"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 28 de julho de 2016

Homens Ambiciosos

Homens Ambiciosos
“Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1.10).

Neste texto o apóstolo Paulo está falando, não do tema de sua pregação, mas do propósito de sua própria mente, o qual se preocupa com Deus antes que com os homens. O ensino também, é verdade, corresponde à disposição do mestre. Pois quando a corrupção da doutrina é um produto da ambição, da avareza ou de outros desejos depravados, então uma consciência honesta motiva a conservação da verdade pura. E assim o apóstolo afirma que sua doutrina é integra, uma vez que ela não se acomoda a homens. Homens ambiciosos, ou seja, aqueles que granjeiam o favor humano, não podem servir a Cristo. Paulo se dirige a si mesmo, em particular, quando diz que espontaneamente renunciara o favor dos homens a fim de permanecer firme ao lado de Cristo; e compara o estado anterior de sua vida com o presente. Paulo era tido na mais elevada estima, por toda parte recebia grandes aplausos. E por isso, caso quisesse agradar aos homens, não teria necessidade de mudar seu estado. Daqui podemos deduzir o ensino geral: aqueles que determinam servir a Cristo fielmente devem ousadamente desprezar o favor dos homens. A palavra homens, aqui, tem um sentido restrito. Porque os ministros de Cristo não devem se expor deliberadamente buscando ofender os homens. Mas há diferentes classes de homens. Aqueles a quem Cristo está agradando são homens a quem devemos envidar todo esforço para agradar em Cristo. Ao passo que, os que querem que a verdadeira doutrina ceda lugar aos seus propósitos pessoais, a esses em hipótese alguma devemos agradar. E os pastores piedosos e íntegros terão sempre que manter essa luta de desconsiderar as ofensas daqueles que querem desfrutar de vantagem em tudo. Pois a Igreja terá sempre em seu seio pessoas hipócritas e perversas, as quais preferem suas próprias cobiças à Palavra de Deus. E mesmo as pessoas boas, quer por alguma ignorância quer por alguma fraqueza, são às vezes tentadas pelo diabo a ficar iradas com as fiéis advertências de seu pastor. É nosso dever, pois, não ficar alarmados por quaisquer gêneros de ofensas, contanto, naturalmente, que não desviemos de Cristo nossas débeis mentes. 

*Epístola aos Gálatas, João Calvino, Editora Paracletos

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terça-feira, 26 de julho de 2016

Somente pela Fé em Cristo Jesus

Somente pela Fé em Cristo Jesus
“Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl 2.16).
Neste texto o apóstolo Paulo não quer simplesmente dizer que as cerimônias ou obras de alguma espécie são insuficientes sem o auxílio da fé, senão que rebate a negação dos oponentes com uma afirmação que denota exclusividade, como se dissesse: “Não pelas obras, mas unicamente pela fé em Cristo”. Do contrário, sua afirmação teria sido trivial e irrelevante. Pois os falsos apóstolos não rejeitavam a Cristo e nem a fé, senão que exigiam que as cerimônias fossem juntadas a Cristo e a fé. Tivesse o apóstolo Paulo admitido essa conjunção, e estariam eles perfeitamente de acordo, e assim não teriam necessidade de perturbar a Igreja com esse desagradável argumento. Portanto, que fique estabelecido que essa proposição denota exclusividade, ou seja: não somos justificados de alguma outra forma, senão pela fé, ou, o que vem a ser a mesma coisa, somos justificados unicamente por meio da fé. Daqui se faz evidente quão insensatos são atualmente nossos opositores, digladiando contra nós acerca do termo “somente”, como se o tivéssemos inventado. O apóstolo Paulo era completamente alheio à teologia dos que afirmam que uma pessoa é justificada mediante a fé, e todavia atribuem às obras uma parte da justiça. Paulo nada sabia de tal meia-justiça. Pois quando nos diz que somos justificados por meio da fé, visto não podermos ser justificados por meio das obras, ele toma por certo o que é verdadeiro, ou seja, que não podemos ser justificados através da justiça de Cristo, a menos que sejamos destituídos de nossa justiça pessoal. Enquanto a fé está sozinha, dissociada de qualquer outra graça, ela é o único instrumento da justificação, contudo nunca está sozinha na pessoa justificada, mas embora autêntica, é sempre acompanhada de todas as demais graças cristãs. “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” (Tg 2.14). Paulo e Tiago estão falando de coisas distintas. Tiago ensina que a fé que é sozinha – isto é, a fé morta – não justificará. Ele está argumentando contra cristãos nominais. Paulo usa o verbo “justificar” no sentido de justificação divina do pecador; cujo pré-requisito é a fé, e não as obras. Tiago usa o verbo “justificar” no sentido de prova verdadeira e real; sentido em que a fé é justificada ou provada ser verídica através das obras. Amém!
Pr. José Rodrigues Filho
*Gálatas, João Calvino – Edições Paracletos
*Confissão de Fé de Westminster Comentada, A.A.Hodge – Editora Os Puritanos

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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Pacíficos e Tranquilos

Pacíficos e Tranquilos
“E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado; para que andeis honestamente para com os que estão de fora, e não necessiteis de coisa alguma” (1Tes 4.11,12).

Ora, estar em paz significa, nesta passagem, agir pacificamente e sem inquietação, como também dizemos em francês: sans bruit (sem barulho). Em suma, o apóstolo Paulo os exorta a serem pacíficos e tranquilos. Este é o teor do que acrescenta logo após: tratar dos vossos próprios negócios; pois normalmente vemos que aqueles que se intrometem com precipitação nos negócios alheios causam grande inquietação, e aborrecimentos a si mesmos e a outros. Portanto, este é o melhor caminho para uma vida tranquila – quando cada um, aplicado aos deveres do seu próprio chamado, cumpre esses deveres que lhe são prescritos pelo Senhor, e se devota a tais coisas: enquanto o lavrador se emprega nas tarefas rurais, o operário exerce a sua ocupação, e deste modo cada um se mantém dentro dos seus próprios limites. Tão logo os homens se desviem disto, todas as coisas são lançadas em confusão e desordem. Contudo, ele não quer dizer que todos devem tratar de seus próprios negócios de tal modo que todos vivam separados, não se importando com os outros, mas apenas tem em vista corrigir uma leviandade inútil, que provoca tumultos barulhentos em público por meio de homens que deveriam levar uma vida sossegada em suas próprias casas. Trabalhar com vossas próprias mãos. Ele recomenda o trabalho manual por duas razões – para que eles pudessem ter uma suficiência de meios para o sustento da vida, e para que se conduzissem honrosamente inclusive diante dos incrédulos. Pois nada é mais inconveniente do que um homem ocioso e bom para nada, que não beneficia nem a si mesmo nem a outros, e parece ter nascido apenas para comer e beber. Além disso, este trabalho ou sistema de trabalho se estende mais ainda, pois o que ele diz quanto às mãos é uma sinédoque; mas não pode haver dúvida de que inclui toda a ocupação útil da vida humana. Medita nestas coisas!

*Comentários de 1Tessalonicenses, João Calvino

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terça-feira, 12 de julho de 2016

Justiça e Livre Graça

Justiça e Livre Graça
“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hb 10.14).

“Cristo, através de sua obediência e morte, quitou plenamente o débito de todos aqueles que são assim justificados, e fez uma justa, real e plena satisfação à justiça de seu Pai, em favor deles. Todavia, visto que lhes foi dado pelo Pai, e sua obediência e satisfação aceitas em lugar deles, e ambas gratuitamente, não por algo existente neles, sua justificação é tão-somente da livre graça; para que tanto a exata justiça quanto a rica graça de Deus fossem glorificadas na justificação dos pecadores” (CFW XI,§3). A primeira verdade aqui asseverada consiste em que Cristo, por Sua obediência e morte, pagou plenamente o débito daqueles que são justificados; e que Ele fez por eles uma justa, real e plena satisfação à justiça de Seu Pai. Em conexão com esta afirmação, a segunda verdade que é ensinada aqui consiste em que esta justificação é, no que tange à pessoa justificada, desde o princípio até o fim, uma estupenda manifestação da livre graça de Deus. O fato de a justiça de Cristo ser a base da justificação, e que sua justiça, em estrito rigor, satisfez plenamente todas as exigências da lei divina, em vez de ser inconsistente com a perfeita liberdade e graciosidade da justificação, acentua plenamente sua graça. A cruz de Cristo é o centro para o qual os mais intensos raios como os da divina graça e justiça se convergem, nos quais eles são perfeitamente reconciliados. Esse é o alcance máximo da justiça, e ao mesmo tempo e pela mesma razão o alcance máximo da graça que o universo poderia ver. A auto-apropriação da penalidade por parte do eterno Filho de Deus é a mais elevada vindicação concebível da absoluta inviolabilidade da justiça, e ao mesmo tempo a mais elevada expressão concebível do amor infinito. Em estrito rigor, a justiça é vindicada nos sofrimentos vicários da própria personalidade. A livre graça se manifesta: 1 - Na admissão de um sofredor vicário. 2 - No dom do Bem-amado Filho de Deus para tal serviço. 3 - Na eleição soberana das pessoas que seriam por Ele representados. 4 - Nas gloriosas recompensas que lhes adviriam sob a condição daquela representação. “Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo, porquanto, após ter dito: Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei, acrescenta: Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades, para sempre” (Hb 10.14-17). Medita nestas coisas!

* Confissão de Fé de Westminster Comentada, A.A.Hodge, Editora Os Puritanos

Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR
(41) 3023-5896
Pastor Efetivo: Rev. Luiz Eduardo Pugsley Ferreira
Pastor Auxiliar: Rev. José Rodrigues de Oliveira Filho

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Confirmados em Santidade

Confirmados em Santidade
“A fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos” (1Tes 3.13).  

O apóstolo Paulo emprega o termo coração neste versículo para se referir à consciência, ou a parte mais interior da alma; pois quer dizer que um homem é aceitável a Deus somente quando traz a santidade de coração (Hb 12.14). Aqui alguém poderia levantar a questão: Por meio da santidade podemos ficar de pé no tribunal de Deus, pois, nesse caso, qual é o propósito da remissão dos pecados?  O apóstolo Paulo não está excluindo a remissão dos pecados, através da qual ocorre que a nossa santidade, que de outro modo está misturada em muitas contaminações, é aceita aos olhos de Deus; pois a justificação mediante fé (Rm 5.1), pela qual Deus é apaziguado em relação a nós, perdoando as nossas faltas e isentando-nos de culpa, precede a santificação. Os justificados em Cristo Jesus estão isentos de culpa, foram adotados como filhos de Deus, santificados pelo Espírito e habilitados à vida cristã – em amor e pura santidade de coração que flui da fé. E quando ele diz: na vinda de nosso Senhor Jesus, ele está querendo dizer que a boa obra que o Senhor começou em nós há de ser dilatada e completada até ao Dia de Cristo Jesus (Fp 1.6), e quando diz: com todos os seus santos. Isso pode ser explicado de duas maneiras – ou como significando que os irmãos tessalonicenses, com todos os santos, sejam apresentados com a consciência limpa, com o coração confirmado em santidade na vinda de Cristo, ou que Cristo virá com todos os seus santos. Embora possamos adotar este segundo sentido, no que diz respeito à construção das palavras, ao mesmo tempo não tenhamos dúvida de que Paulo empregou o termo “com todos os seus santos” com o propósito de nos admoestar, pois fomos chamados por Cristo com esta finalidade, chegarmos na presença de Deus justificados, isentos de culpa, com nossos corações confirmados em santidade. “A fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos” (1Tes 3.13). Medita nestas coisas!

Rev. José Oliveira Filho

* Comentários de João Calvino, Epístola aos Tessalonicenses

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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Convicção Infalível da Salvação

Convicção Infalível da Salvação
“O próprio Espírito testifica como o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).

A convicção infalível da salvação está fundamentada, primeiro: na verdade divina das promessas de salvação; segundo: na evidência interna das graças às quais são feitas essas promessas; e terceiro: no testemunho do Espírito de adoção, testemunhando com o nosso espírito que somos filhos de Deus. “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos Aba, Pai. O próprio Espírito testifica como o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.15,16).

“Ainda que os hipócritas, bem como outras pessoas não regeneradas, inutilmente se enganem com falsas esperanças e carnal presunção de serem alvos do favor divino e estado de salvação, esperança que perecerá, contudo os que creem realmente no Senhor Jesus e o amam sinceramente, envidando todo esforço por andar em toda sã consciência diante dele, podem nesta vida estar plenamente certos de que estão em estado de graça e podem regozijar-se na esperança da glória de Deus, esperança esta que jamais os envergonhará” (CFW XVIII.§1).

Pode-se distinguir essa convicção legítima daquela vã e presunçosa confiança que é uma ilusão de satanás, distinção que pode ser notada pelas seguintes provas: 1) A verdadeira segurança gera humildade, sem fingimento; a falsa segurança gera orgulho espiritual (Gl 6.14); 2) A verdadeira conduz à crescente diligência na prática da santidade; a falsa conduz à indolência e a permissividade (Sl 51.13,14); 3) A verdadeira conduz ao sincero auto-exame e desejo de ser sondado e corrigido por Deus; a falsa conduz a uma disposição de se satisfazer com a aparência e de se evitar a acurada investigação (Sl 139.23,24); 4) A verdadeira conduz a perenes aspirações por mais íntima comunhão com Deus (1Jo 3.2,3). 

O Espírito Santo dá aos redimidos do Senhor, especialmente ao que se destaca por sua diligência e fidelidade a graça da iluminação espiritual, para que possua uma penetrante percepção em seu próprio caráter, para que julgue a real autenticidade de suas próprias graças, para que interprete corretamente as promessas e os caracteres aos quais se limitam nas Escrituras; de modo que, comparando o padrão externo com a experiência interna, extraia conclusões corretas e inquestionáveis. Amém!

Pr. José Rodrigues Filho

* Esboços de Teologia, A.A.Hodge, Editora PES
* Confissão de Fé de Westminster Comentada, A.A.Hodge, Editora Os Puritanos

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sábado, 18 de junho de 2016

Doutrina da Justificação

Doutrina da Justificação
“Bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras” (Rm 4.6).

Deus justifica todos aqueles, e somente aqueles, a quem eficazmente chama ou regenera por sua graça. “Aqueles a quem Deus eficazmente chama, também livremente justifica; não por infundir neles a justiça, mas por perdoar seus pecados e por considerar e aceitar suas pessoas como justas; não em razão de qualquer coisa neles operada ou neles feita, mas unicamente em consideração da obra de Cristo” (CFW XI § I). “Aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou” (Rm 8.30). A vocação eficaz e a justificação são ambas necessárias à salvação, e são ambas passos essenciais na execução divina de seu próprio decreto de eleição, imutável e infalivelmente eficaz. Só aqueles que verdadeiramente creem é que são justificados, e só aqueles que são justificados é que podem realmente crer. Deus, como Soberano, elegeu Seu povo escolhido e o deu a Seu Filho na aliança da graça, e como Soberano leva a efeito essa aliança quando, por imputação, faz da justiça de Cristo a justiça do Seu povo eleito. A justificação, porém, é um ato judicial de Deus pelo qual Ele declara que, em virtude dessa imputação soberana, a lei foi perfeitamente cumprida a nosso respeito. Isso envolve, 1º. perdão; 2º. restauração ao favor divino, como pessoas a cujo respeito serão cumpridas todas as promessas que têm como condição a obediência aos mandamentos da Lei. É um ato estritamente legal, posto que Deus nele admita e ponha em nossa conta uma justiça vicária, porque esta justiça vicária é exatamente aquilo que, em todos os aspectos, a Lei exige e pelo qual ela é cumprida. Quanto à sua natureza, essa justificação é um ato divino puramente judicial, tendo Deus como juiz, pelo qual Ele perdoa todos os pecados do crente, e o julga, e o aceita, e o trata como uma pessoa justa à luz da lei divina. “Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado” (Rm 4.7,8; Sl 32.1,2). Medita nestas coisas!

Rev. José Oliveira Filho

* Confissão de Fé de Westminster Comentada, A.A.Hodge - Editora Os Puritanos
* Esboços de Teologia, A.A.Hodge - Editora PES

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sexta-feira, 10 de junho de 2016

“Ao Mestre Com Carinho”

“Ao Mestre Com Carinho”
“Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48)

Amados irmãos, enquanto estamos neste mundo, em termos tão impróprios, sempre haverá algo em nós carecendo de aperfeiçoamento. Todos nós devemos caminhar em direção a Deus. Não são poucos os homens que nesta difícil jornada – podem recuar, se desviar, ou mesmo voltar atrás. É por isso que o apóstolo Paulo em sua carta aos Tessalonicenses manifesta um intenso desejo de vê-los pessoalmente e suprir o que falta à fé daqueles irmãos. “Pois que ações de graças podemos tributar a Deus no tocante a vós outros, por toda a alegria com que nos regozijamos por vossa causa, diante do nosso Deus, orando noite e dia, com o máximo empenho, para vos ver pessoalmente e reparar as deficiências da vossa fé?” (1Ts 3.9,10). A partir disto, inferimos que mesmo alguns homens ultrapassando em muito a outros ainda estão muito distantes do alvo que é a perfeição. “Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem [...] Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.43-48). Independentemente do progresso que possamos ter feito em nossa caminhada cristã, nunca devemos perder de vista as nossas deficiências para que não sejamos relutantes em mirar em algo mais além. Quão necessário é que prestemos com cuidadosa atenção ao que Deus diz em Sua Palavra. “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.11-13). Devemos ser gratos a Deus por nossos mestres, eles não foram designados meramente com vistas a guiar-nos no curso de um só dia ou mês, à fé de Cristo - o Mestre dos mestres, mas com o propósito de aperfeiçoar a fé que foi gerada em nós pelo Espírito Santo. Medita estas coisas!

*Comentários de ITessalonicenses, João Calvino.

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Vocação Eficaz

Vocação Eficaz
“E aos que predestinou, a esses também chamou” (Rm 8.30).

Ao afirmar a doutrina da graça eficaz, do chamamento irresistível ou vocação eficaz, o calvinista não quer dizer, com isso, que os eleitos de Deus não opõem nenhuma resistência à graça salvadora; nem que sejam convertidos à força, contra a vontade. O que a doutrina afirma é que a ação do Espírito Santo não poderá ser eficazmente resistida; isto é: Que os sujeitos dela, enquanto resistiram espontaneamente a todas as influências comuns do Espírito Santo que experimentaram antes da regeneração, são inteiramente passivos com respeito a esse ato especial do Espírito por quem são regenerados; não obstante, em consequência da mudança operada neles na regeneração, obedecem o chamado e subsequentemente, mais ou menos perfeitamente, cooperam com a graça. Quanto à natureza dela, ensina-se que ela é um exercício do poder infinito e eficaz do Espírito Santo agindo imediatamente na alma do sujeito, determinando-lhe e eficazmente atraindo-o, todavia de uma maneira perfeitamente consoante com sua natureza, de modo tal que ele vem mui livre e espontaneamente. Quanto ao efeito dela, ensina-se que opera uma mudança radical e permanente na totalidade da natureza moral do sujeito, iluminando espiritualmente sua mente, santificando suas inclinações, renovando sua vontade e dando uma nova diretriz à sua ação. Ou seja, o Espírito Santo agirá de tal modo que, sem violar a vontade humana, restaurará as suas faculdades espirituais corrompidas com a queda. Isso de tal modo que, restaurada sua visão espiritual, seu intelecto discirna a palavra da verdade e sua vontade seja persuadida pelo Espírito Santo de Deus, ele se arrependa, creia no evangelho, e a salvação que Cristo objetivamente adquiriu pra ele se efetive subjetivamente. “Todos aqueles a quem Deus predestinou para a vida, e somente esses, aprouve ele, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente, por sua Palavra e por seu Espírito, daquele estado de pecado e de morte, em que estão por natureza, à graça e salvação por meio de Jesus Cristo; iluminando suas mentes espiritual e salvificamente para entenderem as coisas de Deus; removendo seus corações de pedra e dando-lhes um coração de carne; renovando sua vontade e, por seu infinito poder, determinando-lhes o que é bom, e eficazmente atraindo-os a Jesus Cristo; mas de tal forma que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos por sua graça. Esta vocação eficaz provém unicamente da livre e especial graça de Deus e não de coisa alguma prevista no homem; nesta vocação ele é totalmente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito Santo, seja desse modo capacitado a responder a esta vocação e a abraçar a graça oferecida e comunicada nela” (CFW X §§1,2). Amém!

2Tm 1.9; Tt 2.4,5; Ef 2.4,5,8,9; Rm 9.11; 1Co 2.14; Rm 8.7; Ef 2.5; Jo 6.37; Ez 36.27; Jo 5.25.

* Calvinismo, As Antigas Doutrinas da Graça – Rev. Paulo Anglada, Editora Os Puritanos
* Confissão de Fé de Westminster Comentada – A.A.Hodge, Editora Os Puritanos

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Graça Eficaz

Graça Eficaz
“Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.5).

As antigas doutrinas da graça são um sistema lógico, coerente e harmônico. Os assim chamados pontos do calvinismo revelam como é possível a redenção eterna de pessoas totalmente depravadas em consequência do pecado original: O Pai elege incondicionalmente, o Filho redime objetivamente os eleitos, e o Espírito Santo aplica eficazmente a redenção ao coração daqueles por quem Cristo morreu. A doutrina calvinista da graça eficaz diz respeito à aplicação da obra da redenção ao coração dos eleitos de Deus. Se o homem em estado de pecado está totalmente corrompido em consequência da queda, e espiritualmente incapacitado para salvar-se, visto que “está morto em seus delitos e pecados” (Ef 2.1); se Deus escolheu soberanamente, antes da fundação do mundo, aqueles em quem manifestaria a Sua misericórdia, designando-os para a salvação; e se Cristo expiou de fato (objetivamente) o pecado dos eleitos, através da Sua vida, sacrifício e intercessão; então, segue-se, necessariamente, que esta graça salvadora, redentora e santificadora do Deus Triúno será eficazmente aplicada e os eleitos de Deus serão irresistivelmente chamados por ela para serem justificados, e glorificados. “Visto que Deus designou os eleitos para a glória, assim ele, pelo eterno e mui livre propósito de sua vontade, preordenou todos os meios para se alcançar esse propósito. Por conseguinte, aqueles que são eleitos, achando-se caídos em Adão, são redimidos por Cristo; são eficazmente chamados à fé em Cristo mediante seu Espírito que opera no devido tempo; são justificados, adotados, santificados e guardados por seu poder mediante a fé para a salvação. Nenhum outro é redimido, eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo por Cristo, senão unicamente os eleitos” (CFW III §6). A graça eficaz, sendo o real livramento de uma alma da morte do pecado pelo infinito poder de Deus, é obvio que deve ser aplicada a todos quantos serão salvos, e a qual não pode ser aplicada àqueles que não serão salvos. Esta é a lógica bíblica: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.28-30). Aleluia!

Rm 8.30; 11.7; Ef 1.10,11; 2Ts 2.13,14; 2Co 3.3,6; Rm 8.2; Ef 2.1-5; 2Tm 1.9,10; At 26.18; 1Co 2.19,12; Ef 1.17,18; Ez 36.26; Ez 11.19; Fp 2.13; Dt 30.6; Ez 36.27; Ef 1.19; Jo6.44,45; Ct 1.4; Sl 110.3; Jo 6.37; Rm 6.16-18.

* Calvinismo, As Antigas Doutrinas da Graça – Rev. Paulo Anglada, Editora Os Puritanos
* Confissão de Fé de Westminster Comentada – A.A.Hodge, Editora Os Puritanos

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