“SALMOS CANTADOS -
VOL. 1”
“Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração” (Sl 4.1).
Deus nos abençoe!
“SALMOS CANTADOS -
VOL. 1”
“Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração” (Sl 4.1).
Deus nos abençoe!
“CARTA AOS
FILIPENSES - VOZ E VIOLÃO”
“Tende em vós o
mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma
de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se
esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e,
reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até
à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu
o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo
joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus
Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.5-11).
“Mas o intuito da presente admoestação é o amor que procede de coração
puro, de uma consciência íntegra, e de uma fé sem fingimento” (1Tm 1.5).
Se o objetivo e o fim da lei é que sejamos instruídos no amor que nasce
da fé e de uma consciência íntegra, conclui-se, pois, que aqueles que desviam
seu ensino para questões motivadas pela curiosidade são maus intérpretes da
lei. Nesta passagem, não é de grande relevância se o amor é considerado como
uma referência a ambas as tábuas da lei ou só a segunda. Recebemos o mandamento
de amar a Deus de todo o nosso coração e ao nosso próximo como a nós mesmos,
ainda que, quando o amor é mencionado na Escritura, geralmente se restrinja
mais ao amor ao próximo. Nesta passagem, não hesitaria em entender o amor
como sendo tanto a Deus quanto ao próximo, se Paulo houvera mencionado
unicamente a palavra amor. Visto,
porém, que ele acrescenta a fé sem fingimento e uma consciência íntegra, a
interpretação que estou para apresentar se adequa muito bem ao contexto em que
ele está escrevendo. A suma da lei consiste em que devemos adorar a Deus com
uma fé genuína e uma consciência pura, bem como devemos igualmente amar uns aos
outros; e todo aquele que se desvia disso corrompe a lei de Deus, torcendo-a
para servir a algum outro propósito alheio a ela mesma.
Aqui, porém, pode surgir uma dúvida, ou seja: Paulo, aparentemente,
situa o amor antes da fé. Minha resposta é que aqueles que pensam assim estão
se portando como infantis, pois o fato de o amor ser mencionado primeiro não
significa que ele desfruta do primeiro lugar de honra, já que Paulo também
deixa em evidência que ele procede da fé. Ora, a causa, indubitavelmente, tem
prioridade sobre o efeito, e se todo o contexto for levado em conta, o que
Paulo está dizendo é o seguinte: “A lei nos foi promulgada a fim de
instruir-nos na fé, a qual é a mãe de uma consciência íntegra e de um amor
genuíno”. Daí termos que começar com a fé e não com o amor.
Há pouca distinção entre coração puro e consciência íntegra.
Ambos são frutos da fé. Atos 15.9 fala de um coração puro, ao dizer que “Deus
purifica os corações mediante a fé”. E Pedro diz que uma consciência íntegra
está fundamentada na ressurreição de Cristo (1Pe 3.21). À luz desta passagem
torna-se evidente que não pode haver amor sem o temor de Deus e a integridade
de consciência. Devemos notar os termos que o apóstolo Paulo usa para descrever cada uma
dessas virtudes. Não há nada mais comum ou mais fácil do que vangloriar-se da
fé e de uma consciência íntegra, porém são mui poucos os que comprovam por meio
de seus atos que estão isentos de toda sombra de hipocrisia. Devemos notar
especialmente como ele fala da fé sem fingimento, significando que
é insincera qualquer profissão de fé que não se pode comprovar por uma
consciência íntegra e manifestar-se no amor. Visto que a salvação do homem
depende da fé, e a perfeita adoração divina consiste de fé e de uma consciência
integra e de amor, não precisamos sentir-nos surpresos por Paulo dizer que
estes elementos constituem a suma da lei.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“Quando eu
estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso
para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina” (1Tm
1.3).
Foi com grande
relutância, e só sob compulsão da necessidade que o apóstolo Paulo se deixara
separar de um assistente tão amado e fiel como Timóteo, para que, como seu
correspondente, pudesse levar a cabo os deveres que demandavam a
responsabilidade que não havia em nenhum outro para que se cumprissem. Isso
deve ter exercido uma profunda influência em Timóteo, não só por tê-lo impedido
de desperdiçar seu tempo, mas o ajudou a comportar-se de maneira excelente,
além do comum. Ele aqui também encoraja Timóteo a opor-se aos falsos mestres
que estavam adulterando a doutrina e sua pureza. Neste apelo para Timóteo cumprir
seu dever em Éfeso, devemos notar a piedosa preocupação do apóstolo. Porque,
enquanto se esforçava por estabelecer novas igrejas, ele não deixava as
anteriores destituídas de pastor. Indubitavelmente, como diz o escritor, “Para
manter a salvo o que já conquistou necessita-se de tanta habilidade quanto para
conquistá-lo. A palavra admoestar ou ordenar compreende autoridade, pois era
o propósito de Paulo revestir Timóteo com autoridade para que pudesse ele
refrear outros.
A fim de que não ensinem outra doutrina. Em outras palavras, “não ensinar de modo diferente, fazendo uso de outro método” ou “ensinar uma nova doutrina”. A tradução de Erasmo, “seguir uma nova doutrina”, não me satisfaz, visto que a mesma poderia aplicar-se tanto aos ouvintes quanto aos mestres. Se lemos: “ensinar de uma forma diferente”, o significado será mais amplo, pois Paulo estaria proibindo a Timóteo de permitir a introdução de novos métodos de ensino que sejam incompatíveis com o método legítimo e genuíno que lhe havia comunicado. Assim, na segunda epístola, ele não aconselha Timóteo a simplesmente conservar a substância de seu ensino, mas usa o termo o qual significa uma semelhança viva de seu ensino. Como a verdade de Deus é única, assim não há senão um só método de ensiná-la, o qual se acha livre de falsa pretensão e que degusta mais saborosamente a majestade do Espírito do que as demonstrações externas de eloquência humana. Se alguém se aparta disso, ele deforma e vicia a própria doutrina; e assim, “ensinar de maneira diferente”, aponta para a forma.
Se lermos: “ensinar
algo diferente”, então a referência será à substância do próprio ensino. É
digno de nota que, por outra doutrina, significa não só o ensino que está em
franco conflito com a sã doutrina do evangelho, mas também tudo o que, ou
corrompe a pureza do evangelho por meio de invenções novas e adventícias, ou o
obscurece por meio de especulações irreverentes. Todas as maquinações humanas
são outras tantas corrupções do evangelho, e aqueles que fazem mau uso das Escrituras,
como costumam fazer as pessoas ímpias, fazendo do Cristianismo uma engenhosa
exibição, obscurecem o evangelho. Todo ensino desse gênero é oposto à Palavra
de Deus e àquela pureza da doutrina na qual Paulo ordena aos efésios a permanecerem
firmes.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“Sou grato para
com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou
fiel, designando-me para o ministério” (1Tm 1.12).
Sublime é a dignidade do apostolado que Paulo havia reivindicado
para si; e, recordando de sua vida pregressa, não podia de forma alguma
considerar-se digno de tão sublime honra. Portanto, para evitar de ser acusado
de presunção, ele tem de referir-se a si mesmo, confessando sua indignidade e
ainda afirmando ser apóstolo pela graça de Deus. De fato, ele avança ainda mais
e se volta para as circunstâncias que pareciam depor contra sua autoridade para
o seu bem, declarando que a graça de Deus brilha nele ainda com mais fulgor. Ao
render graças a Cristo, ele remove a objeção que poderia ser atribuída
caluniosamente contra ele, sem deixar-lhe qualquer chance de formular a pergunta
se ele era ou não digno de um ofício tão honroso, pois ainda que em si mesmo
não possuísse excelência de espécie alguma, era suficiente o fato de que fora
escolhido por Cristo. Há muitos que usam a mesma honra de palavras para fazer
uma exibição de sua humildade, mas que em nenhum existe a humildade de Paulo,
pois que sua intenção era não só gloriar-se ardentemente no Senhor, mas também
desviar de si toda e qualquer vanglória. Mas, pelo quê ele está dando graças? É
pelo fato de lhe haver concedido um lugar no ministério, e desse fato ele deduz
que fora considerado fiel. Cristo não
recebe pessoas indiscriminadamente, antes, porém, faz seleção daqueles que são
apropriados, e assim reconhecemos como dignos todos aqueles a quem ele honra.
Não é incompatível com isso o fato de Judas, segundo a profecia do Salmo 109.8,
ser levantado por pouco tempo para em seguida celeremente cair. Por outro lado,
com Paulo foi diferente, pois que obteve seu ofício com um propósito distinto e
sob condições distintas, pois Cristo declarou [At 9.15] que ele haveria de ser “um
vaso escolhido para ele”.
Ao falar assim, Paulo
parece estar fazendo da fidelidade que antecipadamente demonstrara a causa de
seu chamamento. Se tal fosse o caso, então sua gratidão seria hipócrita e
absurda, pois então deveria seu apostolado, não tanto a Deus, mas a seus
próprios méritos. Não concordo que sua intenção fosse que ele fora escolhido
para a obra apostólica em razão de sua fé ter sido conhecida de antemão por
Deus, porquanto Cristo não poderia ter previsto nele nada de bem exceto aquilo
que o próprio Pai lhe concedera. E assim permanece sempre verdadeiro que “Não
fostes vós que me escolhestes a mim, pelo contrário, eu vos escolhi a vós
outros e vos designei para que vades e deis fruto” [Jo 15.16]. Mas a intenção
de Paulo é completamente diferente: para ele, o fato de Cristo fazer dele um
apóstolo fornecia prova de sua fidelidade. Ele afirma: os que Cristo toma por
apóstolos têm que confessar que foram declarados fiéis pelo decreto de Cristo.
Este veredicto não repousa sobre a presciência, e, sim, sobre o testemunho
dirigido aos homens, como se ele dissesse: “Dou graças a Cristo que me chamou
para este ministério, e assim publicamente declarou que sancionava minha
fidelidade”.
Paulo agora se
volta para outras bênçãos de Cristo, e diz que ele o fortaleceu ou o capacitou. Com isso ele quer dizer não
só que no princípio fora formado pela mão divina, de uma forma tal que ficou
perfeitamente qualificado para o seu ofício, mas inclui também a concessão
contínua de graças. Porquanto não teria sido suficiente que uma só ocasião
houvera sido declarado fiel, caso Cristo não o fortalecesse com a constante
comunicação de seu socorro. Portanto, ele diz que é pela graça de Cristo que
fora inicialmente levantado para o apostolado e por que agora continua nele.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“PRIMEIRA CARTA A
TIMÓTEO - VOZ E VIOLÃO”
“Sou grato para
com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou
fiel, designando-me para o ministério” (1Tm 1.12).
“CARTA AOS ROMANOS - VOZ E VIOLÃO”
“Agora, pois, já nenhuma condenação há para
os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo
Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm 8.1,2).
“Justificados, pois, mediante
a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1).
A doutrina da justificação somente pela fé em Cristo pode ser encontrada
em alguns dos escritos do primeiro período da história da Igreja. Entendemos
que esses registros deixados pelos chamados "Pais Eclesiásticos" não
foram inspirados. Contudo, eles nos oferecem o correto ensino transmitido à
Igreja pelos santos Apóstolos.
Clemente de Roma (talvez
o mesmo mencionado em Filipenses 4.3), em sua carta aos Coríntios,
diz: “Nós também, sendo chamados mediante a sua vontade em Cristo, não
somos justificados por nós mesmos, nem por nossa própria sabedoria, ou
entendimento, ou piedade, ou obras que temos feito com pureza de coração, porém
pela fé...”.
Policarpo (falecido
em 155 dC), um discípulo de João, escreveu: “Eu sei que mediante a graça
você é salvo, não por obras, mas sim, pela vontade de Deus em Jesus
Cristo.” (Epístola aos Filipenses).
Justino Mártir (falecido
em 165 dC), escreveu: “Não mais pelo sangue de bodes e de carneiros, nem
pelas cinzas de uma novilha... são os pecados purificados, e sim, pela fé,
mediante o sangue de Cristo e de Sua morte, que por essa razão
morreu.” (Diálogo com Trifa). (Hb 9.13).
Irineu (falecido no princípio do 3º século), discípulo de Policarpo, escreveu: “... através da obediência de um homem, que primeiro nasceu da Virgem, para que muitos pudessem ser justificados e receber a salvação”.
Orígenes, o grande professor, pensador e escritor do cristianismo (falecido em 253 dC), disse o seguinte: “Pela fé, sem as obras da lei, o ladrão na cruz foi justificado; porque... o Senhor não indagou a respeito de suas obras anteriores, nem aguardava a realização de qualquer obra depois de crer; antes... Ele o tomou para si mesmo como companheiro, justificado somente na base de sua confissão.”
Cipriano (falecido 258 dC), bispo na Igreja da África do Norte, escreveu: “Quando Abraão creu em Deus, isso lhe foi imputado para justiça, portanto, cada um que crê em Deus e vive pela fé, será considerado como uma pessoa justa”.
Quando o imperador romano Constantino (falecido em 337 dC) tornou o cristianismo uma religião oficialmente reconhecida, e não mais uma fé perseguida, algumas heresias surgiram e feriram outras doutrinas básicas da fé cristã. Ao combater essas heresias e reafirmar a impotência pecaminosa da natureza humana, a necessidade de salvação pela graça e a expiação eficaz oferecida por Cristo, os fiéis remanescentes defendiam os fundamentos apostólicos da doutrina da justificação somente pela fé em Cristo.
Basílio, bispo de Capadócia (falecido em 370 dC), deixou essas palavras: “O verdadeiro e perfeito gloriar-se em Deus é isto: quando o homem não se exalta por causa da sua própria justiça; é quando ele sabe por si mesmo que carece da verdadeira justiça e que a justificação é somente pela fé em Cristo”.
Atanásio,
bispo de Alexandria (falecido em 373 dC), escreveu: “Nem por esses (isto
é, esforços humanos), mas, à semelhança de Abraão, o homem é justificado pela
fé”.
Ambrósio,
bispo de Milão (falecido em 397 dC), famoso como grande pregador, nos deixou
essas palavras: “Para o homem ímpio, para o homem que crê em Cristo, a sua
fé lhe é imputada para justiça, sem as obras da lei, como também aconteceu com
Abraão”.
Jerônimo, o
grande tradutor da Bíblia para o latim (falecido em 420 dC),
escreveu: “Quando um homem ímpio é convertido, Deus o justifica somente
por meio da fé, não por causa de obras que na realidade, ele não possuía”.
João Crisóstomo,
talvez o maior pregador de todos os “pais eclesiásticos” (falecido
407 dC), e que viveu por muitos anos em Constantinopla. Dele nós
temos: “Então, o que é que Deus fez? Ele fez com que um homem Justo
(Cristo) se fizesse pecado (como Paulo afirma), para que Ele pudesse justificar
pecadores... quando nós somos justificados, é pela justiça de Deus, não por
obras... mas pela graça, pela qual todo o pecado desaparece” (2Co 5.21).
Agostinho,
bispo de Hipona (falecido em 420 dC), disse: “A graça é algo doado; o salário
é algo pago... é chamada graça porque ela é concedida gratuitamente. Você não
comprou por nenhum mérito pessoal o que tem recebido. Portanto, em primeiro
lugar, o pecador recebe a graça para que sejam perdoados os seus pecados... na
pessoa justificada, as boas obras vêm depois; elas não precedem a graça, a fim
de que a pessoa seja justificada... as boas obras que seguem a justificação
manifestam o que o homem tem recebido”.
Anselmo, de Cantuária (falecido 1109 dC), um grande teólogo, e talvez mais conhecido por
causa de seu estudo sobre a expiação do pecado por Cristo, escreveu: “Você
acredita que não pode ser salvo, senão pela morte de Cristo?” Então, vá e,...
ponha toda a sua confiança unicamente em Sua morte. Se Deus lhe disser: “Você é
um pecador”, então responda: “Coloco a morte de nosso Senhor Jesus Cristo entre
mim e o meu pecado”.
Bernardo de Claraval,
considerado como o último dos Pais eclesiásticos (falecido em 1153 dC), deixou
essas palavras: “Acaso a nossa justiça não seria apenas uma injustiça e
imperfeição? Então, o que será dos nossos pecados, quando a nossa justiça não é
suficiente para defender-se a si mesma? Vamos, portanto, com toda humildade,
refugiar-nos na misericórdia, porque ela somente pode salvar as nossas almas...
qualquer um que tenha fome e sede de justiça, que creia nAquele que “justifica
o ímpio”, e assim sendo justificados somente pela fé, terá paz com Deus.
Estes testemunhos evidenciam que a doutrina da justificação somente pela
fé em Cristo não foi uma invenção de Martinho Lutero. Os reformadores apenas
redescobriram o que o próprio Deus nos ensina em Sua Palavra. “Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo
viverá pela sua fé” (Hc 2.4). “Visto que a justiça de Deus se
revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por
fé” (Rm 1.17).
Deus nos abençoe!
James Buchanan (1808 - 1870).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“E, assim, habite Cristo no vosso
coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor” (Ef
3.17).
Que o verdadeiro crente está unido a Cristo e Cristo a ele, nenhum
leitor cuidadoso do Novo Testamento pensaria em negar, nem por um momento. Sem
dúvida, há uma união mística entre Cristo e o crente. Com ele morremos, com Ele
fomos sepultados, com Ele ressuscitamos e com Ele nos assentamos nos lugares
celestiais. Há cinco textos onde somos claramente ensinados que Cristo está “em
nós” (Rm 8.10; Gl 2.20; 4.19; Ef 3.17 e Cl 3.11). Porém, devemos ter o cuidado
de entender o que significa tal expressão.
Que Cristo habita em nosso coração pela fé, e efetua sua obra interna
por seu Espírito, é uma ideia clara e distinta. Mas, se quisermos dizer que
além e acima disso há alguma misteriosa habitação de Cristo no crente, devemos
tomar cuidado com o que estamos dizendo. A menos que tenhamos cuidado,
terminaremos ignorando a obra do Espírito Santo. Esqueceremos que, na economia
divina, a eleição para a salvação do homem é obra especial de Deus, o Pai; que
a expiação, a mediação e a intercessão é obra especial de Deus, o Filho e, que
a santificação é a obra especial de Deus, o Espírito Santo. Também esqueceremos
de que nosso Senhor disse que, quando se fosse do mundo, nos enviaria um outro
Consolador que estaria “para sempre” conosco ou, por assim dizer, tomaria o
lugar de Cristo (Jo 14.16).
Em suma, o uso do termo “Cristo em nós” sem a devida cautela,
sob a ideia de que estamos honrando a Cristo, poderemos descobrir que
estamos desonrando seu dom especial e peculiar – o Espírito Santo. Certamente,
visto que Cristo é Deus, Ele está em todos os lugares – em nosso coração, no
céu, no lugar onde dois ou três estiverem reunidos em seu nome.
Entretanto, não podemos esquecer que Cristo, na qualidade de nosso Cabeça
e Sumo Sacerdote ressurreto, está especialmente à destra de Deus, intercedendo
por nós até que retorne à terra e, também, que Cristo leva avante a sua obra
nos corações do seu povo, mediante a atuação especial do seu Espírito, o qual
prometeu enviar quando deixasse esse mundo (Jo 15.26). O exame dos versículos 9
e 10 de Romanos 8 parece demonstrar isso claramente. Isso me convence de que
“Cristo em nós” significa em nós “por seu Espírito”. As palavras de João são
claras e distintas: “E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito
que nos deu” (1Jo 3.24).
Deus nos abençoe!
John Charles Ryle (1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“CARTA AOS
COLOSSENSES – VOZ E VIOLÃO”
“Damos sempre
graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, desde
que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os
santos” (Cl 1.3,4).