"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 3 de agosto de 2023

“O ESCUDO DA FÉ”

 

“O ESCUDO DA FÉ”

“Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno” (Ef 6.16).

Embora a fé e a Palavra de Deus sejam inseparáveis, o apóstolo Paulo lhes designa dois ofícios. Digo que ambas são inseparáveis, porque a Palavra é o objeto da fé e não pode ser aplicada para o nosso uso senão pela fé. E, igualmente, a fé nada é e nada pode fazer sem a Palavra. Paulo, porém, ignorando uma distinção por demais sutil, permitiu-se falar livremente da armadura militar. Em 1 Tessalonicenses 5.8, ele aplica o nome de armadura tanto a fé quanto ao amor. Daqui faz-se evidente que ele só queria dizer que aquele que toma posse das virtudes aqui descritas está verdadeiramente armado de todas as formas.

E no entanto não é sem razão que ele compare à fé e a Palavra de Deus aos principais instrumentos de guerra, ou seja: espada e escudo. No combate espiritual, esses dois mantêm a mais elevada posição. Por meio da fé, repelimos todos os ataques do diabo; e por meio da Palavra de Deus, o próprio inimigo é completamente esmagado. Em outras palavras, se a Palavra de Deus é eficaz em nós mediante a fé, então estaremos mais que suficientemente armados, tanto para repelir quanto para pôr em fuga o inimigo. Portanto, aqueles que tiram de um cristão a Palavra de Deus, porventura não o despojam de sua indispensável armadura, para que pereça sem ter como lutar? Quem pode lutar desarmado e indefeso? 

“Os dardos de Satanás são não só pontiagudos e penetrantes, mas, o que é mais terrível, eles são ardentes. A fé não só embota seu gume, mas também apaga sua chama mortal”.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

“FORÇAS ESPIRITUAIS DO MAL”


“FORÇAS ESPIRITUAIS DO MAL”

“A nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12).

O apóstolo Paulo põe diante dos efésios o perigo, expressando-lhes a natureza do inimigo. Sua intenção é fazer-nos ver que nossas dificuldades são maiores do que se tivéssemos que lutar contra homens. Ali resistimos a força humana, o homem contende com o homem, a força é rebatida pela força, e habilidade contra habilidade; mas, aqui, o caso é muitíssimo diferente, porquanto nossos inimigos são em tal proporção, que não há poder humano capaz de resistir. A luta não é corporal.

Lembremo-nos desta afirmação quando as injúrias humanas nos levarem à represália. Pois nossa natureza nos leva à selvageria contra os próprios homens; mas esse estulto desejo será refreado, como por uma rédea curta, pela consideração de que os homens que nos importunam nada são além de dardos lançados pela mão de Satanás. Enquanto estamos ocupados em repeli-los, nos expomos a ser feridos de todos os lados. Lutar contra a carne e o sangue não só será inútil, mas também prejudicial. Devemos ir diretamente ao inimigo, que nos ataca e nos fere de seu esconderijo, que mata antes mesmo de ser visto.

O apóstolo põe diante de nós um inimigo perigoso, não para infundir-nos medo, mas para aguçar nossa diligência. Ao falar do poder do inimigo, Paulo se esforça por manter-nos mais atentos. Ele já o denominara de diabo, mas agora usa uma série de epítetos, para que os crentes pudessem entender que esse não é um inimigo a ser tratado com descaso.

Ele o chama de principados e potestades, de dominadores deste mundo tenebroso. Sua intenção é mostrar-nos que o diabo reina no mundo, porquanto o mundo outra coisa não é senão tenebrosidade. Daí segue-se que a corrupção do mundo cede espaço as forças espirituais do mal. Paulo não está aqui atribuindo aos demônios um principado, do qual se apoderam sem o devido consentimento e o exercem em oposição a Deus, e sim, o atribui àquele que, como a Escritura ensina, Deus, em justa vingança, permite que ajam contra os perversos. A questão aqui é a seguinte: não propriamente que espécie de poder os demônios exercem em oposição a Deus, e sim, quão assustadores eles se nos tornam, com o fim de manter-nos sempre em guarda. Nem tampouco essas palavras pretendem favorecer a crença de que o diabo criou e mantém para si mesmo a região intermédia nos ares. Paulo não lhes designa um território fixo, do qual se apoderam e o qual controlam, mas simplesmente indica que estão imbuídos de hostilidade e se encontram nas regiões mais elevadas.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

domingo, 30 de julho de 2023

“U GEEFT RUST”

“U GEEFT RUST”

“TU DÁS PAZ”

A terra conhece Sua grande força.

Sua voz trouxe isso.

E também o mar, tão selvagem e profundo

fique em silêncio diante de Ti, que criou tudo.

 

Através de tudo, através de tudo,

Senhor, eu olho para Ti.

Por tudo, por tudo: Tu és a paz.

Através de tudo, através de tudo,

Senhor, eu olho para Ti.

E tu me dás paz.

 

Dá-me fé que não falhará,

mesmo que a dúvida pareça maior.

A montanha, tão grande e alta para mim

desaparece no mar, o caminho está livre.

 

Olhe para cima, deixe ir, confie nEle,

a tempestade ainda reconhece seu nome.

Olhe para cima, deixe ir, confie nEle,

a tempestade ainda reconhece seu nome.

Olhe para cima, deixe ir, confie nEle,

a tempestade ainda reconhece seu nome.

 

Tu dás paz à minha alma.

Tu dás paz, Tu dás paz à minha alma.

Tu dás paz à minha alma.

Tu dás paz, Tu dás paz à minha alma.

GOEDHEID VAN GOD

"BONDADE DE DEUS"

Eu te amo.

Tua graça continua a me carregar;

dia após dia, na palma da tua mão.

De manhã até à noite,

quando eu voltar a dormir

Eu sempre canto sobre a bondade de Deus.

 

Toda a minha vida foste fiel, Senhor.

Toda a minha vida Tu és bom, tão bom!

Enquanto me deres fôlego, Senhor,

Eu sempre canto sobre a bondade de Deus.

 

Sua voz suave

conduziu-me por todos os meus vales.

Tu estavas perto, na minha noite mais escura.

Senhor, eu te conheço como um Pai.

Eu te conheço como amigo.

Eu vivo contigo, na bondade de Deus.

 

Tua bondade está sempre comigo,

está comigo dia e noite.


Todo meu coração e alma

Eu coloco diante de Ti.

Eu te dou tudo, Senhor!

Tua bondade está sempre comigo,

está comigo dia e noite.

 

Sim, eu canto sobre a bondade de Deus.

sábado, 29 de julho de 2023

“DIGNO DE HONRA SEJA O MATRIMÔNIO”


“DIGNO DE HONRA SEJA O MATRIMÔNIO”

“Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros” (Hb 13.4).

Ao sermos informados de que o matrimônio deve ser tido em honra, deve ocorrer-nos imediatamente que o nosso comportamento nele tem de ser honroso e reverente. Vemos também que o escritor aos Hebreus, aqui, está contrastando o matrimônio com a fornicação como um antídoto contra uma moléstia, e o contexto claramente revela que essa era sua intenção. Antes de ameaçar que o Senhor punirá os fornicários, o apóstolo apresenta o genuíno caminho para evitar-se tal punição, ou seja: viver honradamente na vida conjugal. Este, portanto, deve ser o ponto primordial: que a fornicação não se efetuará impunimente, visto que Deus se vingará contra ela. Visto que Deus tem abençoado a união entre um homem e sua esposa, a qual ele mesmo instituiu, segue-se que qualquer divergência neste caso será por ele condenada e amaldiçoada. Ele promete castigo não só para os adúlteros, mas também para toda classe de fornicários, porquanto ambos se afastam da santa ordenação de Deus, e deveras a violam e a subvertem por sua promiscuidade, já que só existe uma única união legítima que é ratificada pelo Nome e pela autoridade de Deus. Visto que não se pode controlar os promíscuos e irrequietos sem o antídoto do matrimônio, o autor no-lo recomenda e o denomina de honrável.

Quanto ao aditamento, leito sem mácula, tomo-o no seguinte sentido: aqueles que se unem pelos laços do matrimônio devem saber que não podem proceder segundo a inclinação de sua natureza, senão que o uso lícito de seu leito conjugal deve ser no espírito de moderação, de modo a não admitir nada que seja contrário à modéstia e à castidade do matrimônio.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

terça-feira, 18 de julho de 2023

“O PERIGO DA IMPENITÊNCIA PROPOSITAL”


O PERIGO DA IMPENITÊNCIA PROPOSITAL”

“Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido: Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo” (Mt 11.20-24).

Podemos notar nesta repreensão severa de Jesus “que haverá menos rigor” para Tiro, Sidon e Sodoma, no Dia do Juízo, do que para aquelas cidades que tinham ouvido seus sermões e contemplado os milagres que Ele fez, mas não se arrependeram. É o que chamamos de impenitência proposital, ou seja, eles deliberadamente não demonstraram arrependimento.

Pensemos, por um momento, em quanta imoralidade, devassidão, idolatria e escuridão espiritual deve ter havido em Tiro e Sidom. Relembremos a iniquidade de Sodoma. Recordemo-nos de que as cidades designadas por nosso Senhor - Corazim, Betsaida e Cafarnaum - provavelmente não eram piores do que quaisquer outras cidades da Judéia, e que, seja como for, eram muito melhores, moralmente falando, do que Tiro, Sidom ou Gomorra. Então, observemos que os habitantes de Corazim, Betsaida e Cafarnaum achar-se-ão no mais profundo inferno, porquanto, embora tenham ouvido o evangelho, não se arrependeram, e mesmo dispondo de grandes vantagens religiosas, não tiraram proveito delas.

Essas palavras deveriam soar nos ouvidos de todos que ouvem regularmente a pregação do evangelho, mas não querem converter-se. Quão grande é a culpa de tais pessoas, diante de Deus! Que tremendo perigo espiritual em que se acham, dia após dia! Por mais decentes, morais e respeitáveis que possam ser suas vidas, na verdade eles são mais culpados aos olhos de Deus do que os moradores de Tiro e Sidom, ou do que algum miserável habitante de Sodoma. Aquele povo não dispunha de qualquer luz espiritual, mas estes últimos negligenciaram a luz que lhes é proporcionada. Aqueles nunca tiveram oportunidade de ouvir o evangelho, mas estes não querem obedecer-lhe. O coração daquela gente da antiguidade talvez chegasse a sensibilizar-se, se tivessem desfrutado dos mesmos privilégios destes últimos. Tiro e Sidom “se teriam arrependido com pano de saco e cinza”, e Sodoma teria “permanecido até o dia de hoje”.

Só podemos tirar de tudo isso uma única e dolorosa conclusão: a culpa de tais pessoas, insensíveis ao evangelho, será muito maior do que a daqueles antigos, no último dia.

Que todos nós meditemos com frequência a respeito deste assunto! Que fique bem estabelecido em nossas mentes que o fato de ouvirmos e gostarmos do evangelho, apenas, não é o suficiente. Precisamos ir mais além. Devemos fazer o que o Senhor Jesus disse: “arrependei-vos e convertei-vos”. Precisamos, realmente, valer-nos de Cristo, unindo-nos espiritualmente a Ele. Enquanto não fizermos assim, estaremos em grave perigo. No fim, haverá menos rigor para os moradores de Tiro, Sidom e Gomorra, que não ouviram o evangelho, do que para os que agora vivem em nosso meio e ouvem o evangelho, mas morrem na incredulidade.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
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quarta-feira, 12 de julho de 2023

“QUE FILHO HÁ QUE O PAI NÃO CORRIGE?”

 

“QUE FILHO HÁ QUE O PAI NÃO CORRIGE?”

“É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos” (Hb 12.7,8).

O escritor da carta aos Hebreus arrazoa partindo da prática comum dos homens, dizendo que não é saudável para os filhos de Deus viverem livres da disciplina da cruz. Se não há entre os homens, pelo menos entre os prudentes e ajuizados, algum que não corrija a seus filhos, já que eles não podem ser guiados à real virtude sem disciplina, muito menos Deus, que é o melhor e o mais sábio dos pais, negligenciaria um antídoto tão eficaz. Se alguém replicar que esse gênero de correção deixa de existir entre os homens, assim que os filhos saem da adolescência, repondo que ao longo de nossa vida terrena não somos mais que meras crianças em relação a Deus, e que essa é a razão por que a vara terá sempre de ser aplicada às nossas costas. O apóstolo corretamente chega à conclusão de que qualquer um que busque isentar-se da cruz, ao mesmo tempo se exclui do número dos filhos de Deus. Segue-se desse fato que não damos o real valor à bênção da adoção como deveríamos, e rejeitamos toda a graça de Deus quando procuramos evitar sua disciplina. E isso é o que devem fazer todos aqueles que não suportam as aflições com equanimidade. Por que, pois, ele denomina os que evitam a correão de bastardos, em vez de simplesmente estranhos? Precisamente porque o apóstolo está a dirigir-se aos que se encontram arrolados como membros da Igreja e, portanto, filhos de Deus. Ele está a indicar que se eles se desvencilham da disciplina do Pai, então sua confissão de Cristo é falsa e improcedente, de modo que são bastardos e não filhos.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

domingo, 25 de junho de 2023

“SEJA A VOSSA VIDA SEM AVAREZA”

SEJA A VOSSA VIDA SEM AVAREZA”

“Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?” (Hb 13.5,6).

Com o proposito de corrigir a ganância, o autor de Hebreus correta e sabiamente nos incita a vivermos contentes com o que possuímos. Ao vivermos contentes com que o Senhor já nos presenteou - seja muito, seja pouco -, estamos revelando o genuíno desprendimento do dinheiro ou, pelo menos, a boa intenção no correto e moderado uso dele. Pois raramente sucede que o avarento se satisfaça com alguma coisa, senão que, ao contrário, os que não se satisfazem com uma porção moderada, sempre buscarão mais, mesmo quando desfrutem das mais opulentas riquezas. Essa é a doutrina que o apóstolo Paulo diz ter aprendido, ou seja: que aprendera a viver em abundância, bem como a enfrentar necessidades (Fp 4.12). A pessoa que aprende a restringir seus desejos a fim de descansar feliz com sua porção, na verdade conseguiu banir de seu coração o amor ao dinheiro.

Vemos que o servo de Deus cita, aqui, dois fragmentos de testemunho: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”. Quanto ao primeiro, creio que foi inferido do ensino comum da Escritura, embora ele diga que o Senhor, em outra parte, promete que jamais falhará em relação a nós. De tal promessa ele infere o que se acha expresso no Salmo 118.6, “O Senhor está comigo; não temerei. Que me poderá fazer o homem?”, ou seja: que possuímos uma forte base para subjugar o medo quando nos sentimos seguros do auxílio divino. É indubitável que a ausência de fé constitui a fonte da avareza. Qualquer que alimente a firme convicção de que jamais será esquecido pelo Senhor não viverá em nociva perplexidade, visto que sua dependência está radicada na providência divina. Portanto, ao desejar o apóstolo curar-nos da doença da avareza, com propriedade nos lembra das promessas divinas, pelas quais ele testifica que Deus estará sempre presente conosco. Daqui ele conclui que, enquanto tivermos um Ajudador tão solícito, não deve existir motivo algum para medo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.