“Não acumuleis
para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e
onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu,
onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque,
onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6:19-21).
quarta-feira, 7 de maio de 2025
"TESOUROS"
domingo, 4 de maio de 2025
ELINE BAKKER - WEES VERHOOGD (LIVE)
ELINE BAKKER - WEES VERHOOGD (LIVE)
"Seja Exaltado"
"Teu louvor estará em nossos lábios,
Estará e permanecerá em nossos lábios, Jesus.
Nossos corações serão completamente Teus,
Será e permanecerá completamente Teu, Jesus".
Deus nos abençoe!
sábado, 3 de maio de 2025
O APÓSTOLO LADRÃO
O APÓSTOLO LADRÃO
“Então, Maria,
tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus
e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do
bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, o que estava para
traí-lo, disse: Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não
se deu aos pobres? Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas
porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava” (Jo 12:3.6).
sexta-feira, 2 de maio de 2025
“A DESTRUIÇÃO DO PODER DE SATANÁS”
“A DESTRUIÇÃO DO PODER DE SATANÁS”
“E, quando Jesus
tomou o vinagre, disse: Está consumado” (Jo 19.30).
4. Aqui vemos
a destruição do poder de Satanás.
Veja-o pela
fé. A cruz foi o presságio de morte do poder do diabo. Às aparências humanas
parecia o momento de seu maior triunfo, todavia, na realidade foi a hora de sua
derrota definitiva. Em virtude da cruz o Salvador declarou,
“Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo” (Jo
12.31). É verdade que Satanás não foi ainda acorrentado e lançado no abismo, entretanto, a sentença foi dada (ainda que não executada); seu fim é certo; e
seu poder já está quebrado no que diz respeito aos crentes.
Para o
cristão, o diabo é um inimigo vencido. Ele foi derrotado por Cristo na
cruz — “para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte,
isto é, o diabo” (Hb 2.14). Os crentes já foram tirados “da potestade
das trevas” e transportados para o reino do Filho do amor de Deus (Cl 1.13).
Satanás, então, deve ser tratado como um inimigo derrotado. Ele não mais
tem qualquer reivindicação legítima sobre nós. Outrora éramos seus
“cativos” por lei, mas Cristo nos livrou. Outrora andávamos “segundo o príncipe
das potestades do ar”; mas agora temos de seguir o exemplo que Cristo nos
deixou. Outrora Satanás “operava em nós”; mas agora Deus é quem opera em
nós tanto o querer quanto o efetuar, segundo sua boa vontade. Tudo o que
temos de fazer é “resistir ao diabo”, e a promessa é que “ele fugirá de
vós” (Tg 4.7).
“Está
consumado”. Aqui estava a resposta triunfante à cólera do homem e à inimizade de
Satanás. Ela conta a perfeita obra que vai de encontro ao pecado no lugar do julgamento.
Tudo estava completado exatamente como Deus queria tê-lo, como os profetas
haviam predito, como o cerimonial do Antigo Testamento prefigurava, como a santidade
divina requeria, e como os pecadores necessitavam. Quão contundentemente apropriado
é que esse sexto brado do Salvador na cruz seja encontrado no evangelho de João
— o evangelho que mostra a glória da deidade de Cristo! Ele aqui não encomenda sua
obra à aprovação divina, mas sela-a com o seu próprio imprimatur, atestando-a
como completa, e dando-lhe a todo-suficiente sanção de sua própria
aprovação. Nenhum outro além do Filho de Deus diz “ESTÁ consumado” —
quem pois ousa duvidar ou questionar?
“Está
consumado”. Leitor, você crê nisso? ou está tentando adicionar algo de si mesmo
à obra completa de Cristo para assegurar o favor de Deus? Tudo o que você tem
que fazer é aceitar o perdão que ele adquiriu. Deus está satisfeito com
a obra de Cristo, por que você não está? Pecador, no momento em que você crer
no testemunho de Deus sobre seu Filho amado, nesse momento todo pecado que você
cometeu é apagado, e você fica em posição aceitável em Cristo! Ó, não gostaria
você de possuir a certeza de que não há nada entre sua alma e Deus? Não
gostaria você de saber que todo pecado foi expiado e posto de lado? Então,
creia no que a palavra de Deus diz acerca da morte de Cristo. Não descanse
em seus sentimentos e experiências, mas na palavra escrita. Há apenas um
caminho para se encontrar paz, e isso é mediante a fé no sangue derramado do
Cordeiro de Deus.
Deus nos abençoe!
Arthur W. Pink (1886-1952).“O CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DA LEI”
“O CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DA LEI”
“E, quando Jesus
tomou o vinagre, disse: Está consumado” (Jo 19.30).
3. Aqui vemos
o cumprimento das exigências da lei.
“A lei é
santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Rm 7.12). Como poderia ela ser menos
que isso, já que o próprio Deus a tinha ideado e dado! A culpa não estava na
lei, mas no homem que, sendo depravado e pecador, não a podia guardar. Todavia,
aquela lei tem que ser guardada, e guardada por um homem, de modo que a lei
pudesse ser honrada e exaltada, e justificado aquele que a deu. Por
conseguinte, lemos: “Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava
enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do
pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne; para que a justiça da lei se
cumprisse em (não “por”) nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o
espírito” (Rm 8.3,4). A “enfermidade” aqui é aquela do homem caído. O envio do
Filho de Deus na semelhança da carne do pecado (grego, corretamente traduzido
pela versão Almeida Revista e Corrigida) refere-se à Encarnação: como lemos em
uma outra versão, “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a
lei, para resgatar os que estavam sob a lei” (Gl 4.4,5 ARA). Sim, o
Salvador nasceu “sob a lei”, nasceu sob ela para que pudesse guardá-la
perfeitamente em pensamento, palavra e obras. “Não cuideis que vim destruir a
lei, ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir” (Mt 5.17); essa foi sua
pretensão.
Mas não apenas
o Salvador guardou os preceitos da lei, ele também sofreu sua pena e suportou
sua maldição. Nós a tínhamos quebrado e, tomando nosso lugar, ele deve receber
sua justa sentença. Tendo recebido sua pena e sofrido sua maldição, as exigências
da lei são completamente atendidas e a justiça é satisfeita. Por conseguinte, está
escrito a respeito dos crentes: “Cristo nos resgatou da maldição da lei,
fazendo-se maldição por nós” (Gl 3.13). E outra vez: “Porque o fim da lei é
Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4). E outra vez ainda: “Pois
não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Rm 6.14).
“Livres
da lei, Ó feliz condição!
Jesus
abençoa e há remissão.
Amaldiçoados
pela lei e mortos pela queda,
A graça
nos redimiu de uma vez por todas”.
Deus nos abençoe!
Arthur W. Pink (1886-1952).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
quinta-feira, 1 de maio de 2025
“O FIM DE NOSSOS PECADOS”
“O FIM DE NOSSOS PECADOS”
“E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado” (Jo 19.30).
2. Vemos aqui
o fim de nossos pecados.
Os pecados do
crente — todos os seus — foram transferidos ao Salvador. Como diz a Escritura:
“O SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53.6). Se Deus pois
lançou minhas iniquidades sobre Cristo, não mais estão elas sobre mim. Há
pecado em mim, pois a velha natureza adâmica permanece no crente até a
morte ou até o retorno de Cristo, caso ele venha antes que eu morra, porém, não
há mais pecado algum sobre mim. Tal distinção entre pecado EM e
pecado SOBRE é uma distinção vital, e deve haver pouca dificuldade em
sua apreensão. Se eu dissesse que o juiz deu a sentença sobre um
criminoso, e que esse está agora sob sentença de morte, todos entenderiam
o que eu quis dizer. Da mesma forma, todos fora de Cristo tem a sentença da
condenação divina que repousa sobre si. Porém, quando um pecador crê no
Senhor, recebe-o como seu Senhor e Salvador, ele não mais está “sob condenação”
— o pecado não mais está sobre si, ou seja, a culpa, a condenação,
a pena do pecado, não mais está sobre ele. E por quê? Porque Cristo
levou nossos pecados em seu próprio corpo sobre o madeiro (1Pe 2.24). A culpa,
a condenação e a pena de nossos pecados foram transferidas ao nosso
substituto. Em consequência, porque meus pecados foram transferidos a
Cristo, eles não mais estão sobre mim.
Essa preciosa
verdade foi contundentemente ilustrada nos tempos do Antigo Testamento em
conexão com o Dia Anual da Expiação em Israel. Naquele dia, Arão, o sumo-sacerdote
(um tipo de Cristo), dava satisfação a Deus pelos pecados que Israel cometera
durante o ano anterior. A maneira como isso era feito está descrita em Levítico
16. Dois bodes eram tomados e apresentados diante de Deus à porta do tabernáculo;
isso era antes que qualquer coisa fosse feita com eles; isso
representava Cristo apresentando-se a Deus, oferecendo para entrar neste mundo,
e ser o Salvador dos pecadores. Um dos bodes era então escolhido e morto,
e seu sangue era levado para dentro do tabernáculo, no interior do véu, no
Santo dos Santos e, ali, era espargido perante e sobre o propiciatório —
prefigurando a Cristo oferecendo-se como um sacrifício a Deus, para
satisfazer às exigências de sua justiça e aos requerimentos de sua santidade.
Lemos então
que Arão saía do tabernáculo e punha ambas as mãos sobre a cabeça do segundo
bode (vivo) — significando um ato de identificação pelo qual ele, o representante
de toda a nação, identificava o povo com o animal, reconhecendo que seu destino
era o que seus pecados mereciam, e que, hoje, corresponde às mãos da fé,
segurando Cristo e identificando a nós mesmos consigo em sua morte. Tendo posto
suas mãos na cabeça do bode vivo, Arão agora confessava sobre ele “todas
as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões,
segundo todos os seus pecados, e os porá sobre a cabeça do
bode” (Lv 16.21). Desse modo, os pecados de Israel eram transferidos ao seu
substituto. Finalmente se nos diz: “Assim aquele bode levará sobre si todas as iniquidades
deles à terra solitária; e enviará o bode ao deserto” (Lv 16.22). O bode
que carregava os pecados de Israel era introduzido num ermo inabitado, e o povo
de Deus não mais via, nem ele nem seus pecados! Tipificando, isso era
Cristo introduzindo nossos pecados em uma terra desolada onde Deus não
estava, e ali dando um fim a eles. A cruz de Cristo, pois, é o túmulo de
nossos pecados!
Deus nos
abençoe!
Arthur W. Pink (1886-1952)..
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“O CUMPRIMENTO DE TODAS AS PROFECIAS”
“O CUMPRIMENTO DE TODAS AS PROFECIAS”
“E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado” (Jo 19.30).
1. Aqui vemos
efetuado o cumprimento de todas as profecias que foram escritas sobre Jesus antes
que viesse a morrer.
Esse é o
pensamento imediato do contexto: “Quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado”
(Jo 19.30). Séculos antes, os profetas de Deus tinham descrito passo a passo a
humilhação e o sofrimento por que o Salvador vindouro deveria passar. Uma por
uma das profecias haviam sido cumpridas, maravilhosamente cumpridas, cumpridas ao
pé da letra. Havia profecia que declarava que ele deveria vir da “semente da
mulher” (Gn 3.15); então, ele veio “nascido de mulher” (Gl 4.4).
Havia profecia que anunciava que sua mãe seria uma “virgem” (Is 7.14); então
foi ela literalmente cumprida (Mt 1.18). Havia profecia que revelava que ele
deveria ser da semente de Abraão (Gn 22.18); então, observe seu cumprimento (Mt
1.1). Havia profecia que fazia saber que ele deveria ser da linhagem de Davi
(2Sm 7.12,13); então tal se deu em realidade (Rm 1.3).
Havia profecia
que dizia que ele receberia seu nome antes de nascer (Is 49.1); então assim
se sucedeu (Lc 1.30,31). Havia profecia que previa que ele deveria nascer em Belém
de Judá (Mq 5.2); observe então como essa aldeia mesma foi de fato sua terra natal.
Havia profecia que alertava de antemão que seu nascimento acarretaria desgosto para
outros (Jr 31.15); então, contemple seu trágico cumprimento (Mt 2.16-18). Havia
profecia que mostrava com antecedência que o Messias deveria aparecer antes que
o cetro da ascendência de Judá sobre as demais tribos tivesse dela partido (Gn
49.10); então assim foi, pois ainda que as dez tribos estivessem cativas, Judá
ainda estava na terra na época de seu advento. Havia profecia que aludia à fuga
para o Egito e ao subseqüente retorno para a Palestina (Os 11.1 e cf. Is
49.3,6); então, assim aconteceu (Mt 2.14,15). Havia profecia que fazia menção
de um que viria antes de Cristo para aprontar seu caminho (Ml 3.1); então, veja
seu cumprimento na pessoa de João Batista. Havia profecia que dava a conhecer
que no aparecimento do Messias “os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos
dos surdos se abrirão. Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos
mudos cantará” (Is 35.5,6); então, leia os quatro evangelhos e veja de quão bendita
maneira isso se provou verdadeiro. Havia profecia que falava dele como “pobre e
necessitado” (Sl 40.17); então, contemple-o não tendo onde reclinar a cabeça.
Havia profecia que sugeria que ele falaria em “parábolas” (Sl 78.2); então tal
foi amiúde seu método de ensino. Havia profecia que o representava acalmando a
tempestade (Sl 107.29); então, isso foi exatamente o que ele fez. Havia
profecia que proclamava sua “entrada triunfal” em Jerusalém (Zc 9.9): então assim
se sucedeu.
Havia profecia
que anunciava que sua pessoa deveria ser desprezada (Is 53.3); que ele deveria
ser rejeitado pelos judeus (Is 8.14); que ele deveria ser aborrecido “sem
causa” (Sl 69.4); então, é triste dizê-lo, tal foi precisamente o caso. Havia
profecia que pintava o quadro inteiro de sua degradação e crucificação — então,
foi ele vividamente reproduzido. Houvera a traição por um amigo íntimo, a
deserção por seus queridos discípulos, o ser levado ao matadouro, o ser levado
a julgamento, o aparecimento de falsas testemunhas contra si, a recusa de sua
parte de se defender, a demonstração de sua inocência, a condenação injusta, a
pena de morte sentenciada sobre si, o traspassamento literal de suas mãos e
pés, o ser contado entre os transgressores, a zombaria da multidão, o lançar
sortes sobre suas vestes — tudo predito séculos antes, e tudo cumprido ao pé da
letra. A última profecia de todas que ainda restava antes de encomendar seu
espírito às mãos do Pai tinha agora sido cumprida. Ele clamou, “Tenho sede”, e
após o oferecimento de vinagre e fel tudo estava agora “concluído”; e, quando o
Senhor Jesus reviu o inteiro escopo da palavra profética e viu sua completa realização,
ele bradou, “Está consumado”!
Somente nos
resta assinalar que, enquanto houve um grupo todo de profecias que tinha de se
dar no primeiro advento do Salvador, assim também há um outro que tem de
acontecer em seu segundo advento — o último, tão definido, pessoal e completo
em seu escopo quanto o primeiro. Assim como vemos o real cumprimento daquelas
que tinham de ocorrer em sua primeira vinda à terra, também podemos aguardar
com absoluta confiança e segurança o cumprimento daquelas que terão lugar em
sua segunda vinda. E, como vimos que o primeiro grupo de profecias foi cumprido
literal, real e pessoalmente, também devemos esperar que o último o
seja. Admitir o cumprimento literal do primeiro, e então procurar
espiritualizar e simbolizar o último, é não apenas grosseiramente inconsistente
e ilógico, mas altamente pernicioso para nós e profundamente desonroso a Deus e
à sua palavra.
Deus nos abençoe!
Arthur W. Pink (1886-1952).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
quarta-feira, 30 de abril de 2025
“A PALAVRA DE VITÓRIA”
“A PALAVRA DE VITÓRIA”
“E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado” (Jo 19.30).
Nossos dois últimos estudos se ocuparam com a
tragédia da cruz; porém, voltamo-nos agora para o seu triunfo. Nestas
palavras, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” ouvimos o brado
de desolação do Salvador; em “Tenho sede”, escutamos seu
clamor de lamentação; agora, chega aos nossos ouvidos seu
brado de júbilo — “Está consumado”. Das palavras da vítima
voltamo-nos agora às palavras do conquistador. Um provérbio diz que toda nuvem
tem seu interior prateado: deu-se assim com a mais escura de todas as nuvens. A
cruz de Cristo tem dois grandes lados: ela mostrou a grande profundidade de sua
humilhação, mas também assinalou o objetivo da Encarnação, e mais, falou da
consumação de sua missão, e forma ela a base de nossa salvação.
“Está consumado”. Os antigos gregos orgulhavam-se de serem capazes de
dizer muita coisa falando pouco — “dar um mar de assunto em uma gota de
linguagem” era tido como a perfeição em oratória. O que eles buscavam é
encontrado aqui. “Está consumado”, no original, é apenas uma palavra, todavia,
nessa palavra está contido o evangelho de Deus; nessa palavra está contido o
fundamento da segurança do crente; nessa palavra é descoberta a essência de
todo gozo, bem como o próprio espírito de toda consolação divina.
“Está consumado”. Isso não foi o grito de desespero de um mártir
desamparado; não foi uma expressão de satisfação pelo término de seus
sofrimentos haver então chegado; não foi o último suspiro de uma vida que se
findava. Não, antes foi a declaração da parte do divino Redentor de que tudo
pelo qual ele viera do céu à terra para fazer, estava agora feito; que tudo que
era necessário para revelar o completo caráter de Deus agora se tinha
concluído; que tudo que era requerido pela lei antes que os pecadores pudessem
ser salvos tinha agora sido realizado: que o preço da nossa escravidão foi pago
para a nossa redenção.
“Está consumado”. O grande propósito divino na história do homem era
agora efetuado — efetuado de jure tanto quanto ainda o
será de facto. Desde o princípio, a intenção de Deus foi
sempre uma e indivisível. Foi declarada aos homens de várias maneiras: em
símbolo e tipo, por misteriosos sinais e por claras sugestões, mediante
predição messiânica e mediante declaração didática. Esse seu propósito pode ser
assim resumido: mostrar sua graça e engrandecer seu Filho criando filhos a sua
própria imagem e glória. E na cruz o fundamento que foi posto era para que isso
se tornasse possível e real.
“Está consumado”. O que está consumado? A resposta a tal questão é uma
resposta mui abundante de significado, ainda que vários excelentes expositores
procurem limitar o escopo de tais palavras e confiná-las estritamente a uma
única aplicação. É-nos dito que foram consumadas as profecias que
diziam respeito aos sofrimentos do Salvador, e que ele se referia apenas a
isso. Admite-se de pronto que a referência imediata era às
predições messiânicas, todavia, pensamos que há razões boas e suficientes
para não confinar as palavras de nosso Senhor a elas. Sim,
para nós parece certo que Cristo se referia especialmente à sua obra
sacrificial, pois toda escritura acerca de seu sofrimento e
vergonha não estava cumprida. Ainda restava entregar seu
espírito nas mãos do Pai (Sl 31.5); ainda restava o “traspassar” com a lança
(Zc 12.10: e repare que a palavra utilizada para o traspassar de suas mãos e
pés — o ato de crucificação — no Sl 22.16 é diferente); ainda
restava serem seus ossos preservados sem quebra (Sl 34.20), e o enterro no
sepulcro do homem rico (Is 53.9).
“Está consumado”. O que estava consumado? Respondemos,
sua obra sacrificial. É verdade que havia ainda o ato da própria morte, que era
necessária para fazer a expiação. Porém, como se dá frequentemente no Evangelho
de João — onde se encontra nosso texto — (cf. Jo 12.23,31; 13.31; 16.5; 17.4),
o Senhor fala aqui antecipadamente da conclusão de sua obra.
Além disso, deve ser lembrado que as três horas de trevas já haviam passado, o
terrível cálice já havia sido sorvido até à última gota, seu precioso sangue já
tinha sido vertido, a ira divina derramada já havia sido suportada; e esses são
os principais elementos para se fazer a propiciação. A obra sacrificial do
Salvador, então, estava completada, com exceção apenas do ato de morte que se
seguiu imediatamente.
Deus nos abençoe!
Arthur W. Pink (1886-1952).
quarta-feira, 23 de abril de 2025
“A EXPRESSÃO DE UMA NECESSIDADE UNIVERSAL”
“A EXPRESSÃO DE UMA NECESSIDADE UNIVERSAL”
“Sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a
Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede” (Jo 19.28).
“TENHO SEDE”
3. Vemos aqui a expressão de uma necessidade universal.
Quer o homem natural, o mundano, articule-o ou não, seu clamor é, “Tenho
sede”. Porque esse desejo consumidor para adquirir bens? Por que esse desejo
ardente pelas honras e aplausos do mundo? Por que essa corrida louca por
prazer, indo de uma forma a outra dele com diligência persistente e incansável?
Por que essa busca ávida por sabedoria — essa investigação científica, esse
empenho da filosofia, esse saque aos manuscritos dos antigos, e essa
experimentação incessante dos homens modernos? Por que essa loucura por aquilo
que é novo? Por quê? Porque há uma voz de dor na alma. Porque há algo
remanescente no homem natural que não está satisfeito. Isso
é verdadeiro tanto para o milionário quanto para o camponês do interior que
nunca esteve fora dos limites de sua terra: viajando de um extremo a outro da
terra e fazendo-o outra vez, não consegue descobrir o segredo da paz. Sobre
tudo o que as cisternas deste mundo fornecem está escrito nas letras da verdade
inefável: “Qualquer que beber desta água tornará a ter sede” (Jo
4.13). Assim se dá com o homem ou a mulher religiosos: queremos dizer, os
religiosos sem Cristo. Quantos há que vão pelo fatigante ciclo
das ações religiosas, e nada encontram que satisfaça suas profundas
necessidades! Eles são membros de uma denominação evangélica, frequentam a
igreja com regularidade, contribuem com seus recursos para o sustento do
pastor, leem suas Bíblias ocasionalmente, e algumas vezes oram, ou, se usam um
“livro de orações”, dizem-nas toda noite. E contudo, afinal de contas, se eles
são honestos, seu clamor ainda é, “Tenho sede”.
A sede é uma sede espiritual; eis o porquê das coisas
naturais não poder matá-la. Desconhecido deles mesmos, sua alma “tem sede de
Deus” (Sl 42.2). Deus nos fez, e só ele pode nos satisfazer. Disse o Senhor
Jesus: “Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede” (Jo 4.14).
Apenas Cristo pode saciar a nossa sede. Apenas ele pode satisfazer a profunda
necessidade dos nossos corações. Apenas ele pode comunicar aquela paz de que o
mundo nada sabe e nem a pode conceder ou tirar. Ó leitor, uma vez mais eu me dirijo
a tua consciência. Como está ela contigo? Descobriste que tudo debaixo do sol é
somente vaidade e aflição de espírito? Descobriste que as coisas terrenas
são incapazes de satisfazer a seu coração? É o brado de sua
alma, “Tenho sede”? Então, não são boas notícias ouvir que há alguém que pode satisfazer
a ti? Dissemos alguém, não um credo, não uma forma de religião, mas uma
pessoa — uma pessoa viva, divina. Ele é o que diz: “Vinde a mim, todos
os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Atente
então a esse doce convite. Venha a ele agora, assim como estás. Venha em fé,
crendo que ele te receberá, e então cantarás:
Vim a Jesus como estava,
Farto, cansado, e triste;
Nele encontrei um lugar de descanso,
E ele me tornou alegre.
Ó, venha a Cristo. Não se detenha. Você tem “sede”?
Então você é aquele que está buscando: “Bem-aventurados os que têm fome e sede
de justiça, porque eles serão fartos” (Mt 5.6).
Leitor não salvo, não rejeite o Salvador, pois se você morrer em seus
pecados seu clamor para todo o sempre será, “Tenho sede”. Esse é o lamento do
condenado eternamente. No lago de fogo o perdido sofrerá entre as chamas da ira
divina por toda a eternidade. Se Cristo clamou “Tenho sede” quando padecia da
ira de Deus só por três horas, qual o estado daqueles que terão de suportá-la
eternamente! Quando milhões de anos tiverem se passado, mais dez milhões haverá
à frente. Há uma sede perene no inferno, que não admite alívio algum. Lembre-se
das pavorosas palavras do homem rico: “E, clamando, disse: Pai Abraão, tem
misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e
me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lc
16.24). Ó, meu leitor, pense. Se a sede física extrema é insuportável mesmo
quando suportada por algumas poucas horas, como será aquela sede que está
infinitamente além de qualquer sede do presente, e que nunca será saciada! Não
diga que é cruel da parte de Deus lidar desse modo com suas criaturas que
erram. Lembre ao que ele expôs seu querido Filho, quando o pecado lhe foi
imputado — seguramente, aquele que despreza a Cristo é merecedor do mais quente
lugar no inferno! Dizemo-lo outra vez, Receba-o agora como seu. Receba-o
como seu Salvador, e submeta-se a ele como seu Senhor.
Deus nos abençoe!
Arthur W. Pink (1886-1952).
“A SUBMISSÃO DO SALVADOR À VONTADE DO PAI”
“A SUBMISSÃO DO SALVADOR À VONTADE DO PAI”
“Sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a
Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede” (Jo 19.28).
“TENHO SEDE”
2. Vemos aqui a submissão do Salvador à vontade do Pai.
O Salvador estava com sede, e aquele que tinha tal sede, lembremos,
possuía todo o poder no céu e na terra. Houvesse ele escolhido exercitar sua
onipotência, poderia prontamente ter satisfeita a sua necessidade. Aquele que
outrora fizera a água fluir da rocha ferida para saciar Israel no deserto,
tinha os mesmos recursos infinitos à sua disposição agora. Aquele que tornara a
água em vinho com uma palavra, poderia ter dito a palavra de poder aqui, e
satisfazer a sua necessidade. Mas ele, em nenhuma vez, operou um milagre para
seu próprio benefício ou conforto. Quando tentado por Satanás para assim agir,
recusou. Por que agora ele declina de atender a sua premente necessidade? Por
que pendia na cruz com os lábios ressecados? Porque no princípio do livro que
expressava a vontade divina, estava escrito que ele devia ter
sede, e que, sedento, devia lhe ser “dado” vinagre para beber. E ele aqui veio
para fazer aquela vontade e, por isso, se submete.
Na morte, como na vida, a escritura foi para o Senhor Jesus a palavra
autorizada do Deus vivo. Na tentação, recusara-se a ministrar à sua necessidade
à parte daquela palavra pela qual ele vivia e assim, agora, ele faz conhecida
sua necessidade, não para que se pudesse ministrar a ela, mas para que
a escritura pudesse ser cumprida. Note que ele mesmo não a cumpriu, a
Deus pode ser confiado que cuide disso; mas ele dá expressão à sua angústia de
modo a fornecer ocasião para o seu cumprimento. Como alguém disse: “A terrível
sede da crucificação está sobre ele, mas que não é suficiente para forçar seus
lábios ressecados para falar; mas está escrito: Na minha sede me deram a beber
vinagre — isso abre os seus lábios” (F.W.Grant). Aqui, então, como sempre, ele
mostra a si mesmo em ativa obediência à vontade de Deus, a qual ele veio para
executar. Ele simplesmente diz, “Tenho sede”; o vinagre é oferecido, e a
profecia é cumprida. Que perfeita absorção na vontade do Pai!
Novamente damos uma pausa para a aplicação a nós mesmos — uma aplicação
dupla. Primeiro, o Senhor Jesus se deleitava na vontade do Pai mesmo quando
envolvia o sofrimento da sede. Nós fazemos esse tipo de renúncia para ele?
Temos nós buscado graça para dizer: “Não se faça a minha vontade, mas a tua”?
Podemos nós exclamar, “Sim, ó Pai, porque assim te aprouve”? Temos nós aprendido em
qualquer estado que seja a “viver contente”? (Fp 4.11).
Mas agora, observe um contraste. Ao Filho de Deus foi negado um copo de
água fria para aliviar seu sofrimento — quão diferente conosco! Deus nos tem
dado uma variedade de alívios para nós, todavia, quão frequentemente somos
mal-agradecidos! Temos coisas melhores para nos deliciar do que um copo d’água
quando estamos sedentos, entretanto, amiúde não somos gratos. Ó, se esse brado
de Cristo fosse com mais credulamente considerado, levar-nos-ia a bendizer a
Deus pelo que nós agora quase desprezamos, e geraria contentamento em nós pela
mais comum das misericórdias. O Senhor da glória clamou, “Tenho sede” e nada
teve à sua volta para confortá-lo, e tu, que tens mil vezes perdido todo
direito às misericórdias tanto temporais quanto espirituais, menosprezas as
bondades comuns da providência! Quê! murmuras de um copo de água, tu que
mereces senão um copo de ira. Ó, ponha isso no coração e aprenda a se contentar
com o que tens, ainda que seja mesmo as necessidades mais simples da vida. Não
se queixe se você mora apenas em uma humilde cabana, pois seu Salvador não
tinha onde reclinar a cabeça! Não se queixe se você não tem nada senão pão para
comer, pois a seu Salvador faltou isso por quarenta dias! Não se queixe se você
tem apenas água para beber, pois a seu Salvador ela foi negada até na hora da
morte!
Deus nos abençoe!
Arthur W. Pink (1886-1952).





