fariseus trouxeram uma mulher, sua intenção é dizer que isso foi de comum acordo entre si, com o fim de apanhar Cristo numa armadilha. Ele menciona expressamente os fariseus porque eram as principais pessoas na ordem dos escribas. Ao adotarem tal pretexto para exprimir sua calúnia, eles exibem a hediondez de sua perversidade, e até mesmo seus próprios lábios os acusam, pois não dissimulam que possuem um claro mandamento da lei, e daí se segue que agem maliciosamente, formulando uma pergunta como se fosse uma matéria indubitável. Sua intenção, porém, era constranger a Cristo a afastar-se de seu ofício de pregador da graça, para que parecesse ser volúvel e instável. Declaram expressamente que as adúlteras estão condenadas por Moisés [Lv 20.10], para que obrigassem Cristo pela sentença já formulada pela lei, pois não era lícito inocentar aqueles a quem a lei condenava. E, em contrapartida, se ele desse seu assentimento à lei forçaria a conclusão de ser um tanto incoerente consigo mesmo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

“E AS TREVAS NÃO PREVALECERAM”


“E AS TREVAS NÃO PREVALECERAM”

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1:5).

Ainda que o Filho de Deus tenha sempre convocado os homens a si, pela instrumentalidade dessa pobre luz que ainda restou em nós, o Evangelista assevera que ela era ineficaz, porquanto, “vendo, não veem”. Porque, depois que o homem foi alienado de Deus, tal foi a ignorância que se apoderou de sua mente, que toda e qualquer luz que porventura nela restou é extinta e inútil. A experiência também comprova tal fato diariamente. Pois mesmo aqueles que não foram ainda regenerados pelo Espírito de Deus exercem certa razão, de modo que somos claramente instruídos de que o homem foi criado não só para respirar, mas que possui também entendimento. Não obstante, guiados por sua razão, o homem não alcança ou não consegue ter acesso a Deus e, assim, toda sua inteligência não prima direção senão rumo à vaidade, donde se deduz que não há qualquer esperança para a salvação dos homens, a menos que Deus lhe proveja um novo recurso. Pois ainda que o Filho de Deus derrame sua luz sobre eles, encontram-se tão entorpecidos que sua obtusidade não lhes permite compreender a fonte dessa luz; obcecados por fascinantes e perversas fantasias acabam na demência.

Há duas partes primordiais nessa luta que ainda permanecem na natureza corrompida. Alguma semente da religião está plantada em todos; existe também aquela distinção entre o bem e o mal que está esculpida em suas consciências. Afinal, qual é o usufruto disso, senão que a religião produz mil e uma superstições monstruosas, e a consciência corrompe todo o juízo, confundindo vício com virtude? Em suma, a razão jamais guiará os homens a Cristo. O fato de serem eles dotados de sabedoria para dirigir suas vidas e de se formarem em filosofia e ciências se reduz e resulta em nada.

Além do mais, devemos ter em mente que o Evangelista está falando unicamente dos dons naturais, e não está tratando ainda da graça da regeneração. Porque há no Filho de Deus dois poderes distintos. O primeiro se manifesta na arquitetura do mundo e na ordem da natureza. No uso do segundo, ele renova e restaura a natureza caída. Ele é a eterna Palavra de Deus; e, por conseguinte, por meio dele, o mundo foi criado. Pela ação de seu poder, todas as coisas conservam a vida que uma vez receberam; de uma forma toda especial, o homem foi adornado com o dom singular do entendimento. E, conquanto, com sua queda, tenha perdido a luz do entendimento, ele ainda vê e entende, já que o que ele naturalmente possui da graça do Filho de Deus não lhe foi totalmente destruído. Visto, porém, que mediante seu embotamento e perversidade, ele empana a luz que ainda lhe resta, cumpre ao Filho de Deus assumir uma nova função, a saber, a de Mediador, e assim renova o homem perdido através do Espírito de regeneração. Portanto, põe o carro adiante do boi quem interpreta a luz que o Evangelista menciona como sendo o evangelho e a proclamação da salvação.  

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“A LUZ RESPLANDECE NAS TREVAS”


“A LUZ RESPLANDECE NAS TREVAS”

“A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1:5).

Pode-se suscitar uma objeção, dizendo que os homens são, em muitas passagens da Escritura, chamados de cegos, e que tal cegueira, à qual se acham condenados, é sobejamente notória, porquanto fracassam miseravelmente em todo seu raciocínio. Pois, donde procedem os infindáveis labirintos e erros no mundo, senão do fato de os homens serem guiados tão somente por seu próprio entendimento às ilusões e falsidades? Não obstante, se porventura nenhuma luz é visível aos homens, conclui-se que este testemunho do Evangelista acerca da divindade de Cristo fica destruído. Porque, como já disse, na vida humana, há algo muito mais excelente do que mero movimento e respiração. O Evangelista antecipa este problema prontamente nos advertindo que a luz outorgada aos homens no princípio não pode ser avaliada em seu presente estado, visto que, nesta natureza arruinada e degenerada, a luz se converteu em trevas. E, no entanto, ele nega que a luz da razão esteja completamente extinta, porquanto na densa escuridão da mente humana brilham ainda algumas centelhas desse esplendor. Agora, o leitor poderá perceber a existência de duas ideias nessa frase. O Evangelista diz que os homens são agora muito diferentes daquela natureza íntegra com a qual foram dotados no princípio. Suas mentes, que teriam sido radiantes em todos os aspectos se acham mergulhadas nas sombras de desditosa cegueira. E assim, nessa corrupção da natureza, a glória de Cristo está como que sombreada. Em contrapartida, porém, o Evangelista afirma que em meio às trevas ficaram ainda certos traços que de algum modo revelam o divino poder de Cristo. O Evangelista monstra, pois, que a mente humana está completamente cega, de tal modo que ela pode ser francamente considerada como que submersa em trevas. Pois ele poderia ter usado um meio termo e dizer que a luz era miserável ou sombria, mas não: ele quis expressar muito mais claramente quão depravada é nossa condição desde a queda do primeiro homem. Sua afirmação de que a luz resplandece nas trevas não pretendia absolutamente exaltar a natureza corrompida. Ao contrário, pretendia despir a ignorância de toda e qualquer justificativa.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

“A VIDA ERA A LUZ DOS HOMENS”


“A VIDA ERA A LUZ DOS HOMENS”

“A vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (Jo 1:4).

Deliberadamente, desconsidero qualquer outra interpretação que não esteja em harmonia a intenção do Evangelista. Creio ser esta uma referência àquela parte da vida na qual os homens excedem às demais criaturas animadas. É como se ele quisesse dizer que a vida outorgada aos homens não era a vida em geral, mas a vida associada à luz da razão. Além do mais, ele separa os homens dos demais seres, visto que somos cônscios do poder de Deus através do sentimento existente em nós mais do que através da visão ótica dele à distância. Daí, em Atos 17.27, Paulo nos dizer para não buscarmos a Deus como se ele estivesse longe, já que ele se revela em nosso interior. E assim, quando o Evangelista pôs em evidência uma consideração geral da graça de Cristo, procurando persuadir os homens a prestarem maior atenção, ele põe diante deles o que lhes fora outorgado de forma específica – a saber, que não foram criados à semelhança dos seres brutos, senão que, ao serem dotados de razão, foram postos numa categoria muito sublime. Além do mais, visto que Deus eficazmente ilumina suas mentes com sua própria luz, segue-se que foram criados para que pudessem saber que Deus é o Autor de uma bênção tão singular. E visto que essa luz nos flui da Palavra, como sua fonte, ela nos é como um espelho no qual podemos ver claramente o divino poder da Palavra.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“A VIDA ESTAVA NELE”


“A VIDA ESTAVA NELE”

“A vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (Jo 1:4).

Até aqui o Evangelista nos ensinou que todas as coisas foram criadas pela Palavra de Deus. Agora, da mesma forma, atribui-lhe a preservação do que fora criado, como se pretendesse dizer que, na criação do mundo, seu poder não apareceu meramente de súbito para, em seguida, desaparecer, mas que o mesmo se faz visível na preservação da ordem fixa e estável da natureza – exatamente como em Hebreus 1.3 está expresso que Deus sustenta todas as coisas pela Palavra ou comando de seu poder. Além do mais, essa vida pode ser ou uma referência mais extensa às criaturas inanimadas, as quais têm sua vida própria, ainda que lhes falte emoção, ou uma referência exclusivamente à vida animada. Pouco importa a escolha que o leitor faça, pois a ideia simplesmente consiste em que a Palavra de Deus não foi apenas a fonte de vida para todas as criaturas, tanto que as que ainda não existiam vieram à existência, mas que seu poder gerador de vida as fez permanecer em seu estado. Pois se sua inspiração não houvera mantido vivo o mundo, o que quer que florescesse, sem dúvida alguma, murcharia imediatamente ou se reduziria a nada. Em suma, o que Paulo atribui a Deus, que nele temos nosso ser, nos movemos e vivemos [At 17.27], João declara se efetuado pela agência graciosa da Palavra. É Deus, pois, quem nos outorga a vida, mas ele o faz pela instrumentalidade da Palavra eterna.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

sábado, 3 de outubro de 2026

“NÃO OCULTEI NO CORAÇÃO A TUA JUSTIÇA”

“NÃO OCULTEI NO CORAÇÃO A TUA JUSTIÇA”

“Não ocultei no coração a tua justiça; proclamei a tua fidelidade e a tua salvação; não escondi da grande congregação a tua graça e a tua verdade” (Sl 40:10).

Aqui se faz necessário observar o acúmulo de termos que são empregados para denotarem a mesma coisa. À justiça de Deus o salmista acrescenta sua fidelidade, sua salvação e sua graça. E qual é o propósito disto senão para magnificar e ressaltar a bondade de Deus através de muitos termos ou expressões de louvor? E preciso, contudo, notar em que aspectos estes termos diferem; porque desta forma poderemos determinar em que aspectos se aplicam ao livramento sobre o qual Davi aqui discursa. Se estas quatro coisas forem tomadas na devida ordem, graça manterá o primeiro lugar, como aquele elemento pelo qual só Deus se induz a dignar-se a abençoar-nos. Sua justiça é a proteção pela qual ele constantemente defende a seu próprio povo, e a bondade pela qual, como já dissemos, ele o preserva. E, para que não haja dúvida alguma de que ela fluirá num curso constante e ininterrupto, Davi acrescenta, em terceiro lugar, a verdade, pela qual somos instruídos de que Deus prossegue sendo sempre o mesmo, e que jamais se cansa de socorrer-nos nem em tempo algum nos deixa escapar de sua mão. Ao mesmo tempo há implícito nisto uma exibição de suas promessas; pois nenhum outro jamais se apropriará corretamente da justiça divina senão aquele que a abraça como ela lhe é oferecida e apresentada na Palavra. Salvação é o efeito da justiça, pois Deus continua a manifestar a seu povo seu gracioso favor, oferendo-lhe diariamente auxílio e assistência, até que o mesmo seja completamente salvo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“ESPEREI CONFIANTEMENTE PELO SENHOR”


“ESPEREI CONFIANTEMENTE PELO SENHOR”

“Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro” (Sl 40:1).

O início deste Salmo constitui uma expressão de gratidão na qual Davi relata que fora libertado, não apenas do perigo, mas também da presença da morte. Há quem defenda a opinião, mas sem boas razões, de que esta oração deve ser entendida como resultado de uma enfermidade. Deve-se, sim, pressupor que Davi, nesta passagem, envolve uma infinidade de perigos dos quais ele escapara. Certamente estivera mais de uma vez exposto ao maior de todos os perigos, a morte; de sorte que, com boas razões, podia dizer que fora tragado pelo abismo da morte e atolado em lodo lamacento. Não obstante, o que transparece é que sua fé ainda continuava firme, porquanto não cessou de confiar em Deus, embora a longa permanência da calamidade deixara sua paciência à mercê da exaustão. Ele não nos diz simplesmente que havia esperado, mas a ênfase no verbo revela que fora deixado por longo tempo em angustiante expectativa. À medida, pois, que sua provação se prolongava, a evidência e prova de sua fé em suportar a delonga com calma e estabilidade de mente se faziam ainda mais patentes. O significado em suma consiste em que, embora Deus delongasse seu socorro, não obstante o coração de Davi não desfaleceu, nem se cansou; antes, depois de dar, por assim dizer, suficiente demonstração de sua paciência, por fim foi ouvido. Em seu exemplo surge diante de nós uma doutrina muito proveitosa, a saber: embora Deus não se apresse em surgir em nosso socorro, no entanto propositadamente nos mantém em suspenso e perplexidade; entretanto, não devemos perder a coragem, já que a fé não é totalmente provada senão pela longa espera. O resultado também, do qual ele fala em termos de louvor, deve inspirar-nos com crescente constância. E possível que Deus nos socorra mais lentamente do que gostaríamos, mas quando parece não tomar ele conhecimento de nossa condição, ou, se é que podemos usar tal expressão, quando parece inativo, isso é totalmente diferente de enganar; pois se somos incapazes de suportar, mediante o vigor e o poder invencíveis da fé, o tempo oportuno de nosso livramento por fim se manifestará.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564). 

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

RUACH

RUACH

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1:8).

RUACH

Deus em nós
Tu fazes novas todas as coisas.

Vem, envia o Teu fogo santo.

Vem, derrama o Teu poder em nossos corações
Vem, enche a Tua igreja de novo.

Vem, Senhor, esperamos com anseio.

Ruach, Ruach, Ruach
Bem-vindo, sopro de Deus.