"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 2 de agosto de 2016

Orai sem Cessar. Em tudo, dai Graças!

Orai sem Cessar. Em tudo, dai Graças!
"Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (1Tes 5.16-18).

Sem sombra de dúvida, se consideramos o que Cristo nos concedeu, não haverá amargura de tristeza tão intensa que não possa ser aliviada, e dê lugar à alegria espiritual. Pois, se esta alegria não reina em nós, o reino de Deus é ao mesmo tempo banido de nós, ou nós dele. E muito ingrato a Deus é o homem que não dê um valor tão elevado à justiça de Cristo e à esperança da vida eterna, regozijando-se em meio à tristeza. Como, porém, nossas mentes são facilmente abatidas, até que deem lugar à impaciência, devemos observar o remédio que o apóstolo Paulo prescreve logo após. Pois, ao sermos derribados e abatidos, somos novamente levantados pelas orações, porque colocamos sobre Deus o que nos sobrecarregava. Como, porém, a cada dia, sim, a cada instante, há muitas coisas que podem perturbar a nossa paz, e frustrar a nossa alegria, por esta causa ele nos manda orar sem cessar. Ação de graças é acrescentada como um freio, uma limitação. Pois muitos oram de tal modo que ao mesmo tempo murmuram contra Deus, e se queixam de que Ele não gratifique imediatamente seus desejos. Mas, pelo contrário, é conveniente que nossos desejos sejam refreados de tal modo que, contentes com o que nos é dado, sempre misturemos ações de graças aos nossos desejos. É verdade que podemos licitamente pedir, sim, suspirar e lamentar, mas isto deve ser de tal modo que a vontade de Deus seja mais aceitável a nós do que a nossa própria. Pois esta é a vontade de Deus, ou seja, de acordo com a opinião de Crisóstomo, que demos graças. Quanto a mim, sou da opinião de que um sentido mais amplo está incluso sob estes termos – que Deus possui tal disposição para conosco em Cristo que mesmo em nossas aflições temos grande oportunidade de dar graças. Pois, o que é mais justo e mais apropriado para nos apaziguar, senão quando sabemos que Deus nos abraça em Cristo tão ternamente, que Ele torna em nosso benefício e felicidade todas as coisas que nos ocorrem? Portanto, tenhamos em mente que este é um remédio especial para corrigir a nossa impaciência – desviar nossos olhos de contemplar os males presentes que nos atormentam, e direcionar nossa vista a uma consideração de natureza diferente: como Deus permanece favorável a nós em Cristo. Medita nestas coisas!

ITessalonicenses, comentários de João Calvino.

Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR
(41) 3023-5896

Regozijai-vos Sempre!

Regozijai-vos Sempre!
"Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (1Tes 5.16-18).

"Regozijai-vos sempre". Refiro isto à moderação de espírito, quando a mente se mantém calma sob a adversidade, e não dá lugar à tristeza. Concordemente, relaciono estas três coisas entre si: regozijar-se sempre, orar sem cessar e em tudo dar graças. Pois, quando recomenda a oração constante, ele aponta o meio de se regozijar perpetuamente, porque através deste meio pedimos a Deus alívio em relação a todas as nossas aflições. De modo semelhante, em Filipenses 4:4, tendo dito: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos. Seja a vossa moderação notória a todos. Não estejais inquietos por coisa alguma. Perto está o Senhor”, ele indica a seguir o meio para isto: “antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, com ação de graças”. Nessa passagem, como sabemos, o apóstolo Paulo apresenta como fonte de alegria uma mente calma e serena, que não é excessivamente perturbada por injúrias ou adversidades. Mas, para que não sejamos abatidos pela aflição, tristeza, ansiedade e temor, ele nos manda descansarmos na providência de Deus. E, como frequentemente se introduzem dúvidas quanto a se Deus cuida de nós, também prescreve o remédio – que, pela oração, descarreguemos nossas ansiedades como que em seu seio, como Davi nos recomenda a fazer: “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37:5); “Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Sl 55:22); e Pedro também, conforme o seu exemplo: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5:7). Como, porém, somos excessivamente precipitados em nossos desejos, ele impõe um freio sobre eles – que, embora desejemos aquilo de que precisamos, ao mesmo tempo não deixemos de dar graças. Ele observa, aqui, praticamente a mesma ordem, embora em menos palavras. Pois, antes de tudo, queria que tivéssemos os benefícios de Deus em tanta estima que o reconhecimento deles e a meditação sobre eles superassem toda a tristeza. E, sem sombra de dúvida, se consideramos o que Cristo nos concedeu, não haverá amargura de tristeza tão intensa que não possa ser aliviada, e dê lugar à alegria espiritual. Pois, se esta alegria não reina em nós, o reino de Deus é ao mesmo tempo banido de nós, ou nós dele. E muito ingrato a Deus é o homem que não dê um valor tão elevado à justiça de Cristo e à esperança da vida eterna, regozijando-se em meio à tristeza. Medita nestas coisas!

ITessalonicenses, comentários de João Calvino.

Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR
(41) 3023-5896
Pastor Efetivo: Rev. Luiz Eduardo Pugsley Ferreira
Pastor Auxiliar: Rev. José Rodrigues de Oliveira Filho

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Esperança de Ressurreição

Esperança de Ressurreição
“Não queremos, porém, irmãos que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança” (1Tes 4.13).

A esperança de ressurreição nos traz conforto. Não devemos lamentar os mortos além dos limites adequados, porquanto todos nós devemos ressuscitar. Por que razão o choro dos incrédulos não tem fim nem medida, senão porque eles não têm esperança de uma ressurreição? Portanto, convém que nós, que fomos instruídos quanto a uma ressurreição, lamentemos de modo diferente, com moderação. Em seguida o apóstolo Paulo discursa quanto à maneira da ressurreição; e por esta causa também diz algo quanto aos tempos; mas, nesta passagem, ele pretendia simplesmente refrear a tristeza excessiva, a qual nunca teria tido tanta influência entre os tessalonicenses, se tivessem considerado seriamente a ressurreição, e a conservado na recordação. Contudo, ele não nos proíbe de nos lamentarmos absolutamente, mas exige moderação em nosso pranto, pois diz: “para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança”. Ele os proíbe de se entristecerem como os incrédulos, que dão rédeas soltas à sua tristeza, porque contemplam a morte como destruição final, e imaginam que tudo o que é tirado do mundo se acaba. Como, por outro lado, os fiéis sabem que deixam o mundo para que possam ser por fim reunidos no reino de Deus, eles não têm a mesma causa de tristeza. Por isso, o conhecimento da ressurreição é o meio de moderar a tristeza. Ele fala acerca dos mortos como os que dormem, segundo a prática comum da Escritura – um termo pelo qual a amargura da morte é mitigada, pois há grande diferença entre sono e destruição. Porém, isto se refere, não à alma, mas ao corpo, pois o corpo morto jaz na tumba, como em uma cama, até que Deus ressuscite o homem. Portanto, fazem papel de tolos aqueles que inferem a partir disto que as almas dormem. Agora estamos em posse do sentido de Paulo – que ele estimula as mentes dos fiéis à consideração da ressurreição, para que não indultem excessiva tristeza por ocasião da morte de seus parentes; pois era inconveniente que não houvesse distinção entre eles e os incrédulos, que não põem fim nem medida à sua tristeza por esta razão – que na morte eles não reconhecem nada além de destruição. “Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem” (1Tes 4.13,14). Medita nestas coisas!

ITessalonicenses, comentários de João Calvino.

Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR
(41) 3023-5896

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Homens Ambiciosos

Homens Ambiciosos
“Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1.10).

Neste texto o apóstolo Paulo está falando, não do tema de sua pregação, mas do propósito de sua própria mente, o qual se preocupa com Deus antes que com os homens. O ensino também, é verdade, corresponde à disposição do mestre. Pois quando a corrupção da doutrina é um produto da ambição, da avareza ou de outros desejos depravados, então uma consciência honesta motiva a conservação da verdade pura. E assim o apóstolo afirma que sua doutrina é integra, uma vez que ela não se acomoda a homens. Homens ambiciosos, ou seja, aqueles que granjeiam o favor humano, não podem servir a Cristo. Paulo se dirige a si mesmo, em particular, quando diz que espontaneamente renunciara o favor dos homens a fim de permanecer firme ao lado de Cristo; e compara o estado anterior de sua vida com o presente. Paulo era tido na mais elevada estima, por toda parte recebia grandes aplausos. E por isso, caso quisesse agradar aos homens, não teria necessidade de mudar seu estado. Daqui podemos deduzir o ensino geral: aqueles que determinam servir a Cristo fielmente devem ousadamente desprezar o favor dos homens. A palavra homens, aqui, tem um sentido restrito. Porque os ministros de Cristo não devem se expor deliberadamente buscando ofender os homens. Mas há diferentes classes de homens. Aqueles a quem Cristo está agradando são homens a quem devemos envidar todo esforço para agradar em Cristo. Ao passo que, os que querem que a verdadeira doutrina ceda lugar aos seus propósitos pessoais, a esses em hipótese alguma devemos agradar. E os pastores piedosos e íntegros terão sempre que manter essa luta de desconsiderar as ofensas daqueles que querem desfrutar de vantagem em tudo. Pois a Igreja terá sempre em seu seio pessoas hipócritas e perversas, as quais preferem suas próprias cobiças à Palavra de Deus. E mesmo as pessoas boas, quer por alguma ignorância quer por alguma fraqueza, são às vezes tentadas pelo diabo a ficar iradas com as fiéis advertências de seu pastor. É nosso dever, pois, não ficar alarmados por quaisquer gêneros de ofensas, contanto, naturalmente, que não desviemos de Cristo nossas débeis mentes. 

*Epístola aos Gálatas, João Calvino, Editora Paracletos

*Visite a Igreja Presbiteriana da Silva Jardim - Curitiba/PR
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário
(41)3242-8375



terça-feira, 26 de julho de 2016

Somente pela Fé em Cristo Jesus

Somente pela Fé em Cristo Jesus
“Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl 2.16).
Neste texto o apóstolo Paulo não quer simplesmente dizer que as cerimônias ou obras de alguma espécie são insuficientes sem o auxílio da fé, senão que rebate a negação dos oponentes com uma afirmação que denota exclusividade, como se dissesse: “Não pelas obras, mas unicamente pela fé em Cristo”. Do contrário, sua afirmação teria sido trivial e irrelevante. Pois os falsos apóstolos não rejeitavam a Cristo e nem a fé, senão que exigiam que as cerimônias fossem juntadas a Cristo e a fé. Tivesse o apóstolo Paulo admitido essa conjunção, e estariam eles perfeitamente de acordo, e assim não teriam necessidade de perturbar a Igreja com esse desagradável argumento. Portanto, que fique estabelecido que essa proposição denota exclusividade, ou seja: não somos justificados de alguma outra forma, senão pela fé, ou, o que vem a ser a mesma coisa, somos justificados unicamente por meio da fé. Daqui se faz evidente quão insensatos são atualmente nossos opositores, digladiando contra nós acerca do termo “somente”, como se o tivéssemos inventado. O apóstolo Paulo era completamente alheio à teologia dos que afirmam que uma pessoa é justificada mediante a fé, e todavia atribuem às obras uma parte da justiça. Paulo nada sabia de tal meia-justiça. Pois quando nos diz que somos justificados por meio da fé, visto não podermos ser justificados por meio das obras, ele toma por certo o que é verdadeiro, ou seja, que não podemos ser justificados através da justiça de Cristo, a menos que sejamos destituídos de nossa justiça pessoal. Enquanto a fé está sozinha, dissociada de qualquer outra graça, ela é o único instrumento da justificação, contudo nunca está sozinha na pessoa justificada, mas embora autêntica, é sempre acompanhada de todas as demais graças cristãs. “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?” (Tg 2.14). Paulo e Tiago estão falando de coisas distintas. Tiago ensina que a fé que é sozinha – isto é, a fé morta – não justificará. Ele está argumentando contra cristãos nominais. Paulo usa o verbo “justificar” no sentido de justificação divina do pecador; cujo pré-requisito é a fé, e não as obras. Tiago usa o verbo “justificar” no sentido de prova verdadeira e real; sentido em que a fé é justificada ou provada ser verídica através das obras. Amém!
Pr. José Rodrigues Filho
*Gálatas, João Calvino – Edições Paracletos
*Confissão de Fé de Westminster Comentada, A.A.Hodge – Editora Os Puritanos

*Visite a Igreja Presbiteriana da Silva Jardim - Curitiba/PR
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário
(41)3242-8375

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Pacíficos e Tranquilos

Pacíficos e Tranquilos
“E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado; para que andeis honestamente para com os que estão de fora, e não necessiteis de coisa alguma” (1Tes 4.11,12).

Ora, estar em paz significa, nesta passagem, agir pacificamente e sem inquietação, como também dizemos em francês: sans bruit (sem barulho). Em suma, o apóstolo Paulo os exorta a serem pacíficos e tranquilos. Este é o teor do que acrescenta logo após: tratar dos vossos próprios negócios; pois normalmente vemos que aqueles que se intrometem com precipitação nos negócios alheios causam grande inquietação, e aborrecimentos a si mesmos e a outros. Portanto, este é o melhor caminho para uma vida tranquila – quando cada um, aplicado aos deveres do seu próprio chamado, cumpre esses deveres que lhe são prescritos pelo Senhor, e se devota a tais coisas: enquanto o lavrador se emprega nas tarefas rurais, o operário exerce a sua ocupação, e deste modo cada um se mantém dentro dos seus próprios limites. Tão logo os homens se desviem disto, todas as coisas são lançadas em confusão e desordem. Contudo, ele não quer dizer que todos devem tratar de seus próprios negócios de tal modo que todos vivam separados, não se importando com os outros, mas apenas tem em vista corrigir uma leviandade inútil, que provoca tumultos barulhentos em público por meio de homens que deveriam levar uma vida sossegada em suas próprias casas. Trabalhar com vossas próprias mãos. Ele recomenda o trabalho manual por duas razões – para que eles pudessem ter uma suficiência de meios para o sustento da vida, e para que se conduzissem honrosamente inclusive diante dos incrédulos. Pois nada é mais inconveniente do que um homem ocioso e bom para nada, que não beneficia nem a si mesmo nem a outros, e parece ter nascido apenas para comer e beber. Além disso, este trabalho ou sistema de trabalho se estende mais ainda, pois o que ele diz quanto às mãos é uma sinédoque; mas não pode haver dúvida de que inclui toda a ocupação útil da vida humana. Medita nestas coisas!

*Comentários de 1Tessalonicenses, João Calvino

*Visite a Igreja Presbiteriana da Silva Jardim - Curitiba/PR
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário
(41)3242-8375

terça-feira, 12 de julho de 2016

Justiça e Livre Graça

Justiça e Livre Graça
“Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hb 10.14).

“Cristo, através de sua obediência e morte, quitou plenamente o débito de todos aqueles que são assim justificados, e fez uma justa, real e plena satisfação à justiça de seu Pai, em favor deles. Todavia, visto que lhes foi dado pelo Pai, e sua obediência e satisfação aceitas em lugar deles, e ambas gratuitamente, não por algo existente neles, sua justificação é tão-somente da livre graça; para que tanto a exata justiça quanto a rica graça de Deus fossem glorificadas na justificação dos pecadores” (CFW XI,§3). A primeira verdade aqui asseverada consiste em que Cristo, por Sua obediência e morte, pagou plenamente o débito daqueles que são justificados; e que Ele fez por eles uma justa, real e plena satisfação à justiça de Seu Pai. Em conexão com esta afirmação, a segunda verdade que é ensinada aqui consiste em que esta justificação é, no que tange à pessoa justificada, desde o princípio até o fim, uma estupenda manifestação da livre graça de Deus. O fato de a justiça de Cristo ser a base da justificação, e que sua justiça, em estrito rigor, satisfez plenamente todas as exigências da lei divina, em vez de ser inconsistente com a perfeita liberdade e graciosidade da justificação, acentua plenamente sua graça. A cruz de Cristo é o centro para o qual os mais intensos raios como os da divina graça e justiça se convergem, nos quais eles são perfeitamente reconciliados. Esse é o alcance máximo da justiça, e ao mesmo tempo e pela mesma razão o alcance máximo da graça que o universo poderia ver. A auto-apropriação da penalidade por parte do eterno Filho de Deus é a mais elevada vindicação concebível da absoluta inviolabilidade da justiça, e ao mesmo tempo a mais elevada expressão concebível do amor infinito. Em estrito rigor, a justiça é vindicada nos sofrimentos vicários da própria personalidade. A livre graça se manifesta: 1 - Na admissão de um sofredor vicário. 2 - No dom do Bem-amado Filho de Deus para tal serviço. 3 - Na eleição soberana das pessoas que seriam por Ele representados. 4 - Nas gloriosas recompensas que lhes adviriam sob a condição daquela representação. “Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo, porquanto, após ter dito: Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei, acrescenta: Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades, para sempre” (Hb 10.14-17). Medita nestas coisas!

* Confissão de Fé de Westminster Comentada, A.A.Hodge, Editora Os Puritanos

Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR
(41) 3023-5896
Pastor Efetivo: Rev. Luiz Eduardo Pugsley Ferreira
Pastor Auxiliar: Rev. José Rodrigues de Oliveira Filho

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Confirmados em Santidade

Confirmados em Santidade
“A fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos” (1Tes 3.13).  

O apóstolo Paulo emprega o termo coração neste versículo para se referir à consciência, ou a parte mais interior da alma; pois quer dizer que um homem é aceitável a Deus somente quando traz a santidade de coração (Hb 12.14). Aqui alguém poderia levantar a questão: Por meio da santidade podemos ficar de pé no tribunal de Deus, pois, nesse caso, qual é o propósito da remissão dos pecados?  O apóstolo Paulo não está excluindo a remissão dos pecados, através da qual ocorre que a nossa santidade, que de outro modo está misturada em muitas contaminações, é aceita aos olhos de Deus; pois a justificação mediante fé (Rm 5.1), pela qual Deus é apaziguado em relação a nós, perdoando as nossas faltas e isentando-nos de culpa, precede a santificação. Os justificados em Cristo Jesus estão isentos de culpa, foram adotados como filhos de Deus, santificados pelo Espírito e habilitados à vida cristã – em amor e pura santidade de coração que flui da fé. E quando ele diz: na vinda de nosso Senhor Jesus, ele está querendo dizer que a boa obra que o Senhor começou em nós há de ser dilatada e completada até ao Dia de Cristo Jesus (Fp 1.6), e quando diz: com todos os seus santos. Isso pode ser explicado de duas maneiras – ou como significando que os irmãos tessalonicenses, com todos os santos, sejam apresentados com a consciência limpa, com o coração confirmado em santidade na vinda de Cristo, ou que Cristo virá com todos os seus santos. Embora possamos adotar este segundo sentido, no que diz respeito à construção das palavras, ao mesmo tempo não tenhamos dúvida de que Paulo empregou o termo “com todos os seus santos” com o propósito de nos admoestar, pois fomos chamados por Cristo com esta finalidade, chegarmos na presença de Deus justificados, isentos de culpa, com nossos corações confirmados em santidade. “A fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos” (1Tes 3.13). Medita nestas coisas!

Rev. José Oliveira Filho

* Comentários de João Calvino, Epístola aos Tessalonicenses

Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR
(41) 3023-5896
Pastor Efetivo: Rev. Luiz Eduardo Pugsley Ferreira
Pastor Auxiliar: Rev. José Rodrigues de Oliveira Filho


sexta-feira, 24 de junho de 2016

Convicção Infalível da Salvação

Convicção Infalível da Salvação
“O próprio Espírito testifica como o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).

A convicção infalível da salvação está fundamentada, primeiro: na verdade divina das promessas de salvação; segundo: na evidência interna das graças às quais são feitas essas promessas; e terceiro: no testemunho do Espírito de adoção, testemunhando com o nosso espírito que somos filhos de Deus. “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos Aba, Pai. O próprio Espírito testifica como o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.15,16).

“Ainda que os hipócritas, bem como outras pessoas não regeneradas, inutilmente se enganem com falsas esperanças e carnal presunção de serem alvos do favor divino e estado de salvação, esperança que perecerá, contudo os que creem realmente no Senhor Jesus e o amam sinceramente, envidando todo esforço por andar em toda sã consciência diante dele, podem nesta vida estar plenamente certos de que estão em estado de graça e podem regozijar-se na esperança da glória de Deus, esperança esta que jamais os envergonhará” (CFW XVIII.§1).

Pode-se distinguir essa convicção legítima daquela vã e presunçosa confiança que é uma ilusão de satanás, distinção que pode ser notada pelas seguintes provas: 1) A verdadeira segurança gera humildade, sem fingimento; a falsa segurança gera orgulho espiritual (Gl 6.14); 2) A verdadeira conduz à crescente diligência na prática da santidade; a falsa conduz à indolência e a permissividade (Sl 51.13,14); 3) A verdadeira conduz ao sincero auto-exame e desejo de ser sondado e corrigido por Deus; a falsa conduz a uma disposição de se satisfazer com a aparência e de se evitar a acurada investigação (Sl 139.23,24); 4) A verdadeira conduz a perenes aspirações por mais íntima comunhão com Deus (1Jo 3.2,3). 

O Espírito Santo dá aos redimidos do Senhor, especialmente ao que se destaca por sua diligência e fidelidade a graça da iluminação espiritual, para que possua uma penetrante percepção em seu próprio caráter, para que julgue a real autenticidade de suas próprias graças, para que interprete corretamente as promessas e os caracteres aos quais se limitam nas Escrituras; de modo que, comparando o padrão externo com a experiência interna, extraia conclusões corretas e inquestionáveis. Amém!

Pr. José Rodrigues Filho

* Esboços de Teologia, A.A.Hodge, Editora PES
* Confissão de Fé de Westminster Comentada, A.A.Hodge, Editora Os Puritanos

*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR
(41) 3023-5896

sábado, 18 de junho de 2016

Doutrina da Justificação

Doutrina da Justificação
“Bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras” (Rm 4.6).

Deus justifica todos aqueles, e somente aqueles, a quem eficazmente chama ou regenera por sua graça. “Aqueles a quem Deus eficazmente chama, também livremente justifica; não por infundir neles a justiça, mas por perdoar seus pecados e por considerar e aceitar suas pessoas como justas; não em razão de qualquer coisa neles operada ou neles feita, mas unicamente em consideração da obra de Cristo” (CFW XI § I). “Aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou” (Rm 8.30). A vocação eficaz e a justificação são ambas necessárias à salvação, e são ambas passos essenciais na execução divina de seu próprio decreto de eleição, imutável e infalivelmente eficaz. Só aqueles que verdadeiramente creem é que são justificados, e só aqueles que são justificados é que podem realmente crer. Deus, como Soberano, elegeu Seu povo escolhido e o deu a Seu Filho na aliança da graça, e como Soberano leva a efeito essa aliança quando, por imputação, faz da justiça de Cristo a justiça do Seu povo eleito. A justificação, porém, é um ato judicial de Deus pelo qual Ele declara que, em virtude dessa imputação soberana, a lei foi perfeitamente cumprida a nosso respeito. Isso envolve, 1º. perdão; 2º. restauração ao favor divino, como pessoas a cujo respeito serão cumpridas todas as promessas que têm como condição a obediência aos mandamentos da Lei. É um ato estritamente legal, posto que Deus nele admita e ponha em nossa conta uma justiça vicária, porque esta justiça vicária é exatamente aquilo que, em todos os aspectos, a Lei exige e pelo qual ela é cumprida. Quanto à sua natureza, essa justificação é um ato divino puramente judicial, tendo Deus como juiz, pelo qual Ele perdoa todos os pecados do crente, e o julga, e o aceita, e o trata como uma pessoa justa à luz da lei divina. “Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado” (Rm 4.7,8; Sl 32.1,2). Medita nestas coisas!

Rev. José Oliveira Filho

* Confissão de Fé de Westminster Comentada, A.A.Hodge - Editora Os Puritanos
* Esboços de Teologia, A.A.Hodge - Editora PES

Igreja Presbiteriana do Brasil no Champagnat
Rua Desembargador Otávio do Amaral, 885 – Curitiba/PR
(41) 3023-5896
Pastor Efetivo: Rev. Luiz Eduardo Pugsley Ferreira
Pastor Auxiliar: Rev. José Rodrigues de Oliveira Filho