"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Amorosa preocupação pelo Rebanho

Amorosa preocupação pelo Rebanho
“O amor não procura os seus interesses” (1Co 13.5).

Toda a causa do nosso ministério deve ser conduzida com terno amor pelas pessoas do nosso rebanho. Precisamos fazer que vejam que nada nos agrada mais do que aquilo que lhes é proveitoso. Devemos mostrar-lhes que aquilo que lhes faz bem, igualmente nos faz bem. Devemos sentir que nada nos preocupa mais do que aquilo que as fere.

Disse Jerônimo, ao escrever a Nepociano: “Como os bispos não são senhores, mas pais, assim devem incumbir-se do seu povo como de seus filhos. Sim, nem mesmo o mais terno amor da mãe por seu filho deve sobrepujar o deles”. Como afirma Paulo, devemos até sentir “as dores de parto, até que Cristo seja formado” neles (Gl 4.19). Nossos filhos na fé devem ver que nós não nos preocupamos com as coisas externas – nem dinheiro, nem crédito econômico, nem liberdade, nem a própria vida – em comparação com a preocupação que temos com a salvação deles. Em vez disso, à semelhança de Moisés, devemos estar dispostos a ter o nosso nome riscado do livro da vida por amor deles, antes que deixá-los perecer e não se acharem no Livro da Vida do Cordeiro.

Como o apóstolo João, não devemos ter nossas vidas como preciosas para nós, de modo que possamos achar nossa coroa de alegria na realização da obra de Deus pela salvação deles. Quando o rebanho vir que vocês o amam verdadeiramente, ouvirá o que dizem – dará o que lhe pedirem – e os seguirá com a maior presteza. E quando, prontamente, por amor, for aberta uma ferida será aceita mais prontamente do que quando se diz uma palavra grosseira, proferida com ressentimento ou com ira.

Muitos julgam o conselho que recebem pelo modo como recebem a afeição do seu conselheiro. Vejam que tenham terno amor pelos membros do seu rebanho, e então eles o sentirão em seus discursos e o verão em seu modo de tratá-los. Façam-nos ver o que vocês passaram e passam por amor deles. Façam-nos ver que tudo o que vocês fazem é para o bem deles, e não para os seus próprios fins.

Para esta finalidade, as marcas do caridoso amor são essenciais, na medida do seu bolso, uma vez que palavras ocas dificilmente os convencerão de que vocês têm verdadeiro amor por elas. Quando não puderem dar, mostrem-lhes que de fato estariam dispostos a dar, se pudessem. Mostrem-lhes ao menos algumas ações práticas que evidenciem a sua sinceridade. Como disse Agostinho, em seu comentário do Salmo 103, “Se você pode dar, dê; se não pode, mostre que se preocupa”.

Assegurem-se de que o seu amor não é carnal, oriundo do orgulho; não seja proveniente de um coração interessado em seu amor próprio, mas de um amigo de Cristo. Cuidado, pois, que não sejam coniventes com pecados secretos, pretextando amor. Assim, a amizade sempre deve ser consolidada pela piedade, pois um homem mau nunca poderá ser um verdadeiro amigo. Se vocês protegerem a iniquidade dos ímpios, mostrarão que vocês mesmos são ímpios. Portanto, não finjam amá-los, se lhes favorecem os pecados e não procuram verdadeiramente a salvação deles. Como dizia Basílio, o Grande: “Somente o santo, como Deus é santo, pode ter amizade verdadeira”. Por sua conivência com os pecados alheios, vocês mostram que estão em inimizade com Deus.

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
(41)3242-1115

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