"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Confissão dos nossos Pecados

Confissão dos nossos Pecados
“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

1. O Pecado do Orgulho

Um dos nossos pecados mais odiosos e patentes é o orgulho. Ataca até os nossos pastores, e, todavia, é mais detestável e inescusável em nós, pastores, do que nos outros homens. Predomina tanto entre nós, que fica patente em nossa conversação, em nosso modo de viver, em nossa companhia e em nossas atitudes pessoais diante dos outros. Ele é a base dos nossos motivos, modela o nosso pensar, determina os nossos desejos, fomenta a inveja e pensamentos amargos contra os que são mais proeminentes do que nós, que recebem posição de celebridade.

Que companheiro astuto e sutil, que comandante tirânico e que insidioso inimigo é o pecado do orgulho! Ele acompanha os homens ao alfaiate para a escolha de roupas e para tirar as medidas do seu terno. Ele nos veste e determina a moda. Quantas vezes ele escolhe os temas da nossa alocução, e até as nossas palavras!

Deus quer que sejamos simples o quanto pudermos em nossa linguagem, para informarmos os ignorantes, e que sejamos sérios e convincentes o quanto pudermos, para que os não convertidos cedam e sejam transformados.

Mas o orgulho não sai de perto, e contraria tudo. Ele vulgariza e polui, ele desonra os nossos sermões, como se fosse um príncipe com traje de ator ou um palhaço disfarçado. Ele nos persuade a falar aos nossos ouvintes o que eles não podem entender, e, depois, a dizer-lhes coisas inaproveitáveis. Ele tira o fio da convicção e embota o vigor dos nossos ensinamentos, com a desculpa de que não queremos ser grosseiros ou indelicados em nosso linguajar. Se damos com uma passagem franca e desafiadora, o orgulho a joga fora como rústica e inapropriada.

Assim, quando Deus nos manda agir com todo o zelo, o maldito pecado do orgulho domina e controla os mais santos mandamentos de Deus. Este pecado nos tenta, levando-nos a não sermos tolos ao expressar-nos sobre tais ou quais convicções, mas a falar suavemente. Desta maneira, o orgulho refaz muitos sermões do pregador, e o fim em vista não é a glória de Deus, e sim o progresso de Satanás.

Tendo preparado o sermão, o orgulho sobe ao púlpito, Ele impõe a entonação, modela a eloquência e elimina tudo que cause ofensa, para conseguir o máximo de aplauso. O resultado final é que ele faz com que os homens, tanto no estudo como na pregação, busquem o seu próprio interesse e, após inverterem os papéis do culto, neguem a Deus, em vez de glorificá-Lo e negar-se a si mesmos. Em vez de perguntarem, então, "Que falarei, e como falarei para agradar ao máximo a Deus e para fazer o maior benefício?", o orgulho os leva a indagar: "Como pregarei, para ser considerado um pregador competente e para ser aplaudido por todos os que me ouvirem?”. “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”. (Tg 4.6).

2. O Pecado da Inveja

Entretanto, isto não é tudo; há outras coisas mais. Ah, se se falasse dos piedosos ministros de Deus que anelam tanto a popularidade que chegam a invejar as funções e a reputação dos seus colegas que são preferidos a eles! É como se Deus tivesse dado os Seus dons como puros ornamentos e enfeites das suas personalidades. E então se vão pelo mundo exibindo a sua reputação, como também espezinhando e desmoralizando a dos seus rivais que se levantam em seu caminho impedindo que recebam as honras ambicionadas! Que vergonha encherem-se de inveja, os que deveriam ser santos e viver como pregadores de Cristo, pervertendo assim os dons de Deus — quando a Ele é devida toda a glória! Eles fazem todas essas coisas porque os outros parecem impedir a glória deles.

Não é verdade que todo cristão verdadeiro é membro do corpo de Cristo, de modo que cada um participa do todo? Não é verdade que todo homem deve dar graças a Deus pelos dons dos seus irmãos, como também por serem todos membros uns dos outros? Não é verdade que cada qual tem sua finalidade no todo? Pois se a glória de Deus e o bem-estar da Igreja não forem o seu propósito, ele não é cristão. Que coisa terrível é, então, que os homens estejam tão sem temor de Deus a ponto de invejarem os dons de Deus e deixarem que os seus ouvintes mundanos continuem não convertidos. É lastimável que prefiram que o ministério seja exercido por um dorminhoco que vive sonolento, a deixar que alguém o exerça, o qual goze da preferência geral em vez deles. “O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30).

3. O Pecado da Censura

Sucede que muitos engrandecem tanto as suas opiniões pessoais, que censuram quaisquer pensamentos que difiram dos deles um mínimo que seja, esperando que todos se amoldem ao seu critério. É como se eles fossem os únicos regentes da fé da Igreja. Assim, enquanto condenamos a infalibilidade papal, temos tantos papas entre nós! Gostamos da pessoa que reitera o que dizemos, que concorda com a nossa opinião e que promove a nossa reputação. Mas a achamos ingrata quando ela nos contradiz, diverge de nós, fala com franqueza conosco sobre os nossos erros e nos aponta as nossas faltas.

Somos tão sensíveis que quase não aguentamos que nos repreendam, tão arrogantes que dificilmente os outros conseguem falar conosco e tão mimados, como crianças, que não podemos suportar crítica de ninguém. Assim, a nossa indignação não vem do fato de escrevermos ou falarmos qualquer coisa falsa ou injusta. Vem do medo de sermos contraditados.

Irmãos, sei que é uma confissão triste e dura de ser feita. Se pudéssemos esconder-nos, nos esconderíamos, mas toda gente sabe da coisa. Trazemos desonra sobre nós mesmos transformando em ídolo a nossa reputação. Imprimimos e publicamos a nossa vergonha, e a contamos a todo mundo. Que o Senhor tenha misericórdia dos ministros desta terra, e depressa nos dê outro espírito, pois a graça é algo muito mais precioso do que pensamos. 

Todavia, é pela graça de Deus que temos, aqui e noutros lugares, alguns que são humildes, modestos e exemplares para os seus rebanhos e para os seus colegas. A Deus se deve toda a honra por eles serem assim. Mas, infelizmente, não são todos assim. Ah, que o Senhor nos veja aos Seus pés, derramando lágrimas de não fingida tristeza pelos  pecados deles!

A necessidade de humilhar-nos a nós mesmos constitui o âmago do evangelho. A obra da graça só é iniciada e sustentada pelo exercício da humildade. A humildade não é apenas um ornamento do cristão. É parte essencial da nova criatura. É contradição ser um homem santificado, ou um verdadeiro cristão, e não ser humilde.

Todos os que pretendem ser cristãos têm que ser discípulos de Cristo e vir a Ele para aprender; e a lição que recebem é que sejam mansos e humildes. Quantos preceitos e quantos exemplos admiráveis nosso Senhor e Mestre nos deu com este propósito! Podemos imaginá-Lo deliberadamente lavando e enxugando os pés dos Seus discípulos a fim de mostrar-Se arrogante e despótico? Acaso Cristo Se relaciona com os cansados e oprimidos, e nós os evitamos, considerando-os desprezíveis? Achamos que só são aptos para a nossa sociedade os ricos e os que ocupam posição honrosa. Quantos de nós são vistos mais frequentemente nas casas de pessoas de alta classe, do que nos casebres dos pobres, justamente da gente que mais  precisa do nosso auxílio! “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3).

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
(41)3242-1115

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