"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 10 de março de 2026

“DEUS É O MEU ESCUDO”


“DEUS É O MEU ESCUDO”

“Deus é o meu escudo; ele salva os retos de coração. Deus é justo juiz, Deus que sente indignação todos os dias” (Sl 7:10,11).

Não é fascinante que Davi às vezes misture meditações às suas orações para, com isso, inspirar-se com uma confiança muito mais profunda? É possível que nos apresentemos a Deus em oração com grande entusiasmo; mas nosso fervor, se não estiver associado a uma nova força, imediatamente decai ou começa a arrefecer-se. Davi, portanto, a fim de prosseguir em oração com a mesma ardorosa devoção e afeição com que começara, traz à sua lembrança algumas das mais populares verdades da religião, e com esse expediente nutre e revigora sua fé. Declara que, como Deus salva os retos de coração, ele se sente perfeitamente a salvo sob a proteção divina. Daí se deduz que ele contava com o testemunho de uma consciência aprovada. Portanto, como ele não diz simplesmente, os justos, e, sim, os retos de coração, parece que tinha os olhos postos naquela sondagem interior da mente e do coração mencionado no versículo precedente.

Deus é justo juiz. Como Saul e seus cúmplices haviam sido, movidos pelas notícias caluniosas, até então bem sucedidos em seus perversos desígnios de causar, em termos gerais, prejuízos a Davi, de modo a ser condenado por quase todo o povo, o santo homem se apoia nesta única consideração, a saber: seja qual for a confusão nas coisas relativas ao mundo, Deus, não obstante, pode discernir com perfeita facilidade entre os justos e os perversos. Davi, pois, apela dos falsos juízos humanos àquele que jamais se deixa enganar. Pode-se, contudo, perguntar: Como é possível o salmista representar Deus a julgar diariamente, quando o vemos amiúde delongando o juízo por tempo sem conta? Os escritos sacros, com sobejas razões, celebram a longanimidade divina; mas, embora exercite Deus sua paciência, e não execute imediatamente seus juízos, todavia, como não passa um momento sequer, nem mesmo um dia, sem que se forneça a mais clara evidência de que ele discerne entre os justos e os perversos, não obstante a confusão reinante no mundo, é certo que ele jamais cessa de exercer a função de Juiz. Todos quantos se derem ao trabalho de abrir seus olhos para contemplarem o governo do mundo, verão distintamente que a paciência de Deus é muito diferente de aprovação ou conivência. Seguramente, pois, seu próprio povo, confiadamente, a ele recorrerá a cada dia.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR. 

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