"VENHA CELEBRAR COMIGO"
quarta-feira, 8 de novembro de 2023
segunda-feira, 6 de novembro de 2023
“O AMOR QUE PROCEDE DE CORAÇÃO PURO”
“O AMOR QUE PROCEDE DE CORAÇÃO PURO”
“Mas o intuito da presente admoestação é o amor que procede de coração
puro, de uma consciência íntegra, e de uma fé sem fingimento” (1Tm 1.5).
Se o objetivo e o fim da lei é que sejamos instruídos no amor que nasce
da fé e de uma consciência íntegra, conclui-se, pois, que aqueles que desviam
seu ensino para questões motivadas pela curiosidade são maus intérpretes da
lei. Nesta passagem, não é de grande relevância se o amor é considerado como uma
referência a ambas as tábuas da lei ou só a segunda. Recebemos o mandamento de
amar a Deus de todo o nosso coração e ao nosso próximo como a nós mesmos, ainda
que, quando o amor é mencionado na Escritura, geralmente se restrinja mais ao
amor ao próximo. Neste versículo, não hesitaria em entender o amor como
sendo tanto a Deus quanto ao próximo, se Paulo houvera mencionado unicamente a
palavra amor. Visto, porém, que ele acrescenta a fé e uma consciência íntegra,
a interpretação que estou para apresentar se adequa muito bem ao contexto em
que ele está escrevendo. A suma da lei consiste em que devemos adorar a Deus
com uma fé genuína e uma consciência pura, bem como devemos igualmente amar uns
aos outros; e todo aquele que se desvia disso corrompe a lei de Deus,
torcendo-a para servir a algum outro propósito alheio a ela mesma.
Aqui, porém, pode surgir uma dúvida, ou seja: Paulo, aparentemente,
situa o amor antes da fé. Minha resposta é que aqueles que pensam assim estão
se portando como infantis, pois o fato de o amor ser mencionado primeiro não
significa que ele desfruta do primeiro lugar de honra, já que Paulo também
deixa em evidência que ele procede da fé. Ora, a causa, indubitavelmente, tem
prioridade sobre o efeito, e se todo o contexto for levado em conta, o que
Paulo está dizendo é o seguinte: “A lei nos foi promulgada a fim de
instruir-nos na fé, a qual é a mãe de uma consciência íntegra e de um amor
genuíno”. Daí termos que começar com a fé e não com o amor.
Há pouca distinção entre coração
puro e consciência íntegra. Ambos são frutos da fé. Atos 15.9 fala de um
coração puro, ao dizer que “Deus purifica os corações mediante a fé”. E Pedro
diz que uma consciência íntegra está fundamentada na ressurreição de Cristo
(1Pe 3.21). À luz desta passagem torna-se evidente que não pode haver amor sem
o temor de Deus e a integridade de consciência. Devemos notar os termos que
Paulo usa para descrever cada uma dessas virtudes. Não há nada mais comum ou
mais fácil do que vangloriar-se da fé e de uma consciência íntegra, porém são
mui poucos os que comprovam por meio de seus atos que estão isentos de toda
sombra de hipocrisia. Devemos notar especialmente como ele fala da fé sem fingimento, significando que é
insincera qualquer profissão de fé que não se pode comprovar por uma
consciência íntegra e manifestar-se no amor. Visto que a salvação do homem
depende da fé, e a perfeita adoração divina consiste de fé e de uma consciência
integra e de amor, não precisamos sentir-nos surpresos por Paulo dizer que
estes elementos constituem a suma da lei.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
quinta-feira, 2 de novembro de 2023
CD Boas Palavras - Pr. Josué Rodrigues
“GRAÇA A VÓS OUTROS E PAZ”
“GRAÇA A VÓS OUTROS E PAZ”
“Graça a vós
outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do [nosso] Senhor Jesus Cristo, o
qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste
mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai, a quem seja a glória
pelos séculos dos séculos. Amém!” (Gl 1.3-5).
Graça a vós e paz. Essa forma de saudação ocorre em outras epístolas. Sou da opinião de que o apóstolo Paulo
deseja que os gálatas desfrutem da amizade com Deus e, com ela, de todas as
boas coisas. Pois todo o gênero de prosperidade nos emana do favor de Deus. Paulo
apresenta suas orações tanto a Cristo quando ao Pai, porquanto fora de Cristo não
pode haver nem graça e nem qualquer bom êxito.
O apóstolo
começa enaltecendo a graça de Cristo, com o fim de chamar os gálatas de volta
para ele e para perseverar nele. Porque, se porventura tivessem realmente
apreciado esta bênção redentiva, jamais se haveriam desviado para observâncias estranhas.
Aquele que conhece a Cristo certamente se apegará a ele, o abraçará com ambos
os braços, se sentirá completamente acolhido nele e nada desejará além dele. O
melhor antídoto para purificar nossas mentes de qualquer gênero de erro ou
superstição é guardar na lembrança o que Cristo representa para nós e o fato de
que ele nos tem conduzido.
As palavras - “o
qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados” - são muito importantes. O
que Paulo desejava dizer aos gálatas, francamente, é que a expiação dos pecados
e a perfeita justiça não devem ser buscadas em qualquer outra fonte além de
Cristo. Pois ele se ofereceu ao Pai em sacrifício. E, ele foi uma oferenda tal
que não devemos tentar equipará-la com quaisquer outras satisfações. Tão
gloriosa é esta redenção, que devemos olhar para ela fascinados e maravilhados.
Além do mais, o que Paulo aqui atribui a Cristo, em outras partes da Escritura
é referido a Deus, o Pai. E tal coisa se adequa bem a ambos; pois, de um lado,
o Pai, por seu eterno propósito, decretou esta expiação, e nela deu tal prova
de seu amor para conosco que não poupou ao seu Unigênito Filho, mas o entregou
por todos nós. E Cristo, por outro lado, se ofereceu em sacrifício para
reconciliar-nos com Deus. Daqui, segue-se que sua morte é a satisfação pelos
[nossos] pecados.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“APÓSTOLO, NÃO DA PARTE DE HOMENS”
“APÓSTOLO, NÃO DA PARTE DE HOMENS”
“Paulo,
apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por
Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos” (Gl 1.1).
Em suas saudações,
o apóstolo Paulo tinha por costume reivindicar o título de apóstolo com o fim
de corroborar seu ensino com a autoridade inerente ao seu ofício. Essa autoridade
depende, não do critério ou opinião de homens, mas exclusivamente da vocação
divina. Devemos notar que ele diz que não fora chamado da parte de homens, nem
por intermédio de homem algum. Com isso, ele não pretendia excluir inteiramente
a vocação da Igreja, mas simplesmente mostrar que seu apostolado repousava numa
escolha prévia e mais excelente.
Paulo também
declara que os Autores de seu apostolado foram Deus o Pai e Jesus Cristo.
Cristo é evocado em primeiro, porque seu papel é enviar, e o nosso é sermos
embaixadores dele. Mas, para tornar a afirmação mais completa, o Pai é também
mencionado, como se quisesse dizer: “Se porventura existe alguém para quem a
majestade de Cristo é inteiramente insuficiente, então que o mesmo saiba que
meu ofício foi também recebido de Deus o Pai”.
A sua menção
da ressurreição de Cristo por Deus o Pai é pertinente a este contexto,
porquanto esse é o princípio do reino de Cristo. Censuravam Paulo por ele não
ter tratado com Cristo face a face enquanto ele estivera na terra. Mas o
apóstolo afirma o contrário, dizendo que, assim como Cristo fora glorificado
por sua ressurreição, assim também ele igualmente exerce seu poder no governo
de sua Igreja. A vocação de Paulo, pois, tem ainda mais honra do que se Cristo,
quando ainda era um mortal, o houvera ordenado. E este fato merece atenção.
Pois Paulo insinua que seus detratores estavam de fato atacando maliciosamente
o maravilhoso poder de Deus que fora demonstrado na ressurreição de Cristo.
Pois o mesmo Pai celestial que ressuscitara a Cristo dentre os mortos também designara
a Paulo como arauto dessa sua portentosa obra.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“EIS QUE VOS DIGO UM MISTÉRIO”
“EIS QUE VOS DIGO UM MISTÉRIO”
“Isto afirmo,
irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a
corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos
dormiremos, mas transformados seremos todos” (1Co 15.50,51).
Ao chegar a
este ponto, o argumento do apóstolo Paulo consistiu de duas partes. Ele demonstrou,
antes de tudo, que haverá ressureição dos mortos; e, em segundo lugar, qual
será a natureza da ressurreição. Mas agora ele prossegue apresentando uma
descrição mais completa de como ela se dará, chamando sua descrição de mistério, visto que não havia a mesma
clareza sobre esta, como no caso dos outros aspetos, na ausência, até aqui, de
qualquer revelação de Deus sobre o assunto. Paulo procede assim a fim de levá-los
a prestar mais atenção ao que tem a dizer. Ao fazer uso do termo “mistério”, ele
está a adverti-los de que estão se tornando familiarizados com algo sobre o
qual não só não sabem nada, mas também que deve ser considerado como parte dos
segredos celestiais de Deus.
Nem todos dormiremos. Não há
variante nos manuscritos gregos, mas há três redações diferentes no latim. A
primeira é: “Na verdade todos morreremos, mas nem todos seremos transformados”.
A segunda é: “Na verdade todos ressuscitaremos, mas nem todos seremos
transformados”. A terceira é: “Certamente, nem todos dormiremos, mas todos
seremos transformados”. Minha conjectura é que estas diferenças são oriundas do
fato de que alguns revisores, sendo um tanto obtusos, e achando a redação
genuína um tanto inconsistente, tomaram a iniciativa de substituí-la pela que
entendiam se a mais provável. Porque, em face da dificuldade, parecia-lhes
inconveniente que “nem todos morreremos”, quando Hebreus 9.27 afirma que “aos
homens está determinado morrerem uma vez”. Portanto, o alteraram para que
significasse “nem todos seremos transformados”, e ainda que “todos
ressuscitaremos”, ou “todos morreremos”, e ser transformados, para eles,
significa a glória que somente os filhos de Deus receberão. Porém, à luz do
contexto, podemos decidir qual é a redação genuína.
O propósito de
Paulo é explicar o que já havia dito, ou seja, que seremos feitos semelhantes a
Cristo, porque “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus”. Mas isto
suscita a seguinte pergunta: qual, pois, será o destino daqueles que estiverem
vivos quando o Dia do Senhor chegar? Paulo responde que, embora não morram, não
obstante serão todos renovados, para que a mortalidade e a corrupção sejam
destruídas. Notemos, porém, que ele está falando somente dos crentes; porque,
ainda que haverá ressurreição, e até mesmo transformação dos incrédulos,
todavia, diante do fato de que são passados em silêncio aqui, devemos entender
tudo o que ficou dito como aplicando-se exclusivamente aos eleitos. Agora
percebemos o quanto esta frase se ajusta à precedente, porque, havendo dito que
levaremos a imagem de Cristo, ele agora esclarece que tal se dará quando formos
transformados, para que o que é mortal seja absorvido pela vida, e também mostra
que não se fará nenhuma diferença nesta transformação, que a vinda de Cristo
alcançará alguns que ainda estarão vivos naquele tempo.
Mas ainda
temos que encontrar uma solução para o problema de que “está determinado que
todos os homens morram”; e de fato esta não é uma tarefa difícil. Visto que a transformação
não pode acontecer sem a destruição da natureza que existia previamente, e tal transformação
é corretamente considerada como uma espécie de morte; porém, visto que não há
separação entre a alma e corpo, esta não deve ser imaginada como sendo uma
morte ordinária. Será morte no sentido em que nossa natureza corruptível será
destruída; não será adormecimento, visto que a alma não se separará do corpo;
mas haverá uma súbita transição de nossa natureza corruptível para a
bem-aventurada imortalidade.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
quinta-feira, 19 de outubro de 2023
“CONSIDERAI-VOS MORTOS PARA O PECADO”
“CONSIDERAI-VOS MORTOS PARA O PECADO”
“Assim também
vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus”
(Rm 6.11).
O apóstolo
Paulo agora adiciona a definição de sua analogia. Ele aplica as duas afirmações
concernentes ao fato de Cristo morrer para o pecado uma vez por todas e viver
eternamente para Deus (v.10), e nos instrui em como devemos agora morrer
enquanto vivemos, ou seja: pela renúncia do pecado. Entretanto, ele não omite a
outra parte da analogia, isto é, como vamos viver depois de termos uma vez para
sempre abraçado a graça de Cristo mediante a fé. Embora a mortificação de nossa
carne esteja apenas começando em nós, todavia a vida de pecado está destruída
por este mesmo expediente, de modo que a nossa renovação espiritual, a qual é
de caráter divino, venha a continuar para sempre. Se Cristo por fim não destruísse
o pecado em nós, então sua graça seria carente de estabilidade e continuidade.
Portanto, o
significado desta passagem é o seguinte: “Eis a posição que deves assumir, em teu
caso: Assim como Cristo, uma vez por todas, morreu para destruir o pecado,
também deves morrer uma vez por todas a fim de que, no futuro, cesses de pecar.
De fato, deves progredir diariamente na mortificação de tua carne, a qual já
teve início em ti, até que o pecado seja de vez erradicado. Assim como Cristo
ressuscitou para uma vida incorruptível, também deves ser regenerado pela graça
de Deus, a fim de seres guiado por toda a tua vida em santidade e justiça,
visto que o poder do Espírito Santo, por meio do qual foste renovado, é eterno,
e florescerá para sempre”.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
quarta-feira, 18 de outubro de 2023
“QUANTO A VIVER, VIVE PARA DEUS”
“QUANTO A VIVER, VIVE PARA DEUS”
“Pois, quanto
a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus” (Rm
6.10).
Quer leiamos com Deus ou em Deus, o sentido permanece o mesmo. O apóstolo Paulo está mostrando que Cristo agora possui, no reino imortal e incorruptível de Deus, uma vida não mais sujeita à mortalidade. Um tipo desta vida imortal evidencia-se na regeneração dos piedosos. Devemos reter em nossa mente, aqui, a palavra semelhança. Paulo não diz que vivemos no céu, como Cristo vive, mas ele faz com que a nova vida que vivemos na terra, em consequência de nossa regeneração, seja igual à sua vida celestial. Sua afirmação de que morremos para o pecado em consequência do exemplo de Cristo, não significa que nossa morte seja exatamente como a dele, pois morremos para o pecado quando o pecado morre em nós. No caso de Cristo, existe uma diferença, pois foi através de sua morte que ele destruiu o pecado. O apóstolo declarou anteriormente que cremos que seremos participantes da vida de Cristo (v.8). A palavra crer claramente mostra que ele está falando da graça de Cristo. Estivesse ele apenas nos advertindo em relação ao nosso dever, então terá expressado assim: “Visto que morremos com Cristo, devemos, então, viver uma vida semelhante à dele”. O verbo crer denota que o apóstolo está aqui tratando da doutrina da fé, que é encontrada nas promessas, como se dissesse: “Os crentes devem estar seguros de que sua mortificação na carne, através dos benefícios de Cristo, é tal que ele mesmo manterá a novidade de vida deles até ao fim”. O tempo futuro do verbo viver não se refere à ressurreição final, mas simplesmente denota o curso contínuo de nossa vida em Cristo, enquanto formos peregrinos na terra.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
"PARA SEMPRE MORREU PARA O PECADO”
“PARA SEMPRE MORREU PARA O PECADO”
“Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para
o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus” (Rm
6.10).
O apóstolo Paulo afirmara que, em consequência do exemplo de Cristo, ficamos para sempre livres do jugo da morte (2Tm 1.10). Ele agora aplica sua afirmação, declarando que não estamos mais sujeitos à tirania do pecado. Ele prova isto a partir da causa final da morte de Cristo, pois ele morreu com o fim de destruir o pecado. Devemos notar também a referência a Cristo nesta forma de expressão. Paulo não afirma estar morto para o pecado com o propósito de não mais cometê-lo - como diríamos em nosso próprio caso -, mas porque ele morreu em relação ao pecado, de modo que, ao constituir-se um resgate, ele aniquilou o poder do pecado. O apóstolo diz que Cristo morreu uma única vez [Hb 10.14], não só porque tenha ele santificado os crentes para sempre pela redenção eterna que conquistou por sua única oferta, e porque consumou a purificação dos pecados deles por meio de seu sangue, mas também com o propósito de estabelecer a semelhança comum entre nós e o Redentor. Ainda que a morte espiritual faça contínuo progresso dentro de nós, todavia pode-se propriamente dizer que morremos uma vez, a saber: quando Cristo nos reconcilia com seu Pai por meio de seu sangue, e também nos regenera concomitantemente pelo poder de seu Espírito,
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“QUEM MORREU ESTÁ JUSTIFICADO DO PECADO”
“Porquanto
quem morreu está justificado do pecado” (Rm 6.7).
Este é um argumento
derivado da natureza inerente ou efeito da morte. Se a morte destrói todas as
ações da vida, então nós, que já morremos para o pecado, devemos cessar com
aquelas ações que o pecado exerce durante a trajetória de sua existência
[terrena]. O termo justificado, aqui, significa libertado ou recuperado da
escravidão. Assim como o prisioneiro que é absolvido da sentença do juiz, se vê
livre de vínculo de sua acusação, também a morte, livrando-nos desta presente
vida, nos faz livres de todas as nossas responsabilidades.
Além do mais,
embora este seja um exemplo que não pode ser encontrado em parte alguma entre
os homens, contudo não há razão para considerar esta afirmação como uma
especulação fútil, nem razão para desespero por não nos acharmos no número
daqueles que crucificaram completamente sua carne. Esta obra divina não se
completou no momento em que teve início em nós, mas se desenvolve gradualmente,
e diariamente avança um pouco mais até chegar à sua plena consolidação. Podemos
sumariar este ensino do apóstolo Paulo da seguinte forma: “Se porventura és
cristão, então deves revelar em ti mesmo pelo menos um sinal de tua comunhão na
morte de Cristo; e o fruto disto consiste em que tua carne será crucificada
juntamente com todos os desejos dela. Não deves presumir, contudo, que esta
comunhão não é real só porque ainda encontras em ti traços de carnalidade em
plena atividade. Mas é forçoso que continuamente encontres também traços de
crescimento em tua comunhão na morte de Cristo, até que alcances o alvo final”.
Já é suficiente que o crente sinta que sua carne está sendo continuamente
mortificada, e ela não avança mais enquanto o Espírito Santo tem sob seu
controle o miserável reinado exercido por ela [carne]. Há ainda outra comunhão
na morte de Cristo, da qual o apóstolo fala com frequência, como em 2Co
4.10-18, a saber: o suportar a cruz, ação esta seguida de nossa participação na
vida eterna.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).






