"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 14 de novembro de 2017

O Genuíno Sentido do Domingo

O Genuíno Sentido do Domingo
“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou” (Êx 20.8-11).

Amados irmãos, “sábado” é uma palavra hebraica que significa “descanso”. É sábado santo porque foi consagrado e separado pelo próprio Deus. O quarto mandamento exige que consagremos a Deus os tempos determinados em sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para que seja um dia de santo descanso a ele dedicado. Desde o princípio do mundo até à ressurreição de Cristo, Deus designou o sétimo dia da semana para o descanso semanal; e a partir de então, prevaleceu o primeiro dia da semana para continuar sempre até ao fim do mundo, que é o sábado cristão ou o domingo. Você já compreendeu o genuíno sentido do domingo? Considere o que escreveu o reformador João Calvino: 

“Não foi sem alguma razão que os antigos escolheram o dia do domingo para pô-lo no lugar do sábado. Ora, como na ressurreição do Senhor está o fim e cumprimento daquele verdadeiro descanso que o antigo sábado prefigurava, os cristãos são advertidos pelo próprio dia que pôs termo às sombras a não se apegarem ao cerimonial envolto em sombras. Nem a tal ponto, contudo, me prendo ao número sete que obrigue a Igreja à sua servidão, pois nem haverei de condenar as igrejas que tenham outros dias solenes para suas reuniões, desde que se guardem da superstição. Isto ocorrerá, se se mantiver a observância da disciplina e da ordem bem regulada. A síntese do mandamento é: como aos judeus a verdade era comunicada sob prefiguração, assim ela, em primeiro lugar, nos é outorgada sem sombras, para que por toda a vida observemos um perpétuo sabatismo de nossos labores, a fim de que o Senhor em nós opere por seu Espírito; em segundo lugar, para que cada um, individualmente, sempre que disponha de lazer, se exercite diligentemente na piedosa reflexão das obras de Deus. Então, ainda, para que todos a um tempo observemos a legítima ordem da Igreja, constituída para ouvir-se a Palavra, para a administração dos sacramentos, para as orações públicas. Em terceiro lugar, para que não oprimamos desumanamente os que nos estão sujeitos. E assim se desvanecem-se as mentiras dos falsos profetas, os quais, em séculos transatos, imbuíram o povo de uma opinião judaica, asseverando que nada mais foi cancelado senão o que era cerimonial neste mandamento, com isto entendem em seu linguajar a fixação do dia sétimo, mas remanescer o que é moral, isto é, a observância de um dia na semana. Com efeito, isto outra coisa não é senão mudar o dia por despeito aos judeus e reter em mente a mesma santidade do dia, uma vez que ainda nos permanece nos dias sentido de mistério igual ao que tinha lugar entre os judeus. E de fato vemos que proveito têm fruído com tal doutrina, pois quantos deles se apegam às estipulações superam três vezes aos judeus em sua crassa e carnal superstição de sabatismo, de sorte que as reprimendas que lemos em Isaías [1.13-15; 58.13] nada menos lhes convêm hoje que àqueles a quem o Profeta increpava em seu tempo. Contudo, importa manter-se, principalmente, o ensino geral: para que a religião não pereça ou enlanguesça entre nós, devem ser realizadas diligentemente as reuniões sagradas e deve dar-se atenção aos meios externos que servem para fomentar o culto divino”.

Ref. Lv 19.30; Dt 5.2-7; Is 56.2-7; Gn 2.3; Lc 23.56; At 20.7; ICo 16.1,2; Jo 20.19-26.

Pr. José Rodrigues Filho
*Aula em Escola Bíblica Dominical - IPChampagnat/Curitiba, no dia 12/11/2017

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – A.A.Hodge
*Estudos no Breve Catecismo de Westminster – Leonard Van Horn
*As Institutas de João Calvino, Vol 2.

*Visite a Igreja Presbiteriana da Silva Jardim - Curitiba/PR
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário
(41)3242-8375

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O Quarto Mandamento


O Quarto Mandamento
“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou” (Êx 20.8-11).

Amados irmãos, “sábado” é uma palavra hebraica que significa “descanso”. “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas” (Hb 4.9,10). É sábado santo porque foi consagrado e separado pelo próprio Deus.

1 - O que exige o Quarto Mandamento?
Resposta: O quarto mandamento exige que consagremos a Deus os tempos determinados em sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete, para que seja um dia de santo descanso a ele dedicado.
Ref. Lv 19.30; Dt 5.2-7; Is 56.2-7

2 – Qual dos sete dias Deus designou para ser o sábado (descanso) semanal?
Resposta: Desde o princípio do mundo até à ressurreição de Cristo, Deus designou o sétimo dia da semana para o descanso semanal; e a partir de então, prevaleceu o primeiro dia da semana para continuar sempre até ao fim do mundo, que é o sábado cristão ou o domingo.
Ref. Gn 2.3; Lc 23.56; At 20.7; ICo 16.1,2; Jo 20.19-26

3 – De que modo se deve santificar o Dia do Senhor?
Resposta: Deve-se santificar o Domingo com um santo repouso por todo aquele dia, das ocupações temporais que são permitidas nos outros dias; empregando esse tempo em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus, exceto o tempo preciso para as obras de pura necessidade e misericórdia.
Ref. Lv 23.3; Is 58.13-14; Mt 12.11-12; Mc 2.27-28.

4 – Que proíbe o quarto mandamento?
 Resposta: O quarto mandamento proíbe a omissão ou a negligência no cumprimento dos deveres exigidos, e a profanação deste dia por meio de ociosidade, ou fazer aquilo que é em si mesmo pecaminoso, ou por desnecessários pensamentos, palavras ou obras acerca de nossas ocupações e recreações temporais.
Ref. Ex 22.26; Ml 1.13; Am 8.5; Ez 23.38; Is 58.13; Jr 17.24,27

5 – Quais são as razões anexas ao quarto mandamento?
Resposta: As razões anexas ao quarto mandamento são: a permissão de Deus de fazermos uso dos seis dias da semana para os nossos interesses temporais; o reclamar ele para si mesmo a propriedade especial do dia sétimo; o seu próprio exemplo, e a bênção que ele conferiu ao dia de descanso.
Ref. Ex 31.15, 16; Ex 31.17; Gn 2.3.

6 - Teor e aplicação do Quarto Mandamento

O fim deste mandamento é que, mortos para nossos próprios interesses e obras, meditemos no Reino de Deus e a essa meditação nos apliquemos com os meios por ele estabelecidos. Contudo, uma vez que tem este mandamento uma consideração peculiar e distinta dos outros, requer ele ordem de exposição um pouco diferente. Costumam os antigos chamá-lo um mandamento prefigurativo, porque contém a observância externa de um dia, a qual foi abolida, com as demais figuras, na vinda de Cristo, o que certamente é por eles dito com verdade, mas ferem a questão apenas pela metade. Por isso tem-se de buscar uma exposição mais profunda e levar em consideração três causas pelas quais, a mim me parece ficar patente, eles têm observado este mandamento. Primeira, pois o celeste Legislador quis que sob o descanso do dia sétimo prefigurasse ao povo de Israel um repouso espiritual, pelo qual devem os fiéis descansar de suas próprias atividades para que deixem Deus neles operar. Segunda, quis ele que um dia fosse estabelecido no qual se reunissem para ouvir a lei e realizar os atos de culto, ou, pelo menos, o qual consagrassem particularmente à meditação de suas obras, de sorte que, por esta rememoração, fossem exercitados à piedade. Terceira, ordenou um dia de repouso no qual se concedesse aos servos e aos que vivem sob o domínio de outros para que tivessem alguma relaxação de seu labor. João Calvino (1509-1564).

Pr. José Rodrigues Filho
*Aula em Escola Bíblica Dominical - IPChampagnat/Curitiba, no dia 12/11/2017

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – A.A.Hodge
*Estudos no Breve Catecismo de Westminster – Leonard Van Horn
*As Institutas de João Calvino, Vol 2.

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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O Terceiro Mandamento

O Terceiro Mandamento
“Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êx 20.7).

Amados irmãos, temos visto que a Lei de Deus é perfeita, requerendo perfeita obediência e condenando a falta mínima como sendo pecado. Que ela é espiritual, levando em conta os pensamentos, sentimentos, motivos e estado interior tanto dos corações quanto das ações. E que somos não apenas obrigados a cumprir, por nós mesmos, a Lei, mas também de auxiliar o quanto pudermos as outras pessoas a proceder da mesma forma.

Alguns significados para o termo - “em vão”: Modo inútil, sem eficácia, relevância ou utilidade, sem motivo aparente, sem valor, ilusório, frívolo, vanglorioso, falso, ignorante.

1 – O que exige o terceiro mandamento?

Resposta: O terceiro mandamento exige o santo e reverente uso do nome de Deus. Com isso queremos dizer as formas como Ele se revela por seus nomes, títulos, atributos, ordenanças, palavras e obras. Ele é Deus, Eu Sou, Jeová, SENHOR, Santo. Ele é SENHOR dos Exércitos, Rei dos reis, SENHOR dos senhores. Deus é Espírito, Infinito, Eterno e Imutável em seu Ser. Deus é Sabedoria, Poder, Santidade, Justiça, Bondade, Verdade. Ele é Deus Vivo e Verdadeiro! Deus se faz conhecer também por suas ordenanças: pela leitura da Palavra, pela pregação e o ouvir da pregação, pela oração, por ações de graças, louvor, pela administração dos sacramentos, por suas obras da criação e providência.

Qual é nossa responsabilidade para com esses meios graciosos por onde Deus se faz conhecer?

“A finalidade do mandamento é que Deus quer que a majestade de seu nome nos seja sacrossanta. Logo, a suma será que não a profanemos tratando-o com menosprezo e irreverentemente. A esta injunção restritiva corresponde, em paralelo, o preceito positivo de que nos empenhemos e preocupemos em buscá-la com religiosa reverência. Dessa forma, assim nos convém estar dispostos no pensar e no falar que nada pensemos ou falemos acerca do próprio Deus e de seus mistérios, a não ser reverentemente e com muita sobriedade, de sorte que, em estimando-lhe as obras, nada concebamos a não ser o que lhe é honroso. Estes três pontos, insisto, importa observar não negligentemente: primeiro, que tudo quanto a mente concebe a seu respeito, tudo quanto a língua profere, saiba sua excelência e corresponda à sagrada sublimidade de seu nome, afinal, seja adequado a enaltecer-lhe a magnificência. Segundo, não abusemos, temerária e pervertidamente, de sua santa Palavra e de seus venerandos mistérios, seja a serviço da ambição, seja a serviço da avareza, seja a serviço de nossos divertimentos. Pelo contrário, uma vez que trazem impressa em si a dignidade de seu nome, tenham sempre entre nós sua honra e apreço. Finalmente, não lhe difamemos ou desacreditemos as obras, como contra ele costumam injuriosamente vociferar homens miseráveis; ao contrário, tudo quanto rememoramos como feito por ele, celebremo-lo com os louvores de sabedoria, de justiça e de bondade. Nisto consiste santificar o nome de Deus. Quando se procede de outra maneira, de vão e ímpio abuso se polui ele, porque é subtraído do uso legítimo a que unicamente fora consagrado, e, ainda que em nada mais seja despojado, entretanto de sua dignidade se torna desprezível aos poucos”. João Calvino (1509-1564).

Ref. Bíblicas: Sl 29.1,2; Mt 6.9, Ap 15.3-4; Ml 1.14; Sl 138.2; Sl 107.21,22

2 – O que proíbe o terceiro mandamento?

Resposta: O terceiro mandamento proíbe toda profanação ou abuso das coisas por meio das quais Deus se faz conhecer.

“Agora, ó sacerdotes, para vós outros é este mandamento. Se o não ouvirdes e se não propuserdes no vosso coração dar honra ao meu nome, diz o SENHOR dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição e amaldiçoarei as vossas bênçãos; já as tenho amaldiçoado, porque vós não propondes isso no coração” (Ml 2.1,2).

Como isso é possível? Essa maldição é consequência de mau testemunho, blasfêmias, perjúrios, juramentos e votos ímpios.

Que pensamentos nós temos sobre Deus? Você demonstra crer em Deus? O seu testemunho evidencia isso? Deus é Soberano, Santo, Senhor dos Exércitos, Deus de toda bondade, misericórdia e justiça. O uso que faço do nome de Deus pode ser em vão quando na prática nego o que Ele diz em sua Palavra.

Ref. Bíblicas: Ml 2.1,2; Is 5.12; Sl 139.20; Tg 1.13; Mt 26.74

3 – Qual é a premissa anexa ao terceiro mandamento?

Resposta: É que, embora os transgressores deste mandamento escapem do castigo dos homens, o SENHOR nosso Deus não os poupará do seu justo juízo. Esta é uma afirmação categórica: “O SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão (Êx 20.7). Eles escapam da punição dos homens porque muitas vezes aqueles que detêm a autoridade são tão culpados como os infratores do mandamento. Mas não escaparão da punição divina. Serão punidos nesta vida, ou no além. O certo é que serão punidos“De Deus não se zomba” (Gl 6.7). “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31). Deus é Justo Juiz!

Ref. Bíblicas: Dt 28.58,59; Sl 139,20; Sl 83.18; Zc 5.3

“Quando a palavra de Deus é lida ou pregada para você, cuide de estar de coração e mente disposta, livre de cuidados e pensamentos mundanos, diligente em ouvir, cuidadoso em fixar, estudioso para lembrar e desejoso de praticar tudo o que é ordenado, e viver de acordo; não dê atenção a qualquer outra finalidade que não a de se tornar melhor em sua vida e ser instruído em toda boa obra, e crescer no amor e serviço de Deus”. Jeremy Taylor (1613-1668).

Pr. José Rodrigues Filho
*Aula em Escola Bíblica Dominical - IPChampagnat/Curitiba, no dia 05/11/2017

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terça-feira, 31 de outubro de 2017

A Reforma Protestante em 5 Pontos


A REFORMA PROTESTANTE EM 5 PONTOS
“Ecclesia reformata, semper reformanda est” – “Igreja reformada, sempre se reformando”. Este lema da igreja reformada continua vivo e pertinente. Medite sobre os cinco princípios que nortearam o movimento do Espírito denominado de Reforma Protestante.
(1) SOLA SCRIPTURA
“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (1Tm 3.16,17).
Durante a Idade Média a Igreja Cristã perdeu de vista o único referencial autoritativo para questões de fé e prática - a Escritura Sagrada. A tradição, a palavra do Papa, as decisões dos Concílios, a razão e os sentimentos se introduziram como “concorrentes”. A Reforma do século XVI resgatou o princípio que somente a Palavra de Deus pode decidir sobre o que deve ser crido e como a vida cristã deve ser vivida. Diante do tribunal que exigia sua retratação, Lutero disse: “Minha consciência está alicerçada pela Palavra de Deus”.
(2) SOLA GRATIA
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).
“Graça é o favor divino, imerecido, que elege, redime, regenera e preserva o pecador para promovê-lo ao céu”. Com o passar dos séculos, a Igreja cristã introduziu na sua compreensão de salvação a ideia do mérito, desviando-se do padrão apostólico original. Na teologia medieval, formulada por Tomás de Aquino, a natureza humana passou a ser considerada potencialmente boa, rompendo-se radicalmente com o conceito bíblico, também defendido por Agostinho, de que o homem nasce com o coração corrompido. “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.10-13).

(3) SOLA FIDE

“[…] visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.17).

A justificação somente pela fé foi a grande redescoberta que proporcionou a conversão de Martinho Lutero. Por muitos anos, desde que se tornara monge agostiniano, sua alma permanecia sem paz, uma vez que a doutrina oficial da Igreja dizia que a salvação era alcançada através das obras. A Reforma começou com a negação radical dessa ideia antibíblica, quando Lutero fixou suas 95 teses na porta da Igreja do castelo de Wittemberg como uma reação à infame venda de indulgências – certificado emitido pelo Papa e vendido para quem desejasse ter seus pecados perdoados. “O homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a fé em Cristo Jesus” (Gl 2.16). Esse foi o entendimento e o ensino claro dos apóstolos sobre o único meio através do qual o pecador pode ser salvo – mediante a fé.

(4) SOLUS CHRISTUS

“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12).
O único Mediador entre Deus e os homens é Jesus Cristo. “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5). “Nenhum trabalho nosso – ou de qualquer outra pessoa ou santo – tem essa mesma honra”. Na era medieval, a Igreja se distanciou desse padrão introduzindo os sacerdotes, os santos, a própria Igreja e a Virgem Maria como mediadores concorrentes de Jesus Cristo. A Reforma enxergou com clareza esse desvio e o corrigiu, retornando ao padrão apostólico. Ninguém pode usurpar o lugar exclusivo de Jesus Cristo na salvação dos homens – Só Ele conseguiu viver sem pecar contra Lei de Deus e só Ele morreu como um inocente no lugar de pecadores culpados. Ele é o “Cordeiro de Deus” (Jo 1.36).
(5) SOLI DEO GLÓRIA
“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).

Dentre os cinco pontos cardeais da Reforma esse é o que estabelece toda glória a Deus. A era medieval corrompeu aos poucos esse padrão apostólico, transformando a fé cristã numa religião centrada no homem e não em Deus. A doutrina exaltava o homem, o culto era antropocêntrico, a Igreja transformou-se numa agência política e o sacerdócio era mais profano do que sagrado. O espetáculo da idolatria reinante na cristandade medieval era a mais gritante evidência de que o interesse pela glória de Deus havia sido abandonado. Toda glória é devida a Deus, uma vez que a salvação é efetuada exclusivamente segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça” (Ef 1.5,6). A teologia de João Calvino enfatiza compreensivelmente a soberania divina pela simples razão de tributar toda glória a Deus. Soli Deo Glória.

Pr. João Eiró

*Visite a Igreja Presbiteriana da Cidade Nova
Conj. Cidade Nova VI, entre Trav. WE-70 e WE-71
Ananindeua - PA
Telefone: (91) 3263-9786 / (91) 98121-0845

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Venha para o Pai

Venha para o Pai
“Respondeu Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (Jo 14.6).

O que significa vir ao Pai? Significa simplesmente vir da morte para a vida, do pecado e da condenação para a inocência e piedade, da miséria e da aflição para a alegria e a bênção eternas. Cristo está dizendo: “Ninguém deve tentar vir para o Pai por um caminho diferente de mim. Somente eu sou o caminho, a verdade e a vida”. De uma maneira clara e poderosa, Cristo descarta e desaprova todo ensino de que a salvação possa ser obtida por obras. Ele nega completamente que podemos chegar ao céu por outro caminho, pois diz: “Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”. Não tem outro jeito. A salvação só pode ser obtida pela fé que se agarra a Cristo. Nenhum trabalho nosso – ou de qualquer outra pessoa ou santo – tem essa mesma honra. Por outro lado, não podemos pensar que não é necessário fazermos boas obras. Precisamos primeiro vir a Cristo para receber a misericórdia de Deus e a vida eterna. Depois disso, devemos fazer boas obras e demonstrar amor. Essa distinção precisa ficar clara. Nunca podemos considerar a maneira como vivemos ou as obras que fazemos suficientemente poderosas para nos levar ao Pai. Mesmo que todos me abandonem e me deixem prostrado em ruínas, ainda terei um tesouro eterno que nunca pode me trair. Esse tesouro não é resultado de minhas próprias obras ou esforços. O tesouro é Cristo – o caminho, a verdade e a vida. Somente por meio de Cristo vou até o Pai. Eu me segurarei a essa verdade, viverei por ela e morrerei por ela.

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Vivendo Por Meio de Cristo

Vivendo Por Meio de Cristo
Pois da mesma forma como em Adão todos morrem, em Cristo todos serão vivificados” (1Co 15.22).

Paulo está falando aqui somente sobre os cristãos. Ele quer ensiná-los e confortá-los a respeito de serem vivificados em Cristo. Apesar de que os não cristãos também ressuscitarão dos mortos, a ressurreição não será um conforto nem alegria para eles, porque estes serão levantados para julgamento, e não para a vida. Essa não é uma mensagem confortadora nem feliz para o mundo. Os ímpios não querem ouvi-la. Era assim que eu me sentia quando queria ser um monge santo e tentava ser piedoso. Eu preferia ouvir sobre todos os demônios no inferno a ouvir sobre o dia do julgamento. Meus cabelos ficavam em pé só de pensar nisso. O mundo todo odeia pensar em ter de deixar essa vida. As pessoas não querem morrer e ficam horrorizadas quando falamos da morte e do período da morte. Além disso, todos nós estamos presos a baboseira da nossa própria santidade e pensamos que, por meio das nossas próprias vidas e das nossas obras, poderemos aplacar o julgamento de Deus e ganhar um lugar no céu. Tudo o que conseguimos com isso é nos tornarmos piores e mais hostis em relação ao dia do julgamento. Não direi coisa alguma sobre o grande número de pessoas que procuram todo o seu prazer e conforto aqui nesta vida, que menosprezam a Palavra de Deus e que não dão um centavo sequer para Deus e seu reino. Não é de se surpreender que tais pessoas se irritem ao ouvirem sobre a ressurreição. Mas, para nós, essa mensagem é puro conforto e alegria, porque ouvimos que o nosso maior tesouro já está no céu. Somente uma pequena parte permanece na terra, a qual Cristo ressuscitará e atrairá para si mesmo com a mesma facilidade que se desperta alguém do sono.

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Sinais da Fé

Sinais da Fé
“Uma vez que vocês chamam Pai aquele que julga imparcialmente as obras de cada um, portem-se com temor durante a jornada terrena de vocês” (1Pe 1.17).

Nós ensinamos que Deus nos salva somente pela fé, independentemente das nossas obras. Por que, então, Pedro diz que Deus julga as obras de cada pessoa? Eis a razão: O que temos ensinado – que somente a fé nos justifica diante de Deus – é uma verdade inquestionável, pois está tão clara nas Escrituras que ninguém pode negar. O que o apóstolo diz aqui – que Deus julga de acordo com as obras – também é verdade. Devemos sempre nos lembrar de que, onde não há fé, não pode haver boas obras e, por sua vez, onde não há boas obras, não há fé. Portanto, devemos manter a fé e as obras conectadas. Toda a vida cristã é incorporada por ambas. A maneira como vivemos é importante, pois Deus nos julgará de acordo com ela. Mesmo que Deus nos julgue de acordo com as nossas obras, ainda é verdade que elas são apenas os frutos da fé. É assim que verificamos se temos fé ou não. Logo, Deus nos julgará com base no fato de termos acreditado ou não. Da mesma maneira, a única forma de julgar os mentirosos é por meio de suas palavras. Porém, continua sendo óbvio que eles não se tornam mentirosos por meio de suas palavras, mas que eles já eram mentirosos antes de cometerem uma única mentira. Pois a mentira chega à sua boca vinda do coração. As obras são os frutos e os sinais da fé. Deus julga as pessoas de acordo com esses frutos, os quais brotam da fé de maneira que revelam publicamente se temos fé em nossos corações ou não. Deus não nos julgará ao nos perguntar se somos chamados de cristãos ou se fomos batizados. Ele perguntará a cada um de nós: “Se você é um cristão, então me diga: onde estão os frutos que demonstram a sua fé?”

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Fé se revela no Amor

A Fé se revela no Amor
“Este é o meu mandamento: amem-se uns aos outros” (Jo 15.17).

Nesta passagem, Cristo repete o mandamento de amar uns aos outros. Pelo amor, os cristãos se mantêm unidos e é o amor a marca dos verdadeiros cristãos. Jesus enfatizou esse mandamento porque sabia quantos falsos cristãos surgiriam – quantos louvariam a fé com palavras bonitas e com um grande espetáculo, mas não viveriam suas palavras. Assim como o santo nome de Deus é desonrado e usado para o mal e assim como o Cristianismo, a igreja e tudo o que é santo são utilizados de forma errônea e má, assim também a fé, o amor e as boas obras serão utilizados para promover um espetáculo falso e para sustentar máscaras. Pois o Diabo não deseja ser tão assustador como é normalmente pintado, mas, antes, deseja brilhar nas finas roupagens da Palavra de Deus, da igreja cristã, da fé e do amor. Cristo nos ensina que não é suficiente louvar a fé e a ele mesmo. Precisamos também produzir frutos. Pois onde esses frutos não forem evidentes, ou onde aparecer o oposto dos frutos, Cristo certamente não estará presente. Nesse caso, existirá apenas um falso nome. Essa é a razão pela qual devemos dizer a esses tipos de pessoas: “Eu ouço esse nome lindo e glorioso, que é nobre e digno de honra. Mas e quanto a você?” Da mesma forma o espírito maligno disse aos filhos de Ceva: “Jesus, eu conheço, Paulo, eu sei quem é; mas vocês, quem são?” (At 19.15). No entanto, alguns poderão questionar: “Não é a fé que nos justifica e nos salva, e não as obras?” Sim, isso é verdade. Mas onde está a sua fé? Como ela é demonstrada? A fé nunca deve ser inútil, surda, morta ou decadente. Antes, deve ser uma árvore viva e cheia de frutos. Essa é a diferença entre a fé genuína e a fé falsa. Se existe a fé verdadeira, ela se mostrará na vida da pessoa.

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

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sábado, 14 de outubro de 2017

Vivendo em Cristo

Vivendo em Cristo
“Filhinhos, agora permaneçam nele para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança e não sejamos envergonhados diante dele na sua vinda” (1Jo 2.28).

O que você deve fazer quando pensamentos de morte o amedrontam e a sua consciência o aborrece? Continue a viver em Cristo. Você precisa acreditar que não pode realizar coisa alguma por meio das suas próprias obras e que a única forma é por meio da justiça de Cristo. João 6.29 diz que a obra de Deus é “crer naquele que ele enviou”. Assim, quando Natã corrigiu Davi e este confessou seu pecado, Natã replicou: “O Senhor perdoou o seu pecado. Você não morrerá” (2Sm 12.13). Davi simplesmente vivia na graça. Ele nem mesmo pensava em tentar satisfazer a Deus com suas obras. Quando Natã disse: “O Senhor perdoou o seu pecado”, ele estava proclamando a mensagem da graça. E Davi acreditou nela. Depois que Adão pecou, ele não podia fazer coisa alguma que o trouxesse a um estado de graça. Mas Deus disse que um dos seus descendentes esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3.15). Foi por causa dessa promessa que Adão viveu. Por ter acreditado nessa palavra, ele foi salvo e justificado sem quaisquer obras. A nossa natureza luta ardentemente contra a ideia de sermos salvos sem nossas obras e tenta nos enganar com uma grandiosa ilusão da nossa própria justiça. Assim, podemos nos encontrar atraídos a uma vida que apenas parece ser justa. Ou porque sabemos que não somos justos, podemos ser amedrontados pela morte ou pelo pecado. Portanto, precisamos aprender que não temos nada a fazer em relação a qualquer forma de nos tornarmos justos, exceto por meio de Cristo.

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

*Visite a Igreja Presbiteriana da Silva Jardim - Curitiba/PR
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário
(41)3242-8375

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Fé somente em Cristo

Pr. Valdir Steuernagel

Fé somente em Cristo
“Assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pela prática da Lei, porque pela prática da Lei ninguém será justificado” (Gl 2.16).

Nós somos justificados por meio da fé em Cristo, e não por nossos próprios esforços. Não devemos deixar que ninguém nos confunda dizendo que a fé justifica as pessoas somente quando o amor e as boas obras são acrescentadas a ela. Se as pessoas ouvirem que elas devem crer em Cristo e que apenas a fé não justifica, a menos que o amor seja acrescentado a ela, elas cairão da fé imediatamente e pensarão: “Se a fé sem o amor não justifica, então a fé é vazia e inútil. Somente o amor justifica. Pois se a fé não é formada e realçada pelo amor, então nada é”. Para provar seus comentários nocivos, meus oponentes citam 1Coríntios 13.1,2: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor [...] nada serei”. Eles pensam que esses versículos são como uma parede impenetrável. Mas não compreendem os ensinamentos de Paulo. Nós devemos evitar esses comentários como se eles fossem veneno do inferno. Em vez disso, devemos concluir como Paulo que somos justificados somente pela fé, e não por meio da fé formada pelo amor. Assim, não devemos atribuir o poder da justificação a algo formado em nós que nos faz agradáveis a Deus. Devemos atribuí-lo à fé, a qual aceita a Cristo, o Salvador, e o mantém em nosso coração. Essa fé nos justifica, independentemente e anteriormente ao amor. Reconhecemos que também devemos ensinar sobre as boas obras e o amor. Mas somente os ensinamos na hora e no lugar apropriados – quando se trata de como devemos viver, e não de como somos justificados. A pergunta aqui é a seguinte: Como nos tornamos justificados e recebemos a vida eterna? Respondemos com Paulo que somos declarados justos somente por meio da fé em Cristo, e não por nossos próprios esforços.

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

*Visite a Igreja Presbiteriana da Silva Jardim - Curitiba/PR
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário
(41)3242-8375