"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 1 de setembro de 2026

“A FIGUEIRA MURCHA” - Conclusão


“A FIGUEIRA MURCHA”

“Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!” (Mt 21.17-20).

Conclusão.

Sugiro que todas as pessoas aqui presentes clamem ao Senhor para nos tornar conscientes da nossa esterilidade natural. Amados irmãos, que o Senhor nos leve a lamentar nossa esterilidade, mesmo quando trazemos alguns frutos. Sentirem-se bem satisfeitos consigo mesmos é perigoso: julgarem-se santos, e até mesmo perfeitos, é ficar à beira da fossa do orgulho. Se vocês erguerem a cabeça tão alta, temo que vão batê-la contra a verga da porta. Se andarem sobre pernas de pau, temo que cairão. É muito mais seguro sentir: "Senhor, realmente sirvo a Ti, e não sou enganador. Amo-te realmente; Tu tens operado em mim as obras do Espírito. Mas ai de mim! Não sou o que quero ser, não sou o que devo ser. Aspiro à santidade; ajuda-me a alcançá-la. Senhor, devo ficar deitado no próprio pó diante de Ti quando penso que, depois de ter recebido o trabalho da escavação e da adubação, produzo tão poucos frutos. Sinto que sou menos do que nada. Meu clamor é: "Deus tem misericórdia de mim". Se eu tivesse feito tudo, ainda seria um servo de pouco proveito; mas tendo feito tão pouco, Senhor, onde esconderei a minha cabeça culpada?"

Finalmente, depois de terem feito essa confissão, e o bom Senhor ter ouvido, há um símbolo nas Escrituras que eu gostaria que vocês copiassem. Imaginemos que nesta manhã vocês se sintam tão secos, mortos e infrutíferos, que não podem servir a Deus como gostariam de fazer, nem sequer orar pedindo mais graça, conforme desejam. Então, estão como doze varas. Estão muito mortas e secas, porque ficaram sempre nas mãos de doze chefes, que as usaram como cetros do seu cargo oficial. Essas doze varas devem ser colocadas diante do Senhor. Esta aqui é a de Arão; mas está tão morta e seca como qualquer das demais. Todas as doze são colocadas onde o Senhor habita. Vemo-las no dia seguinte. Onze delas continuam a ser varas secas; mas vejam essa vara de Arão! O que aconteceu? Era seca como a morte. Mas vejam, brotou! Isto é maravilhoso! Mas olhem, floresceu! Há nela flores de amendoeira. São cor-de-rosa e brancas. É uma maravilha! Mas olhem de novo: produziu amêndoas! Aqui estão! Vejam estes frutos verdes, que parecem pêssegos. Tirem a parte carnuda, e aqui está uma amêndoa cuja casca vocês podem quebrar para achar a noz. O poder celestial veio sobre a vara seca, e brotou, e floresceu, e até mesmo produziu amêndoas. Frutificar é a prova da vida e do favor. Senhor, tome essas pobres varas hoje, e faça-as brotar. Senhor, aqui estamos, num feixe, realize aquele milagre antigo em mil de nós. Faça-nos brotar, florescer, e frutificar! Vem com poder divino, e transforma esta congregação de gavela em pomar. Quem dera que nosso bendito Senhor obtivesse um figo dalguma vara seca nesta manhã! — pelo menos um figo tal como este: "Deus tem misericórdia de mim, pecador!" Há doçura nessa oração. Nosso Senhor Jesus gosta do sabor de um figo tal como este: "Senhor, creio! Ajuda a minha falta de fé!" Aqui está outro: "Ainda que ele me mate, nele esperarei" — é uma cestada de figos temporãos, e o Senhor se regozija na sua doçura. Vem, Espírito Santo, produza frutos em nós hoje, mediante a fé em Jesus Cristo, nosso Senhor! 

Deus nos abençoe!

Charles Haddon Spurgeon (1834-1892).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“A FIGUEIRA MURCHA” - Parte do segundo e terceiro ponto.


“A FIGUEIRA MURCHA”

Parte do segundo e terceiro ponto.

“Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!” (Mt 21.17-20).

II. Já é hora de nos lembrarmos da verdade solene do nosso segundo ponto: Essas pessoas serão inspecionadas pelo Rei Jesus.

Ele Se aproximará delas, e quando chegar a elas, procurará fruto. Ele perscruta totalmente o nosso caráter, para ver se há alguma fé genuína, algum amor verdadeiro, alguma esperança viva, algum gozo que seja fruto do Espírito Santo, alguma paciência, alguma abnegação, algum fervor na oração, algum andar com Deus, alguma habitação do Espírito Santo; e se Ele não vir tais coisas, não ficará satisfeito com a frequência à igreja, às reuniões de oração, às santas ceias, às leituras bíblicas, aos sermões, porquanto todas essas coisas podem não passar de folhagem. Se nosso Senhor não vir em nós o fruto do Espírito, não ficará satisfeito conosco, e Sua inspeção levará a medidas severas. Notem que o que Jesus está procurando não são suas palavras, suas resoluções, suas alegações, mas sua sinceridade, sua fé interior, suas pessoas sendo realmente trabalhadas pelo Espírito de Deus para produzirem frutos dignos do Seu reino. Nosso Senhor tem o direito de esperar fruto quando Ele vem procurá-lo. Como cristãos, confessamos que somos redimidos dentre os homens, e que fomos libertos desta geração perversa. Cristo talvez não espere fruto provindo dos homens que reconhecem o mundo e suas épocas mutáveis como sua orientação suprema; mas certamente pode esperar fruto daquele que crê na Sua própria Palavra.

III. Agora, em terceiro lugar, pela ajuda do Espírito de Deus, quero considerar a verdade de que o resultado da vinda de Cristo será muito terrível para quem fez uma profissão precoce - porém infrutífera.

Onde poderia ter esperado achar fruto, aquele que procurou não achou nada senão folhas. Nada senão folhas significa nada senão mentiras. Seria essa uma expressão severa? Se eu professo a fé, sem a possuir, não se trata de uma mentira? Se eu professo o arrependimento, sem ter-me arrependido, não se trata de uma mentira? Se eu me reúno com o povo do Deus vivo, sem ter o temor a Deus no meu coração, não se trata de uma mentira? Se eu venho à mesa da comunhão, e participo do pão e do vinho, porém nunca discirno o corpo do Senhor, não se trata de uma mentira? Se eu professo que defendo as doutrinas da graça, mas não tenho a certeza da veracidade delas, não se trata de uma mentira? Se nunca senti minha própria depravação, se nunca fui chamado de modo eficaz, se nunca conheci minha eleição por Deus, se nunca descansei no sangue remidor, e se nunca fui renovado pelo Espírito, minha defesa das doutrinas da graça não seria uma mentira? Se não há nada senão folhas, não há nada senão mentiras, e o Salvador percebe que a situação é assim.

Deus nos abençoe!

Charles Haddon Spurgeon (1834-1892).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“A FIGUEIRA MURCHA” - Introdução e parte do primeiro ponto.


“A FIGUEIRA MURCHA”

Introdução e parte do primeiro ponto.

“Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!” (Mt 21.17-20).

Que grande lição para as igrejas! Tem havido igrejas nas quais se destacaram os números e a influência, contudo a fé, o amor e a santidade não foram mantidos, e o Espírito Santo as deixou à exibição vã de uma profissão infrutífera; e ali ficam aquelas igrejas com o tronco da organização e com os galhos amplamente estendidos, mas estão mortas, e ano após ano tornam-se cada vez mais decadentes. Irmãos, temos nesta hora igrejas desse tipo entre os protestantes evangélicos. Que nunca seja assim com esta igreja! Podemos ter um bom número de pessoas que vem para ouvir a Palavra, e um grupo considerável de homens e mulheres que professam estar convertidos; mas a não ser que a piedade vital esteja em seu meio, o que são as congregações e as igrejas? Podemos ter um ministério de valor, mas o que ele seria sem o Espírito de Deus? Podemos ter grandes ofertas, e muitos esforços exteriores, mas o que valem sem o espírito da oração, o espírito da fé, o espírito da graça e da consagração? Eu ficaria apavorado se um dia nós chegássemos a ser como uma árvore precoce, ostentando uma profissão superlativa, mas sem valor aos olhos do Senhor, por estar ausente a vida secreta da piedade e da união vital com Cristo. Seria melhor o machado derrubar todo vestígio da árvore, do que deixá-la em pé sob o céu como uma mentira aberta, uma zombaria, uma ilusão.

I. Em primeiro lugar, então, há no mundo casos de profissão promissora, porém infrutífera. 

Os casos aos quais nos referimos não são tão raros assim. As pessoas envolvidas neles superam, em muito, tantas outras. Sua promessa é bem audível, e seu exterior é muito impressionante. Parecem árvores frutíferas; esperamos delas muitas cestadas dos melhores figos. Elas nos impressionam com a sua conversa, nos deixam assoberbados com os seus modos. Invejamos a elas, e açoitamos a nós mesmos. Essa última atitude talvez não nos faça mal; mas invejar hipócritas não pode deixar de ser danoso a longo prazo; isto porque quando for descoberta a hipocrisia delas, tenderemos a desprezar a religião, como também os que fingem ser religiosos. Acaso vocês não conhecem pessoas que na aparência são tudo e na realidade não são nada? Ó pensamento tenebroso! Nós mesmos poderíamos ser assim? Vejam o homem: ele está forte na fé, até o ponto da presunção; está alegre na esperança, até o ponto da leviandade; é amoroso de espírito, até o ponto de total indiferença quanto à verdade! Como é loquaz na conversa! Como está profundo na especulação teológica! Como é fervoroso em conclamar a movimentos de avanço! Nunca, porém, entrou no reino mediante o novo nascimento. Nunca foi ensinado por Deus. O evangelho chegou a ele somente em palavras. A obra do Espírito Santo lhe é desconhecida. Porventura não existem tais pessoas? Não há pessoas que são defensoras da ortodoxia, no entanto, heterodoxas na sua própria conduta? Não conhecemos homens e mulheres cujas vidas negam o que os seus lábios professam? Temos certeza de que assim é. Todas as vinhas já tiveram nelas figueiras cobertas de folhas, que se destacaram pela folhagem da sua profissão de fé, todavia não produziram frutos para o Senhor.

Deus nos abençoe!

Charles Haddon Spurgeon (1834-1892).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

HART EN LICHAAM – Mozaiek Worship

“Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (Sl 63:1).

HART EN LICHAAM – CORAÇÃO E CORPO

Venho aqui com o meu vazio
Com sede da Tua água viva
Meu coração e meu corpo clamam
Por mais de Ti
Jesus, tudo o que eu quero
Jesus, o que a minha alma
tanto precisa
Jesus, o que eu anseio
Meu coração e meu corpo
Clamam por Ti
Meu coração e meu corpo
Anseiam por Ti.

domingo, 30 de agosto de 2026

“NADA ACHOU, SENÃO FOLHAS”


“NADA ACHOU, SENÃO FOLHAS”

No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome”. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto” (Mc 11:12-14).

Nos versículos 13 e 14 desta passagem de Marcos, podemos aprender qual o grande perigo envolvido na falta de frutos e na formalidade nas coisas espirituais. Essa foi uma lição que nosso Senhor ensinou por meio de uma notável lição figurativa. Jesus, tendo-se aproximado de uma figueira, à procura de figos, nela “nada achou senão folhas”. Então o Senhor proferiu sobre ela uma solene sentença: Nunca jamais coma alguém fruto de ti!” No dia seguinte, os discípulos “viram que a figueira secara desde a raiz” [v. 20]. Não podemos duvidar, por um momento sequer, que todo esse acontecimento serve de figura das coisas espirituais. Ele é repleto de significado como qualquer outro acontecimento envolvendo o Senhor Jesus.

Entretanto, a quem essa figueira sem frutos e ressecada tencionava falar? Ela foi um sermão de tríplice aplicação, um sermão que deveria falar em alto e bom som às consciências de todos os que se dizem cristãos. Embora ressecada até as raízes, aquela figueira ainda fala. Havia nela uma voz dirigida à comunidade judaica. Rica em folhas de formalidade religiosa, porém estéril quanto ao fruto do Espírito, corria um tremendo perigo, até mesmo na ocasião em que ocorreu esse ressecamento. Como teria sido bom, para a comunidade judaica, se conseguisse perceber o perigo! Naquela figueira há uma voz dirigida a todos os ramos da igreja de Cristo, em todos os séculos e em todos os lugares do mundo. Ali encontramos uma advertência contra uma vazia profissão de fé cristã, desacompanhada de doutrinas sãs e de um viver santificado – o que alguns desses ramos da igreja fariam bem em assentar no coração. Porém, acima de tudo, aquela figueira ressecada fala a todos os carnais, hipócritas e crentes de falso coração. Quão bom seria para todos os cristãos que se contentam com o nome de que vivem, enquanto, na realidade estão mortos, se ao menos quisessem contemplar os seus rostos refletidos no espelho dessa passagem da Bíblia.

Tenhamos todo o cuidado para que, individualmente, aprendamos bem a lição ministrada por essa figueira. Nunca esqueçamos o fato que o batismo em água, o ser membro de uma igreja local, a participação na Ceia do Senhor ou o uso diligente das cerimônias e formalidades externas do cristianismo são ineficazes para salvar as nossas almas. São apenas folhas, meras folhas. E, sem fruto, tal folhagem servirá somente para aumentar a nossa condenação eterna. Tal como as folhas da figueira, com as quais Adão e Eva fizeram para si uma vestimenta, essas folhas não conseguirão ocultar a nudez de nossas almas ante os olhos do Deus que tudo vê. Temos que produzir fruto ou estaremos perdidos para sempre. Deve haver frutos em nossos corações e em nossas vidas, o fruto do arrependimento para com Deus, da fé em nosso Senhor Jesus Cristo e da autêntica santidade. Sem tais frutos, declarar-se cristão servirá tão somente para afundar as nossas almas no inferno.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“TEVE FOME”


“TEVE FOME”

“No dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome”. E, vendo de longe uma figueira com folhas, foi ver se nela, porventura, acharia alguma coisa. Aproximando-se dela, nada achou, senão folhas; porque não era tempo de figos. Então, lhe disse Jesus: Nunca jamais coma alguém fruto de ti! E seus discípulos ouviram isto” (Mc 11:12-14).

Nesta passagem de Marcos, percebemos uma das muitas provas de que nosso Senhor Jesus Cristo era verdadeiramente homem. Lemos que ele “teve fome”. Jesus possuía uma natureza e uma constituição física igual à nossa, em todos os aspectos, excetuando apenas o pecado. Ele chorava, regozijava-se e sofria dor. Ele cansava e precisava descansar. Ficava com sede e precisa saciar a sua sede. Ele também sentia fome e precisava alimentar-se. 

Expressões como essas deveriam ensinar-nos a grande condescendência de Jesus. Quão admiráveis são essas expressões, quando refletimos sobre elas! Aquele que é o Pai da Eternidade. Aquele que criou o mundo e tudo que nele há. Aquele de cujas mãos saíram os frutos da terra, o peixes do mar, as aves do firmamento e as feras do campo – sim, Ele permitiu-se padecer fome, quando veio a este mundo, a fim de salvar os pecadores. Isso é um grande mistério. Bondade e amor desse tipo ultrapassam o entendimento humano. Não admira, pois, que o apóstolo Paulo tenha se referido às “insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3.8).

Declarações como essa deveriam nos ensinar a capacidade que Cristo tem de simpatizar como o seu povo. Ele conhece, por experiência própria, as tristezas pelas quais eles passam. Ele pode sentir-se comovido diante das debilidades do crente. Jesus passou pela experiência de viver em um corpo e de sentir as necessidades diárias desse corpo. Ele mesmo passou pelos severos sofrimentos a que o corpo humano está sujeito. Ele provou a dor, a debilidade, a exaustão, a fome e a sede. Quando nós Lhe falamos sobre essas coisas, em nossas orações, Ele sabe o que estamos querendo dizer-Lhe, não estranhando as nossas aflições. Por certo, esse é precisamente o Salvador e Amigo que a pobre, dolorida e sofredora natureza humana requer!

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

sábado, 29 de agosto de 2026

GRUPO LOGOS - Álbum Especial

CANÇÕES:

01 - Autor da Minha Fé – Grupo Logos
02 - Caminhos – Grupo Logos
03 - Espinhos – Grupo Logos
04 - Expressão de Louvor – Grupo Logos
05 - Mão no Arado – Grupo Logos
06 - Não Temas – Grupo Logos
07 - Não Tenhas Sobre ti – Josué Rodrigues e Jefferson França
08 - Obreiro Aprovado – Grupo Logos
09 - Portas Abertas – Grupo Logos
10 - Situações – Grupo Logos
11 - Portas Abertas – Grupo Logos


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

“CONVÉM QUE ELE CRESÇA”


“CONVÉM QUE ELE CRESÇA”

“Convém que ele cresça e que eu diminua” ( Jo 3:30).

João Batista dá mais um passo, pois tendo anteriormente sido elevado pelo Senhor à mais nobre dignidade, ele mostra que isso foi por apenas pouco tempo. Mas agora que o Sol da Justiça [Mt 4.2] entrou em cena, ele tem de deixar-lhe livre o caminho; e, por isso, não só dispersou e afugentou as fúteis fumaças da honra que lhe era precipitada e ignorantemente cumulada pelos homens, mas também se mune de excessivo cuidado para que a verdadeira e legítima honra que o Senhor lhe concedera de modo algum obscureça a glória de Cristo. Consequentemente, ele nos diz que a razão pela qual fora até aqui considerado grande profeta era que, por apenas algum tempo, ele foi posto em tão elevada condição até que Cristo se manifestasse, a quem ele teria que consagrar seu ofício. Entrementes, ele declara que muito mais espontaneamente se deixará reduzir a nada, contanto que Cristo ocupe e encha o mundo inteiro com seus benditos raios e todos os pastores da Igreja devem imitar tal zelo de João, curvando suas cabeças e ombros para que Cristo seja exaltado.   

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“O QUE TEM A NOIVA É O NOIVO”


“O QUE TEM A NOIVA É O NOIVO”

“O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim” (Jo 3:29).

Com esta comparação, João Batista confirma mais plenamente afirmação de que Cristo é o único que é excluído da estirpe ordinária dos homens, pois, como aquele que se une a uma esposa não chama e convida seus amigos para as bodas a fim de prostituir a noiva com eles, nem para renunciar a seus próprios direitos, permitindo-lhes participar com ele do leito nupcial; senão que, ao contrário, para que o matrimônio, sendo honrado por eles, se torne ainda mais sagrado. Assim, Cristo não chama seus ministros para o ofício docente a fim de que, conquistando a Igreja, reivindiquem domínio sobre ela, mas para que ele faça uso de seus labores fieis associando-os consigo. A designação de homens sobre a Igreja é uma distinção grande e sublime, para que representem a pessoa do Filho de Deus. Portanto, assemelham-se aos amigos a quem o noivo conduz ao seu lado, para que o acompanhem na celebração das bodas. Mas devemos atentar bem para esta distinção, a saber: que os ministros, sendo cônscios de sua posição, não se apropriem do que pertence exclusivamente ao noivo. A suma equivale a isto: que toda eminência que os mestres porventura possuam entre si não deve impedir a Cristo de ser o único a governar sua Igreja nem de governá-la exclusivamente por meio de sua palavra.

Esta comparação ocorre com frequência na Escritura, quando o Senhor intenta expressar o sacro vínculo de adoção, por meio do qual ele nos une a si. Pois, como se oferece para ser realmente desfrutado por nós, para que seja nosso, assim ele, como razão, exige de nós aquela fidelidade e amor mútuos que a esposa deve a seu esposo. Esse matrimônio se cumpre inteiramente em Cristo, de cuja carne e ossos somos nós, como Paulo nos informa [Ef 5.30]. A castidade exigida por ele consiste primordialmente na obediência ao evangelho, para que não permitamos desviar-nos de sua perfeita simplicidade, como nos ensina o apóstolo [2Co 11.2,3]. Portanto, devemos estar sujeitos unicamente a Cristo. Ele deve ser nossa única Cabeça. Não devemos desviar-nos sequer um fio de cabelo da doutrina simples do evangelho; tão somente ele deve possuir a mais elevada glória, para que retenha o direito e a autoridade de ser nosso Noivo.

Mas, o que os ministros devem fazer? Certamente o Filho de Deus os chama para que executem o seu dever em relação a ele na condução do matrimônio sagrado. Portanto, seu dever é tudo fazer para que de todas as formas, a esposa – que é confiado a sua responsabilidade – seja apresentada por eles como virgem casta a seu Esposo, o que Paulo na passagem supracitada, se gloria de haver feito. Mas os que arrastam a Igreja após si, e não a Cristo, se fazem culpados de vilmente violar o matrimônio que deveriam ter honrado. E, quanto maior é a honra que Cristo nos confere, fazendo-nos guardiãs de sua esposa, tão mais hedionda será nossa falta de fidelidade, se não nos esforçarmos em manter e defender seu direito.

Pois esta alegria já se cumpriu em mim. Significa que João já alcançou o cumprimento de todos os seus desejos, e que ele nada mais deseja, ao ver Cristo reinando e os homens dando-lhe ouvidos como de fato ele merece. Quem quer que tenha afetos tais que, pondo de lado toda consideração pessoal, exalte a Cristo, sinta-se feliz em ver Cristo sendo honrado, será fiel e bem sucedo em governar a Igreja. Todo aquele, porém, que muda o mínimo grau desse propósito será um vil adúltero, e outra coisa não fará senão corromper a esposa de Cristo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

“VÓS MESMOS SOIS TESTEMUNHAS”


“VÓS MESMOS SOIS TESTEMUNHAS”

“Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor” (Jo 3:28).

João reprova seus discípulos, dizendo que não deram crédito a suas afirmações. Ele os advertia com frequência, dizendo que não era o Cristo. E, por isso, assegurava-lhes que seria um servo do Filho de Deus e lhe seria sujeito juntamente como os demais. E esta passagem é digna de ponderação, pois, ao afirmar que não era o Cristo, ele nada merece para si senão sujeitar-se à cabeça e servir na Igreja como um dentre os demais, e não para ser tão altamente exaltado a ponto de obscurecer a honra da Cabeça. Diz ele que fora enviado antecipadamente com o fim de preparar o caminho para Cristo, como os reis costumavam enviar arautos como seus precursores.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“O HOMEM NÃO PODE RECEBER COISA ALGUMA”


“O HOMEM NÃO PODE RECEBER COISA ALGUMA”

“Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma se do céu não lhe for dada” (Jo 3:27.

Alguns atribuem essas palavras a Cristo, como se João acusasse os discípulos de perversa presunção em oposição a Deus, por tudo fazerem com o fim de privar a Cristo do que o Pai lhe dera. Supunham que o significado era este: “Que era obra de Deus o fato de que dentro de tão pouco tempo ele havia granjeado tão grande honra; e, por isso, era em vão que tentassem denegrir aquele a quem Deus com sua própria mão dera tão elevada posição”. Outros pensam que é uma exclamação que ele indignamente pronuncia, visto que seus discípulos até então tinham feito tão pouco progresso. E certamente era excessivamente absurdo que ainda lutassem por reduzir à posição de homens comuns àquele que, com tanta frequência ouviam , era o Cristo, o qual não podia erguer-se acima de seus próprios servos. E, portanto, João poderia, com justiça, ter dito ser inútil gastar tempo em instruir os homens, porquanto são obtusos e estúpidos, enquanto não fossem renovados em sua mente.

Antes, porém, concordo com a opinião daqueles que o explicam como uma aplicação a João, como a asseverar que não estava em seu poder, nem no deles, de fazê-lo grande, porque a medida de todos nós é sermos aquilo que Deus pretende que sejamos. Pois até mesmo o Filho de Deus não tomou para si honra alguma [Hb 5.4], que homem dentre a categoria ordinária se aventuraria a desejar mais do que aquilo que o Senhor deu? Se esse único pensamento, se estivesse devidamente impresso nas mentes de todos nós, seria sobejamente suficiente para refrear a ambição, e a ambição seria corrigida e destruída e a praga das contendas seria igualmente removida. Como sucede, pois, que cada pessoa se exalte mais do que lhe é lícito, senão porque não dependemos do Senhor, de modo a nos sentirmos satisfeitos com a posição que ele nos designou?

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“E TODOS LHE SAEM AO ENCONTRO”


“E TODOS LHE SAEM AO ENCONTRO”

“E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro” (Jo 3:26).

Do qual tens dado testemunho. Com tal argumento empreendem ou fazer Cristo inferior a João ou mostrar que João, honrando-o, o pusera sob obrigações, pois reconheciam que João conferira um favor a Cristo, adornando-o com títulos proeminentes, como se fora o dever de João fazer tal proclamação, ou melhor, como se não fora a mais elevada dignidade de João ser o arauto do Filho de Deus. Nada poderia ter sido mais irracional do que fazer Cristo inferior a João, visto que seu testemunho era sublimemente favorável, pois sabemos qual foi o testemunho de João. A expressão que usaram – todos lhe saem ao encontro ou vêm a Cristo – é a linguagem de pessoas invejosas, e procede da ambição pecaminosa, pois temiam que a multidão imediatamente esquecessem João, seu mestre.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

“UMA CONTENDA COM RESPEITO À PURIFICAÇÃO”


“UMA CONTENDA COM RESPEITO À PURIFICAÇÃO”

“Ora, entre os discípulos de João e um judeu suscitou-se uma contenda com respeito à purificação” (João 3:25).

Não sem uma boa razão, o Evangelho relata que entre os discípulos de João suscitou-se uma dúvida. Porque, à medida que eram informados a cerca da doutrina, mais prontos estavam em entrar em discussão, visto que a ignorância é sempre ousada e presunçosa. Se outros o atacavam, então poderiam justificar-se. Mas quando eles mesmos, ainda que sem razão, mantinham o fogo da contenda, provocando voluntariamente os judeus, isso constituía um procedimento precipitado e tolo.

Ora, as palavras significam que “foram eles que suscitaram a dúvida”. E não só deveriam responsabilizar-se por despertar uma questão da qual não tinham conhecimento, mas também por falarem a respeito precipitadamente e além da medida de seu conhecimento. Mas o outro erro foi – não menos que o primeiro – que pretendiam não tanto manter a legitimidade do batismo quanto defender a causa de seu mestre, para que sua autoridade permanecesse incomunicável. Em ambos os aspectos, mereceram reprovação, porque, não compreendendo qual era a natureza real do batismo, expunham a santa ordenança de Deus ao ridículo, e porque, mediante uma ambição pecaminosa, empreenderam defender a causa de seu mestre contra Cristo.

É evidente, pois, que ficaram atônitos e confusos com uma única palavra, quando foram informados de que Cristo também estava batizando, pois, enquanto sua atenção era direcionada para a pessoa de um homem e para sua aparência externa, preocupavam-se menos com a doutrina. Somos ensinados, por seu exemplo, que os equívocos em que os homens caem se devem a um desejo pecaminoso de agradar a si mesmos antes que movidos por zelo de Deus. E somos igualmente lembrados que o único objetivo que devemos ter em vista, e por todos os meios promover, é que tão somente Cristo deve ter a preeminência.

Com respeito à purificação. A dúvida foi proveniente da purificação, pois os judeus tinham vários batismos e lavagens ordenados pela Lei, e, não satisfeitos com aqueles que Deus designara, cuidadosamente observavam muitos outros que tinham sido introduzidos por seus ancestrais. Quando acham que, além de tão grande número e variedade de purificações, um novo método de purificação é introduzido por Cristo e por João, veem-no como um absurdo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

“O QUE NÃO CRÊ JÁ ESTÁ JULGADO”


“O QUE NÃO CRÊ JÁ ESTÁ JULGADO”

“Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3:18).

Isso significa que não há outro remédio pelo qual qualquer ser humano possa escapar da morte, ou, em outros termos, que para quantos rejeitam a vida que lhe é outorgada em Cristo nada resta senão a morte, visto que a vida não consiste em algo mais além da fé. O tempo perfeito do verbo, já está julgado ou condenado, foi usado por Cristo enfaticamente para expressar mais fortemente que todos os incrédulos estão completamente arruinados. Deve-se, porém, observar que ele fala especificamente daqueles cuja perversidade se exibirá por seu franco desprezo do evangelho. Pois ainda que seja verdade que jamais houve qualquer outro remédio para escapar à morte, além do fato de que os homens devam recorrer a Cristo, todavia, visto que aqui Cristo fala da pregação do evangelho, a qual teria que ecoar pelo mundo inteiro, ele dirige seu discurso contra os que deliberada e maliciosamente extinguem a luz que Deus acendeu.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

“QUEM NELE CRÊ NÃO É JULGADO”


“QUEM NELE CRÊ NÃO É JULGADO”

“Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3:18).

Ao repetir com tanta frequência e com tanta solicitude que todos os que creem se encontram além do perigo de morte, podemos inferir disso a grande necessidade de uma confiança firme e certa, que a consciência não pode ser mantida perpetuamente num estado de tremor e expectação. Cristo uma vez mais declara que, ao crermos, já nenhuma condenação resta, o que depois explicará no capítulo 5. O tempo presente – não é julgado ou condenado –, é aqui usado em vez do tempo futuro – não será condenado –, segundo a maneira do idioma hebreu, pois sua intenção é que os crentes estão a salvo do temor da condenação.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

“OS HOMENS AMARAM MAIS AS TREVAS DO QUE A LUZ”


“OS HOMENS AMARAM MAIS AS TREVAS DO QUE A LUZ”

“O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más” (Jo 3:19).

Cristo refreia as murmurações e queixas pelas quais os ímpios costumavam censurar – o que imaginamos ser – o excessivo rigor de Deus, quando ele age contra eles com mais severidade do que esperavam. Acham duro demais o fato de que os que não creem em Cristo sejam entregues à destruição. Para que ninguém atribua sua condenação a Cristo, ele mostra que cada ser humano deve imputar a si próprio a responsabilidade. A razão é que a incredulidade é uma testemunha de uma má consciência; e, portanto, é evidente que é sua própria perversidade que impede os incrédulos de se aproximarem de Cristo.

Há quem pense que o que ele aqui realça nada mais é que o selo da condenação. Todavia, o desígnio de Cristo é restringir a perversidade dos homens afim de que, segundo seu costume, não contendam nem argumentem contra Deus, como se ele os tratasse injustamente, quando pune a incredulidade com a morte eterna. Ele mostra que tal condenação é justa, e não está sujeita a qualquer reprovação, não só porque tais homens agem impiamente, que preferem as trevas à luz e recusam a luz que lhes é graciosamente oferecida, mas porque tal ódio pela luz só brota de uma mente que é perversa e cônscia de sua culpabilidade.

Uma bela aparência e excelência de santidade de fato podem ser encontradas em muitos que, além de tudo, se opõem ao evangelho. No entanto, ainda que pareçam ser mais santos do que os próprios anjos, sem a menor sombra de dúvida, são hipócritas, pois rejeitam a doutrina de Cristo por nenhuma outra razão senão pelo fato de amarem seus esconderijos, por meio dos quais sua vileza continue velada. Portanto, visto que a mera hipocrisia basta para tornar os homens odiosos aos olhos de Deus, todos são conservados réus, porque, não fora isso, cegados pela soberba e deleitando-se em seus crimes, pronta e espontaneamente receberiam a doutrina do evangelho.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

“DEUS ENVIOU O SEU FILHO AO MUNDO, NÃO PARA QUE JULGASSE O MUNDO”


“DEUS ENVIOU O SEU FILHO AO MUNDO, NÃO PARA QUE JULGASSE O MUNDO”

“Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3:17).

Aqui temos uma confirmação da afirmação precedente, porque não foi em vão que Deus enviou seu próprio Filho em nosso favor [Jo 3.16]. Ele não veio com o fim de destruir, e, por isso, segue-se ser o ofício peculiar do Filho de Deus que todo aquele que nele crê obtenha a salvação por meio dele. Agora não a razão por que uma pessoa viva em estado de hesitação ou angustiante ansiedade quanto à maneira pela qual pode escapar da morte, ao crer que era propósito de Deus que Cristo nos livrasse dela. A palavra mundo é uma vez mais reiterada, a fim de que ninguém pense que foi totalmente excluído, se tão somente conservar-se na vereda da fé.

A palavra julgar é aqui posta em lugar de condenar, como é o caso em muitas outras passagens. Ao declarar que não veio para condenar o mundo, ele assim realça o desígnio real de sua vinda, pois que necessidade havia para Cristo vir com o fim de destruir-nos, nós que estávamos completamente arruinados? Não devemos, pois, buscar em Cristo algo mais além do fato de que Deus, de sua infinita bondade, quis estender seu auxílio para salvar-nos, a nós que estávamos perdidos. E sempre que nossos pecados nos oprimam – sempre que Satanás nos conduza ao desespero –, devemos correr para este refúgio, a saber: que Deus não deseja que sejamos esmagados por perene destruição, visto que ele designara seu Filho para ser o Salvador do mundo.

Quando em outras passagens Cristo diz que veio para julgar [Jo 9.39]. Quando ele é denominado de pedra de escândalo [1Pe 2.7] e quando lemos ser ele posto para destruição de muitos [Lc 2.34], isso pode ser considerado como provindo de uma causa distinta, porquanto aquele que rejeita a graça que lhe é oferecida merece encontrar nele o Juiz e Vingador de um desdém tão indigno e vil.

Um notável exemplo disso pode ser visto no evangelho, pois ainda que ele seja estritamente o poder de Deus para a salvação de todo aquele que nele crê [Rm 1.16], a ingratidão de muitos o converte em morte para os mesmos. Ambas as coisas foram bem expressas por Paulo, quando ele vingar toda desobediência, quando for cumprida vossa obediência [2Co 10.6]. O significado equivale a isto: que o evangelho é especialmente, e em primeira instância, designado para os crentes, a fim de que a salvação lhes pertença, mas que, depois, os descrentes não escaparão impunes, caso desprezem a graça de Cristo e decidam tê-lo como o Autor da morte, em vez de o Autor da vida.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 30 de julho de 2026

“ENQUANTO CALEI OS MEUS PECADOS”


“ENQUANTO CALEI OS MEUS PECADOS”

“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia” (Sl 32.3).

Neste ponto Davi confirma, mediante sua própria experiência, a doutrina que havia estabelecido, a saber, que quando foi humilhado debaixo da mão de Deus, sentiu que nada era tão miserável quanto ser privado do favor divino. E assim notifica que esta verdade não pode ser corretamente apreendida senão quando Deus nos prova com aquele senso da ira divina. Tampouco fala ele de uma mera e ordinária provação, mas declara que se achava inteiramente subjugado com o mais extremo rigor. E, certamente, a apatia de nossa carne, nesta matéria, não é menos espantosa que sua audácia. Se não formos atraídos por meios forçosos, jamais nos apressaremos a buscar a reconciliação com Deus tão solicitamente quanto devíamos. Finalmente, o escritor inspirado nos ensina, através de seu próprio exemplo, que jamais perceberemos quão imensa felicidade é desfrutar do favor divino, enquanto não tivermos sentido plenamente, à luz dos graves conflitos com as tentações íntimas, quão terrível é a ira divina. Ele acrescenta que, se guardasse silêncio, ou se tentasse agravar sua tristeza clamando e bramando, seus ossos envelheceriam; noutros termos, toda sua força se desvaneceria. Disto se segue que, para onde quer que o pecador se volte, ou por mais que ele seja afetado, seu mal-estar em grau algum é aliviado, nem seu bem-estar em algum grau é promovido, até que seja restaurado ao favor divino. Às vezes sucede que, os que são torturados pela mais aguda tristeza, chegam ao ponto de sua dor os corroer e devorar interiormente e a guardam velada e reclusa em seu íntimo, sem confessá-la, e a violência de sua tristeza se irrompe com tanto ímpeto que não mais podem contê-la. Pelo termo calei ou silêncio Davi pretende dizer não insensibilidade nem estupidez, mas aquele sentimento que se põe entre a paciência e a obstinação, e que se alia tanto ao vício quanto à virtude. Pois seus ossos não se consumiam com a idade, mas com os terríveis tormentos de sua mente. Seu silêncio, contudo, não era o silêncio da esperança ou obediência, porquanto ele não trazia à sua miséria nenhum alívio.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“BEM-AVENTURADO O HOMEM EM CUJO ESPÍRITO NÃO HÁ FALSIDADE”


“BEM-AVENTURADO O HOMEM EM CUJO ESPÍRITO NÃO HÁ FALSIDADE”

“Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade e em cujo espírito não há falsidade” (Sl 32.2).

Neste versículo o salmista Davi distingue os crentes tanto dos hipócritas quanto dos insensíveis desdenhadores de Deus, os quais não se preocupam com esta felicidade nem podem eles alcançar o desfruto dela. Os perversos são, aliás, conscientes de sua própria culpa, todavia ainda sentem grande prazer em sua perversidade; tornam-se empedernidos em sua impudência desenfreada e se riem das ameaças; ou, pelo menos, se deleitam nas enganosas perspectivas de que jamais poderão ser impedidos de ter acesso à presença de Deus. Sim, ainda que sejam infelizes pelo senso de sua miséria e acossados com tormentos secretos, todavia com perversa insensibilidade reprimem todo o temor de Deus. Quanto aos hipócritas, se sua consciência, em algum momento, os fustiga, amenizam sua dor com remédios ineficazes. De modo que, se Deus, em qualquer tempo, os cita a comparecerem diante de seu tribunal, põem diante de si não sei que espécie de fantasma em sua defesa; e nunca estão sem coberturas pelas quais afastam a luz de seus corações. Ambas estas classes de homens são impedidas, pelo doloso coração, de buscar sua felicidade no paternal amor de Deus. Não só isso, mas a maioria deles se precipita na presença de Deus, ou se infla com soberba presunção, sonhando que são felizes, mesmo que Deus seja contra eles. Davi, pois, quer dizer que ninguém pode experimentar o que é o perdão dos pecados sem que antes seu coração seja purificado de toda malícia. A intenção de Davi, pois, ao usar o termo falsidade ou dolo, pode ser entendido à luz do que eu já disse. Quem não se examina, enquanto na presença de Deus, mas, ao contrário, se esquiva de seu juízo, quer se oculte nas trevas, quer se cubra de folhas, trata perfidamente tanto a si próprio quanto a Deus. Não surpreende, pois, que quem não se sente enfermo recusa o remédio. E difícil uma insensibilidade mais terrível do que não se deixar dominar pelo temor de Deus e não nutrir a menor solicitude por sua graça, nem se deixar comover senão por uma fria busca de perdão. Daí suceder que nem mesmo de leve percebem que inaudita felicidade é tomar posse do favor divino. Tal foi o caso de Davi por algum tempo, quando uma traiçoeira segurança aproximou-se sorrateiramente, entenebrecendo sua mente e impedindo-o de zelosamente aplicar-se a sair no encalço desta felicidade. Os santos, às vezes, labutam sujeitos à mesma enfermidade. Portanto, se devemos desfrutar da felicidade que Davi aqui nos propõe, então é preciso que prestemos muita atenção para que Satanás, enchendo nossos corações de malícia, nos prive de todo senso de nossa própria miséria, a qual inevitavelmente consumirá todos quantos recorrem a subterfúgios.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 28 de julho de 2026

“BEM-AVENTURADO AQUELE CUJA INIQUIDADE É PERDOADA” – Parte 2

“BEM-AVENTURADO AQUELE CUJA INIQUIDADE É PERDOADA” – Parte 2

“Bem-aventurado aquele cuja a iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto” (Sl 32.1).

É deveras por si mesmo suficientemente evidente que bem-aventurado é o homem cuja iniquidade é perdoada; mas a experiência nos ensina quão difícil é persuadir-se deste fato, de tal maneira que se torne indelevelmente afixado em nossos corações. A grande maioria, como já demonstrei, enredada por, suas próprias invenções, extingue de si, o quanto pode, os terrores da consciência e todo o temor da ira divina. Sem dúvida, eles nutrem o desejo de reconciliar-se com Deus; e todavia se esquivam da presença dele, em vez de buscarem sua graça sinceramente e de todo seu coração. Em contrapartida, todos aqueles a quem Deus tem realmente despertado para que se deixem afetar por um vivo senso de sua miséria, estão constantemente agitados e inquietados, tanto que é difícil restaurar a paz de suas mentes. Realmente degustam a misericórdia divina e se diligenciam em tomar posse dela, e, no entanto vivem frequentemente atemorizados sob os múltiplos assaltos que lhes são feitos. As duas razões por que o salmista Davi insiste tanto sobre o tema do perdão dos pecados são estas: para que ele, de um lado, erga aqueles que porventura caíram em profundo sono, inspire a indiferença com ponderação e reavive os entorpecidos; e para, por outro lado, tranquilizar as mentes temerosas e estressadas com uma confiança segura e disposta. Quanto (a primeira razão,) a doutrina pode ser aplicada desta forma: “O que pretendeis, ó vós infelizes, que uma ou duas ferroadas em vossa consciência não vos perturbam? Supondes que um mero e limitado conhecimento de vossos pecados não é suficiente para abalar-vos com terror, todavia quão irracional é continuardes dormitando em segurança, enquanto sucumbis sob imenso fardo de pecados!” E esta reiteração fornece não pouco conforto e confirmação aos débeis e temerosos. Visto que as dúvidas amiúde lhes sobrevêm, uma após outra, não basta que sejam vitoriosos em apenas um conflito. Esse desespero, pois, para que não os sucumbisse em meio aos vários pensamentos perplexivos com que são agitados, o Espírito Santo confirma e ratifica a remissão de pecados com muitas declarações.

Agora se torna oportuno avaliar a força particular das expressões aqui empregadas. Certamente que a remissão da qual aqui se trata não se harmoniza com as satisfações. Deus, ao lançar fora ou tirar os pecados, e igualmente ao cobri-los e não imputá-los, graciosamente os perdoa. Por essa conta os católicos romanos, ao introduzirem suas satisfações e obras de superrogação, segundo as chamam, se privam desta bem-aventurança. Além disso, Davi aplica essas palavras a fim de completar o perdão. Ora, é necessário considerar a quem pertence esta felicidade, a qual pode facilmente ser extraída da circunstância do tempo. Ao ser Davi instruído de que era bem-aventurado unicamente pela misericórdia divina, ele não havia sido alienado da igreja de Deus; ao contrário, ele se avantajava a muitos no temor e no serviço de Deus, bem como em santidade de vida, e se exercitava em todos os deveres da piedade. E mesmo depois de fazer esses progressos na religião, Deus então o exercitara a fim de que depositasse o alfa e o ômega de sua salvação em sua gratuita reconciliação com Deus. Tampouco é destituído de razão que Zacarias, em seu cântico, represente “o conhecimento da salvação” como que consistindo em conhecer “a remissão de pecados” [Lc 1.77]. Quanto mais eminentemente alguém se destaca em santidade, mais ele se sente destituído da perfeita justiça e mais que claramente percebe que em nada pode confiar senão unicamente na misericórdia de Deus. Daí ser evidente que estão frontalmente equivocados os que concluem que o perdão de pecado só é necessário para o início da justiça. Uma vez que os crentes todos os dias se envolvem em muitos erros, de nada lhes aproveitará já terem tomado a vereda da justiça, a menos que a mesma graça que os manteve em sua companhia os conduza à última fase de sua vida. Com que objetivo se diz em outra parte que são bem-aventurados “os que temem ao Senhor”, “que andam em seus caminhos”, “que são retos de coração” etc., a resposta é fácil, a saber: como o perfeito temor do Senhor, a perfeita observância de sua lei e perfeita retidão do coração não se encontram em parte alguma, tudo quanto a Escritura em qualquer lugar diz, concernente à bem-aventurança, se fundamenta no gracioso favor de Deus, através do qual ele nos reconcilia consigo mesmo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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