ENRIQUE IGLESIAS -
CANTA SALMOS
“O SENHOR é o
meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me
para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da
justiça por amor do seu nome” (Sl 23.1-3).
ENRIQUE IGLESIAS -
CANTA SALMOS
“O SENHOR é o
meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me
para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da
justiça por amor do seu nome” (Sl 23.1-3).
“O discípulo não
está acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor Basta ao discípulo
ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao
dono da casa, quanto mais aos seus domésticos? Portanto, não os temais; pois
nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a
ser conhecido” (Mt 10.24-26).
Fazer a obra de
Deus neste mundo é uma tarefa muito difícil! Todos quantos empreendem descobrem
isto por experiência. É preciso muita coragem, fé, paciência e perseverança.
Satanás lutará vigorosamente para manter o reino das trevas. A natureza humana
é desesperadamente corrupta. Praticar o mal é fácil. O difícil é fazer o bem.
O Senhor Jesus
sabia disso muito bem quando enviou os discípulos para pregarem o evangelho
pela primeira vez. Mesmo que eles não soubessem o que os esperava, Ele o sabia.
Ele teve o cuidado de lhes dar uma lista de palavras de encorajamento, para
animá-los quando se sentissem abatidos. Missionários exaustos no país distante,
ou ministros que se sentem esgotados, mesmo trabalhando no seu próprio país, professores
desalentados e evangelistas, todos fariam bem em estudar com frequência estes
versículos. Observemos os que eles contêm.
Os que trabalham
na obra de Deus não devem esperar ser
melhor sucedidos. “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo,
acima do seu senhor”. O Senhor Jesus foi caluniado e rejeitado por aqueles a
quem viera beneficiar. Não havia erros em sua doutrina. Não havia defeitos em
seu método de transmitir a instrução. Mesmo assim Ele foi odiado e chamado de
Belzebu. Poucos creram nEle e se importaram com o que Ele dizia. Não temos o
direito de ficar surpresos se nós, cujos melhores esforços são permeados de
tantas imperfeições, somos tratados da mesma maneira que Jesus Cristo o foi. Se
não nos importarmos com o mundo, eles também não se importarão conosco. Mas, se
intentarmos o bem-estar espiritual dos homens, então nos odiarão, como fizeram
com o nosso Mestre.
Os que procuram fazer o bem, devem esperar com paciência pelo dia de juízo. “Pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido”. Precisam contentar-se em serem mal compreendidos, difamados, vilipendiados, caluniados e maltratados neste mundo. Não devem deixar de trabalhar, somente porque os seus motivos são mal interpretados e o caráter deles é ferozmente atacado. Devem lembrar-se continuamente de que todas essas injustiças serão devidamente corrigidas, no último dia. Os segredos do coração de todos os homens serão então desvendados. Ele “fará sobressair a tua justiça como a luz, e o seu direito como o sol ao meio-dia” (Sl 37.6). A pureza das intenções dos crentes, a sabedoria dos labores deles e a retidão da causa que defendem serão, finalmente, manifestos diante do mundo inteiro. Por conseguinte, continuemos trabalhando constante e tranquilamente. Talvez os homens não nos compreendam, opondo-se com veemência a nós. Porém, o dia do juízo já se aproxima velozmente. Afinal, a justiça nos será feita. O Senhor, quando voltar ao mundo, “não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus” (1Co 4.5).
Deus nos abençoe!
J.C.Ryle
(1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
"A BOA PARTE"
“Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10.40-42).
“Nossa alma espera
no SENHOR, nosso auxílio e escudo. Nele, o nosso coração se alegra, pois
confiamos no seu santo nome. Seja sobre nós, SENHOR, a tua misericórdia, como
de ti esperamos” (Sl 33.20-22).
O que o salmista
até aqui falou concernente à providência de Deus, e particularmente sobre a
fiel tutela com que ele protege seu povo, agora ele fala não tanto de si
próprio, mas como porta-voz do Espírito Santo. Portanto, em nome de toda a
Igreja, ele entoa seu cântico declarando que não existe nada melhor que confiar
nosso bem-estar a Deus. E assim vemos que o fruto da doutrina precedente é
manifesto a todos os verdadeiros crentes, para que, sem qualquer hesitação, se
lancem com seu coração confiante e alegre sobre o paternal cuida do de Deus.
Desta forma, o salmista não declara nada acerca de si próprio em particular,
mas une a si todos os piedosos no reconhecimento da mesma fé.
Nele, o nosso coração se alegra. Com toda certeza Deus será sempre nossa alegria; com toda
certeza seu santo nome será como uma inexpugnável fortaleza para nosso refúgio.
Não é só por isso que os crentes continuam perseverantemente a invocar a Deus,
mas porque, satisfeitos com o favor divino, sempre contam com este conforto em
meio às suas dores e tristezas, o qual é suficiente para manter sua alegria.
Portanto, é com razão que os crentes afirmam, em primeira instância, que seus
corações se regozijam no Senhor; porque, livres dos devaneios procedentes das
fascinações do mundo, nem vacilam nem hesitam em cada mudança que sofrem em sua
jornada, mas depositam toda a felicidade de sua vida no desfruto do gracioso e
paternal cuidado de Deus.
Seja sobre nós,
ó SENHOR, a tua misericórdia. Finalmente, o Salmo termina com uma oração, a
qual o servo do Senhor oferece em nome de todos os piedosos, dizendo que Deus os
fará sentir os efeitos provindos do fato de não terem em vão confiado na divina
benevolência. Entrementes, o Espírito, ao ditar-nos esta regra de oração
através dos lábios do profeta, nos ensina que a porta da divina graça nos
estará aberta completamente, quando a salvação não for buscada nem esperada de
alguma outra fonte. Esta passagem nos fornece outra mui doce consolação, a
saber: se nossa esperança não desmaiar em meio a nossa trajetória, então não
teremos qualquer razão de recear que Deus venha a fraquejar, deixando de usar
de misericórdia para conosco, sem qualquer interrupção, perenemente.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“Levantou-se
entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, sabendo o
que se lhes passava no coração, tomou uma criança, colocou-a junto a si e lhes
disse: Quem receber esta criança em meu nome a mim me recebe; e quem receber a
mim recebe aquele que me enviou; porque aquele que entre vós for o menor de
todos, esse é que é grande” (Lc 9.46-48).
Estes versículos
contêm uma importante advertência, dirigida contra um erro comum encontrado na
igreja de Cristo. Aquele que a proferiu conhecia muito bem o coração humano.
Teria sido bom para a igreja, se a palavra de Cristo nesta passagem tivesse
recebido mais atenção.
O Senhor Jesus nos advertiu contra o orgulho e a presunção.
Somos informados que “entre os discípulos levantou-se uma discussão sobre qual
deles seria o maior”. Embora isto pareça surpreendente, este pequeno grupo de
pescadores e publicanos não estava isento da praga de um espírito ambicioso e
egoísta. Com seus corações transbordando a falsa ideia de que o reino de Cristo
se manifestaria imediatamente, estavam dispostos a contender no que se referia a
seus lugares e precedência no reino. Cada um deles reivindicava ser o maior.
Todos imaginavam seus inquestionáveis méritos e direitos à honra. Cada um
pensava que, não importando o lugar que os outros receberiam, uma posição de
destaque lhe deveria ser confiada. E tudo isto aconteceu entre os próprios
apóstolos de Cristo e sob a influência de seu esplendoroso ensino. Assim é o
coração do homem.
De todos os
pecados, o orgulho é aquele contra o qual precisamos sempre orar e estar
vigilantes. Nenhum outro pecado se acha tão enraizado em nossa natureza. Suas raízes
nunca são destruídas completamente. Estão sempre prontas a brotar, em qualquer
momento, manifestando perniciosa vitalidade. Nenhum outro pecado é tão ilusório
e enganador. Pode emboscar os corações daqueles que têm pouca instrução, dos
que não possuem grandes talentos e dos pobres, mas também pode cativar a mente
de pessoas importantes, dos estudiosos e dos ricos. Este é um ditado simples,
porém bastante verdadeiro: “Nenhum ídolo tem recebido tanta adoração quanto o “eu”.
A súplica por
humildade e um espírito de criança deve sempre fazer parte de nossas orações
diárias. De todas as criaturas, nenhuma outra possui tão pouco direito para se orgulhar
quanto o homem; e, de todos os homens, os crentes devem ser os mais humildes.
Realmente confessamos todos os dias que somos pecadores miseráveis e devedores
à misericórdia e à graça de Deus? Seguimos a Jesus, que era “manso e humilde de
coração” e que a “si mesmo se esvaziou”, por amor à nossa alma? Então, deve
haver em nós o mesmo sentimento que havia em Cristo Jesus. Rejeitemos todos os
pensamentos elevados e presunções. Em humildade de espírito, consideremos os
outros superiores a nós mesmo. Estejamos prontos para, em todas as ocasiões,
assumir o lugar mais insignificante. E as palavras de nosso Senhor devem ecoar
sempre em nossos ouvidos: “Aquele que entre vós for o menor de todos, esse é
que é grande”.
Deus nos
abençoe!
J.C.Ryle
(1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Traziam-lhe
também as crianças, para que as tocasse; e os discípulos, vendo, os
repreendiam. Jesus, porém, chamando-as para junto de si, ordenou: Deixai vir a
mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus. Em
verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira
alguma entrará nele” (Lc 18.15-17).
Devemos perceber
nesta passagem como as pessoas são propensas a tratar com muita ignorância as
crianças nas coisas referentes à alma. Somos informados que alguns traziam a
Jesus “as crianças, para que as tocasse; e os discípulos, vendo, os repreendiam”,
mas ouviram de nosso Senhor a solene repreensão: “Deixai vir a mim os
pequeninos e não os embaraceis”.
Talvez em poucos
assuntos encontraremos ideias tão divergentes nas igrejas quanto ao assunto da
alma de uma criança. Alguns pensam que as crianças devem ser batizadas e que,
se morrerem antes de serem batizadas, elas não serão salvas. Outros pensam que
as crianças não devem ser batizadas, mas não oferecem uma explicação
satisfatória para tal ponto de vista. Alguns pensam que todas as crianças são
regeneradas por meio de seu batismo. Outros pensam que as crianças são
incapazes de receber a graça divina e, portanto, não devem ser arroladas como
membros da igreja até que cresçam. Alguns pensam que as crianças naturalmente
são inocentes e não praticarão qualquer impiedade, a menos que a tenham aprendido
com outros. Alguns imaginam que não há proveito em esperar que as crianças se
convertam quando muito novas; portanto, devemos esperar até que alcancem a idade
do discernimento. Todas as opiniões citadas precisam ser rejeitadas, por
levarem a muitos enganos.
Agiremos
corretamente se nos apegarmos a alguns firmes princípios das Escrituras sobre a
condição espiritual da criança. Fazer isso nos poupará de muita perplexidade e
nos preservará de graves erros doutrinários.
Tanto nesta
passagem quanto em outras das Escrituras, existem provas claras de que Cristo
se interessa por elas, na mesma intensidade com que se interessa pelos adultos.
A alma de uma criança é capaz de receber a graça divina. Não existe nada, em toda
a Bíblia ou na experiência humana, que nos faça pensar que as crianças não
podem receber o Espírito Santo e serem justificadas, mesmo na infância. A mente
da criança é igual à do adulto para receber ensinos espirituais. A prontidão
com que suas mentes recebem a doutrina do evangelho e suas consciências
respondem a essas doutrinas é bem conhecida por todos os que ensinam as coisas
espirituais.
A posição das
crianças diante de Deus é declarada por nosso Senhor Jesus: “Dos tais é o reino
de Deus”. E mais, “Quem não receber o
reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele”. Os santos
de Deus devem esforçar-se para viver “como uma criança”. A sua fé simples, sua despreocupação
para com as coisas do mundo, sua comparativa humildade, seu caráter inofensivo
e sua falta de malícia. Feliz é aquela pessoa que pode se aproximar de Cristo e
das Escrituras com o mesmo espírito de uma criança.
Deus nos
abençoe!
J.C.Ryle
(1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Trouxeram-lhe,
então, algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os
discípulos os repreendiam. Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os
embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus. E, tendo-lhes
imposto as mãos, retirou-se dali” (Mt 19.13-15).
No que concerne às
criancinhas, encontramos nosso Senhor Jesus a instruir-nos, nestes versículos,
mediante a palavra e a ação, mediante o preceito e o exemplo. “Trouxeram-lhe,
então, algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse”.
Evidentemente, eram crianças bem pequenas, pequenas demais para receberem
qualquer instrução, embora não pequenas demais para serem beneficiadas pela
oração em favor delas. Os discípulos, entretanto, parecem ter pensado que o
Senhor nunca se rebaixaria a dar atenção àquelas criancinhas, e repreenderam os
adultos que as tinham trazido. Todavia, isso provocou uma extraordinária declaração
da parte do grande Cabeça da Igreja: “Deixai os pequeninos, não os embaraceis
de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus”.
Há algo de
interessantíssimo, tanto na linguagem quanto nos atos de Jesus, nessa
oportunidade. Reconhecemos a fraqueza e a debilidade, física e mental, das
crianças pequeninas. De todas as criaturas que nascem nesse mundo, nenhuma é
tão impotente e dependente como um bebê humano. Sabemos quem era Aquele que deu
tanta atenção aos infantes, tendo encontrado tempo suficiente, em seu ativo ministério
entre os homens e mulheres adultos, para orar em favor daquelas crianças,
impondo-lhes “as mãos”. Esse Alguém é o próprio Filho de Deus, o grande Sumo
Sacerdote, o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, por intermédio de quem todas as coisas vieram à
existência, “o resplendor da glória e a expressão exata” do ser de Deus Pai.
Entendamos que,
embora tão pequeninas, as crianças não estão abaixo dos pensamentos e atenção
do nosso Senhor Jesus. O seu poderoso coração reserva um lugar para o
bebezinho, em seu braço, tanto quanto para o monarca, em seu trono. Ele considera
que cada criancinha traz, potencialmente, em seu corpinho, um princípio imortal.
Ora, dispondo de uma palavra como esta, diante de nós, sem dúvida podemos
esperar a salvação de todos aqueles que morrem na infância. “...porque dos tais
é o reino dos céus”.
Por fim, familiarize
as crianças com a Palavra de Deus, assim que elas puderem compreender qualquer
coisa. Oremos por elas com imposição de mãos, e também oremos juntamente com
elas, ensinando-as a orarem por si mesmas. Podemos ter a certeza de que nosso
Senhor contemplará com grande satisfação tais esforços da nossa parte, e que Ele
haverá de abençoar as criancinhas. Feliz é a igreja local cujas crianças
recebem tanta atenção quanto os adultos em plena comunhão.
“Ensina a criança no caminho em que deve
andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22.6).
Deus nos
abençoe!
J.C.Ryle
(1816-1900).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Grande é o SENHOR
e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável. Geração a geração
louvará as tuas obras e anunciará a outra geração os teus poderosos feitos. Meditarei
no glorioso esplendor da tua majestade e nas tuas maravilhas” (145.4,5).
O salmista Davi é
levado a celebrar os louvores de Deus, ao refletir sobre a excelência de sua
sabedoria, bondade e justiça, tanto no governo do mundo, em geral, como
particularmente na administração, supervisão e defesa dos filhos dos homens.
Depois de recordar os louvores da providência de Deus, ele passa a falar
sobre o favor especial demonstrado por Ele a seu próprio povo.
Geração a geração. O salmista insiste na verdade geral de que todos os homens foram feitos e são
preservados em vida para este fim: dedicarem-se ao louvor de Deus. Há um
contraste implícito entre o nome eterno de Deus e a imortalidade de fama que os
grandes homens parecem adquirir por suas proezas. As excelências humanas são
enaltecidas em histórias. Com Deus ocorre algo diferente, pois não há sequer um
dia em que Ele não renove a lembrança de suas obras, nutrindo-a por meio de
algum efeito presente, a ponto de preservá-la indelevelmente viva em nossa
mente. Pela mesma razão, Davi fala a respeito do glorioso esplendor ou beleza
de excelência de Deus, a fim de despertar, ainda mais, em outros, a admiração
dessa excelência. Creio que a expressão as
palavras de suas maravilhosas obras aludem ao método incompreensível das
obras de Deus, pois os prodígios são tantos, que esmagam nossos sensos. E podemos
inferir disso que a grandeza de Deus não é aquela que se acha oculta em sua
misteriosa essência, nem na disputa sutil por meio da qual, em negligência de
suas obras, muitos merecem a acusação de meros tagarelas, pois a verdadeira
religião demanda conhecimento prático, e não especulativo. Havendo dito que falaria de ou meditaria nas obras de Deus, ele transfere seu discurso para
outros, sugerindo que no mundo sempre haverá alguns que declararão a justiça, a
bondade e a sabedoria de Deus e que as excelências de Deus são dignas de ser
proclamadas, com consenso universal, por toda língua. E, se outros desistissem
e privassem a Deus da honra que Lhe é devida, o salmista declara que ele mesmo,
no mínimo, cumpriria sua parte e, enquanto os outros mantinham silêncio, ele
apresentará energicamente os louvores de Deus.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Exaltar-te-ei,
ó Deus meu e Rei; bendirei o teu nome para todo o sempre. Todos os dias te
bendirei e louvarei o teu nome para todo o sempre. Grande é o Senhor e mui
digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável” (Sl 145:1-3).
Exaltar-te-ei, ó Deus meu e Rei. Davi não somente diz o que ele mesmo faria, mas também encoraja
e insiste com todos os outros sobre o serviço religioso de oferecer a Deus os
louvores devidos ao seu nome. O seu propósito em declarar que Deus é benigno
para com os filhos dos homens é induzi-los a cultivarem gratidão piedosa. Ele
insiste na necessidade de perseverar nesse exercício, pois, visto que Deus é
constante em estender suas misericórdias, seria impróprio desistirmos de seus
louvores. Como, desse modo, ele dá ao seu povo novo motivo para louvar a Deus,
ele os estimula à gratidão e a exercitá-la durante todo o curso de sua vida. Ao
usar o termo diariamente, ele denota
perseverança no exercício. Em seguida, acrescenta que, se vivesse durante uma
sucessão de eras, jamais cessaria de agir desta maneira. As repetições usadas
tendem a enfatizar consideravelmente a sua linguagem. Visto ser provável que o
Salmo foi escrito no tempo em que o reino de Davi estava em prosperidade, a
circunstância merece nota, a saber: ao chamar a Deus de meu Rei, estava dando a
si e aos demais príncipes terrenos o seu lugar apropriado, não admitindo que
alguma distinção terrena interferisse na glória devida a Deus.
Isto se torna
ainda mais claro no versículo seguinte, no qual, ao falar sobre a grandeza de
Deus como imensurável, ele sugere que só louvamos a Deus corretamente quando
nos enchemos e somos dominados por uma admiração extasiante da imensidão de seu
poder. Essa admiração se tornará a fonte da qual procederão nossos justos louvores
rendidos a Ele, de acordo com a medida de nossa capacidade.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Que nossos
filhos sejam, na sua mocidade, como plantas viçosas, e nossas filhas, como
pedras angulares, lavradas como colunas de palácio” (Sl 144.12).
Este Salmo
contém um misto de louvor e oração, pois Davi, enquanto enaltece, nos mais
elevados termos, as grandes misericórdias que Deus lhe outorgara, deixa-se
levar, ao mesmo tempo, ou motivado por uma consideração das muitas provas a
serem enfrentadas em todo o curso da vida humana, ou motivado pela conexão que
ainda mantinha com os perversos, a orar para que Deus continuasse a exibir seu
favor até ao fim.
Alguns consideram os versículos finais deste salmo como que expressando um desejo ou oração. Outros creem que Davi se congratula, bem como todo o povo, com o fato de que por meio da bênção divina todas as espécies de misericórdias foram exibidas sobre eles de maneira próspera. Não tenho dúvida de que Davi celebra, ao modo de ação de graças, a liberalidade que Deus exibia em favor do povo. Mas se encaixa muito bem na suposição de que ele ora, ao mesmo tempo, pela continuação ou preservação daqueles benefícios divinos que seriam suprimidos quase totalmente pelos homens ímpios e inimigos domésticos, se Deus não interviesse nas tribulações e confusões que prevaleciam. Portanto, o fim que ele tinha em vista era que Deus não permitiria que as bênçãos magistrais, com as quais cumulara seu povo, se desvanecessem e se apartassem deles. Ele começa mencionando os filhos, comparando a porção do sexo masculino, para enaltecer sua excelência, com plantas que têm crescido em sua juventude; pois as árvores raramente chegam a certa altura, se não crescem bem ou quando são ainda tenras. Ele fala das moças como semelhantes a ângulos habilidosa e engenhosamente lavrados, a fim de tornar o edifício belo; era como se dissesse que elas adornavam a casa por sua beleza e elegância. Não surpreende que ele considerasse uma prole nobre e bem educada como as primícias das bênçãos terrenas de Deus, um ponto que explanei mais amplamente em outra passagem. Como Davi fala em nome de todo o povo e de sua própria condição como que mesclada com a da comunidade, podemos inferir que ele não se ocupa exclusivamente de seus próprios interesses.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.