“BUSQUEI O SENHOR, E ELE ME ACOLHEU”
“Busquei o SENHOR,
e ele me acolheu; livrou-me de todos os meus temores” (Sl 34:4).
Neste ponto o
salmista Davi explica mais claramente e de forma mais plena o que dissera
acerca do regozijo. Em primeiro lugar, ele nos diz que suas orações haviam sido
ouvidas. Isto ele aplica a todos os piedosos que, encorajados por testemunho
tão precioso, poderiam estimular-se à oração. O que está implícito em buscar a Deus é evidente à luz da
cláusula que se segue. Em alguns lugares ela deve ser entendida num sentido
distinto, a saber, submeter a mente, em solícita aplicação, ao serviço de Deus
e manter todos os pensamentos voltados para ele. Aqui ela simplesmente
significa recorrer a ele em busca de auxílio; pois imediatamente se segue que
Deus lhe respondeu; e dele corretamente se diz responder à oração e súplica.
Pela expressão, meus temores, o
salmista quer dizer, tomando o efeito pela causa, os perigos que dolorosamente
inquietaram sua mente; contudo, sem dúvida ele confessa que fora terrificado e
agitado pelos temores. Ele não olhava para seus perigos com uma mente serena e tranquila,
como se os visse a certa distância e de uma posição cômoda e elevada, mas,
sendo seriamente atormentado com inúmeras preocupações, podia com razão falar
de seus temores e terrores. Ainda mais, pelo uso do plural, ele mostra que fora
grandemente terrificado não só de uma maneira, mas que fora destroçado por uma
variedade de angústias. Por um lado, ele viu uma morte cruel à sua espreita;
enquanto que, por outro lado, sua mente poderia ter sido dominada pelo medo de
que Aquis o enviasse a Saul para seu contentamento, como os ímpios costumam
divertir-se às custas dos filhos de Deus. E visto que ele já fora uma vez
detectado e traído, poderia muito bem concluir, mesmo se escapasse, que os
assassinos de aluguel de Saul o cercariam de todos os lados. O ódio profundo
que Aquis nutria contra ele, tanto pela morte de Golias quanto pela destruição
de seu próprio exército, poderia dar origem a tantos temores; especialmente
considerando que seu inimigo poderia instantaneamente descarregar sua vingança
sobre ele, e que nutria boas razões para crer que sua crueldade era de tal
vulto que não seria amenizada sujeitando-o a alguma forma branda de morte.
Devemos observar isto particularmente, a fim de que, se em algum tempo formos
terrificados pelos perigos que nos cercam, não sejamos impedidos por nossa timidez
excessiva de invocar a Deus. Mesmo Davi, que se sabe ter suplantado a outros em
heroísmo e bravura, não possuía um tal coração de ferro ao ponto de repelir os
temores e sustos, senão que às vezes se sentia profundamente inquieto e
esmagado pelo medo.
Deus nos
abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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