"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



domingo, 1 de março de 2026

“A LEI DO SENHOR”


“A LEI DO SENHOR”

A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria aos símplices” (Sl 19.7).

Depois de haver mostrado que as criaturas, ainda que não falem, não obstante servem como instrutoras a todo o gênero humano, e ensinam a todos os homens tão claramente que existe um Deus, que os deixam inescusáveis, o salmista Davi agora se volve para os judeus, a quem Deus havia comunicado um conhecimento mais pleno de si mesmo por meio de sua palavra. Enquanto os céus dão testemunho acerca de Deus, seu testemunho não guia os homens ao ponto de, por meio deles, aprenderem a temê-lo realmente e adquirirem um sólido conhecimento dele. Tal testemunho só serve para deixá-los indesculpáveis. É realmente verdade que, se não fôssemos tão obtusos e estúpidos, as assinaturas e provas da Deidade que se encontram na criação são suficientemente abundantes para incitar-nos ao reconhecimento e reverência de Deus; mas visto que, embora circundados com uma luz tão vívida, somos, não obstante, cegos, essa esplêndida representação da glória de Deus, sem o auxílio da palavra, de nada nos aproveitaria, ainda que ela seja para nós uma audível e distinta proclamação a soar em nossos ouvidos. Consequentemente, Deus se digna conceder graça especial àqueles a quem determinou chamar para a salvação, justamente como nos tempos antigos, enquanto concedia a todos os homens, sem exceção, evidências de sua existência, em suas obras, ele comunicava sua lei exclusivamente aos filhos de Abraão, para, por esse meio, dotá-los de um conhecimento mais definido e íntimo de sua majestade. Donde se segue que os judeus estão atados a uma dupla obrigação de servir a Deus. Visto que os gentios, a quem Deus falou somente pelas mudas criaturas, não têm justificativa de sua ignorância, quanto menos tolerável será a negligência de quem ouve a voz que procede de seus próprios lábios sacros! O propósito, pois, que Davi, aqui, tem em vista consiste em incitar os judeus, a quem Deus uniu a si por um laço muito mais sagrado, a prestar-lhe obediência com uma afeição muito mais espontânea e alegre. Além do mais, sob o termo lei ele não só significa a regra de um viver íntegro, ou os Dez Mandamentos, mas também compreende o pacto pelo qual Deus distinguira aquele povo do resto do mundo, bem como toda a doutrina de Moisés as partes que subsequentemente enumera sob os termos testemunhos, estatutos e outros títulos. Esses títulos e recomendações, pelos quais ele enaltece a dignidade e excelência da Lei, não se coadunariam só com os Dez Mandamentos, a menos que houvesse, ao mesmo tempo, associadas a eles a gratuita adoção e as promessas das quais ela depende; e, em suma, todo o corpo de doutrina do qual a verdadeira religião e a autêntica piedade consistem.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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