"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

“INVOCO O SENHOR, DIGNO DE SER LOUVADO”


“INVOCO O SENHOR, DIGNO DE SER LOUVADO”

“Invoco o SENHOR, digno de ser louvado, e serei salvo dos meus inimigos”. (Sl 18.3).

Invocar a Deus, como vimos em outro lugar, frequentemente compreende seu culto como um todo; mas quanto ao efeito ou fruto de oração que é particularmente mencionado no que se segue, esta frase da passagem que ora temos diante de nós, não tenho dúvida de que significa recorrer a Deus em busca de proteção e solicitar seu livramento. Tendo Davi dito no segundo versículo que confiava em Deus, ele agora junta isto como evidência de sua confiança; pois todo aquele que confia em Deus rogará energicamente por seu auxílio nos transes de extrema necessidade. Ele, pois, declara que será salvo e será vitorioso sobre todos os seus inimigos, porque recorrerá ao auxílio divino. Ele chama Deus o SENHOR louvado, não só para notificar que ele é digno de ser louvado, como quase todos os intérpretes o explicam, mas também para realçar que, quando ele se achegasse ao trono da graça, suas orações seriam misturadas com e entretecidas de louvores.

O escopo da passagem parece requerer que a mesma seja entendida no seguinte sentido: ao render graças a Deus pelos benefícios que dele recebera em tempos passados, ele pediria sua assistência com súplicas renovadas. E com certeza ninguém jamais invocará a Deus em oração, espontânea e francamente, a menos que se anime e se encoraja ante a lembrança da graça de Deus. Por isso Paulo, em Filipenses 4.6, exorta os fiéis: “Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças”, a deporem seus cuidados, por assim dizer, em seu seio. Todos quantos, cujas orações não são seguidas dos louvores de Deus, são culpados de bradar e se queixar contra ele, quando se engajam nesse solene exercício.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

“O SENHOR É A MINHA ROCHA”


“O SENHOR É A MINHA ROCHA”

“O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte” (Sl 18.2).

Davi, pois, ao amontoar tantos títulos pelos quais pudesse honrar a Deus, tal acúmulo de palavras não é nem inútil nem dispensável. Sabemos quão difícil é para os homens conservar suas mentes e corações firmados em Deus. Igualmente ponderam que não é suficiente tê-lo como seu Deus, e consequentemente estão sempre buscando apoio e socorro em outra parte; ou, ante a primeira tentação que os assalte, aquela confiança que puseram nele se desvanece. Davi, pois, atribuindo a Deus vários métodos de salvar seu povo, confessa que, visto ter Deus por seu protetor e defensor, ele se sente eficazmente fortificado contra todo e qualquer perigo e assalto; como se quisesse dizer: Aqueles a quem Deus tenciona socorrer e defender são não apenas salvos de um tipo de perigo, mas são, por assim dizer, cercados de todos os lados por trincheiras inexpugnáveis, de tal modo que, ainda que milhares de mortes se lhes interponham o caminho, não devem temer nem mesmo o seu mais formidável cortejo! Vemos, pois, que o propósito de Davi, aqui, não é apenas celebrar os louvores de Deus, em sinal de gratidão, mas também visava a fortificar nossas mentes com uma fé estável e imperturbável, de modo que, sejam quais forem as aflições que nos sobrevenham, podemos sempre contar com os recursos divinos e estar sempre persuadidos de que ele tem virtude e poder para assistir-nos de diferentes formas, segundo os diferentes métodos que os ímpios engendram para fazer-nos dano. Davi, como já observei, tampouco insiste demasiadamente sobre este ponto, nem expressa a mesma coisa em termos diferentes sem motivo. Deus pode socorrer-nos de alguma outra forma, e, no entanto, sempre que uma nova tempestade surge no horizonte, somos imediatamente assustados com terrores, como se jamais houvéssemos experimentado qualquer vestígio de seu auxílio. E aqueles que, envolvidos em alguma dificuldade, esperam proteção e socorro da parte dele, mas que, subsequentemente, restringem seu poder, considerando-o limitado em outros aspectos, agem como alguém que, para travar batalha, se considera tão seguro quanto o seu próprio coração, visto possuir um peitoral e um escudo para defendê-lo, e, no entanto, teme por sua própria cabeça, por estar sem o capacete. Davi, pois, aqui supre os fiéis com uma armadura completa, para que possam sentir que não correm nenhum risco de ser feridos, uma vez estejam protegidos pelo poder de Deus.

Que esse é o objetivo que ele tem em vista faz-se evidente à luz da declaração que ele faz de sua confiança em Deus: confiarei em ti. Portanto, aprendamos de seu exemplo a aplicar ao nosso próprio uso esses títulos que são aqui atribuídos a Deus, bem como a aplicá-los como um antídoto contra todas as perplexidades e angústias que porventura nos assaltem; ou, melhor, que eles sejam profundamente impressos em nossa memória, para que sejamos capazes de finalmente repelir para longe todo e qualquer temor que porventura Satanás insinue à nossa mente. Faço essa exortação, não só porque trememos ante as calamidades que porventura no momento nos assaltam, mas também porque infundadamente conjuramos em nossa própria mente as perigosas imaginações como algo do futuro, e assim, desnecessariamente, nos inquietamos com as meras criações quiméricas. No cântico, como registrado em 2 Samuel 22.3, em vez das palavras: Meu Deus, minha rocha, temos: Deus de minha rocha. E depois da palavra refúgio, temos: minha fortaleza, meu salvador, tu me preservarás da violência-, palavras que fazem a oração mais completa, o significado, porém, permanecendo o mesmo.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“EU TE AMO, Ó SENHOR, FORÇA MINHA”


“EU TE AMO, Ó SENHOR, FORÇA MINHA”

“Eu te amo, ó SENHOR, força minha. O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte” (Sl 18:1,2).

Observe que amar a Deus é aqui estabelecido como que constituindo a parte primordial da genuína piedade; pois não há melhor maneira de servir a Deus que amando-o. Não há dúvida de que o culto que lhe devemos prestar é melhor expresso pelo termo reverência, para que sua majestade se manifeste proeminentemente diante de nós em sua infinita grandeza. Visto, porém, que ele nada requer tão expressamente quanto possuir todas as afeições de nosso coração e que lhas expressemos, portanto não há sacrifício que ele valorize tanto que o de nos prendermos a ele pelos elos de um amor livre e espontâneo; e, em contrapartida, não há nada em que sua glória brilhe de maneira mais notável do que em sua livre e soberana benevolência. Moisés, portanto, quando quis apresentar um sumário da lei, disse: “Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR teu Deus requer de ti, senão que ... o ames?” [Dt 10.12]. Ao falar assim, Davi, ao mesmo tempo, pretendia mostrar que seus pensamentos e afeições não estavam tão atentamente fixos nos benefícios de Deus quanto em ser-lhe agradecido por ser o Autor deles, pecado este que se tornou tão comum em todos os tempos. Ainda hoje vemos como a maior parte da humanidade se deleita plenamente em desfrutar dos dons divinos sem demonstrar qualquer consideração por Deus mesmo; ou, se afinal pensam nele, é somente para menosprezá-lo. Davi, procurando poupar-se de cair em tal ingratidão, faz nessas palavras como que um juramento solene: SENHOR, já que és minha força, continuarei unido e devotado a ti pelos laços de um amor sincero.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

“OREI AO SENHOR, MEU DEUS”

  Rev. Juarez Marcondes Filho 

 “OREI AO SENHOR, MEU DEUS”

“Orei ao SENHOR, meu Deus, confessei e disse: ah! SENHOR! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos; temos pecado e cometido iniquidades, procedemos perversamente e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos; e não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, nossos príncipes e nossos pais, como também a todo o povo da terra. A ti, ó SENHOR, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha [...]. Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo e as suas súplicas e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o rosto, por amor do SENHOR. Inclina, ó Deus meu, os ouvidos e ouve; abre os olhos e olha para a nossa desolação e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias. Ó SENHOR, ouve; ó SENHOR, perdoa; ó SENHOR, atende-nos e age; não te retardes, por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome” (Dn 9:2-19).

Deus nos abençoe!

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https://www.youtube.com/watch?v=XW1PNTXHSqw

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

“AS PALAVRAS DO MEU BRAMIDO”


“AS PALAVRAS DO MEU BRAMIDO”

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?” (Sl 22.1).

Pela expressão: As palavras de meu bramido, o salmista notifica que enfrentava angústia e tormento em alto grau. Certamente que ele não era um homem de tão pouca coragem para, por conta de alguma aflição leve e ordinária, bramir assim, como se fosse uma fera bruta. Devemos, pois, concluir que sua angústia era tão profunda que podia arrancar um bramido tal de uma pessoa que era distinguida pela mansidão e pela coragem intrépida com que suportava as calamidades.

Visto que nosso Senhor Jesus Cristo, ao pender da cruz e ao prontificar-se a depositar sua alma nas mãos de Deus, seu Pai, fez uso dessas mesmas palavras [Mt 27.46], devemos ponderar como essas duas coisas podem concordar, ou seja, que Cristo era o unigénito Filho de Deus, e que, não obstante, se compenetrara de tal forma na tristeza, apoderado de tão profunda dor mental, que chegou a clamar que Deus, seu próprio Pai, o havia desamparado. A aparente contradição entre essas duas afirmações tem constrangido muitos intérpretes a dar curso às evasivas, levados pelo receio de acusar a Cristo de ser culpado nessa questão. Consequentemente, dizem que Cristo deu vazão a essa queixa, expressando antes a opinião popular que era testemunha de seus sofrimentos, do que algum sentimento que nutrisse de estar abandonado por seu Pai. Mas não têm levado em conta que, fazendo assim, estão empobrecendo consideravelmente o benefício de nossa redenção, imaginando que Cristo era totalmente isento dos terrores que o juízo de Deus causa nos pecadores. Temer fazer Cristo sujeito a tão grande sofrimento, para não diminuir sua glória, é de fato um temor infundado. Como Pedro, em Atos 2.24, claramente testifica que “não era possível fosse ele isentado das dores da morte”, segue-se que ele não era totalmente imune a elas. E visto que tornou-se nosso representante, e tomou sobre si nossos pecados, era certamente necessário que ele comparecesse perante o tribunal de Deus como pecador. Donde procede o terror e o espanto que o compeliram a orar pelo livramento da morte; não que lhe fosse tão terrível apartar-se meramente desta vida, mas porque surgia diante de seus olhos a maldição divina, à qual se expõem todos quantos são pecadores. Ora, se durante seu primeiro conflito “seu suor se converteu em grandes gotas de sangue”, de tal modo que careceu de anjo que o confortasse [Lc 22.43], não surpreende que, em seus sofrimentos finais na cruz, emitisse um lamento indicativo da mais profunda dor. De passagem, deve-se notar que Cristo, embora sujeito aos sentimentos e afetos humanos, jamais caiu em pecado movido pela fragilidade da carne; pois a perfeição de sua natureza o preservou de todo e qualquer excesso. Ele podia, portanto, vencer a todas as tentações com as quais Satanás o assaltava, sem receber qualquer ferimento no conflito que porventura viesse posteriormente compeli-lo a fraquejar. Em suma, não há dúvida de que Cristo, ao verbalizar essa exclamação na cruz, manifestamente demonstrou que, embora Davi, aqui, lamente suas angústias pessoais, este Salmo foi composto sob a influência do Espírito de profecia concernente ao Rei e Senhor de Davi.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“POR QUE ESTÁS AFASTADO DE ME AUXILIAR?”


“POR QUE ESTÁS AFASTADO DE ME AUXILIAR?”

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?” (Sl 22.1).

Não estou dizendo que Davi era um campeão tão corajoso e valente que sua fé não sofresse qualquer oscilação. Quanto mais os fiéis envidem esforços por subjugar seus sentimentos carnais, mais totalmente submissos e devotos se tornam a Deus. Mesmo assim haverá sempre resquícios de fraquezas prevalecendo neles. Disto procede o fato de o santo varão, Jacó, manquejar, segundo Moisés faz menção em Gênesis 32.24; pois embora houvesse prevalecido na luta contra Deus, não obstante conservou sempre a marca de seu pecaminoso defeito. Deus usa tais exemplos para encorajar seus servos à perseverança, para que, conscientes de sua própria deficiência, não sucumbam em desespero. Portanto, os meios que devemos adotar, sempre que nossa carne agitar-se tumultuosamente e, impelir-nos à impaciência, é reagindo-nos contra ela, tudo fazendo para restringir sua impetuosidade. Ao agirmos assim, é verdade, seremos agitados e dolorosamente provados, mas nossa fé, não obstante, continuará incólume e será poupada de naufrágio.

Além do mais, podemos deduzir da própria forma da queixa que Davi aqui apresenta, que não é sem motivo que ele reitera as palavras pelas quais sua fé fosse sustentada. Ele não diz simplesmente que fora desamparado por Deus, mas adiciona que Deus estava longe de seu auxílio, visto que, quando o viu a enfrentar os maiores perigos, não lhe deu qualquer sinal de o encorajar com a esperança de obter livramento. Visto que Deus tem toda condição de socorrer-nos, ao ver-nos expostos como presas de nossos inimigos, não obstante continua agindo como se não se importasse conosco, quem não diria que ele encolheu sua mão para não libertar-nos?

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME DESAMPARASTE?” - parte 2


“DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME DESAMPARASTE?” - parte 2

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?” (Sl 22.1).

Vimos, pois, a fonte da qual procedeu esta exclamação: Deus meu! Deus meu!, e da qual também procedeu a queixa que se segue imediatamente: Por que me desamparaste? Enquanto a veemência da tristeza e a enfermidade da carne arrancavam do salmista estas palavras: Estou desamparado de Deu?, a fé, para que ele, ao ser tão severamente provado, não mergulhasse em desespero, põe em seus lábios a correção dessa linguagem, para que ousadamente invocasse a Deus, como seu Deus, de quem cria estar desamparado. Sim, descobrimos que ele tem dado à fé a preeminência. Antes de se permitir expressar sua queixa, a fim de dar à fé a prioridade, ele antes declara que ainda clamava a Deus como seu Deus pessoal e recorria a ele como seu refúgio. E visto que os afetos da carne, uma vez dando vazão ao seu impulso, não são facilmente reprimidos, ao contrário nos impelem para além dos limites da razão, por isso é aconselhável que os reprimamos desde o começo. Davi, pois, observou a melhor ordem possível ao dar à fé a precedência — expressando-a antes de dar vazão à sua dor, e modificando, por meio de uma devota oração, a queixa que mais adiante faz com respeito à ampla extensão de suas calamidades. Houvera ele expresso simples e precisamente nesses termos: SENHOR, por que me desamparaste?, e pareceria, através de uma queixa tão amarga, ter murmurado contra Deus; e, além disso, sua mente correria um imenso risco de exasperar-se em razão do descontentamento movido pela intensidade de sua tristeza. Mas ao erguer contra a murmuração e o descontentamento a trincheira da fé, ele mantém todos os seus pensamentos e sentimentos reprimidos, a fim de que não ultrapassassem os devidos limites. Tampouco é supérflua a dupla reiteração ao chamar Deus de Deus meu; e, logo depois, ele ainda repete as mesmas palavras pela terceira vez. Quando parecer que Deus lançou de si toda preocupação por nossa segurança, ignorando nossas misérias e gemidos como se não os percebesse, o conflito com essa espécie de tentação é árduo e penoso; por isso Davi se esforça o máximo que pode em buscar a confirmação de sua fé. A fé não logra vitória logo no primeiro encontro, mas depois de ser alvo de muitos dardos; e depois de ser exercitada com muitas sacudidelas, ela por fim se sai vitoriosa.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME DESAMPARASTE?”


“DEUS MEU, DEUS MEU, POR QUE ME DESAMPARASTE?”

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás afastado de me auxiliar, e das palavras do meu bramido?” (Sl 22.1)

O primeiro versículo contém duas notáveis expressões que, embora aparentemente contrárias uma à outra, no entanto vão sucessivamente penetrando cada vez mais o coração dos santos. Quando o salmista afirma sentir-se abandonado e destituído da presença de Deus, esta aparenta ser a queixa de um homem em profundo desespero. Pois é possível que permaneça em alguém pelo menos uma única fagulha de fé, quando crê que não há em Deus socorro algum para ele? E, no entanto, ao chamar a Deus, por duas vezes, de Deus meu, e ao depositar no seio divino seus gemidos, ele faz uma confissão mui distinta de sua fé. Com esse conflito íntimo, o crente piedoso necessariamente será exercitado toda vez que Deus retraia dele os emblemas de seu favor; de modo que, em toda e qualquer direção que volva seus olhos, nada vê senão a densa escuridão da noite. Digo que o povo de Deus, ao contender consigo mesmo, por um lado descobre as debilidades da carne, e por outro demonstra evidência de sua fé. Com respeito aos réprobos, visto que nutrem em seus corações desconfiança para com Deus, sua perplexidade mental os abate, e assim os incapacita a aspirarem a graça de Deus pela fé. Que Davi resistia os assaltos da tentação, sem se deixar esmagar, ou sem se deixar tragar por ela, pode facilmente deduzir-se de suas palavras. Ele fora profundamente oprimido pela dor; não obstante isso, prorrompe em linguagem de certeza: Deus meu! Deus meu! - o que não poderia ter feito sem resistir vigorosamente a apreensão contrária de que Deus o abandonara. Não existe um sequer dentre todos os santos que não experimente em seu ser, um dia ou outro, a mesma coisa. Segundo os juízos da carne, Davi imaginava que havia sido ignorado e abandonado por Deus, enquanto que, pela fé, apreende a graça de Deus, a qual se acha oculta aos olhos dos sentidos e da razão. E assim sucede que as afeições contrárias são misturadas e entrelaçadas com as orações dos fiéis. Os sentidos e a razão carnais não podem fazer outra coisa senão formar de Deus a concepção de ser ele ou favorável ou hostil, segundo as atuais condições dos fatos como se lhes apresentam. Quando, pois, ele nos mantém sofrendo por muito tempo, como se quisesse nos consumir de desgosto, inevitavelmente iremos sentir, segundo a sensação da carne, como se ele tivesse nos esquecido completamente. Quando tal sensação de perplexidade toma total posse da mente de uma pessoa, ela é mergulhada em profunda descrença, e não mais busca e de forma alguma espera encontrar o remédio. Se a fé, porém, lhe vem em seu socorro, reprimindo uma tentação de tal natureza, a mesma pessoa que, julgando segundo a aparência externa dos fatos, considerava Deus como que enraivecido contra ela, ou como que a tendo abandonado, mira no espelho da promessa a graça de Deus que se acha oculta e distante. Entre essas duas emoções contrárias, os fiéis são agitados e, por assim dizer, se veem flutuantes quando Satanás, de um lado, pondo diante de seus olhos os sinais da ira divina, os impele ao desespero, e tudo faz para destroçar completamente sua fé; enquanto que a fé, por outro lado, trazendo-lhes à lembrança as promessas [divinas], os ensina a esperar pacientemente e a confiar em Deus, até que uma vez mais ele lhes revele seu semblante paternal.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

“NÃO MENOSPREZOU NEM REPUDIOU”


“NÃO MENOSPREZOU NEM REPUDIOU”

“Pois não menosprezou nem repudiou o sofrimento do aflito; não escondeu dele o rosto, mas ouviu o seu grito de socorro” (Sl 22:24).

Regozijar-se pelo bem uns dos outros, e render graças pela comum felicidade uns dos outros, é uma parte daquela comunhão que deve existir entre o povo de Deus, como o apóstolo Paulo também ensina: “Ajudando-nos também vós, com as vossas orações a nosso favor, para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito, pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos” [2Co 1.11]. Mas essa afirmação do salmista Davi serve a outro importante propósito - serve para encorajar a cada pessoa a esperar que Deus exerça a mesma mercê para com ela. De passagem, somos ensinados à luz dessas palavras que o povo de Deus deve suportar com paciência suas aflições, enquanto for do agrado do Senhor conservá-lo num estado de angústia, para que, por fim, o socorra e lhe conceda seu auxílio, quando for severamente provado.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“VÓS, QUE TEMEIS O SENHOR”


“VÓS, QUE TEMEIS O SENHOR”

“Declararei teu nome a meus irmãos; no meio da assembleia te louvarei: Vós, que temeis o SENHOR, louvai-o; todos vós, descendência de Jacó, glorificai-o; e temei-o, todos vós, descendência de Israel” (Sl 22:22,23).

Aqui, uma vez mais, o salmista expressa mais distintamente o fruto das públicas e solenes ações de graças, do qual fala antes, declarando que, ao engajar-se nesse exercício, cada pessoa, em seu próprio lugar, convida e incita a igreja, mediante seu exemplo, a louvar a Deus. Ele nos diz que o propósito com o qual louvará o nome de Deus na assembleia pública é para reanimar a seus irmãos a fazer o mesmo. Mas como os hipócritas comumente se infiltram na igreja, e visto que, no celeiro do Senhor, a palha se mistura com o trigo, ele se dirige expressamente aos santos e aos que temem a Deus. Os impuros e maus podem cantar os louvores de Deus com sua boca aberta, mas com toda certeza não fazem outra coisa senão poluir e profanar seu santo nome. Aliás, deveria ser um objetivo muito desejável que os homens de todas as condições no mundo, de comum acordo, unir-se em santa melodia ao Senhor. Visto, porém, que a principal e essencial parte dessa harmonia procede de uma afeição sincera e pura de coração, ninguém jamais, de uma forma correta, celebrará a glória de Deus, exceto aquele que o adorar sob a influência de santo temor. Davi, um pouco depois, designa a semente de Jacó e de Israel como uma referência à vocação comum do povo; e certamente ele não põe nenhum obstáculo no caminho para prejudicar mesmo os filhos de Abraão de louvarem a Deus de comum acordo. Mas como percebeu que muitos dos israelitas eram bastardos e degenerados, ele distingue os verdadeiros e sinceros israelitas daqueles; e ao mesmo tempo mostra que o nome de Deus não é devidamente celebrado, senão onde há verdadeira piedade e temor íntimo de Deus.

Temei-o, todos vós, descendência de Israel, diz o salmista; pois toda boa aparência com que os hipócritas se revestem neste assunto não passa de pura zombaria. O temor que ele recomenda não é, contudo, aquele que levaria os fiéis a fugirem da presença de Deus, mas aquele que os introduzirá humildemente em seu santuário, como se acha declarado no Salmo 15. Alguns poderão sentir-se surpresos de encontrar Davi endereçando uma exortação em prol do louvor de Deus, àqueles a quem havia previamente recomendado a agirem assim. Mas isso é facilmente explicável, pois mesmo os mais santos dentre os homens no mundo nunca são tão plenamente imbuídos do temor de Deus que não tenham mais necessidade de continuamente incitar- se ao seu exercício. Consequentemente, a exortação não é de forma alguma supérflua quando, falando daqueles que temem a Deus, ele os exorta a reverenciarem-no e a prostrarem-se humildemente diante dele.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

“VEDES QUE O DIA SE APROXIMA”


VEDES QUE O DIA SE APROXIMA

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.25).

Tanto mais quanto vedes que o Dia se aproximaHá quem pense que esta cláusula está paralela àquela de Paulo: “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” [Rm 13.11]. Creio, ao contrário, que a referência, aqui, é à vinda final de Cristo, a cuja expectação devemos despertar-nos com mais urgência para a contemplação de uma vida santa, bem como nos esforçarmos, criteriosa e zelosamente, por manter a Igreja unida e reunida. Qual é o propósito da vinda de Cristo senão reunir em um só corpo os dispersos que ainda se encontram errantes? Portanto, quanto mais próxima é sua vinda, mais devemos redobrar nossos esforços para que os dispersos sejam reunidos e estejam unidos, a fim de que chegue o tempo quando seremos um só rebanho e teremos um só Pastor [Jo 10.16].

Se porventura alguém perguntar como o apóstolo poderia afirmar que aqueles que ainda se encontravam longe da revelação [ou volta] de Cristo viram o dia próximo e quase ao seu alcance, minha resposta é que a Igreja se encontrava tão bem constituída desde o início do reino de Cristo, que os fiéis pensavam na vida do Juiz como algo iminente. Não eram enganados por uma falsa imaginação, sentindo-se preparados para receberem a Cristo a qualquer momento, pois a condição da Igreja, desde o tempo da promulgação do evangelho, era tal que todo aquele período foi legítima e apropriadamente chamado de os últimos dias. Aqueles que se se encontravam mortos desde muitas gerações viveram os últimos dias não menos que nós. Os ardilosos e sarcásticos, para quem se afigura ridículo o fato de termos alguma fé na ressurreição da carne e no juízo final, riem de nossa simplicidade diante de tais questões. Mas para que nossa fé não trema diante de seus motejos, o Espírito Santo nos ensina [2Pe 3.8] “que para o Senhor mil anos é como um dia, e um dia como mil anos”. De modo que, toda vez que pensarmos sobre a eternidade do reino celestial, nenhum perídio de tempo deverá parecer-nos longo. Além do mais, já que Cristo, depois de haver completado toda a obra da nossa salvação, subiu ao céu, é justo e próprio que esperemos continuamente sua segunda revelação [ou vinda], e pensemos de cada dia como se ele fosse o último.

João Calvino (1509-1564).

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“É COSTUME DE ALGUNS”


“É COSTUME DE ALGUNS”

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.25).

Ao dizer, não deixemos de congregar-nos, a seguir o apóstolo acrescenta: como é costume de alguns. É fácil deduzir-se dessa cláusula que os primeiros sintomas de todo cisma são oriundos do orgulho quando menosprezamos os outros e nos agradamos além do que temos direito. Quando ouvimos que mesmo nos tempos dos apóstolos haviam homens incrédulos que abandonavam a Igreja, devemos sentir-nos menos abalados e perturbados diante de semelhantes exemplos de deserção tão comuns hoje. Naturalmente que não podemos considerar o fato de pessoas que haviam apresentado algum sinal de santidade e haviam demonstrado alguma fé como a nossa, e apostataram do Deus vivo. Como, porém, isso não tem nada de novo, não devemos, como já disse, sentir-nos demasiadamente perturbados. O apóstolo inseriu essa cláusula para mostrar que não estava falando sem motivo, mas que tinha o propósito de aplicar o necessário antídoto à enfermidade que ora ganhava terreno.

Antes façamos admoestações. Isso significa que todos os crentes devem, por todos os meios possíveis, esforçar-se em congregar a Igreja, em toda parte. É sob essa condição que somos chamados pelo Senhor, para que todos procurem trazer outros, esforçando-se por guiar os transviados de volta ao caminho, estendendo a mão aos caídos, bem como ganhando também os de fora. Se temos de nos esforçar tanto em favor daqueles que ainda são estranhos ao rebanho de Cristo, quanto mais solicitude se exige de nós no sentido de animarmos os irmãos a quem Deus já uniu a nós.

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

PLAYLIST - LOUVOR & ADORAÇÃO

PLAYLIST - LOUVOR & ADORAÇÃO

“Bendirei o SENHOR em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Gloriar-se-á no SENHOR a minha alma; os humildes o ouvirão e se alegrarão” (Sl 34:1,2).

Deus nos abençoe!

LOUVOR: SOMENTE EM DEUS

LOUVOR: SOMENTE EM DEUS

“Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa; dele vem a minha salvação. Só ele é a minha rocha, e a minha salvação, e o meu alto refúgio; não serei muito abalado” (Sl 62:1,2).

Salmo 62:1,2,5,6,8

Deus nos abençoe!


LOUVOR: ESCUTA, SENHOR

LOUVOR: ESCUTA, SENHOR

“Escuta, SENHOR, a minha oração e atende à voz das minhas súplicas” (Sl 86:6).

Salmo 86:6,7,11,12

Deus nos abençoe!

LOUVOR: PERTO ESTÁ O SENHOR

LOUVOR: PERTO ESTÁ O SENHOR

“Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido” (Sl 34:18).


Salmo 34:11,14,15,18,22

Deus nos abençoe!


LOUVOR: OS OLHOS DO SENHOR

LOUVOR: OS OLHOS DE SENHOR

“Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia” (Sl 33:18).


Salmo 33:18-22

Deus nos abençoe!

LOUVOR: SARA-ME, SENHOR

LOUVOR: SARA-ME, SENHOR

“SENHOR, não me repreendas na tua ira, nem me castigues no teu furor. Tem compaixão de mim, SENHOR, porque eu me sinto debilitado; sara-me, SENHOR, porque os meus ossos estão abalados” (Sl 6:1,2).


Salmo 6:1-4

Deus nos abençoe!


“NÃO DEIXEMOS DE CONGREGAR-NOS”


“NÃO DEIXEMOS DE CONGREGAR-NOS”

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.25).

O apóstolo reforça sua exposição com o que se segue imediatamente, dizendo: Não deixemos de congregar-nos. Isso significa uma adição, portanto, equivale a uma congregação que cresce através de novas adições. Ao derrubar a barreira [Ef 2.14], Deus adicionou a seus filhos aqueles que haviam sido estranhos à Igreja. E assim, os gentios passaram a ser uma nova e inusitada adição à Igreja. Os judeus tomavam tal coisa como um insulto a eles dirigido, e por isso muitos se separavam da Igreja, imaginando que tal coisa os munia de um pretexto justo para que fugissem de tal mescla. Não é coisa fácil persuadi-los a cederem seus direitos. Criam que o direito de adoção era particular e exclusivamente deles. O apóstolo, pois, os admoesta a não permitirem que essa igualdade os incitasse a abandonarem a Igreja; e para que não concluíssem que os exortava em vão, lembra-os de que tal atitude era comum a muitos.

Podemos agora apreender o propósito do apóstolo e a necessidade que o impelia a elaborar tal exortação, e ao mesmo tempo propicia-se-nos inferir daqui uma doutrina geral. Eis aqui uma enfermidade que assola toda a raça humana, ou seja: todos preferem a si próprios em detrimento de outros, especialmente os que parecem excedê-los em algum aspecto, e de alguma forma não permitem facilmente que seus inferiores lhes sejam iguais. Há tanta intolerância em quase todos esses indivíduos que, estando em seu poder, de bom grado fariam para si suas próprias igrejas, porquanto se torna difícil acomodarem-se aos modos das demais pessoas. Os ricos invejam uns aos outros, e raramente se encontra um entre cem que acredite que os pobres são dignos de ser chamados e incluídos entre seus irmãos. A menos que haja similaridade em nossos hábitos, ou alguns atrativos pessoais, ou vantagens que nos unam, será muitíssimo difícil manter uma perene comunhão entre nós. Essa advertência, pois, se torna mais que necessária a todos nós, a fim de sermos encorajados a amar, antes que odiar, e não nos separarmos daqueles a quem Deus uniu. Torna-se-nos urgente que abracemos com fraternal benevolência àqueles que são ligados por uma fé comum. É indubitável que a nós compete cultivar a unidade da forma a mais séria, porque Satanás está bem alerta, seja para arrebatar-nos da Igreja ou desacostumar-nos dela de maneira furtiva. Essa unidade será um fato, caso ninguém procure agradar a si próprio mais do que lhe é direito; ao contrário disso, se todos tivermos um só e o mesmo alvo, a saber: estimularmo-nos uns aos outros ao amor, não permitiremos que a emulação floresça, exceto no campo das boas obras. Certamente que o menosprezo direcionado a alguns irmãos, a intolerância, a inveja, a supervalorização de nós mesmos, bem como outros impulsos nocivos, claramente demonstram, ou que o nosso amor é gélido ou que realmente não existe.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

“CONSIDEREMO-NOS TAMBÉM UNS AOS OUTROS”


“CONSIDEREMO-NOS TAMBÉM UNS AOS OUTROS”

“Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hb 10.24).

Estou plenamente certo de que essa exortação é dirigida particularmente aos judeus. A extensão do orgulho daquele povo é notória. Uma vez que eram filhos de Abraão, vangloriavam-se de que, mediante a exclusão de todos os demais, foram os únicos escolhidos pelo Senhor para participarem do pacto da vida eterna. Sentiam-se demasiadamente ensoberbecidos por esse privilégio, e assim desprezavam todos os demais povos, tendo-se habituado a incluir somente a si mesmos na igreja de Deus. Arrogavam só para si, com a mais intensa soberba, o título de Igreja. Foi as duras penas que o apóstolo tentou corrigir esse orgulho, e, em minha opinião, é precisamente o que ele está tentando fazer agora, visando a que os judeus não se indispusessem com a presença dos gentios, os quais se achavam unidos a eles no mesmo corpo da Igreja.

Antes de tudo, diz ele: Consideremo-nos uns aos outros, porquanto Deus estava, então, reunindo a Igreja, composta de gentios e judeus, havendo sempre entre eles acirrada divisão, de tal forma que essa união era como a mistura de fogo e água. Diante de tal fato os judeus recuavam, porquanto entendiam que lhes seria humilhante colocar-se em pé de igualdade com os gentios. Em contraste com esse ânimo de vergonhosa emulação que os aguilhoava, o apóstolo sugere outra contraposição, a saber: o amor. Para que os judeus não fossem dominados pela inveja e conduzidos à contenda, ele os estimula ao exercício do amor recíproco.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

“QUEM FEZ A PROMESSA É FIEL”


“QUEM FEZ A PROMESSA É FIEL”

“Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” (HB 10.23).

Visto que o autor da carta está aqui a induzir os judeus à perseverança, ele fala de esperança, em vez de falar da fé. Assim como a esperança é filha da fé, ela é também nutrida e sustentada pela fé até ao fim. Além do mais, ela demanda confissão, visto que não há genuína fé a menos que demonstremos diante dos homens. O apóstolo parece estar tocando indiretamente na pretensão daqueles que se mantinham com demasiado escrúpulos em relação aos ritos da lei com o intuito de agradar os de sua própria nação. Portanto os convida não só a crerem com seus corações, mas também a demonstrarem, mediante sua confissão, o quanto era real sua obediência a Cristo.

Devemos atentar cuidadosamente para a cláusula que vem a seguir, a saber: que fiel é aquele que fez a promessa. O apóstolo nos diz antes de tudo que a nossa fé repousa no fundamento de que Deus é verdadeiro. Além do mais, esta verdade se acha contida em sua promessa, porquanto a voz divina tem que soar para que possamos crer. Não é qualquer gênero de voz que é capaz de produzir fé, senão a que repousa sobre uma única promessa. Desta passagem, pois podemos deduzir a relação mútua entre a fé dos homens e a promessa de Deus. Se Deus não prometer, ninguém poderá crer.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

domingo, 18 de janeiro de 2026

LOUVOR: A ALEGRIA DA SALVAÇÃO

Música: A Alegria da Salvação
Letra: José Rodrigues Filho
Arranjo: Madson Oliveira / IA

Ao ouvirmos a voz de Deus, aceitamos que não somos o que deveríamos ser.
É Deus nos chamando da morte para a vida, das trevas para a luz.
Esse é o caminho para a vida que glorifica a Deus.
Nesse tempo de tristeza e consciência do nosso estado vil, outro sentimento surge: a alegria da salvação.

Deus nos abençoe!

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.

LOUVOR: NOVA CRIATURA SOU

Música: Nova Criatura Sou
Letra: José Rodrigues Filho / Jerônimo Filho
Arranjo: Madson Oliveira / IA

Encontrei a razão de viver
Hoje há luz no meu coração
Óh, eu sei que em mim reina Jesus
Pão da Vida e Caminho da Salvação.

Conheci-O, senti sua paz
Seu amor me atraiu
Ele deu-me também novo espírito
E os caminhos da vida me abriu.

Já não vivo, Jesus vive em mim
Meus pecados, sim! Purificou
Coisas velhas de outrora esqueci
Tudo é novo e nova criatura sou.

O que fui, o que fiz sem saber
Prometeu-me jamais relembrar
Sua graça certeza me garantiu
Que no céu vamos juntos morar.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

“BEM-AVENTURADOS”


“BEM-AVENTURADOS”

“Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós” (Mt 5.11).

“Bem-aventurados os humildes de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fone e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os perseguidos por causa da justiça e os injuriados”. Estas são pedras fundamentais lançadas por nosso Senhor Jesus, logo no começo do Sermão do Monte (Mt 5.3-12).

Aprendamos quão inteiramente contrários aos princípios deste mundo são os princípios ensinados por Cristo Jesus. É inútil tentar negar esse fato. São princípios diametralmente opostos entre si. O mundo menospreza as próprias virtudes que o nosso Senhor Jesus exaltou. Orgulho, falta de consideração, espírito de exaltação, mundanismo, formalismo, egoísmo, e falta de amor, que proliferam por neste mundo por toda parte, são coisas que o nosso Senhor Jesus condenou.

Aprendamos, da mesma forma, quão tristemente diferentes da vida prática de muitos professos cristãos são os ensinos de Jesus Cristo. Onde encontraremos frequentadores de igrejas locais, homens e mulheres que se esforçam por viver segundo os padrões acerca dos quais o nosso Senhor Jesus ensinou? Infelizmente, há muitas razões para temer que um grande número de pessoas batizadas menosprezam o que está registrado no Sermão do Monte.

Aprendamos quão santos e espirituais todos os crentes deveriam ser. Jamais deveriam ter como alvo qualquer padrão inferior ao ensinado por nosso Senhor Jesus. O cristianismo é eminentemente uma religião prática. A sã doutrina é a sua raiz e fundamento, mas o seu fluxo deveria sempre ser uma vida santa. E, se quisermos saber o que é uma vida santa, consideremos então, com frequência, quem são aqueles a quem Jesus chamou de “Bem-aventurados”.

Deus nos abençoe!

John Charles Ryle (1816-1900).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

“TODOS QUANTOS QUEREM VIVER PIEDOSAMENTE”


TODOS QUANTOS QUEREM VIVER PIEDOSAMENTE

“Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3.12).

A lembrança de suas próprias perseguições leva o apóstolo Paulo a acrescentar que tudo quanto lhe acontecera também se dará com todas as pessoas piedosas. Ele acrescenta isso para que os crentes se predispusessem a aceitar tal situação, e em parte para que as pessoas bondosas não se afastassem dele movidas pela dúvida em virtude de suas perseguições, as quais recebiam das mãos dos ímpios, pois às vezes sucede que acontecimentos adversos suscitam críticas adversas. Se porventura alguém cai no desfavor humano, imediatamente corre o rumor de que o mesmo é odiado por Deus. Com esta afirmação geral, Paulo declara que ele é um entre os filhos de Deus, e ao mesmo tempo adverte seus irmãos a suportarem as perseguições. Pois se essa condição é estabelecida “para todos quantos querem viver piedosamente em Cristo”, segue-se que aqueles que desejam evitar perseguições devem renunciar a Cristo. Como será em vão tentar separar Cristo de sua cruz, assim é plenamente natural que o mundo odeie a Cristo, mesmo em seus membros. E já que a crueldade acompanha o ódio, daí surgem as perseguições. É essencial que reconheçamos o fato de que, se somos cristãos, devemos nos preparar para muitas tribulações e lutas de diferentes tipos.

Mas pode-se perguntar se todos devem, então, ser mártires. É evidente que têm havido muitas pessoas que jamais sofreram desterro, nem prisão, nem qualquer outro gênero de perseguição. Nossa resposta é que Satanás possui mais de um método de perseguir os servos de Cristo. Mas é absolutamente necessário que todos eles suportem a hostilidade do mundo, de um modo ou de outro, a fim de que sua fé se exercite e sua perseverança se comprove. Satanás, que é o perpétuo inimigo de Cristo, jamais deixará que alguém viva sua vida sem algum distúrbio, e haverá sempre pessoas perversas a nos perseguir. De fato, tão pronto um crente mostre sinais de zelo por Deus, a ira de todos os ímpios se acende e, mesmo que não tenham suas armas em punho, arrojam seu veneno, ou criticando, ou caluniando, ou provocando perturbação de um ou de outro modo. Portanto, ainda que não sofram os mesmos ataques e não se envolvam nas mesmas batalhas, os que querem viver piedosamente em Cristo têm uma só guerra em comum e jamais viverão totalmente em paz nem isentos de perseguições.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.