“DEUS É O MEU ESCUDO”
“Deus é o meu escudo; ele salva os retos de coração. Deus é justo juiz, Deus que sente indignação todos os dias” (Sl 7:10,11).
Não é fascinante
que Davi às vezes misture meditações às suas orações para, com isso,
inspirar-se com uma confiança muito mais profunda? É possível que nos apresentemos
a Deus em oração com grande entusiasmo; mas nosso fervor, se não estiver
associado a uma nova força, imediatamente decai ou começa a arrefecer-se. Davi,
portanto, a fim de prosseguir em oração com a mesma ardorosa devoção e afeição
com que começara, traz à sua lembrança algumas das mais populares verdades da
religião, e com esse expediente nutre e revigora sua fé. Declara que, como Deus
salva os retos de coração, ele se sente perfeitamente a salvo sob a proteção
divina. Daí se deduz que ele contava com o testemunho de uma consciência
aprovada. Portanto, como ele não diz simplesmente, os justos, e, sim, os retos
de coração, parece que tinha os olhos postos naquela sondagem interior da mente
e do coração mencionado no versículo precedente.
Deus é justo juiz. Como Saul e
seus cúmplices haviam sido, movidos pelas notícias caluniosas, até então bem sucedidos
em seus perversos desígnios de causar, em termos gerais, prejuízos a Davi, de
modo a ser condenado por quase todo o povo, o santo homem se apoia nesta única
consideração, a saber: seja qual for a confusão nas coisas relativas ao mundo,
Deus, não obstante, pode discernir com perfeita facilidade entre os justos e os
perversos. Davi, pois, apela dos falsos juízos humanos àquele que jamais se
deixa enganar. Pode-se, contudo, perguntar: Como é possível o salmista
representar Deus a julgar diariamente, quando o vemos amiúde delongando o juízo
por tempo sem conta? Os escritos sacros, com sobejas razões, celebram a
longanimidade divina; mas, embora exercite Deus sua paciência, e não execute
imediatamente seus juízos, todavia, como não passa um momento sequer, nem mesmo
um dia, sem que se forneça a mais clara evidência de que ele discerne entre os
justos e os perversos, não obstante a confusão reinante no mundo, é certo que
ele jamais cessa de exercer a função de Juiz. Todos quantos se derem ao
trabalho de abrir seus olhos para contemplarem o governo do mundo, verão
distintamente que a paciência de Deus é muito diferente de aprovação ou
conivência. Seguramente, pois, seu próprio povo, confiadamente, a ele recorrerá
a cada dia.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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