"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



sábado, 19 de outubro de 2019

O Amor é Humilde

O Amor é Humilde
O amor “não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente” (1Co 13.4,5).

Nas palavras do texto, podemos observar que o amor cristão é expresso como o oposto não só do comportamento soberbo, mas de uma atitude soberba, ou o orgulho no coração, porquanto o amor “não se ensoberbece”. Eis a doutrina que nos é ensinada, nestas palavras: - 

Que a caridade, ou amor cristão, é humilde.

O que é humildade? A humildade pode ser definida como sendo o hábito da mente e do coração que corresponde à nossa indignidade e vileza em comparação com Deus, ou o senso de nossa própria insignificância aos olhos de Deus, com a disposição para um comportamento correspondente à humildade. Ela consiste em parte no senso ou estima que temos de nós mesmos; e, em parte, na disposição que temos para um comportamento correspondente a este senso ou estima. E o primeiro elemento na humildade é: - 

O senso de nossa própria insignificância comparativa. Digo insignificância comparativa por que a humildade é uma graça peculiar aos seres que são gloriosos e excelentes em todos os seus muitos aspectos. Assim os santos e anjos no céu, suplantam em humildade; e esta é peculiar a eles e adequada neles, ainda que sejam seres puros, impolutos e gloriosos, perfeitos em santidade e excelentes na mente e força. Mas, ainda que sejam assim gloriosos, contudo possuem uma insignificância comparativa diante de Deus, e disto são sensíveis, pois lemos que, aquele diante de quem devemos nos humilhar, contempla as coisas que estão no céu (Sl 113.5,6). Assim o homem Jesus Cristo, que é o mais excelente e glorioso de todas as criaturas, no entanto é manso e humilde de coração, e em humildade suplanta todos os demais seres. A humildade é uma das excelências de Cristo, porque ele é não somente Deus, mas também homem, e, como homem, ele era humilde; pois humildade não é, e não pode ser, um atributo da natureza divina. A natureza de Deus é de fato infinitamente oposta ao orgulho, e contudo a humildade não pode ser, propriamente, um predicado dele; pois, se o fosse, isto implicaria imperfeição, o que é impossível em Deus. Deus, que é infinito em excelência e glória, e infinitamente acima de todas as coisas, não pode ter em si qualquer consciência de insignificância, e portanto não pode ser humilde. Humildade, porém, é uma excelência peculiar a todos os seres inteligentes criados, pois todos eles são infinitamente pequenos e insignificantes diante de Deus, e a maioria é de alguma maneira insignificante e inferior em comparação com alguns de seus semelhantes. Humildade implica compromisso com aquela norma do apóstolo (Rm 12.3), a saber, que não devemos pensar de nós mesmos mais do que convém pensarmos, mas que pensemos de nós mesmos sobriamente, segundo Deus trata de cada um, na medida não só da fé, mas também das demais coisas. E esta humildade, como uma virtude nos homens, implica o senso de sua própria insignificância comparativa, tanto quando compara com Deus, como quando comparada com seus semelhantes.

Jonathan Edwards (1703-1758).

*A Caridade e seus Frutos, Editora Fiel.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
(41)3242-1115

Repelindo o espírito Invejoso

Repelindo o espírito Invejoso
“O amor não arde em ciúmes” (1Co 13.4).

Tão contrário é o espírito de inveja ao espírito cristão – em si mesmo tão nocivo -, e tão prejudicial às pessoas, que deve ser vetado e repelido por todos, especialmente por aqueles que professam ser cristãos. 

Atente para o que escreveu o apóstolo Tiago: “Quem entre vós é sábio e entendido? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada, e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto, antes é terrena, animal e demoníaca. Pois onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3.13-16). 

A inveja é o exato oposto do ambiente do céu, onde todos se regozijam na felicidade dos outros; e é o exato ambiente do próprio inferno – que é em extremo odioso – e um que se alimenta da ruína da prosperidade e felicidade de outras pessoas; por isso mesmo há quem compare as pessoas invejosas a larvas, cujo maior deleite é devorar as árvores e plantas já floridas. E como uma disposição invejosa é em si mesma mui odiosa, assim é em extremo desconfortável e inquietante ao seu possuidor. Como essa é a disposição do diabo e dos que partilham de sua semelhança, assim é a disposição do inferno e dos que partilham de sua miséria. 

Portanto, que a consideração da insensatez, da vileza, da infâmia de uma atitude tão perversa nos cause aversão e rejeite suas desculpas, e ardentemente busquemos uma atitude de amor cristão, aquele excelente sentimento do amor divino que nos guiará sempre à alegria pelo bem estar dos outros, e que encherá de felicidade nossos próprios corações. Este amor “procede de Deus” (1Jo 4.7); e aquele que permanece nele, “permanece em Deus, e Deus nele (1Jo.4.16).

Jonathan Edwards (1703-1758).

*A Caridade e seus Frutos, Editora Fiel.

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terça-feira, 15 de outubro de 2019

O Amor é incompatível com a Inveja

O Amor é incompatível com a Inveja
“O amor não arde em ciúmes” (1Co 13.4).

O ensino destas palavras é claramente este: Que a caridade, ou o amor realmente cristão, é o exato oposto da conduta invejosa. Ao insistir nesse pensamento, gostaria de mostrar qual é a natureza de uma atitude invejosa.

A inveja pode ser definida como sendo a insatisfação com e oposição à prosperidade e felicidade de alguém, quando comparadas com as nossas. A coisa que a pessoa invejosa se opõe e desagrada é a superioridade, em comparação, do estado de honra, ou prosperidade, ou felicidade, que alguém desfruta ou que possui. Este sentimento é especialmente chamado de inveja, quando nos opomos e nos causa desgosto a honra ou prosperidade alheia, porque, em geral, ou ela é maior que a nossa, ou porque, em particular, nosso semelhante possui honra ou usufruto do que não possuímos. É uma disposição natural nos homens, que eles amem ser supremos; e esta disposição é frustrada quando percebem outros acima deles. É em virtude deste sentimento que os homens se desgostam e se opõem à prosperidade alheia, porquanto concluem que ela torna aqueles que a possuem superiores, em algum aspecto, a eles próprios. Com muita frequência sucede aos homens que não conseguem suportar um rival, caso este lhe seja superior, pois amam ser singulares e únicos em sua eminência e sucesso. 

Lemos que os irmãos de José o invejaram, quando o ouviram falar de seus sonhos, acrescentado que seus pais e irmãos ainda se encurvariam diante dele, e que ele ainda teria poder sobre eles (Gn 37.3-11). Impelidas por esse sentimento, as pessoas se sentem não somente insatisfeitas com o fato de que outros estejam acima delas, ou sejam iguais a elas, mas inclusive estejam junto delas; pois o desejo de serem distinguidas em prosperidade e honra é mais gratificado à medida em que são elevadas e os demais estejam abaixo delas, de modo que sua eminência comparativa seja marcante e visível a todos.

Jonathan Edwards (1703-1758).

*A Caridade e seus Frutos, Editora Fiel.

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Reformadores

Reformadores
“Ao vencedor..., eu lhe darei autoridade sobre as nações” (Ap 2.26).

Século XVI, irrompe uma nova onda de protestos na Igreja Católica culminando na Reforma Protestante. Desse período destacamos três reformadores, homens iluminados pelo Espírito Santo, comprometidos com a Palavra de Deus.

Martinho Lutero (1483-1546). Monge agostiniano germânico, professor de teologia, escritor, tradutor da Bíblia e defensor da fé. Em 31 de outubro de 1517, afixou na porta da capela de Wittemberg “95 Teses” com o propósito de discutir e esclarecer questões sobre penitência, purgatório, indulgências e salvação pela fé. Este ato marcou o início da Reforma Protestante. “Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor”. “O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus”. (Teses 52ª e 62ª).

João Calvino (1509-1564). Teólogo cristão francês, pastor, professor e escritor. É reconhecidamente personagem fundamental no processo de solidificação da Reforma Protestante. Escreveu a Instituição da Religião Cristã e comentou quase todos os livros da Bíblia. Seu sistema de doutrina na fé reformada ficou conhecido como Calvinismo. Nas Institutas, livro I, lemos o seguinte: “A doutrina da fé só está estabelecida quando estamos persuadidos de que, indubitavelmente, Deus é seu Autor. A principal prova da Escritura é que nela Deus fala pessoalmente”.

John Knox (1513-1572). Sacerdote católico escocês ordenado em 1530, fundador e organizador da Igreja Presbiteriana na Escócia. Foi o maior responsável pelas mudanças na igreja e nação escocesa no período da Reforma. As repercussões do movimento calvinista trouxeram uma completa transformação na religião, nas práticas litúrgicas e na adoração, criando uma igreja que se tornou orgulho nacional. Knox defendeu que, “assim como Deus em sua natureza é imutável, assim também o seu amor para com os seus eleitos permanece sempre imutável, pois assim como em Cristo Ele escolheu a sua Igreja antes do princípio de todas as eras, assim também em Cristo e por Cristo Ele a mantém e a preserva até o fim”. (Sermão, Aos Inimigos da Verdade).

Deus nos abençoe!

Rev. José Rodrigues Filho

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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Pré-Reformadores

Pré-Reformadores
“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).

Nos séculos XIV e XV, surgiram alguns protestos contra o falso ensino e práticas da Igreja Medieval. Nesse primeiro movimento da reforma, três homens destacam-se por sua fidelidade a Deus e compromisso com as Sagradas Escrituras. Eles são considerados pré-reformadores. Eis um breve relato da história de cada um deles.

João Wycliff (1330-1384). Professor da Universidade de Oxford, teólogo e reformador religioso inglês. É considerado o precursor da reforma que sacudiu a Europa. Trabalhou na primeira tradução da Bíblia para o idioma inglês. As irregularidades do clero, as superstições religiosas, a veneração dos santos, o ensino sobre a transubstanciação, o purgatório e as indulgências foram alvos constantes de seus protestos. Para Wycliff, ao contrário do Papa, as Escrituras eram infalíveis. Essa tese influenciou tanto o luteranismo quanto o calvinismo. Um dos seus principais tratados, “Da veracidade nas Sagradas Escrituras”, foi publicado em 1378.

João Huss (1379-1415). Sacerdote e professor da Universidade de Praga, na Boêmia. Fortemente influenciado pelos escritos de Wycliff, insistiu na autoridade suprema das Escrituras, fez oposição à venda de indulgências, à riqueza da igreja, à comunhão ser restrita ao corpo eclesiástico, não sendo oferecida aos demais crentes, principalmente os de origem popular. Huss foi condenado pelo Concílio de Constança no dia 06 de julho de 1415, e queimado vivo na fogueira. Morreu cantando: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim!”.

Jerônimo Savonarola (1452-1498). Frade dominicano e pregador na Florença renascentista. Ficou conhecido por suas profecias e apelos de reforma na Igreja Católica.  Denunciou a imoralidade na sociedade e na Igreja, inclusive no papado. Savonarola era homem de oração e alimentava continuamente sua alma com a Palavra de Deus. Memorizou grande parte da Bíblia e localizava instantaneamente qualquer texto solicitado. Suas mensagens sobre “Humildade”, “Oração” e “Amor” exerceram grande influência sobre os fiéis. Foi excomungado no ano de 1498, e por ordem do Papa, torturado e queimado vivo em praça pública. Em martírio, as suas últimas palavras foram: “Muito mais sofreu Jesus por mim”.

Deus nos abençoe!

Rev. José Rodrigues Filho

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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Fé Salvífica: Confiança Implícita na Salvação

Fé Salvífica: Confiança Implícita na Salvação
“Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que creem; porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.22-24).

*Confissão de Fé de Westminster - Da Fé Salvífica - capítulo XIV.

Seção II – Por esta fé o cristão, segundo a autoridade do próprio Deus falando em sua Palavra, crê ser verdadeiro tudo quanto está revelado nela; e age de conformidade com o que cada passagem especificamente contém; prestando obediência aos mandamentos, tremendo ante suas ameaças e abraçando as promessas de Deus para esta vida e a vida por vir. Os principais atos da fé, porém são: aceitar, receber e descansar unicamente em Cristo para a justificação, a santificação e a vida eterna, em virtude do pacto da graça.

Jo 4.42; 1Ts 2.13; 1Jo 5.10; At 24.14; Rm 16.26; Is 66.2; Hb 11.13; 1Tm 4.8; Jo 1.12; At 16.31; Gl 2.20; At 15.11.

Esta seção ensina: -

1. Que a fé salvífica repousa na verdade do testemunho de Deus falando em sua Palavra.

2. Que ela considera como seu objeto todo o conteúdo da Palavra de Deus, sem exceção.

3. Que o estado complexo da mente a que o epíteto "fé" se aplica na Escritura varia segundo a natureza da passagem específica da Palavra de Deus que é o seu objeto.

4. Que o ato específico da fé salvífica, o qual nos une a Cristo e é a única condição ou instrumento da justificação, envolve dois elementos:

4.1. Assentimento ao que as Escrituras nos revelam concernente à pessoa, ofícios e obra de Cristo; e

4.2. Dependência ou confiança implícita na salvação completa.

Foi amplamente polemizado entre romanistas e protestantes se a fé salvífica incluía ou não a confiança. A resposta genuína consiste em que a confiança é um elemento integrante e inseparável de cada ato da fé salvífica, no qual a confiança é apropriada à natureza do objeto crido. É óbvio que muitas das proposições da Escritura não são os objetos distintivos da confiança. Em todos esses casos, a fé inclui reconhecimento, assentimento, aquiescência, submissão, segundo o caso. Mas em todos os casos nos quais a natureza da verdade crida se torna o exercício da confiança legítima, e especialmente naquele ato específico da fé salvífica chamada de fé justificadora, a qual une a Cristo e é a raiz e o órgão de toda a vida espiritual, a confiança é indubitavelmente um elemento da própria essência daquele estado de mente chamado fé na Escritura.

As Escrituras expressamente afirmam que somos justificados por essa fé da qual Cristo é o objeto. (Rm 3.22-25; Gl 2.16; Fp 3.9). Isso claramente pressupõe que a fé não é mera convicção intelectual acerca da veracidade das verdades reveladas nas Escrituras, senão que inclui um abraço sincero e um assentimento confiante de Cristo, sua obra meritória e suas graciosas promessas. Amém!

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.


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Fé Salvífica

Fé Salvífica
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8).

Fé, no sentido geral do termo, é o assentimento da mente quanto à verdade daquilo que não temos uma cognição imediata; conhecimento é a percepção da verdade daquilo de que temos uma cognição imediata. Todavia a fé demanda e descansa sobre evidência de forma tão absoluta quanto o conhecimento. Ela não difere da razão como o racional difere do irracional, nem do conhecimento daquilo que é improvado.

Fé religiosa, no sentido mais geral desse termo, é o assentimento da mente às verdades gerais da religião, tais como o ser e atributos de Deus, e as obrigações religiosas dos homens, tais como é comum a todas as religiões, verdadeiras ou falsas. Essa fé religiosa tem sua base em nossa comum natureza religiosa, enquanto que, por outro lado, a fé salvífica é aquele discernimento espiritual da excelência e beleza da verdade divina, e aquele cordial abraço e aceitação dela, os quais são operados em nossos corações pelo Espírito Santo.

“A graça da fé, por meio da qual os eleitos são capacitados a crer para a salvação de suas almas, é a obra do Espírito de Cristo em seus corações, e é ordinariamente operada pelo ministério da Palavra, também por meio da qual, e pela administração dos sacramentos e da oração, ela se desenvolve e se fortalece” (CFW, XIV. Seção I).

Desta fé salvífica afirma-se nesta seção: - 

1. Que é operada em nossos corações pelo Espírito Santo.

2. Que é ordinariamente operada por meio da Palavra de Deus ou através da instrumentalidade da verdade divina. 

3. Que é fortalecida pelo uso dos sacramentos e da oração.

Que a fé salvífica, ainda que quanto à sua essência é sempre a mesma, frequentemente difere em graus em diferentes pessoas, e na mesma pessoa em diferentes épocas. Que ela se expõe a muitos inimigos e pode ser muitas vezes e de diversas formas assaltada e enfraquecida, mas que, através da divina graça, no fim sempre logra vitória. Que em muitos ela se desenvolve até à medida de uma plena certeza através de Cristo. (CFW, XIV. Seção III).

Hb 10.39; 2Co 4.13; Ef 1.17-19; 2.8; Rm 10.14-17; 1Pe 2.2; At 20.32; Rm 4.11; Lc 17.5; Rm 1.16,17; Hb 5.13,14; Rm 4.19,20; Mt 6.30; 8.10; Lc 32.31,32; Ef 6.16; 1Jo 5.4,5; Hb 6.11,12; 10.22; Cl 2.2; Hb 12.2.

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.


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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O Supremo Propósito do Ministério Pastoral

O Supremo Propósito do Ministério Pastoral
“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18-19). 

O fim principal da nossa supervisão pastoral deve estar ligado ao supremo propósito de nossa vida. Esse propósito é agradar e glorificar a Deus. Também é estimular a santificação e a santa obediência do povo de Deus que está a nosso cargo. Promover a unidade, a ordem, a beleza, o poder, a preservação e o progresso do nosso povo há de ser a nossa tarefa. É a correta adoração a Deus. Isto significa que antes de um homem ter competência para ser um verdadeiro pastor de igreja, segundo a mente de Cristo, ele precisa ter estes objetivos em alta estima. Terá que fazer deles a grande e única finalidade da sua vida.

Portanto, o homem que não for totalmente sincero como cristão, não poderá estar apto para ser pastor de igreja. Isto se comprova quanto ao seu amor a Deus. Está ele tão envolvido em seu relacionamento com Deus e tão interessado em agradá-Lo que faz de Deus o centro de todas as suas ações? Vive ele unicamente para ser agradável a Deus? Embora seja útil que o homem saiba e ensine as línguas originais das Escrituras e tenha um pouco de filosofia, a verdadeira prova da sua utilidade é se ele é dedicado a Deus de todo o coração ou não, pois ninguém poderá ser sincero em servir a Deus, se não tiver os fins em mente de forma sincera. Assim, o homem terá que amar a Deus com sinceridade acima de tudo, antes de poder servi-Lo sinceramente diante de todos.

Tampouco serve para ser ministro de Cristo o homem que não tem um adequado e notório espírito para com a Igreja. É preciso que ele se deleite com a beleza da Igreja, anele sua felicidade, procure a sua prosperidade e se regozije com o seu bem-estar, e deve estar disposto a gastar-se e a ser gasto por amor à Igreja.

Para ser pastor de igreja o homem também deve fixar seu coração na vida por vir e considerar as questões da vida eterna superiores aos interesses desta existência. Acima das frivolidades deste mundo, é preciso que ele avalie nalguma proporção as incalculáveis riquezas da glória. Sim, pois ele jamais porá o coração na obra da salvação dos homens, enquanto não crer e avaliar de coração essa salvação.

Também será inepto para ser pastor, se não tiver prazer na santidade, se não odiar a iniquidade, se não amar a unidade e pureza da Igreja, e se não detestar a discórdia e o divisionismo. Ele precisa ter prazer na comunhão dos santos e no culto público de Deus com o Seu povo. Estas coisas refletem os verdadeiros fins do pastor. Sem elas, é-lhe impossível fazer a sua tarefa.

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

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Confissão dos nossos Pecados

Confissão dos nossos Pecados
“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

1. O Pecado do Orgulho

Um dos nossos pecados mais odiosos e patentes é o orgulho. Ataca até os nossos pastores, e, todavia, é mais detestável e inescusável em nós, pastores, do que nos outros homens. Predomina tanto entre nós, que fica patente em nossa conversação, em nosso modo de viver, em nossa companhia e em nossas atitudes pessoais diante dos outros. Ele é a base dos nossos motivos, modela o nosso pensar, determina os nossos desejos, fomenta a inveja e pensamentos amargos contra os que são mais proeminentes do que nós, que recebem posição de celebridade.

Que companheiro astuto e sutil, que comandante tirânico e que insidioso inimigo é o pecado do orgulho! Ele acompanha os homens ao alfaiate para a escolha de roupas e para tirar as medidas do seu terno. Ele nos veste e determina a moda. Quantas vezes ele escolhe os temas da nossa alocução, e até as nossas palavras!

Deus quer que sejamos simples o quanto pudermos em nossa linguagem, para informarmos os ignorantes, e que sejamos sérios e convincentes o quanto pudermos, para que os não convertidos cedam e sejam transformados.

Mas o orgulho não sai de perto, e contraria tudo. Ele vulgariza e polui, ele desonra os nossos sermões, como se fosse um príncipe com traje de ator ou um palhaço disfarçado. Ele nos persuade a falar aos nossos ouvintes o que eles não podem entender, e, depois, a dizer-lhes coisas inaproveitáveis. Ele tira o fio da convicção e embota o vigor dos nossos ensinamentos, com a desculpa de que não queremos ser grosseiros ou indelicados em nosso linguajar. Se damos com uma passagem franca e desafiadora, o orgulho a joga fora como rústica e inapropriada.

Assim, quando Deus nos manda agir com todo o zelo, o maldito pecado do orgulho domina e controla os mais santos mandamentos de Deus. Este pecado nos tenta, levando-nos a não sermos tolos ao expressar-nos sobre tais ou quais convicções, mas a falar suavemente. Desta maneira, o orgulho refaz muitos sermões do pregador, e o fim em vista não é a glória de Deus, e sim o progresso de Satanás.

Tendo preparado o sermão, o orgulho sobe ao púlpito, Ele impõe a entonação, modela a eloquência e elimina tudo que cause ofensa, para conseguir o máximo de aplauso. O resultado final é que ele faz com que os homens, tanto no estudo como na pregação, busquem o seu próprio interesse e, após inverterem os papéis do culto, neguem a Deus, em vez de glorificá-Lo e negar-se a si mesmos. Em vez de perguntarem, então, "Que falarei, e como falarei para agradar ao máximo a Deus e para fazer o maior benefício?", o orgulho os leva a indagar: "Como pregarei, para ser considerado um pregador competente e para ser aplaudido por todos os que me ouvirem?”. “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”. (Tg 4.6).

2. O Pecado da Inveja

Entretanto, isto não é tudo; há outras coisas mais. Ah, se se falasse dos piedosos ministros de Deus que anelam tanto a popularidade que chegam a invejar as funções e a reputação dos seus colegas que são preferidos a eles! É como se Deus tivesse dado os Seus dons como puros ornamentos e enfeites das suas personalidades. E então se vão pelo mundo exibindo a sua reputação, como também espezinhando e desmoralizando a dos seus rivais que se levantam em seu caminho impedindo que recebam as honras ambicionadas! Que vergonha encherem-se de inveja, os que deveriam ser santos e viver como pregadores de Cristo, pervertendo assim os dons de Deus — quando a Ele é devida toda a glória! Eles fazem todas essas coisas porque os outros parecem impedir a glória deles.

Não é verdade que todo cristão verdadeiro é membro do corpo de Cristo, de modo que cada um participa do todo? Não é verdade que todo homem deve dar graças a Deus pelos dons dos seus irmãos, como também por serem todos membros uns dos outros? Não é verdade que cada qual tem sua finalidade no todo? Pois se a glória de Deus e o bem-estar da Igreja não forem o seu propósito, ele não é cristão. Que coisa terrível é, então, que os homens estejam tão sem temor de Deus a ponto de invejarem os dons de Deus e deixarem que os seus ouvintes mundanos continuem não convertidos. É lastimável que prefiram que o ministério seja exercido por um dorminhoco que vive sonolento, a deixar que alguém o exerça, o qual goze da preferência geral em vez deles. “O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30).

3. O Pecado da Censura

Sucede que muitos engrandecem tanto as suas opiniões pessoais, que censuram quaisquer pensamentos que difiram dos deles um mínimo que seja, esperando que todos se amoldem ao seu critério. É como se eles fossem os únicos regentes da fé da Igreja. Assim, enquanto condenamos a infalibilidade papal, temos tantos papas entre nós! Gostamos da pessoa que reitera o que dizemos, que concorda com a nossa opinião e que promove a nossa reputação. Mas a achamos ingrata quando ela nos contradiz, diverge de nós, fala com franqueza conosco sobre os nossos erros e nos aponta as nossas faltas.

Somos tão sensíveis que quase não aguentamos que nos repreendam, tão arrogantes que dificilmente os outros conseguem falar conosco e tão mimados, como crianças, que não podemos suportar crítica de ninguém. Assim, a nossa indignação não vem do fato de escrevermos ou falarmos qualquer coisa falsa ou injusta. Vem do medo de sermos contraditados.

Irmãos, sei que é uma confissão triste e dura de ser feita. Se pudéssemos esconder-nos, nos esconderíamos, mas toda gente sabe da coisa. Trazemos desonra sobre nós mesmos transformando em ídolo a nossa reputação. Imprimimos e publicamos a nossa vergonha, e a contamos a todo mundo. Que o Senhor tenha misericórdia dos ministros desta terra, e depressa nos dê outro espírito, pois a graça é algo muito mais precioso do que pensamos. 

Todavia, é pela graça de Deus que temos, aqui e noutros lugares, alguns que são humildes, modestos e exemplares para os seus rebanhos e para os seus colegas. A Deus se deve toda a honra por eles serem assim. Mas, infelizmente, não são todos assim. Ah, que o Senhor nos veja aos Seus pés, derramando lágrimas de não fingida tristeza pelos  pecados deles!

A necessidade de humilhar-nos a nós mesmos constitui o âmago do evangelho. A obra da graça só é iniciada e sustentada pelo exercício da humildade. A humildade não é apenas um ornamento do cristão. É parte essencial da nova criatura. É contradição ser um homem santificado, ou um verdadeiro cristão, e não ser humilde.

Todos os que pretendem ser cristãos têm que ser discípulos de Cristo e vir a Ele para aprender; e a lição que recebem é que sejam mansos e humildes. Quantos preceitos e quantos exemplos admiráveis nosso Senhor e Mestre nos deu com este propósito! Podemos imaginá-Lo deliberadamente lavando e enxugando os pés dos Seus discípulos a fim de mostrar-Se arrogante e despótico? Acaso Cristo Se relaciona com os cansados e oprimidos, e nós os evitamos, considerando-os desprezíveis? Achamos que só são aptos para a nossa sociedade os ricos e os que ocupam posição honrosa. Quantos de nós são vistos mais frequentemente nas casas de pessoas de alta classe, do que nos casebres dos pobres, justamente da gente que mais  precisa do nosso auxílio! “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3).

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
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