"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 24 de setembro de 2019

O perigo da incoerência moral

Cuidando de nós Mesmos (4)
“Procura apresentar-te a Deus aprovado...” (2Tm 2.15).

Consideremos o que é olhar por nós mesmos. Vejamos o que devemos fazer. Empenhemos também os nossos corações nessa tarefa, à medida que a compreendamos.

4) O perigo da incoerência moral

Olhem por si mesmos para não virem a ser exemplos de doutrina contraditória. Cuidado, para que não venham a colocar pedras de tropeço na frente dos cegos e ocasionar a sua ruína. Cuidado, para não desfazerem com suas vidas o que dizem com suas línguas. Cuidado, para não se tornarem, vocês mesmos, o maior obstáculo ao sucesso dos seus trabalhos.

Dificulta muito o nosso trabalho quando outros homens contradizem na vida particular o que lhes declaramos publicamente acerca da Palavra de Deus. Acontece isso porque não estamos lá para contradizê-los e demonstrar a sua loucura. Mas será muito mais prejudicial ao nosso trabalho se contradissermos a nós mesmos. Se as nossas ações se tornam uma mentira para as nossas línguas, o que podemos edificar em uma ou duas horas de discurso, poderemos destruir numa semana com as nossas mãos. É deste modo que se faz com que os homens achem que a Palavra de Deus não passa de um conto ocioso e que a pregação não pareça melhor do que qualquer tagarelice. Ora, aquele que de fato põe sentido no que fala, certamente age de acordo com o que fala.

Assim é que uma palavra arrogante, grosseira, insolente, ou uma discussão desnecessária, ou um ato de cobiça, pode cortar a garganta de muitos sermões.

Digam-me, irmãos, no temor de Deus, vocês têm consideração pelo bom êxito dos seus trabalhos, ou não? Vocês esperam vê-los causar efeito nas almas dos seus ouvintes? Se não, por que pregam? Para que estudam? Por que se denominam ministros de Cristo? Mas se têm essa consideração e essa esperança, certamente não poderão achar dentro dos seus corações o desejo de prejudicar o seu trabalho com alguma coisa indigna.

É um erro patente aos olhos de todos o daqueles ministros da Igreja que abrem grande abismo entre a sua pregação e o seu viver. Eles estudam arduamente para pregar com exatidão, e, todavia, estudam pouco ou nada para viver com exatidão. A semana inteira é curta para preparar-se para falar duas horas; e, contudo, uma hora parece tempo demais para preparar-se para viver uma semana. Causa-lhes repulsa a má colocação de um vocábulo em seus sermões; mas não se preocupam nem um pouco em colocar mal os sentimentos, as palavras e as ações no transcurso das suas vidas. Ah, que pregações nobres e interessantes tenho ouvido de alguns homens, e quão relaxadamente os tenho visto viver!

Assim, irmãos, certamente nos sobram razões para termos cuidado com o que fazemos, bem como com o que dizemos. Se somos servos de Cristo, não devemos ser somente oradores, mas também devemos servi-Lo com os nossos feitos. Aquele que for "fazedor da obra" será  bem-aventurado no seu feito" (Tg 1.25). Como esperamos que os que nos ouvem sejam "cumpridores da  palavra, e não somente ouvintes", assim também nós devemos ser cumpridores, e não somente oradores, para que não nos enganemos a nós mesmos (Tg 1.22).

Uma doutrina prática deve ser pregada praticamente. Devemos preparar-nos tão arduamente para viver bem, como para pregar bem. Devemos pensar e repensar como compor as nossas vidas (bem como os nossos sermões), para usarmos a melhor maneira de levar os homens à salvação.

Se a sua finalidade for a de salvar almas, irmãos, certamente vocês procurarão atentar para esse objetivo fora do púlpito como nele. Se esta for a sua finalidade, vocês viverão por ela e farão tudo que puderem para alcançá-la. Amém!

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
(41)3242-1115

O perigo da incompetência para os deveres pastorais

Cuidando de nós Mesmos (3)
“Procura apresentar-te a Deus aprovado...” (2Tm 2.15).

Consideremos o que é olhar por nós mesmos. Vejamos o que devemos fazer. Empenhemos também os nossos corações nessa tarefa, à medida que a compreendamos.

3) O perigo da incompetência para os deveres pastorais

Precisamos olhar por nós mesmos para que não estejamos despreparados para as grandes tarefas que nos incumbimos de levar a cabo. É preciso que não seja um bebê no conhecimento aquele que quer ensinar aos homens as coisas misteriosas que necessitam saber para assegurar-se da salvação.

Ah, que qualificações são necessárias ao homem que tem sobre si a responsabilidade que temos! Quantas dificuldades da teologia precisam ser compreendidas! Que pontos essenciais da fé é obrigatoriamente necessário conhecer! Quantos textos obscuros das Escrituras têm que ser explicados! Quantos deveres precisam ser cumpridos, deveres nos quais poderemos falhar, se não compreendermos claramente o seu teor, o seu propósito e o seu contexto! Quantos pecados devemos evitar, o que não poderá ser feito sem compreensão e perspicácia!

Quantas tentações sorrateiras e sutis precisamos expor perante os olhos do nosso povo — a fim de que se possa escapar delas! Quantos opressivos e intrincados problemas de consciência temos que resolver quase todos os dias! Tanto trabalho assim, e tal tipo de labor poderá ser realizado por homens imaturos e incompetentes?

Que fortalezas — e quantas! — temos que pôr abaixo! Que resistência sutil, diligente e obstinada temos que esperar encontrar no trato de cada coração! Como o preconceito bloqueia o nosso caminho rumo à obtenção de bons ouvintes! Muitas vezes não discutimos em condições iguais, mas com crianças que não conseguem entender-nos.

Temos que trabalhar com gente desorientada. Temos que lidar com pessoas voluntariosas e nada razoáveis, que nunca ficam mais persuadidas do que quando silenciadas com os seus próprios argumentos. Quando não nos apresentam razão nenhuma, apresentam-nos a sua resolução. Temos que enfrentar as vontades dos homens e suas paixões sensuais, bem como os seus modos de entender as coisas. Teremos que enfrentar, não uma, mas multidões de paixões violentas e de inimigos contraditórios, toda vez que sairmos em busca da conversão de um pecador.

Ah, diletos irmãos, que homens devemos ser, então, em habilidade, resolução e incansável diligência — nós, que temos isso tudo com que lutar e por que lutar? Não bradou Paulo, "para estas coisas quem é idôneo?" (2Co 2.16). Poderemos, então, dar-nos o luxo de sermos orgulhosos e preguiçosos, como se fôssemos capazes? Como diz Pedro a todo cristão, ao ponderar a responsabilidade, há o reflexo do nosso caráter; "que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade"? (2Pe 3.11). Assim posso eu dizer a todo ministro, vendo como estes desafios pesam sobre nós, que classe de pessoas devemos ser em todos os nossos santos esforços e resoluções para o nosso trabalho!

Portanto, este não é um fardo que se coloque nos ombros de uma criança. Que habilidade cada parte da obra requer, e quanto tempo! Não pensem que a prédica é a parte mais dura do nosso trabalho. Todavia, quanta habilidade é necessária para dar clareza à verdade, a fim de persuadir os nossos ouvintes! Como é difícil fazer com que a luz irresistível penetre na consciência deles, permaneça ali, e os capacite a compreender a verdade! Como é difícil acionar a verdade em suas mentes e introduzir Cristo em seus sentimentos! Que inteligência se requer do pastor para enfrentar toda objeção levantada e para responder com clareza aos que as levantam! Como é desafiador levar os pecadores a convicções que os façam enxergar que não há esperança para eles, a menos que sejam convertidos; que, do contrário, serão inevitavelmente condenados!

Fazer isso tudo numa linguagem e de maneira apropriadas ao nosso ministério e, ainda assim, ajustadas às capacidades dos nossos ouvintes, exige muito engenho e arte. Isso tudo e muito mais se requer para todo sermão que pregarmos com santa aptidão. Um tão grande Deus, cuja mensagem proferimos, deve ser honrado pela maneira como a transmitimos.

Quão lamentável será, então, termos uma mensagem provinda do Deus dos Céus — mensagem com consequências eternas para as almas dos homens — e, contudo, entregar tão debilmente esta palavra! Que desventura, conduzir-nos tão imprudentemente, ou comunicar a verdade tão superficialmente, de modo que todo o trabalho do nosso Deus malogra em nossas mãos! Quando Deus sofre desonra, a Sua obra cai em descrédito e os pecadores se endurecem em vez de converter-se, devido à nossa fraqueza e negligência. Quão grande é a nossa responsabilidade!

Quantas vezes sucede que ouvintes mundanos vão para casa irritados com os fiascos óbvios e desonrosos do pregador! Quantos deles dormem diante de nós, porque os nossos corações e línguas estão dormentes! E não temos sequer capacidade e zelo para despertá-los! 

Além disso, imaginemos quanta habilidade é necessária para defender a verdade contra os que se lhe opõem e para lidar com aqueles que argumentam contra ela. Que habilidade, pois, é necessária para lidar com uma pobre e ignorante alma acerca da sua conversão!

Será que uma porção comum de santa aptidão e habilidade, de prudência e outras qualificações servirá  para tal missão? Bem sei que a necessidade pode levar esta igreja a tolerar os fracos. Ai de nós, porém, se formos indulgentes e tolerantes para com as nossas próprias fraquezas! Sua razão e sua consciência não lhes dizem que, se vocês ousarem aventurar-se a um trabalho tão elevado como este, não deverão poupar esforços no preparo para realizá-lo? Não será um exercício ou experiência de estudos feitos de vez em quando, ocasional e preguiçosamente, que servirá para formar um valoroso homem de Deus.

Podemos escusar-nos da necessária diligência intelectual dizendo que somente o Espírito Santo pode qualificar-nos e assistir-nos em nosso trabalho. Deus encorajará essa ociosidade? Dar-nos-á Ele miraculosamente conhecimento mediante sonhos quando estivermos dormindo? Ou nos levará ao céu e nos revelará os Seus conselhos? Ah, se os homens se atreverem tão pecaminosamente a extinguir o Espírito com tal ociosidade e, depois, pretextar que é o Espírito que o está fazendo! 

Deus exige que não sejamos "vagarosos no cuidado" e que sejamos "fervorosos no espírito, servindo ao Senhor" (Rm 12.11). Devemos instigar os nossos ouvintes a serem pessoas assim, como também a nós mesmos, a sermos pessoas assim. Portanto, irmãos, não percamos tempo: estudemos e oremos, palestremos e pratiquemos. Com estes quatro meios as nossas capacidades aumentarão. 

Olhem, pois, por si mesmos, para que não se enfraqueçam por sua negligência, e para que não estraguem a obra de Deus com a Sua fraqueza. Pois, "qual o homem, tal a sua valentia" (Juízes 8.21).

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

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O perigo de conviver com os pecados contra os quais pregamos

Cuidando de nós Mesmos (2)
“Procura apresentar-te a Deus aprovado...” (2Tm 2.15).

Consideremos o que é olhar por nós mesmos. Vejamos o que devemos fazer. Empenhemos também os nossos corações nessa tarefa, à medida que a compreendamos.

2) O perigo de conviver com os pecados contra os quais pregamos

Somos exortados a olhar por nós mesmos, para não suceder que convivamos com os mesmos pecados contra os quais pregamos. Cuidado para não sermos culpados daquilo que talvez condenemos diariamente.

Engrandecer a Deus seria a obra da qual nos incumbimos? E, havendo feito isso, iremos desonrá-Lo como tantos outros? Proclamaremos o poder dominador de Cristo? E, contudo, tendo falado desse poder, nós mesmos O negaremos e nos rebelaremos contra Ele? Pregaremos as leis de Deus, e ao mesmo tempo as infringiremos deliberadamente? Se o pecado é mau, por que viver nele?

Se não há pecado, por que procuramos dissuadir dele os homens? Se é perigoso, como ousamos praticá-lo? Se não existe, como nos atrevemos a dizer aos homens que existe? Se as ameaças de Deus são verdadeiras, por que não as tememos? Se são falsas, por que afligimos desnecessariamente os homens com elas e os deixamos aterrorizados sem motivo?

Acaso vocês não conhecem o juízo de Deus? Os que praticam tais coisas são declarados dignos de morte, e, todavia, vocês persistiriam em praticá-las? (Rm 1.32). Vocês, que ensinam outros, como não se ensinam a si próprios? Vocês, que dizem a outros que não cometam adultério, que não sejam beberrões nem glutões — vocês mesmos fazem essas coisas? Vocês que se jactam da lei, não percebem que, ao quebrar a lei, estão desonrando a Deus? (Rm 2.21-23).

O quê? A língua que fala o mal também haverá de falar contra o mal? Criticará, caluniará, difamará enquanto despreza este comportamento e outros semelhantes nas outras pessoas? Olhem por vocês, pois, para não suceder que desprezem o pecado, e, contudo, não o dominem em si próprios. Sim, pois, como no-lo recorda 2Pedro 2.19, "de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo". E "a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça", adverte-nos Paulo (Rm 6.16). Sim, é mais fácil julgar o pecado que dominá-lo. 

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

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O perigo de não experimentar pessoalmente a graça de Deus

Cuidando de nós Mesmos (1)
Procura apresentar-te a Deus aprovado...” (2Tm 2.15).

Consideremos o que é olhar por nós mesmos. Vejamos o que devemos fazer. Empenhemos também os nossos corações nessa tarefa, à medida que a compreendamos.

1) O perigo de não experimentar pessoalmente a graça de Deus

Somos exortados a olhar por nós mesmos, para não suceder estarmos vazios da divina graça salvadora que estamos oferecendo a outros, porquanto, é possível oferecermos esta graça a outros e, todavia, estarmos alheios às operações eficazes do evangelho que pregamos. Podemos proclamar a outros a necessidade de um Salvador, e em nossos próprios corações negligenciá-Lo. Falta-nos conhecimento de Cristo e dos Seus benefícios salvadores! 

Portanto, cuidemos de nós mesmos, para não perecermos, enquanto clamamos a outros que cuidem de si, para não perecerem! Podemos morrer de fome enquanto preparamos comida para outros. Em Daniel 12.3, a promessa de que "refulgirão como as estrelas" é feita aos que levam muitos a converter-se à justiça. Contudo, é com base na suposição de que eles mesmos se converteram antes à justiça. Pois a sua sinceridade na fé é a condição da sua glória.

É possível que muitos tenham admoestado outros a não virem ao lugar de tormentos no qual eles próprios se precipitaram. Seria também possível que estejam agora no inferno muitos pregadores que tinham instado centenas de vezes com os seus ouvintes a que tomassem o máximo cuidado e empregassem a máxima diligência para escaparem desse destino tenebroso?

Poderá alguma pessoa razoável imaginar que Deus possa salvá-la por ter ela oferecido a salvação a outros, enquanto ela própria a recusa para si? Poderá salvar-se quando diz a outros as verdades que ela própria negligencia e injuria?

Creiam irmãos, Deus jamais salvou homem algum por ser pregador. Tampouco rejeitou alguém por não ser pregador capaz. Ele salvou o pregador porque foi um homem justificado e santificado. 

Portanto, cada qual de vocês olhe por si mesmo. Veja que  você seja  o adorador que persuade outros a serem. Certifique-se de que crê naquilo que diariamente persuade outros a crerem. Assegure-se de que já acolheu cordialmente a Cristo e ao Espírito Santo em sua alma, antes de os oferecer a outros. Aquele que o mandou amar o seu próximo como a si mesmo, quis dizer igualmente que você deve amar-se a si próprio, em vez de odiar-se e destruir-se a si próprio — e a outros também.

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Paciência: Uma característica pessoal do Pastor

Paciência: Uma característica pessoal do Pastor
“O amor é paciente” (1Co 13.4).

Uma característica pessoal do pastor é a paciência. Temos que suportar muitos abusos e ofensas daqueles a quem estamos fazendo o bem. Depois de termos dado bastante atenção à situação deles, depois de termos orado e suplicado com eles e por eles, depois de os termos enaltecido e de nos termos desgastado por eles, ainda precisamos ter mais paciência com eles. Ainda podemos esperar que, depois de termos olhado por eles como se fossem os nossos próprios filhos, alguns nos rejeitem com escárnios e até nos odeiem e nos desprezem. Lançar-nos-ão desdenhosamente em rosto a nossa bondade e nos verão como seus inimigos. Farão isto simplesmente porque lhes dissemos a verdade. Sim, quanto mais os amarmos, mais nos odiarão.

Tudo isso tem que ser aceito por nós, e ainda precisamos desejar inabalável e infatigavelmente fazer tudo que for bom para eles. Precisamos persistir em instruir com mansidão os que se opõem aos seus próprios interesses superiores. Deus poderá levá-los ao arrependimento. Mesmo quando eles menosprezarem e rejeitarem o nosso ministério e nos mandarem cuidar da nossa própria vida, devemos continuar cuidando deles com perseverança, desde que estamos tratando de pessoas desnorteadas que rejeitam o seu médico. Não obstante, devemos persistir na busca da sua cura. É deveras indigno o médico que se retira apenas por causa do linguajar tolo do paciente.

Quando dizemos às pessoas que o homem natural não recebe bem as coisas de Deus, e que elas estão fora de si nas questões referentes à salvação, devemos estar preparados para as suas reações. Não esperemos que os estultos reajam agradecidamente como sábios. Nem todos podemos dizer estas coisas, mas talvez tenhamos que enfrentar más reações dirigidas a nós. Pode suceder que sejamos censurados e caluniados por nosso amor. Pode haver gente disposta a cuspir em nossos rostos, em vez de ser-nos grata por nosso conselho.

Todavia, estas são as espécies de provações que temos que aceitar como bons pastores. Servirão para testar-nos e para mostrar-nos se os restos de velho Adão ainda são bastante fortes em nós para fazer que os nossos corações reajam com orgulho e raiva. É o novo homem em Cristo que pode reagir com mansidão e paciência. Como é triste, porém, quando muitos ministros do evangelho fracassam nesta prova!

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

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Cristo é nosso Resgate

Cristo é nosso Resgate
“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2.20).

As expressões “filho de Deus”, “me amou” e “se entregou por mim” são relâmpagos e trovões do céu que atacam a ideia de que somos salvos por boas obras. A nossa vontade e entendimento continham tão grande perversidade, erro, escuridão e ignorância que somente poderíamos ser libertos por meio de um resgate excessivamente caro.

Então, por que pensamos que a nossa razão humana se inclina naturalmente para o melhor, podendo nos orientar corretamente? Por que pensamos que cada pessoa deve fazer o seu máximo? Por que trazemos nossos pecados terríveis, que são mera palha, a um Deus irado, a quem Moisés chama de “fogo consumidor”? Por que questionamos a Deus, tentando trocar nossos restolhos por graça e vida eterna? Ouça essa passagem. Ela diz que há tanto mal na nossa natureza que o mundo e toda a criação não podem nos reconciliar com Deus. A única solução foi o Filho de Deus ser oferecido por nossos pecados.

Considere o preço desse resgate cuidadosamente. Olhe para Cristo, que foi capturado e oferecido por você. Ele é infinitamente superior a qualquer outra coisa na criação. Como você responderá quando ouvir que um resgate tão inestimável foi pago por você. Você ainda quer trazer as suas próprias boas obras a Deus? O que é isso comparado ao feito de Cristo? Ele derramou o seu preciosíssimo sangue pelos nossos pecados.

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

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(41)3242-8375

Enfrentando o Mundo

Enfrentando o Mundo
“Se vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não são do mundo, mas eu os escolhi, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia” (Jo 15.19).

Cristo nos alerta aqui a respeito da oposição do mundo aos cristãos. Devemos aprender a menosprezar a inveja e o ódio do mundo e tudo o mais que ele tentar fazer conosco. É inevitável que as pessoas do mundo odeiem a Deus e a Cristo. E, por odiarem a Cristo, também nos odiarão. Devido a essa oposição contínua, temos de saber como superá-la. Nós a superamos ao ignorar a arrogância do mundo.

Quanto mais deixarmos a arrogância do mundo nos incomodar, mais prazer o diabo e o mundo terão com isso. Se o diabo pudesse nos fazer agonizar e nos preocupar dia e noite com a oposição do mundo ao evangelho, ele se divertiria de tal maneira que teria de tampar a boca para não rir. As pessoas do mundo iriam ao delírio, cada vez mais barulhentas e por mais tempo. Elas pensariam estar vencendo por nos fazerem lamentar e chorar. Mas, se nós as ignoramos de forma desafiadora, elas ficam iradas, tristes e irritadas pelo fato de seus inimigos estarem zombando da cara delas – até mesmo quando a diversão delas estiver no auge.

O Maligno é extremamente arrogante e sua noiva, o mundo, também o é. Assim, nada há de pior para ele do que ser menosprezado e ridicularizado. Quando ele passa por isso e nada pode fazer a respeito, ele se retira. Caso contrário, ele não para até conseguir nos deixar desanimados e exaustos. Ele instiga e pressiona por tanto tempo e de maneira tão dura que é possível morrer de aflição. Mas, quando ele percebe e que estamos determinados a resistir ao seu ódio e que continuamos a nos alegrar e até zombar deles, ele será o primeiro a se cansar. Ele é tão orgulhoso que não é capaz de suportar quando o afrontamos.

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Amorosa preocupação pelo Rebanho

Amorosa preocupação pelo Rebanho
“O amor não procura os seus interesses” (1Co 13.5).

Toda a causa do nosso ministério deve ser conduzida com terno amor pelas pessoas do nosso rebanho. Precisamos fazer que vejam que nada nos agrada mais do que aquilo que lhes é proveitoso. Devemos mostrar-lhes que aquilo que lhes faz bem, igualmente nos faz bem. Devemos sentir que nada nos preocupa mais do que aquilo que as fere.

Disse Jerônimo, ao escrever a Nepociano: “Como os bispos não são senhores, mas pais, assim devem incumbir-se do seu povo como de seus filhos. Sim, nem mesmo o mais terno amor da mãe por seu filho deve sobrepujar o deles”. Como afirma Paulo, devemos até sentir “as dores de parto, até que Cristo seja formado” neles (Gl 4.19). Nossos filhos na fé devem ver que nós não nos preocupamos com as coisas externas – nem dinheiro, nem crédito econômico, nem liberdade, nem a própria vida – em comparação com a preocupação que temos com a salvação deles. Em vez disso, à semelhança de Moisés, devemos estar dispostos a ter o nosso nome riscado do livro da vida por amor deles, antes que deixá-los perecer e não se acharem no Livro da Vida do Cordeiro.

Como o apóstolo João, não devemos ter nossas vidas como preciosas para nós, de modo que possamos achar nossa coroa de alegria na realização da obra de Deus pela salvação deles. Quando o rebanho vir que vocês o amam verdadeiramente, ouvirá o que dizem – dará o que lhe pedirem – e os seguirá com a maior presteza. E quando, prontamente, por amor, for aberta uma ferida será aceita mais prontamente do que quando se diz uma palavra grosseira, proferida com ressentimento ou com ira.

Muitos julgam o conselho que recebem pelo modo como recebem a afeição do seu conselheiro. Vejam que tenham terno amor pelos membros do seu rebanho, e então eles o sentirão em seus discursos e o verão em seu modo de tratá-los. Façam-nos ver o que vocês passaram e passam por amor deles. Façam-nos ver que tudo o que vocês fazem é para o bem deles, e não para os seus próprios fins.

Para esta finalidade, as marcas do caridoso amor são essenciais, na medida do seu bolso, uma vez que palavras ocas dificilmente os convencerão de que vocês têm verdadeiro amor por elas. Quando não puderem dar, mostrem-lhes que de fato estariam dispostos a dar, se pudessem. Mostrem-lhes ao menos algumas ações práticas que evidenciem a sua sinceridade. Como disse Agostinho, em seu comentário do Salmo 103, “Se você pode dar, dê; se não pode, mostre que se preocupa”.

Assegurem-se de que o seu amor não é carnal, oriundo do orgulho; não seja proveniente de um coração interessado em seu amor próprio, mas de um amigo de Cristo. Cuidado, pois, que não sejam coniventes com pecados secretos, pretextando amor. Assim, a amizade sempre deve ser consolidada pela piedade, pois um homem mau nunca poderá ser um verdadeiro amigo. Se vocês protegerem a iniquidade dos ímpios, mostrarão que vocês mesmos são ímpios. Portanto, não finjam amá-los, se lhes favorecem os pecados e não procuram verdadeiramente a salvação deles. Como dizia Basílio, o Grande: “Somente o santo, como Deus é santo, pode ter amizade verdadeira”. Por sua conivência com os pecados alheios, vocês mostram que estão em inimizade com Deus.

Richard Baxter (1615-1691).

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“Confissão de Pecados”

“Confissão de Pecados”

Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XV (Do Arrependimento para a Vida).

Seção VI – Como cada pessoa é obrigada a fazer a Deus confissão privativa de seus pecados, orando pelo perdão dos mesmos; e, abandonando-os, achará misericórdia; assim também, aquele que escandaliza seu irmão, ou a Igreja de Cristo, deve estar disposto, através de confissão e demonstração de tristeza, privativas ou públicas, declarar seu arrependimento aos que são ofendidos; isso feito, estes devem reconciliar-se com ele e recebê-lo em amor.

Sl 51.4,5,7,9,14; 32.5,6; Pv 28.13; 1Jo 1.9; Tg 5.16; Lc 17.3,4; Js 7.19; 2Co 2.8.

Esta seção ensina: -

1. Que cada homem deve fazer a Deus confissão privativa de todos os seus pecados, e que Deus certamente o perdoa quando sua dor e a renúncia de seus pecados são sinceras. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele [Deus] é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9).

2. Que quando um cristão tem pessoalmente injuriado a um irmão, ou escandalizado, por sua conduta anticristã, a igreja de Cristo, o mesmo deve estar pronto, por meio de confissão pública ou privativa, conforme o caso, declarar seu arrependimento aos que são ofendidos, é também ditame igualmente da razão natural e da Escritura. Se porventura erramos, estamos na posição de alguém que mantém um erro até que, mediante um expresso arrependimento e, até onde possível, reparação do erro, nos colocamos do lado certo. O malfeitor é obviamente um devedor à pessoa a quem injuriou, e deve fazer cada restituição possível aos sentimentos e interesses dela; e o mesmo princípio continua sendo verdadeiro em relação aos interesses gerais da comunidade cristã. O dever é expressamente ordenado na Escritura (Mt 5.23,24; Tg 5.16; Mt 18.15-18).

3. Que é o dever dos irmãos ou da igreja, quando ofendidos, perdoar a parte ofensora e restaurá-la plenamente ao favor com base em seu arrependimento, é também um ditame da consciência natural e da Escritura. Todos os homens honrados se sentem obrigados a agir com base neste princípio. O cristão está, além de tudo, sob a obrigação de perdoar outros ante as infinitas obrigações de seu próprio Senhor, que não só nos perdoa com base no arrependimento, mas também morreu para redimir-nos enquanto éramos impenitentes. Quanto aos escândalos públicos, a Igreja é obrigada a perdoá-los da mesma forma como o Senhor procedeu. Visto que o arrependimento genuíno é dom de Cristo, seu evidente exercício é uma indubitável indicação de que a pessoa, exercendo-o, é perdoada por Cristo e é um irmão cristão (Lc 17.3,4; 2Co 2.7,8; Mt 6.12).

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.

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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

“Do Arrependimento para a Vida”

“Do Arrependimento para a Vida”

Considere o ensino do capítulo XV da Confissão de Fé de Westminster - “Do Arrependimento para a Vida”.

Seção III. Ainda que o arrependimento não deva apoiar-se em alguma sorte de satisfação ou ser a causa do perdão, o qual é um ato da livre graça de Deus em Cristo, contudo, ele é de tal necessidade a todos os pecadores, que ninguém deve esperar o perdão sem ele.

Ez 36.31-32; 16.61-63; Os 14.2,4; Rm 3.24; Ef 1. 7; Lc 13.3,5; At 17.30,31.

Seção IV. Como não há pecado tão pequeno que não mereça condenação, também não há pecado tão grande que traga condenação àqueles que realmente se arrependem.

Rm 6.23; Mt 12.36; Is 55.7; Is 1.16-18; Rm 8.1.

Seção V. Os homens não devem contentar-se com um arrependimento geral, senão que é o dever de cada um esforçar-se para arrepender-se de seus pecados particularmente específicos.

Sl 19.13; Lc 19.8; 1Tm 1.13,15.

*Estas seções ensinam as seguintes proposições: -

1. Que o arrependimento não deve apoiar-se em alguma sorte de satisfação pelo pecado, ou ser a causa do perdão.

2. Que, não obstante, ele é de tal necessidade que se torna inseparável do perdão, de modo que quem não se arrepende também não é perdoado.

3. Que, enquanto o menor pecado merece condenação, a mesma graça de Cristo que produz o arrependimento é suficiente para extinguir a culpa do maior pecado.

4. Que, como os homens precisam arrepender-se de sua inerente disposição pecaminosa e a pecaminosidade geral de suas vidas, também precisam arrepender-se de cada pecado específico que lhes seja notório.

Que o menor pecado merece castigo, é óbvio. A lei moral é moral em cada elemento, e é da essência daquilo que é moral ser ele obrigatório, e que sua violação é merecedora de reprovação. Daí, “qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Que não há pecado tão grande que não possa reprimir a condenação sobre aqueles que realmente se arrependem, é também evidente, porque o genuíno arrependimento, como já vimos, é o fruto da regeneração, e ninguém é regenerado sem ser também justificado. Além disso, o genuíno arrependimento inclui fé, e a fé une a Cristo e assegura a imputação de sua justiça, e a justiça de Cristo naturalmente cancela todo pecado possível.

“Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20).

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.

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