"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Deus Ordena aos Homens que Creiam

Deus Ordena aos Homens que Creiam
“Declarai e apresentai as vossas razões. Que tomem conselho uns com os outros. Quem fez ouvir isto desde a antiguidade? Quem desde aquele tempo o anunciou? Porventura, não o fiz eu, o SENHOR? Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim. Olhai para mim e sede salvos” (Is 45.21,22).

A ninguém jamais se ordena que creia naquilo que não lhes foi revelado, ou pela luz da natureza, ou pela Palavra inspirada. “Os atributos invisíveis de Deus, assim como seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1.20-21). A ninguém jamais se ordena que creia numa verdade meramente especulativa. As verdades da religião apoiam-se no testemunho de Deus. Este é reforçado por provas morais, e a fé nessas verdades envolve conhecimento moral e espiritual delas e satisfação nelas. Provas morais só podem ser devidamente apreciadas por quem possui sensibilidade moral; e a insensibilidade moral que leva à cegueira quanto à distinção entre o bem e o mal, é ela mesma um estado de depravação externa. As Escrituras, pois, luminosas pela sua própria luz evidencial, apresentam a verdade a todos a quem chega o seu conhecimento, e exigem que eles aceitem a verdade ao receberem o testemunho de Deus. Se alguém sentir que a evidência não é conclusiva pra ele, a causa não pode deixar de ser a cegueira pecaminosa do seu espírito. Por isso o Senhor Jesus Cristo diz: “Não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo 5.40). E a incredulidade é sempre lançada à culpa do “coração mau”. “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb 3.12). Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a voz do Bom Pastor, não endureçais o vosso coração. Medita nestas coisas!

Rev. José Oliveira Filho

*Esboços de Teologia, A.A.Hodge, Editora PES

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR
(41) 3023-5896

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Fé, um ato da Inteligência e da Vontade

Fé, um ato da Inteligência e da Vontade
“Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5.39).

A alma possui duas faculdades principais - o entendimento e a vontade - a Escritura costuma mencionar em alguns casos estas duas coisas separadamente, quando propõe expressar o poder e a natureza da alma. O termo alma pode ser empregado no sentido da sede das afeições. E quando nos deparamos com a menção ao espírito, entendemos isto como denotando a razão ou inteligência. Assim sendo, levantamos a seguinte questão: Até onde a fé é um ato da inteligência, e até onde é um ato da vontade? Há em nós a capacidade de saber, conhecer e amar, desejar e decidir, e estes diversos atos da alma reúnem-se sobre o mesmo objeto. Nós não podemos amar, nem desejar, nem escolher aquilo que não conhecemos, nem podemos conhecer um objeto como bom ou verdadeiro sem que haja alguma afeição da vontade para com ele. O assentimento dado a uma verdade especulativa pode ser simplesmente um ato da inteligência; mas a crença numa verdade moral, num testemunho, em promessas, é necessariamente um ato complexo, abrangendo a vontade bem como a inteligência. “Qual a razão porque não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra” (Jo 8.43). A inteligência apreende a verdade a crer, e avalia a validade das provas; mas a disposição para crer no testemunho, ou nas provas morais, tem sua base na vontade. A real confiança numa promessa é um ato da vontade, e não somente um juízo da inteligência sobre a fé que a promessa merece. Há uma relação exata entre o juízo moral e os afetos, e a vontade, como a sede dos afetos morais, determina os juízos morais. Por isso, assim como o homem é responsável por sua vontade, também o é por sua fé. “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi” (Is 55.3). Até onde a fé inclui em si um ato de “cognição”, ela é evidentemente um ato da inteligência. Entretanto até onde inclui em si “assentimento” e “confiança”, envolve também as faculdades espontâneas e ativas da alma – “a vontade” – e nos seus exercícios superiores envolve muitas vezes a própria volição proposital. “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo 5.39,40). Medita nestas coisas!

Rev. José Oliveira Filho

*1Tessalonicenses – Comentários de João Calvino
*Esboços de Teologia, A.A.Hodge, Editora PES

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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

“SANTIFICADOS NO ESPÍRITO, ALMA E CORPO”


“SANTIFICADOS NO ESPÍRITO, ALMA E CORPO”

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Tes 5.23).

Sem sombra de dúvida, a doutrina é disseminada em vão, a menos que Deus a implante em nossas mentes. O apóstolo Paulo, concordemente, sabendo que toda a doutrina é inútil enquanto Deus não a grava, por assim dizer, com o seu próprio dedo em nossos corações, suplica a Deus que santifique os tessalonicenses.

Sabemos, porém, que, sob o termo santificação, está inclusa toda a renovação do homem. É verdade que os tessalonicenses haviam sido em parte renovados, mas Paulo deseja que Deus aperfeiçoe o que resta. A partir disto inferimos que devemos, durante toda a nossa vida, fazer progresso na busca da santidade. Mas, se é o papel de Deus renovar todo o homem, não resta nada para o livre arbítrio. Pois, se fosse o nosso papel cooperar com Deus, Paulo teria falado assim: “Que Deus ajude ou promova a vossa santificação”. Mas, quando diz: vos santifique em tudo, ele o torna o Autor exclusivo de toda a obra.

E todo o vosso espírito. Isto é acrescentado como explicação, para que saibamos que a santificação de todo o homem é quando ele se conserva íntegro, ou puro, e incontaminado, em espírito, alma e corpo, até o dia de Cristo. Como, porém, tão completa integridade nunca será satisfeita nesta vida, convém que certo progresso em pureza seja feito diariamente, e algo seja removido de nossas contaminações enquanto vivemos no mundo.

Contudo, devemos notar esta divisão das partes constituintes do homem; pois, em alguns casos, é dito que o homem consiste simplesmente de corpo e alma; e, neste caso, o termo alma denota o espírito imortal, que reside no corpo como em uma habitação. Porém, como a alma possui duas faculdades principais – o entendimento e a vontade – a Escritura costuma mencionar em alguns casos estas duas coisas separadamente, quando propõe expressar o poder e a natureza da alma; mas, neste caso, o termo alma é empregado no sentido das sede das afeições, de modo que é a parte que se opõe ao espírito. Por isso, quando nos deparamos aqui com a menção ao espírito, entendamos isto como e notando a razão ou inteligência, assim como, por outro lado, o termo alma significa a vontade e todas as afeições.

Sei que muitos explicam as palavras de Paulo de outro modo, pois são da opinião de que, pelo termo alma, faz-se referência ao movimento vital, e, pelo espírito, àquela parte do homem que foi renovada; mas, neste caso, a oração de Paulo seria absurda. Ademais, é em outro sentido, conforme disse, que o termo costuma ser utilizado na Escritura. Quando Isaías diz: “Com minha alma te desejei de noite, e com o meu espírito, madrugarei a buscar-te” (Is 26:9), ninguém duvida de que ele fala do seu entendimento e afeição, e assim enumera dois aspectos da alma. Estes dois termos estão associados nos Salmos no mesmo sentido. Isto, também, corresponde melhor à declaração de Paulo. Pois como todo o homem é íntegro, exceto quando seus pensamentos são puros e santos, quando todas as suas afeições são retas e propriamente reguladas, quando, enfim, o próprio corpo mostra seus esforços e serviços apenas em boas obras? Pois a faculdade do entendimento é considerada pelos filósofos, por assim dizer, como se fosse uma mestra: as afeições ocupam um lugar médio no controle; o corpo presta obediência. Agora vemos bem como tudo corresponde. Pois nesse caso o homem é puro e íntegro quando não pensa nada em sua mente, não deseja nada em seu coração, não faz nada com o seu corpo, exceto o que é aprovado por Deus. Porém, como deste modo Paulo confia a Deus a guarda de todo o homem, e de todas as suas partes, devemos inferir a partir disto que estamos expostos a inúmeros perigos, a menos que sejamos protegidos pela sua guarda.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana da Silva Jardim - Curitiba/PR
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário
(41)3242-8375

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A Necessidade de Santificação

A NECESSIDADE DE SANTIFICAÇÃO

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

“Eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44). A nossa total dependência de Deus, assim como a nossa obrigação de viver para glorificá-lo e gozá-lo para sempre exige de nós, seus filhos, a santificação. “Disse o SENHOR a Moisés: Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.1). “Porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16). O nosso Deus é Santo! Sua santidade resplandecente e atraente revelada em Cristo Jesus – por seu amor, graça, compaixão, justiça e misericórdia – é motivo para buscarmos uma vida de santidade. Em Cristo Jesus temos o poder gracioso do Espírito que opera em nós e nos conforma àquela santidade exigida por Deus. “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co 3.18). Ser conformado ao Deus Santo é privilégio, glória e honra. Esta é uma obra de Deus operada em nós “mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tt 3.5,6). Se a imagem de Deus não for restaurada em nós, não podemos ter com Ele o relacionamento proposto desde a criação. Só por meio da santidade é que isso pode acontecer. Somos chamados à comunhão com Deus, e esse deve ser o nosso alvo. “E vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.23,24). Se em nossa prática religiosa não houver comunhão verdadeira com Deus, os nossos sacrifícios e atos de cultos são vãos e desagradáveis ao Senhor (Is 1.15,16; 1Jo 1.3,5-7). Devemos ser santos assim como Deus é santo, pois a nossa felicidade eterna depende disso, e absolutamente nada corrompido chegará à presença de Deus. Ninguém alcançará a glória e a felicidade eternas sem santidade (Hb 12.14). Se não desfrutarmos desde já da santidade de Deus, não a teremos na vida por vir.

Deus nos abençoe!

John Owen (1616-1683).

*O Espírito Santo, John Owen, Editora Os Puritanos

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A Santificação

A Santificação
“Tais fostes alguns de vós; mas vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1Cor 6.11). 

A santificação é a total renovação da natureza pelo Espírito Santo, por meio do qual somos restaurados à imagem, conforme a semelhança de Deus, através de Cristo Jesus. Esta é uma obra de Deus efetuada no espírito, na alma e no corpo de todos os crentes, separando-os de tudo o que é profano, imundo ou impuro; apresentando-os ao serviço de Deus para o louvor da Sua glória. “E o mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Tes 5.23). Somos capacitados à obediência por causa do princípio ativo da graça, interior e espiritual; pela virtude da vida e da morte de Jesus Cristo, em conformidade com os termos da nova aliança de Deus, pelo qual Ele escreve as suas leis em nosso coração e nos capacita a obedecê-lo por meio do Espírito Santo que habita em nós. Somos separados por Deus e por Ele colocados em uma nova posição. Somos não só considerados santos, mas feitos santos por uma obra de purificação e limpeza que se dá dentro de nós pelo poder do Espírito Santo, que nos conforma cada vez mais ao Senhor Jesus Cristo, à Sua imagem de glória em glória. Somos conformados à imagem do filho de Deus para “brilhar”. “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16). Somos a luz do mundo! “A santificação é uma graciosa e contínua operação do Espírito Santo, pela qual Ele liberta o pecador justificado da corrupção do pecado, renova toda a sua natureza segundo a imagem de Deus e o capacita a realizar boas obras”. “Os que são eficazmente chamados e regenerados, havendo sido criado neles um novo coração e um novo espírito, são além disso, santificados genuína e pessoalmente, pela virtude da morte e ressurreição de Cristo, por sua Palavra e seu Espírito neles habitando; o domínio de todo o corpo do pecado é destruído e suas diversas concupiscências mais e mais enfraquecidas e mortificadas e eles mais e mais vivificados e fortalecidos em todas as graças salvíficas para a prática da genuína santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor” (CFW, cap. XIII,§I). Medita nestas coisas!

Rev. José Oliveira Filho

*O Espírito Santo, John Owen, Editora Os Puritanos.
*Grandes Doutrinas Bíblicas, Martiyn Lloyd-Jones, Editora PES.
*Confissão de Fé de Westminster Comentada, A.A.Hodge, Editora Os Puritanos.

Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR
(41) 3023-5896
Pastor Efetivo: Rev. Luiz Eduardo Pugsley Ferreira
Pastor Auxiliar: Rev. José Rodrigues de Oliveira Filho

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Orai sem Cessar. Em tudo, dai Graças!

Orai sem Cessar. Em tudo, dai Graças!
"Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (1Tes 5.16-18).

Sem sombra de dúvida, se consideramos o que Cristo nos concedeu, não haverá amargura de tristeza tão intensa que não possa ser aliviada, e dê lugar à alegria espiritual. Pois, se esta alegria não reina em nós, o reino de Deus é ao mesmo tempo banido de nós, ou nós dele. E muito ingrato a Deus é o homem que não dê um valor tão elevado à justiça de Cristo e à esperança da vida eterna, regozijando-se em meio à tristeza. Como, porém, nossas mentes são facilmente abatidas, até que deem lugar à impaciência, devemos observar o remédio que o apóstolo Paulo prescreve logo após. Pois, ao sermos derribados e abatidos, somos novamente levantados pelas orações, porque colocamos sobre Deus o que nos sobrecarregava. Como, porém, a cada dia, sim, a cada instante, há muitas coisas que podem perturbar a nossa paz, e frustrar a nossa alegria, por esta causa ele nos manda orar sem cessar. Ação de graças é acrescentada como um freio, uma limitação. Pois muitos oram de tal modo que ao mesmo tempo murmuram contra Deus, e se queixam de que Ele não gratifique imediatamente seus desejos. Mas, pelo contrário, é conveniente que nossos desejos sejam refreados de tal modo que, contentes com o que nos é dado, sempre misturemos ações de graças aos nossos desejos. É verdade que podemos licitamente pedir, sim, suspirar e lamentar, mas isto deve ser de tal modo que a vontade de Deus seja mais aceitável a nós do que a nossa própria. Pois esta é a vontade de Deus, ou seja, de acordo com a opinião de Crisóstomo, que demos graças. Quanto a mim, sou da opinião de que um sentido mais amplo está incluso sob estes termos – que Deus possui tal disposição para conosco em Cristo que mesmo em nossas aflições temos grande oportunidade de dar graças. Pois, o que é mais justo e mais apropriado para nos apaziguar, senão quando sabemos que Deus nos abraça em Cristo tão ternamente, que Ele torna em nosso benefício e felicidade todas as coisas que nos ocorrem? Portanto, tenhamos em mente que este é um remédio especial para corrigir a nossa impaciência – desviar nossos olhos de contemplar os males presentes que nos atormentam, e direcionar nossa vista a uma consideração de natureza diferente: como Deus permanece favorável a nós em Cristo. Medita nestas coisas!

ITessalonicenses, comentários de João Calvino.

Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
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Regozijai-vos Sempre!

Regozijai-vos Sempre!
"Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (1Tes 5.16-18).

"Regozijai-vos sempre". Refiro isto à moderação de espírito, quando a mente se mantém calma sob a adversidade, e não dá lugar à tristeza. Concordemente, relaciono estas três coisas entre si: regozijar-se sempre, orar sem cessar e em tudo dar graças. Pois, quando recomenda a oração constante, ele aponta o meio de se regozijar perpetuamente, porque através deste meio pedimos a Deus alívio em relação a todas as nossas aflições. De modo semelhante, em Filipenses 4:4, tendo dito: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos. Seja a vossa moderação notória a todos. Não estejais inquietos por coisa alguma. Perto está o Senhor”, ele indica a seguir o meio para isto: “antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, com ação de graças”. Nessa passagem, como sabemos, o apóstolo Paulo apresenta como fonte de alegria uma mente calma e serena, que não é excessivamente perturbada por injúrias ou adversidades. Mas, para que não sejamos abatidos pela aflição, tristeza, ansiedade e temor, ele nos manda descansarmos na providência de Deus. E, como frequentemente se introduzem dúvidas quanto a se Deus cuida de nós, também prescreve o remédio – que, pela oração, descarreguemos nossas ansiedades como que em seu seio, como Davi nos recomenda a fazer: “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37:5); “Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Sl 55:22); e Pedro também, conforme o seu exemplo: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5:7). Como, porém, somos excessivamente precipitados em nossos desejos, ele impõe um freio sobre eles – que, embora desejemos aquilo de que precisamos, ao mesmo tempo não deixemos de dar graças. Ele observa, aqui, praticamente a mesma ordem, embora em menos palavras. Pois, antes de tudo, queria que tivéssemos os benefícios de Deus em tanta estima que o reconhecimento deles e a meditação sobre eles superassem toda a tristeza. E, sem sombra de dúvida, se consideramos o que Cristo nos concedeu, não haverá amargura de tristeza tão intensa que não possa ser aliviada, e dê lugar à alegria espiritual. Pois, se esta alegria não reina em nós, o reino de Deus é ao mesmo tempo banido de nós, ou nós dele. E muito ingrato a Deus é o homem que não dê um valor tão elevado à justiça de Cristo e à esperança da vida eterna, regozijando-se em meio à tristeza. Medita nestas coisas!

ITessalonicenses, comentários de João Calvino.

Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
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Pastor Efetivo: Rev. Luiz Eduardo Pugsley Ferreira
Pastor Auxiliar: Rev. José Rodrigues de Oliveira Filho

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Esperança de Ressurreição

Esperança de Ressurreição
“Não queremos, porém, irmãos que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança” (1Tes 4.13).

A esperança de ressurreição nos traz conforto. Não devemos lamentar os mortos além dos limites adequados, porquanto todos nós devemos ressuscitar. Por que razão o choro dos incrédulos não tem fim nem medida, senão porque eles não têm esperança de uma ressurreição? Portanto, convém que nós, que fomos instruídos quanto a uma ressurreição, lamentemos de modo diferente, com moderação. Em seguida o apóstolo Paulo discursa quanto à maneira da ressurreição; e por esta causa também diz algo quanto aos tempos; mas, nesta passagem, ele pretendia simplesmente refrear a tristeza excessiva, a qual nunca teria tido tanta influência entre os tessalonicenses, se tivessem considerado seriamente a ressurreição, e a conservado na recordação. Contudo, ele não nos proíbe de nos lamentarmos absolutamente, mas exige moderação em nosso pranto, pois diz: “para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança”. Ele os proíbe de se entristecerem como os incrédulos, que dão rédeas soltas à sua tristeza, porque contemplam a morte como destruição final, e imaginam que tudo o que é tirado do mundo se acaba. Como, por outro lado, os fiéis sabem que deixam o mundo para que possam ser por fim reunidos no reino de Deus, eles não têm a mesma causa de tristeza. Por isso, o conhecimento da ressurreição é o meio de moderar a tristeza. Ele fala acerca dos mortos como os que dormem, segundo a prática comum da Escritura – um termo pelo qual a amargura da morte é mitigada, pois há grande diferença entre sono e destruição. Porém, isto se refere, não à alma, mas ao corpo, pois o corpo morto jaz na tumba, como em uma cama, até que Deus ressuscite o homem. Portanto, fazem papel de tolos aqueles que inferem a partir disto que as almas dormem. Agora estamos em posse do sentido de Paulo – que ele estimula as mentes dos fiéis à consideração da ressurreição, para que não indultem excessiva tristeza por ocasião da morte de seus parentes; pois era inconveniente que não houvesse distinção entre eles e os incrédulos, que não põem fim nem medida à sua tristeza por esta razão – que na morte eles não reconhecem nada além de destruição. “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem” (1Tes 4.13,14). Medita nestas coisas!

ITessalonicenses, comentários de João Calvino.

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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Homens Ambiciosos

Homens Ambiciosos
“Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1.10).

Neste texto o apóstolo Paulo está falando, não do tema de sua pregação, mas do propósito de sua própria mente, o qual se preocupa com Deus antes que com os homens. O ensino também, é verdade, corresponde à disposição do mestre. Pois quando a corrupção da doutrina é um produto da ambição, da avareza ou de outros desejos depravados, então uma consciência honesta motiva a conservação da verdade pura. E assim o apóstolo afirma que sua doutrina é integra, uma vez que ela não se acomoda a homens. Homens ambiciosos, ou seja, aqueles que granjeiam o favor humano, não podem servir a Cristo. Paulo se dirige a si mesmo, em particular, quando diz que espontaneamente renunciara o favor dos homens a fim de permanecer firme ao lado de Cristo; e compara o estado anterior de sua vida com o presente. Paulo era tido na mais elevada estima, por toda parte recebia grandes aplausos. E por isso, caso quisesse agradar aos homens, não teria necessidade de mudar seu estado. Daqui podemos deduzir o ensino geral: aqueles que determinam servir a Cristo fielmente devem ousadamente desprezar o favor dos homens. A palavra homens, aqui, tem um sentido restrito. Porque os ministros de Cristo não devem se expor deliberadamente buscando ofender os homens. Mas há diferentes classes de homens. Aqueles a quem Cristo está agradando são homens a quem devemos envidar todo esforço para agradar em Cristo. Ao passo que, os que querem que a verdadeira doutrina ceda lugar aos seus propósitos pessoais, a esses em hipótese alguma devemos agradar. E os pastores piedosos e íntegros terão sempre que manter essa luta de desconsiderar as ofensas daqueles que querem desfrutar de vantagem em tudo. Pois a Igreja terá sempre em seu seio pessoas hipócritas e perversas, as quais preferem suas próprias cobiças à Palavra de Deus. E mesmo as pessoas boas, quer por alguma ignorância quer por alguma fraqueza, são às vezes tentadas pelo diabo a ficar iradas com as fiéis advertências de seu pastor. É nosso dever, pois, não ficar alarmados por quaisquer gêneros de ofensas, contanto, naturalmente, que não desviemos de Cristo nossas débeis mentes. 

*Epístola aos Gálatas, João Calvino, Editora Paracletos

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terça-feira, 26 de julho de 2016

Somente pela Fé em Cristo Jesus

Somente pela Fé em Cristo Jesus
“Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl 2.16).
Neste texto o apóstolo Paulo não quer simplesmente dizer que as cerimônias ou obras de alguma espécie são insuficientes sem o auxílio da fé, senão que rebate a negação dos oponentes com uma afirmação que denota exclusividade, como se dissesse: “Não pelas obras, mas unicamente pela fé em Cristo”. Do contrário, sua afirmação teria sido trivial e irrelevante. Pois os falsos apóstolos não rejeitavam a Cristo e nem a fé, senão que exigiam que as cerimônias fossem juntadas a Cristo e a fé. Tivesse o apóstolo Paulo admitido essa conjunção, e estariam eles perfeitamente de acordo, e assim não teriam necessidade de perturbar a Igreja com esse desagradável argumento. Portanto, que fique estabelecido que essa proposição denota exclusividade, ou seja: não somos justificados de alguma outra forma, senão pela fé, ou, o que vem a ser a mesma coisa, somos justificados unicamente por meio da fé. Daqui se faz evidente quão insensatos são atualmente nossos opositores, digladiando contra nós acerca do termo “somente”, como se o tivéssemos inventado. O apóstolo Paulo era completamente alheio à teologia dos que afirmam que uma pessoa é justificada mediante a fé, e todavia atribuem às obras uma parte da justiça. Paulo nada sabia de tal meia-justiça. Pois quando nos diz que somos justificados por meio da fé, visto não podermos ser justificados por meio das obras, ele toma por certo o que é verdadeiro, ou seja, que não podemos ser justificados através da justiça de Cristo, a menos que sejamos destituídos de nossa justiça pessoal. Enquanto a fé está sozinha, dissociada de qualquer outra graça, ela é o único instrumento da justificação, contudo nunca está sozinha na pessoa justificada, mas embora autêntica, é sempre acompanhada de todas as demais graças cristãs. “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” (Tg 2.14). Paulo e Tiago estão falando de coisas distintas. Tiago ensina que a fé que é sozinha – isto é, a fé morta – não justificará. Ele está argumentando contra cristãos nominais. Paulo usa o verbo “justificar” no sentido de justificação divina do pecador; cujo pré-requisito é a fé, e não as obras. Tiago usa o verbo “justificar” no sentido de prova verdadeira e real; sentido em que a fé é justificada ou provada ser verídica através das obras. Amém!
Pr. José Rodrigues Filho
*Gálatas, João Calvino – Edições Paracletos
*Confissão de Fé de Westminster Comentada, A.A.Hodge – Editora Os Puritanos

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