"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

“NAS TUAS MÃOS, ESTÃO OS MEUS DIAS”


“NAS TUAS MÃOS, ESTÃO OS MEUS DIAS”

“Nas tuas mãos, estão os meus dias; livra-me das mãos dos meus inimigos e dos meus perseguidores” (Sl 31.15).

Para que Davi pudesse mais jubilosamente confiar a preservação de sua pessoa a Deus, ele nos assegura que, confiando em sua guarda divina, não se preocupava com aqueles eventos casuais e imprevisíveis que comumente apavoram os homens. A significação de sua linguagem é: Senhor, tua é a prerrogativa, e somente teu é o poder de dispor tanto de minha vida quanto de minha morte. Tampouco usa ele o plural, em minha opinião, sem razão plausível; antes, ele destaca a variedade de casualidades pelas quais a vida de uma pessoa é geralmente molestada. É uma exposição insípida restringir a frase, meus dias, ao tempo em que ele vivesse, como se Davi quisesse dizer não mais que estando seu tempo ou seus dias terrenos na mão de Deus. Ao contrário, minha opinião é que, enquanto meditava nas diversas revoluções e nos multiformes perigos que casualmente pendem sobre nós, e nos multiformes eventos imprevistos que de tempo em tempo sucedem, ele, não obstante, confiadamente repousava na providência de Deus, a qual ele cria ser, segundo o dito popular, o árbitro tanto da boa quanto da má sorte. Na primeira cláusula vemos que ele não só denomina Deus de o governante do mundo em geral, mas também afirma que sua vida está em sua mão; e não só isso, mas que, quaisquer que fossem as agitações a que estivesse sujeito, e quaisquer que fossem as tribulações e vicissitudes que lhe sobreviessem, ele estaria seguro debaixo da proteção divina. Nisto está fundamentada sua oração, a saber: Deus o preservará e me livrará da mão de meus inimigos.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

“NÃO SEJA EU ENVERGONHADO”


“NÃO SEJA EU ENVERGONHADO”

“Não seja eu envergonhado, SENHOR, pois te invoquei; envergonhados sejam os perversos, emudecidos na morte” (Sl 31.17).

Não seja eu envergonhado, SENHOR. Com estas palavras, Davi dá seguimento à sua oração, e para fortalecer suas esperanças ele se contrasta com seus inimigos; pois teria sido mais que absurdo permitir aos que, com sua intensa perversidade, provocavam a ira de Deus escapassem com impunidade, e aquele que era inocente e descansava em Deus fosse desapontado e se tornasse alvo de zombaria. Consequentemente, aqui percebemos qual a implicação da comparação que o salmista faz. Além do mais, em vez de falar de sua esperança ou confiança, ele agora fala de sua invocação a Deus, dizendo: pois te invoquei. E faz isso por boas razões, pois aquele que confia na providência divina deve fugir para Deus com orações e forte clamor. Que eles sejan emudecidos na morte, subentende quando ela sobrevém aos ímpios, restringindo-os e impedindo-os de darem curso às suas injúrias. Este emudecer se opõe tanto às suas maquinações enganosas e traiçoeiras quanto aos seus insolentes insultos. No próximo versículo, pois, ele adiciona: Que os lábios mentirosos emudeçam, o quê, em minha opinião, inclui tanto suas astúcias quanto as falsas pretensões e calúnias pelas quais diligenciavam em concretizar seus desígnios, bem como a vã ostentação a quê se entregavam. Pois ele nos diz que falam coisas injuriosas [ou graves] contra o justo, com soberba e escárnio. Porque o conceito intransigente deles, o qual quase sempre gera desdém, era o que fazia que esses inimigos de Davi fossem tão ousados em mentir. Quem quer que soberbamente arrogue para si mais do que lhe é devido, quase que necessariamente tratará os outros com desdém.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

“FAZE RESPLANDECER O TEU ROSTO SOBRE O TEU SERVO”


“FAZE RESPLANDECER O TEU ROSTO SOBRE O TEU SERVO”

“Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo; salva-me por tua misericórdia” (Sl 31.16).

Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo. Esta forma de expressão é tomada da preocupação comum dos homens, os quais acreditam que Deus não lhes tem nenhuma consideração, a menos que demonstre visível cuidado por eles através de seus efeitos. De conformidade com o critério da razão, as aflições ocultam seu semblante, assim como as nuvens obscurecem o brilho do sol. Davi, pois, suplica a Deus que, ao dar-lhe imediata assistência, fizesse-lhe evidente que ele desfrutava de sua graça e favor, o que de forma alguma é fácil de discernir em meio às trevas das aflições. Ora, diz-se que Deus levanta sobre nós a luz de seu rosto de duas maneiras: ou quando ele abre seus olhos e assume o comando de nossos afazeres, ou quando ele nos mostra seu favor. Estes dois elementos são deveras inseparáveis, ou, melhor, um depende do outro. Mas, pelo primeiro modo de expressar-se, nós, segundo nossas concepções carnais, atribuímos a Deus uma mutabilidade que, propriamente falando, não lhe pertence. Enquanto que a segunda forma de expressar-se indica que nossos próprios olhos, e não os olhos de Deus, estão fechados ou ofuscados quando parece não levar ele em conta nossas aflições. Pelo termo, salva-me, Davi explica o que quis dizer com a primeira expressão; mas como naquele tempo não houve qualquer aparente segurança para ele, então se anima a esperar por ela, pondo diante de seus olhos a misericórdia de Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“EU DISSE: TU ÉS O MEU DEUS”

“EU DISSE: TU ÉS O MEU DEUS”

“Quanto a mim, confio em ti, SENHOR. Eu disse: tu és o meu Deus” (Sl 31.14).

Eu disse: Tu és o meu Deus. Nesta expressão Davi notifica que se sentia tão persuadido desta verdade, de que Deus era o seu Deus, que não admitiria sequer a mais leve insinuação em contrário. E enquanto esta persuasão não prevalecer, ao ponto de tomar posse de nossa mente, oscilaremos sempre na incerteza. Não obstante, é preciso observar que esta declaração não é só íntima e secreta - feita antes no coração do que com a língua -, mas que é dirigida a Deus pessoalmente, como aquele que é a única testemunha dela. Nada é mais difícil, quando percebemos nossa fé escarnecida por todo o mundo, do que dirigir nossa palavra somente a Deus e descansar satisfeitos com este testemunho que nossa consciência nos dá, ou seja, que ele é o nosso Deus. E com toda certeza é uma indubitável prova de fé genuína quando, por mais forte as ondas batem contra nós e por mais dolorosamente os assaltos nos sacodem, sustentamos isto como um princípio bem fixado, a saber, que estamos constantemente debaixo da proteção de Deus e podemos dizer-lhe francamente: Tu és o nosso Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564)

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“PENSAVAS QUE EU ERA TEU IGUAL”

“PENSAVAS QUE EU ERA TEU IGUAL”

“Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te arguirei e porei tudo à tua vista. Considerai, pois, nisto, vós que vos esqueceis de Deus,  para que não vos despedace, sem haver quem vos livre” (Sl 50.21,22).

“As tuas ideias sobre Deus são demasiado humanas” - exortação de Martinho Lutero endereçada a Erasmo de Roterdã. Vemos que, tanto no passado como atualmente, são sustentados os mais desonrosos conceitos sobre Deus. Para os milhares, desde a antiguidade, Deus é completamente desconhecido. “Pensavas que eu era teu igual” (Sl 50.21). 

Os homens perversos supõem que a onipotência de Deus é uma ociosa ficção, a tal ponto que Satanás destroça os seus desígnios. Imaginam que, se Deus formulou algum plano ou propósito, deve ser como o deles, constantemente sujeito a mudança. Declaram abertamente em suas atitudes que, seja qual for a vontade e o poder que Deus possui terá que ser restringido, para que não invada a vontade e o poder humano.

As Escrituras afirmam clara e positivamente a absoluta e universal supremacia de Deus. “Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos” (1Cr 29.11). 

A nossa vida não é, nem produto do destino cego, nem do acaso caprichoso, mas todas as suas minuciosidades foram prescritas desde a eternidade, ordenadas por Deus que vive e reina eternamente.

Deus nos abençoe!

Rev. José Rodrigues Filho

*Os Atributos de Deus, A.W.Pink - Editora PES.

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terça-feira, 12 de dezembro de 2023

“O NOME QUE ESTÁ ACIMA DE TODO NOME”

“O NOME QUE ESTÁ ACIMA DE TODO NOME”

“Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome” (Fp 2.9).

Quando buscamos a verdade, à medida que a Palavra de Deus nos é revelada, vemos que Deus na eternidade, desde antes da fundação do mundo, planejou e determinou que todas as coisas fossem centralizadas em Cristo. “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.36).

Na epístola aos Colossenses, notamos a preeminência de Cristo ressaltada ainda mais nitidamente: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criaçãoEle é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Cl 1.13,19).

O Filho de Deus deixou as alturas dos céus e desceu às profundezas da terra para buscar e salvar o que se havia perdido. Ele não foi obrigado a fazer isso. Ele o fez voluntariamente, por amor, por imensa bondade e misericórdia. “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si. Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.4,5).

“Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11).

“Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” (Ap 5.13). Amém!

Que lugar o Senhor de toda glória ocupa no seu coração?

Deus nos abençoe!

Pr. José Rodrigues Filho

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sábado, 2 de dezembro de 2023

“NÃO FOI COM ENGANO, NEM COM IMUNDÍCIA, NEM COM FRAUDULÊNCIA”


“NÃO FOI COM ENGANO, NEM COM IMUNDÍCIA, NEM COM FRAUDULÊNCIA”

“Porque a nossa exortação não foi com engano, nem com imundícia, nem com fraudulência; mas, como fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações” (1Ts 2.3,4).

O apóstolo confirma, através de outro argumento, os tessalonicenses na fé que haviam abraçado – porquanto haviam sido fiel e puramente instruídos na palavra do Senhor, pois ele mantém que a sua doutrina estava isenta de todo o engano e impureza. E, com vistas a deixar esta questão fora de dúvida, ele invoca o testemunho da consciência deles. Os três termos de que faz uso podem, ao que parece, ser distinguidos da seguinte maneira: engano pode se referir à essência da doutrina, imundícia às afeições do coração, fraudulência ao modo de agir. Portanto, em primeiro lugar, ele afirma que eles não haviam sido enganados ou iludidos com falácias, quando abraçaram o tipo de doutrina que lhes havia sido entregue por ele. Em segundo lugar, declara sua integridade, porquanto não havia se achegado a eles por influência de qualquer desejo impuro, mas atuou exclusivamente através de uma disposição honesta. Em terceiro lugar, diz que não havia feito nada fraudulenta ou maliciosamente, mas, pelo contrário, havia manifestado uma simplicidade conveniente a um ministro de Cristo. Como estas coisas eram bem conhecidas aos tessalonicenses, eles tinham um fundamento suficientemente firme para a sua fé.

Paulo dá um passo além, pois apela a Deus como o Autor do seu apostolado, e raciocina da seguinte maneira: “Deus, quando me designou para este ofício, deu testemunho de mim como um servo fiel; não há razão, portanto, para que os homens tenham dúvidas quanto à minha fidelidade, a qual sabem ter sido aprovada por Deus”. Contudo, ele não se gloria em ter sido aprovado, como se o fosse por si mesmo; pois não disputa aqui a respeito do que possuía por natureza, nem coloca a sua própria força em colisão com a graça de Deus, mas simplesmente afirma que o Evangelho lhe havia sido confiado como a um servo fiel e aprovado.

Neste texto como em Gálatas 1.10, Paulo, admiravelmente, contrasta agradar aos homens e agradar a Deus como coisas que se opõem entre si. Ademais, quando diz: Deus, que prova os nossos corações, ele sugere que aqueles que se esforçam por obter o favor dos homens não são influenciados por uma consciência honesta, e não fazem nada de coração. Saibamos, portanto, que os verdadeiros ministros do evangelho devem ter por alvo devotar os seus esforços a Deus, e fazer isto de coração; não por qualquer consideração exterior pelo mundo, e sim porque a consciência lhes diz que isto é correto e apropriado. Assim se assegurará que eles não terão por alvo agradar aos homens, ou seja, que eles não agirão sob influência da ambição, tendo em vista o favor dos homens.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“E VÓS FOSTES FEITOS IMITADORES”


“E VÓS FOSTES FEITOS IMITADORES”

“E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo” (1Ts 1.6).

O apóstolo Paulo, na esperança de aumentar a diligência dos tessalonicenses, declara que havia uma harmonia, por assim dizer, entre a sua pregação e a fé deles. Pois, a menos que os homens, de sua parte, correspondam a Deus, nenhum proveito decorrerá da graça que lhes é oferecida – não como se pudessem fazer isto de si mesmos, mas porque, assim como Deus dá início à nossa salvação chamando-nos, ele também a aperfeiçoa moldando nossos corações à obediência. Portanto, a suma é que uma evidência da eleição divina se revelara, não apenas no ministério de Paulo, na medida em que estava provido do poder do Espírito Santo, mas também na fé daqueles irmãos, de modo que esta conformidade é um atestado poderoso dela. Porém, ele afirma: “Fostes feitos imitadores de Deus e de nós”, no mesmo sentido em que é dito que o povo creu em Deus e no seu servo Moisés (Ex 14.13), porque ele operou poderosamente por meio deles, como seus ministros e instrumentos da verdade.

Paulo também diz: “recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo”, para que saibamos que não é pela instigação da carne, ou pelas sugestões da sua própria natureza, que os homens estarão prontos e zelosos por obedecer a Deus, mas que isto é obra do Espírito de Deus. A circunstância, que, em muita tribulação, eles haviam abraçado o evangelho, serve como ênfase. Pois vemos muitíssimos que, não indispostos ao evangelho por outros motivos, contudo o evitam por se intimidarem pelo medo da cruz. Concordemente, aqueles que não hesitam em abraçar, com intrepidez, juntamente com o evangelho, as aflições que os ameaçam, fornecem assim um exemplo admirável de magnanimidade. E, com isto, torna-se tanto mais claramente notório quão necessário é que o Espírito Santo nos auxilie nisto. Pois o evangelho não pode ser apropriada ou sinceramente recebido, a não ser com um coração jubiloso. Nada, porém, está em maior desacordo com a nossa disposição natural, do que nos regozijarmos nas aflições.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 30 de novembro de 2023

“PARA AGUARDARDES DOS CÉUS O SEU FILHO”

“PARA AGUARDARDES DOS CÉUS O SEU FILHO”

“E para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura” (1Ts 1.10).

A doutrina do evangelho visa a nos induzir a servir e obedecer a Deus. Ninguém é propriamente convertido a Deus, senão o homem que aprendeu a colocar-se totalmente em sujeição a ele. Contudo, como isto é algo simplesmente mais do que difícil, em tão grande corrupção da nossa natureza, ao mesmo tempo o apóstolo Paulo revela o que é que nos retém e nos confirma no temor a Deus e na obediência a ele – aguardar dos céus a Cristo. Pois, a menos que sejamos despertados para a esperança da vida eterna, o mundo rapidamente nos atrairá a si. Pois, assim como é apenas a confiança na bondade divina que nos induz a servir a Deus, do mesmo modo é apenas a expectativa da redenção final que nos impede de recuarmos. Portanto, que todos os que desejam perseverar em um curso de vida santa apliquem toda a sua mente à expectativa da vinda de Cristo. Pois, certamente, sem Cristo estamos arruinados e entregues ao desespero, mas, quando Cristo se revela, a vida resplandece para nós. Tenhamos em mente, porém, que isto é dito exclusivamente aos crentes, pois, quanto aos ímpios, assim como ele virá para ser seu Juiz, do mesmo modo eles só podem tremer ao esperá-lo. É isto que Paulo acrescenta na sequência – que Cristo nos livra da ira vindoura. Pois isto não é sentido senão por aqueles que, estando reconciliados com Deus pela fé, já têm a consciência apaziguada; do contrário, seu nome é terrível. É verdade que Cristo nos livrou pela sua morte da ira de Deus, mas a importância desse livramento se tornará visível no último dia. No entanto, esta afirmação consiste de duas seções. A primeira é que a ira de Deus e a destruição eterna são iminentes à raça humana, porquanto todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). A segunda é que não existe meio de escape senão através da graça de Cristo; pois não é sem bons motivos que Paulo lhe atribui este ofício. Contudo, é um dom inestimável que os que são piedosos, sempre que é feita menção ao juízo, saibam que Cristo virá para eles como um Redentor.

Além disso, o apóstolo afirma enfaticamente: a ira vindoura, para despertar as mentes piedosas, para que não fracassem ao considerar a vida presente. Pois, assim como a fé é a convicção de fatos que se não veem (Hb 11.1), nada é menos adequado do que estimarmos a ira de Deus de acordo com o que cada um é afligido no mundo; assim como nada é mais absurdo do que nos apegarmos às bênçãos transitórias de que desfrutamos, para que por elas tenhamos uma estimativa do favor de Deus. Portanto, enquanto, por um lado, os ímpios se divertem à vontade, e nós, por outro, definhamos em miséria, aprendamos a temer a vingança de Deus, que está oculta aos olhos da carne.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 23 de novembro de 2023

“VIVO OU MORTO?” parte III


“VIVO OU MORTO?” parte III

“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef. 2.1).

Deixe-me dizer, em terceiro lugar, como uma alma morta pode ser vivificada espiritualmente.

Que uma coisa fique bem clara: não conseguimos efetuar essa mudança gigantesca por nós mesmos. Não depende de nós. Não temos força ou poder para tanto. Podemos mudar nossos pecados, mas não podemos mudas os nossos corações. Podemos assumir um novo caminho, mas não uma nova natureza. Podemos fazer reformas e alterações consideráveis. Podemos deixar de lado muitos maus hábitos e começar a assumir deveres externos diversos, mas não podemos criar um novo princípio dentro de nós. Não podemos fazer algo a partir do nada. O etíope não pode mudar a sua pele, nem o leopardo as suas manchas, e nem nós podemos dar vida às nossas próprias almas (Jr 13.23).

Outra coisa que fique igualmente clara: nenhum homem poderá fazer isso por nós. Pastores podem pregar, orar por nós, receber-nos no batismo, admitir-nos à mesa da comunhão, oferecer-nos o pão e o vinho. Mas não podem outorgar vida espiritual. Podem pôr ordem em lugar de desordem, decência exterior em lugar de pecado franco, mas não podem atingir abaixo da superfície. Não podem alcançar nossos corações. Paulo pode plantar, Apolo regar, mas só Deus pode dar os frutos (1Co 3.6).

Quem, então, pode tornar viva uma alma morta? Ninguém a não ser Deus. Só aquele que do nada formou o mundo no dia da criação pode fazer de alguém uma nova criatura. Só quem formou o homem do pó da terra, dando vida ao seu corpo, poderá dar vida à sua alma. É ofício especial de Deus fazer isso, pelo seu Espírito, e só Ele tem poder para realizar tal coisa.

O Evangelho glorioso faz provisão para isso. O Senhor Jesus é um Salvador completo. A Cabeça viva e poderosa não tem membros mortos. Seu povo não é apenas justificado e perdoado, mas também vivificado juntamente com Ele, tornando-se participante de sua ressurreição. O Espírito une o pecador a Ele, e por essa união ergue-o da morte para a vida. Nele o pecador vive depois que creu. A fonte de toda essa vitalidade é a união de Cristo com a alma, iniciada e mantida pelo Espírito. Cristo é a fonte única de toda vida espiritual, e o Espírito Santo é o agente que transmite essa vida às nossas almas.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

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