“SENHOR, GUIA-ME NA TUA JUSTIÇA”
“SENHOR, guia-me
na tua justiça, por causa dos meus adversários; endireita diante de mim o
teu caminho (Sl 5:8).
SENHOR, guia-me em tua justiça. Há quem
explique essas palavras da seguinte forma: Mostra-me o que é certo e faz-me
totalmente devotado à prática daquela justiça que adorna teu caráter; e faze
assim por causa de meus adversários; pois os santos, impelidos pela perversa
prática e fraudulentas artes dos ímpios, correm o risco de desviar-se do
caminho reto.
Esse significado
é inquestionavelmente piedoso e proveitoso. A outra interpretação, porém, é
mais adequada, a qual visualiza as palavras como uma oração para que Deus guie
seu servo em segurança por entre as armadilhas de seus inimigos e lhe abra uma
via de escape, mesmo quando parecesse a todos que fora apanhado e cercado de
todos os lados. A justiça de Deus,
portanto, nesta passagem, como em muitas outras, deve ser entendida como sendo
sua fidelidade e misericórdia demonstradas na defesa e preservação de seu povo.
Consequentemente, em tua justiça,
significa o mesmo que por tua justiça
ou segundo tua justiça. Davi,
aspirando ter a Deus como guia de seus passos, se anima na esperança de obter o
que pedira, uma vez que Deus é justo; como se dissesse: Senhor, já que és
justo, defende-me com teu auxílio, para que eu escape das ímpias tramas de meus
inimigos. Da mesma importância é a última cláusula do versículo, onde ele ora
para que o caminho de Deus fosse
endireitado diante de seu rosto, em outras palavras, para que fosse
libertado pelo poder de Deus dos infortúnios com que se via completamente
cercado, e dos quais, segundo o juízo da carne, ele jamais esperava encontrar
uma via de es cape. E assim ele reconhece quão impossível lhe era evitar cair
nas malhas de seus inimigos, a menos que Deus lhe desse sabedoria e lhe abrisse
uma via por onde não existia passagem. Cabe-nos, à luz de seu exemplo, fazer o
mesmo; de modo que, desconfiando de nós mesmos quando os conselhos fracassam e
prevalecem a malícia e a perversidade de nossos inimigos, recorramos
imediatamente a Deus, em cujas mãos estão os escapes da morte.
Deus nos abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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