"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quarta-feira, 25 de março de 2026

“A RESPEITO DE SUA MULHER, DISSE: É MINHA IRMÔ


“A RESPEITO DE SUA MULHER, DISSE: É MINHA IRMÔ

“Perguntando-lhe os homens daquele lugar a respeito de sua mulher, disse: É minha irmã; pois temia dizer: É minha mulher; para que, dizia ele consigo, os homens do lugar não me matem por amor de Rebeca, porque era formosa de aparência” (Gn 26:7).

Moisés relata que Isaque foi tentado da mesma maneira que seu pai Abraão, isto é, pelo fato de a sua esposa ter sido tirada dele; e, sem dúvida, ele foi conduzido de tal modo pelo exemplo de seu pai que, sendo instruído pela semelhança das circunstâncias, veio a juntar-se com ele em sua fé. Contudo, nesse ponto, ele deveria antes ter evitado do que imitado à falha de seu pai; pois, sem dúvida, ele se lembrava perfeitamente bem de que a castidade de sua mãe fora duas vezes posta em grande perigo; e, embora ela fosse maravilhosamente resgatada pela mão de Deus, ela e seu marido, respectivamente, pagaram o preço de sua desconfiança. Por isso a negligência de Isaque é indesculpável, porque ele agora tropeça na mesma pedra. Ele não nega sua esposa de forma expressa; porém, deve ser culpado, em primeiro lugar, porque, querendo preservar sua esposa, recorre a uma evasiva não muito distante de uma mentira; e, segundo, porque, ao fazer isso, ele à expõe a prostituição. No entanto, agrava ainda mais seu erro, principalmente (como eu já disse) em não recorrer às advertências dos exemplos domésticos, porém, voluntariamente, lança sua esposa em manifesto perigo. Assim, fica evidente quão grande é a propensão de nossa natureza à dúvida, e quão facilmente ela se mostra destituída de sabedoria nas situações de perplexidade. Visto, pois, que vivemos cercados por todos os lados de muitos perigos, devemos rogar ao Senhor que nos fortaleça por seu Espírito, para que nossa mente não desfaleça e não se dissolva no temor e tremor; de outro modo, seremos frequente e inutilmente envolvidos em ações das quais logo nos arrependeremos, porém, tarde demais para remediar o mal.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

Nenhum comentário:

Postar um comentário