"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Cristo é nosso Resgate

Cristo é nosso Resgate
“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2.20).

As expressões “filho de Deus”, “me amou” e “se entregou por mim” são relâmpagos e trovões do céu que atacam a ideia de que somos salvos por boas obras. A nossa vontade e entendimento continham tão grande perversidade, erro, escuridão e ignorância que somente poderíamos ser libertos por meio de um resgate excessivamente caro.

Então, por que pensamos que a nossa razão humana se inclina naturalmente para o melhor, podendo nos orientar corretamente? Por que pensamos que cada pessoa deve fazer o seu máximo? Por que trazemos nossos pecados terríveis, que são mera palha, a um Deus irado, a quem Moisés chama de “fogo consumidor”? Por que questionamos a Deus, tentando trocar nossos restolhos por graça e vida eterna? Ouça essa passagem. Ela diz que há tanto mal na nossa natureza que o mundo e toda a criação não podem nos reconciliar com Deus. A única solução foi o Filho de Deus ser oferecido por nossos pecados.

Considere o preço desse resgate cuidadosamente. Olhe para Cristo, que foi capturado e oferecido por você. Ele é infinitamente superior a qualquer outra coisa na criação. Como você responderá quando ouvir que um resgate tão inestimável foi pago por você. Você ainda quer trazer as suas próprias boas obras a Deus? O que é isso comparado ao feito de Cristo? Ele derramou o seu preciosíssimo sangue pelos nossos pecados.

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba/PR.
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.
(41)3242-8375

Enfrentando o Mundo

Enfrentando o Mundo
“Se vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não são do mundo, mas eu os escolhi, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia” (Jo 15.19).

Cristo nos alerta aqui a respeito da oposição do mundo aos cristãos. Devemos aprender a menosprezar a inveja e o ódio do mundo e tudo o mais que ele tentar fazer conosco. É inevitável que as pessoas do mundo odeiem a Deus e a Cristo. E, por odiarem a Cristo, também nos odiarão. Devido a essa oposição contínua, temos de saber como superá-la. Nós a superamos ao ignorar a arrogância do mundo.

Quanto mais deixarmos a arrogância do mundo nos incomodar, mais prazer o diabo e o mundo terão com isso. Se o diabo pudesse nos fazer agonizar e nos preocupar dia e noite com a oposição do mundo ao evangelho, ele se divertiria de tal maneira que teria de tampar a boca para não rir. As pessoas do mundo iriam ao delírio, cada vez mais barulhentas e por mais tempo. Elas pensariam estar vencendo por nos fazerem lamentar e chorar. Mas, se nós as ignoramos de forma desafiadora, elas ficam iradas, tristes e irritadas pelo fato de seus inimigos estarem zombando da cara delas – até mesmo quando a diversão delas estiver no auge.

O Maligno é extremamente arrogante e sua noiva, o mundo, também o é. Assim, nada há de pior para ele do que ser menosprezado e ridicularizado. Quando ele passa por isso e nada pode fazer a respeito, ele se retira. Caso contrário, ele não para até conseguir nos deixar desanimados e exaustos. Ele instiga e pressiona por tanto tempo e de maneira tão dura que é possível morrer de aflição. Mas, quando ele percebe e que estamos determinados a resistir ao seu ódio e que continuamos a nos alegrar e até zombar deles, ele será o primeiro a se cansar. Ele é tão orgulhoso que não é capaz de suportar quando o afrontamos.

Martinho Lutero (1483-1546).

* “Somente a Fé” -  Martinho Lutero - Editado por J.C.Calvin, Editora Ultimato.

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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Amorosa preocupação pelo Rebanho

Amorosa preocupação pelo Rebanho
“O amor não procura os seus interesses” (1Co 13.5).

Toda a causa do nosso ministério deve ser conduzida com terno amor pelas pessoas do nosso rebanho. Precisamos fazer que vejam que nada nos agrada mais do que aquilo que lhes é proveitoso. Devemos mostrar-lhes que aquilo que lhes faz bem, igualmente nos faz bem. Devemos sentir que nada nos preocupa mais do que aquilo que as fere.

Disse Jerônimo, ao escrever a Nepociano: “Como os bispos não são senhores, mas pais, assim devem incumbir-se do seu povo como de seus filhos. Sim, nem mesmo o mais terno amor da mãe por seu filho deve sobrepujar o deles”. Como afirma Paulo, devemos até sentir “as dores de parto, até que Cristo seja formado” neles (Gl 4.19). Nossos filhos na fé devem ver que nós não nos preocupamos com as coisas externas – nem dinheiro, nem crédito econômico, nem liberdade, nem a própria vida – em comparação com a preocupação que temos com a salvação deles. Em vez disso, à semelhança de Moisés, devemos estar dispostos a ter o nosso nome riscado do livro da vida por amor deles, antes que deixá-los perecer e não se acharem no Livro da Vida do Cordeiro.

Como o apóstolo João, não devemos ter nossas vidas como preciosas para nós, de modo que possamos achar nossa coroa de alegria na realização da obra de Deus pela salvação deles. Quando o rebanho vir que vocês o amam verdadeiramente, ouvirá o que dizem – dará o que lhe pedirem – e os seguirá com a maior presteza. E quando, prontamente, por amor, for aberta uma ferida será aceita mais prontamente do que quando se diz uma palavra grosseira, proferida com ressentimento ou com ira.

Muitos julgam o conselho que recebem pelo modo como recebem a afeição do seu conselheiro. Vejam que tenham terno amor pelos membros do seu rebanho, e então eles o sentirão em seus discursos e o verão em seu modo de tratá-los. Façam-nos ver o que vocês passaram e passam por amor deles. Façam-nos ver que tudo o que vocês fazem é para o bem deles, e não para os seus próprios fins.

Para esta finalidade, as marcas do caridoso amor são essenciais, na medida do seu bolso, uma vez que palavras ocas dificilmente os convencerão de que vocês têm verdadeiro amor por elas. Quando não puderem dar, mostrem-lhes que de fato estariam dispostos a dar, se pudessem. Mostrem-lhes ao menos algumas ações práticas que evidenciem a sua sinceridade. Como disse Agostinho, em seu comentário do Salmo 103, “Se você pode dar, dê; se não pode, mostre que se preocupa”.

Assegurem-se de que o seu amor não é carnal, oriundo do orgulho; não seja proveniente de um coração interessado em seu amor próprio, mas de um amigo de Cristo. Cuidado, pois, que não sejam coniventes com pecados secretos, pretextando amor. Assim, a amizade sempre deve ser consolidada pela piedade, pois um homem mau nunca poderá ser um verdadeiro amigo. Se vocês protegerem a iniquidade dos ímpios, mostrarão que vocês mesmos são ímpios. Portanto, não finjam amá-los, se lhes favorecem os pecados e não procuram verdadeiramente a salvação deles. Como dizia Basílio, o Grande: “Somente o santo, como Deus é santo, pode ter amizade verdadeira”. Por sua conivência com os pecados alheios, vocês mostram que estão em inimizade com Deus.

Richard Baxter (1615-1691).

*"O Pastor Aprovado", Editora PES.

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“Confissão de Pecados”

“Confissão de Pecados”

Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XV (Do Arrependimento para a Vida).

Seção VI – Como cada pessoa é obrigada a fazer a Deus confissão privativa de seus pecados, orando pelo perdão dos mesmos; e, abandonando-os, achará misericórdia; assim também, aquele que escandaliza seu irmão, ou a Igreja de Cristo, deve estar disposto, através de confissão e demonstração de tristeza, privativas ou públicas, declarar seu arrependimento aos que são ofendidos; isso feito, estes devem reconciliar-se com ele e recebê-lo em amor.

Sl 51.4,5,7,9,14; 32.5,6; Pv 28.13; 1Jo 1.9; Tg 5.16; Lc 17.3,4; Js 7.19; 2Co 2.8.

Esta seção ensina: -

1. Que cada homem deve fazer a Deus confissão privativa de todos os seus pecados, e que Deus certamente o perdoa quando sua dor e a renúncia de seus pecados são sinceras. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele [Deus] é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9).

2. Que quando um cristão tem pessoalmente injuriado a um irmão, ou escandalizado, por sua conduta anticristã, a igreja de Cristo, o mesmo deve estar pronto, por meio de confissão pública ou privativa, conforme o caso, declarar seu arrependimento aos que são ofendidos, é também ditame igualmente da razão natural e da Escritura. Se porventura erramos, estamos na posição de alguém que mantém um erro até que, mediante um expresso arrependimento e, até onde possível, reparação do erro, nos colocamos do lado certo. O malfeitor é obviamente um devedor à pessoa a quem injuriou, e deve fazer cada restituição possível aos sentimentos e interesses dela; e o mesmo princípio continua sendo verdadeiro em relação aos interesses gerais da comunidade cristã. O dever é expressamente ordenado na Escritura (Mt 5.23,24; Tg 5.16; Mt 18.15-18).

3. Que é o dever dos irmãos ou da igreja, quando ofendidos, perdoar a parte ofensora e restaurá-la plenamente ao favor com base em seu arrependimento, é também um ditame da consciência natural e da Escritura. Todos os homens honrados se sentem obrigados a agir com base neste princípio. O cristão está, além de tudo, sob a obrigação de perdoar outros ante as infinitas obrigações de seu próprio Senhor, que não só nos perdoa com base no arrependimento, mas também morreu para redimir-nos enquanto éramos impenitentes. Quanto aos escândalos públicos, a Igreja é obrigada a perdoá-los da mesma forma como o Senhor procedeu. Visto que o arrependimento genuíno é dom de Cristo, seu evidente exercício é uma indubitável indicação de que a pessoa, exercendo-o, é perdoada por Cristo e é um irmão cristão (Lc 17.3,4; 2Co 2.7,8; Mt 6.12).

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.

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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

“Do Arrependimento para a Vida”

“Do Arrependimento para a Vida”

Considere o ensino do capítulo XV da Confissão de Fé de Westminster - “Do Arrependimento para a Vida”.

Seção III. Ainda que o arrependimento não deva apoiar-se em alguma sorte de satisfação ou ser a causa do perdão, o qual é um ato da livre graça de Deus em Cristo, contudo, ele é de tal necessidade a todos os pecadores, que ninguém deve esperar o perdão sem ele.

Ez 36.31-32; 16.61-63; Os 14.2,4; Rm 3.24; Ef 1. 7; Lc 13.3,5; At 17.30,31.

Seção IV. Como não há pecado tão pequeno que não mereça condenação, também não há pecado tão grande que traga condenação àqueles que realmente se arrependem.

Rm 6.23; Mt 12.36; Is 55.7; Is 1.16-18; Rm 8.1.

Seção V. Os homens não devem contentar-se com um arrependimento geral, senão que é o dever de cada um esforçar-se para arrepender-se de seus pecados particularmente específicos.

Sl 19.13; Lc 19.8; 1Tm 1.13,15.

*Estas seções ensinam as seguintes proposições: -

1. Que o arrependimento não deve apoiar-se em alguma sorte de satisfação pelo pecado, ou ser a causa do perdão.

2. Que, não obstante, ele é de tal necessidade que se torna inseparável do perdão, de modo que quem não se arrepende também não é perdoado.

3. Que, enquanto o menor pecado merece condenação, a mesma graça de Cristo que produz o arrependimento é suficiente para extinguir a culpa do maior pecado.

4. Que, como os homens precisam arrepender-se de sua inerente disposição pecaminosa e a pecaminosidade geral de suas vidas, também precisam arrepender-se de cada pecado específico que lhes seja notório.

Que o menor pecado merece castigo, é óbvio. A lei moral é moral em cada elemento, e é da essência daquilo que é moral ser ele obrigatório, e que sua violação é merecedora de reprovação. Daí, “qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos” (Tg 2.10). Que não há pecado tão grande que não possa reprimir a condenação sobre aqueles que realmente se arrependem, é também evidente, porque o genuíno arrependimento, como já vimos, é o fruto da regeneração, e ninguém é regenerado sem ser também justificado. Além disso, o genuíno arrependimento inclui fé, e a fé une a Cristo e assegura a imputação de sua justiça, e a justiça de Cristo naturalmente cancela todo pecado possível.

“Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20).

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.

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Arrependimento: Uma Graça Evangélica

Arrependimento: Uma Graça Evangélica

Capítulo XV da Confissão de Fé de Westminster (Do Arrependimento para a Vida).

Seção I. O arrependimento para a vida é uma graça evangélica, doutrina esta que deve ser proclamada por todo ministro do evangelho, tanto quanto a da fé em Cristo.

Zc 12.10; At 11.18; Lc 24.47; Mc 1.15; At 20.21.

Seção II. Por ele um pecador, movido pelo que vê e sente, não só diante do perigo, mas também diante da imundícia e odiosidade de seus pecados, como sendo contrários à santa natureza e à justa lei de Deus, e na apreensão de sua misericórdia em Cristo destinada aos que são penitentes, de tal maneira se entristece e odeia os seus pecados que, deixando-os, se volta para Deus, propondo-se e diligenciando-se por andar com ele em todas as veredas de seus mandamentos.

Ez 18.30-31;36.31; Is 30.22; Sl 51.4; Jr 31.18-19; 2Co 7.11; Sl 119.6,59,106; Mt 21.28-29.

*Estas seções ensinam as seguintes verdades: -

1. Que, quanto aos fundamentos, o genuíno arrependimento evangélico, por parte do pecador, descansa –

1.1. Num genuíno senso de culpa, corrupção e poder de sua pecaminosidade pessoal, e de seus próprios feitos pecaminosos; e

1.2. Numa genuína apreensão da misericórdia de Deus em Cristo.

2. Que, quanto à essência, o arrependimento consiste –

2.1. Numa genuína aversão ao pecado e pesar por seus pecados pessoais;

2.2. Numa conversão real de todos eles para Deus.

2.3. Num sincero propósito e persistente diligência de andar com Deus na verdade de seus mandamentos.

3. Que, assim definido, esse genuíno arrependimento é uma graça evangélica, como a fé, graciosamente comunicada a nós por Deus por amor a Cristo, tanto quanto um dever a nós imposta.

4. Ele deve ser, portanto, diligentemente proclamado do púlpito por todo ministro do evangelho.

A iluminação espiritual e a renovação das inclinações que são afetadas na regeneração levam o crente a perceber e apreciar a santidade de Deus como revelada igualmente na lei e no evangelho (Rm 3.20); e nessa luz ver e sentir a excessiva gravidade de todo pecado e a absoluta pecaminosidade de sua própria natureza e conduta. Esse sentido de pecado corresponde precisamente aos fatos reais do caso, e o homem se apercebe de quão justo é Deus, como sempre o foi.

“Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que creem; porque não há distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.20-23). 

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.

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terça-feira, 10 de setembro de 2019

“Regra Infalível de Interpretação da Sagrada Escritura”


“Regra Infalível de Interpretação da Sagrada Escritura”

*Confissão de Fé de Westminster, Da Sagrada Escritura, Capítulo I.

Seção IX. A regra infalível de interpretação da Escritura é a própria Escritura; e, portanto, quando houver alguma questão acerca do genuíno e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), a mesma deve ser estudada e elucidada por outros textos que falem mais claramente.

At 15.15,16; Jo 5.46; 2Pe 1.19-21.

Seção X. O Supremo Juiz, pelo qual todas as controvérsias religiosas devem ser determinadas, e todos os decretos dos concílios, as opiniões de escritores antigos, doutrinas de homens e espíritos privados, devem ser examinados, e em cujas sentenças devemos descansar, não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura.

Mt 22.29,31; Ef 2.20; At 28.25; Gl 1.10.

*Estas seções ensinam: -

1. Que a infalível e única “regra” genuína para a interpretação da Escritura é a própria Escritura.

2. Que as Escrituras são o supremo “juiz” em todas as controvérsias concernentes à religião.
A autoridade das Escrituras como regra final de fé descansa tão-somente no fato de que elas são a Palavra de Deus. Visto que todos esses escritos são uma só revelação, e a única revelação da vontade divina concernente à religião, dada por Deus aos homens segue-se: -

2.1. Que elas são por si mesmas completas como revelação, e não devem ser suplementadas ou explicadas pela luz extraída de alguma outra fonte.

2.2. Que as diferentes seções dessa revelação mutuamente suplementam e explicam umas às outras. O Espírito Santo que inspirou as Escrituras é o único expositor competente de suas próprias palavras, e ele é prometido a todos os filhos de Deus como Espírito de luz e de verdade. Sob a dependência de sua orientação, os cristãos devem, naturalmente, estudar as Escrituras, usando de todos os auxílios do genuíno saber para assegurarem-se de seu significado, mas esse significado deve ser buscado à luz das Escrituras mesmas, tomadas como um todo, e não à luz ou da tradição ou da filosofia.

*A doutrina protestante consiste em: -

I. Que as Escrituras são a única regra de fé e prática;

A). Não há nenhuma corporação de homens qualificados ou autorizados para interpretar as Escrituras ou aplicar seus ensinos à decisão de citações particulares no sentido de constranger seus irmãos em Cristo;

B). As Escrituras são a única voz autoritativa na Igreja; a qual dever ser interpretada e aplicada por cada pessoa a si mesma, com a assistência, embora não pela autoridade, de seus irmãos em Cristo. Credos e confissões, quanto à forma, só os obrigam no sentido de confissão voluntária deles; e, quanto à matéria, os obrigam somente até onde afirmam verdadeiramente o que a Bíblia ensina e porque a Bíblia assim o ensina.

*Isso tem que ser verdadeiro: -

1. Porque as Escrituras, que garantem ensinar-nos o caminho da salvação, não nos fazem referência de nenhum padrão ou juiz em matéria de religião além ou acima de si mesmas; e porque nenhuma corporação de homens, desde os apóstolos, existiu com qualificações ou com autoridade para agir no papel de juiz em relação a seus companheiros.

2. Porque todos os cristãos são intimados a estudar as Escrituras e a julgar, tanto as doutrinas quanto os que se declaram mestres (Jo 5.39; 1Jo 2.20,27; 4.1,2; At 17.11; Gl 1.8; 1Ts 5.21).

3. Porque a todos os cristãos foi prometido o Espírito Santo para guiá-los na compreensão e na aplicação prática da verdade (Rm 8.9; 1Jo 20,27).

“Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração, sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1.19-21).

A.A.Hodge (1823-1886).

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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

“Iluminação Espiritual”

“Iluminação Espiritual”

Em nossos Padrões de Fé (CFW, I - Da Sagrada Escritura - está escrito o que segue: -

Seção VI. Todo o conselho de Deus, concernente a todas as coisas indispensáveis à sua glória, à salvação, fé e vida do ser humano, ou está expressamente registrado na Escritura, ou pode ser lógica e claramente deduzido dela; à qual nada, e em tempo algum, se acrescentará, seja por novas revelações do Espírito, seja por tradições humanas. Não obstante, reconhecemos ser indispensável a iluminação interior do Espírito de Deus para o salvífico discernimento de tais coisas como se encontram reveladas na Palavra; e que há certas circunstâncias concernentes ao culto divino e ao governo da Igreja, comuns às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e da prudência cristã, segundo as regras gerais da Palavra, as quais sempre devem ser observadas.

2Tm 3.15-17; Gl 1.8-9; 2Ts 2.2; Jo 6.45; 1Co 2.9-12; 1Co 11.13,14; 1Co 14.26,40.

*Consideremos as seguintes proposições:

1. As Escrituras inspiradas do Velho e do Novo Testamento constituem a regra perfeita de fé e prática: elas abrangem toda e qualquer revelação supernatural que Deus agora faz aos homens, e são sobejamente suficientes a todas as necessidades práticas dos homens e comunidades.

2. Nada, ao longo da presente dispensação, se deve acrescentar a esta perfeita regra de fé, seja por novas revelações do Espírito, seja pelas tradições humanas.

3. Não obstante, uma iluminação espiritual e pessoal pelo PODER DO ESPÍRITO SANTO se faz necessária, em todo caso, para o conhecimento prático e salvífico da verdade que as Escrituras abarcam. Essa necessidade não resulta de alguma carência, seja de perfeição seja de clareza na revelação, mas do fato de que o homem, em seu estado natural, é carnal e incapaz de discernir as coisas do Espírito de Deus. Portanto, iluminação espiritual difere da inspiração -

3.1. Em que ela não comunica novas verdades ao entendimento, mas simplesmente abre a mente e o coração do indivíduo para o discernimento e apreciação espirituais da verdade já objetivamente apresentada nas Escrituras.

3.2. Em que ela é um elemento comum na regeneração de todos os filhos de Deus, e não peculiar aos profetas ou apóstolos; e, portanto,

3.3. Em que ela é privativa e pessoal em sua aplicação, e não pública.

“Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus” (1Co 2. 6-10).

“Que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder” (Ef 1.17,18). Amém!

A.A.Hodge (1823-1886).

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Da Sagrada Escritura

Da Sagrada Escritura (Capítulo I - CFW)

Seção IV. A autoridade da Sagrada Escritura, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas única e totalmente de Deus (que é a própria verdade), que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a Palavra de Deus.

2Pe 1.19-21; 2Tm 3.16; 1Jo 5.9; 1Ts 2.13.

Seção V. Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e induzidos a um elevado e reverente apreço pela Sagrada Escritura, e pela sublimidade da matéria, a eficácia da doutrina, a majestade do estilo, a harmonia de todas as partes, o escopo do seu todo (que é dar a Deus toda a glória), a plena revelação que faz do único meio de salvação para o homem, as muitas outras excelências incomparáveis e a plena perfeição são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a Palavra de Deus; não obstante, nossa plena persuasão e certeza da infalível verdade e divina autoridade provém da obra interna do Espírito Santo que, pela Palavra e com a Palavra, testifica em nossos corações.

1Tm 3.15; 1Jo 2.20,27; Jo 16.13-14; 1Co 2.10-12; Is 59.21.

*Estas seções ensinam as seguintes proposições:

1. Que a autoridade das Escrituras inspiradas não repousa no testemunho da Igreja, e sim, diretamente de Deus.

2. Que as evidências internas da origem divina contidas nas Escrituras e inseparáveis delas por si mesmas são conclusivas.

2.1. As características internas da origem divina da Bíblia são as seguintes:

a. O fenômeno que ela apresenta de uma inteligência supernatural: na unidade de desígnio desenvolvida através de toda a sua estrutura, embora seja composta de sessenta e seis livros individuais, escrita por cerca de quatrocentos diferentes autores, os quais escreveram ao longo de dezesseis séculos; em sua perfeita isenção de todos os erros circunstanciais ao longo das épocas de sua produção, em referência aos fatos ou opiniões de qualquer gênero; no prodigioso conhecimento que ela exibe da natureza humana sob todas as possíveis relações e condições; na solução original e luminosa que ela oferece de muitos dos mais sombrios problemas da história e destino humano.

b. A perfeição sem paralelo de seu sistema moral: na sublime visão de Deus que ela apresenta, sua lei e governo morais; em seu elevado, não obstante prático e beneficente, sistema de moralidade, demonstrado e eficientemente imposto; em seu prodigioso poder sobre a consciência humana; e no inigualável alcance e persistência de sua influência sobre as comunidades humanas.

3. Finalmente, que a mais sublime e mais influente fé na verdade e autoridade das Escrituras é uma OBRA DIRETA DO ESPÍRITO SANTO em nossos corações.

As Escrituras, para o homem não regenerado, são como a luz para o cego. Podem ser sentidas como os raios solares são sentidos pelo cego, mas não podem ser claramente vistas. O Espírito Santo abre os olhos cegos e comunica a devida sensibilidade ao coração enfermo; e assim a confiança emana da evidência da experiência espiritual. Assim que é regenerado, ele começa a experimentar o sabor das Escrituras; e quanto mais ele avança, mais ele prova que são verdadeiras e mais ele descobre sua ilimitada amplidão e plenitude, e sua evidente adaptação destinadas a todas as necessidades humanas sob todas as condições possíveis.

E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento [...] Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou” (1Jo 2.20,27). Amém!

A.A.Hodge (1823-1886).

*Confissão de Fé de Westminster Comentada – Editora Os Puritanos.

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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

“Santificai-vos e sede Santos”

“Santificai-vos e sede Santos”
Santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv 20.7).

Envergonhamos o nome de Cristo quando pecamos, quando seguimos e somos levados por nossas concupiscências e prazeres, quando preferimos as coisas do presente e não as glórias eternais, e a todo instante proclamamos por todas as partes que Jesus Cristo é o nosso exemplo.

Só poderemos glorificar a Cristo se testemunharmos de seus ensinamentos. Mas como poderemos fazer isso? Testemunhamos dos seus ensinamentos quando os tornamos a nossa regra de vida e de santificação, manifestando, assim, ao mundo, que o seu ensinamento é santo e procede do céu, cheio de sabedoria e graças divinas (Tt 2.11,12).

Nós fomos chamados para testemunhar do poder e da eficácia da morte de Cristo que, nos purificou de toda a iniquidade e, livrou a nossa consciência das obras mortas para servirmos ao Deus vivo (Hb 9.14). Se não formos limpos dos nossos pecados pelo sangue de Cristo, se não formos purificados de toda a iniquidade, seremos abomináveis a Deus e sujeitos à sua ira para sempre. Quanto a isso, entretanto, Cristo, o Senhor, nada exige de seus discípulos senão que professem que o seu sangue os limpa de todos os pecados, e que, pela santidade de vida, mostre-lhes a verdade disso, assim haveremos de glorificá-lo.

Sem a santificação prescrita no evangelho nada daremos a Cristo daquela indispensável glória que Ele requer de nós. Se amamos a Cristo, então temos de ser santos. Se desejamos glorificar a Cristo, então temos que ser santos. Se não quisermos ser tidos por traidores no último dia para a sua coroação, honra e dignificação, então temos de ser santos (1Pe 1.14-16).

Se temos a graça de Cristo ou buscamos ser aceitos por Ele no final, trabalhemos com empenho para sermos santos em todo o nosso comportamento de modo que possamos adornar o seu ensinamento, manifestar a suas virtudes e glórias e nos transformar à semelhança daquele que é o primogênito e a imagem do Deus invisível (Rm 8.29; Cl 1.15). “Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus. Guardai os meus estatutos e cumpri-os. Eu sou o SENHOR, que vos santifico (Lv 20.7,8). Amém!

John Owen (1616-1683).

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