"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

“SANTUÁRIO DO ESPÍRITO SANTO”


“SANTUÁRIO DO ESPÍRITO SANTO”

“Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1Co 6.19,20).

O apóstolo Paulo usa mais dois argumentos para abstermo-nos desta imundícia [fornicação]. O primeiro consiste em que “os nossos corpos são santuários do Espírito”; e o segundo consiste em que não vivemos sob nossa própria jurisdição, visto que o Senhor nos adquiriu para ele mesmo como sua propriedade particular. Há uma associação de ênfase no uso do termo santuário, visto que o Espírito de Deus não pode permanecer num ambiente impuro, tornamo-nos residência somente quando nos consagramos como seus santuários.

E que não sois de vós mesmos? Este é o segundo argumento, a saber: que não somos de nós mesmos, não estamos sob nossa própria autoridade, vivendo segundo o nosso bel-prazer. A razão que ele apresenta em prol disto é que o Senhor Jesus já pagou o preço de nossa redenção, e nos adquiriu para Ele mesmo. Paulo se expressa em termos similares em Romanos 14.9: “Porque foi para isto que Cristo morreu e ressuscitou, para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos”.

Então, a palavra “preço” pode ser considerada de duas formas, a saber: Podemos entendê-la num sentido literal, como quando falamos normalmente de algo como tendo “um valor de custo”, visto que desejamos deixar bem claro que não obtemos de graça. O outro significado é aquele substituído por “alto preço”, “caro”, quando geralmente descrevemos as coisas que nos custam um valor mais elevado. Em minha opinião, não há dúvida de que o segundo e mais satisfatório. Pedro escreve em termos similares: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1Pe 1.18,19). Eis o sentido: que a redenção nos mantenha constrangidos, e mantenha a licenciosidade de nossa carne sob a pressão do freio da obediência.

Glorificai a Deus. Desta conclusão torna-se evidente que os coríntios presumiam que podiam fazer o que bem lhes agradasse com respeito às questões externas, as quais tinham de ser refreadas. Paulo, pois, fornece os meios de correção, aqui, onde ele os avisa de que o corpo, bem como a alma, estão sujeitos a Deus, e, portanto, é justo que ambos sirvam à sua glória. É como se ele dissesse: “Na verdade, a mente de um crente deve ser pura diante de Deus, mas também assim deve ser no tocante à sua conduta externa, a qual é vista pelos homens; esta deve estar em submissão, visto que a autoridade sobre ambos pertence a Deus, que redimiu a ambos”. Com o mesmo propósito em vista, Paulo assevera no versículo 19 que não é apenas a nossa mente, mas também o nosso corpo, ambos são templos do Espírito Santo, de modo que não tenhamos ilusão de que podemos inocentar-nos diante dele, pois só podemos fazer isso quando nos dedicamos ao seu serviço, total e sinceramente, para que venhamos também direcionar as ações externas de nossas vidas segundo [os parâmetros de] sua Palavra.

João Calvino (1509-1564).

Deus nos abençoe!

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“SE ALGUÉM DESTRUIR O SANTUÁRIO DE DEUS”

“SE ALGUÉM DESTRUIR O SANTUÁRIO DE DEUS”

“Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado”  (1Co 3.16,17).

Após apresentar diretrizes aos mestres sobre o seu trabalho, o apóstolo Paulo, então, se volta para os discípulos, para que eles também atentassem bem para si mesmos. Ele havia dito aos mestres: “Vós sois os arquitetos da casa de Deus”. E agora diz ao povo: “Vós sois o santuário de Deus. É vossa responsabilidade cuidar para não serdes contaminados de alguma forma”. Ora, o que ele tencionava é que os coríntios não se entregassem desonrosamente nas mãos dos homens. Na verdade, ele está a lhes conferir uma rara honra ao falar-lhes desta forma; porém o seu intuito é mostrar-lhes mais claramente sua culpa. Porque, visto que Deus os consagrou como santuários seu, concomitantemente os designou como guardadores de seu santuário. Portanto, ao se entregarem aos homens, estavam violando um depósito sagrado. Ele denomina a todos eles, juntos, de um santuário de Deus. Porque cada crente em particular é uma pedra viva para a edificação do edifício de Deus. Entretanto, indivíduos também são às vezes chamados de santuários. Um passo depois, Paulo usa novamente a mesma ideia, mas com outro propósito. Naquela passagem ele está tratando de castidade, mas aqui ele está apelando-lhes a que mantivessem até ao fim sua fé na abundância de Cristo, e de Cristo somente.

E que o Espírito de Deus... Esta é a razão por que são o santuário de Deus. Portanto, deve-se ler o “e” como se fosse “porque”. Isto é bastante comum; por exemplo, onde o poeta diz: “Tendes ouvido e foi anunciado”, Paulo diz: “Sois o santuário porque ele habita em vós por intermédio de seu Espírito; porquanto nenhum lugar impuro pode ser habitação de Deus”. Nesta passagem temos a evidência clara para afirmarmos a deidade do Espírito Santo. Porque, se ele fosse um ser criado, ou simplesmente algo a nós outorgado, então não poderia, ao habitar-nos fazer-nos santuários de Deus. Ao mesmo tempo, entendemos que Deus se nos comunica e a corrente pelo qual lhe somos ligados, a saber, derramando sobre nós o poder de seu Santo Espírito.

Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá. Paulo adiciona uma grave advertência: uma vez que o santuário é sagrado, então quem quer que o saqueie não escapará impunemente. No entanto, ele agora está a falar do gênero de violação em que os homens se põem no lugar de Deus, de modo a tornar-se senhores da Igreja. Porque, assim como a fé, que é devotada ao puro ensino de Cristo, é denominada em outro lugar de “castidade espiritual”, ela também nos consagra para aquela adoração divina que é correta e pura. Pois assim que somos atingidos pelas tramas humanas, o santuário de Deus é poluído como que por alguma imundícia, e a razão disto é que o sacrifício da fé, o qual Deus declara ser exclusivamente seu, passa a ser oferecido às coisas criadas.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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domingo, 21 de dezembro de 2025

“ENVIOU DEUS AO NOSSO CORAÇÃO O ESPÍRITO DE SEU FILHO”


“ENVIOU DEUS AO NOSSO CORAÇÃO O ESPÍRITO DE SEU FILHO”

“E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus” (Gl 4.6,7).

O apóstolo Paulo mostra que a adoção de que fala pertence aos gálatas, usando o seguinte argumento: A adoção divina precede o testemunho sobre ela apresentado pelo Espírito Santo.

O efeito, porém, é o sinal da causa. E ousais chamar a Deus vosso Pai só pela instigação e incitamento do Espírito de Cristo.

Portanto, é incontestável que sois filhos de Deus.

Significa, como costuma ensinar em outras partes, que o Espírito é o penhor e garantia de nossa adoção, de sorte que somos seguramente convencidos da atitude paternal de Deus para conosco.

Objetar-se-á, porém, os homens perversos também não realizam suas imprudências enquanto reivindicam que Deus é seu Pai? Às vezes não se gloriam ainda com maior ousadia que Deus é também deles? Respondo que Paulo não está, aqui, falando da fútil vanglória, ou do que alguém possa reivindicar para seu próprio espírito, mas do testemunho de sua consciência piedosa que procede de uma nova regeneração. Tal argumento só pode ser válido para os crentes, pois os réprobos não desfrutam da experiência de tal certeza. Como o Senhor mesmo declara: “O Espírito da verdade, que o mundo não pode conhecer, porque não o vê nem o conhece” [Jo 14.17]. Isso está implícito nas palavras de Paulo.

Enviou Deus. O que o apóstolo quer nos ensinar não é o que eles mesmos, no juízo carnal, loucamente aventuram, mas o que Deus confirma em seus corações pelo Espírito Santo. O Espírito de seu Filho é mais apropriado ao presente contexto do que algum outro título que porventura pudesse usar. Somos filhos de Deus, porque somos revestidos do mesmo Espírito que o foi seu Filho unigênito.

Deve-se observar que Paulo atribui isso a todos os cristãos em geral; pois onde o penhor do amor divino para conosco está ausente, seguramente não há fé genuína. Daí, é evidente que sorte de cristianismo há naqueles que não foram regenerados, o qual acusam de presunção a qualquer um que confesse que tem o Espírito de Deus. Pois imaginam a fé como algo sem o Espírito de Deus e sem certeza. Esse único dogma que confessam é evidente prova de que em seus corações reina o diabo, o pai da incredulidade. Reconheço, aliás, que os escolásticos, quando ordenam que as consciências humanas flutuem em perpétua dúvida, ensinam somente o que dita o senso natural. É da mais profunda necessidade fixar em nossa mente este dogma de Paulo, a saber: que ninguém é cristão salvo, senão aquele que se deixa instruir pelo Espírito Santo, como sinal de certeza e de confiança inabalável, a chamar Deus: meu Pai!

Aba, Pai! O significado dessas palavras, não tenho dúvida, consiste em que invocar a Deus é um costume comum a todas as línguas. Pois é próprio do presente tema que Deus tem o nome de Pai entre os hebreus e os gregos. E isso foi predito por Isaías: “Toda língua confessará o seu nome” [Is 45.23]. Uma vez, portanto, que os gentios são contados entre os filhos de Deus, é evidente que a adoção procede, não do mérito da lei, mas da graça da fé.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“DEUS ENVIOU SEU FILHO, NASCIDO DE MULHER”


“DEUS ENVIOU SEU FILHO, NASCIDO DE MULHER”

“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5).

O apóstolo Paulo prossegue com sua comparação e aplica ao seu propósito “o tempo designado pelo Pai”. Mas, concomitantemente, ele mostra que o tempo que fora ordenado pela providência de Deus era oportuno e adequado. Essa é a estação certa e esse é o melhor método de ação, o qual a providência de Deus dirige. Portanto, o tempo certo para o Filho de Deus revelar-se ao mundo era de alçada exclusiva de Deus julgar e determinar. Isso deve bastar para restringir a curiosidade, se alguém, não satisfeito com o propósito secreto de Deus, ousaria questionar por que Cristo não apareceu antes desse tempo.

Deus enviou seu Filho, nascido de mulher. O Filho, que foi enviado, existia muito antes. Daqui se prova sua eterna divindade. Cristo, portanto, é o Filho de Deus enviado do céu. O apóstolo diz que isso foi feito através de uma mulher, portanto ele se vestiu de nossa natureza. Com isso ele quer dizer que Jesus Cristo possui duas naturezas. Ele expressamente tencionava distinguir Cristo do restante dos homens, como tendo sido gerado da semente de sua mãe, e não pela ação sexual de homem e mulher. Em qualquer outro sentido, isso teria sido fútil e estranho ao tema. A palavra, mulher, é aqui expressa para o sexo feminino em geral.

Nascido sob a lei. Literalmente é: “Feito sujeito à lei”. O meu desejo é expressar o sentido dessas palavras de uma forma mais clara. Cristo, o Filho de Deus, que por direito era isento de toda e qualquer sujeição, fez-se sujeito à lei. Um homem livre redimiu um escravo, ao constituir-se fiador; ao pôr as cadeias em si próprio, ele as tirou do outro. Da mesma forma, Cristo decidiu tornar-se obrigado a cumprir a lei para poder obter isenção para nós. Do contrário, ele teria se submetido ao jugo da lei inutilmente, pois certamente não foi por sua própria conta que ele fez isso.

Além do mais, não somos tão isentos da lei, pelos benefícios de Cristo que não mais devemos obediência alguma à instrução da lei e podemos fazer o que bem quisermos. Pois ela é a norma perpétua de uma vida saudável e santa. Mas Paulo está falando da lei com seus apêndices. E somos redimidos da sujeição a essa lei, visto que ela não mais é o que uma vez foi. Agora que o véu se partiu, a liberdade surgiu plenamente, e isso é que ele prossegue afirmando.

A fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Os pais sob o regime do antigo pacto tinham certeza de sua adoção, mas ainda não tanto que desfrutassem plenamente de seu privilégio. A adoção, à semelhança da redenção em Romanos 8.23, é conferida para que se tome dela verdadeira posse. Pois como receberemos, no último dia, o fruto de nossa redenção, assim agora recebemos o fruto de nossa adoção, do qual os santos pais não participaram antes da vinda de Cristo. Portanto, aqueles que agora sobrecarregam a Igreja com excesso de cerimônias, impiamente a defraudam do que é justamente devido à adoção (literalmente, o justo débito para com a adoção).

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

“NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA HOSPEDARIA”


NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA HOSPEDARIA”

“E ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2.7).

Todos nós devemos usar o evangelho para nos avaliar. Quão próximos ou distantes estamos de Cristo? Como estamos nos saindo quando o assunto é fé e amor? Muitos se inflamam com uma devoção sonhadora quando ouvem sobre quão pobre Cristo era quando nasceu. Eles se enfurecem com as pessoas de Belém e criticam a cegueira e a ingratidão delas. Eles pensam que, se estivessem lá, teriam servido ao Senhor e à sua mãe. Eles não teriam permitido que elas fossem tão desprezíveis. Mas essas pessoas nem mesmo notam seus próprios vizinhos que estão ali tão próximos e precisam de ajuda. Elas os ignoram e os deixam do jeito que os encontraram. Quem, neste mundo, não está cercado de pessoas miseráveis, doentes, descuidadas ou pecadoras? Por que elas não demonstram amor a essas pessoas? Por que elas não fazem por seu próximo o que Cristo fez por eles? Não engane a si mesmo pensando que você teria tratado Cristo bem ao mesmo tempo que, no presente, você não faz coisa alguma pelo seu próximo. Se você estivesse em Belém, você teria prestado tão pouca atenção nele quanto todas as outras pessoas o fizeram. Você só deseja servi-lo porque sabe quem ele é. Digamos que ele viesse, deitasse numa manjedoura e deixasse você saber que ele é aquele de quem agora você tanto sabe. É claro que você desejaria fazer algo para ajudar. Mas, antes disso, você não teria feito coisa alguma. De forma semelhante, se você pudesse ver o seu próximo agora como ele será no futuro, e, se ele estivesse deitado na sua frente, você certamente cuidaria dele. Mas, por vê-lo somente pelo que é agora, você o ignora. Você falha em reconhecer Cristo em seu próximo.

“Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25.34-40).

Martinho Lutero (1483-1545). 

Deus nos abençoe!

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

“EU SOU O BOM PASTOR”


“EU SOU O BOM PASTOR”

“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10.11).

O nosso Senhor Jesus disse enfaticamente: “Eu sou o bom Pastor”. Esta é uma declaração repleta de consolo.

À semelhança do bom Pastor, Cristo Jesus sabe tudo a respeito de seu rebanho, seus nomes, família, circunstâncias, tentações, experiências e provações – Ele está familiarizado com tudo isso. Não existe uma coisa sequer, na vida da mais simples de suas ovelhas, que Cristo não tenha conhecimento.

O bom Pastor cuida amavelmente de todo o seu rebanho. O bom Pastor supre todas as suas necessidades no deserto deste mundo. O bom Pastor suporta pacientemente todas as suas imperfeições e fraquezas e não as rejeita. O bom Pastor guarda as suas ovelhas e as protege contra todos os seus inimigos.

O bom Pastor deu a sua vida pelas ovelhas. Ele fez isso de uma vez por todas na cruz do Calvário. Ao ver que nada poderia livrá-las das trevas e de Satanás, exceto o seu próprio sangue, Cristo voluntariamente ofereceu-se em sacrifício em favor de cada uma delas. Isso sem dúvida revela um amor que excede todo entendimento! “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13).

“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53.4-6).

Deus nos abençoe!

John Charles Ryle (1816-1900).

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

“ALEGRA-TE, MUITO FAVORECIDA!”


“ALEGRA-TE, MUITO FAVORECIDA!”

“E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo” (Lc 1.28).

Observemos a expressão com que o anjo se dirigiu a virgem Maria, ele disse: “Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo”.

Devemos reconhecer que jamais uma mulher recebeu honra tão elevada quanto a mãe de Jesus. É evidente que apenas um dentre os incontáveis milhões de mulheres da raça humana poderia ser o vaso pelo qual o Filho de Deus se manifestaria em carne, e a virgem Maria teve o privilégio singular de ser esse vaso. Por uma mulher, no princípio, o pecado e a morte entraram no mundo. Pela concepção de uma mulher, a vida e a imortalidade vieram à luz, quando Jesus nasceu. Não é de se admirar que essa mulher tenha sido chamada de “muito favorecida”!

Um aspecto ligado a este assunto jamais poder ser esquecido pelos crentes: há uma comunhão com Jesus que está ao alcance de nós todos – uma comunhão muito mais achegada que a da carne e sangue; a comunhão que pertence a todos os servos de Deus. Disse Jesus: “Qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mc 3.35). “Bem-aventurada aquela que te concebeu, foi a expressão de uma mulher certa vez. Qual foi a resposta que ela ouviu? “Antes, bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a aguardam” (Lc 11.28).

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14.21).

Deus nos abençoe!

John Charles Ryle (1816-1900).

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“A VIRGEM CHAMAVA-SE MARIA”


“A VIRGEM CHAMAVA-SE MARIA”

“No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria” (Lc 1.26,27).

Temos no capítulo primeiro do livro de Lucas o anúncio do acontecimento mais maravilhoso que já ocorreu neste mundo: a encarnação e nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

O anjo que anunciou o seu advento foi enviado a uma vila obscura da Galileia chamada Nazaré. A mulher que recebeu a honra de tornar-se a mãe do Senhor ocupava claramente uma posição social humilde. Tanto em sua condição social quanto em sua cidade, havia ausência completa daquilo que o mundo considera “grande”. Não devemos hesitar em concluir que em tudo isso estava a sábia Providência. O conselho do Altíssimo, que ordena todas as coisas nos céus e na terra, poderia determinar que a residência de Maria fosse Jerusalém, tão simplesmente quanto determinar que fosse Nazaré; ou, da mesma forma, poderia ser escolhido a filha de algum escriba poderoso para ser a mãe do Senhor, tão facilmente como escolheu uma moça pobre. Pareceu-Lhe bem ser como foi. O primeiro advento do Messias deveria se um advento de humilhação. Essa humilhação dar-se-ia já desde a sua concepção e nascimento.

Cuidemos para não desprezarmos a pobreza dos outros ou de nos envergonharmos da nossa própria pobreza, caso Deus nos conceda. A condição de vida que Jesus escolheu voluntariamente para Si deve ser vista sempre com santa reverência. A tendência comum dos nossos dias, ou seja, de curvarem-se as pessoas diante dos ricos e de idolatrarem o dinheiro, deve ser sistematicamente resistida e desencorajada. O exemplo do Senhor é a resposta suficientíssima para milhares de máximas aviltantes sobre a riqueza tão comuns entre os homens. “Sendo rico, se fez pobre por amor de vós” (2Co 8.9).

O Herdeiro de todas as coisas não somente assumiu a natureza humana, mas o fez da forma mais humilhante que poderia fazer. Já seria humildade vir ao mundo para governar como rei. Mas a sua vinda ao mundo como homem pobre, para ser desprezado, sofrer e morrer, é um dos milagres da misericórdia que ultrapassa a nossa compreensão. Que o seu amor nos impulsione a viver não para nós mesmos, e sim para Ele. Que o seu exemplo traga à nossa consciência o preceito da Escritura que diz: “Em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde” (Rm 12.16).

"A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva" (Lc 1.46-48).

Deus nos abençoe!

John Charles Ryle (1816-1900).

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

“A SI MESMO SE HUMILHOU”


A SI MESMO SE HUMILHOU”

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.5-8).

A humildade pode ser definida como sendo o hábito da mente e do coração que corresponde à nossa indignidade e vileza em comparação com Deus, ou o senso de nossa própria insignificância aos olhos de Deus, com a disposição para um comportamento correspondente à humildade. Ela consiste em parte no senso ou estima que temos de nós mesmos; e, em parte, na disposição que temos para um comportamento correspondente a este senso ou estima (Rm 12.3).

O primeiro elemento na humildade é: O senso de nossa própria insignificância comparativa. Digo insignificância comparativa porque a humildade é uma graça peculiar aos seres que são gloriosos e excelentes em todos os seus muitos aspectos. Assim os santos e anjos no céu, suplantam em humildade; e esta é peculiar a eles e adequada neles, ainda que sejam seres puros, impolutos e gloriosos, perfeitos em santidade e excelentes na mente e força. Mas, ainda que sejam assim gloriosos, contudo possuem uma insignificância comparativa diante de Deus (Sl 113.4-6).

Assim o homem Jesus Cristo, que é o mais excelente e glorioso de todas as criaturas, no entanto é manso e humilde de coração, e em humildade suplanta todos os demais seres. A humildade é uma das excelências de Cristo, porque ele é não somente Deus, mas também homem, e, como homem, ele era humilde; pois humildade não é, e não pode ser, um atributo da natureza divina. A natureza de Deus é de fato infinitamente oposta ao orgulho, e contudo a humildade não pode ser, propriamente, um predicado dele; pois, se o fosse, isto implicaria imperfeição, o que é impossível em Deus. Deus, que é infinito em excelência e glória, e infinitamente acima de todas as coisas, não pode ter em si qualquer consciência de insignificância, e, portanto não pode ser humilde. Humildade, porém, é uma excelência peculiar a todos os seres inteligentes criados, pois todos eles são infinitamente pequenos e insignificantes diante de Deus (1Pe 5.6).

Deus nos abençoe!

Jonathan Edwards (1703-1758).

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“RECIPROCAMENTE NOS CONFORTEMOS”


“RECIPROCAMENTE NOS CONFORTEMOS”

“Porque muito desejo ver-vos, a fim de repartir convosco algum dom espiritual, para que sejais confirmados, isto é, para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos por intermédio da fé mútua, vossa e minha” (Rm 1.11,12).

Nós mesmos devemos conduzir-nos com modéstia diante de todos. Quando ensinamos, devemos estar abertos também para aprender de qualquer que possa nos ensinar. Deste modo, ensinamos e aprendemos ao mesmo tempo. Não nos vangloriemos orgulhosamente das nossas pretensões de saber, desprezando os que nos contradizem. Não ajamos como se já tivéssemos chegado ao topo, e os outros tivessem que sentar aos nossos pés.

O orgulho é um mal que prejudica os que pretendem levar outros a marchar humildemente para o céu. Portanto, tenhamos cuidado, para não suceder que, tendo conduzido outros para lá, as portas se mostrem estreitas demais para nós mesmos. Ora, se Deus pôs para fora um anjo orgulhoso, tampouco tolerará um homem orgulhoso. Na verdade, o orgulho está na raiz de todos os outros pecados: a inveja, o espírito belicoso, o descontentamento e todos os obstáculos que impedem a renovação espiritual.

Onde há orgulho, todos querem dirigir e ninguém quer seguir ou concordar. O orgulho é causa de cismas, apostasias, usurpação arrogante e outras formas de imposição. É causa também do ensino ineficaz de tantos e tantos “mestres”, que pura e simplesmente são demasiado orgulhosos para aprender. Como Agostinho disse a Jerônimo: “Embora seja mais próprio do idoso ensinar que aprender, também lhe é mais próprio aprender que ficar na ignorância”. A humildade nos ensina a aprender de boa vontade tudo que não sabemos, pois, se quisermos ser mais sábios do que todos, temos que estar dispostos a aprender de todos.

O galardão da humildade e o temor do SENHOR são riquezas, e honra, e vida” (Pv 22.4).

Deus nos abençoe!

Richard Baxter (1615-1691).

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

“JESUS CRISTO É O SENHOR”


“JESUS CRISTO É O SENHOR”

“Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11).

Cristo Jesus é exaltado sobre todos, o seu nome está acima de todo nome. Ele é o nosso Senhor e Salvador, o Príncipe da Paz, Deus conosco. Somente nEle somos justificados, perdoados, temos paz com Deus, e gloriamo-nos na esperança da glória (Rm 5.1,2).

“Laços de morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; caí em tribulação e tristeza. Então, invoquei o nome do SENHOR:  ó SENHOR, livra-me a alma (Sl 116.3,4).  

“Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-O enquanto está perto” (Is 55.6).

Deus nos abençoe!

Pr. José Rodrigues Filho

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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

“NÓS VOS ABENÇOAMOS EM NOME DO SENHOR!”


NÓS VOS ABENÇOAMOS EM NOME DO SENHOR!”

“Sejam envergonhados e repelidos todos os que aborrecem a Sião! Sejam como a erva dos telhados, que seca antes de florescer, com a qual não enche a mão o ceifeiro, nem os braços, o que ata os feixes! E também os que passam não dizem: A bênção do SENHOR seja convosco! Nós vos abençoamos em nome do SENHOR!” (Sl 129.5-8).

Seja qual for a maneira como entendemos estes versículos, o salmista declara que os fiéis não têm razão de viver em desânimo, quando visualizam seus inimigos subindo ao topo. A erva que cresce nos telhados não é, em virtude de sua posição elevada, mais valiosa do que a espiga de trigo que, rente ao chão, é pisada sob os pés; pois, embora a erva do telhado fique acima da cabeça dos homens, murcha e desaparece rapidamente. A erva nos telhados, em vez de continuar num estado de frescor, murcha e perece em seu primeiro estágio, porque não tem raiz embaixo, nem terra para supri-la com seiva ou umidade para sua nutrição. 

Sempre que o esplendor ou a grandeza de nossos inimigos nos abalem com temor, devemos recordar essa comparação: assim como a erva que cresce nos telhados, embora esteja no alto, não possui raízes e, consequentemente, tem breve duração, assim também esses inimigos, por mais que se exaltem, depressa serão consumidos pelo calor intenso, pois não possuem raízes — é somente a humildade que atrai a vida e o vigor de Deus.

Com a qual não enche a mão o ceifeiro. Temos aqui uma confirmação adicional da verdade de que, embora os perversos se elevem e formem uma opinião extravagante de sua importância pessoal, continuam sendo apenas erva, não produzem nenhum fruto bom, nem atingem um estado de maturidade, mas se exaltam apenas com a aparência da carne. Para tornar isto mais óbvio, o salmista os põe em oposição às ervas que produzem frutos, as quais nos vales e nos solos férteis produzem fruto para os homens. Enfim, ele afirma que merecem ser envergonhados ou sumariamente desprezados, enquanto comumente todo aquele que passa pelos campos de trigo os abençoa e ora pelos segadores. Além do mais, como o salmista tomou emprestada esta ilustração de sua doutrina das atividades da vida ordinária, somos ensinados que, sempre que houver um esperançoso prospecto de uma boa colheita, devemos rogar a Deus, cujo propósito peculiar é transmitir fertilidade à terra, que ele dê pleno efeito a suas bênçãos. E, considerando que os frutos da terra estão expostos a tantos percalços, certamente é estranho que não sejamos incitados a nos engajarmos no exercício da oração com base na absoluta necessidade de tais frutos para o homem e animais. Tampouco o salmista, ao falar de transeuntes que abençoam os segadores, fala exclusivamente dos filhos de Deus, os quais realmente são instruídos por sua palavra que a frutificação da terra se deve a sua bondade; mas ele também abarca os homens profanos em quem o mesmo conhecimento está naturalmente implantado. Concluindo, contanto que não apenas habitemos a Igreja do Senhor, mas também labutemos por ter um lugar no número de seus genuínos cidadãos, seremos aptos a destemidamente desprezar todo o poder de nossos inimigos; pois ainda que floresçam e façam grande exibição externa, por algum tempo, no entanto não passam de erva estéril, sobre a qual repousa a maldição do céu

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“DESDE A MINHA MOCIDADE”


“DESDE A MINHA MOCIDADE”

“Desde a minha mocidade, me angustiaram, todavia, não prevaleceram contra mim” (Sl 129.2).

O termo mocidade denota os primórdios do povo, referindo-se não só ao tempo em que Deus tirou o povo do Egito, mas também ao tempo em que ele usou Abraão e os patriarcas durante quase toda a sua vida, mantendo-os numa condição de luta árdua. Se esses patriarcas tiveram de andar como estrangeiros na terra de Canaã, a sorte de seus descendentes foi ainda pior durante o tempo de sua permanência no Egito, quando foram oprimidos como escravos e afligidos por toda sorte de opróbrio e ignomínia. Em sua partida daquela terra, sabemos quantas dificuldades tiveram de enfrentar.

Se, ao considerarmos a história deles desde aquele período, nos depararmos com ocasiões em que se lhes tributou algum respeito, observaremos que eles nunca viveram num estado de tranquilidade, por qualquer extensão de tempo, até ao reinado de Davi. E, embora durante o reinado de Davi eles aparentassem viver numa condição próspera, logo surgiam tribulações e derrotas, as quais ameaçavam o povo de Deus com total destruição. No cativeiro babilônico, sendo toda esperança quase extinta, pareciam como que ocultos no túmulo e antecipando o processo de putrefação. Após o seu regresso, foi com dificuldade que obtiveram alguma breve intermissão, para tomarem fôlego. Por certo, às vezes eles eram entregues à espada, até que sua raça era quase totalmente destruída. Se olharmos para nós mesmos, é oportuno acrescentar as terríveis perseguições pelas quais a Igreja teria sido consumida milhares de vezes, se Deus não a houvesse preservado, por meios ocultos e misteriosos, ressuscitando-a, por assim dizer, dentre os mortos. A menos que nos tornemos estúpidos, quando afligidos por nossas calamidades, as circunstâncias aflitivas desta era desditosa nos compelirão a meditar sobre essa mesma doutrina.

Quando o profeta diz, me angustiaram, a repetição não é supérflua. A intenção é ensinar-nos que o povo de Deus enfrentou conflitos não somente uma vez ou duas e que sua paciência foi testada por disciplinas contínuas. Ele dissera que esse conflito começara desde a mocidade, sugerindo que estavam habituados ao conflito desde a mais tenra origem, a fim de que se acostumassem a carregar a cruz. Então, ele acrescenta que, ao se sujeitarem a este rigoroso treinamento, não o fizeram sem uma boa razão, visto que Deus não cessara de fazer uso das calamidades para submetê-los a Si mesmo. Se as disciplinas da Igreja, durante seu período de infância, eram tão severas, nossa debilidade será realmente vergonhosa, se nos dias atuais, quando a Igreja, por meio da vinda de Cristo, alcançou a era da maturidade, formos achados sem firmeza para suportar as provações. Fonte de consolação é a última sentença, que nos informa que os inimigos de Israel, após haverem tentado todos os métodos, nunca tiveram êxito em concretizar seus desejos, visto que Deus sempre frustrou as esperanças dos inimigos e abafou suas tentativas.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

terça-feira, 25 de novembro de 2025

“MUITAS VEZES ME ANGUSTIARAM”


“MUITAS VEZES ME ANGUSTIARAM”

“Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade, Israel que o diga” (Sl 129.1).

É bem provável que este Salmo tenha sido escrito numa ocasião em que a Igreja de Deus, reduzida a um estado de angústia extrema, ou desfalecida em face de um grande perigo, ou oprimida com tirania, se via à beira de destruição total. É como se o profeta quisesse dizer: Quando os fiéis de Deus se encontram em meio às dificuldades que os abatem sob o fardo das provações, esse é um tempo oportuno de refletirem sobre a maneira como Deus tem exercitado seu povo desde o princípio, de geração em geração. Tão logo Ele solte as rédeas de nossos inimigos, para que façam o que bem lhes agrade, somos perturbados com tristezas, e nossos pensamentos, totalmente absorvidos pelos males que ora nos embaraçam. Disso procede o desespero, pois não lembramos que a paciência dos pais foi subjugada a uma provação semelhante e que não nos sucede nada que eles não experimentaram. É um exercício eminentemente apropriado ao conforto dos verdadeiros crentes o volverem seu olhar aos conflitos da Igreja nos dias de outrora, para que, por meio disso, saibam que ela sempre labutou sob a cruz e tem sido severamente afligida pela violência injusta de seus inimigos.

A conjectura mais provável que me ocorre é que este Salmo foi escrito depois que os judeus regressaram do cativeiro babilônico, quando, tendo sofrido muitos agravos e injúrias cruéis nas mãos de seus vizinhos, quase desfaleceram sob a tirania de Antíoco Epifãnio. Nesse estado de trevas e tribulações, o profeta encoraja os fiéis a serem fortes, não se dirigindo apenas a uns poucos, mas a todo o corpo, sem exceções. E, a fim de que fossem sustentados em assaltos tão ferozes, ele desejava que demonstrassem em oposição a tais assaltos uma esperança inspirada pela encorajadora consideração de que a Igreja, por meio de tolerância paciente, tem se mostrado invariavelmente vitoriosa.

Quase cada palavra contém ênfase. Israel que o diga, ou seja, que ele considere as provações da Igreja nos tempos antigos; disso se pode deduzir que o povo de Deus nunca foi isentado de levar a cruz e que as várias aflições pelas quais têm sido provados sempre tiveram um resultado feliz. Ao falar dos inimigos de Israel usando apenas o pronome eles, e não sendo mais específico, o salmista agrava a severidade da aflição, mais do que se houvesse chamado expressamente pelo nome os assírios ou os egípcios. Ao não especificar qualquer classe particular de inimigos, ele notifica por meio do silêncio que o mundo está saturado de inumeráveis bandos de inimigos, que Satanás facilmente arma para a destruição dos homens bons, sendo o objetivo dele que novas guerras surjam continuamente e de todos os lados. A história certamente dá testemunho amplo de que o povo de Deus não tem enfrentado poucos inimigos, e sim que têm sido atacado por quase todo o mundo; e, além do mais, que foram molestados não só por inimigos externos, mas também por inimigos internos, que professavam pertencer à Igreja.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

domingo, 23 de novembro de 2025

ZINGT DAGEN IN UTRECHT - NEDERLAND ZINGT

DIAS DE CANTO EM UTRECHT - A HOLANDA CANTA

Agradeçamos a Deus e celebremos juntos os 35 anos do Netherlands Sings.


Deus nos abençoe!

domingo, 16 de novembro de 2025

"À IMAGEM DE SEU FILHO"


"À IMAGEM DE SEU FILHO"

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29).

Jesus Cristo é a exata expressão do ser de Deus (Hb 1.3), e o amor é a primeira de suas características mais apreciáveis. Sermos criados à sua imagem, conforme a sua semelhança, amar como ele nos amou é o que melhor nos caracteriza como filhos de Deus. Devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos; devemos amar até mesmo os nossos inimigos, pois Deus nos amou quando ainda éramos seus inimigos (Rm 5.8-11). Se Deus nos tratasse no estrito exercício da sua justiça, nós seríamos todos condenados à morte eterna. Mas Deus nos amou, ele executou a sua justiça em seu próprio Filho, "para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3.26).

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

*Notem alguns versículos demonstrando a importância do amor como característica dos filhos de Deus.

“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba” (1Co 13.4-8).

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1Co 13.13).

“Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3.14).

“Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.38-40).

“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mt 5.43,44).

“Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas” (1Jo 3.11,12).

“Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si. Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (1Jo 3.14-16).

“Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (1João 4.7-12).

“E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele. Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo. No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (1Jo 4.16.21).

“O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.9,10).

“Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1Pe 4.8).

“Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço” (João 15.9,10).

“E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Fp 1.9-11).

Deus nos abençoe!

Pr. José Rodrigues Filho

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil – Curitiba (PR).

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

“CUJOS NOMES SE ENCONTRAM NO LIVRO DA VIDA”


“CUJOS NOMES SE ENCONTRAM NO LIVRO DA VIDA”

“A ti, fiel companheiro de jugo, também peço que as auxilies, pois juntas se esforçaram comigo no evangelho, também com Clemente e com os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no Livro da Vida” (Fp 4.3).

O livro da vida é o registro dos justos, os quais são predestinados para a vida, como nos escritos de Moisés [Ex 32.32]. Deus mantém consigo este registro guardado em segurança. Daí o livro nada mais ser do que seu eterno conselho, fixo em seu próprio seio. No lugar deste termo, Ezequiel emprega a expressão: “os registros da casa de Israel” [Ez 13.9]. Com o mesmo propósito, lemos no Salmo: “Sejam riscados do livro da vida, e não sejam inscritos com os justos” [SI 69.28]; isto é, que não constem no número dos eleitos de Deus, a quem ele recebe dentro dos limites de sua Igreja e de seu reino. Se alguém alegar que o apóstolo Paulo, assim, age temerariamente usurpando para si o direito de se pronunciar sobre os segredos de Deus, respondo que nós, em alguma medida, podemos julgar os sinais pelos quais Deus manifesta sua eleição, mas somente até onde admite nossa capacidade. Portanto, em todos aqueles em quem vemos se manifestarem as marcas da adoção, reconheçamos, por enquanto, que são filhos de Deus até que se abram os livros [Ap 2.12], os quais trarão a público plenamente todas as coisas. É verdade que a Deus somente pertence conhecer agora os que são seus [2Tm 2.19], e separar, pelo menos, as ovelhas dos cabritos [Mt 25.32]; no entanto, nossa parte é reconhecer, através da caridade, que são ovelhas todos quantos, em espírito de obediência, se submetem a Cristo como seu Pastor, que recorrem ao seu aprisco e aí permanecem continuamente. Nossa parte é dar extremo valor ao fruto e aos dons do Espírito Santo, os quais ele confere peculiarmente a seus eleitos, e que para nós serão os selos, por assim dizer, de uma eleição que nos é oculta.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“SIM, DEVERAS CONSIDERO TUDO COMO PERDA”


“SIM, DEVERAS CONSIDERO TUDO COMO PERDA”

“Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” (Fp 3.8,9).

O apóstolo Paulo enaltece o evangelho em oposição a todas as noções que tendem a nos distrair. Pois há muitas coisas que possuem aparência de excelência, mas o conhecimento de Cristo ultrapassa tudo mais, a um grau tal, por sua sublimidade, que, quando se faz uma comparação, nada existe que não seja desprezível. Portanto, aprendamos disto que [grande] valor devemos depositar no conhecimento de Cristo somente. Quanto ao fato de o chamar, meu Senhor, ele faz isso para expressar a intensidade de seu sentimento.

Por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo. Paulo diz mais do que fizera previamente; pelo menos, ele se expressa com mais precisão. É uma analogia tomada dos marinheiros que, quando se veem em perigo iminente de naufrágio, lançam tudo para fora, para que, sendo o navio aliviado, cheguem no porto em segurança. Paulo, pois, estava preparado a perder tudo que possuía, antes que ser privado de Cristo.

Pergunta-se, porém, se nos é necessário renunciar às riquezas, às honras, à nobreza de origem, e até mesmo à justiça externa, para que nos tornemos participantes de Cristo [Hb 3.14], pois todas essas coisas são dons de Deus, as quais, por si sós, não devem ser desprezadas. Respondo que o apóstolo aqui não fala tanto das coisas em si mesmas, quanto da qualidade delas. Claro, é verdade que o reino do céu se assemelha a uma pérola preciosa, por cuja aquisição ninguém hesitaria em vender tudo o que possui [Mt 13.46]. Não obstante, há certa diferença entre a substância das coisas e a qualidade. Paulo não achou necessário renegar a conexão com sua própria tribo e com a raça de Abraão, e tomar-se um alienado, a fim de se fazer cristão; mas sim renunciar à dependência dessa sua ascendência. Não era conveniente que, de casto ele viesse a ser incontinente; de sóbrio ele viesse a ser intemperante; e de respeitável e honrado viesse a ser dissoluto; senão que se despisse de uma falsa estima de sua justiça pessoal e a tratasse com desprezo. Nós também, quando tratamos da justiça da fé, não contendemos contra a substância das obras, e sim contra aquela qualidade com que os sofistas as investem, visto que contendem que os homens são justificados por elas. Paulo, pois, se despiu, não das obras, mas daquela equivocada confiança depositada nas obras, com que se ensoberbecia.

Quanto a riquezas e honras, assim que nos despimos de nosso apego a elas, então nos preparamos também para renunciar às próprias coisas, sempre que o Senhor demandar isto de nós, e assim suceder. Não é expressamente necessário que sejamos pobres a fim de podermos ser cristãos; mas, se ao Senhor aprouver que o sejamos, então devemos estar preparados a suportar a pobreza. Enfim, não é lícito aos cristãos possuir algo à parte de Cristo. Considero como à parte de Cristo tudo quanto se constitui em obstáculo à glória exclusiva e ao senhorio completo de Cristo sobre nós.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).