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sexta-feira, 13 de março de 2026

“SE O HOMEM NÃO SE CONVERTER”


“SE O HOMEM NÃO SE CONVERTER”

“Se o homem não se converter, afiará Deus a sua espada; já armou o arco, tem-no pronto; para ele preparou já instrumentos de morte, preparou suas setas” (Sl 7:12,13).

Estes versículos são geralmente explicados de duas formas. A primeira significa que, se os inimigos de Davi perseverassem em seus maliciosos propósitos contra ele, é anunciada contra eles a vingança merecida por sua perversa obstinação. Consequentemente, na segunda cláusula, ele preenche com a palavra Deus: Se ele [o homem] não se converter, [Deus] afiará sua espada, como se quisesse dizer: Se meu inimigo não se arrepender, ele, finalmente, sentirá que Deus está completamente armado com o propósito de sustentar e defender os justos. Se porventura for tomado nesse sentido, o versículo seguinte [v.14] deverá ser considerado como que uma afirmação da causa que levou Deus a equipar-se assim, ou seja, porque os ímpios, ao conceberem todo gênero de dano, ao esforçar-se por dar à luz a perversidade e, finalmente, dar à luz o engano e a falsidade, fazem seu assalto direto à pessoa de Deus e abertamente fazem-lhe guerra. Em minha opinião, porém, os que leem esses dois versículos [vs.12,13] como uma só oração contínua apresentam uma interpretação mais precisa. Davi, não tenho dúvida, ao relacionar as tremendas tentativas de seus inimigos contra ele, tentava com isso ilustrar de forma mais proeminente a graça de Deus; pois quando esses homens maliciosos, fortalecidos por poderosas forças militares, e fartamente supridos de armaduras, furiosamente se precipitaram sobre ele numa firme expectativa de destruí-lo, quem não diria que tudo estava contra ele?

Saul, porém, é a pessoa de quem Davi particularmente fala, e portanto ele diz: “para ele preparou já instrumentos de morte, preparou suas setas. O que está implícito é que Saul tinha muitos agentes em prontidão, os quais diligentemente empregariam extremo esforço em busca da destruição de Davi. O desígnio do profeta, portanto, era manifestar a grandeza da graça divina, ao mostrar a grandeza do perigo do qual havia sido por Deus libertado. Além do mais, quando ele diz aqui: se ele não se converter, conversão não significa arrependimento e regeneração no inimigo de Davi, mas somente uma mudança de vontade e propósito, como se dissesse: “Está no poder de meu inimigo fazer tudo o que sua fantasia lhe sugira”. Portanto, parece por demais evidente quão maravilhosa foi a mudança que subitamente se mostrou contrária a toda expectativa.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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