"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

“TORNAR A CONGREGAR EM CRISTO TODAS AS COISAS”


“TORNAR A CONGREGAR EM CRISTO TODAS AS COISAS”

“De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (Ef 1.10).

O apóstolo Paulo desejava ensinar que fora de Cristo todas as coisas estavam em desordem, mas que, por meio de dele, elas foram reconduzidas à ordem. E, de fato, fora de Cristo, o que podemos enxergar no mundo senão meras ruínas? Pelo pecado estamos alienados de Deus; e o que fazer se somos forasteiros e alquebrados? A condição natural das criaturas as leva a afastar-se de Deus. O restabelecer, que nos lembra a ordem regular, nos diz Paulo, foi feito em Cristo. Moldados em um corpo, somos unidos a Deus e mutuamente ligados uns aos outros. Sem Cristo, porém, o mundo todo se encontra como era, ou seja, um caos disforme e em tremenda confusão. Só ele nos converge em verdadeira unidade.

Mas, por que Paulo inclui seres celestiais nesta avaliação? Os anjos jamais estiveram separados de Deus, nem mesmo dispersos. Há quem ofereça a seguinte explicação: Diz-se que os anjos têm de viver juntos porque os homens que se unem a eles são unidos igualmente a Deus e alcançam a bênção comum juntamente com eles nesta abençoada unidade. Assim como falamos de uma construção reparada, muitas partes da mesma estavam em ruínas ou caindo, ainda que algumas partes permaneciam inteiras. Isso é verdade. Não há, porém, razão alguma para não dizermos que os anjos também foram mantidos juntos, não reunidos de uma dispersão, senão que antes eles estavam unidos a Deus perfeita e completamente, e então puderam conservar esse estado para sempre. Porquanto, que conformidade existe entre a criatura e o Criador sem a interposição do Mediador? Pelo fato de serem criaturas, eles estariam sujeitos a mudança e a queda, e não abençoados eternamente, e nem tampouco poderiam dispensar os benefícios de Cristo. Quem, pois, negaria que tanto os anjos como os homens foram restaurados a uma ordem imutável pela graça de Cristo? Os homens se perderam; os anjos, porém, não ficaram fora de perigo. Por meio da união de ambos em seu próprio Corpo, Cristo os uniu a Deus o Pai, para que pudesse estabelecer uma autêntica harmonia, tanto no céu como na terra.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

“EM TODA A SABEDORIA E PRUDÊNCIA”


“EM TODA A SABEDORIA E PRUDÊNCIA”

“Que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (Ef 1.8-10)..

O apóstolo Paulo agora traz a lume a causa formal, ou seja: a pregação do evangelho, por meio da qual a bondade de Deus flui para nós. Porque, por meio da fé, Cristo nos é comunicado, através de quem chegamos a Deus, e através de quem usufruímos os benefícios da adoção. Ele dá ao evangelho os magnificentes títulos de sabedoria e prudência, a fim de que os efésios pudessem desprezar todas e quaisquer doutrinas contrárias. Os falsos apóstolos cultivavam a pretensão de ensinar algo ainda mais sublime dos que os rudimentos que Paulo transmitia. E o diabo, a fim de solapar nossa fé, tudo fazia para desacreditar o evangelho até onde lhe fosse possível. Paulo, ao contrário, solidifica a autoridade do evangelho, para que os crentes possam descansar nele com segurança. “Toda a sabedoria” significa a plena ou perfeita sabedoria.

Visto que a novidade assustara alguns, o apóstolo trata com o erro por bastante tempo, e chama essa novidade de o segredo da vontade divina, e, no entanto, um segredo que a Deus aprouve agora revelar. Como anteriormente atribuíra a eleição deles ao beneplácito de Deus, assim também agora faz com sua vocação, para que os efésios pudessem reconhecer que Cristo tornou-lhes conhecido e lhes fez conhecido o evangelho que lhes fora anunciado, não porque merecessem alguma coisa, mas porque a Deus aprouve fazê-lo.

Tudo fora sábia e adequadamente planejado. O que pode ser mais justo do que seus propósitos, os quais estão ocultos dos homens, e que são conhecidos somente de Deus, enquanto ele queira guardá-los só para si mesmo? Ou, de outra forma, estaria em sua própria vontade e poder predeterminar o tempo em que esses propósitos seriam conhecidos aos homens? Portanto, o apóstolo Paulo está dizendo que o decreto que se encontrava na mente de Deus, de adotar os gentios, esteve oculto até agora; todavia, de maneira tal, que ele o mantivera em seu próprio poder até ao tempo da revelação. No caso de alguém perguntar por que um tempo e não outro foi selecionado, o apóstolo antecipa tal curiosidade, denominando o que fora designado por Deus de “na plenitude dos tempos” - o tempo pleno e apropriado, como temos em Gálatas 4.4. Que a presunção humana se reprima, e, ao julgar a sucessão dos eventos, que ela se curve ante a providência de Deus. A palavra “dispensação” aponta na mesma direção, porquanto a perfeita administração de todas as coisas depende do juízo divino.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

“EM QUEM TEMOS A REDENÇÃO, PELO SEU SANGUE”


“EM QUEM TEMOS A REDENÇÃO, PELO SEU SANGUE”

“Em quem temos a redenção, pelo seu sangue, o perdão dos pecados, segundo as riquezas de sua graça” (Ef 1.7).

Neste versículo o apóstolo Paulo se refere ainda à causa material da nossa redenção, pois explica como fomos reconciliados com Deus através de Cristo, como, por meio de sua morte, ele apaziguou o Pai por nós. Portanto, é fundamental que voltemos sempre nossa mente para o sangue de Cristo, se quisermos que nele encontremos graça. E diz ainda que, pelo sangue de Cristo, obtemos a redenção, a qual ele imediatamente chama de perdão dos pecados. Paulo está querendo dizer com isso que somos redimidos porque os nossos pecados não nos são mais imputados. Daqui emana a justiça gratuita pela qual somos aceitos por Deus, bem como somos libertados da escravidão do mal e da morte. Precisamos observar cuidadosamente a oposição que define a maneira da nossa redenção; porque, quanto mais permanecemos sujeitos ao juízo de Deus, mais presos ficamos em miseráveis cadeias. Portanto, livrar-se da culpa é, de fato, uma liberdade inestimável.

O apóstolo volta à causa eficiente - segundo as riquezas de sua graça: Cristo deu-se a si mesmo a fim de ser nosso Redentor, visto que Deus fora riquíssimo em bondade ativa. E Paulo emprega a palavra “riquezas”, aqui, bem como a palavra “superabundar”, para magnificar essa bondade, de modo que Deus passa a plenificar a mente dos homens com suas maravilhas. Que a mente dos homens esteja imersa na riqueza da graça que é aqui enaltecida! O apóstolo jamais deixou espaço para as satisfações inventadas pelos homens, por meio das quais o mundo acredita poder redimir-se, como se o sangue de Cristo fosse secar-se sem algum auxílio subsidiário.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 9 de janeiro de 2024

“BENDITO SEJA O DEUS E PAI DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”


“BENDITO SEJA O DEUS E PAI DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef 1.3).

Aqueles que reconhecem em si mesmos uma efusão tal da bondade de Deus, tão plena e absolutamente perfeita, e que se exercitam nela com fervorosa meditação, jamais abraçarão novas doutrinas, as quais obscurecem a própria graça de Deus que sentem tão poderosamente em seu interior. O propósito do apóstolo Paulo, ao afirmar a imensurabilidade da graça divina para com os efésios, era prepará-los a fim de que não permitissem que sua fé fosse abalada pelos falsos apóstolos, como se seu chamamento fosse algo duvidoso, ou como se sua salvação devesse ser vista por outro prisma. Ele lhes assegura, ao mesmo tempo, que a plena certeza da salvação consiste no fato de que, através do evangelho, Deus revela, em Cristo, seu amor para conosco. A fim de confirmar, porém, a questão mais plenamente, ele chama sua atenção para a causa primeira, para a fonte, ou seja, a eterna eleição divina, por meio da qual, antes que houvéssemos nascido, fomos adotados como filhos. E isso para que soubessem eles [e nós!] que já estavam salvos, não por meio de qualquer ocorrência fortuita ou prevista, mas por meio do eterno e imutável decreto de Deus.

O verbo abençoar é aqui usado em mais de um sentido, tanto em se referindo a Deus como em se referindo aos homens. Encontro na Escritura uma quádrupla significação para ele. Abençoamos a Deus quando o louvamos, declarando sua munificência. Diz-se, porém que Deus nos abençoa, quando ele torna nossas atividades bem sucedidas, e em sua benevolência nos concede felicidade e prosperidade; e a razão é que somos abençoados unicamente em seu beneplácito. Notemos como Paulo expressa o grande poder que habita em toda a Palavra de Deus para a Igreja e para cada crente individualmente. Os homens abençoam uns aos outros através da oração. A bênção sacerdotal é mais do que uma oração, visto ser ela um testemunho e garantia da bênção divina; porquanto os sacerdotes receberam a incumbência de abençoar no Nome do Senhor. Portanto, Paulo, aqui, abençoa [bendiz] a Deus como uma confissão de louvor, porque Deus nos abençoou, ou seja, nos enriqueceu “com toda sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”, expressando a superioridade da graça que nos é concedida através de Cristo; que nossa felicidade não está neste mundo, e, sim, no céu e na vida eterna. A religião cristã, sem dúvida, como vemos em 1Tm 4.8, contém promessas não só referentes à vida futura, mas também com referência à vida presente, seu alvo, porém, é a felicidade espiritual e eterna no reino de Cristo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

“E NOS PREDESTINOU PARA FILHOS DE ADOÇÃO”

“E NOS PREDESTINOU PARA FILHOS DE ADOÇÃO”

“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” (Ef 1.5,6).

O que vem a seguir salienta ainda mais a sublimidade da graça divina. Já mencionamos a razão por que o apóstolo inculcou tão energicamente nos efésios Cristo e a adoção gratuita nele, bem como a eterna eleição que a precedeu. Como a misericórdia de Deus, porém, em nenhum outro lugar é expressa de forma mais sublime, esta passagem merece nossa especial atenção. Nesta cláusula são mencionadas três causas de nossa salvação, e uma quarta é acrescentada logo a seguir. A causa eficiente é o beneplácito da vontade de Deus; a causa material é Cristo; e a causa final é o louvor e glória de sua graça. Vejamos agora o que ele diz acerca de cada uma.

À primeira pertence todo este contexto: Deus nos predestinou nele mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para filhos de adoção, e nos fez aceitos por meio de sua graça. No verbo predestinar devemos novamente atentar para a ordem. Nem mesmo existíamos, portanto não existia nenhum mérito propriamente nosso. Consequentemente, a causa de nossa salvação não procedeu de nós mesmos, e, sim, tão somente de Deus. Paulo, todavia, ainda não satisfeito com essas afirmações, acrescenta: para si mesmo. Com isso ele está dizendo que Deus não buscou uma causa fora de si próprio, senão que nos predestinou por que assim o quis.

O que se segue, porém, é ainda mais claro: segundo o beneplácito de sua vontade. A palavra “vontade” seria suficiente, pois o apóstolo estava acostumado a contrastá-la com todas as causas externas pelas quais o homem imagina que a mente de Deus é possível de receber influência. Todavia, para que não permaneça qualquer ambiguidade, ele usa o contraste “beneplácito”, o que expressamente exclui todo e qualquer mérito. Portanto, ao adotar-nos, o Senhor não levou em conta o que somos, e não nos reconciliou consigo mesmo com base em alguma dignidade que porventura tivéssemos. Seu único motivo é o beneplácito por meio do qual ele nos predestinou.

Finalmente, a fim de que nada mais ficasse faltando, ele acrescenta: “nos fez agradáveis a si”. Com isso ele nos afiança que Deus nos envolve graciosamente em seu amor e favor, não com base em retribuição meritória, senão que ele nos elegeu quando nem ainda tínhamos nascido, quando nada o motivara senão ele próprio.

causa material, tanto da eleição eterna quanto do amor que nos é agora revelado, é Cristo, a quem ele chama o Amado, querendo dizer-nos que por meio dele o amor de Deus é sobre nós derramado. Portanto, ele é o bem-amado para reconciliar-nos. O propósito mais elevado e último é acrescentado imediatamente, a saber: o glorioso louvor de uma graça infinitamente rica. Toda a glória de nossa salvação deve ser atribuída única e exclusivamente a Deus.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 2 de janeiro de 2024

“PARA SERMOS SANTOS E IRREPREENSÍVEIS”


“PARA SERMOS SANTOS E IRREPREENSÍVEIS”

“Assim como nos elegeu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Ef 1.4).

O apóstolo Paulo indica o propósito imediato da eleição, não, porém, o principal. Pois não existe qualquer absurdo em supor-se que uma coisa possua dois objetivos. O propósito em realizar uma construção é para que haja uma casa. Esse é o alvo imediato. Mas a conveniência de se habitar nela é o alvo último. Era necessário mencionar-se isso de passagem; pois Paulo de imediato menciona outro alvo - a glória de Deus. Todavia, não há nenhuma contradição aqui. A glória de Deus é a finalidade mais elevada, à qual a nossa santificação está subordinada.

Desse fato inferimos que a santidade, a irrepreensibilidade, e assim toda e qualquer virtude que porventura exista no homem, são frutos da eleição. E assim uma vez mais Paulo expressamente põe de lado toda e qualquer consideração de mérito [humano]. Se Deus houvera previsto em nós tudo o que porventura fosse digno de eleição, então se diria precisamente o contrário. Pois a intenção de Paulo é que toda a nossa santidade e irrepreensibilidade de vida emanam da eleição divina. Como explicar, pois, que alguns homens são piedosos e vivem no temor do Senhor, enquanto que outros se entregam sem reservas a toda espécie de perversidade? Se Paulo merece credibilidade, a única razão é que os últimos conservam sua disposição natural, enquanto que os primeiros foram eleitos para a santidade. Certamente que a causa não segue o efeito, e, portanto, a eleição não depende da justiça que vem das obras, a qual Paulo declara aqui ser a causa.

“Perante ele; e em amor”. Santidade aos olhos de Deus, tem a ver com consciência pura; pois Deus não é enganado, à semelhança dos homens, pela pretensão externa; ele, porém, olha para a fé, ou seja, para a veracidade do coração. Se você atribuir a Deus a palavra “amor”, então significa que a única razão pela qual ele nos elegeu foi o seu amor pela humanidade. Prefiro, porém, considerar o amor à luz da última parte do versículo, ou seja: que a perfeição dos crentes consiste no amor; não que Deus requeira somente amor, mas que ele é uma evidência do temor de Deus e da obediência a toda a lei.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“ASSIM COMO NOS ELEGEU NELE”


“ASSIM COMO NOS ELEGEU, NELE”

“Assim como nos elegeu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Ef 1.4).

Aqui, o apóstolo Paulo declara que a eterna eleição divina é o fundamento e causa primeira, tanto do nosso chamamento como de todos os benefícios que de Deus recebemos. Se se nos pede a razão por que Deus nos chamou a participar do evangelho, por que diariamente ele nos concede bênçãos em grande profusão, por que ele nos abre os portões celestiais, teremos sempre que retroceder a este princípio, ou seja: que Deus nos elegeu antes que o mundo viesse à existência. O próprio tempo da eleição revela que ela é gratuita; pois, o que poderíamos merecer, ou em que consistiria o nosso mérito, antes que o mundo fosse criado? Pois quão pueril é o raciocínio sofístico, o qual afirma que não fomos eleitos porque já éramos dignos, e, sim, porque Deus previra que seríamos dignos. Todos nós estamos perdidos em Adão; portanto, Deus não poderia ter-nos salvo de perecermos por meio de sua própria eleição, se não havia nada para ser previsto. O mesmo argumento é usado em Romanos 9.11, onde, ao falar de Jacó e Esaú, diz Paulo: “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal”. Embora, porém, eles ainda não tivessem agido, algum sofista poderia replicar: “Deus previra o que eles poderiam fazer”. Tal objeção não possui força alguma à luz da natureza corrupta do homem, em quem nada pode ser visto senão matérias para destruição.

Ao acrescentar: em Cristo, estamos diante da segunda confirmação da soberania da eleição. Porque, se somos eleitos em Cristo, tal fato se encontra fora de nós próprios. Isso não tem por base nosso merecimento, e, sim, porque nosso Pai celestial nos enxertou, através da bênção da adoção, no corpo de Cristo. Em suma, o nome de Cristo inclui todo mérito, bem como tudo quanto os homens possuem de si próprios; pois quando o apóstolo diz que somos eleitos em Cristo, segue-se que em nós mesmos não existe dignidade alguma.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

“ELE VOS DEU VIDA, ESTANDO VÓS MORTOS”

“ELE VOS DEU VIDA, ESTANDO VÓS MORTOS” 

"Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef  2.1).

Com o fim de aplicar com maior eficácia aos efésios, a declaração geral da graça, o apóstolo Paulo lhes lembra sua condição anterior. Esta aplicação contém duas partes: “Vós, uma vez, estivestes perdidos; agora, porém Deus, mediante sua graça, vos resgatou da destruição”. Mas ao envidar esforços para salientar cada uma dessas partes, o apóstolo interrompe seu argumento por meio de hipérbato. Existe certa dificuldade na linguagem, mas o significado é claro. Temos apenas que nos reportar a ambas as partas. Quanto à primeira, vemos que Paulo diz que os efésios estiveram mortos; e expõe, ao mesmo tempo, a causa da morte, a saber: os pecados. Sua intenção não é apenas dizer que viveram sob o risco de morte; senão que declara que ela era uma morte real e presente, pela qual foram subjugados. Como a morte espiritual não é outra coisa senão o estado de alienação em que a alma subsiste em relação a Deus, já nascemos todos mortos, bem como vivemos mortos até que nos tornamos participantes da vida de Cristo; daí o nosso Senhor também dizer: “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a vos do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão” (J0 5.25).

Os hereges, ávidos em agarrar-se a cada oportunidade que tenham para enfraquecer a graça de Deus, afirmam que fora de Cristo estamos meio mortos. Entretanto, não foi a troco de nada que o próprio Senhor, e bem assim o apóstolo Paulo, nos excluíram completamente da vida enquanto permanecermos, em Adão, e declaram que a regeneração é a nova vida da alma, e que é por meio daquela que esta ressuscita dos mortos. Reconheço que algum gênero de vida permanece em nós durante o tempo em que somos estranhos em relação a Cristo; porquanto nem os sentidos, nem a vontade, nem as faculdades da alma foram extintos dos incrédulos. O que isso, porém, tem a ver com o reino de Deus? O que isso tem a ver com a vida bem-aventurada, quando tudo o que pensamos e desejamos é morte? Que seja indestrutível, pois, o seguinte pensamento: que a união de nossa alma com Deus é a genuína e única vida; e que fora de Cristo estamos completamente mortos, visto que o pecado, a causa da morte, reina em nós.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 19 de dezembro de 2023

"JUÍZOS NÃO ANUNCIADOS"


"JUÍZOS NÃO ANUNCIADOS"

“Então, saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu; e morreram perante o SENHOR” (Lv 10.3).

Se você se aventurar nos caminhos do pecado, talvez se depare com juízos horríveis, que Deus nunca sequer mencionou. Juntamente com todos os juízos que aparecem anunciados no Livro de Deus, você pode dar de encontro com juízos jamais ouvidos, inesperados. Assim como Deus tem misericórdia muito além daquelas que claramente revelou em Sua Palavra – “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2.9) – assim Deus tem juízos muito além dos que estão pronunciados. 

Às vezes, quando os ministros de Deus expõem as ameaças que se encontram na Escritura Sagrada, você pensa que são terríveis; mas fique sabendo que Deus, no tesouro dos seus juízos, tem coisas mais terríveis do que aquilo que ele jamais revelou em sua Palavra. Por isso, aprenda a tremer não apenas diante do que está revelado contra o seu pecado, mas diante do que ainda se pode descobrir, na infinita justiça, poder e sabedoria de Deus, para ser executado contra os pecadores. 

Portanto, vocês que são pecadores, e especialmente se são pecadores ousados e arrogantes, podem esperar se deparar com qualquer mal que uma sabedoria infinita é capaz de criar e que um poder infinito é capaz de fazer desabar sobre vocês. Você comete este e aquele pecado. Talvez não saiba de nenhuma ameaça específica de juízo contra esse pecado, mas pensa da seguinte maneira: “Eu, que estou provocando a Deus com meus pecados, o que é que posso esperar que me aconteça? Por mais que eu pense que não, a infinita sabedoria de Deus vai descobrir o que estou fazendo e trará sobre mim o juízo que me cabe”.

Deus nos abençoe!

Jeremiah Burroughs (1599-1646).

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