“REGOZIJEM-SE TODOS OS QUE CONFIAM EM TI”
“Mas
regozijem-se todos os que confiam em ti; folguem de júbilo para sempre, porque
tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome” (Sl 5:11).
Mas regozijem-se todos os que confiam em ti. Fará pouca diferença ao sentido se lermos estas palavras no
tempo futuro — Regozijarão todos... —
ou no modo optativo – Regozijem-se todos.
Pois em ambos os modos o significado do salmista será o mesmo; isto é, se Deus
o livrar, o fruto desse livramento será comum a todos os santos; como se
dissesse: Senhor, se tu me socorreres, a benevolência que me conferires não se
restringirá a mim somente, mas se estenderá a todos os teus servos; pois isso
servirá para confirmar mais a fé deles, e os levará a louvar teu nome com mais
fervor. Por tanto, a fim de induzir a Deus a conceder-lhe seu livramento, ele
emprega como argumento o fim ou efeito que deveria produzir, contanto que
incitasse a todos os santos a exercitar grande confiança em Deus e a
encorajá-los a render-lhe louvores e ações de graças. Esta passagem nos ensina
que seríamos ingratos para com Deus caso não extraíssemos ânimo e conforto de
todas as bênçãos que ele confere a nosso próximo, visto que, por esse meio, ele
testifica que estará sempre disposto a derramar sua munificência sobre todos os
santos em geral. Consequentemente, acrescenta-se a razão de tal alegria: porque
o Senhor os cobrirá ou os protegerá. Tão logo Deus conceda al umas bênçãos a
alguns dos fiéis, os demais, como já afirmei antes, devem concluir que ele se
mostrará beneficente para com eles também. Esta passagem também nos ensina que
a genuína alegria não procede de alguma outra fonte senão só da proteção
divina. Podemos ficar expostos a mil mortes, mas essa única consideração deve
ser-nos plenamente suficiente, ou seja, que somos envolvidos e defendidos pela
mão divina. E esse será o caso se porventura as sombras ilusórias deste mundo
não nos fascinarem tanto que nos excitem a buscar nelas refúgio. É mister que
notemos também em particular a afirmação de que aqueles que confiam no Senhor
amam seu nome. Lembrarmo-nos de Deus e enchermos nossos corações com sua
alegria, ou, antes, deixarmo-nos arrebatar por seu amor, depois de levar-nos a
fazer prova de sua munificência, deve ser-nos algo de extremo lenitivo.
Deus nos abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

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