"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".
quarta-feira, 15 de abril de 2020
terça-feira, 14 de abril de 2020
Conceito Cristão de Liberdade
Conceito Cristão de Liberdade
“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou”
(Gl 5.1).
O homem em seu estado
natural é livre? O cristão é livre? A noção que muitos apresentam ter de
liberdade é, na verdade, o conceito de autonomia e independência absolutas. É estar
solto para a realização de todos os desejos.
Após a queda, o homem tornou-se
um escravo arrastado pelo curso deste mundo, buscando satisfazer a vontade da
carne e dos pensamentos, desconsiderando Deus e sua Lei. Morto em seus delitos
e pecados, o homem não consegue cumprir o propósito último de sua existência – que
é viver para glória de Deus.
Em sua palavra Deus nos diz:
“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou”. Ser livre significa não ser
dominado pelo mundo, pela carne e pelo diabo. Significa libertação do reino das
trevas, dos grilhões de Satanás, e da maldição da Lei. Para o cristão, ser
livre não está relacionado ao direito de fazer tudo o que se deseja; mas à
capacidade de obedecer a Lei de Deus. Para o cristão, ser livre é poder
amar a Deus e ao próximo como a si mesmo.
Quão diferente é o conceito
cristão do conceito “mundano” de liberdade. No conceito "mundano”,
liberdade é isenção de controle, de restrição e de responsabilidade; é
viver sem qualquer interferência ou limite. No conceito cristão, liberdade
é viver para a glória de Deus.
“Amarás
o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu
entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo,
semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.37-39).
Deus nos abençoe!
Pr. José Rodrigues Filho
*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
(41)3242-8375
sábado, 11 de abril de 2020
“A Palavra de Salvação”
“A
Palavra de Salvação”
700 anos antes Deus tinha declarado mediante o profeta Isaías que seu Filho deveria ser “contado com os transgressores” (Is 53.12). Nada aconteceu por acaso, e nada ocorre por acidente em um mundo que é governado por Deus. Desde a eternidade Deus havia decretado quando, e onde, e como, e com quem seu único Filho deveria morrer. Tudo sucedeu exatamente como O SOBERANO DEUS havia predeterminado (At 4.28).
Por um lado, vemos a graça Deus triunfando. Deus em sua infinita graça planejou a salvação, proveu a salvação, e assim opera sobre e em seus eleitos sobrepujando a dureza de seus corações, a obstinação de suas vontades, e a inimizade de suas mentes, tornando-os desejosos por receber a salvação em Cristo Jesus. Graça soberana, livre, irresistível!
Não temos nas Escrituras ensino que Deus tenha eleito pessoas para o paraíso sem que estas respondam positivamente ao seu chamado em arrependimento e fé. Arrependimento de pecados e fé em Cristo são elementos que identificam o nascido de Deus, e isso é indispensável à salvação.
“Tu, ó homem, pensas que te livrarás do juízo de Deus? Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento” (Rm 2.3,4). “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). “Fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 1.3).
Percebam o maravilhoso progresso espiritual desse homem naquelas poucas horas, mesmo em circunstâncias tão adversas e terríveis.
“E
acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe
respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas
23.42,43).
A segunda Palavra de Cristo
na cruz aconteceu em resposta ao pedido de um dos malfeitores que estava ao seu lado agonizando
e à beira da morte.
1. Sabemos que não foi
coincidência Jesus ser crucificado entre esses malfeitores.
700 anos antes Deus tinha declarado mediante o profeta Isaías que seu Filho deveria ser “contado com os transgressores” (Is 53.12). Nada aconteceu por acaso, e nada ocorre por acidente em um mundo que é governado por Deus. Desde a eternidade Deus havia decretado quando, e onde, e como, e com quem seu único Filho deveria morrer. Tudo sucedeu exatamente como O SOBERANO DEUS havia predeterminado (At 4.28).
O nosso bendito Salvador
foi crucificado entre dois ladrões para, dentre diversas razões, demonstrar
plenamente as insondáveis riquezas de seu amor e manifestar a sua imensa
compaixão ao perdido pecador.
Devemos notar que os dois
malfeitores crucificados com Cristo viram e ouviram tudo o que se tornou
conhecido durante aquelas fatídicas horas. Ambos eram notoriamente perversos;
ambos estavam sofrendo e morrendo, e ambos necessitavam urgentemente de
assistência divina. Todavia, um morreu agonizando em seus pecados, morreu como
tinha vivido - endurecido e impenitente; ao passo que o outro experimentou um
profundo arrependimento do seu pecado, creu em Cristo, recorreu a ele para
obter paz, alívio, misericórdia e entrar no Paraíso.
Vemos aqui a soberania de
Deus em ação sem destruir a responsabilidade humana. O Evangelho é graciosamente anunciado e
o pecador é intimado pelo Espírito Santo ao arrependimento e fé!
Por um lado, vemos a graça Deus triunfando. Deus em sua infinita graça planejou a salvação, proveu a salvação, e assim opera sobre e em seus eleitos sobrepujando a dureza de seus corações, a obstinação de suas vontades, e a inimizade de suas mentes, tornando-os desejosos por receber a salvação em Cristo Jesus. Graça soberana, livre, irresistível!
Por outro lado, vemos que a
salvação de um dos malfeitores ocorreu numa hora quando, exteriormente, parecia
que Cristo havia perdido o poder para salvar, seja a si mesmo ou a outros. É
bem provável que esse foi o primeiro contato desse homem com Jesus e,
agora que o via, era um momento de dor e desgraça. Até mesmo aqueles que tinham
crido nele foram levados às dúvidas por causa de sua crucificação. E, não
obstante a tais obstáculos e dificuldades o ladrão apreendeu a condição de
Salvador e o Senhorio de Cristo. Como explicar isso? Sem dúvida houve
intervenção divina: o novo nascimento, a conversão, o arrependimento e fé
experimentados por este ladrão na cruz foi um tremendo milagre!
2. Vemos aqui a necessidade
do arrependimento e da fé.
Não temos nas Escrituras ensino que Deus tenha eleito pessoas para o paraíso sem que estas respondam positivamente ao seu chamado em arrependimento e fé. Arrependimento de pecados e fé em Cristo são elementos que identificam o nascido de Deus, e isso é indispensável à salvação.
“Tu, ó homem, pensas que te livrarás do juízo de Deus? Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento” (Rm 2.3,4). “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8). “Fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 1.3).
3. Iluminação espiritual e
crescimento na graça e no conhecimento Senhor e Salvador.
Percebam o maravilhoso progresso espiritual desse homem naquelas poucas horas, mesmo em circunstâncias tão adversas e terríveis.
Primeiro - a consciência de
que há um Deus justo e que vinga o pecado. “Tu nem ao menos temes a Deus?”
Segundo - esse homem viu
sua própria pecaminosidade. Ele reconheceu que era um transgressor da lei de
Deus. Ele viu que o seu pecado merecia justa punição. (Rm 6.23).
Terceiro, ele testemunhou
da impecabilidade Jesus — “este nenhum mal fez”. Deus abriu os olhos desse
homem para ver a perfeição de seu Filho, e este homem abriu os seus lábios para
dar testemunho da Excelência diante dele. Ele não apenas testemunhou da
humanidade impecável de Cristo, mas também confessou a sua Divindade - “lembra-te
de mim”. Ele creu em Cristo, como seu Senhor e Salvador. Ele ouviu a oração de
Jesus por seus inimigos, “Pai, perdoa-lhes...”. Esta curta palavra tornou-se um
sermão de salvação pra ele. E o seu clamor foi: “Senhor, lembra-te de mim”!
“Senhor, salva-me”!
Conclusão
“Jesus lhe
respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.
O que torna o céu atraente
ao coração daquele que é eficazmente chamado pelo Espírito Santo não é meramente o
fato de ser um lugar de libertação de todo pecado, tristeza e dor, ou o lugar do eterno encontro
com os santos do Senhor - não, benditas são essas coisas, mas a maior de
todas as bênçãos do céu é o próprio Cristo, é estar com Ele, é estar em eterna
comunhão com Deus.
“Quem
mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra” (Sl 73.25).
Se Cristo dissesse aquele
homem apenas “Em verdade te digo que hoje estarás no Paraíso”, isso teria
cessado os temores daquele ladrão, mas isso não satisfez ao Salvador. Aquilo
sobre o qual seu coração estava firmado era o fato de que naquele mesmo dia uma
alma salva por seu precioso sangue deveria estar com Ele no Paraíso! Esse é o
clímax da graça e a essência da bênção cristã. Esta deve ser a nossa esperança,
a nossa ardente e alegre expectativa: “Estar com Cristo no Paraíso”.
Deus nos abençoe!
Pr. José Rodrigues Filho
*The Seven Sayings of the Saviour on the Cross, A.W.Pink.
*The Seven Sayings of the Saviour on the Cross, A.W.Pink.
*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
(41)3242-8375
quinta-feira, 9 de abril de 2020
Cristo, o nosso Substituto
Cristo, o nosso Substituto
“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos
pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus” (1Pe 3.18).
Temos
nos evangelhos as narrativas em que Cristo Jesus foi preso, levado como
malfeitor, conduzido à presença de juízes injustos; sendo insultado e tratado
com desprezo. Este foi um momento em que o nosso Salvador experimentou intenso
sofrimento (Jo 18.12-14).
Sofrer
por quem amamos e, em algum aspecto, são dignos de nossas afeições é um tipo de
sofrimento que podemos entender. Submeter-nos passivamente aos maus tratos,
quando não temos poder para resistir-lhes, é uma atitude compreensiva. No
entanto, ser preso e sofrer voluntariamente, quando temos o poder para
impedi-lo, em favor de incrédulos, ímpios, ingratos, que não pediram tal coisa
– esta é uma atitude que ultrapassa o entendimento humano. “Mas Deus prova o
seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo
nós ainda pecadores” (Rm 5.8).
Ao
meditarmos sobre a paixão e morte de Cristo, jamais nos esqueçamos que isto
constitui a glória de seus sofrimentos: Ele foi levado preso e apresentado
diante do tribunal de julgamento do sumo sacerdote, não porque era incapaz de
impedi-lo, mas porque o Seu coração estava determinado a salvar pecadores,
sendo punido no lugar deles. Ele foi voluntariamente preso e condenado, para
que fôssemos conduzidos a Deus absolvidos, declarados justos. “Pois também
Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para
conduzir-vos a Deus” (1Pe 3.18). “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez
pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21).
“Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas
dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e
oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas
nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas
pisaduras fomos sarados” (Is 53.4,5).
Aleluia!
Pr.
José Rodrigues Filho
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quarta-feira, 25 de março de 2020
“Paz e Segurança”
“Paz e Segurança”
“Em paz me deito e logo
pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro” (Sl 4.8).
Amados irmãos, temos neste
salmo um precioso exemplo deixado pelo rei Davi, quando premido pela adversidade, envolvido em profunda aflição, considerou firmemente as
promessas de Deus, nas quais a esperança de salvação é demonstrada, de modo
que, usando este escudo em sua defesa, eliminou a angústia que o assolava.
Confiando e descansando na proteção
divina, Davi desfrutou de paz e segurança. Viver livre de todo temor, e do tormento
e inquietação que a preocupação nos traz é uma bênção que deveria ser desejada
acima de todas as demais coisas. Com razão o salmista prefere a harmonia produzida
pelo Espírito de Deus do que toda sorte de bênção material; pois a paz
interior do espírito certamente excede a todas as bênçãos das quais possamos
formular alguma concepção.
Portanto, aprendamos com este admirável testemunho a render a Deus esta honra, a saber: crer que, embora pareça não
haver da parte dos homens recursos ou qualquer socorro, todavia, sob a mão do
nosso poderoso Deus somente, é que somos guardados em paz e em segurança, como
se estivéssemos defendidos por todos os exércitos da terra.
Lembremo-nos do que disse Cristo
Jesus, o “Príncipe da Paz”: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o
mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo 14.27).
Deus nos abençoe!
Pr. José Rodrigues Filho
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domingo, 22 de março de 2020
“E sereis filhos do Altíssimo”.
“E sereis filhos do Altíssimo”.
“Ó SENHOR, meu
Deus, se sou culpado de fazer esta coisa, se há iniquidade em minhas mãos, se
paguei com o mal a quem estava em paz comigo, e não libertei aquele que me
perseguia sem causa: então que o inimigo persiga minha alma e a alcance;
espezinhe no chão minha vida e arraste no pó minha glória” (Sl 7.3-5).
Notamos nesta oração que o salmista Davi menciona duas particularidades em sua defesa. A primeira é que ele não havia cometido
erro algum contra alguém; e a segunda é que havia se esforçado em fazer o bem
em favor de seus inimigos, por quem, não obstante, havia sido injuriado sem
nenhuma justa causa. Ele declara que havia sido amigo, não só em relação aos
bons, mas também em relação aos maus; e não só se refreara de toda e qualquer
vingança, mas que até mesmo socorrera seus inimigos, por quem fora cruelmente perseguido.
Certamente não seria uma virtude muito
louvável amar os bons e pacíficos, a não ser que haja uma associação entre essa
autonomia e a docilidade em suportar pacientemente os maus. Mas quando uma
pessoa se guarda não só de vingar as injúrias que haja recebido, mas também se
esforça por vencer o mal pela prática do bem, ela está a manifestar uma das
graças da natureza renovada e santificada, e com isso prova a si mesma
pertencer ao rol dos filhos de Deus; pois tal mansidão só pode proceder do
Espírito de adoção.
Palavra do Senhor Jesus: “Digo-vos,
porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que
vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos
caluniam. Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até
os pecadores amam aos que os amam. Se fizerdes o bem aos que vos fazem o
bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso. Amai, porém,
os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será
grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até
para com os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também é
misericordioso vosso Pai” (Lc 6.27-36).
João Calvino (1509-1564).
*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.
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sexta-feira, 20 de março de 2020
“O SENHOR julgará as nações
“O SENHOR julgará as nações”
“O
SENHOR julgará os povos [ou nações]; julga-me, ó SENHOR, segundo minha justiça
e segundo a integridade que há em mim” (Sl 7.8).
O SENHOR julgará as nações.
Esta cláusula está estreitamente conectada ao versículo precedente. Davi
orou a Deus para que ele se revelasse como juiz das nações; e agora ele
assume como uma verdade insofismável e admitida que julgar as nações é o ofício
peculiar de Deus; pois o verbo conjugado no tempo futuro, e traduzido, julgará,
denota, aqui, uma ação contínua; e tal é o significado do tempo futuro nas
cláusulas gerais. Além disso, ele aqui não fala de apenas uma nação, senão que
compreende todas as nações. Ao reconhecer a Deus como o Juiz do mundo inteiro,
ele conclui logo depois disto que Deus manterá sua causa e seu direito. Mui
frequentemente parece que somos esquecidos e oprimidos, e quando isso acontece,
devemos evocar esta verdade à nossa lembrança, ou seja: já que Deus é o
governante do mundo, é tão absolutamente impossível que ele se abdique de seu
ofício quanto é impossível que ele negue a si próprio. De tal fonte fluirá um
manancial contínuo de conforto, ainda que uma longa sucessão de calamidades nos
comprima; pois à luz dessa verdade podemos seguramente concluir que ele cuidará
de defender nossa inocência. Seria contrário a todos os princípios de são
raciocínio supor que aquele que governa muitas nações negligencie ainda que
seja uma única pessoa. O que sucede com respeito aos juízes deste mundo jamais
sucederá com respeito a Deus; ele não pode, como sucede com os juízes da terra,
estar tão ocupado com os negócios grandes e públicos que venha a negligenciar
os problemas individuais, por uma questão de incapacidade em atendê-los.
Davi uma vez mais introduz
a visão de sua integridade, ou seja,
que ele não podia, segundo o exemplo dos hipócritas, fazer do nome de Deus um
mero pretexto para melhor promover seus próprios propósitos. Visto que Deus não
se deixa influenciar pelo respeito humano, não podemos esperar que ele esteja
do nosso lado, e a nosso favor, se porventura nossa causa não for boa.
Pergunta-se, porém, como é possível que Davi, aqui, se gabe de sua própria
integridade diante de Deus, quando em outros passos ele suplica a Deus que
entre em juízo com ele. A resposta é fácil, e é esta: O tema aqui desenvolvido
não é como Davi podia responder se Deus demandaria dele que desse conta de toda
sua vida, mas que, ao comparar-se com seus inimigos, ele mantém, e não sem
razão, que em relação a eles ele era justo. Mas quando cada santo é passado em
revista pelo juízo divino, e seu próprio caráter é testado por seus próprios
méritos, a questão é muito diferente, porque, em tal conjuntura, o único
santuário ao qual pode ele recorrer em busca de segurança é a misericórdia de
Deus.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.
*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
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terça-feira, 17 de março de 2020
“Salva-me por tua Graça”
“Salva-me por tua Graça”
“Meus
gemidos me têm levado à exaustão; todas as noites faço nadar meu leito; com
minhas lágrimas o alago” (Sl 6.6).
Essas formas de expressão
são hiperbólicas, porém não se deve imaginar Davi, à moda dos poetas, exagerando
seu sofrimento; ele, porém, declara real e simplesmente quão severo e amargo o
sentia. Deve ter-se sempre em mente que sua aflição não procedia tanto de ter
ele sido severamente ferido com fadiga física; considerando, porém, o quanto
Deus estava desgostoso com ele, viu, por assim dizer, o inferno escancarado
para recebê-lo; e a fadiga mental que isso produz excede a todos os demais
sofrimentos. Aliás, quanto mais sinceramente é um homem devotado a Deus,
muitíssimo mais severamente perturbado é ele pelo senso da ira divina; e é por
isso que as pessoas santas, que de outra forma são dotadas de inusitada
fortaleza, têm revelado neste aspecto muito mais debilidade e necessidade de
determinação. E nada nos impede, nestes dias atuais, de experimentar em nós
pessoalmente o que Davi descreve concernente a si, senão a estupidez de nossa
carne. Os que têm experimentado, mesmo em grau moderado, o que significa lutar
contra o temor da morte eterna, se sentirão satisfeitos com o fato de que nada
há de extravagante nestas palavras. Portanto, saibamos que aqui Davi nos é
apresentado como alguém que é afligido com os terrores de sua consciência e
sentindo em seu íntimo tormentos, não de uma espécie ordinária, mas de uma
espécie tal que quase o levou ao total desfalecimento; e, não obstante, em todo tempo nunca cessou de orar a Deus.
“SENHOR, não me repreendas na tua ira, nem
me castigues no teu furor. Tem compaixão de mim, SENHOR, porque eu me sinto debilitado; sara-me, SENHOR, porque os meus ossos estão
abalados. Também a minha alma está profundamente perturbada; mas tu, SENHOR, até quando? Volta-te, SENHOR, e livra a minha alma; salva-me
por tua graça” (Sl 6.1-4).
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.
*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
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sexta-feira, 13 de março de 2020
SENHOR, até quando?
SENHOR, até quando?
“Tem compaixão de mim, SENHOR, porque eu me sinto debilitado; sara-me, SENHOR, porque os meus ossos estão
abalados. Também a minha alma está profundamente perturbada; mas tu, SENHOR, até quando? Volta-te, SENHOR, e livra minha alma; salva-me em consideração
por tua misericórdia” (Sl 6.2-4).
Mas tu, SENHOR, até quando? Há quem, para completar esta sentença, a complemente com as
palavras: me afligirás? ou: continuarás a castigar-me? Outros
leem: Até quando adiarás tua
misericórdia? Mas o que está declarado no versículo seguinte mostra que
este segundo sentido é o mais provável, pois ali Davi ora para que o Senhor o
considerasse com olhos de graça e compaixão. Ele, pois, se queixa de Deus se
haver esquecido dele, ou que não tinha por ele nenhuma consideração, assim como
aparentemente Deus se mantém afastado de nós sempre que sua assistência ou
graça realmente não se manifesta em nosso favor. Deus, em sua compaixão para
conosco, permite que oremos para que se apresse em socorrer-nos; mas quando nos
queixamos abertamente de sua muita delonga, visando a que nossas orações ou
nosso sofrimento, por essa conta, não vão além dos limites, devemos submeter
nosso caso inteiramente à sua vontade, e não querer que ele se apresse mais do
que lhe apraz.
Volta-te, SENHOR. O salmista deplorou
a ausência de Deus; e agora ele ansiosamente solicita as indicações de sua
presença; pois nossa felicidade consiste nisto: que somos alvos da consideração
divina, porém cremos que ele se encontra alienado de nós caso não nos apresente
alguma evidência substancial de seu cuidado por nós. Que Davi, naquele tempo,
enfrentava risco máximo, deduzimos dessas palavras, nas quais ele ora tanto
pelo livramento de sua alma, por assim dizer, das guelras da morte, quanto por
sua restauração a um estado de segurança. Todavia, não se faz qualquer menção
de alguma enfermidade física; e, portanto, não faço ideia alguma sobre a
natureza de sua aflição. Davi, uma vez mais, confirma o que só tocara no
segundo versículo concernente à
misericórdia de Deus, isto é, que este é o único refúgio donde espera
vir seu livramento, a saber: salva-me
em consideração por tua misericórdia. Os homens jamais encontrarão um
antídoto para suas misérias, enquanto, esquecendo-se de seus próprios méritos,
diante do fato de que são os únicos a enganar a si próprios, não aprenderem a
recorrer à misericórdia gratuita de Deus.
Deus nos abençoe!
*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.
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quinta-feira, 12 de março de 2020
“No sepulcro, quem te dará louvor?”
“No sepulcro, quem
te dará louvor?”
“Pois, na morte, não há recordação de
ti; no sepulcro, quem te dará louvor?” (Sl 6.5).
Quando Davi diz: “Pois, na morte, não há recordação de Deus,
nem no sepulcro qualquer celebração de seu louvor". Eis sua
intenção: se, pela graça de Deus, ele fosse libertado da morte, lhe seria
agradecido e guardaria isso na memória. E lamenta que, se fosse retirado do
mundo, ficaria privado do poder e da oportunidade de manifestar sua gratidão,
visto que, nesse caso, ele não mais estaria presente na sociedade dos homens
para ali enaltecer ou celebrar o Nome de Deus. À luz desta passagem, alguns
concluem que os mortos não têm emoção alguma e que esta é completamente extinta
neles. Essa, porém, é uma inferência precipitada e injustificada, pois de nada
se trata aqui senão da celebração mútua da graça de Deus, na qual os homens se
engajam enquanto caminham na terra dos viventes. Sabemos que somos postos sobre
a terra para louvar a Deus com uma só mente e uma só boca, e que esse é
propósito de nossa vida. A morte, é verdade, põe um fim a esses louvores; mas
não se deduz desse fato que as almas dos fiéis, quando despida de seus corpos,
são privadas de entendimento ou não são sensibilizadas por qualquer afeição
para com Deus. Deve considerar-se também que, na presente ocasião, Davi temia o
juízo de Deus se a morte lhe sobreviesse, e isso o fez mudo para não cantar os
louvores de Deus. E unicamente a benevolência de Deus, sensivelmente
experimentada por nós, que abre nossos lábios para a celebração de seu louvor;
e, portanto, sempre que a alegria e o bem-estar se esvaem, os louvores,
naturalmente, também se esvaem. Não é de admirar, pois, se a ira de Deus, que
nos subjuga com aquele medo de destruição eterna, extingue em nós os louvores
de Deus.
“Volta-te, SENHOR, e livra a minha alma; salva-me
por tua graça. Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro, quem te
dará louvor? Estou cansado de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu
leito, de minhas lágrimas o alago” (Sl 6.4-6).
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Comentário do Livro dos Salmos, Edições Paracletos.
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