"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 5 de outubro de 2023

“O JUSTO VIVERÁ POR FÉ”.


“O JUSTO VIVERÁ POR FÉ”.

“Como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.17).

O apóstolo Paulo prova a justiça da fé pela autoridade do profeta Habacuque que, ao predizer a destruição dos soberbos, acrescenta concomitantemente que o justo viverá pela fé (Hc 2.4). A única maneira de vivermos na presença de Deus é por meio da justiça. Portanto, segue-se que a nossa justiça depende da fé. O verbo no tempo futuro designa a perpetuidade ininterrupta da vida de que ele está se referindo, como se dissesse: “Ela não continuará por algum tempo, mas durará para sempre”. Os ímpios são inflados com a ilusão de que têm vida, mas “enquanto dizem: Paz e segurança, lhes sobrevirá repentina destruição” (1Ts 5.3). O que lhes toca, portanto, é uma sombra que dura só por algum tempo, enquanto que a fé dos justos é a única que traz vida perene. Qual é a fonte dessa vida senão a que nos conduz a Deus e faz nossa vida depender dele? A referência que Paulo faz texto de Habacuque seria irrelevante, a menos que o profeta intencionasse que só nos mantemos firmes quando descansamos em Deus, pela fé. Ele atribui a vida dos ímpios à fé somente até ao ponto em que renunciam a soberba do mundo e se mantêm reunidos exclusivamente sob a proteção divina. É verdade que Habacuque não trata explicitamente só desta questão, e nem faz qualquer menção da justificação gratuita, mas é suficientemente evidente, à luz da natureza da fé, que esta passagem é corretamente aplicável ao nosso presente tema. De seu argumento, necessariamente inferimos também a mútua relação entre a fé e o evangelho, porque, visto que é dito que o justo vive por sua fé, é-nos dito também que tal vida só pode ser recebida por meio do evangelho.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

“A JUSTIÇA DE DEUS SE REVELA NO EVANGELHO, DE FÉ EM FÉ”.


“A JUSTIÇA DE DEUS SE REVELA NO EVANGELHO, DE FÉ EM FÉ”.

“Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé” (Rm 1.17).

Esta é uma explicação e confirmação do versículo precedente, o qual afirma que o evangelho é “o poder de Deus para a salvação”. Se porventura buscarmos a salvação, ou seja, a vida com Deus, devemos antes buscar a justiça, por meio da qual possamos reconciliá-lo conosco, e tomar posse dessa vida que consiste exclusivamente em sua munificência, a saber, em ser-nos ele favorável. Para sermos amados por Deus, devemos antes ser justos diante de seus olhos, porquanto ele odeia a injustiça. Significa, pois, que não podemos obter a salvação de nenhuma outra fonte senão do evangelho, visto que Deus de nenhuma outra parte nos revelou sua justiça, a qual é a única que nos livra da morte. Esta justiça, a base de nossa salvação, é revelada no evangelho, daí dizer-se que o evangelho é o poder de Deus para a salvação!

Notemos ainda mais quão raro e valioso é o tesouro que Deus nos concede em seu evangelho, a saber: a comunicação de sua justiça. Pela expressão justiça de Deus entendo aquela justiça que é aprovada em seu tribunal, ao contrário daquela que é atribuída e contada como justiça no conceito dos homens. Paulo, indubitavelmente, está aludindo às tantas profecias nas quais o Espírito está do começo ao fim estabelecendo a justiça divina no futuro reino de Cristo.

Em lugar da expressão, a todo aquele que crê, usada antes, Paulo, agora diz pela fé. A justiça é oferecida por meio do evangelho e recebida por meio da fé. Ele adiciona em fé, pois enquanto nossa fé prossegue e o nosso conhecimento progride, a justiça de Deus cresce em nós e sua possessão é em certo grau confirmada. Desde o primeiro momento em que provamos o evangelho, contemplamos já o semblante de Deus voltado para nós favoravelmente, ainda que a certa distância. Quanto mais aumenta nosso conhecimento da genuína religião, mais vemos a graça divina com maior nitidez e mais familiaridade, como se ele se achegasse para mais perto de nós.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“NÃO ME ENVERGONHO DO EVANGELHO”


“NÃO ME ENVERGONHO DO EVANGELHO”

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16).

O apóstolo Paulo antecipa uma objeção, aqui, declarando de antemão que não se deixava intimidar pelos escárnios dos ímpios. Ao proceder assim, no entanto, ele aproveita a oportunidade para enaltecer os méritos do evangelho, a fim de que ele não viesse a ser desdenhado pelos romanos. Ao afirmar que não se sentia envergonhado em relação ao evangelho, ele insinua que o mesmo era de fato desprezível aos olhos do mundo. Desta forma os prepara para suportarem os sofrimentos provenientes da cruz de Cristo, para que não viessem a subestimar o evangelho ao verem-no exposto à cólera e ao menosprezo dos ímpios.

Notemos bem quanto valor Paulo atribui ao ministério da Palavra, ao declarar que Deus exerce seu poder nela para nossa salvação. Ele aqui não está falando de alguma revelação secreta, e, sim, da pregação por meio da expressão verbal que vem dos lábios. Segue-se disto que aqueles que se retraem de ouvir a Palavra proclamada estão premeditadamente rejeitando o poder de Deus e repelindo de si a mão divina que pode libertá-los.

Visto que Deus não opera eficazmente em todos os homens, mas só quando o Espírito ilumina os nossos corações como seu Mestre, ele adiciona todo aquele que crê. O evangelho é deveras oferecido a todos para sua salvação, mas seu poder não é universalmente manifestado. O fato de que o evangelho é aroma de morte para os ímpios não vem tanto de sua própria natureza, mas da própria perversidade humana. Ao determinar um caminho de salvação, ele elimina a confiança em quaisquer outros caminhos. Quando os homens se retraem desta salvação singular, eles encontram no evangelho uma segura evidência da própria ruína deles. Quando, pois, o evangelho convida a todos a participarem da salvação, sem qualquer distinção, ele é corretamente designado a doutrina da salvação. Pois Cristo é nele oferecido, cujo ofício particular é salvar aquele que se acha perdido, e aqueles que recusam ser salvos por Cristo encontrarão nele o seu próprio Juiz. Na Escritura, a palavra salvação é estabelecida em oposição à palavra morte; e quando ela ocorre, devemos considerar qual o tema em discussão. Portanto, visto que o evangelho livra da ruína e da maldição da morte eterna, a salvação que ele assegura não é outra coisa senão a vida eterna.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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sábado, 23 de setembro de 2023

“A EXCELÊNCIA DO AMOR” - Conclusão


A EXCELÊNCIA DO AMOR” - Conclusão

“O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1Co 13.8,13).

O amor jamais acaba. Outra das marcantes características do amor é que ele dura para sempre. Uma qualidade como esta, que jamais terá fim, é certamente digna de ser obtida com muito esforço. O amor, portanto, deve ser preferido antes de todos os dons temporários e perecíveis. As profecias passam; as línguas cessam; o conhecimento chega ao fim. Portanto, o amor se acha tão mais acima de todos eles, justamente porque sobrevive depois que todos hajam cessado de existir.

O maior destes é o amor. Convencer-nos-emos de que isto é assim se avaliarmos sua excelência pelos seus efeitos, como já foi bem detalhado pelo apóstolo Paulo, e se igualmente levarmos em consideração a sua eternidade. Cada um extrai bênção pessoal de sua própria fé e esperança, ao passo que o amor é derramado para o bem de outrem. A fé e a esperança são os acompanhantes de nosso estado imperfeito, porém o amor persistirá mesmo nas condições de perfeição.

Pois se examinarmos os frutos da fé, um a um, e os comparamos, descobriremos que a fé superior em muitos aspectos. Sim, até mesmo o amor propriamente dito, segundo o testemunho do próprio Paulo (1Ts 1.3), é um produto da fé; e o efeito é sem dúvida inferior à sua causa. Além disso, um notável tributo é pago à fé, o que não se aplica no caso do amor, quando João (1Jo 5.4) diz que a fé é a nossa vitória que vence o mundo. Finalmente, é pela fé que nascemos de novo, nos tornamos filhos de Deus, obtemos a vida eterna e Cristo habita em nós. Deixo de mencionar outras incontáveis bênçãos, porém os poucos exemplos serão suficientes para trazer a lume o que quero dizer quando afirmo que a fé é superior ao amor em muitos de seus efeitos. É evidente do texto que o amor é maior, não em todos os aspectos, mas porque ele durará eternamente, e no momento exerce um papel primário em conservar a Igreja em existência.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 21 de setembro de 2023

“A EXCELÊNCIA DO AMOR” - Parte III


“A EXCELÊNCIA DO AMOR” - Parte III

“O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13.7).

O apóstolo Paulo, então, nos leva a descobrir quão excelente é o amor, ao mostrar os seus efeitos ou os seus frutos. Entretanto, estas descrições não propõem simplesmente torná-lo atrativo, mas levar os coríntios a entenderem a forma como ele se expressa em ação e em sua natureza.

O amor tudo sofre. O que Paulo pretende com todas as descrições deste versículo é que o amor não é impaciente nem malicioso. Pois é da essência da tolerância sofrer e suportar tudo, enquanto que a essência da sinceridade e espírito humanitário é crer e esperar tudo. Somos natural e demasiadamente devotados a nós mesmos, e tal erro nos faz irritadiços e queixosos. O resultado é que passamos a desejar que outros levem nossos fardos, enquanto que, ao mesmo tempo, recusamos, de alguma forma, a dar-lhes assistência. O amor é o antídoto que cura esse tipo de enfermidade, pois ele nos faz servos de nossos irmãos e nos ensina a carregar seus fardos em nossos próprios ombros.

Ao referir-se a “tudo”, devemos concluir que tal ideia consiste em tudo quanto temos de suportar, e de forma correta. Pois não somos edificados através dos maus hábitos, quer por ostentosa aprovação deles por meio de conversação lisonjeira, quer emprestando-lhes apoio através de nossa conivência demonstrada em nossa indiferença em relação a eles. Além disso, essa tolerância não significa desistência de medidas disciplinares e punições que sejam porventura merecidas.

O amor tudo crê. Não significa que o cristão consciente e intencionalmente permita ser enganado; não que ele se dispa da sabedoria e discernimento com o fim de deixar que as pessoas o tripudiem mais facilmente. Então, o que é? O que Paulo está pedindo, aqui, é que haja sinceridade e altruísmo na formulação de juízos; e aqui, ele afirma que estas virtudes vão sempre acompanhadas com o amor. O que isto significará na prática é que o cristão será melhor percebido através de sua própria bondade e altruísmo do que provocando humilhação a seu irmão pela desconfiança infundada.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“A EXCELÊNCIA DO AMOR” - Parte II


“A EXCELÊNCIA DO AMOR” - Parte II

“O amor não se comporta inconvenientemente, não busca seus interesses, não se sente provocado, não suspeita do mal; não se regozija com a injustiça, mas se alegra com a verdade” (1Co 13.5,6).

O apóstolo Paulo, então, nos leva a descobrir quão excelente é o amor, ao mostrar os seus efeitos ou os seus frutos. Entretanto, estas descrições não propõem simplesmente torná-lo atrativo, mas levar os coríntios a entenderem a forma como ele se expressa em ação e em sua natureza.

Não se comporta inconvenientemente. O amor não se deleita com fútil ostentação nem provoca grande espalhafato, mas sempre age de forma moderada e elegante. E assim Paulo uma vez mais se vê censurando os coríntios de maneira indireta, pois se portavam tão indecentemente e com tanto orgulho, que não revelavam qualquer escrúpulo em ignorar toda e qualquer cortesia.

Não busca seus interesses. Disto pode-se deduzir que o amor não é algo inato em nós, pois todos nós somos portadores de uma natural tendência de amar e de cuidar de nós mesmos, buscando só o que nos interessa. O amor é o único antídoto que cura essa tendência tão pervertida, pois ele nos faz ignorar nossas próprias circunstâncias e preocupar-nos realmente com a sorte de nosso próximo, amando e cuidando dele. Além disso, “buscar as próprias coisas de alguém” é viver devotadamente para ele e sentir-se completamente feliz em ajudá-lo a cuidar do interesse dele. A questão se é lícito que o cristão se preocupe com seu próprio bem-estar é solucionada por esta definição. Porque Paulo não pretende que deixemos de preocupar-nos e de cuidar de nossos próprios negócios; senão que condena o excessivo cuidado e ansiedade pelos mesmos, o que nasce do amor excessivamente cego por nós mesmos. Mas tal excesso consiste em negligenciarmos os outros e pensarmos demais em nós mesmos, ou vivermos tão concentrados em nossos interesses que nos abstraímos da consideração que Deus nos manda ter para com o nosso próximo.

O apóstolo Paulo acrescenta que o amor é também um freio que impede as disputas, pois aquele que é cortês e tolerante não explode em ira repentina e nem se lança precipitadamente em controvérsias e contendas.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quarta-feira, 20 de setembro de 2023

“A EXCELÊNCIA DO AMOR” - Parte I


“A EXCELÊNCIA DO AMOR” - Parte I

“O amor é paciente, é bondoso; o amor não inveja, não se vangloria” (1 Co 13.4).

O apóstolo Paulo, então, nos leva a descobrir quão excelente é o amor, ao mostrar os seus efeitos ou os seus frutos. Entretanto, estas descrições não propõem simplesmente torná-lo atrativo, mas levar os coríntios a entenderem a forma como ele se expressa em ação e em sua natureza. Mas o objetivo primordial é mostrar quão necessário é na preservação da unidade da Igreja. E não tenho dúvida de que Paulo pretendia repreender os coríntios de forma indireta, confrontando-os com uma situação completamente diversa daquela propriamente deles, para que pudessem aperceber-se de seus próprios erros ao contrastarem-se com o que viam.

A primeira descrição do amor é que ele, ao suportar pacientemente muitas coisas, fortalece a paz e a harmonia da Igreja. A segunda qualidade do amor é bem semelhante, ou seja, bondade e respeito. A terceira qualidade consiste em que ele corrige a emulação, a qual se constitui na causa originária de todas as disputas. Ele inclui inveja que causa emulação, porquanto se assemelha muito a ela; ou, antes, ele tem em mente a espécie de emulação que se associa à inveja e frequentemente se origina dela. Segue-se que onde a inveja mantém influência, onde cada um é ávido por destaque pessoal, pelo menos na aparência, o amor não pode prosperar.

O amor não age insolentemente, não é obstinado, arrogante motivado pela autoconfiança. Paulo, pois, está a reivindicar para o amor uma influência moderada, e mostra que ele é um freio para manter o homem sob controle e impedi-lo de se prorromper em atos desaforados, de modo a viver junto [com outros] de maneira tranquila e ordeira. Finalmente, ele acrescenta que o amor é algo estranho ao orgulho que, em sua presunção, olha para os outros com ar desdenhoso. 

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 19 de setembro de 2023

“MINISTROS ATRAVÉS DE QUEM CRESTES”


“MINISTROS ATRAVÉS DE QUEM CRESTES”

“Quem é Apolo? E quem é Paulo? Ministros através de quem crestes; e conforme o Senhor deu a cada um” (1 Co 3.5).

O apóstolo Paulo, agora, passa a discutir o ponto de vista que deve ser mantido sobre os ministros, e o propósito para o qual foram ordenados pelo Senhor. Porém, nomeia a si mesmo e a Apolo antes dos outros com o fim de evitar que fossem acusados de ciúme. “Que outro é o trabalho dos ministros”, pergunta ele, “senão o de conduzir-vos à fé por meio de sua pregação?” De tal fato Paulo conclui que não deve haver ostentação em homem algum, porque a fé não admite glorificação senão exclusivamente em Cristo. Segue-se que aqueles que exaltam excessivamente a homens, os privam de sua genuína grandeza. Pois a coisa mais importante de todas é que eles são ministros da fé, ou seja, conquistam seguidores, sim, mas não para eles mesmos, e, sim, para Cristo. Porém, ainda que pareça que ele, ao se comportar assim, está a subtrair a autoridade dos ministros, na verdade não lhes está a conferir menos que o devido. Pois ele lhes confere uma grande honra ao dizer que obtemos nossa fé por intermédio de seu ministério. Contudo, o selo da aprovação é clarissimamente posto na eficácia do doutrinamento através de outros, quando ele é chamado o instrumento do Espírito Santo; e os pastores não estão sendo honrados com nenhuma atribuição ordinária quando Deus diz que sejam usados como ministros para a ministração dos incomparáveis tesouros da fé.

Esta redação que tenho adotado - Ministros através de quem crestes; e conforme o Senhor deu a cada um” - está, em minha opinião, mais próxima da verdade. Se a seguirmos, a frase será mais rica, porque consistirá de duas cláusulas, como seguem: Em primeiro lugar, ministros são aqueles que colocam seus serviços à disposição de Cristo, para que alguém possa crer nEle. Além do mais, eles não possuem nada propriamente seu do quê se orgulhar, visto que também não realizam nada propriamente seu, e não possuem virtude para excelência alguma exceto pelo dom de Deus, e cada um segundo a sua própria medida; o que revela que tudo quanto um indivíduo venha a possuir, sua fonte se acha em outrem. Finalmente, ele os mantém todos juntos como por um vínculo comum, visto que tinham necessidade do auxílio mútuo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“O HOMEM ESPIRITUAL JULGA TODAS AS COISAS”


“O HOMEM ESPIRITUAL JULGA TODAS AS COISAS”

“Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém” (1Co 2.15).

Tendo o apóstolo Paulo anulado a capacidade do homem natural de julgar as coisas do Espírito, ele agora ensina que só os espirituais são juízes capazes desta matéria; porque só o Espírito de Deus conhece a si mesmo, e é sua função pessoal separar suas próprias coisas das dos outros; para aprovar o que é propriamente seu e despir tudo o mais de qualquer probidade. Portanto, o significado é o seguinte: “Nesta conexão, não existe lugar para o discernimento da carne! É tão-somente o homem espiritual que possui esse conhecimento, firme e saudável, dos mistérios de Deus; é ele quem de fato distingue verdade e falsidade; o ensino de Deus das invenções humanas; e os seus equívocos são diminutos”. Em contrapartida, “ninguém o julga”, porque a certeza de fé não se acha sob o controle humano, como se pudesse ser reduzida a ruínas a seu bel-prazer, quando, de fato, é ela superior aos próprios anjos. Note-se que essa prerrogativa é atribuída não ao homem pessoalmente, mas à Palavra de Deus, a qual usa os espirituais como guias quando estão julgando, e a qual, naturalmente, lhes é elucidada por Deus, para que possam entender. Quando isto se dá, a convicção do homem se faz inabalável, porque ela está acima das ambiguidades do juízo humano.

Ademais, observe-se a palavra julgar. O que o apóstolo quer significar com ela é só que somos iluminados pelo Espírito para recebermos a verdade, mas que somos igualmente equipados com o espírito de discernimento a fim de não vivermos suspensos pela dúvida entre a verdade e a falsidade, mas para sermos capazes de decidir o que devemos evitar o que devemos seguir.

Neste ponto, porém, podemos formular a seguinte pergunta: quem é este homem espiritual, e onde havemos de encontrá-lo munido de tanta luz que se torna capaz de a tudo julgar, quando estamos bem conscientes do fato de que estamos cercados por um grande contingente de ignorância, e sujeitos ao risco de cairmos em erros, e, o que é ainda mais sério, quando ainda o mais excelente dos homens repentinamente fracassa? A resposta é fácil: Paulo não faz esta capacidade aplicável a todos, como se ele isentasse a todos os que são renovados pelo Espírito de Deus de todo o gênero de erro; mas simplesmente deseja ensinar que a inteligência humana é inútil para avaliar os ensinos da religião, e que a prerrogativa de julgar, segundo este critério, pertence exclusivamente ao Espírito de Deus. Portanto, um homem só julga corretamente e com segurança pelo prisma de seu novo nascimento e segundo a medida da graça a ele concedida - e não mais!

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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domingo, 17 de setembro de 2023

“SE ALGUÉM QUER SER CONTENCIOSO”


“SE ALGUÉM QUER SER CONTENCIOSO”

“Contudo, se alguém quer ser contencioso, saiba que nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus” (1Co 11.16).

Amante de contendas é aquele que se deleita em fomentar disputas, e de modo algum revela alguma consideração pelo espaço da verdade. Incluídos nesta categoria estão todos os que destroem o bem e os costumes benéficos, sem qualquer necessidade de o assim fazerem; que suscitam controvérsias sobre questões que são tão claras como o sol ao meio-dia; que não param para pensar; que não podem tolerar alguém melhor que eles. Nessa classe de pessoas estão incluídos também os anti-sociais que acariciam um estranho ponto de vista que os leva a um inusitado modo de vida. O apóstolo Paulo não crê que tais pessoas mereçam alguma resposta, porque a contenção é algo danoso, e por isso deve ser mantida fora das igrejas. É por isso que o apóstolo nos ensina que os que são obstinados e amantes de controvérsia devem ser reprimidos com autoridade, em vez de serem submetidos a longos debates e assim provem que laboram em erro. Pois se você quiser satisfazer o contencioso, de que é melhor que ele, as disputas nunca chegarão ao fim; porque, ainda que seja refutado cem vezes, ele continuará argumentando cada vez mais atrevidamente.

Portanto, prestemos muita atenção a este versículo a fim de não sermos arrebatados por argumentos fúteis. Entretanto, temos sempre diante de nós o dispositivo que nos faz saber distinguir as pessoas contenciosas. Pois aquele que não concorda com as nossas opiniões, ou tem suficiente coragem de se nos opor, não significa que deve ser tido na conta de contencioso. Mas quando ele nos olha de frente, com insistência e obstinácia, então afirmemos com Paulo que “as contenções não devem ser conservadas nos costumes da Igreja”.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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