"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 8 de outubro de 2019

Pré-Reformadores

Pré-Reformadores
“Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10).

Nos séculos XIV e XV, surgiram alguns protestos contra o falso ensino e práticas da Igreja Medieval. Nesse primeiro movimento da reforma, três homens destacam-se por sua fidelidade a Deus e compromisso com as Sagradas Escrituras. Eles são considerados pré-reformadores. Eis um breve relato da história de cada um deles.

João Wycliff (1330-1384). Professor da Universidade de Oxford, teólogo e reformador religioso inglês. É considerado o precursor da reforma que sacudiu a Europa. Trabalhou na primeira tradução da Bíblia para o idioma inglês. As irregularidades do clero, as superstições religiosas, a veneração dos santos, o ensino sobre a transubstanciação, o purgatório e as indulgências foram alvos constantes de seus protestos. Para Wycliff, ao contrário do Papa, as Escrituras eram infalíveis. Essa tese influenciou tanto o luteranismo quanto o calvinismo. Um dos seus principais tratados, “Da veracidade nas Sagradas Escrituras”, foi publicado em 1378.

João Huss (1379-1415). Sacerdote e professor da Universidade de Praga, na Boêmia. Fortemente influenciado pelos escritos de Wycliff, insistiu na autoridade suprema das Escrituras, fez oposição à venda de indulgências, à riqueza da igreja, à comunhão ser restrita ao corpo eclesiástico, não sendo oferecida aos demais crentes, principalmente os de origem popular. Huss foi condenado pelo Concílio de Constança no dia 06 de julho de 1415, e queimado vivo na fogueira. Morreu cantando: “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim!”.

Jerônimo Savonarola (1452-1498). Frade dominicano e pregador na Florença renascentista. Ficou conhecido por suas profecias e apelos de reforma na Igreja Católica.  Denunciou a imoralidade na sociedade e na Igreja, inclusive no papado. Savonarola era homem de oração e alimentava continuamente sua alma com a Palavra de Deus. Memorizou grande parte da Bíblia e localizava instantaneamente qualquer texto solicitado. Suas mensagens sobre “Humildade”, “Oração” e “Amor” exerceram grande influência sobre os fiéis. Foi excomungado no ano de 1498, e por ordem do Papa, torturado e queimado vivo em praça pública. Em martírio, as suas últimas palavras foram: “Muito mais sofreu Jesus por mim”.

Deus nos abençoe!

Rev. José Rodrigues Filho

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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Fé Salvífica: Confiança Implícita na Salvação

Fé Salvífica: Confiança Implícita na Salvação
“Justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que creem; porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.22-24).

*Confissão de Fé de Westminster - Da Fé Salvífica - capítulo XIV.

Seção II – Por esta fé o cristão, segundo a autoridade do próprio Deus falando em sua Palavra, crê ser verdadeiro tudo quanto está revelado nela; e age de conformidade com o que cada passagem especificamente contém; prestando obediência aos mandamentos, tremendo ante suas ameaças e abraçando as promessas de Deus para esta vida e a vida por vir. Os principais atos da fé, porém são: aceitar, receber e descansar unicamente em Cristo para a justificação, a santificação e a vida eterna, em virtude do pacto da graça.

Jo 4.42; 1Ts 2.13; 1Jo 5.10; At 24.14; Rm 16.26; Is 66.2; Hb 11.13; 1Tm 4.8; Jo 1.12; At 16.31; Gl 2.20; At 15.11.

Esta seção ensina: -

1. Que a fé salvífica repousa na verdade do testemunho de Deus falando em sua Palavra.

2. Que ela considera como seu objeto todo o conteúdo da Palavra de Deus, sem exceção.

3. Que o estado complexo da mente a que o epíteto "fé" se aplica na Escritura varia segundo a natureza da passagem específica da Palavra de Deus que é o seu objeto.

4. Que o ato específico da fé salvífica, o qual nos une a Cristo e é a única condição ou instrumento da justificação, envolve dois elementos:

4.1. Assentimento ao que as Escrituras nos revelam concernente à pessoa, ofícios e obra de Cristo; e

4.2. Dependência ou confiança implícita na salvação completa.

Foi amplamente polemizado entre romanistas e protestantes se a fé salvífica incluía ou não a confiança. A resposta genuína consiste em que a confiança é um elemento integrante e inseparável de cada ato da fé salvífica, no qual a confiança é apropriada à natureza do objeto crido. É óbvio que muitas das proposições da Escritura não são os objetos distintivos da confiança. Em todos esses casos, a fé inclui reconhecimento, assentimento, aquiescência, submissão, segundo o caso. Mas em todos os casos nos quais a natureza da verdade crida se torna o exercício da confiança legítima, e especialmente naquele ato específico da fé salvífica chamada de fé justificadora, a qual une a Cristo e é a raiz e o órgão de toda a vida espiritual, a confiança é indubitavelmente um elemento da própria essência daquele estado de mente chamado fé na Escritura.

As Escrituras expressamente afirmam que somos justificados por essa fé da qual Cristo é o objeto. (Rm 3.22-25; Gl 2.16; Fp 3.9). Isso claramente pressupõe que a fé não é mera convicção intelectual acerca da veracidade das verdades reveladas nas Escrituras, senão que inclui um abraço sincero e um assentimento confiante de Cristo, sua obra meritória e suas graciosas promessas. Amém!

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.


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Fé Salvífica

Fé Salvífica
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8).

Fé, no sentido geral do termo, é o assentimento da mente quanto à verdade daquilo que não temos uma cognição imediata; conhecimento é a percepção da verdade daquilo de que temos uma cognição imediata. Todavia a fé demanda e descansa sobre evidência de forma tão absoluta quanto o conhecimento. Ela não difere da razão como o racional difere do irracional, nem do conhecimento daquilo que é improvado.

Fé religiosa, no sentido mais geral desse termo, é o assentimento da mente às verdades gerais da religião, tais como o ser e atributos de Deus, e as obrigações religiosas dos homens, tais como é comum a todas as religiões, verdadeiras ou falsas. Essa fé religiosa tem sua base em nossa comum natureza religiosa, enquanto que, por outro lado, a fé salvífica é aquele discernimento espiritual da excelência e beleza da verdade divina, e aquele cordial abraço e aceitação dela, os quais são operados em nossos corações pelo Espírito Santo.

“A graça da fé, por meio da qual os eleitos são capacitados a crer para a salvação de suas almas, é a obra do Espírito de Cristo em seus corações, e é ordinariamente operada pelo ministério da Palavra, também por meio da qual, e pela administração dos sacramentos e da oração, ela se desenvolve e se fortalece” (CFW, XIV. Seção I).

Desta fé salvífica afirma-se nesta seção: - 

1. Que é operada em nossos corações pelo Espírito Santo.

2. Que é ordinariamente operada por meio da Palavra de Deus ou através da instrumentalidade da verdade divina. 

3. Que é fortalecida pelo uso dos sacramentos e da oração.

Que a fé salvífica, ainda que quanto à sua essência é sempre a mesma, frequentemente difere em graus em diferentes pessoas, e na mesma pessoa em diferentes épocas. Que ela se expõe a muitos inimigos e pode ser muitas vezes e de diversas formas assaltada e enfraquecida, mas que, através da divina graça, no fim sempre logra vitória. Que em muitos ela se desenvolve até à medida de uma plena certeza através de Cristo. (CFW, XIV. Seção III).

Hb 10.39; 2Co 4.13; Ef 1.17-19; 2.8; Rm 10.14-17; 1Pe 2.2; At 20.32; Rm 4.11; Lc 17.5; Rm 1.16,17; Hb 5.13,14; Rm 4.19,20; Mt 6.30; 8.10; Lc 32.31,32; Ef 6.16; 1Jo 5.4,5; Hb 6.11,12; 10.22; Cl 2.2; Hb 12.2.

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.


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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O Supremo Propósito do Ministério Pastoral

O Supremo Propósito do Ministério Pastoral
“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18-19). 

O fim principal da nossa supervisão pastoral deve estar ligado ao supremo propósito de nossa vida. Esse propósito é agradar e glorificar a Deus. Também é estimular a santificação e a santa obediência do povo de Deus que está a nosso cargo. Promover a unidade, a ordem, a beleza, o poder, a preservação e o progresso do nosso povo há de ser a nossa tarefa. É a correta adoração a Deus. Isto significa que antes de um homem ter competência para ser um verdadeiro pastor de igreja, segundo a mente de Cristo, ele precisa ter estes objetivos em alta estima. Terá que fazer deles a grande e única finalidade da sua vida.

Portanto, o homem que não for totalmente sincero como cristão, não poderá estar apto para ser pastor de igreja. Isto se comprova quanto ao seu amor a Deus. Está ele tão envolvido em seu relacionamento com Deus e tão interessado em agradá-Lo que faz de Deus o centro de todas as suas ações? Vive ele unicamente para ser agradável a Deus? Embora seja útil que o homem saiba e ensine as línguas originais das Escrituras e tenha um pouco de filosofia, a verdadeira prova da sua utilidade é se ele é dedicado a Deus de todo o coração ou não, pois ninguém poderá ser sincero em servir a Deus, se não tiver os fins em mente de forma sincera. Assim, o homem terá que amar a Deus com sinceridade acima de tudo, antes de poder servi-Lo sinceramente diante de todos.

Tampouco serve para ser ministro de Cristo o homem que não tem um adequado e notório espírito para com a Igreja. É preciso que ele se deleite com a beleza da Igreja, anele sua felicidade, procure a sua prosperidade e se regozije com o seu bem-estar, e deve estar disposto a gastar-se e a ser gasto por amor à Igreja.

Para ser pastor de igreja o homem também deve fixar seu coração na vida por vir e considerar as questões da vida eterna superiores aos interesses desta existência. Acima das frivolidades deste mundo, é preciso que ele avalie nalguma proporção as incalculáveis riquezas da glória. Sim, pois ele jamais porá o coração na obra da salvação dos homens, enquanto não crer e avaliar de coração essa salvação.

Também será inepto para ser pastor, se não tiver prazer na santidade, se não odiar a iniquidade, se não amar a unidade e pureza da Igreja, e se não detestar a discórdia e o divisionismo. Ele precisa ter prazer na comunhão dos santos e no culto público de Deus com o Seu povo. Estas coisas refletem os verdadeiros fins do pastor. Sem elas, é-lhe impossível fazer a sua tarefa.

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

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Confissão dos nossos Pecados

Confissão dos nossos Pecados
“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

1. O Pecado do Orgulho

Um dos nossos pecados mais odiosos e patentes é o orgulho. Ataca até os nossos pastores, e, todavia, é mais detestável e inescusável em nós, pastores, do que nos outros homens. Predomina tanto entre nós, que fica patente em nossa conversação, em nosso modo de viver, em nossa companhia e em nossas atitudes pessoais diante dos outros. Ele é a base dos nossos motivos, modela o nosso pensar, determina os nossos desejos, fomenta a inveja e pensamentos amargos contra os que são mais proeminentes do que nós, que recebem posição de celebridade.

Que companheiro astuto e sutil, que comandante tirânico e que insidioso inimigo é o pecado do orgulho! Ele acompanha os homens ao alfaiate para a escolha de roupas e para tirar as medidas do seu terno. Ele nos veste e determina a moda. Quantas vezes ele escolhe os temas da nossa alocução, e até as nossas palavras!

Deus quer que sejamos simples o quanto pudermos em nossa linguagem, para informarmos os ignorantes, e que sejamos sérios e convincentes o quanto pudermos, para que os não convertidos cedam e sejam transformados.

Mas o orgulho não sai de perto, e contraria tudo. Ele vulgariza e polui, ele desonra os nossos sermões, como se fosse um príncipe com traje de ator ou um palhaço disfarçado. Ele nos persuade a falar aos nossos ouvintes o que eles não podem entender, e, depois, a dizer-lhes coisas inaproveitáveis. Ele tira o fio da convicção e embota o vigor dos nossos ensinamentos, com a desculpa de que não queremos ser grosseiros ou indelicados em nosso linguajar. Se damos com uma passagem franca e desafiadora, o orgulho a joga fora como rústica e inapropriada.

Assim, quando Deus nos manda agir com todo o zelo, o maldito pecado do orgulho domina e controla os mais santos mandamentos de Deus. Este pecado nos tenta, levando-nos a não sermos tolos ao expressar-nos sobre tais ou quais convicções, mas a falar suavemente. Desta maneira, o orgulho refaz muitos sermões do pregador, e o fim em vista não é a glória de Deus, e sim o progresso de Satanás.

Tendo preparado o sermão, o orgulho sobe ao púlpito, Ele impõe a entonação, modela a eloquência e elimina tudo que cause ofensa, para conseguir o máximo de aplauso. O resultado final é que ele faz com que os homens, tanto no estudo como na pregação, busquem o seu próprio interesse e, após inverterem os papéis do culto, neguem a Deus, em vez de glorificá-Lo e negar-se a si mesmos. Em vez de perguntarem, então, "Que falarei, e como falarei para agradar ao máximo a Deus e para fazer o maior benefício?", o orgulho os leva a indagar: "Como pregarei, para ser considerado um pregador competente e para ser aplaudido por todos os que me ouvirem?”. “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”. (Tg 4.6).

2. O Pecado da Inveja

Entretanto, isto não é tudo; há outras coisas mais. Ah, se se falasse dos piedosos ministros de Deus que anelam tanto a popularidade que chegam a invejar as funções e a reputação dos seus colegas que são preferidos a eles! É como se Deus tivesse dado os Seus dons como puros ornamentos e enfeites das suas personalidades. E então se vão pelo mundo exibindo a sua reputação, como também espezinhando e desmoralizando a dos seus rivais que se levantam em seu caminho impedindo que recebam as honras ambicionadas! Que vergonha encherem-se de inveja, os que deveriam ser santos e viver como pregadores de Cristo, pervertendo assim os dons de Deus — quando a Ele é devida toda a glória! Eles fazem todas essas coisas porque os outros parecem impedir a glória deles.

Não é verdade que todo cristão verdadeiro é membro do corpo de Cristo, de modo que cada um participa do todo? Não é verdade que todo homem deve dar graças a Deus pelos dons dos seus irmãos, como também por serem todos membros uns dos outros? Não é verdade que cada qual tem sua finalidade no todo? Pois se a glória de Deus e o bem-estar da Igreja não forem o seu propósito, ele não é cristão. Que coisa terrível é, então, que os homens estejam tão sem temor de Deus a ponto de invejarem os dons de Deus e deixarem que os seus ouvintes mundanos continuem não convertidos. É lastimável que prefiram que o ministério seja exercido por um dorminhoco que vive sonolento, a deixar que alguém o exerça, o qual goze da preferência geral em vez deles. “O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30).

3. O Pecado da Censura

Sucede que muitos engrandecem tanto as suas opiniões pessoais, que censuram quaisquer pensamentos que difiram dos deles um mínimo que seja, esperando que todos se amoldem ao seu critério. É como se eles fossem os únicos regentes da fé da Igreja. Assim, enquanto condenamos a infalibilidade papal, temos tantos papas entre nós! Gostamos da pessoa que reitera o que dizemos, que concorda com a nossa opinião e que promove a nossa reputação. Mas a achamos ingrata quando ela nos contradiz, diverge de nós, fala com franqueza conosco sobre os nossos erros e nos aponta as nossas faltas.

Somos tão sensíveis que quase não aguentamos que nos repreendam, tão arrogantes que dificilmente os outros conseguem falar conosco e tão mimados, como crianças, que não podemos suportar crítica de ninguém. Assim, a nossa indignação não vem do fato de escrevermos ou falarmos qualquer coisa falsa ou injusta. Vem do medo de sermos contraditados.

Irmãos, sei que é uma confissão triste e dura de ser feita. Se pudéssemos esconder-nos, nos esconderíamos, mas toda gente sabe da coisa. Trazemos desonra sobre nós mesmos transformando em ídolo a nossa reputação. Imprimimos e publicamos a nossa vergonha, e a contamos a todo mundo. Que o Senhor tenha misericórdia dos ministros desta terra, e depressa nos dê outro espírito, pois a graça é algo muito mais precioso do que pensamos. 

Todavia, é pela graça de Deus que temos, aqui e noutros lugares, alguns que são humildes, modestos e exemplares para os seus rebanhos e para os seus colegas. A Deus se deve toda a honra por eles serem assim. Mas, infelizmente, não são todos assim. Ah, que o Senhor nos veja aos Seus pés, derramando lágrimas de não fingida tristeza pelos  pecados deles!

A necessidade de humilhar-nos a nós mesmos constitui o âmago do evangelho. A obra da graça só é iniciada e sustentada pelo exercício da humildade. A humildade não é apenas um ornamento do cristão. É parte essencial da nova criatura. É contradição ser um homem santificado, ou um verdadeiro cristão, e não ser humilde.

Todos os que pretendem ser cristãos têm que ser discípulos de Cristo e vir a Ele para aprender; e a lição que recebem é que sejam mansos e humildes. Quantos preceitos e quantos exemplos admiráveis nosso Senhor e Mestre nos deu com este propósito! Podemos imaginá-Lo deliberadamente lavando e enxugando os pés dos Seus discípulos a fim de mostrar-Se arrogante e despótico? Acaso Cristo Se relaciona com os cansados e oprimidos, e nós os evitamos, considerando-os desprezíveis? Achamos que só são aptos para a nossa sociedade os ricos e os que ocupam posição honrosa. Quantos de nós são vistos mais frequentemente nas casas de pessoas de alta classe, do que nos casebres dos pobres, justamente da gente que mais  precisa do nosso auxílio! “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5.3).

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

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terça-feira, 24 de setembro de 2019

O perigo da incoerência moral

Cuidando de nós Mesmos (4)
“Procura apresentar-te a Deus aprovado...” (2Tm 2.15).

Consideremos o que é olhar por nós mesmos. Vejamos o que devemos fazer. Empenhemos também os nossos corações nessa tarefa, à medida que a compreendamos.

4) O perigo da incoerência moral

Olhem por si mesmos para não virem a ser exemplos de doutrina contraditória. Cuidado, para que não venham a colocar pedras de tropeço na frente dos cegos e ocasionar a sua ruína. Cuidado, para não desfazerem com suas vidas o que dizem com suas línguas. Cuidado, para não se tornarem, vocês mesmos, o maior obstáculo ao sucesso dos seus trabalhos.

Dificulta muito o nosso trabalho quando outros homens contradizem na vida particular o que lhes declaramos publicamente acerca da Palavra de Deus. Acontece isso porque não estamos lá para contradizê-los e demonstrar a sua loucura. Mas será muito mais prejudicial ao nosso trabalho se contradissermos a nós mesmos. Se as nossas ações se tornam uma mentira para as nossas línguas, o que podemos edificar em uma ou duas horas de discurso, poderemos destruir numa semana com as nossas mãos. É deste modo que se faz com que os homens achem que a Palavra de Deus não passa de um conto ocioso e que a pregação não pareça melhor do que qualquer tagarelice. Ora, aquele que de fato põe sentido no que fala, certamente age de acordo com o que fala.

Assim é que uma palavra arrogante, grosseira, insolente, ou uma discussão desnecessária, ou um ato de cobiça, pode cortar a garganta de muitos sermões.

Digam-me, irmãos, no temor de Deus, vocês têm consideração pelo bom êxito dos seus trabalhos, ou não? Vocês esperam vê-los causar efeito nas almas dos seus ouvintes? Se não, por que pregam? Para que estudam? Por que se denominam ministros de Cristo? Mas se têm essa consideração e essa esperança, certamente não poderão achar dentro dos seus corações o desejo de prejudicar o seu trabalho com alguma coisa indigna.

É um erro patente aos olhos de todos o daqueles ministros da Igreja que abrem grande abismo entre a sua pregação e o seu viver. Eles estudam arduamente para pregar com exatidão, e, todavia, estudam pouco ou nada para viver com exatidão. A semana inteira é curta para preparar-se para falar duas horas; e, contudo, uma hora parece tempo demais para preparar-se para viver uma semana. Causa-lhes repulsa a má colocação de um vocábulo em seus sermões; mas não se preocupam nem um pouco em colocar mal os sentimentos, as palavras e as ações no transcurso das suas vidas. Ah, que pregações nobres e interessantes tenho ouvido de alguns homens, e quão relaxadamente os tenho visto viver!

Assim, irmãos, certamente nos sobram razões para termos cuidado com o que fazemos, bem como com o que dizemos. Se somos servos de Cristo, não devemos ser somente oradores, mas também devemos servi-Lo com os nossos feitos. Aquele que for "fazedor da obra" será  bem-aventurado no seu feito" (Tg 1.25). Como esperamos que os que nos ouvem sejam "cumpridores da  palavra, e não somente ouvintes", assim também nós devemos ser cumpridores, e não somente oradores, para que não nos enganemos a nós mesmos (Tg 1.22).

Uma doutrina prática deve ser pregada praticamente. Devemos preparar-nos tão arduamente para viver bem, como para pregar bem. Devemos pensar e repensar como compor as nossas vidas (bem como os nossos sermões), para usarmos a melhor maneira de levar os homens à salvação.

Se a sua finalidade for a de salvar almas, irmãos, certamente vocês procurarão atentar para esse objetivo fora do púlpito como nele. Se esta for a sua finalidade, vocês viverão por ela e farão tudo que puderem para alcançá-la. Amém!

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

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Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
(41)3242-1115

O perigo da incompetência para os deveres pastorais

Cuidando de nós Mesmos (3)
“Procura apresentar-te a Deus aprovado...” (2Tm 2.15).

Consideremos o que é olhar por nós mesmos. Vejamos o que devemos fazer. Empenhemos também os nossos corações nessa tarefa, à medida que a compreendamos.

3) O perigo da incompetência para os deveres pastorais

Precisamos olhar por nós mesmos para que não estejamos despreparados para as grandes tarefas que nos incumbimos de levar a cabo. É preciso que não seja um bebê no conhecimento aquele que quer ensinar aos homens as coisas misteriosas que necessitam saber para assegurar-se da salvação.

Ah, que qualificações são necessárias ao homem que tem sobre si a responsabilidade que temos! Quantas dificuldades da teologia precisam ser compreendidas! Que pontos essenciais da fé é obrigatoriamente necessário conhecer! Quantos textos obscuros das Escrituras têm que ser explicados! Quantos deveres precisam ser cumpridos, deveres nos quais poderemos falhar, se não compreendermos claramente o seu teor, o seu propósito e o seu contexto! Quantos pecados devemos evitar, o que não poderá ser feito sem compreensão e perspicácia!

Quantas tentações sorrateiras e sutis precisamos expor perante os olhos do nosso povo — a fim de que se possa escapar delas! Quantos opressivos e intrincados problemas de consciência temos que resolver quase todos os dias! Tanto trabalho assim, e tal tipo de labor poderá ser realizado por homens imaturos e incompetentes?

Que fortalezas — e quantas! — temos que pôr abaixo! Que resistência sutil, diligente e obstinada temos que esperar encontrar no trato de cada coração! Como o preconceito bloqueia o nosso caminho rumo à obtenção de bons ouvintes! Muitas vezes não discutimos em condições iguais, mas com crianças que não conseguem entender-nos.

Temos que trabalhar com gente desorientada. Temos que lidar com pessoas voluntariosas e nada razoáveis, que nunca ficam mais persuadidas do que quando silenciadas com os seus próprios argumentos. Quando não nos apresentam razão nenhuma, apresentam-nos a sua resolução. Temos que enfrentar as vontades dos homens e suas paixões sensuais, bem como os seus modos de entender as coisas. Teremos que enfrentar, não uma, mas multidões de paixões violentas e de inimigos contraditórios, toda vez que sairmos em busca da conversão de um pecador.

Ah, diletos irmãos, que homens devemos ser, então, em habilidade, resolução e incansável diligência — nós, que temos isso tudo com que lutar e por que lutar? Não bradou Paulo, "para estas coisas quem é idôneo?" (2Co 2.16). Poderemos, então, dar-nos o luxo de sermos orgulhosos e preguiçosos, como se fôssemos capazes? Como diz Pedro a todo cristão, ao ponderar a responsabilidade, há o reflexo do nosso caráter; "que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade"? (2Pe 3.11). Assim posso eu dizer a todo ministro, vendo como estes desafios pesam sobre nós, que classe de pessoas devemos ser em todos os nossos santos esforços e resoluções para o nosso trabalho!

Portanto, este não é um fardo que se coloque nos ombros de uma criança. Que habilidade cada parte da obra requer, e quanto tempo! Não pensem que a prédica é a parte mais dura do nosso trabalho. Todavia, quanta habilidade é necessária para dar clareza à verdade, a fim de persuadir os nossos ouvintes! Como é difícil fazer com que a luz irresistível penetre na consciência deles, permaneça ali, e os capacite a compreender a verdade! Como é difícil acionar a verdade em suas mentes e introduzir Cristo em seus sentimentos! Que inteligência se requer do pastor para enfrentar toda objeção levantada e para responder com clareza aos que as levantam! Como é desafiador levar os pecadores a convicções que os façam enxergar que não há esperança para eles, a menos que sejam convertidos; que, do contrário, serão inevitavelmente condenados!

Fazer isso tudo numa linguagem e de maneira apropriadas ao nosso ministério e, ainda assim, ajustadas às capacidades dos nossos ouvintes, exige muito engenho e arte. Isso tudo e muito mais se requer para todo sermão que pregarmos com santa aptidão. Um tão grande Deus, cuja mensagem proferimos, deve ser honrado pela maneira como a transmitimos.

Quão lamentável será, então, termos uma mensagem provinda do Deus dos Céus — mensagem com consequências eternas para as almas dos homens — e, contudo, entregar tão debilmente esta palavra! Que desventura, conduzir-nos tão imprudentemente, ou comunicar a verdade tão superficialmente, de modo que todo o trabalho do nosso Deus malogra em nossas mãos! Quando Deus sofre desonra, a Sua obra cai em descrédito e os pecadores se endurecem em vez de converter-se, devido à nossa fraqueza e negligência. Quão grande é a nossa responsabilidade!

Quantas vezes sucede que ouvintes mundanos vão para casa irritados com os fiascos óbvios e desonrosos do pregador! Quantos deles dormem diante de nós, porque os nossos corações e línguas estão dormentes! E não temos sequer capacidade e zelo para despertá-los! 

Além disso, imaginemos quanta habilidade é necessária para defender a verdade contra os que se lhe opõem e para lidar com aqueles que argumentam contra ela. Que habilidade, pois, é necessária para lidar com uma pobre e ignorante alma acerca da sua conversão!

Será que uma porção comum de santa aptidão e habilidade, de prudência e outras qualificações servirá  para tal missão? Bem sei que a necessidade pode levar esta igreja a tolerar os fracos. Ai de nós, porém, se formos indulgentes e tolerantes para com as nossas próprias fraquezas! Sua razão e sua consciência não lhes dizem que, se vocês ousarem aventurar-se a um trabalho tão elevado como este, não deverão poupar esforços no preparo para realizá-lo? Não será um exercício ou experiência de estudos feitos de vez em quando, ocasional e preguiçosamente, que servirá para formar um valoroso homem de Deus.

Podemos escusar-nos da necessária diligência intelectual dizendo que somente o Espírito Santo pode qualificar-nos e assistir-nos em nosso trabalho. Deus encorajará essa ociosidade? Dar-nos-á Ele miraculosamente conhecimento mediante sonhos quando estivermos dormindo? Ou nos levará ao céu e nos revelará os Seus conselhos? Ah, se os homens se atreverem tão pecaminosamente a extinguir o Espírito com tal ociosidade e, depois, pretextar que é o Espírito que o está fazendo! 

Deus exige que não sejamos "vagarosos no cuidado" e que sejamos "fervorosos no espírito, servindo ao Senhor" (Rm 12.11). Devemos instigar os nossos ouvintes a serem pessoas assim, como também a nós mesmos, a sermos pessoas assim. Portanto, irmãos, não percamos tempo: estudemos e oremos, palestremos e pratiquemos. Com estes quatro meios as nossas capacidades aumentarão. 

Olhem, pois, por si mesmos, para que não se enfraqueçam por sua negligência, e para que não estraguem a obra de Deus com a Sua fraqueza. Pois, "qual o homem, tal a sua valentia" (Juízes 8.21).

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
(41)3242-1115

O perigo de conviver com os pecados contra os quais pregamos

Cuidando de nós Mesmos (2)
“Procura apresentar-te a Deus aprovado...” (2Tm 2.15).

Consideremos o que é olhar por nós mesmos. Vejamos o que devemos fazer. Empenhemos também os nossos corações nessa tarefa, à medida que a compreendamos.

2) O perigo de conviver com os pecados contra os quais pregamos

Somos exortados a olhar por nós mesmos, para não suceder que convivamos com os mesmos pecados contra os quais pregamos. Cuidado para não sermos culpados daquilo que talvez condenemos diariamente.

Engrandecer a Deus seria a obra da qual nos incumbimos? E, havendo feito isso, iremos desonrá-Lo como tantos outros? Proclamaremos o poder dominador de Cristo? E, contudo, tendo falado desse poder, nós mesmos O negaremos e nos rebelaremos contra Ele? Pregaremos as leis de Deus, e ao mesmo tempo as infringiremos deliberadamente? Se o pecado é mau, por que viver nele?

Se não há pecado, por que procuramos dissuadir dele os homens? Se é perigoso, como ousamos praticá-lo? Se não existe, como nos atrevemos a dizer aos homens que existe? Se as ameaças de Deus são verdadeiras, por que não as tememos? Se são falsas, por que afligimos desnecessariamente os homens com elas e os deixamos aterrorizados sem motivo?

Acaso vocês não conhecem o juízo de Deus? Os que praticam tais coisas são declarados dignos de morte, e, todavia, vocês persistiriam em praticá-las? (Rm 1.32). Vocês, que ensinam outros, como não se ensinam a si próprios? Vocês, que dizem a outros que não cometam adultério, que não sejam beberrões nem glutões — vocês mesmos fazem essas coisas? Vocês que se jactam da lei, não percebem que, ao quebrar a lei, estão desonrando a Deus? (Rm 2.21-23).

O quê? A língua que fala o mal também haverá de falar contra o mal? Criticará, caluniará, difamará enquanto despreza este comportamento e outros semelhantes nas outras pessoas? Olhem por vocês, pois, para não suceder que desprezem o pecado, e, contudo, não o dominem em si próprios. Sim, pois, como no-lo recorda 2Pedro 2.19, "de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo". E "a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça", adverte-nos Paulo (Rm 6.16). Sim, é mais fácil julgar o pecado que dominá-lo. 

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

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