"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



segunda-feira, 9 de março de 2026

“SENHOR, NÃO ME REPREENDAS NA TUA IRA”


“SENHOR, NÃO ME REPREENDAS NA TUA IRA”

“SENHOR, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor. Tem compaixão de mim, SENHOR, porque eu me sinto debilitado; sara-me, SENHOR, porque os meus ossos estão abalados” (Sl 6:1,2).

Ao clamar veementemente a Deus, que usasse de misericórdia para com ele, daqui se manifesta ainda mais nitidamente que, pelos termos ira e furor, Davi não pretendia insinuar crueldade ou severidade indevida, mas somente o juízo tal como Deus executa sobre os réprobos, a quem não poupa usando de misericórdia como faz a seus próprios filhos. Se porventura se houvera queixado de ser mui injusta e severamente castigado, ele agora haveria apenas adicionado algo a este resultado: Contém-te, para que, ao castigar-me, não excedas a medida de minha ofensa. Ao valer-se, pois, exclusivamente da compaixão de Deus, Davi demonstra que nada deseja além de não ser tratado segundo a estrita justiça ou segundo merecia. Com o fim de induzir a Deus a exercer sua perdoadora misericórdia para com ele, declara que está acabado: Tem compaixão de mim, SENHOR, porque eu me sinto debilitado. Como disse antes, ele evoca sua fraqueza, não porque estivesse enfermo, mas porque se sentia fulminado e perturbado por algo que lhe havia sucedido. E como sabemos que o propósito de Deus, ao infligir-nos algum castigo, consiste em humilhar-nos, então, quando somos reprimidos sob sua vara, a porta se abre para que sua misericórdia nos alcance. Além disso, visto que sua peculiar função é curar os enfermos, erguer os caídos, amparar os fracos e, finalmente, comunicar vida aos mortos, esta, por si mesma, é uma razão suficiente para buscarmos seu favor quando nos acharmos mergulhados em nossas aflições.

Após Davi haver protestado que colocara sua esperança de salvação exclusivamente na misericórdia de Deus, e haver tristemente demonstrado o quanto se encontrava degradado, ele acrescenta que isso havia prejudicado sua saúde física, e ora pela restauração dessa bênção: Sara-me, SENHOR. E esta é a ordem que devemos observar, a saber: que saibamos que todas as bênçãos que pedimos a Deus emanam da fonte de sua graciosa bondade, e que então somos, e somente então, libertados das calamidades e castigos, ou seja, quando ele usar de misericórdia em nosso favor.

Porque os meus ossos estão abalados. Isso confirma a observação que acabo de fazer, ou seja: da própria miséria de suas aflições, Davi entreteve a esperança de algum lenitivo; pois Deus, quanto mais vê o infeliz oprimido e à mercê da destruição, tanto mais se prontifica a socorrê-lo. Ele atribui abalo a seus ossos, não porque sejam dotados de emoção, mas porque a veemência de sua tristeza era tal que afetara todo seu corpo. Ele não fala de sua carne, a qual é a mais tenra e a mais suscetível parte do sistema corporal; menciona, porém, seus ossos, com isso insinuando que as partes mais resistentes de sua estrutura foram feitas para tremerem de medo. A seguir [v.3] assinala a causa disso, dizendo: Também a minha alma está profundamente perturbada, como se quisesse dizer: Tão severa e íntima é a angústia de meu coração, que afeta e esvai as energias de cada parte de meu corpo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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