“VIMOS CLARAMENTE QUE O SENHOR É CONTIGO”
“Eles
responderam: Vimos claramente que o SENHOR é contigo; então, dissemos: Haja
agora juramento entre nós e ti, e façamos aliança contigo” (Gn 26:28).
Por esse
argumento, eles provam que desejavam fazer um acordo com Isaque, não um acordo
fraudulento, mas de boa-fé, porque reconhecem o favor de Deus para com ele.
Pois era necessário se livrar dessa suspeita, visto que agora se apresentavam
de modo tão gentil a alguém contra o qual previamente faziam injustificável
oposição. Essa confissão deles, contudo, contém uma instrução proveitosa. Os
homens profanos, ao chamarem alguém, cujas atividades são todas bem-sucedidas e
prósperas, o bendito do Senhor, dão testemunho de que Deus é o autor de todas
as boas dádivas, e que somente dele flui toda prosperidade. Excessivamente vil,
pois seria ingratidão se, quando Deus age bondosamente para conosco, ignoramos
seus benefícios. Além disso, os homens profanos consideram a amizade de alguém a
quem Deus favorece como algo desejável, levando em conta que não há melhor ou mais
santa recomendação do que o amor de Deus. Perversamente cegos, pois, são
aqueles que só negligenciam aos que Deus declara lhe serem queridos, mas iniquamente
os perturbam. O Senhor proclama que está pronto para executar vingança contra
alguém que porventura faça injúria àqueles a quem ele toma sob sua proteção;
mas a maioria, indiferente a essa mui terrível denúncia, ainda perversamente
aflige os bons e simples. Contudo, vemos aqui que o senso natural proclamava
aos incrédulos o que raramente reconhecemos aquilo que é dito pela boca do
próprio Deus. Entretanto, é surpreendente que tivessem medo de um homem inofensivo,
e exigissem dele um juramento de que lhes não causaria nenhum dano. Deveriam
ter concluído, à luz do favor que Deus lhe demonstrava, que ele era um homem
justo, e por isso ele não representava nenhum perigo; contudo, pelo fato de
formarem sua convicção a respeito de seu caráter a partir do caráter e conduta
deles, também põem em dúvida sua integridade. Tal perturbação geralmente inquieta
os incrédulos, de modo que são inconsistentes consigo mesmos; ou ao menos,
vacilam e são atormentados por sentimentos conflitantes, e ficam sem
estabilidade e constância. Pois aqueles princípios do reto juízo, que fluem de
dentro de si, logo são sufocados pelos afetos depravados. Por isso, justamente
aquilo que é concebido por eles se desvanece; ou, pelo menos, é corrompido e
não produz bons frutos.
Deus nos
abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.




