"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 12 de março de 2025

“QUE O VOSSO AMOR AUMENTE MAIS E MAIS”


“QUE O VOSSO AMOR AUMENTE MAIS E MAIS”

“E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo" (Fp 1.9,10).

O apóstolo Paulo volta à oração, mencionada rapidamente. Nesse sentido, ele declara a suma daquelas coisas que rogara a Deus em favor deles, para que também aprendessem a orar seguindo o seu exemplo, e para que aspirassem àqueles dons. Pois as verdadeiras conquistas dos cristãos são quando fazem progresso em conhecimento discernimento, e em seguida em amor. Porque, quanto maior for a competência que adquirirmos no conhecimento, tanto mais deve crescer nosso amor. Nesse caso, o significado seria: “Para que vosso amor aumente em conformidade com a medida do conhecimento”. Todo conhecimento significa o que é pleno e completo - não um conhecimento de todas as coisas.

Para aprovardes as coisas excelentes. Temos aqui uma definição de sabedoria cristã - conhecer o que é vantajoso e conveniente -, não torturar a mente com sutilezas vazias e com especulações. Pois o Senhor não deseja que seu povo crente se empregue futilmente em aprender o que é de proveito nenhum.

E serdes sinceros. Esta é a vantagem que derivamos do conhecimento: não que cada um possa habilmente levar em conta seus próprios interesses, mas sim que vivamos em consciência pura diante de Deus.

E inculpáveis. Crisóstomo explica o termo em um sentido ativo - que, visto que Paulo desejava que eles fossem puros e íntegros diante de Deus, assim agora deseja que eles vivam uma vida honrosa diante dos homens, para que não prejudiquem seus semelhantes mediante algum exemplo negativo. Não rejeito esta exposição; em minha opinião, contudo, a significação passiva se ajusta melhor ao contexto. Pois Paulo lhes deseja sabedoria com isto em vista: para que, com passos firmes, seguissem em frente em sua vocação até o Dia de Cristo; como, em contrapartida, ocorre através da ignorância que frequentemente resvalamos nossos pés, tropeçamos e recuamos. Cada um de nós sabe muito bem, pela própria experiência, que Satanás, de tempo em tempo, lança em nosso caminho pedras de tropeço, com vistas ou a deter totalmente nosso curso ou a obstruí-lo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

terça-feira, 11 de março de 2025

“QUER POR PRETEXTO, QUER POR VERDADE”


“QUER POR PRETEXTO, QUER POR VERDADE”

“Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei” (Fp 1.18).

Aqueles que realmente amam a Cristo reconhecem que lhes seria uma desgraça se não se associassem com o apóstolo Paulo, como seus companheiros, enquanto mantinham a causa do evangelho; e devemos agir da mesma maneira, procurando oferecer auxílio, até onde isso seja possível, aos servos de Cristo quando se veem em dificuldades. Observe novamente esta expressão - incumbidos da defesa do evangelho (v.16). Porque, visto que Cristo nos confere tão grande honra, que desculpa teríamos se fôssemos traidores de sua causa; ou, o que se poderá esperar se a trairmos por meio de nosso silêncio, senão que ele, por sua vez, abandonará nossa causa, ele que é nosso único Advogado, Patrono, junto ao Pai? [1Jo 2.1].

Visto que a disposição perversa daqueles de quem Paulo falava poderia diminuir a aceitação da doutrina, ele diz que isto deve ser tido como importante: que eles, não obstante, promoviam a causa do evangelho, não importa qual seja sua disposição. Pois Deus às vezes realiza uma obra admirável por meio de instrumentos perversos e depravados. Consequentemente, ele diz que se alegra com um resultado feliz dessa natureza; porque ele contendia por esta única coisa: ver o reino de Cristo se expandir; justamente como nós, ao ouvirmos o que aquele cão imundo, Petrus Carolus, espalhava a mão cheia as sementes da doutrina pura em Avignon e em outros lugares, demos graças a Deus por ele ter feito uso da mais libertina e indigna vilania para sua própria glória; e neste dia nos alegramos no fato de o evangelho avançar através de muitos que, apesar disso, têm outros propósitos em vista. Mas, ainda que Paulo se regozijasse no avanço do evangelho, contudo, embora tivesse o problema em mãos, ele nunca ordenou tais pessoas como ministros. Devemos, pois, regozijar-nos se Deus realiza algo que é bom pela instrumentalidade dos perversos; mas nem por isso devemos ou pôr tais pessoas no ministério, ou considerá-las como ministros legítimos de Cristo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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segunda-feira, 10 de março de 2025

“DAR-TE-EI AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS”


DAR-TE-EI AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS”

“Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 16.19).

O que devemos compreender quando lemos a promessa que nosso Senhor Jesus fez a Pedro: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus”? Teriam conferido a Pedro o direito de admitir almas no céu? Tal ideia é ilógica, porque esse ofício é uma prerrogativa especial do próprio Jesus Cristo (Ap 1.18). Será, então, que Pedro deveria ter a primazia ou superioridade sobre os demais apóstolos? Não há a menor prova que tal dignidade tivesse sido atribuída a essas palavras de Jesus, na época neo-testamentária; nem há prova de que Pedro tivesse qualquer autoridade ou dignidade superior aos demais apóstolos.

Parece-nos que o verdadeiro sentido dessa promessa feita por Cristo é que Pedro teria o privilégio especial de abrir, pela primeira vez, a porta da salvação tanto aos judeus como aos gentios. E isso cumpriu-se à risca quando ele anunciou o evangelho aos judeus, no dia de Pentecoste, e quando visitou o gentio Cornélio em sua casa (At 2.14-41; 10.1-48).

Em cada ocasião Pedro utilizou as “chaves” e abriu completamente a porta da fé. E, ao que tudo indica, Pedro tinha plena consciência disso, pois afirmou: “Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem” (At 15.7).

E mais, o que devemos entender quando lemos: “o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus”? Teria o apóstolo recebido algum poder de perdoar pecados e absolver os pecadores? Tal noção tão-somente deprecia o ofício especial de Jesus Cristo como nosso grande Sumo Sacerdote. Jamais encontramos Pedro, ou qualquer outro apóstolo, exercendo algum poder de perdoar pecados. Eles sempre encaminhavam as pessoas a Cristo, para o perdão.

O verdadeiro significado dessa promessa parece ser que Pedro e os demais apóstolos seriam especialmente comissionados para ensinar o caminho da salvação, com autoridade. Assim como os sacerdotes do Velho Testamento declaravam autoritativamente quem havia sido curado da lepra, também os apóstolos foram nomeados para declarar e pronunciar com autoridade, quem havia sido perdoado de seus pecados. Além disso, eles seriam especialmente inspirados para estabelecer regras e regulamentos para orientação da igreja. Algumas coisas deviam ser “ligadas”, ou proibidas, e outras deviam ser “desligadas”, ou permitidas. A decisão do concílio de Jerusalém, de que os gentios não precisavam ser circuncidados, foi um exemplo do exercício desse poder (At 15.19). Mas essa foi uma comissão especialmente restrita aos apóstolos. Eles não tiveram sucessores, essa tarefa começou e terminou com eles.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

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terça-feira, 4 de março de 2025

“TANTO O QUERER COMO O REALIZAR”


“TANTO O QUERER COMO O REALIZAR”

“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13).

Este é o verdadeiro mecanismo que lança por terra toda arrogância - é a espada que põe fim a todo orgulho, quando aprendemos que somos meramente nada, e nada podemos fazer, a não ser pela graça de Deus somente. Quero dizer a graça supernatural que procede do espírito de regeneração. Pois, considerados como meros homens, “só existimos, vivemos e nos movemos em Deus” [At 17.28]. Aqui, porém, Paulo raciocina quanto a um tipo de movimento diferente daquele universal. Observemos agora quanto ele atribui a Deus e quanto ele deixa para nós.

Há, em qualquer ação, dois departamentos principais - a inclinação e o poder de execução. Ele atribui totalmente a Deus ambos esses elementos; o que mais nos resta como base de vangloria? Nem mesmo há alguma razão para se duvidar de que esta divisão tem a mesma força como se Paulo expressasse tudo numa única palavra; pois a inclinação é a obra; a realização dela é o topo do edifício levado à completação. Ele, pois, disse muito mais do que se tivesse dito que Deus é o Autor do “começo” e do “fim”. Pois, nesse caso, os sofistas teriam alegado, astuciosamente, que o “meio” foi deixado aos homens. Mas como é possível que descubram aquilo que, em algum grau, cabe somente a nós [realizar]? Trabalham arduamente em suas escolas a fim de conciliar o livre-arbítrio com a graça de Deus - [livre-arbítrio], quero dizer, como o concebem - a ponto de poder surgir por força própria e que tem um poder peculiar e distinto pelo qual ele pode cooperar com a graça de Deus. Não rejeito o nome, e sim a coisa em si. Para que o livre--arbítrio se harmonize com a graça, eles os separam de tal maneira que Deus restaura em nós uma livre escolha, para que tenhamos em nosso próprio poder o querer corretamente. E assim eles reconhecem haver recebido de Deus o poder de querer corretamente, porém designam ao homem uma inclinação boa. Entretanto, Paulo declara que esta é uma obra de Deus, sem qualquer reserva. Pois ele não diz que nossos corações são simplesmente convertidos ou despertados, ou que a falta de firmeza de [alguém com] boa vontade é auxiliada, mas que uma inclinação positiva é uma obra inteiramente de Deus.

Ora, na calúnia que eles apresentam contra nós - de que enxergamos os homens como pedras quando ensinamos que nada possuem de bom, exceto o que procede da mais pura graça, agem de maneira despudorada. Pois reconhecemos que temos da natureza uma inclinação, porém, visto ser ela depravada em decorrência do pecado, ela só começa a ser boa quando é renovada por Deus. Tampouco dizemos que uma pessoa faz algo bom sem o querer, porém ele só faz isso quando sua inclinação é regulada pelo Espírito de Deus. Daí, no que diz respeito a este ponto, vemos que todo o louvor é atribuído a Deus, e que o que os sofistas nos ensinam é frívolo - que a graça nos é oferecida e posta, por assim dizer, em nosso meio para que a abracemos se a quisermos. Porque, se Deus não operasse em nós eficazmente, não se poderia dizer que ele produz em nós uma inclinação positiva ou boa. Quanto ao segundo departamento, devemos adotar o mesmo ponto de vista. “Deus”, diz ele, “é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar.” Portanto, ele leva à perfeição aquelas disposições piedosas que já implantou em nós, para que não sejamos improdutivos, segundo promete por meio de Ezequiel: “Para que andem em meus estatutos, e guardem minhas ordenanças e as cumpram; e eles serão meu povo e eu serei seu Deus” [Ez 11.20]. Disto inferimos que a perseverança também provém de seu dom gratuito.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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segunda-feira, 3 de março de 2025

“TORNANDO-SE EM SEMELHANÇA DE HOMENS”


“TORNANDO-SE EM SEMELHANÇA DE HOMENS”

“Antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.7,8).

Tornando-se em semelhança de homens. O apostolo Paulo quer dizer que Cristo foi reduzido ao nível do ser humano, de modo que não havia em sua aparência nada que diferisse da condição ordinária do gênero humano. Hereges perverteram esta declaração com o propósito de estabelecer o fantasma de seus sonhos.  No entanto, podem ser refutados sem grande dificuldade, visto que Paulo, aqui, está tratando simplesmente da maneira em que Cristo se manifestou, e da condição em que ele se tornou quando entrou no mundo. Se alguém é realmente homem, e não obstante foi tido como diferente dos outros, então que se conduza como se fosse isento da condição dos demais. O apóstolo Paulo declara que esse não foi o caso com Cristo, senão que ele viveu de tal maneira que era como se fosse nivelado ao gênero humano, e, contudo, era mui distinto de um mero  homem, embora fosse verdadeiro homem. Portanto, cuidado com os que mostram excessiva infantilidade ao extrair um argumento da similaridade de condição com o intuito de negar a realidade da natureza.

Achado, aqui, significa conhecido ou visto.  Porquanto Paulo trata, como já se observou, da avaliação. Em outros termos, como ele afirmou previamente que ele era realmente Deus, em igualdade com o Pai, assim ele, aqui, declara que foi considerado, por assim dizer, desprezível e na condição comum do gênero humano. Devemos ter sempre em vista o que eu disse pouco antes: que tal aviltamento foi voluntário.

Tornando-se obediente.  Mesmo isto constituiu profunda humildade - a de ser Senhor e vir a ser um servo; mas o apóstolo diz que ele foi mais que isso, porque, enquanto era não só imortal, mas ainda o Senhor da vida e da morte, não obstante veio a ser obediente a seu Pai, inclusive a ponto de suportar a morte. Isto constituiu o aviltamento extremo, especialmente quando nos conscientizamos do tipo de morte, o que ele imediatamente acresce, com vistas a agravá-lo. Porque, ao morrer desta maneira, ele não só foi coberto de ignomínia aos olhos de Deus, mas também foi amaldiçoado aos olhos de Deus. É certamente um modelo desse tipo de humildade que deve absorver a atenção de toda a humanidade; até que seja possível desdobrá-la em palavras, de forma adequada à sua dignidade.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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domingo, 2 de março de 2025

“A VIDA QUE CRISTO OFERECE”

“A VIDA QUE CRISTO OFERECE”

“Pois em ti está o manancial da vida; na tua luz, vemos a luz” (Sl 36.9).


“A vida que Cristo oferece

O mundo não pode lhe dar

É vida pro seu coração

É vida perfeita em amor

É vida aos pés do Senhor

É vida de Deus em você

É vida que nasce da morte

É vida que traz o perdão

É muito mais que uma religião

É Cristo vivendo em você”.

 (Comunidade S8).

Deus nos abençoe!

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

“NADA FAÇAIS POR PARTIDARISMO OU VANGLÓRIA”


“NADA FAÇAIS POR PARTIDARISMO OU VANGLÓRIA”

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3).

Nada façais por contenda ou vangloria. Estas são duas pestes mui danosas, a perturbar a paz da Igreja. Suscita-se contenda quando cada um se dispõe a manter com persistência sua opinião pessoal; e quando, uma vez tenha início, precipita tudo de ponta cabeça na mesma direção em que entrou. A vangloria assanha a mente dos homens, de modo que cada um se deleita com suas invenções pessoais. Daí, o único meio de guardar-se contra dissensões é que evitemos contendas, deliberando e agindo pacificamente, especialmente se não nos deixarmos afetar pela ambição. Pois a ambição é o meio de fomentar todo tipo de contendas. Vangloria significa qualquer exaltação da carne; pois que base de gloriar-se têm os homens dentro de si, senão a vaidade?

Mas por humildade. Para ambas as doenças o apóstolo Paulo receita um remédio - humildade -, e com boas razões, pois ela é a mãe da moderação, cujo efeito é a renúncia de nosso próprio direito, quando damos preferência a outras pessoas, e não nos deixamos facilmente alimentar a agitação. Ele fornece uma definição da verdadeira humildade - quando cada um se estima menos que aos demais. Ora, se algo em toda nossa vida é difícil, para outros pode ser pior. Daí não causar admiração se a humildade é uma virtude tão rara. Porque, como disse alguém, “Cada um tem em si a mente de um rei que reivindica tudo para si mesmo”. Veja bem, aqui temos o orgulho. Após acalentarmos a tola admiração de nós mesmos, vem à tona o desdém pelos irmãos. Até aqui partimos do que Paulo anexa, a saber: que alguém dificilmente pode suportar que outros estejam no mesmo nível com ele, pois não existe sequer um que não deseje superioridade.

Indaga-se, porém: como é possível que alguém, que na realidade se destacou dos demais, pode considerá-los como superiores se na verdade sabe que são bem inferiores? Respondo que isto depende totalmente de uma estima correta dos dons de Deus e nossas próprias fraquezas. Pois quem quer que se distinga por dotes excelentes deve ponderar consigo mesmo que eles não lhe foram conferidos para que seja autocomplacente e se exalte, ou mesmo que se mantenha em estima. Ao invés disso, que o mesmo se empregue em corrigir e detectar suas falhas, e então terá muita ocasião para cultivar a humildade. Em contrapartida, em outros ele considerará com honra tudo quanto haja de excelências, e por meio do amor manterá suas falhas no esquecimento. O homem que observar esta regra não sentirá dificuldade em preferir a outra pessoa antes que a si próprio. E isto também Paulo tinha em mente quando adicionou que não deviam levar em conta a si próprios, e sim seu semelhante, ou que não deviam devotar-se a si próprios. Daí ser bem provável que uma pessoa piedosa, mesmo quando seja cônscia de ser superior, não obstante pode manter os outros em maior estima.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

“LUTANDO JUNTOS PELA FÉ EVANGÉLICA”


“LUTANDO JUNTOS PELA FÉ EVANGÉLICA”

“Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica” (Fp 1.27).

Ao falar de uma conversação pura e honrosa, como sendo digna do evangelho, o apóstolo Paulo notifica, em contrapartida, que aqueles que vivem de outra maneira fazem injustiça ao evangelho.

“Se, quando eu for e vos vir, ou se, quando ausente, ouvir sobre vossa condição, de ambos os modos, receba a informação, que estais firmes num só espírito". Certamente, esta é uma das principais excelências da Igreja, e daí ser este um dos meios de preservá-la em um estado saudável, visto que ela se despedaça por causa de dissensões. Mas, embora Paulo estivesse, por meio deste antídoto, fazendo provisão contra doutrinas novas e estranhas, contudo ele requer uma dupla unidade - de espírito e de alma. A primeira é que tenhamos os mesmos pontos de vista; a segunda é que sejamos unidos no coração. Pois quando esses dois termos são enfeixados, espírito denota o entendimento, enquanto que alma denota a vontade. 

Lutando juntos pela fé evangélica. Este é o laço mais forte da concórdia, quanto temos de lutar juntos sob a mesma bandeira, pois esta tem sido frequentemente a ocasião de reconciliar mesmo os mais acirrados inimigos. Daí, a fim de poder confirmar ainda mais a unidade que existia entre os filipenses, Paulo chama sua atenção para que notem que são companheiros de guerra, que, tendo um inimigo comum e uma guerra comum, devem ter suas mentes unidas na mesma santa harmonia. A expressão de que ele faz uso, um antigo intérprete a traduz assim: Colaborando com a fé. Erasmo a traduz assim: Auxiliando a fé, como se significasse que corroboraram a ao máximo de sua força. Apesar disso, não tenho dúvida de que a intenção do apóstolo Paulo é esta: “Que a fé do evangelho vos una juntamente, mais especialmente porque é um arsenal contra um e o mesmo inimigo”. Que cada um saiba quão eficaz é um incentivo à concórdia, quando temos de manter um conflito juntos; e, mais, sabemos que, numa guerra espiritual, somos armados com o escudo da fé [Ef 6.16], para repelir o inimigo; mais ainda, a fé em Cristo é tanto nossa armadura quanto nossa vitória. Lembremo-nos, os perversos também conspiram juntos para o mal, mas seu acordo é execrável; portanto, lutemos com uma só mente sob a bandeira da fé.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Pr. JOSUÉ RODRIGUES (Voz e Violão)

Pr. JOSUÉ RODRIGUES (Voz e Violão).

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória” (Is 61.1-3).


Deus nos abençoe!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

“A NOSSA PÁTRIA ESTÁ NOS CÉUS”


“A NOSSA PÁTRIA ESTÁ NOS CÉUS”

O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.19,20).

A nossa pátria está nos céus. Esta afirmação transtorna todas as vãs exibições em que os pretensos ministros do evangelho costumam se vangloriar, e indiretamente denuncia todos os objetivos que tinham em vista, porque, ao se agitarem de um lado para o outro, não aspiravam ao céu. Pois o apóstolo Paulo ensina que não se deve reconhecer nada como possuindo algum valor exceto o reino espiritual de Deus, porque os crentes devem viver uma vida celestial neste mundo. “Eles pensam nas coisas terrenas; por isso é conveniente que nós, cuja convivência está no céu, vivamos separados deles”. É verdade que aqui nós estamos misturados aos incrédulos e hipócritas; mais ainda, a palha, no celeiro do Senhor, tem melhor aparência do que o trigo. Além disso, estamos expostos às costumeiras inconveniências desta vida terrena; precisamos ainda de comida e bebida e outras necessidades, mas devemos manter a convivência com o céu na mente e nos afetos. Pois, de um lado, devemos passar serenamente por esta vida; e, do outro, devemos estar mortos para o mundo para que Cristo viva em nós, e para que, por nossa vez, vivamos para ele. Esta passagem é uma fonte mui abundante de muitas exortações que podem ser detectadas com facilidade.

De onde também aguardamos o Salvador. Do relacionamento que temos com Cristo ele prova que nossa cidadania está vinculada ao céu, pois não é conveniente que os membros vivam separados de sua Cabeça. Consequentemente, como Cristo está no céu, para que estejamos unidos a ele se faz necessário que, em espírito, habitemos fora deste mundo. Além disso, “onde está nosso tesouro, aí também está nosso coração” [Mt 6.21].

Cristo, que é nossa bem-aventurança e glória, está no céu; que nossas almas, pois, habitem com ele nas alturas. É por isso mesmo que o apóstolo Paulo expressamente o chama de Salvador. Donde nos vem a salvação? Cristo nos virá do céu em sua função de Salvador. Daí, seria inconveniente que fôssemos apreendidos por esta terra. Esta qualificação, Salvador, se ajusta bem à conexão da passagem; pois relata-se que estamos no céu com respeito à nossa mente, ou, seja, que é tão-somente dessa fonte que a esperança da salvação nos emana. Como a vinda de Cristo será terrível para os perversos, assim ela desvia mais suas mentes do céu do que as atrai para lá. Porquanto bem sabem que ele lhes virá em sua função de Juiz, por isso se esquivam dele o máximo que podem. Destas palavras de Paulo as mentes piedosas derivam a mais doce consolação, como a instrui-los de que a vinda de Cristo deve ser desejada por eles, visto que ela lhes trará salvação. Em contrapartida, é um emblema seguro de incredulidade quando as pessoas tremem ante a mera menção dela. Examine-se o oitavo capítulo de Romanos. Entretanto, enquanto outros se deixam transportar por várias aspirações, Paulo deseja que os crentes vivam contentes unicamente com Cristo.

Ademais, desta passagem aprendemos que não se deve pensar em nada vil ou terreno como [se viesse] de Cristo, visto que Paulo nos convida a erguer os olhos para o céu a fim de O buscar. Ora, aqueles que arrazoam com sutileza dizendo que Cristo não está encerrado nem oculto em algum canto do céu, com vistas a provar que seu corpo está em toda parte, e enche céu e terra, deveras dizem algo mui verdadeiro, porém incompleto; pois como que, por temeridade e estultícia, remontam para além dos céus e designam a Cristo uma posição, ou trono, ou lugar de passeio, nesta ou naquela região, assim é uma tola e destrutiva demência arrastá-lo do céu por alguma consideração carnal, a ponto de buscá-lo na terra. Subamos, pois, com nossos corações, para que estejamos com o Senhor.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.