“QUE O VOSSO AMOR AUMENTE MAIS E MAIS”
“E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em
pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e
serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo" (Fp 1.9,10).
O apóstolo Paulo volta à oração, mencionada rapidamente. Nesse sentido,
ele declara a suma daquelas coisas que rogara a Deus em favor deles, para que
também aprendessem a orar seguindo o seu exemplo, e para que aspirassem àqueles
dons. Pois as verdadeiras conquistas dos cristãos são quando fazem progresso
em conhecimento e discernimento, e em seguida
em amor. Porque, quanto maior for a competência que
adquirirmos no conhecimento, tanto mais deve crescer
nosso amor. Nesse caso, o significado seria: “Para que vosso
amor aumente em conformidade com a medida do conhecimento”. Todo conhecimento
significa o que é pleno e completo - não um conhecimento de todas as coisas.
Para aprovardes as coisas excelentes. Temos aqui uma definição de sabedoria cristã -
conhecer o que é vantajoso e conveniente -, não torturar a mente com sutilezas
vazias e com especulações. Pois o Senhor não deseja que seu povo crente se
empregue futilmente em aprender o que é de proveito nenhum.
E serdes sinceros.
Esta é a vantagem que derivamos do conhecimento: não que cada
um possa habilmente levar em conta seus próprios interesses, mas sim que
vivamos em consciência pura diante de Deus.
E inculpáveis.
Crisóstomo explica o termo em um sentido ativo - que, visto
que Paulo desejava que eles fossem puros e íntegros diante de Deus, assim agora
deseja que eles vivam uma vida honrosa diante dos homens, para que não
prejudiquem seus semelhantes mediante algum exemplo negativo. Não rejeito esta
exposição; em minha opinião, contudo, a significação passiva se
ajusta melhor ao contexto. Pois Paulo lhes deseja sabedoria com isto em vista:
para que, com passos firmes, seguissem em frente em sua vocação até o
Dia de Cristo; como, em contrapartida, ocorre através da ignorância
que frequentemente resvalamos nossos pés, tropeçamos e recuamos. Cada um de nós
sabe muito bem, pela própria experiência, que Satanás, de tempo em tempo, lança
em nosso caminho pedras de tropeço, com vistas ou a deter totalmente nosso
curso ou a obstruí-lo.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
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