"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 13 de junho de 2023

“OS ELEITOS DE DEUS E A CONVERSÃO”


“OS ELEITOS DE DEUS E A CONVERSÃO”

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29).

Quaisquer que sejam os propósitos de Deus, os quais são secretos, estou certo de que suas promessas são fiéis. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.26-30).

Com que desespero os rebeldes argumentam: “Se eu sou eleito, serei salvo; não importa o que eu faça. Caso contrário, estarei perdido, faça o que fizer”. Pecador perverso, você começa onde deveria terminar. A Palavra não está longe de você? O que ela diz? “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At 3.19). “Crê no Senhor Jesus e serás salvo” (At 16.31). “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (Rm 8.13). O que pode ser mais claro? Não fique discutindo sobre a eleição, mas disponha-se a arrepender-se e a crer. Clame a Deus pela graça da conversão. As coisas reveladas lhe pertencem; ocupe-se com elas. Como já bem disse alguém: “Aqueles que não se alimentam da carne da Palavra ficarão sufocados com os ossos”. Quaisquer que sejam os propósitos do céu, estou certo de que se eu me arrepender e crer, serei salvo; e se não me arrepender, serei condenado. Isto não é um chão seguro para você?

Mais particularmente, esta mudança de conversão entende-se ao homem na sua totalidade. Uma pessoa carnal pode ter alguns fragmentos de boa moralidade, mas jamais será completamente boa. A conversão não é o simples reparo de um velho edifício; mas ela o derruba por completo e edifica uma nova estrutura. Não se trata de um remendo de santidade; mas, no caso do verdadeiro convertido, a santidade é tecida em todas as suas capacidades, princípios e práticas. O cristão autêntico é, por assim dizer, uma nova estrutura, desde os alicerces até o telhado. Ele é um novo homem, uma nova criatura; todas as coisas se tornaram novas (2Co 5.17). A conversão é uma obra profunda, é uma obra do coração. Ela produz um novo homem num novo mundo. Ela se estende ao homem inteiro: à mente, aos membros e a todos os aspectos da sua vida.

Deus nos abençoe!

Joseph Alleine (1634-1668).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

sexta-feira, 9 de junho de 2023

“MAS FOSTES SANTIFICADOS”


“MAS FOSTES SANTIFICADOS”

“Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1Co 6.11).

Os membros, estes que antes eram instrumentos do pecado, agora se tornaram instrumentos santos no templo vivo de Cristo. Aquele que antes desonrava o seu corpo, agora possui o seu vaso em santificação e honra, em temperança, em castidade, em sobriedade, e o dedica ao Senhor.

O olho, que antes era irrequieto, dissoluto, arrogante, cobiçoso, é agora empregado, como o de Maria, em chorar pelos seus pecados, em contemplar a Deus através das Suas obras, em ler a Sua Palavra ou procurar motivos de misericórdia e oportunidades para o Seu serviço.

O ouvido, que antes estava aberto à voz de Satanás, e que só se deleitava com coisas imundas ou conversas vãs e com a risada dos tolos, encontra-se agora conquistado por Cristo e aberto aos Seus mensageiros. Ele diz: “Fala, Senhor, porque o teu servo ouve”. Ele espera por Suas palavras como pela chuva e tem mais prazer nelas do que no alimento (Jó 23.12), mais do que no mel e do que no licor dos favos (Sl 19.10).

A cabeça, que estava cheia de desígnios mundanos, está agora cheia de outros assuntos e aplica-se ao estudo da vontade de Deus; e o homem usa sua cabeça não tanto para obter lucro, mas para cumprir o seu dever. Os pensamentos e preocupações que enchem sua cabeça são, principalmente, como poderá agradar a Deus e fugir do pecado.

Seu coração, que era um poço de imundícia, tornou-se agora um altar de incenso onde o fogo do amor divino é mantido sempre aceso, do qual o sacrifício diário de oração e louvor, do doce aroma de desejos santos, exaltações e intercessões se elevam continuamente.

A boca tornou-se uma fonte de vida; sua língua é como prata escolhida e seus lábios alimentam a muitos. O sal temperou seu discurso e tirou a corrupção (Cl 4.6) e limpou o homem das conversas imundas, frívolas, jactanciosas, injuriosas, mentirosas, blasfemadoras, caluniadoras que outrora saiam como relâmpagos do inferno que havia em seu coração (Tg 3.6). A garganta, que era sepulcro aberto, agora exala o doce hálito da oração e do discurso santo e o homem fala uma outra língua, na linguagem da Canaã celestial, e jamais se sente tão bem como quando fala de Deus, de Cristo e dos assuntos referentes ao outro mundo. Sua boca produz sabedoria; sua língua se tornou a trombeta prateada de louvor ao seu Criador.

Nessas coisas, contudo, você encontrará o hipócrita tristemente deficiente. Ele fala, talvez, como um anjo, mas tem um olhar cobiçoso ou o lucro da injustiça em sua mão. Sua mão é branca, mas seu coração está cheio de imundícia (Mt 23.27), cheio de cobiças não dominadas, um forno cheio de concupiscência, uma fábrica de orgulho – a sede da malícia. Talvez, como a estátua de Nabucodonosor, ele tenha uma cabeça de ouro – uma grande quantidade de conhecimento – mas ela tem pés de barro; suas afeições são mundanas, ocupa-se de coisas terrenas, seu caminho e andar são sensuais e carnais.

Deus nos abençoe!

Joseph Alleine (1634-1668).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

“O AUTOR DA CONVERSÃO”


“O AUTOR DA CONVERSÃO”

“O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6).

O autor da conversão é o Espírito de Deus e, portanto, ela é chamada de “santificação do Espírito” (2Ts 2.13). Isto não exclui as outras pessoas da Trindade, pois o apóstolo nos ensina que devemos bendizer o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, “que segundo a sua muita misericórdia nos regenerou para uma viva esperança” (1Pe 1.3). E Cristo é mencionado como aquele que concede “a Israel o arrependimento” (At 5.31). Contudo, esta obra é atribuída principalmente ao Espírito Santo, e por isso é dito que somos “nascidos do Espírito” (Jo 3.5,6).

Portanto, a conversão é algo que supera o poder humano. Somos “nascidos, não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.13). Vocês jamais devem pensar que podem converter-se a si mesmos. Se tiverem de ser convertidos para a salvação, abandonem qualquer esperança de fazê-lo segundo a sua própria força. É uma ressurreição dos mortos (Ef 2.1), uma nova criação (Gl 6.15), uma obra de absoluta onipotência (Ef 1.19). Isto tudo não está fora do alcance humano? Se não têm nada mais do que aquilo que receberam na ocasião do primeiro nascimento – uma boa natureza, um temperamento humilde, etc. – estão longe da verdadeira conversão.

Na regeneração Deus implanta em Seus eleitos uma nova natureza conduzindo-os a conversão. O termo conversão é empregado geralmente para exprimir os primeiros exercícios dessa nova natureza. É a suspensão de velhas formas de viver para o início de uma nova vida. "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2Co 5.17).

Deus nos abençoe!

Joseph Alleine (1634-1668).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

quarta-feira, 7 de junho de 2023

CHEIO DO ESPÍRITO: Diferença entre Atos 2.4 e Efésios 5.18

 

CHEIO DO ESPÍRITO: A Diferença entre Atos 2.4 e Efésios 5.18

“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (At 2.4).

“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).

Em Atos capítulo 1 versículo 5, lemos que o nosso Senhor disse aos discípulos que eles seriam “batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias”. Então, em Atos 2, obtemos o cumprimento desta promessa. O interessante é que Atos 2, onde nos é dado um relato de como os primeiros discípulos e apóstolos foram batizados com o Espírito Santo, o termo ‘batismo” não é usado; somos informados que “todos foram cheios do Espírito Santo”, e esse é o termo que geralmente é usado depois.

Isso tende a levar à confusão – as pessoas chegam à conclusão de que, toda vez que você se deparar com a frase “cheio do Espírito”, necessariamente terá que significar exatamente a mesma coisa. E é assim que muitas pessoas ficam totalmente confusas com o que lemos em Efésios 5.18: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”. Agora veja isto, os discípulos ficaram cheios do Espírito no Dia de Pentecostes. Assim, essas pessoas tendem a cair no erro e na confusão de imaginar que essas coisas são idênticas.

O problema aqui é uma falha de entender o ensino do Novo Testamento sobre a obra e o modo de operação do Espírito Santo. Ele cumpre várias funções; elas incluem convicção e, particularmente, a regeneração. Mas ele também faz o trabalho de nos santificar: é o Espírito quem nos santifica através da verdade. Além disso, ele tem um grande papel nos assuntos da segurança, da certeza e, com isso do testemunho, do testificar, do mistério e da obra. Ora, as funções do Espírito Santo devem ser diferenciadas, caso contrário, haverá confusão interminável.

Assim, parece-me (e sempre foi reconhecido pelos grandes tratamentos clássicos deste assunto na doutrina da pessoa e da obra do Espírito Santo) que seu trabalho pode ser dividido da seguinte forma: sua obra regular e sua obra excepcional – ou se você preferir em uma linguagem diferente, sua obra indireta e sua obra direta.

Agora esta divisão na obra e operação do Espírito Santo é de grande importância. Talvez eu possa ilustrar isso de novo para você falando sobre avivamentos religiosos. O Espírito Santo está na igreja hoje e ele faz uma obra regular nela, embora estes sejam os dias das pequenas coisas. Mas não devemos desprezar esses dias porque, afinal de contas, o que está acontecendo é a obra do Espírito Santo. É isso que quero dizer com sua obra regular. Mas no momento em que você começa a ver os avivamentos religiosos, notamos que estes se sobressaem na história da igreja. Eles ainda são a obra do Espírito Santo, ele é ainda o operador, mas agindo de uma maneira excepcional e incomum.

Ou, considerando minha outra classificação, que é, talvez, para nosso propósito imediato, a mais importante das duas – o Espírito Santo normalmente trabalha através de meios. É isso que tenho em mente quando digo que sua obra é “indireta”. É o Espírito Santo quem nos deu a Palavra, e seu ministério regular, seu trabalho ordinário (se alguém pode usar tal termo em relação ao Espírito Santo) é lidar conosco através das Escrituras. Ele ilumina a mente, nos dá compreensão, abre as Escrituras para nós, usa o mestre ou o pregador, e assim por diante. Agora, mesmo que essa obra seja mais ou menos indireta, é simples e claro – esse é o centro de toda essa doutrina do batismo com o Espírito Santo – que o Espírito também trabalha e opera de maneira direta.

Eu quero tentar mostrar-lhes, portanto, que a maneira de evitar esta confusão de assumir que cada vez que você encontrar a expressão “cheio do Espírito” significa exatamente a mesma coisa, é observar o contexto e ver o que o escritor está falando. Em Efésios 5.18, como eu quero mostrar a você, ele está lidando com a santificação, e isso é mais ou menos sua obra regular, e, portanto, não tem nada a ver diretamente com toda essa questão de ser capaz de definir o que se entende por batismo com o Espírito Santo. Eu quero sugerir que um homem pode ser cheio do Espírito de maneira regular, nos termos de Efésios 5.18, e ainda não ser batizado com o Espírito de forma excepcional, direta e incomum, como vemos em Atos 2.

Deus nos abençoe!

Pr. Martyn Lloyd-Jones

*Extraído do livro “O batismo e os dons do Espírito: Poder e renovação segundo as Escrituras” – Martyn.Lloyd-Jones, Carisma Editora.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

domingo, 21 de maio de 2023

"E O LUGAR CHAMOU-SE CAPÃO DAS AMORAS"


"E O LUGAR CHAMOU-SE CAPÃO DAS AMORAS"

Em setembro de 1926, o reverendo Luiz Lens de Araújo Cézar, ao voltar de uma visita a um amigo, passou por um lugar onde havia um grande bosque de amoreiras. Logo encantou-se com a beleza e harmonia que reinavam naquele local. Pastor presbiteriano da igreja em Curitiba, sentiu em seu coração estabelecer ali, um ponto de pregação. Ao encontrar-se com seus pares, na Igreja que pastoreava, desafiou-os a empreender com ele, essa obra. Após orarem a respeito, dirigiram-se ao local. Iniciaram cantando hinos. Suas vozes atraíram pessoas, que se uniram a eles. Entusiasmado, Reverendo Luiz L. A. Cézar, num púlpito improvisado com uma tina de lavar roupa, emborcada, (cedida por uma moradora), fez ali, seu primeiro sermão e então, chamaram o lugar de "Capão das Amoras". Daquele dia em diante, semanalmente, um grupo de líderes da igreja voltou ao lugar e um grupo assíduo de 80 pessoas aproximadamente se formou. A salvação em Cristo Jesus foi anunciada por seis anos, numa congregação de pessoas, a céu aberto, sem teto. Mesmo com o frio curitibano nas épocas de inverno, o grupo se reunia ao relento, sem por isso enfraquecer. Esta foto de 1932, mostra a reunião da congregação já sendo feita diante de uma pequena casinha de madeira construída para abrigar os membros. O pequeno órgão que aparece no canto esquerdo inferior da foto, era transportado do templo da rua Comendador Araújo, por bonde, até o Capão das Amoras, toda vez que tinha culto. Assim formou-se a Congregação do "Capão das Amoras", no local onde hoje está a Igreja Presbiteriana da Av Silva Jardim, 4155. Em 1933, o arquiteto Celso Vianna, produziu o projeto de um templo e coordenou sua edificação. A jovem igreja agora chamada "Congregação do Capão das Amoras", ganhou “casa própria”, e nela habitou por sessenta e seis anos. Cresceu em número, fortaleceu-se, tornou-se robusta na sua fé e revelou sua inegável vocação missionária. Em 09/08/1958, em culto vespertino, a Congregação é reorganizada e passa a ser a 2ª Igreja Presbiteriana de Curitiba. Em 1963, passa a ser denominada Igreja Presbiteriana Silva Jardim. Neste ano é inaugurada em suas instalações, também, uma escola que oferecia: Jardim de Infância, Curso primário e Curso de Artes Industriais. Muitos moradores da comunidade, à época, foram beneficiados pelos cursos ali oferecidos. Com o passar dos anos, a igreja cresceu e um novo templo precisava ser construído, pois o velho templo de madeira estava corroído pelo tempo, já não atendia o fim a que era destinado. O Templo de madeira foi então, removido para o Bosque Alemão, tombado pela Prefeitura de Curitiba, e representa a contribuição alemã e dos reformadores, à formação da cultura curitibana. O trabalho intensifica-se, e em 1997, inauguram-se as dependências do novo Templo da IP Silva Jardim. Alguns anos depois, também foi inaugurado o prédio da Escola de Educação Bíblica D. Florência Withers Rodbard, e adquirido o espaço que hoje constitui o estacionamento da IPSilvaJardim.

Adaptação de Paulo Grani.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

terça-feira, 16 de maio de 2023

"OPGESTAAN"

"Ele ressuscitou, Ele ressuscitou.

A morte está morta, um novo dia amanhece.

Ele ressuscitou, Ele ressuscitou.

Ele vive, meu Jesus vive".

“OPGESTAAN"

Toen Hij alles had volbracht

stierf Gods Zoon; de dag werd nacht.

De onschuldige droeg schuld.

Onze hoop in dood gehuld.

 

Maar de dood hield hem niet vast;

Hij kwam levend uit het graf.

Christus heeft het laatste woord;

het wordt overal gehoord:

 

Hij is opgestaan, Hij is opgestaan.

De dood is dood, een nieuwe dag breekt aan.

Hij is opgestaan, Hij is opgestaan.

Hij leeft, mijn Jezus leeft.

 

Halleluja, Hij verrees,

die de macht van zonde breekt.

Zeg het voort: de liefde wint!

Heel de kerk van Christus zingt:

 

Hij is opgestaan, Hij is opgestaan.

De dood is dood, een nieuwe dag breekt aan.

Hij is opgestaan, Hij is opgestaan.

Hij leeft, mijn Jezus leeft.

 

Door zijn leven, leven wij.

Er is hoop, de weg is vrij.

Niets staat tussen God en ons,

omdat Jezus overwon!

sexta-feira, 5 de maio de 2023

“JULGAI TODAS AS COISAS” – Parte II


“JULGAI TODAS AS COISAS” – Parte II

“Julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1Ts 5.21).

O nosso Senhor declara nesta passagem, através da boca do apóstolo Paulo, que o curso da doutrina não deve, por quaisquer erros humanos, ou por qualquer temeridade, ou ignorância, ou, enfim, por qualquer abuso, ser impedido de sempre estar em um estado vigoroso na Igreja.

Contudo, Paulo pode parecer dar aqui demasiada liberdade no ensino, quando quer que todas as coisas sejam julgadas [provadas]; pois as coisas devem ser ouvidas por nós, para que sejam provadas, e, por este meio, seria aberta uma porta para que impostores disseminassem suas mentiras. Respondo que, neste caso, de modo algum ele exige que alguma atenção seja dada aos falsos mestres, cuja boca, ensina ele em outro lugar, deve ser fechada,  e que ele tão rigidamente exclui (Tt 1.11); e de modo algum põe de lado a ordem que, em outro lugar, recomenda tão exaltadamente, na eleição de mestres, que sejam aptos para ensinar (1Tm 3.2). Como, porém, nunca se pode exercer tão grande diligência que às vezes não deva haver pessoas profetizando, que não sejam tão bem instruídas como deveriam ser, e que às vezes mestres bons e piedosos falham em acertar o alvo, ele exige moderação tal por parte dos fiéis que, não obstante, não se recusem a ouvir. Pois nada é mais perigoso do que aquele enfado, pelo qual todo o tipo de doutrina se torna fastidiosa para nós, enquanto não nos permitimos provar o que é certo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

“JULGAI TODAS AS COISAS” - Parte I

 

JULGAI TODAS AS COISAS” - Parte I

“Julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1Ts 5.21).

Como homens temerários e espíritos enganadores frequentemente fazem passar ninharias sob o nome de profecia, a profecia poderia se tornar, por este meio, suspeita ou mesmo odiosa, tal como muitos atualmente se sentem praticamente aborrecidos com o próprio nome de pregação, pois há tantas pessoas loucas e ignorantes que tagarelam do púlpito suas ideias indignas, enquanto também há outras que são pessoas ímpias balbuciando blasfêmias execráveis. Por isso, como, pelo erro de tais pessoas, poderia ser que a profecia fosse considerada com desprezo; mais ainda, mal lhe fosse concedido um lugar; Paulo exorta os tessalonicenses a julgarem todas as coisas, querendo dizer que, embora nem todos falem precisamente de acordo com a regra estabelecida, devemos formar um juízo, antes que qualquer doutrina seja condenada ou rejeitada.

Quanto a isto, existe um duplo erro que tende a ocorrer; pois há aqueles que, ou por terem sido enganados por uma falsa pretensão ao nome de Deus, ou por saberem que muitos são comumente enganados deste modo, rejeitam todo o tipo de doutrina indiscriminadamente; enquanto há outros que, por uma louca incredulidade, abraçam, sem distinção, tudo o que lhes é apresentado em nome de Deus. Estas duas atitudes são errôneas, pois os da primeira categoria, saturados de um preconceito presunçoso dessa natureza, impedem o caminho para que não façam progresso, enquanto os da outra classe temerariamente se expõem a todos os ventos de enganos (Ef 4.14). Paulo admoesta os tessalonicenses a conservarem o meio termo entre esses dois extremos, enquanto os proíbe de condenar qualquer coisa sem primeiro examiná-la; e, por outro lado, os admoesta a exercerem o discernimento, antes de receber o que possa ser apresentado como verdade indubitável. E, sem sombra de dúvida, este respeito, ao menos, deveria ser mostrado pelo nome de Deus – de que não desprezamos as profecias que se declaram ter procedido dele. Porém, assim como o exame ou a discriminação devem preceder à rejeição, assim também devem preceder à recepção da verdadeira e sã doutrina. Pois não convém que os que são piedosos mostrem tanta leviandade que indiscriminadamente agarrem o que é falso igualmente com o que é verdadeiro. Através disto inferimos que eles têm o espírito de discernimento, conferido a eles por Deus, para que possam discriminar, de modo que os embustes humanos não lhes sejam impostos. Pois, se não fossem dotados de discernimento, seria em vão que Paulo teria dito: Julgai, retende o que é bom. Se, porém, nos sentimos destituídos de poder para julgar corretamente, isto deve ser buscado por nós do mesmo Espírito, que fala pelos seus profetas.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

terça-feira, 25 de abril de 2023

“NÃO DESPREZEIS AS PROFECIAS”


“NÃO DESPREZEIS AS PROFECIAS”

Não desprezeis as profecias (1Ts 5.20). Esta sentença é apropriadamente acrescentada a "não apagueis o Espirito", pois, como o Espírito de Deus nos ilumina principalmente através da doutrina, aqueles que não dão ao ensino o seu devido lugar, até onde está neles, apagam o Espírito; pois devemos sempre considerar de que maneira ou por que meios Deus se propõe comunicar-se a nós. Portanto, que todo aquele que deseja fazer progresso sob a direção do Espírito Santo permita-se ser ensinado pelo ministério dos profetas.

Pelo termo profecia, contudo, não entendo o dom de predizer o futuro, mas, assim como em 1 Coríntios 14.3, a ciência de interpretar a Escritura, de modo que profeta é um intérprete da vontade de Deus. Pois Paulo, na passagem que mencionei, atribui aos profetas o ensino para edificação, exortação e consolação, e enumera, por assim dizer, essas áreas. Portanto, que a profecia nesta passagem seja entendida no sentido de interpretação apropriada para o uso presente. Paulo nos proíbe de desprezá-la, se não quisermos de vontade própria vagar na escuridão.

Contudo, a declaração é notável para a recomendação da pregação exterior. O devaneio dos fanáticos é de que são crianças aqueles que continuam a se empregar na leitura da Escritura, ou na escuta da palavra, como se ninguém fosse espiritual, a menos que desprezasse a doutrina. Portanto, eles orgulhosamente desprezam o ministério humano, sim, até a própria Escritura, a fim de poder alcançar o Espírito. Ademais, qualquer coisa que as ilusões de Satanás lhes sugere, eles presunçosamente apresentam como revelações secretas do Espírito. Tais são os libertinos, e outros raivosos desse tipo. E, quanto mais ignorante alguém for, tanto mais se incha de arrogância. Porém, aprendamos, pelo exemplo de Paulo, a associar o Espírito à voz dos homens, a qual não é nada mais do que seu instrumento.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

“NÃO APAGUEIS O ESPÍRITO”


“NÃO APAGUEIS O ESPÍRITO”

Não apagueis o Espírito (1Ts 5.19). 

Esta metáfora deriva-se do poder e natureza do Espírito; pois, como é o ofício próprio do Espírito iluminar o entendimento dos homens, e como ele é chamado por esta razão de nossa luz, é com propriedade que se diz que o apagamos, quando tornamos vã a sua graça. Há alguns que pensam que é dito nesta cláusula o mesmo que na seguinte. Por isso, de acordo com eles, apagar o Espírito é precisamente o mesmo que desprezar as profecias. Como, porém, o Espírito é apagado de diversas maneiras, faço uma distinção entre estas duas coisas – a de uma declaração geral, e outra particular. Pois, embora o desprezo pelas profecias seja um apagar do Espírito, também apagam o Espírito aqueles que, ao invés de aumentarem, tal como deveriam, cada vez mais, pelo progresso diário, as fagulhas que Deus acendeu neles, pela sua negligência tornam vãos os dons de Deus. Portanto, esta admoestação, quanto a não apagar o Espírito, possui um sentido mais extenso do que o da seguinte, quanto a não desprezar as profecias. O sentido da primeira é: “Sede iluminados pelo Espírito de Deus. Vede que não percais aquela luz pela vossa ingratidão”. Esta é uma admoestação muitíssimo útil, pois sabemos que aqueles que foram uma vez iluminados (Hb 6.4), quando rejeitam um dom tão precioso de Deus, ou, fechando os olhos, permitem-se ser arrebatados pela vaidade do mundo, são atingidos de terrível cegueira, não servindo de exemplo para outros. Portanto, devemos estar alerta contra a indolência, pela qual a luz de Deus é abafada em nós.

Contudo, aqueles que inferem a partir disto que está na escolha do homem apagar ou alimentar a luz que lhe é apresentada, assim diminuindo a eficácia da graça, e exaltando os poderes do livre arbítrio, raciocinam sobre falsas premissas. Pois, embora Deus opere eficazmente em seus eleitos, e não apenas lhes apresente a luz, mas os faça ver, abra os olhos do seu coração, e os mantenha abertos; contudo, como a carne está sempre inclinada à indolência, ela precisa ser despertada por exortações. Mas o que Deus manda pela boca de Paulo, Ele mesmo realiza interiormente. Ao mesmo tempo, nosso papel é pedir ao Senhor, para que ele abasteça com óleo as lâmpadas que acendeu, para que mantenha o pavio limpo, e ainda possa aumentá-lo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.