“CASA DA PAZ”
segunda-feira, 22 de janeiro de 2024
quinta-feira, 18 de janeiro de 2024
“O DEUS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”
“O DEUS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”
“Não cesso de
dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus
de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de
sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele” (Ef 1.16,17).
Para o
apóstolo Paulo apresentar sua ação de graças, como era seu costume, ele
adiciona uma oração, a fim de incitar os efésios a um progresso espiritual mais
elevado; pois nada é mais arriscado do que fartar-se de bênçãos espirituais. Por
mais que nossas virtudes sejam fortes, teremos sempre e cada vez mais que progredir no conhecimento de Deus.
O que, porém,
Paulo deseja para esses irmãos? O espírito de sabedoria e a iluminação dos
olhos de seu entendimento. Eles não haviam ainda tomado posse de tal bênção?
Sim. Ao mesmo tempo, porém, necessitavam de crescer, para que, uma vez
revestidos de uma medida mais rica do Espírito, e sendo mais e mais iluminados,
pudessem possuir mais livre e abundantemente o que já possuíam. O conhecimento
dos santos nunca é suficientemente puro, senão que alguns problemas turvam seus
olhos, e a obscuridade os impede a que vejam com clareza.
Diz Paulo: o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo.
Pois o Filho de Deus se fez homem, de tal maneira, que ele fez Deus comum
conosco. Como ele mesmo testificou: “Subo para meu Deus e vosso Deus” (Jo
20.17). E a razão pela qual ele é o nosso Deus, é porque ele é o Deus de
Cristo, cujos membros somos nós. Tenhamos, pois, em mente que isso pertence à
sua natureza humana de modo que sua sujeição não detrai nada de sua eterna
deidade.
Paulo denomina
Deus de o Pai da glória. Esse título
emerge do anterior; pois a gloriosa paternidade de Deus é demonstrada em seu
Filho sujeitar-se à nossa condição, para que, através do Filho, ele pudesse ser
nosso Deus. “O Pai da glória” é uma expressão idiomática hebraica bem
conhecida, equivalente a “o Pai glorioso”. Ele é o glorioso Pai de Cristo.
“O Espírito de sabedoria e de revelação”. Equivale a graça que o Senhor derramou sobre nós através de
seu Espírito. Observemos, porém, que os dons do Espírito não são os dotes da
natureza. Enquanto o Senhor não os abrir, os olhos de nosso coração são cegos. Enquanto
não formos instruídos pelo Espírito, nosso bendito Mestre, tudo o que conhecemos
não passa de futilidade e ignorância. Enquanto o Espírito de Deus não
descortinar diante de nós por meio de uma revelação secreta, o conhecimento de
nossa divina vocação não poderá ir além da compreensão de nossas mentes naturais.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
segunda-feira, 15 de janeiro de 2024
“SELADOS COM O SANTO ESPÍRITO DA PROMESSA”
“SELADOS COM O SANTO ESPÍRITO DA PROMESSA”
“Em quem
também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa
salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da
promessa” (Ef 1.13).
Temos neste
versículo uma prova da exatidão que Paulo atribuía ao evangelho. E por meio de
qual patrocinador seria ele melhor garantido do que pelo Espírito Santo? É como
se o apóstolo dissesse: “Havendo chamado o evangelho de Palavra da verdade, não
o demonstrarei pela autoridade humana; pois tendes o próprio Autor, o Espírito
de Deus, que sela a veracidade dele em vossos corações”. Essa excelente
comparação é extraída dos selos, por meio dos quais a dúvida é afastada de
entre os homens. Os selos imprimem autenticidade tanto aos alvarás como aos
testamentos. Além disso, o selo era especialmente usado nas epístolas, para identificar
o escritor. Em suma, um selo distingue o que é genuíno e indubitável do que é
inautêntico e fraudulento. Tal ofício Paulo atribui ao Espírito Santo, não só
aqui, mas também no capítulo 4.30 e em 2 Coríntios 1.22. Nossas mentes jamais
se fazem suficientemente firmes, de modo que a verdade prevaleça conosco contra
todas as tentações de Satanás, enquanto o Espírito Santo não nos confirme nela.
A genuína convicção que os crentes têm da Palavra de Deus, acerca de sua
própria salvação e de toda a religião, não emana das percepções da carne, ou de
argumentos humanos e filosóficos, e, sim, da selagem do Espírito, o que faz
suas consciências mais seguras e todas as dúvidas removidas. O fundamento da fé
seria quebradiço e instável, se porventura ela repousasse na sabedoria humana;
portanto, visto que a pregação é o instrumento da fé, por isso o Espírito Santo
torna a pregação eficaz.
Mas aqui, o
apóstolo aparece sujeitar à fé a selagem do Espírito. Se esse é o caso, então a
fé precede o ato de selar. Minha resposta consiste em que a ação do Espírito na
fé é dupla, correspondendo às duas partes principais das quais a fé consiste.
Ela ilumina o intelecto e também confirma o pensamento. O princípio da fé é o
conhecimento; sua consolidação é aquela convicção firme e estável, a qual não
admite a oposição da dúvida. Cada caso, como já disse, é obra do Espírito. Não
admira, pois, que Paulo declare que os efésios não só receberam, pela fé, a
verdade do evangelho, mas também foram confirmados nela através do selo do
Espírito Santo.
O apóstolo
Paulo denomina de Espírito da promessa, a partir de seu efeito. Pois é ele que
faz com que a promessa de salvação não nos seja feita em vão. Porque, assim
como Deus promete em sua Palavra que nos será por Pai, também por meio de seu
Espírito ele nos comunica a evidência de sua adoção.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“A PALAVRA DA VERDADE”
“A PALAVRA DA VERDADE”
“Em quem
também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa
salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da
promessa” (Ef 1.13).
O apóstolo Paulo
aplica ao evangelho duas qualificações: “a palavra da verdade” e o instrumento
da salvação dos efésios. Ambas merecem nossa cuidadosa atenção, porque, visto
que nada é mais solicitamente intentado por Satanás do que impregnar nossas
mentes, ou com dúvidas, ou com menosprezo pelo evangelho. Paulo nos mune de duas
defesas por meio das quais podemos repelir ambas as tentações. Portanto, é
preciso que demos este testemunho contra todas as dúvidas de que o evangelho
não é apenas certa verdade que não pode enganar, senão que é chamado, a
palavra da verdade; de modo que, estritamente falando, não existe nenhuma
verdade fora dele. Se porventura nos sentirmos sempre tentados a menosprezar ou
sentir aversão pelo evangelho, lembremo-nos de que o seu poder e eficácia estão
no fato de que é por meio dele que vem a salvação; assim como em Romanos 1.16, Paulo ensina que o evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que
crê”. Aqui, porém, ele expressa muito mais, pois declara que os efésios,
tendo sido feito participantes da salvação, perceberam isso através da
experiência. Infelizes são aqueles que se cansam, como o mundo geralmente faz,
perambulando por muitos caminhos tortuosos, negligenciando o evangelho e se
deleitando com imaginações errantes; aprendendo muito sem jamais chegar ao conhecimento da verdade ou jamais descobrindo a vida! Felizes, porém, são
aqueles que abraçam o evangelho e firmemente permanecem nele! Porque ele - o evangelho -, fora de qualquer dúvida, é a verdade, e a vida.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
“TORNAR A CONGREGAR EM CRISTO TODAS AS COISAS”
“TORNAR A CONGREGAR EM CRISTO TODAS AS COISAS”
“De tornar a
congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos,
tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (Ef 1.10).
O apóstolo Paulo
desejava ensinar que fora de Cristo todas as coisas estavam em desordem, mas
que, por meio de dele, elas foram reconduzidas à ordem. E, de fato, fora de Cristo,
o que podemos enxergar no mundo senão meras ruínas? Pelo pecado estamos
alienados de Deus; e o que fazer se somos forasteiros e alquebrados? A condição
natural das criaturas as leva a afastar-se de Deus. O restabelecer, que nos
lembra a ordem regular, nos diz Paulo, foi feito em Cristo. Moldados em um
corpo, somos unidos a Deus e mutuamente ligados uns aos outros. Sem Cristo,
porém, o mundo todo se encontra como era, ou seja, um caos disforme e em tremenda
confusão. Só ele nos converge em verdadeira unidade.
Mas, por que
Paulo inclui seres celestiais nesta avaliação? Os anjos jamais estiveram
separados de Deus, nem mesmo dispersos. Há quem ofereça a seguinte explicação:
Diz-se que os anjos têm de viver juntos porque os homens que se unem a eles são
unidos igualmente a Deus e alcançam a bênção comum juntamente com eles nesta
abençoada unidade. Assim como falamos de uma construção reparada, muitas
partes da mesma estavam em ruínas ou caindo, ainda que algumas partes
permaneciam inteiras. Isso é verdade. Não há, porém, razão alguma para não
dizermos que os anjos também foram mantidos juntos, não reunidos de uma
dispersão, senão que antes eles estavam unidos a Deus perfeita e completamente,
e então puderam conservar esse estado para sempre. Porquanto, que conformidade existe
entre a criatura e o Criador sem a interposição do Mediador? Pelo fato de serem
criaturas, eles estariam sujeitos a mudança e a queda, e não abençoados
eternamente, e nem tampouco poderiam dispensar os benefícios de Cristo. Quem,
pois, negaria que tanto os anjos como os homens foram restaurados a uma ordem
imutável pela graça de Cristo? Os homens se perderam; os anjos, porém, não ficaram
fora de perigo. Por meio da união de ambos em seu próprio Corpo, Cristo os uniu
a Deus o Pai, para que pudesse estabelecer uma autêntica harmonia, tanto no céu
como na terra.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
“EM TODA A SABEDORIA E PRUDÊNCIA”
“EM TODA A SABEDORIA E PRUDÊNCIA”
“Que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1.8-10)..
O apóstolo
Paulo agora traz a lume a causa formal,
ou seja: a pregação do evangelho, por meio da qual a bondade de Deus flui para
nós. Porque, por meio da fé, Cristo nos é comunicado, através de quem chegamos
a Deus, e através de quem usufruímos os benefícios da adoção. Ele dá ao
evangelho os magnificentes títulos de sabedoria e prudência, a fim de que os efésios
pudessem desprezar todas e quaisquer doutrinas contrárias. Os falsos apóstolos
cultivavam a pretensão de ensinar algo ainda mais sublime dos que os rudimentos
que Paulo transmitia. E o diabo, a fim de solapar nossa fé, tudo fazia para
desacreditar o evangelho até onde lhe fosse possível. Paulo, ao contrário,
solidifica a autoridade do evangelho, para que os crentes possam descansar nele
com segurança. “Toda a sabedoria” significa a plena ou perfeita sabedoria.
Visto que a
novidade assustara alguns, o apóstolo trata com o erro por bastante tempo, e
chama essa novidade de o segredo da
vontade divina, e, no entanto, um segredo que a Deus aprouve agora revelar.
Como anteriormente atribuíra a eleição deles ao beneplácito de Deus, assim
também agora faz com sua vocação, para que os efésios pudessem reconhecer que
Cristo tornou-lhes conhecido e lhes fez conhecido o evangelho que lhes fora anunciado,
não porque merecessem alguma coisa, mas porque a Deus aprouve fazê-lo.
Tudo fora
sábia e adequadamente planejado. O que pode ser mais justo do que seus
propósitos, os quais estão ocultos dos homens, e que são conhecidos somente de
Deus, enquanto ele queira guardá-los só para si mesmo? Ou, de outra forma,
estaria em sua própria vontade e poder predeterminar o tempo em que esses propósitos
seriam conhecidos aos homens? Portanto, o apóstolo Paulo está dizendo que o
decreto que se encontrava na mente de Deus, de adotar os gentios, esteve oculto
até agora; todavia, de maneira tal, que ele o mantivera em seu próprio poder
até ao tempo da revelação. No caso de alguém perguntar por que um tempo e não outro foi
selecionado, o apóstolo antecipa tal curiosidade, denominando o que fora designado
por Deus de “na plenitude dos tempos” - o tempo
pleno e apropriado, como temos em Gálatas 4.4. Que a presunção humana se
reprima, e, ao julgar a sucessão dos eventos, que ela se curve ante a
providência de Deus. A palavra “dispensação”
aponta na mesma direção, porquanto a perfeita administração de todas as coisas
depende do juízo divino.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
quarta-feira, 10 de janeiro de 2024
“EM QUEM TEMOS A REDENÇÃO, PELO SEU SANGUE”
“EM QUEM TEMOS A REDENÇÃO, PELO SEU SANGUE”
“Em quem temos
a redenção, pelo seu sangue, o perdão dos pecados, segundo as riquezas de sua
graça” (Ef 1.7).
Neste
versículo o apóstolo Paulo se refere ainda à causa material da nossa redenção, pois explica como fomos
reconciliados com Deus através de Cristo, como, por meio de sua morte, ele
apaziguou o Pai por nós. Portanto, é fundamental que voltemos sempre nossa mente
para o sangue de Cristo, se quisermos que nele encontremos graça. E diz ainda
que, pelo sangue de Cristo, obtemos a redenção, a qual ele imediatamente chama
de perdão dos pecados. Paulo está querendo dizer com isso que somos redimidos
porque os nossos pecados não nos são mais imputados. Daqui emana a justiça
gratuita pela qual somos aceitos por Deus, bem como somos libertados da escravidão
do mal e da morte. Precisamos observar cuidadosamente a oposição que define a
maneira da nossa redenção; porque, quanto mais permanecemos sujeitos ao juízo
de Deus, mais presos ficamos em miseráveis cadeias. Portanto, livrar-se da
culpa é, de fato, uma liberdade inestimável.
O apóstolo
volta à causa eficiente - segundo as riquezas de sua graça:
Cristo deu-se a si mesmo a fim de ser nosso Redentor, visto que Deus fora
riquíssimo em bondade ativa. E Paulo emprega a palavra “riquezas”, aqui, bem
como a palavra “superabundar”, para magnificar essa bondade, de modo que Deus
passa a plenificar a mente dos homens com suas maravilhas. Que a mente dos
homens esteja imersa na riqueza da graça que é aqui enaltecida! O apóstolo jamais
deixou espaço para as satisfações inventadas pelos homens, por meio das quais o
mundo acredita poder redimir-se, como se o sangue de Cristo fosse secar-se sem algum
auxílio subsidiário.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
terça-feira, 9 de janeiro de 2024
“BENDITO SEJA O DEUS E PAI DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”
“BENDITO SEJA O DEUS E PAI DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”
“Bendito seja o
Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com todas as
bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1.3).
Aqueles que reconhecem
em si mesmos uma efusão tal da bondade de Deus, tão plena e absolutamente
perfeita, e que se exercitam nela com fervorosa meditação, jamais abraçarão
novas doutrinas, as quais obscurecem a própria graça de Deus que sentem tão
poderosamente em seu interior. O propósito do apóstolo Paulo, ao afirmar a imensurabilidade
da graça divina para com os efésios, era prepará-los a fim de que não
permitissem que sua fé fosse abalada pelos falsos apóstolos, como se seu
chamamento fosse algo duvidoso, ou como se sua salvação devesse ser vista por
outro prisma. Ele lhes assegura, ao mesmo tempo, que a plena certeza da
salvação consiste no fato de que, através do evangelho, Deus revela, em Cristo,
seu amor para conosco. A fim de confirmar, porém, a questão mais plenamente,
ele chama sua atenção para a causa primeira, para a fonte, ou seja, a eterna
eleição divina, por meio da qual, antes que houvéssemos nascido, fomos adotados
como filhos. E isso para que soubessem eles [e nós!] que já estavam salvos, não
por meio de qualquer ocorrência fortuita ou prevista, mas por meio do eterno e
imutável decreto de Deus.
O verbo abençoar é aqui usado em mais de um
sentido, tanto em se referindo a Deus como em se referindo aos homens. Encontro
na Escritura uma quádrupla significação para ele. Abençoamos a Deus quando o
louvamos, declarando sua munificência. Diz-se, porém que Deus nos abençoa,
quando ele torna nossas atividades bem sucedidas, e em sua benevolência nos
concede felicidade e prosperidade; e a razão é que somos abençoados unicamente
em seu beneplácito. Notemos como Paulo expressa o grande poder que habita em
toda a Palavra de Deus para a Igreja e para cada crente individualmente. Os
homens abençoam uns aos outros através da oração. A bênção sacerdotal é mais do
que uma oração, visto ser ela um testemunho e garantia da bênção divina;
porquanto os sacerdotes receberam a incumbência de abençoar no Nome do Senhor.
Portanto, Paulo, aqui, abençoa [bendiz] a Deus como uma confissão de louvor,
porque Deus nos abençoou, ou seja, nos enriqueceu “com toda sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”,
expressando a superioridade da graça que nos é concedida através de Cristo; que
nossa felicidade não está neste mundo, e, sim, no céu e na vida eterna. A
religião cristã, sem dúvida, como vemos em 1Tm 4.8, contém promessas não só
referentes à vida futura, mas também com referência à vida presente, seu alvo,
porém, é a felicidade espiritual e eterna no reino de Cristo.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
quarta-feira, 3 de janeiro de 2024
“E NOS PREDESTINOU PARA FILHOS DE ADOÇÃO”
“E NOS PREDESTINOU PARA FILHOS DE ADOÇÃO”
“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si
mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua
graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” (Ef 1.5,6).
O que vem a seguir salienta ainda mais a sublimidade da graça divina. Já
mencionamos a razão por que o apóstolo inculcou tão energicamente nos efésios
Cristo e a adoção gratuita nele, bem como a eterna eleição que a precedeu. Como
a misericórdia de Deus, porém, em nenhum outro lugar é expressa de forma mais
sublime, esta passagem merece nossa especial atenção. Nesta cláusula são
mencionadas três causas de nossa salvação, e uma quarta é acrescentada logo a
seguir. A causa eficiente é o beneplácito da vontade de Deus;
a causa material é Cristo; e a causa final é
o louvor e glória de sua graça. Vejamos agora o que ele diz acerca de cada uma.
À primeira pertence todo este contexto: Deus nos predestinou nele mesmo,
segundo o beneplácito de sua vontade, para filhos de adoção, e nos fez aceitos por meio
de sua graça. No verbo predestinar devemos novamente atentar
para a ordem. Nem mesmo existíamos, portanto não existia nenhum mérito
propriamente nosso. Consequentemente, a causa de nossa salvação não procedeu de
nós mesmos, e, sim, tão somente de Deus. Paulo, todavia, ainda não satisfeito
com essas afirmações, acrescenta: para si mesmo. Com isso ele
está dizendo que Deus não buscou uma causa fora de si próprio, senão que nos
predestinou por que assim o quis.
O que se segue, porém, é ainda mais claro: segundo o beneplácito de sua vontade. A palavra “vontade” seria suficiente, pois o apóstolo estava acostumado a contrastá-la com todas as causas externas pelas quais o homem imagina que a mente de Deus é possível de receber influência. Todavia, para que não permaneça qualquer ambiguidade, ele usa o contraste “beneplácito”, o que expressamente exclui todo e qualquer mérito. Portanto, ao adotar-nos, o Senhor não levou em conta o que somos, e não nos reconciliou consigo mesmo com base em alguma dignidade que porventura tivéssemos. Seu único motivo é o beneplácito por meio do qual ele nos predestinou.
Finalmente, a fim de que nada mais ficasse faltando, ele acrescenta: “nos fez agradáveis a si”. Com isso ele nos afiança que Deus nos envolve graciosamente em seu amor e favor, não com base em retribuição meritória, senão que ele nos elegeu quando nem ainda tínhamos nascido, quando nada o motivara senão ele próprio.
A causa material, tanto da eleição eterna quanto do amor que
nos é agora revelado, é Cristo, a quem ele chama o Amado,
querendo dizer-nos que por meio dele o amor de Deus é sobre nós derramado.
Portanto, ele é o bem-amado para reconciliar-nos. O propósito mais elevado e
último é acrescentado imediatamente, a saber: o glorioso louvor de uma graça
infinitamente rica. Toda a glória de nossa
salvação deve ser atribuída única e exclusivamente a Deus.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
terça-feira, 2 de janeiro de 2024
“PARA SERMOS SANTOS E IRREPREENSÍVEIS”
“PARA SERMOS SANTOS E IRREPREENSÍVEIS”
“Assim como nos elegeu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos
santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Ef 1.4).
O apóstolo Paulo indica o propósito imediato da eleição,
não, porém, o principal. Pois não existe qualquer absurdo em supor-se que uma
coisa possua dois objetivos. O propósito em realizar uma construção é para que
haja uma casa. Esse é o alvo imediato. Mas a conveniência de se habitar nela é
o alvo último. Era necessário mencionar-se isso de passagem; pois Paulo de
imediato menciona outro alvo - a glória de Deus. Todavia, não há nenhuma
contradição aqui. A glória de Deus é a finalidade mais elevada, à qual a nossa
santificação está subordinada.
Desse fato inferimos que a santidade, a irrepreensibilidade, e assim toda e qualquer virtude que porventura exista no homem, são frutos da eleição. E assim uma vez mais Paulo expressamente põe de lado toda e qualquer consideração de mérito [humano]. Se Deus houvera previsto em nós tudo o que porventura fosse digno de eleição, então se diria precisamente o contrário. Pois a intenção de Paulo é que toda a nossa santidade e irrepreensibilidade de vida emanam da eleição divina. Como explicar, pois, que alguns homens são piedosos e vivem no temor do Senhor, enquanto que outros se entregam sem reservas a toda espécie de perversidade? Se Paulo merece credibilidade, a única razão é que os últimos conservam sua disposição natural, enquanto que os primeiros foram eleitos para a santidade. Certamente que a causa não segue o efeito, e, portanto, a eleição não depende da justiça que vem das obras, a qual Paulo declara aqui ser a causa.
“Perante ele; e em amor”. Santidade aos olhos de Deus, tem a ver com
consciência pura; pois Deus não é enganado, à semelhança dos homens, pela
pretensão externa; ele, porém, olha para a fé, ou seja, para a veracidade do
coração. Se você atribuir a Deus a palavra “amor”, então significa que a única
razão pela qual ele nos elegeu foi o seu amor pela humanidade. Prefiro, porém,
considerar o amor à luz da última parte do versículo, ou seja: que a perfeição
dos crentes consiste no amor; não que Deus requeira somente amor, mas que ele é
uma evidência do temor de Deus e da obediência a toda a lei.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).








