"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Justificação pela Fé

Justificação pela Fé

A doutrina da justificação pela fé em Cristo pode ser encontrada em alguns dos escritos do primeiro período da história da Igreja. Entendemos que esses registros deixados pelos chamados "Pais eclesiásticos" não foram inspirados. Contudo, eles nos oferecem o correto ensino transmitido à Igreja pelos santos Apóstolos. 

Clemente de Roma (talvez o mesmo mencionado em Filipenses 4.3), em sua carta aos Coríntios, diz: “Nós também, sendo chamados mediante a Sua vontade em Cristo, não somos justificados por nós mesmos, nem por nossa própria sabedoria, ou entendimento, ou piedade, ou obras que temos feito com pureza de coração, porém pela fé...”

Policarpo (falecido em 155 dC), um discípulo de João, escreveu: “Eu sei que mediante a graça você é salvo, não por obras, mas sim, pela vontade de Deus em Jesus Cristo.” (Epístola aos Filipenses).

Justino Mártir (falecido em 165 dC), escreveu: “Não mais pelo sangue de bodes e de carneiros, nem pelas cinzas de uma novilha... são os pecados purificados, e sim, pela fé, mediante o sangue de Cristo e de Sua morte, que por essa razão morreu.” (Diálogo com Trifa). (Hb 9.13).

Quando o imperador romano Constantino (falecido em 337 dC) tornou o cristianismo uma religião oficialmente reconhecida, e não mais uma fé perseguida, algumas heresias surgiram e feriram outras doutrinas básicas da fé cristã. Ao combater essas heresias e reafirmar a impotência pecaminosa da natureza humana, a necessidade de salvação pela graça e a expiação eficaz oferecida por Cristo, os fiéis remanescentes defendiam os fundamentos apostólicos da doutrina da justificação somente pela fé em Cristo.

Irineu (falecido no princípio do 3º século), discípulo de Policarpo, escreveu: “...através da obediência de um homem, que primeiro nasceu da Virgem, para que muitos pudessem ser justificados e receber a salvação”.

Orígenes, o grande professor, pensador e escritor do cristianismo (falecido em 253 dC), disse o seguinte: “Pela fé, sem as obras da lei, o ladrão na cruz foi justificado; porque... o Senhor não indagou a respeito de suas obras anteriores, nem aguardava a realização de qualquer obra depois de crer; antes... Ele o tomou para Si mesmo como companheiro, justificado somente na base de sua confissão.”

Cipriano (falecido 258 dC), bispo na Igreja da África do Norte, escreveu: “Quando Abraão creu em Deus, isso lhe foi imputado para justiça, portanto, cada um que crê em Deus e vive pela fé, será considerado como uma pessoa justa”.

Basílio, bispo de Capadócia (falecido em 370 dC), deixou essas palavras: “O verdadeiro e perfeito gloriar-se em Deus é isto: quando o homem não se exalta por causa da sua própria justiça; é quando ele sabe por si mesmo que carece da verdadeira justiça e que a justificação é somente pela fé em Cristo”.

Atanásio, bispo de Alexandria (falecido em 373 dC), escreveu: “Nem por esses (isto é, esforços humanos), mas, à semelhança de Abraão, o homem é justificado pela fé”.

Ambrósio, bispo de Milão (falecido em 397 dC), famoso como grande pregador, nos deixou essas palavras: “Para o homem ímpio, para o homem que crê em Cristo, a sua fé lhe é imputada para justiça, sem as obras da lei, como também aconteceu com Abraão”.

Jerônimo, o grande tradutor da Bíblia para o latim (falecido em 420 dC), escreveu: “Quando um homem ímpio é convertido, Deus o justifica somente por meio da fé, não por causa de obras que na realidade, ele não possuía”.

Crisóstomo, talvez o maior pregador de todos os Pais eclesiásticos (falecido 407 dC), e que viveu por muitos anos em Constantinopla. Dele nós temos: “Então, o que é que Deus fez? Ele fez com que um homem Justo (Cristo) se fizesse pecado (como Paulo afirma), para que Ele pudesse justificar pecadores... quando nós somos justificados, é pela justiça de Deus, não por obras... mas pela graça, pela qual todo o pecado desaparece”. (2Co 5.21).

Agostinho, bispo de Hipona (falecido em 420 dC), disse: “A graça é algo doado; o salário é algo pago... é chamada graça porque ela é concedida gratuitamente. Você não comprou por nenhum mérito pessoal o que tem recebido. Portanto, em primeiro lugar, o pecador recebe a graça para que sejam perdoados os seus pecados... na pessoa justificada, as boas obras vêm depois; elas não precedem a graça, a fim de que a pessoa seja justificada... as boas obras que seguem a justificação manifestam o que o homem tem recebido”.

Anselmo, de Cantuária (falecido 1109 dC), um grande teólogo, e talvez mais conhecido por causa de seu estudo sobre a expiação do pecado por Cristo, escreveu: “Você acredita que não pode ser salvo, senão pela morte de Cristo?” Então, vá e,... ponha toda a sua confiança unicamente em Sua morte. Se Deus lhe disser: “Você é um pecador”, então responda: “Coloco a morte de nosso Senhor Jesus Cristo entre mim e o meu pecado”.

Bernardo de Claraval, considerado como o último dos Pais eclesiásticos (falecido em 1153 dC), deixou essas palavras: “Acaso a nossa justiça não seria apenas uma injustiça e imperfeição? Então, o que será dos nossos pecados, quando a nossa justiça não é suficiente para defender-se a si mesma? Vamos, portanto, com toda humildade, refugiar-nos na misericórdia, porque ela somente pode salvar as nossas almas... qualquer um que tenha fome e sede de justiça, que creia nAquele que “justifica o ímpio”, e assim sendo justificados somente pela fé, terá paz com Deus.

Esses testemunhos evidenciam que a doutrina da justificação somente pela fé em Cristo não foi uma invenção de Martinho Lutero. Os reformadores apenas redescobriram o que o próprio Deus nos ensina em Sua Palavra. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé” (Hc 2.4). “Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.17).

“A doutrina da justificação somente pela fé em Cristo é o teste pelo qual descobrimos se uma igreja é fiel ou infiel, sadia ou enferma”. Martinho Lutero (1483-1546).

Rev. José Oliveira Filho

*Declarado Inocente, James Buchanan, Editora PES

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sábado, 29 de outubro de 2016

Salvos Mediante a Fé

Salvos Mediante a Fé  
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

Amados irmãos, não são poucos os que distorcem o conceito de salvação ensinando que a justificação dos homens diante de Deus pode se processar por intermédio das boas obras. 

Com um pouco de dedicação e estudo da Sagrada Escritura podemos perceber com exatidão quão distante esse ensino está da verdade. Os homens são salvos pela graça de Deus, e isso se dá mediante a fé em Cristo Jesus. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9). 

“A fé justificadora é uma graça salvífica, operada pelo Espírito e pela Palavra de Deus no coração do pecador, que sendo por esse meio convencido de seu pecado e miséria e da incapacidade tanto sua como das demais criaturas, para restaurar sua condição de perdido, não só aceita a verdade da promessa do Evangelho, mas recebe e descansa em Cristo e em sua justiça, que lhes são oferecidos no Evangelho para o perdão dos pecados, e para que a sua pessoa seja aceita e considerada justa diante de Deus, para a salvação” (CMW, 72). 

O processo inteiro de salvação é um ato gracioso de Deus. Os homens são inteiramente dependentes da graça de Deus para corresponderem com fé em Cristo Jesus e serem destinados à vida eterna (At 13.48). A prática das boas obras é consequência essencial naqueles que foram justificados segundo o beneplácito da vontade, do amor e da infinita misericórdia de Deus. Toda boa obra praticada por nós deve ser o reflexo da nossa gratidão Àquele que nos salvou. 

Não tenha dúvida, os salvos são justificados pela fé em Cristo Jesus, somente. “O justo viverá por fé” (Rm 1.17). Mas fé sem obras não é fé verdadeira. A fé sem obras é morta” (Tg 2.26). A fé justificadora nunca anda sozinha; ela sempre vem acompanhada de boas obras (Tg 2.22). “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Amém!

Rev. José Oliveira Filho

*Catecismo Maior de Westminster, questão 72, Editora Cultura Cristã.

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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Arrependimento: Mudança de Mente


Arrependimento: Mudança de Mente
“Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.20,21).

Arrependimento para a vida só pode ser exercido pelo homem depois e em consequência de sua regeneração efetuada pelo Espírito Santo. Deus regenera; e nós, no exercício da nova e graciosa capacidade assim comunicada, nos arrependemos. O arrependimento é, como a fé, um dom de Deus a nós comunicado em virtude de Cristo, bem como um dever a nós imposto pelo próprio Senhor. “Foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus esta próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.14,15). 

A essência do arrependimento consiste em nossa real conversão de todo pecado para Deus. É aquele retorno prático ou "conversão" do pecado para Deus, que é a necessária consequência da regeneração. É um voluntário abandono do pecado como mau e odioso, com sincera tristeza, humilhação e confissão; e um regressar para Deus como nosso Pai reconciliado, no exercício da fé nos méritos e assistente graça de Cristo. Isso é caracterizado por “Mudança de Mente”, incluindo evidentemente, mudança de pensamento, sentimento, vontade e propósito, correspondendo ao nosso novo caráter como filhos de Deus. 

O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor; regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes; compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade; abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos. Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor. Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.9-21). 

Amém!

Rev. José Rodrigues Filho

Confissão de Fé de Westminster Comentada – A.A.Hoge, Editora Os Puritanos

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Conversão: Fé e Arrependimento

Conversão: Fé e Arrependimento
“Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Is 55.6,7).

Na regeneração Deus implanta em Seus eleitos uma nova natureza conduzindo-os a conversão. O termo conversão é empregado geralmente para exprimir os primeiros exercícios dessa nova natureza. É a suspensão de velhas formas de viver para o início de uma nova vida. Fé designa o primeiro ato da nova natureza e também o estado ou hábito permanente do espírito como a condição essencial de todas as demais graças. É a apreensão espiritual da verdade pela mente, e a aceitação leal da verdade pela vontade. Em termos gerais deve haver fé antes do arrependimento, porque, se não crermos em certas coisas acerca de Deus, elas não terão efeito sobre nós e sem isso não há arrependimento. Arrependimento é "pensar outra vez"; é um dom de Deus que resulta em mudança de mente que conduz a atividade, é o retorno à sensatez (2Tm 2.25). O sentido comum ligado à palavra arrependimento é muito semelhante ao sentido ligado ao termo conversão; mas em seu emprego elas diferem em algumas particularidades. Conversão é a palavra mais geral, é um volver-se para Deus, e é empregada para incluir o início dos exercícios da fé, bem como as primeiras experiências de vida com Deus, em justiça e santidade, que é a sua consequência. O termo arrependimento é mais específico, e exprime a aversão ao pecado e a renúncia a ele, e o regresso para Deus, que acompanham a fé como consequência dela. É o abandono voluntário do pecado como mau e odioso, com pesar, humilhação e confissão sinceras; é o retornar para Deus em fé, porque Ele é misericordioso e pronto a perdoar; junto com a determinação de, impulsionados por Sua graça, viver em obediência a Seus mandamentos. O ponto primeiro na conversão, em sua forma especial, a coisa principal em toda questão relacionada a salvação, é sermos conduzidos à correta relação com Deus - “ao arrependimento para com Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo (At 20.21); e para que isso aconteça os elementos arrependimento e fé são nessa ordem indispensáveis. “Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar” (Is 55.6,7). Medita nestas coisas!

Rev. José Oliveira Filho

Esboços de Teologia – A.A.Hodge, Editora PES

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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Do Arrependimento para a Vida

Do Arrependimento para a Vida
“E que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai hoje trabalhar na vinha. Ele respondeu: Sim, senhor; porém não foi. Dirigindo-se ao segundo, disse-lhe a mesma coisa. Mas este respondeu: Não quero; depois arrependido, foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?” (Mt 21.28-31).

Nós somos conduzidos pelo arrependimento à mudança de mente e conduta. No arrependimento verdadeiro há um sentimento de culpa e uma apreensão da misericórdia de Deus. Inclui um abatimento de alma, como também aversão ao pecado, e um esforço persistente no sentido de levar uma nova vida, de santa obediência. A iluminação espiritual e a renovação dos afetos que são efetuadas na regeneração levam o crente a ver e a apreciar a santidade de Deus revelada tanto na Lei como no Evangelho, e também perceber e sentir nessa luz a extrema culpabilidade de todo pecado e a inteira corrupção pecaminosa da sua natureza, como esta na verdade é. O arrependimento para a vida consiste em mortificação, em morrer para o pecado; em vivificação, um viver para Deus; em contrição, ou pesar pelo pecado; em fé no evangelho, ou absolvição. O arrependimento é um gracioso dom de Deus. Não obstante, é de tal necessidade, a todos os pecadores, que ninguém pode esperar perdão sem ele. O arrependimento se dá na sequência natural e instantânea da regeneração. Ele também envolve um elemento de fé em Cristo Jesus, para a justificação. Aquele que se arrepende, também crê. Aquele que não se arrepende, também não crê. Aquele que não crê, também não é justificado. O arrependimento, como a fé, é um dever tanto quanto uma graça, e os ministros de Deus são concitados a proclamá-lo como essencial ao perdão. “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito de graça e de súplicas, olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito” (Zc 12.10). “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. Ouvindo eles estas  coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos: Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (At 2.36-39). Que Deus te conceda o arrependimento para a vida. Amém!

Rev. José Oliveira Filho

*Confissão de Fé de Westminster Comentada - A.A.Hodge, Editora Os Puritanos.
*Esboços de Teologia - A.A.Hodge, Editora PES.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Deus Ordena aos Homens que Creiam

Deus Ordena aos Homens que Creiam
“Declarai e apresentai as vossas razões. Que tomem conselho uns com os outros. Quem fez ouvir isto desde a antiguidade? Quem desde aquele tempo o anunciou? Porventura, não o fiz eu, o SENHOR? Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim. Olhai para mim e sede salvos” (Is 45.21,22).

A ninguém jamais se ordena que creia naquilo que não lhes foi revelado, ou pela luz da natureza, ou pela Palavra inspirada. “Os atributos invisíveis de Deus, assim como seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1.20-21). A ninguém jamais se ordena que creia numa verdade meramente especulativa. As verdades da religião apoiam-se no testemunho de Deus. Este é reforçado por provas morais, e a fé nessas verdades envolve conhecimento moral e espiritual delas e satisfação nelas. Provas morais só podem ser devidamente apreciadas por quem possui sensibilidade moral; e a insensibilidade moral que leva à cegueira quanto à distinção entre o bem e o mal, é ela mesma um estado de depravação externa. As Escrituras, pois, luminosas pela sua própria luz evidencial, apresentam a verdade a todos a quem chega o seu conhecimento, e exigem que eles aceitem a verdade ao receberem o testemunho de Deus. Se alguém sentir que a evidência não é conclusiva pra ele, a causa não pode deixar de ser a cegueira pecaminosa do seu espírito. Por isso o Senhor Jesus Cristo diz: “Não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo 5.40). E a incredulidade é sempre lançada à culpa do “coração mau”. “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hb 3.12). Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a voz do Bom Pastor, não endureçais o vosso coração. Medita nestas coisas!

Rev. José Oliveira Filho

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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Fé, um ato da Inteligência e da Vontade

Fé, um ato da Inteligência e da Vontade
“Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5.39).

A alma possui duas faculdades principais - o entendimento e a vontade - a Escritura costuma mencionar em alguns casos estas duas coisas separadamente, quando propõe expressar o poder e a natureza da alma. O termo alma pode ser empregado no sentido da sede das afeições. E quando nos deparamos com a menção ao espírito, entendemos isto como denotando a razão ou inteligência. Assim sendo, levantamos a seguinte questão: Até onde a fé é um ato da inteligência, e até onde é um ato da vontade? Há em nós a capacidade de saber, conhecer e amar, desejar e decidir, e estes diversos atos da alma reúnem-se sobre o mesmo objeto. Nós não podemos amar, nem desejar, nem escolher aquilo que não conhecemos, nem podemos conhecer um objeto como bom ou verdadeiro sem que haja alguma afeição da vontade para com ele. O assentimento dado a uma verdade especulativa pode ser simplesmente um ato da inteligência; mas a crença numa verdade moral, num testemunho, em promessas, é necessariamente um ato complexo, abrangendo a vontade bem como a inteligência. “Qual a razão porque não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra” (Jo 8.43). A inteligência apreende a verdade a crer, e avalia a validade das provas; mas a disposição para crer no testemunho, ou nas provas morais, tem sua base na vontade. A real confiança numa promessa é um ato da vontade, e não somente um juízo da inteligência sobre a fé que a promessa merece. Há uma relação exata entre o juízo moral e os afetos, e a vontade, como a sede dos afetos morais, determina os juízos morais. Por isso, assim como o homem é responsável por sua vontade, também o é por sua fé. “Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi” (Is 55.3). Até onde a fé inclui em si um ato de “cognição”, ela é evidentemente um ato da inteligência. Entretanto até onde inclui em si “assentimento” e “confiança”, envolve também as faculdades espontâneas e ativas da alma – “a vontade” – e nos seus exercícios superiores envolve muitas vezes a própria volição proposital. “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo 5.39,40). Medita nestas coisas!

Rev. José Oliveira Filho

*1Tessalonicenses – Comentários de João Calvino
*Esboços de Teologia, A.A.Hodge, Editora PES

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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

“SANTIFICADOS NO ESPÍRITO, ALMA E CORPO”


“SANTIFICADOS NO ESPÍRITO, ALMA E CORPO”

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Tes 5.23).

Sem sombra de dúvida, a doutrina é disseminada em vão, a menos que Deus a implante em nossas mentes. O apóstolo Paulo, concordemente, sabendo que toda a doutrina é inútil enquanto Deus não a grava, por assim dizer, com o seu próprio dedo em nossos corações, suplica a Deus que santifique os tessalonicenses.

Sabemos, porém, que, sob o termo santificação, está inclusa toda a renovação do homem. É verdade que os tessalonicenses haviam sido em parte renovados, mas Paulo deseja que Deus aperfeiçoe o que resta. A partir disto inferimos que devemos, durante toda a nossa vida, fazer progresso na busca da santidade. Mas, se é o papel de Deus renovar todo o homem, não resta nada para o livre arbítrio. Pois, se fosse o nosso papel cooperar com Deus, Paulo teria falado assim: “Que Deus ajude ou promova a vossa santificação”. Mas, quando diz: vos santifique em tudo, ele o torna o Autor exclusivo de toda a obra.

E todo o vosso espírito. Isto é acrescentado como explicação, para que saibamos que a santificação de todo o homem é quando ele se conserva íntegro, ou puro, e incontaminado, em espírito, alma e corpo, até o dia de Cristo. Como, porém, tão completa integridade nunca será satisfeita nesta vida, convém que certo progresso em pureza seja feito diariamente, e algo seja removido de nossas contaminações enquanto vivemos no mundo.

Contudo, devemos notar esta divisão das partes constituintes do homem; pois, em alguns casos, é dito que o homem consiste simplesmente de corpo e alma; e, neste caso, o termo alma denota o espírito imortal, que reside no corpo como em uma habitação. Porém, como a alma possui duas faculdades principais – o entendimento e a vontade – a Escritura costuma mencionar em alguns casos estas duas coisas separadamente, quando propõe expressar o poder e a natureza da alma; mas, neste caso, o termo alma é empregado no sentido das sede das afeições, de modo que é a parte que se opõe ao espírito. Por isso, quando nos deparamos aqui com a menção ao espírito, entendamos isto como e notando a razão ou inteligência, assim como, por outro lado, o termo alma significa a vontade e todas as afeições.

Sei que muitos explicam as palavras de Paulo de outro modo, pois são da opinião de que, pelo termo alma, faz-se referência ao movimento vital, e, pelo espírito, àquela parte do homem que foi renovada; mas, neste caso, a oração de Paulo seria absurda. Ademais, é em outro sentido, conforme disse, que o termo costuma ser utilizado na Escritura. Quando Isaías diz: “Com minha alma te desejei de noite, e com o meu espírito, madrugarei a buscar-te” (Is 26:9), ninguém duvida de que ele fala do seu entendimento e afeição, e assim enumera dois aspectos da alma. Estes dois termos estão associados nos Salmos no mesmo sentido. Isto, também, corresponde melhor à declaração de Paulo. Pois como todo o homem é íntegro, exceto quando seus pensamentos são puros e santos, quando todas as suas afeições são retas e propriamente reguladas, quando, enfim, o próprio corpo mostra seus esforços e serviços apenas em boas obras? Pois a faculdade do entendimento é considerada pelos filósofos, por assim dizer, como se fosse uma mestra: as afeições ocupam um lugar médio no controle; o corpo presta obediência. Agora vemos bem como tudo corresponde. Pois nesse caso o homem é puro e íntegro quando não pensa nada em sua mente, não deseja nada em seu coração, não faz nada com o seu corpo, exceto o que é aprovado por Deus. Porém, como deste modo Paulo confia a Deus a guarda de todo o homem, e de todas as suas partes, devemos inferir a partir disto que estamos expostos a inúmeros perigos, a menos que sejamos protegidos pela sua guarda.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

A Necessidade de Santificação

A NECESSIDADE DE SANTIFICAÇÃO

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

“Eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44). A nossa total dependência de Deus, assim como a nossa obrigação de viver para glorificá-lo e gozá-lo para sempre exige de nós, seus filhos, a santificação. “Disse o SENHOR a Moisés: Fala a toda a congregação dos filhos de Israel e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.1). “Porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16). O nosso Deus é Santo! Sua santidade resplandecente e atraente revelada em Cristo Jesus – por seu amor, graça, compaixão, justiça e misericórdia – é motivo para buscarmos uma vida de santidade. Em Cristo Jesus temos o poder gracioso do Espírito que opera em nós e nos conforma àquela santidade exigida por Deus. “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co 3.18). Ser conformado ao Deus Santo é privilégio, glória e honra. Esta é uma obra de Deus operada em nós “mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tt 3.5,6). Se a imagem de Deus não for restaurada em nós, não podemos ter com Ele o relacionamento proposto desde a criação. Só por meio da santidade é que isso pode acontecer. Somos chamados à comunhão com Deus, e esse deve ser o nosso alvo. “E vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.23,24). Se em nossa prática religiosa não houver comunhão verdadeira com Deus, os nossos sacrifícios e atos de cultos são vãos e desagradáveis ao Senhor (Is 1.15,16; 1Jo 1.3,5-7). Devemos ser santos assim como Deus é santo, pois a nossa felicidade eterna depende disso, e absolutamente nada corrompido chegará à presença de Deus. Ninguém alcançará a glória e a felicidade eternas sem santidade (Hb 12.14). Se não desfrutarmos desde já da santidade de Deus, não a teremos na vida por vir.

Deus nos abençoe!

John Owen (1616-1683).

*O Espírito Santo, John Owen, Editora Os Puritanos

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