"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



domingo, 15 de março de 2026

“FOI ELE QUEM NOS FEZ”


“FOI ELE QUEM NOS FEZ”

“Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio” (Sl 100:3).

Dizer que Deus nos fez é uma verdade geralmente bem reconhecida; porém não é comum atentar para a ingratidão tão natural entre os homens, de que raramente um entre uma centena seriamente reconhece que ele mantém sua existência como Deus, embora, quando quase não é expressa, não negam que foram criados a partir do nada; todavia, cada um faz de si mesmo um deus e virtualmente se adora, quando atribui a seu próprio poder o que Deus declara pertencer-lhe exclusivamente. Além do mais, é preciso ter em mente que o salmista aqui não está falando da criação em geral, mas daquela regeneração espiritual por meio da qual ele cria de novo sua imagem em seus eleitos. Os crentes são as pessoas sobre quem o salmista aqui declara ser obra da mão de Deus, não que fossem feitos homens no ventre de sua própria mãe, porém no sentido que Paulo expressa em Efésios 2.10, chamando-os feitura de Deus, porque são criados para as boas obras as quais de antemão Deus preparou para que andassem nelas. E de fato isso concorda melhor com o contexto subsequente. Pois quando ele diz: Somos seu povo e rebanho do seu pastoreio, evidentemente a referência é àquela graça inusitada que levou Deus a separar seus filhos como sua herança, a fim de que pudesse, por assim dizer, alimentá-los debaixo de suas asas, o que é um privilégio muito mais excelente do que ser meramente nascidos como seres humanos. Qualquer pessoa estaria, porventura, disposta a vangloriar-se de ter sido transformada em um novo ser, sem sentir aversão ante a vil tentativa de roubar a Deus daquilo que lhe pertence? Nem devemos atribuir esse nascimento espiritual a nossos pais terrenos, como se por seu próprio poder nos gerassem: pois o que poderia produzir uma semente corrompida? Não obstante, a maioria dos homens não hesita reivindicar para si todo o louvor da vida espiritual. O que mais querem declarar os arautos do livre-arbítrio, senão dizer-nos que, por nosso próprio empenho, nós mesmos, filhos de Adão, nos tornamos filhos de Deus? Em oposição a isso o profeta, ao chamar-nos povo de Deus, nos informa que provém de sua própria boa vontade o fato de sermos espiritualmente regenerados. E ao denominar-nos ovelhas do seu pastoreio, ele nos dá a conhecer que, através da mesma graça que uma vez nos foi comunicada, continuamos a salvos e intocáveis até o fim.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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