O QUE ME MOTIVA SERVIR A DEUS?
“Havia um homem
na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se
desviava do mal” (Jó 1.1).
O QUE ME MOTIVA SERVIR A DEUS?
“Havia um homem
na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se
desviava do mal” (Jó 1.1).
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BELAS CANÇÕES ESPIRITUAIS CANTADAS NA HOLANDA
“De quanto mais
severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o
Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e
ultrajou o Espírito da graça?” (Hb 10.29).
Calcou aos pés o Filho de Deus. Há uma semelhança entre os apóstatas da lei e os apóstatas do evangelho – ambos perecerão sem misericórdia; o gênero de morte, porém, é diferente. Pois aos que desprezam a Cristo o apóstolo ameaça não só com a morte corporal, mas também com destruição eterna. Portanto, ele afirma que para os tais resta ainda uma punição muito pior. Ele expressa essa deserção do cristianismo sob três formas de linguagem. Diz que dessa forma o Filho de Deus é calcado aos pés; que seu sangue é profanado; e que o Espírito da graça é desprezado. Esmagar com os pés é pior do que lançar fora; e a dignidade de Cristo é muito mais distinta que a de Moisés. Acrescenta-se a esse fato que ele não traça simplesmente um contraste entre evangelho e lei, mas também entre a pessoa de Cristo e o Espírito Santo, e a pessoa de Moisés.
Profanou o sangue da aliança. Ele intensifica a ingratidão, confrontando-a com os benefícios. É algo muitíssimo indigno profanar o sangue de Cristo, o qual é o agente de nossa santificação; e é precisamente o que fazem aqueles que se desviam da fé. Nossa fé não é simplesmente uma questão de doutrina, mas do sangue pelo qual nossa salvação foi ratificada. O autor o chama de o sangue da aliança, porque as promessas nos foram confirmadas quando esse penhor foi adicionado. Ele chama a atenção para a forma dessa confirmação, dizendo que fomos santificados por ela, pois o sangue derramado não nos serviria para nada, a menos que fôssemos aspergidos com ele através do Espírito Santo. É daí que provêm nossa expiação e santificação. O apóstolo está, ao mesmo tempo, se referindo ao antigo rito de aspersão, a qual não era eficaz para a genuína santificação, mas era sua sombra ou tipo.
Ultrajou o Espírito da graça. O
apóstolo o chama o Espírito da graça
pelos efeitos que ele produz, porque é através dele e pelo seu poder que
recebemos a graça que nos é oferecida em Cristo. É ele que ilumina nossas
mentes com fé; que sela em nossos corações a adoção divina; que nos regenera
para uma nova vida; e que nos enxerta no corpo de Cristo, para que ele viva em
nós e nós nele. O Espírito da graça, portanto, é assim corretamente chamado,
visto que é através dele que Cristo, com os seus benefícios, se tornam nossos.
Tratar com desprezo, aquele através de quem somos dotados com tão grandes
bênçãos, é o mais perverso de todos os pecados. Aprendamos desse fato que todos
aqueles que voluntariamente tornam sua graça inútil, depois de desfrutarem de
seu favor, estão expondo o Espírito de Deus ao desprezo. Portanto, não é de
estranhar que Deus se vingue de uma blasfêmia desse gênero, de forma tão
severa; e não é de estranhar que ele se mostre inexorável para com aqueles que
pisam sob a planta de seus pés a Cristo o Mediador, o único que intercede por
nós; e não é de estranhar que ele obstrua o caminho da salvação àqueles que
rejeitam o Espírito Santo, como seu único e verdadeiro Guia.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Restaura-nos, ó
Deus; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos” (Sl 80.3).
O significado
desta oração é este: Restaura-nos a nossa primeira condição. Haviam rogado, no
versículo precedente, que Deus renovasse sua força diante de Efraim, Benjamim e
Manassés (v. 2); e agora se queixam de que não passavam de proscritos enquanto
Deus não os socorresse e remediasse sua miserável dispersão. Alguns entendem as
palavras restaura-nos ou faz-nos voltar novamente como uma
referência a uma maneira diferenciada; ou, seja, como uma oração para que Deus
lhes concedesse o espírito de regeneração. Mas sendo tal interpretação refinada
demais, será melhor aderir ao primeiro sentido, a saber: considerar a expressão
no sentido em que os fiéis, sob a adversidade com que eram afligidos, recorreram
a Deus, cuja obra peculiar é restaurar os mortos à vida. Reconhecem, de um
lado, que todas suas misérias tinham que ser ligadas a isto, como sua causa:
que Deus, estando irado por causa de seus pecados, ocultava deles sua face; e,
por outro lado, esperam obter plena salvação tão-somente através do favor
divino. Ser-nos-á, dizem, na verdade uma ressurreição, quando teu semblante resplandecer
sobre nós. Sua linguagem subentende que, contanto que Deus lhes estenda sua
misericórdia e favor, seriam felizes e todas suas atividades prosperariam.
“Seja a tua mão sobre o povo da tua destra, sobre o filho do
homem que fortaleceste para ti. E assim não nos apartaremos de ti; vivifica-nos,
e invocaremos o teu nome. Restaura-nos, ó Senhor, Deus dos Exércitos, faze
resplandecer o teu rosto, e seremos salvos” (Sl 80.17-19).
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Quem
recebe um profeta, no caráter de profeta, receberá o galardão de profeta; quem
recebe um justo, no caráter de justo, receberá o galardão de justo. E quem der a beber, ainda que seja um copo de
água fria, a um destes pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos
digo que de modo algum perderá o seu galardão” (Mt 10.41,42)
Nestes
versículos, o nosso Senhor Jesus conclui a primeira incumbência que determinou
àqueles que estava enviando para divulgar o seu evangelho. Ele declarou três
grandiosas verdades, que formam uma apropriada conclusão para o seu discurso.
Por fim, em
terceiro lugar, nosso Senhor nos alegra com a declaração de que mesmo o menor
serviço prestado àqueles que trabalham em sua causa será observado e recompensado
por Deus. “E quem der a beber, ainda que seja um copo de água fria, a um destes
pequeninos, por ser este meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum
perderá o seu galardão”.
Nessa promessa
há algo maravilhoso. Ela nos ensina que os olhos do nosso grande Mestre estão
perenemente fixos sobre aqueles que trabalham para Ele e procuram fazer o bem.
Parece que essas pessoas trabalham sem serem notadas, sem serem consideradas. O
trabalho dos pregadores e missionários, dos professores e dos que visitam os
pobres, pode parecer de pouco valor e insignificante, em comparação com os
ofícios de reis e parlamentares, de generais e estadistas. Mas não é insignificante
aos olhos de Deus. Ele observa os que se opõem aos seus servos e aqueles que os ajudam.
Ele observa quem é dócil para seus ministros, como Lídia agiu com Paulo, e quem põe
obstáculos no caminho, como Diótrefes fez com o apóstolo João. Toda a experiência
diária dos discípulos de Cristo fica registrado no grande livro de obras e tudo
será revelado no dia de juízo. O copeiro-mór esqueceu-se de José depois de ter
sido restaurado ao cargo. Mas o Senhor Jesus jamais se esquece de qualquer do
seu povo. Ele dirá a muitos, que menos esperam por isso, no dia da ressurreição:
“Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber” (Mt 25.35).
Ao encerrarmos o
estudo deste capítulo, perguntemos a nós mesmos como consideramos a obra e a
causa de Cristo neste mundo. Estamos ajudando ou dificultando essa obra?
Estamos ajudando de alguma maneira, aos profetas e aos “justos” do senhor?
Estamos ajudando esses pequeninos? Estamos pondo obstáculos no caminho, ou
estamos encorajando os obreiros do Senhor, procurando animá-los? Os que oferecem o “copo de água fria” sempre
que tenham oportunidade, agem bem. Porém, agem ainda melhor aqueles que
trabalham ativamente na obra do Senhor. Que todos nós nos esforcemos por deixar
este mundo melhor do que aquele em que nascemos. Isso é ter a mente de Cristo.
Deus nos
abençoe!
J.C.Ryle
(1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Quem ama seu
pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua
filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem
após mim não é digno de mim” (Mt 10.37,38).
Nestes
versículos, o nosso Senhor Jesus conclui a primeira incumbência que determinou
àqueles que estava enviando para divulgar o seu evangelho. Ele declarou três
grandiosas verdades, que formam uma apropriada conclusão para o seu discurso.
Em segundo
lugar, nosso Senhor Jesus nos diz que os verdadeiros cristãos devem estar preparados
para sofrerem tribulações neste mundo. Se somos ministros ou ouvintes, se
ensinamos ou somos ensinados, não faz muita diferença. Temos que levar a nossa “cruz”.
Devemos estar dispostos a perder até a própria vida por amor a Cristo. Devemos
nos submeter à perda do favor dos homens, suportar as dificuldades e negar a
nós mesmos muitas vezes ou, então, jamais chagaremos ao céu. Enquanto o mundo,
o diabo e os nossos próprios corações forem como são, as coisas têm de ser
assim.
Descobriremos
quão útil é relembrar-nos dessa lição, para então transmiti-la aos nossos
semelhantes. Poucas coisas são mais prejudiciais à religião do que as
expectativas exageradas e fora de proporção. Certas pessoas esperam encontrar
uma medida de conforto mundano no serviço de Cristo, embora não tenham o
direito de esperar. E, não encontrando o que esperavam, sentem-se tentadas a
desistir, desgostosas, da religião. Feliz é quem compreende que, embora o cristianismo
traga uma coroa no final da carreira, traz também uma cruz para o caminho.
Deus nos abençoe!
J.C.Ryle
(1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Não penseis que
vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão
entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim,
os inimigos do homem serão os da sua própria casa” (Mt 10.34-36).
Nestes
versículos, o nosso Senhor Jesus conclui a primeira incumbência que determinou
àqueles que estava enviando para divulgar o seu evangelho. Ele declarou três
grandiosas verdades, que formam uma apropriada conclusão para o seu discurso.
Em primeiro
lugar, Cristo ordena lembrarmos que o evangelho nem sempre instaurará paz e
concórdia onde for anunciado. “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim
trazer paz, mas espada”. O objetivo da vinda de Cristo à terra não foi o de
inaugurar um reino milenar, dentro do qual todos teriam uma única atitude mental; antes,
Ele veio trazer o evangelho que haveria de provocar divisões e contendas. Não
temos o direito de nos sentirmos surpreendidos se essa predição vai sendo
incessantemente cumprida. Não devemos estranhar se o evangelho chegar a dividir
famílias inteiras, separando até mesmo os parentes mais achegados. Com certeza
esse será o resultado do evangelho em muitos casos, por causa da arraigada
corrupção do coração humano. Enquanto um homem crê e outro permanece na incredulidade,
enquanto um homem resolve desistir de seus pecados, mas outro está resolvido a
continuar em pecado, o resultado da pregação do evangelho será divisão. Não
devemos culpar o evangelho, mas, sim, o coração do homem.
Nestes
ensinamentos há uma profunda verdade, embora seja constantemente esquecida e
negligenciada. Muitos falam em termos vagos acerca da unidade, harmonia e paz
na igreja de Cristo, como se devêssemos esperar por essas coisas, e pelas quais
tudo o mais devesse ser sacrificado. Tais pessoas fariam bem em relembrar as
palavras de nosso Senhor. Não há dúvida, a unidade e a paz são bênçãos
poderosas. Deveríamos buscar alcançá-las, orando por elas e até desistindo de
tudo o mais para as obtermos, excetuando a bondade e uma boa consciência.
Porém, é um sonho vão supormos que neste mundo as igrejas de Cristo desfrutarão
de grande unidade e paz.
Deus nos
abençoe!
J.C.Ryle
(1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Grandes
multidões o acompanhavam, e ele, voltando-se, lhes disse: Se alguém vem a mim e
não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a
sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.25,26).
Os verdadeiros
crentes têm de estar dispostos a desistir de tudo, por amor a Cristo, se for
necessário. Esta lição é ensinada através de uma linguagem notável. Nosso
Senhor disse: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e
filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu
discípulo”.
Sem dúvida, esta
expressão tem de ser interpretada com algum esclarecimento. Nunca devemos
explicar qualquer texto das Escrituras de tal maneira que ele venha contradizer
outro texto. Nosso Senhor não tencionava que entendêssemos que o verdadeiro
cristão tem o dever de odiar seus parentes. Isso seria contrário ao quinto
mandamento. Ele apenas pretendia dizer que seus seguidores devem amá-Lo com um
profundo amor, mais intenso do que o amor manifestado em seu relacionamento com
pessoas queridas e achegadas e do que o amor a suas próprias vidas. O Senhor
Jesus não desejava ensinar que contender com nossos amigos e parentes é uma parte
essencial do cristianismo; porém, estava dizendo que, se as reivindicações de nossos
parentes e amigos entrarem em conflito com as dEle mesmo, precisamos deixar de
lado as reivindicações de nossos parentes e amigos. Antes, devemos escolher desagradar
aqueles que amamos na terra do que desagradar Aquele que morreu por nós na
cruz.
A exigência que
o Senhor Jesus coloca sobre nós é peculiarmente severa e perscrutadora. No
entanto, é uma exigência sábia e necessária. A experiência demonstra que, tanto
na igreja como em nossa própria pátria e nos campos missionários longínquos,
alguns dos inimigos da alma de um homem são, em muitas ocasiões, os seus
próprios parentes. Às vezes, acontece que o maior obstáculo no caminho de uma
pessoa despertada em sua consciência é a oposição de amigos e parentes. Pais
incrédulos não podem suportar ver seus filhos assumindo uma nova postura referente
às coisas espirituais. Mães ímpias ficam irritadas ao verem suas filhas sem
vontade de participarem nas atividades do mundo. Conflito de opiniões ocorre
sempre que a graça divina adentra em uma família. Então, surge aquele tempo em
que o verdadeiro seguidor de Cristo tem de lembrar a essência das palavras de
nosso Senhor nesta passagem e precisa estar disposto a ofender seus familiares,
ao invés de ofender a Cristo.
Deus nos abençoe!
J.C.Ryle (1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Ouve-me as
vozes súplices, quando a ti clamar por socorro, quando erguer as mãos para o
teu santuário” (Sl 28.2).
Esta petição é emblema de um coração em angústia. O ardor e veemência de Davi em oração são também demonstrados pelo expressivo substantivo voz e pelo expressivo verbo clamar. Quer dizer que estava tão abalado pela ansiedade e medo, que orava não com frieza, mas com ardor, com veemente desejo, como aqueles que, sob a pressão da tristeza, gritam com veemência. Na segunda cláusula do versículo, fazendo uso de sinédoque, a coisa significada é indicada pelo sinal. Tem sido uma prática comum, em todos os tempos, pessoas erguerem suas mãos em oração. A natureza tem criado esse gesto, até mesmo nos idólatras pagãos, para mostrar por meio de um sinal visível que suas mentes eram dirigidas somente para Deus. A maioria, é verdade, se satisfaz com a mera cerimônia, esforçando-se por não serem afetados com suas próprias invenções; mas o próprio ato de erguer as mãos, quando não há hipocrisia e fraude, é um auxílio para a oração devota e zelosa. Davi, contudo, não diz aqui que ele erguia suas mãos para o céu, e, sim, para o santuário por meio do qual, auxiliado por sua proteção, ele podia ascender mais facilmente ao céu. Ele não estava tão grosseiro ou tão supersticiosamente ligado ao santuário externo, como se não soubesse que devia buscar a Deus espiritualmente e que os homens então só se aproximam dele quando, deixando o mundo, pela fé penetram a glória celestial. Recordando, porém, que ele era homem, Davi não negligenciaria tal auxílio oferecido à sua enfermidade. Como o santuário era o penhor ou emblema do pacto de Deus, Davi via ali a presença da prometida graça de Deus, como se ela fosse representada num espelho; justamente como os fiéis agora, se desejam ter a percepção da proximidade de Deus com eles, imediatamente dirigem sua fé para Cristo, que desceu a nós em sua encarnação para que pudesse elevar-nos ao Pai. Compreendamos, pois, que Davi subia ao santuário com nenhum outro propósito senão que, pelo auxílio da promessa divina, pudesse pairar acima dos elementos do mundo, os quais ele usava, contudo, segundo as determinações da lei. O termo hebraico, o qual traduzimos por santuário, significa a sala interior do tabernáculo ou templo, ou o lugar santíssimo, onde se encontrava a arca do concerto, e é assim chamado proveniente das respostas ou oráculos que Deus revelava dali, com o fim de testificar a seu povo a presença de seu favor entre eles.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“A TI CLAMO, Ó SENHOR;
ROCHA MINHA”
“A ti clamo, ó
Senhor; rocha minha, não sejas surdo para comigo; para que não suceda, se te
calares acerca de mim, seja eu semelhante aos que descem à cova” (Sl 28.1).
Após ser
libertado de grandes perigos pelo socorro divino, Davi, neste Salmo, segundo
seu costume, primeiramente registra os votos que fizera em meio às suas
dificuldades, e então [registra] suas ações de graças e louvores a Deus, com o
fim de induzir outros a seguirem seu exemplo. É provável que ele esteja se
referindo às suas perseguições movidas por Saul.
Davi começa
declarando que se valeria unicamente do socorro divino, no que mostra tanto sua
fé quanto sua sinceridade. Embora os homens labutem por toda parte sob um
enorme volume de problemas, todavia raramente um em cem recorre a Deus. Quase
todos, tendo suas consciências sobrecarregadas de culpa, e não havendo jamais
experimentado o poder da graça divina que poderia levá-los a apropriar-se dele,
ou soberbamente se atormentam um bocado ou se enchem com queixas sem
valor, ou dão vazão ao desespero, desfalecendo sob o peso de suas aflições. Ao
chamar Deus, rocha minha, Davi mais
plenamente demonstra que confiava na assistência divina, não só quando se
achava à sombra e em paz, mas também quando se achava exposto às mais severas
tentações. Ao comparar-se com os mortos, ele igualmente informa quão grandes
eram seus apertos, ainda que seu objetivo não fosse meramente realçar a
magnitude de seus perigos, mas também mostrar que quando necessitava de
socorro, não o buscava aqui e ali, mas descansava somente em Deus, sem cujo
favor não restaria esperança alguma para ele. Portanto, é como se dissesse: Se
me deixares, me transformarei em nulidade; se não me socorreres, perecerei.
Para alguém que se acha em tal estado de aflição não basta ser sensível à sua
miséria, a menos que se convença de sua incapacidade de se ajudar e renuncie
todo e qualquer auxílio do mundo, recorrendo tão-somente a Deus. E como as
Escrituras nos informam que Deus responde aos verdadeiros crentes quando mostra
através de suas operações que ele leva em conta suas súplicas, assim a
expressão, se te calares, é posta em
oposição à sensível e presente experiência de seu auxílio, quando parece, por
assim dizer, não ouvir suas orações.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.