"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 23 de maio de 2019

Quem é Bem-aventurado?

Icoaraci - Belém(PA), 1981

Quem é Bem-aventurado?
(Mt 5.1-16).

Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e ele passou a ensiná-los, dizendo:

Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. 

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. 

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 

Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus. 

Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus. 

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 

Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. 

Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.

Amém!

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Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário
(41)3242-8375

terça-feira, 21 de maio de 2019

Um Novo Coração

Um Novo Coração

Cria em mim, ó Deus, um coração atento e obediente à única voz que deve ser obedecida, mesmo quando há muitas outras falando ao redor, sussurrando coisas agradáveis, com “boca mais macia que a manteiga, palavras mais brandas que o azeite; contudo, são espadas desembainhadas” (Sl 55.21).

Amém!

Pr. José Rodrigues Filho

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quinta-feira, 16 de maio de 2019

“Nunca Jamais te Abandonarei”


“Nunca Jamais te Abandonarei”
Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5).

O caminho de Deus para os seus filhos é de contentamento, não de insatisfação. O nosso Senhor sabe de tudo o que precisamos e jamais nos deixará desamparados. O incrédulo sente um desejo exagerado por dinheiro e posses demonstrando apego e confiança em bens materiais. O cristão verdadeiro não age assim. O seu consolo e a sua segurança estão firmados em Deus, em sua santa presença e provisão. “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio” (Hb 13.5,6).

Para uma sociedade materialista como a nossa o que mais importa é o quanto se consegue ganhar e acumular. Em contraste, o filho de Deus é desafiado a enfrentar as tentações deste mundo, a viver contente e confiante, testemunhando sua gratidão ao Deus de toda providência. Podemos afirmar, com o Pai celeste ao nosso lado temos o suficiente e não há nada o que temer. “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? [...] Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.25,32-34).

Devemos confiar mais em nosso Bom Pastor e nos expormos menos às tentações deste mundo. “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo 2.15-17). Amém!

Pr. José Rodrigues Filho

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quarta-feira, 8 de maio de 2019

Medo de Deus

Medo de Deus
“E chamou o SENHOR Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi” (Gn 3.9,10).

Por que os homens têm medo de Deus? Aqueles que são filhos de Deus, o temem e achegam-se a Ele. O homem que não conhece a Deus tem receio de que Deus possa causar-lhe algum dano. Aqueles que o conhecem têm receio de ofendê-Lo. A diferença é radical: um é inimigo, o outro é filho. O primeiro medo levou o homem para longe de Deus, o outro nos mantém próximo dEle. 

Por que os homens experimentam esse tipo de temor? Leia o capítulo 3 do livro de Gênesis. Ao fim do dia o homem está escondido. Por que ele se esconde? Porventura Deus havia mudado? Não. O homem se escondeu porque havia mudado – ele havia pecado. Eis porque os homens se escondem de Deus – por causa dos seus pecados. Eles estão temerosos de Deus e o medo faz com que continuem distantes dEle. O medo nasce do pecado e, então, a consciência torna-se paralisada e a vontade inabilitada para buscá-Lo. 

Deus deu a resposta àquele medo, na Cruz do Calvário. Através daquela Cruz Deus declara que o pecado foi tomado e levado cativo para longe. Deus afirma através da Cruz que, apesar dos homens terem medo dEle, Ele os ama com um amor que nunca poderá ser anunciado ou manifestado com palavras humanas. Ele anuncia pela Cruz que, há um custo infinito, um mistério impossível de ser medido por meios humanos. Portanto, não há nada que eu possa fazer além de olhar com fé para a face de Cristo Jesus, que é Senhor e Salvador, e dizer: Ele me amou e a si mesmo se deu por mim. 

É o grande fato da expiação. É o grande amor que nos salva (Jo 3.16). Naquela Cruz os nossos pecados foram apagados, ela é a garantia da nossa reconciliação com Deus. “E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis” (Cl1.21,22).

Aleluia!

George Campbell Morgan (1863-1945)

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segunda-feira, 22 de abril de 2019

A nobre declaração do Apóstolo Tomé

A nobre declaração do Apóstolo Tomé
“Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! (Jo 20.28).

Amados irmãos, a nobre exclamação proveniente dos lábios de Tomé, ao ficar convencido de que o Senhor realmente ressurgira dentre os mortos: “Senhor meu e Deus meu!”, admite apenas um significado. Era um evidente testemunho sobre a bendita divindade de nosso Senhor Jesus; uma incomparável e nítida afirmativa de que Tomé acreditava ser não apenas homem mas também Deus a Pessoa que ele havia tocado e visto naquele dia. Antes de tudo foi um testemunho que nosso Senhor recebeu, sem proibir, e uma declaração sobre a qual Ele não pronunciou qualquer palavra de censura. Quando Cornélio se prostrou diante de Pedro e quis adorá-lo, o apóstolo imediatamente recusou esta honra, “dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem” (At 20.26). Quando as pessoas de Listra quiseram oferecer sacrifícios ao apostolo Paulo e Barnabé, estes, “rasgando as vestes, saltaram para o meio da multidão, clamando: Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos” (At 14.14,15). Porém, quando Tomé declarou a Jesus: “Senhor meu e Deus meu!”, não recebeu qualquer palavra de reprovação da parte de nosso Senhor, que é santo e ama a verdade. Temos dúvida de que estas coisas foram escritas para nosso ensino?

Gravemos com firmeza em nossas mentes o fato de que a divindade de Cristo é uma das grandes verdades fundamentais do cristianismo; estejamos dispostos a morrer, ao invés de renunciá-la. Visto que o Senhor Jesus é o próprio Deus, existe um propósito para a expiação, a mediação, o sacerdócio e toda a obra da redenção realizada por Ele. Estas gloriosas doutrinas seriam blasfêmias inúteis, se Cristo não fosse divino. Devemos sempre louvar a Deus porque a divindade de nosso Senhor está ensinada em toda a Escritura e permanece com evidências que não podem ser desprezadas. Acima de tudo, precisamos com toda confiança fazer nossas almas descansarem diariamente em Cristo, como Aquele que é Deus e homem perfeito. Ele é homem, por conseguinte, é capaz de comover-se por sentir nossas fraquezas. Ele é Deus; “por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se achegam a Deus” (Hb 7.25). Não tem qualquer motivo de receio o crente que, pela fé, olha para Jesus e, assim como Tomé, afirma: “Senhor meu e Deus meu”. Possuindo um Salvador como Jesus, não precisamos ter medo de começar a genuína vida cristã, pois, com Ele, prosseguiremos ousadamente.

Aleluia!

J.C.Ryle (1816-1900)

*Meditações no Evangelho de João, Editora Fiel.

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O Apóstolo Tomé e o exercício da Fé

O Apóstolo Tomé e o exercício da Fé
“E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente” (Jo 20.27).

Amados irmãos, em nenhuma outra parte dos quatro evangelhos, encontramos este aspecto do caráter de nosso Senhor Jesus tão bem ilustrado quanto ao incidente agora relatado. Não podemos imaginar uma atitude tão provocante e desagradável quanto a de Tomé, quando nem mesmo o testemunho dos dez fiéis irmãos surtiu qualquer efeito e com pertinácia ele declarou: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei” (Jo 20.25). Porém, é difícil pensarmos em uma atitude mais compassiva e paciente do que a de nosso Senhor ao lidar com este frágil discípulo. Ele não o rejeitou, desprezou ou excomungou. Ao final da semana, Jesus aparece de novo e, em especial, para benefício de Tomé (Jo 20.26). O Senhor aborda-o de acordo com sua fragilidade, assim como um médico trata uma criança voluntariosa – “E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente” (Jo 20.27). Se nenhuma outra coisa o satisfaria, exceto a mais gritante e simples evidência física, esta lhe seria dada. Certamente esta foi uma demonstração do amor que excede todo entendimento e da paciência que ultrapassa qualquer compreensão.

Podemos ter certeza de que uma passagem como esta foi escrita para fornecer consolo a todos os verdadeiros crentes. O Espírito Santo sabia muito bem que o tipo mais comum de crente que existe neste mundo perverso são os fracos, apáticos e duvidosos. Ele cuidou de providenciar abundantes provas de que Jesus é riquíssimo em paciência e compaixão e de que suporta as fraquezas de seu povo. Esforcemo-nos para demonstrar a mesma atitude de nosso Senhor e seguir o seu exemplo. Jamais menosprezemos pessoas, considerando-as perdidas e sem a graça divina, porque o seu amor não é intenso e sua fé, inconsistente. Lembremo-nos de como Ele lidou com Tomé e sejamos compassivos e misericordiosos. Nosso Senhor tem muitos filhos deficientes em sua família, muitos soldados inexperientes em seu exército e muitas ovelhas mancas em seu rebanho. No entanto, Ele suporta todas elas e não as lança fora (Jo 6.37). Feliz é o crente que aprendeu a lidar de maneira semelhante com seus irmãos. Na igreja, existem muitos que, à semelhança de Tomé, são vagarosos no exercício da fé; mas, apesar disso, são verdadeiros servos de Cristo.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900)

*Meditações no Evangelho de João, Editora Fiel. 

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terça-feira, 9 de abril de 2019

A Glória de Cristo como Mediador: Sua Humilhação

A Glória de Cristo como Mediador: Sua Humilhação
Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz (Fp 2.5-8).

O pecado de Adão havia colocado uma distância tão grande entre a humanidade e Deus que toda a raça humana teria se perdido completamente a não ser que a pessoa ideal pudesse ser enviada para promover a paz entre Deus e nós, isto é, agir como mediador. Deus não podia agir desse modo e não havia na terra ninguém que pudesse fazer isso. “Não há entre nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos” (Jó 9.33). No entanto, uma paz perfeita entre Deus e os homens tinha que ser feita por um mediador, ou jamais haveria paz. Por isso o Senhor Jesus, o Filho de Deus, disse: “Sacrifício e oferta não quiseste; antes, um corpo me formaste [...] Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb 10.5-7). O apóstolo Paulo por sua vez nos diz: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5) e Cristo “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens” (Fp 2.7). Isto O torna glorioso aos olhos dos crentes, que devem procurar o mesmo tipo de humilhação para si mesmos.

Vamos observar três coisas:

1 – A grandeza de Sua humilhação. “Quem há semelhante ao SENHOR, nosso Deus, cujo trono está nas alturas, que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra?” (Sl 113.5,6). “Todas as nações são perante ele como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo” (Is 40.17). Há uma distância infinita entre Deus e Suas criaturas, e é puramente um ato de Sua graça tomar conhecimento das coisas terrenas. Cristo, como Deus, é completamente autossuficiente em Sua eterna bem-aventurança. Quão grande, então, é a glória da Sua própria humilhação ao assumir a nossa natureza para que Ele pudesse nos levar a Deus! Essa humilhação não Lhe foi imposta; Ele livremente a escolheu.

2 – A natureza especial da Sua humilhação. O Filho de Deus não cessou de ser igual a Deus quando Ele Se tornou homem. “Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus” (Fp 2.6). Os judeus queriam matá-Lo porque Ele disse que “...Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (Jo 5.18). Quando Ele tomou sobre Si a forma de um servo em nossa natureza, Ele Se tornou aquilo que nunca havia sido antes, mas não deixou de ser aquilo que sempre tinha sido em Sua natureza divina. Ele, que é Deus, não pode deixar de ser Deus. A glória da Sua natureza divina estava velada, de forma que aqueles que O viram não acreditaram que Ele era Deus. Suas mentes não podiam entender algo que eles nunca haviam conhecido antes, que uma e a mesma pessoa pudesse ser Deus e homem ao mesmo tempo. Todavia, aqueles que creem sabem que Ele, que é Deus, humilhou-Se ao assumir a nossa natureza, a fim de salvar a Igreja para a eterna glória de Deus. É verdade que o nosso Senhor Jesus Cristo é uma pedra de tropeço e uma rocha de ofensa para muitos hoje que, à semelhança de maometanos e judeus, pensam nEle apenas como um grande profeta. Mas, se retirarmos o fato de Ele ser Deus assim como homem, então toda a glória, verdade e poder do cristianismo também serão retirados.

Há três maneiras de pensar na verdadeira natureza de Sua divina humilhação:

I – Cristo, o eterno Filho de Deus, por meio de um ato indizível de Seu divino poder e amor, tomou sobre Si a nossa natureza humana e a fez Sua própria, assim como a Sua natureza divina Lhe pertencia.

II – Visto que Ele estava na terra, vivendo e sofrendo em nossa natureza, a glória de Sua divina pessoa ficou velada. “...aniquilou-se a si mesmo”.

III – Apesar de ter tomado a nossa natureza para Si próprio, Ele não a transformou em algo divino e espiritual, mas conservou-a inteiramente humana. De fato Ele agiu, sofreu, teve provações, foi tentado e abandonado como qualquer outro homem.

3 – A glória de Cristo em Sua humilhação. Mesmo se fôssemos anjos não poderíamos descrever a glória manifestada na divina sabedoria do Pai e no amor do Filho em Se humilhar, tornando-se homem. É um mistério, porque Deus é grande e Seus caminhos estão muito acima do entendimento de Suas criaturas. Entretanto, a glória da religião dos cristãos é que Aquele que era verdadeiramente Deus “aniquilou-se a si mesmo”, de forma que, comparado com outros, Ele podia dizer: “Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado do povo” (Sl 22.6). Acaso estamos sobrecarregados com o pecado? Estamos perplexos com as tentações? Apenas uma olhada para a glória de Cristo nos susterá e nos aliviará. Ele que Se esvaziou e Se humilhou em nosso favor, e nem por isso perdeu algo do Seu poder como Deus eterno, nos salvará de nossas angústias. Se não vemos nenhuma glória nisso, é porque não há conhecimento espiritual ou fé em nós. A glória de Cristo como mediador é o lugar de descanso onde o aflito pode descansar. “Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério” (Is 28.12).

Apelo a vocês, portanto, para meditarem, pela fé, na maravilha da dupla natureza de Cristo, com o propósito firme e prático. Como cristãos devemos estar prontos a negar a nós mesmos e a tomar a nossa cruz. Todavia, não podemos fazer isso sem levarmos em conta a própria negação de Si mesmo que foi praticada pelo Filho de Deus (Fp 2.5-8). O que são as coisas deste mundo, mesmo aqueles a quem amamos, e nossas próprias vidas, que logo terminarão, comparados com a glória de Cristo quando Ele veio ao mundo para “aniquilar-se a si mesmo”? Quando começamos a pensar nestas coisas, logo chegaremos a um ponto onde a razão humana fica para trás. Gostaria de ser levado a esse ponto todos os dias. Ao descobrirmos que o objeto no qual a nossa fé está alicerçada é por demais grande e glorioso para o nosso entendimento, então ficaremos cheios de santa admiração, humildade, adoração e ações de graças. 

Aleluia!

John Owen (1616-1683)

*Meditações sobre a Glória de Cristo, Editora PES.

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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Um apelo àqueles que ainda não são verdadeiros crentes em Cristo

Um apelo àqueles que ainda não são verdadeiros crentes em Cristo
Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hb 3.7,8).

Geralmente, nos Evangelhos quando há uma descrição da excelência de Cristo como Salvador, há também um convite aos pecadores para que venham a Cristo. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo 7.37).

Há diversas razões porque devemos considerar este convite:

1 – Muitos ouvem a palavra pregada, mas poucos são salvos. “Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 22.14). É a maior loucura do mundo deixar as considerações sobre o nosso estado eterno para algum tempo incerto no futuro que talvez nunca chegue.

2 – Não pensem que devido se confessarem ser cristãos, e desfrutarem das bênçãos externas do evangelho, vocês necessariamente já pertencem a Cristo. Vocês podem se comparar com outros e achar que são melhores que alguns deles. Mas, se confiarem naquilo que são para sua salvação, ou naquilo que fazem, então decepcionarão suas almas para sempre (Mt 3.9).

3 – A não ser que estejamos completamente convencidos de que, sem Cristo, estamos debaixo da maldição eterna de Deus, como os seus piores inimigos, nunca correremos para Ele para obter refúgio. Cristo não veio para “chamar justos, e sim pecadores ao arrependimento” (Mt 9.13). Assim, a nossa principal preocupação, se ainda não estamos salvos, deveria ser um sentido profundo da maldição e da condição perdida de nossas almas.

4 – Mas agora considerem o amor infinito de Cristo ao chamá-lo para vir a Ele e receber vida, perdão, graça, paz e salvação eterna. Há muitos encorajamentos dados nas Escrituras que servem bem aos perdidos, convictos pecadores. Jesus Cristo ainda Se apresenta diante dos pecadores chamando-os, convidando-os e encorajando-os para que venham a Ele. Através da pregação dos ministros cristãos, Cristo diz: “Por que vocês querem morrer? Por que não têm pena de suas almas? Venham a Mim e Eu removerei todos os seus pecados, lamentos, temores e pesos. Eu darei descanso às suas almas”. Considerem a grandeza do Seu perdão, graça e amor ao chamá-los tão sinceramente para virem a Ele. Não deixem que o veneno da incredulidade, que inevitavelmente leva à ruína eterna, faça com que desprezem este santo convite para vir a Cristo.

5 – Pensem com seriedade sobre o infinitamente sábio e gracioso Deus cujo propósito é que Seu perdão, amor, graça, bondade, retidão, sabedoria e poder pudessem estar em Cristo para a salvação de todos os que creem. Portanto todo aquele que vem a Cristo pela fé, está por esse ato honrando a Deus. Maior glória é dada a Deus mediante nossa vinda a Cristo pela fé, do que se pudéssemos guardar toda a lei. Não se decepcionem pensando que é de pouca importância se vocês vêm a Cristo ou não. A sua recusa em agir assim é um ato de ódio contra Deus tão grande quanto a sua natureza é capaz de cometer.

6 – Os incrédulos que não se arrependem, quando ouvem a pregação do evangelho, são as mais ingratas e más de todas as criaturas de Deus. Os próprios demônios, tão maus como são, não são culpados desse pecado, porque eles nunca tiveram a oportunidade de receber a salvação. “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb 2.3).

Alguém poderá dizer: “O que devem fazer os pecadores então?” Aceitem o conselho das Escrituras: “Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (Hb 3.7,8). “Eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da salvação” (2Co 6.2).

Medita estas coisas!

John Owen (1616-1683)

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sexta-feira, 29 de março de 2019

Vantagens de meditarmos na Glória de Cristo

Vantagens de meditarmos na Glória de Cristo
“Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo” (2Co 4.6).

Algumas vantagens que surgem de pensarmos constantemente na glória de Cristo pela fé.

1 – Seremos moldados por Deus para o céu. Muitos pensam que já estão suficientemente preparados para a glória, como se eles a pudessem alcançar. Mas não sabem o que isso significa. Não há o menor prazer na música para um surdo, nem em belas cores para um cego. Da mesma forma, o céu não seria um lugar de prazer para as pessoas que não tivessem sido preparadas para ele nesta vida pelo Espírito. O apóstolo dá “...graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz” (Cl 1.12). A vontade de Deus é que devemos conhecer as primícias da glória aqui e a sua plenitude no futuro. Porém, somos feitos capazes de receber o conhecimento dessa glória pela atividade espiritual da fé. O nosso conhecimento atual da glória é nossa preparação para a glória futura.

2 – Uma visão verdadeira da glória de Cristo tem o poder de mudar-nos até que nos tornemos semelhantes a Cristo (2Co 3.18).

3 – Uma meditação constante sobre a glória de Cristo dará descanso e satisfação às nossas almas. Trará paz às nossas almas que tantas vezes estão cheias de medos e pensamentos perturbadores. “Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz” (Rm 8.6). As coisas desta vida nada são quando comparadas com o grande valor e beleza de Cristo, como Paulo disse: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo” (Fp 3.8).

4 – O conhecimento da glória de Cristo é a fonte de nossa bem-aventurança eterna. Vendo-O como ele é, seremos feitos em semelhança a Ele. (Veja 1Ts 4.17; Jo 17.24; 1Jo 3.2).

Deus é tão grandioso que não podemos vê-Lo com os nossos olhos naturais, e mesmo quando estivermos no céu, não poderemos entender todas as coisas sobre Ele, porque Ele é infinito. A visão abençoada que teremos lá de Deus, sempre será “na face de Cristo” (2Co 4.6) e isto será o suficiente para nos encher de paz e uma sensação de descanso e glória.

No entanto, mesmo nesta vida os verdadeiros crentes às vezes têm um antegozo da bem-aventurança proveniente de conhecer a Cristo. As Escrituras e o Espírito Santo lhes apresentam a glória de Deus, que brilha em Cristo, de tal forma que enche suas vidas com indescritível alegria e paz. Estas experiências não são frequentes, mas isso é devido ao nosso estado doentio e falta de luz espiritual. A glória resplandeceria em nossas almas com maior frequência se fôssemos diligentes em nossas responsabilidades de meditar na glória de Cristo.

Deus nos abençoe!

John Owen (1616-1683)

*Meditações sobre a Glória de Cristo, Editora PES.

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“Para que vejam a Minha Glória”

“Para que vejam a Minha Glória”
“Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17.24).

O sumo sacerdote do Velho Testamento, após fazer os sacrifícios que eram exigidos, no dia da expiação, entrava no lugar santo com as suas mão cheias de incenso perfumado que ele colocava no fogo diante do Senhor. Da mesma forma, o grande Sumo Sacerdote da Igreja, o nosso Senhor Jesus Cristo, tendo Se sacrificado pelos nossos pecados, entrou no céu com o doce perfume de Suas orações pelo Seu povo. O Seu eterno desejo para a salvação do Seu povo é expresso no versículo em destaque acima: “Para que vejam a minha glória”. José pediu a seus irmãos que contassem a seu pai sobre toda a sua glória no Egito (Gn 45.13), não para dar uma amostra ostensiva daquela glória, mas para dar a seu pai a alegria de conhecer a sua alta posição naquela terra. Da mesma forma, Cristo desejava que Seus discípulos vissem a Sua glória para que pudessem estar satisfeitos e usufruir a plenitude de Suas bênçãos para todo o sempre.

Uma vez tendo conhecido o amor de Cristo, o coração do crente estará sempre insatisfeito até que a glória de Cristo seja vista. O clímax das petições que Cristo faz a favor dos Seus discípulos é que possam contemplar a Sua glória. É por isso que eu afirmo que um dos maiores benefícios para um crente neste mundo e no porvir é considerar a glória de Cristo.

Desde que o nome do cristão é conhecido no mundo, não tem havido tanta oposição direta à singularidade e glória de Cristo como nos dias atuais. É o dever de todos aqueles que amam o Senhor Jesus de testificar, conforme suas habilidades, da Sua singularidade e glória.

Eu gostaria, portanto, de fortalecer a fé dos verdadeiros crentes ao mostrar que ver a glória de Cristo é uma das maiores experiências e privilégios possíveis neste mundo ou no outro. “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co 3.18). Na eternidade seremos como Ele, porque O veremos como ele é (veja 1Jo 3.2).

Este conhecimento de Cristo é a vida contínua e a recompensa de nossas almas. Aquele que tem visto a Cristo também tem visto o Pai; a luz do conhecimento da glória de Deus é vista apenas na face de Jesus Cristo (Jo 14.9; 2Co 4.6).

Há duas maneiras de ver a glória de Cristo mediante a fé, neste mundo, e, por meio da fé, no céu eternamente. É à segunda maneira que se refere principalmente na oração sacerdotal de Cristo – que os Seus discípulos possam estar onde Ele está, para contemplar a Sua glória, Mas a visão da Sua glória pela fé, neste mundo, também está incluída e eu dou as seguintes razões por enfatizar isso:

1 – Nenhum homem jamais verá a glória de Cristo no futuro se ele não tiver alguma visão dela, pela fé, no presente. Devemos estar preparados pela graça para a glória, e pela fé para a visão. Algumas pessoas, que não tem fé verdadeira, imaginam que verão a glória de Cristo no céu; porém estão apenas se iludindo. Os apóstolos viram a Sua glória, “e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e verdade” (Jo 1.14). Essa não era uma glória deste mundo como a dos reis. Apesar de ter criado todas as coisas, Cristo não tinha onde reclinar a Sua cabeça. Não havia glória ou beleza incomum em Sua aparência como homem. A Sua face e Suas formas se tornaram mais desfiguradas que as de qualquer outro homem. (veja Is 52.14; 53.2). Não era possível ser vista neste mundo a glória total de Sua natureza divina. Como então os apóstolos viram a Sua glória? Foi pela compreensão espiritual da fé. Quando eles viram como Ele era cheio de graça e verdade e o que Ele fazia e como falava, eles “o receberam e creram no seu nome” (Jo 1.12). Aqueles que não tinham essa fé não viram nenhuma glória em Cristo.

2 – A glória de Cristo está muito além do alcance de nossa presente compreensão humana. Não podemos olhar diretamente para o sol sem ficarmos cegos. Semelhantemente, com os nossos olhos naturais não podemos ter nenhuma visão verdadeira da glória de Cristo no céu; ela apenas pode ser conhecida pela fé.

Aqueles que falam ou escrevem sobre a imortalidade da alma, sem ter conhecimento de uma vida de fé, não podem ter convicção daquilo que dizem. Há também aqueles que usam imagens, quadros e músicas em uma tentativa inútil de ajudá-los a adorar algo que eles imaginam ser como a glória de Cristo. Isso, porque não têm uma verdadeira compreensão espiritual da glória de Cristo. O entendimento que vem apenas através da fé é que nos dará uma ideia verdadeira da glória de Cristo e criará um desejo para um completo desfrute dela.

3 – Entretanto, se quisermos ter uma fé mais ativa e um maior amor para com Cristo, que deem descanso e satisfação às nossas almas, precisamos ter um maior desejo de compreender melhor a Sua glória nesta vida. Isto significará que cada vez mais as coisas deste mundo terão menor atração para nós até que se tornem indesejáveis como algo morto. Não deveríamos procurar por nada no céu a não ser pelas coisas de que já temos alguma experiência nesta vida. Se estivéssemos totalmente convencidos disso estaríamos pensando mais nas coisas celestiais do que normalmente estamos.

Amém!

John Owen (1616-1683)

*Meditações sobre a Glória de Cristo, Editora PES.

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