"CONCERTO DE ADORAÇÃO&GRAGAÇÃO REAVIVAMENTO CD47"
terça-feira, 5 de setembro de 2023
Aanbiddingsconcert & Opname Opwekking Cd 47
segunda-feira, 28 de agosto de 2023
“OS PECADOS DE ALGUNS HOMENS SÃO NOTÓRIOS”
“OS PECADOS DE ALGUNS HOMENS SÃO NOTÓRIOS”
“Os pecados de
alguns homens são notórios e levam a juízo, ao passo que os de outros só mais
tarde se manifestam” (1Tm 5.24).
Nada é mais
desgastante para os fiéis ministros da Igreja do que não encontrar um meio de
corrigir os males, a serem obrigados a suportar os hipócritas, cuja
perversidade se faz notória, a se sentirem incapazes de excluir da Igreja os
muitos que se constituem em peste nociva, ou mesmo impedi-los de espalhar sua
peçonha através de suas artes secretas. E assim Paulo consola a Timóteo com
esse lenitivo, ou seja, que algum dia, quando aprouver a Deus, serão citados
publicamente. Dessa forma o apóstolo o confirma na paciência, pois ele deveria
tranquilamente aguardar o tempo certo, o qual Deus, em sua sabedoria, preordenou.
Há outro tipo
de conduta vil que aflige dolorosamente os bons e santos pastores, a saber,
depois de terem conscientemente desempenhado seus deveres, ainda são provocados
por críticas inúmeras e injustas; são objetos da má vontade e descobrem que as
ações que deveriam merecer louvor são na verdade vituperadas. Paulo trata disso
também, ao dizer a Timóteo que há algumas boas obras que só virão à luz muito
depois. Por conseguinte, se o louvor a elas devido é, por assim dizer,
sepultado nas profundezas da terra, em virtude da ingratidão humana, também
isso deve ser suportado pacientemente até que chegue o tempo de sua
manifestação.
Mas Paulo
provê mais de um antídoto para esses males. Às vezes fracassamos na escolha de
ministros, pois os homens indignos penetram pela astúcia, enquanto que os
homens certos nos são desconhecidos; ou, ainda que o nosso juízo seja correto,
não podemos obrigar outros a aceitarem o nosso juízo, de modo que os melhores
homens são rejeitados, a despeito de todos os nossos esforços, e os maus se
introduzem com astúcia ou vencem pela força. Em tais circunstâncias, o estado
da Igreja, e a nossa própria situação, inevitavelmente geram em nós uma
profunda ansiedade. O apóstolo faz um vigoroso esforço por remover, ou pelo
menos atenuar, essa causa de ofensa. Sua intenção pode ser sumariada assim: “As
coisas que não podem ser imediatamente corrigidas, pelo menos devem ser
suportadas; devemos sofrer e gemer até que chegue o tempo de aplicar o antídoto;
e não devemos usar a força para extirpar as doenças, mas esperar que estejam
maduras ou se exponham à vista. Por outro lado, quando a virtude não conquista
a devida recompensa, devemos aguardar o tempo pleno da revelação, tolerar a
estupidez do mundo e quedar-nos tranquilamente em meio às trevas, até que raie
a autora”.
Quando Paulo diz: “Os pecados de
alguns homens são notórios”, sua intenção é que são logo descobertos e vêm
ao conhecimento dos homens, por assim dizer, antecipadamente. Ele diz a mesma
coisa, de uma forma diferente, quando acrescenta que eles correm ou se apressam
para o seu juízo. Vemos muitas pessoas que se lançam precipitadamente e de sua
própria iniciativa trazem condenação sobre si próprias, ainda que o mundo
inteiro queira salvá-las. Sempre que tal coisa aconteça, lembremo-nos de que os
réprobos são impelidos para sua própria ruína pela secreta instigação da
providência divina.
“Ao passo que os de outros só mais
tarde se manifestam”. Paulo
havia dito que os pecados de alguns se apressam celeremente para o seu juízo, e
agora acrescenta o reverso, dizendo que os pecados de alguns só depois são descobertos,
ou seja, que embora os pecados dos homens sejam ocultos mais do que
gostaríamos, e vêm a lume só mais tarde, todavia não ficam ocultos para sempre,
eles terão o seu próprio tempo; que embora a vingança de Deus não se apresse,
ela vem lentamente depois.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“O PLENO CONHECIMENTO DA VERDADE SEGUNDO A PIEDADE”
“O PLENO CONHECIMENTO DA VERDADE SEGUNDO A PIEDADE”
“Paulo, servo
de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de
Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” (Tt 1.1).
A fim de
apoiar sua alegação de que seu apostolado está livre de toda e qualquer
impostura e equívoco, o apóstolo Paulo declara que sua mensagem nada contém
senão aquela notória e averiguada verdade, a qual pode instruir os homens no
perfeito culto divino. Visto, porém, que cada palavra tem sua própria
importância, nos será de muito proveito examiná-las.
Em primeiro
lugar, ao chamar a fé de “conhecimento”, Paulo não está meramente
distinguindo-a de opinião, mas daquela fé forjada e implícita inventada por
hereges. Pois por fé implícita eles querem dizer algo destituído de toda luz da
razão. Ao dizer que conhecer a verdade pertence à essência da fé, ele
claramente demonstra que sem o conhecimento não há certeza de fé.
Com o termo, “verdade”,
Paulo explica ainda mais claramente a certeza que a natureza da fé requer; pois
a fé não se satisfaz com probabilidades, mas com a plena verdade. Além do mais,
ele não esta falando, aqui, de qualquer gênero de verdade, mas daquela que é
contrastada com a vaidade do entendimento humano. Pois como Deus se nos tem
revelado através dessa verdade, ela é a única que merece o título de “a verdade”
- título este a ela dado em muitos passos bíblicos. “O Espírito vos guiará a
toda verdade” (Jo 16.13). “Tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). “Quem vos
fascinou para não obedecerdes à verdade” (Gl 3.1). “Por causa da esperança que
vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade
do evangelho” (Cl 1.5). “A igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade”
(1Tm 3.15). Em suma, a verdade é aquele puro e perfeito conhecimento de Deus, o
qual nos livra de todo e qualquer erro e falsidade. Devemos considerar que não
há nada mais miserável do que vagar ao longo de toda a nossa vida como ovelhas
perdidas.
A próxima
frase, que é “segundo a piedade”, qualifica a verdade de uma forma específica,
da qual Paulo esteve falando, e ao mesmo tempo recomenda sua doutrina a partir
de seu fruto e propósito, visto que seu alvo único é promover o culto divino
correto, e manter a religião genuína entre os homens. E assim ele livra sua
doutrina de toda e qualquer suspeita de vã curiosidade, como ele fez diante de
Félix (At 24.10) e igualmente diante de Agripa (At 26.1). Visto que todos os
questionamentos supérfluos que não se inclinam para a edificação devem ser com
toda razão suspeitos e mesmo detestados pelos cristãos piedosos, a única
recomendação legítima da doutrina é que ela nos instrui na reverência e temor
de Deus. E assim aprendemos que o homem que mais progride na piedade é também o
melhor discípulo de Cristo, e o único homem que deve ser tido na conta de
genuíno teólogo é aquele que pode edificar a consciência humana no temor de
Deus.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
domingo, 27 de agosto de 2023
“A FÉ QUE É DOS ELEITOS DE DEUS”
“A FÉ QUE É DOS ELEITOS DE DEUS”
“Paulo, servo
de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de
Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” (Tt 1.1).
No caso de
alguém ainda nutrir dúvida acerca do apostolado de Paulo, ele apresenta fortes
razões para se crer nele, conectando-o à salvação dos eleitos de Deus, como se
quisesse dizer: “há uma relação mútua entre meu apostolado e a fé dos eleitos
de Deus, de modo que ninguém poderá rejeitá-lo sem que se torne um réprobo e
estranho à fé genuína”. Com o termo, “eleitos”, Paulo indica não só aqueles que
ainda estavam vivos naquele tempo, mas a todos quantos foram eleitos desde o
princípio do mundo. Sua intenção é que ele não ensina nenhuma doutrina que não
esteja em harmonia com a fé de Abraão e de todos os pais. E assim, se alguém
hoje desejar ser considerado sucessor de Paulo, o mesmo terá que provar que é
ministro da mesma doutrina. Essas palavras, porém, contêm um contraste
implícito, para tornar evidente que a incredulidade e a obstinação de muitos de
forma alguma trazem prejuízo ao evangelho. Pois naquele tempo, assim como hoje,
os fracos na fé eram terrivelmente escandalizados porque grande parte daqueles
que alegavam pertencer à Igreja rejeitavam a doutrina integral de Cristo. Por
essa razão Paulo mostra que, mesmo que todos, indiscriminadamente, se
gloriassem no nome de Deus, há um grande número no seio dessa multidão que, não
obstante, são réprobos. Como ele diz em outro lugar: “Nem por serem
descendência de Abraão são todos filhos, mas: Em Isaque será chamada a tua
descendência” (Rm 9.7).
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
segunda-feira, 21 de agosto de 2023
“ANTES, PROMOVEM DISCUSSÕES”
“ANTES, PROMOVEM DISCUSSÕES”
“Quando eu
estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso
para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem
se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do
que o serviço de Deus, na fé” (1Tm 1.3,4).
Tudo o que não edifica deve ser
rejeitado, ainda que não tenha nenhum outro defeito; e tudo o que só serve para
suscitar controvérsias deve ser duplamente condenado. Tais são todas as
questões sutis nas quais os homens ambiciosos praticam suas habilidades. É
mister que nos lembremos de que todas as doutrinas devem ser comprovadas
mediante esta regra: aquelas que contribuem para a edificação devem ser
aprovadas, mas aquelas que ocasionam motivos para controvérsias infrutíferas
devem ser rejeitadas como indignas da Igreja de Deus. Se este teste houvera
sido aplicado há muitos séculos, então, ainda que a religião viesse a se corromper
por muitos erros, ao menos a arte diabólica das controvérsias ferinas, a qual
recebeu a aprovação da teologia escolástica, não haveria prevalecido em grau
tão elevado. Pois tal teologia outra coisa não é senão contendas e vãs
especulações sem qualquer conteúdo de real valor. Por mais versado um homem seja
nela, mais miserável o devemos considerar. Estou cônscio dos argumentos
plausíveis com que ela é defendida, mas jamais descobrirão que o apóstolo Paulo haja
falado em vão ao condenar aqui tudo quanto é da mesma natureza.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
domingo, 20 de agosto de 2023
“... E INCORRA NA CONDENAÇÃO DO DIABO”
“... E INCORRA NA CONDENAÇÃO DO DIABO”
“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1Tm 3.1-6).
Naquele tempo, muitos homens de extraordinária habilidade e cultura
estavam sendo conduzidos à fé. O apóstolo Paulo, porém, proíbe que se façam
bispos aos que recentemente tenham professado a Cristo. E ele mostra quão
danoso seria tal expediente. Pois é evidente que os neófitos na fé geralmente
são fúteis e dominados pela ostentação, de modo que a arrogância e a ambição
facilmente os levam a se desertarem. O que Paulo diz aqui podemos confirmar
evocando nossa própria experiência; pois os neófitos não são simplesmente
ousados e impetuosos, mas também inchados de néscia confiança em si próprio,
como se fossem capazes de fazer o que nunca experimentaram. Portanto, não é sem
razão que sejam eles excluídos da honra do episcopado, até que, com o passar do
tempo, suas noções extravagantes tenham sido subjugadas.
“...e Incorra na condenação do diabo”. Enquanto que alguns pensam que [diabolos] significa Satanás, outros creem que significa caluniadores. Sinto-me inclinado para o primeiro ponto de vista, pois o termo latino, indiciun, raramente indica calúnia. Uma vez mais, porém, é possível entender essa referência: "e incorra na condenação de Satanás", no sentido ativo ou passivo. Há uma antítese elegante que realça a enormidade do caso: “Para não suceder que aquele que é posto sobre a Igreja de Deus, movido de orgulho, caia na mesma condenação em que caiu o diabo”. Não obstante, não descarto o significado ativo, a saber, que tal homem dará ao diabo ocasião para condená-lo.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
sexta-feira, 18 de agosto de 2023
“CONTINUA NESTES DEVERES”
“CONTINUA NESTES DEVERES”
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque,
fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1Tm 4.16).
Não deve causar estranheza que o apóstolo Paulo atribui a Timóteo a obra
de salvar a Igreja, porquanto todos os que são conquistados para Deus são
salvos, e é por meio da pregação do evangelho que somos unidos a Cristo. E
assim, como a infidelidade ou negligência de um pastor é fatal à Igreja, também
é justo que sua salvação seja atribuída à sua fidelidade e diligência. É
deveras verdade que é unicamente Deus quem salva, e que nem mesmo uma ínfima
porção de sua glória é transferida para os homens. Mas a glória de Deus não é
de forma alguma ofuscada em usar ele o labor humano para outorgar a salvação. A
salvação dos homens é dom de Deus, visto que ela emana exclusivamente dele e é
efetuada unicamente por seu poder, de modo que ele é o seu único Autor. Mas
esse fato não exclui o ministério humano, tampouco nega que tal ministério
possa ser o meio de salvação, porquanto é desse ministério que depende o
bem-estar da Igreja (Ef 4.11,12). Esse ministério é por natureza inteiramente
obra de Deus, pois é Deus quem modela os homens para que sejam bons pastores e
os guia por intermédio de seu Espírito e abençoa o trabalho para que o mesmo
não venha a ser infrutífero. Se um bom pastor é nesse sentido a salvação daqueles
que o ouvem, que os maus e indiferentes saibam que sua ruína será atribuída aos
que têm responsabilidades sobre eles. Pois assim como a salvação de seu rebanho
é a coroa do pastor, assim também todos os que perecem serão requeridos das
mãos dos pastores displicentes (Ez 33.8).
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“TEM CUIDADO DE TI MESMO E DA DOUTRINA”
“TEM CUIDADO DE TI MESMO E DA DOUTRINA”
“Tem cuidado
de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim,
salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1Tm 4.16).
Um bom pastor
deve ser criterioso acerca de duas coisas: ser diligente em sua doutrinação e
conservar sua integridade pessoal. Não basta que ele amolde sua vida de acordo com
o que é recomendável e tome cuidado para não dar mau exemplo, se não
acrescentar à vida santa uma diligência contínua na doutrinação. E a
doutrinação será de pouco valor se não houver uma correspondente retidão e
santidade de vida. Por conseguinte, o apostolo Paulo tem sobejas razões para
intimar Timóteo a dar atenção tanto à sua pessoa em particular quanto à sua
doutrinação para o proveito geral da igreja. Uma vez mais, ele recomenda-lhe
constância, para que jamais se prostre exausto, porque muitas coisas sucedem
que podem desviar-nos da trajetória retilínea, se não estivermos solidamente
firmados para suportá-las.
O zelo dos
pastores será profundamente solidificado quando forem informados de que tanto
sua própria salvação quanto a de seu povo dependem de uma séria e solícita
devoção ao seu ofício. Entretanto, visto que o ensino que contém sólida
edificação geralmente não produz exibição bombástica, Paulo adverte a
preocupar-se com o que é proveitoso; como se quisesse dizer: “Os homens que
buscam glória, então que se alimentem de sua própria ambição e se congratulem
com sua própria engenhosidade; tu, porém, contenta-te em devotar-te
exclusivamente à salvação de ti mesmo e de teu povo”.
Deus nos
abençoe!
João Calvino
(1509-1564).
quinta-feira, 10 de agosto de 2023
“O AMOR AO DINHEIRO”
“O AMOR AO DINHEIRO”
“Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da
fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1Tm 6.10).
Não é preciso
ser exageradamente cauteloso em comparar outros vícios com este. É verdade que
a ambição e o orgulho às vezes produzem frutos piores que os da cobiça; não
obstante, a ambição não provém da cobiça. O mesmo é verdade a respeito das
paixões sexuais. Mas não era a intenção do apóstolo Paulo incluir sob o tema da
cobiça todo gênero de vício que nos seja possível nomear. O que então ele quis
dizer? Simplesmente que inumeráveis males provêm dela, justamente como amiúde
usamos a mesma forma de expressão quando dizemos que a discórdia, ou a
glutonaria, ou a embriaguez, ou qualquer outro vício dessa espécie produz todo
tipo de males. E é especialmente verdade no tocante à vil avidez por lucros,
que não há males que este não produza farta e diariamente incontáveis fraudes,
falsidades, perjúrio, impostura, extorsão, crueldade, corrupção judicial,
contendas, ódio, envenenamentos, homicídios e toda sorte de crimes. Afirmações
desse gênero ocorrem com muita frequência nos escritores pagãos, e aqueles que aplaudem
suas hipérboles não têm direito algum de se queixar, dizendo que a linguagem de
Paulo é extremamente extravagante. Diariamente a experiência comprova que o
apóstolo simplesmente descreveu os fatos como realmente são. Lembremo-nos,
porém, de que os crimes que procedem da avareza podem também provir, e com
frequência provêm, da ambição, ou da inveja, ou de outras más disposições.
A avareza é a
fonte do maior de todos os males - a apostasia da fé. Os que sofrem dessa praga
gradualmente se degeneram até que renunciam completamente a fé. Daí as dores de
que Paulo fala, pois tomo a sua expressão como sendo os medonhos tormentos da
consciência que geralmente fustigam os homens que não mais acalentam qualquer
esperança; embora Deus conte também com outros métodos para atormentar os
cobiçosos e convertê-los em seus próprios atormentadores.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
“OS QUE QUEREM FICAR RICOS”
“OS QUE QUEREM FICAR RICOS”
“Ora, os que
querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências
insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” (1Tm 6.9).
Havendo
exortado Timóteo a viver contente e a descartar a ansiedade pelas riquezas, o
apóstolo Paulo agora adverte sobre quão perigoso pode tornar-se um
incontrolável anelo por elas, especialmente nos ministros da Igreja, os quais
constituem a principal preocupação do apóstolo aqui. Não são as riquezas em si
a causa dos males que Paulo menciona aqui, mas o profundo apego a elas, mesmo
quando a pessoa seja pobre. E aqui ele descreve não só o que geralmente sucede,
mas o que quase sempre inevitavelmente sucede. Pois todos quantos têm como seu ambicioso
alvo a aquisição de riquezas se entregam ao cativeiro do diabo. É mui veraz o
que diz o poeta pagão: “Aquele que quer ser rico, também quer ser rapidamente rico”. E assim, segue-se que
todos quantos violentamente desejam ficar ricos são arrebatados por sua própria
impetuosidade. Essa é a fonte de sua loucura, ou, melhor, desses loucos
impulsos que por fim os mergulharão na ruína. Esse é um mal universal, mas ele
se revela muito mais conspicuamente nos pastores da Igreja, pois a avidez os
irrita tanto que não se deterão diante de nada, por mais disparatado que seja,
tão logo o brilho da prata ou do ouro ofusque seus olhos.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).








