"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



terça-feira, 12 de dezembro de 2023

“O NOME QUE ESTÁ ACIMA DE TODO NOME”

“O NOME QUE ESTÁ ACIMA DE TODO NOME”

“Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome” (Fp 2.9).

Quando buscamos a verdade, à medida que a Palavra de Deus nos é revelada, vemos que Deus na eternidade, desde antes da fundação do mundo, planejou e determinou que todas as coisas fossem centralizadas em Cristo. “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.36).

Na epístola aos Colossenses, notamos a preeminência de Cristo ressaltada ainda mais nitidamente: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criaçãoEle é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Cl 1.13,19).

O Filho de Deus deixou as alturas dos céus e desceu às profundezas da terra para buscar e salvar o que se havia perdido. Ele não foi obrigado a fazer isso. Ele o fez voluntariamente, por amor, por imensa bondade e misericórdia. “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si. Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.4,5).

“Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.9-11).

“Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” (Ap 5.13). Amém!

Que lugar o Senhor de toda glória ocupa no seu coração?

Deus nos abençoe!

Pr. José Rodrigues Filho

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Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário. 

sábado, 2 de dezembro de 2023

“NÃO FOI COM ENGANO, NEM COM IMUNDÍCIA, NEM COM FRAUDULÊNCIA”


“NÃO FOI COM ENGANO, NEM COM IMUNDÍCIA, NEM COM FRAUDULÊNCIA”

“Porque a nossa exortação não foi com engano, nem com imundícia, nem com fraudulência; mas, como fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações” (1Ts 2.3,4).

O apóstolo confirma, através de outro argumento, os tessalonicenses na fé que haviam abraçado – porquanto haviam sido fiel e puramente instruídos na palavra do Senhor, pois ele mantém que a sua doutrina estava isenta de todo o engano e impureza. E, com vistas a deixar esta questão fora de dúvida, ele invoca o testemunho da consciência deles. Os três termos de que faz uso podem, ao que parece, ser distinguidos da seguinte maneira: engano pode se referir à essência da doutrina, imundícia às afeições do coração, fraudulência ao modo de agir. Portanto, em primeiro lugar, ele afirma que eles não haviam sido enganados ou iludidos com falácias, quando abraçaram o tipo de doutrina que lhes havia sido entregue por ele. Em segundo lugar, declara sua integridade, porquanto não havia se achegado a eles por influência de qualquer desejo impuro, mas atuou exclusivamente através de uma disposição honesta. Em terceiro lugar, diz que não havia feito nada fraudulenta ou maliciosamente, mas, pelo contrário, havia manifestado uma simplicidade conveniente a um ministro de Cristo. Como estas coisas eram bem conhecidas aos tessalonicenses, eles tinham um fundamento suficientemente firme para a sua fé.

Paulo dá um passo além, pois apela a Deus como o Autor do seu apostolado, e raciocina da seguinte maneira: “Deus, quando me designou para este ofício, deu testemunho de mim como um servo fiel; não há razão, portanto, para que os homens tenham dúvidas quanto à minha fidelidade, a qual sabem ter sido aprovada por Deus”. Contudo, ele não se gloria em ter sido aprovado, como se o fosse por si mesmo; pois não disputa aqui a respeito do que possuía por natureza, nem coloca a sua própria força em colisão com a graça de Deus, mas simplesmente afirma que o Evangelho lhe havia sido confiado como a um servo fiel e aprovado.

Neste texto como em Gálatas 1.10, Paulo, admiravelmente, contrasta agradar aos homens e agradar a Deus como coisas que se opõem entre si. Ademais, quando diz: Deus, que prova os nossos corações, ele sugere que aqueles que se esforçam por obter o favor dos homens não são influenciados por uma consciência honesta, e não fazem nada de coração. Saibamos, portanto, que os verdadeiros ministros do evangelho devem ter por alvo devotar os seus esforços a Deus, e fazer isto de coração; não por qualquer consideração exterior pelo mundo, e sim porque a consciência lhes diz que isto é correto e apropriado. Assim se assegurará que eles não terão por alvo agradar aos homens, ou seja, que eles não agirão sob influência da ambição, tendo em vista o favor dos homens.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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“E VÓS FOSTES FEITOS IMITADORES”


“E VÓS FOSTES FEITOS IMITADORES”

“E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo” (1Ts 1.6).

O apóstolo Paulo, na esperança de aumentar a diligência dos tessalonicenses, declara que havia uma harmonia, por assim dizer, entre a sua pregação e a fé deles. Pois, a menos que os homens, de sua parte, correspondam a Deus, nenhum proveito decorrerá da graça que lhes é oferecida – não como se pudessem fazer isto de si mesmos, mas porque, assim como Deus dá início à nossa salvação chamando-nos, ele também a aperfeiçoa moldando nossos corações à obediência. Portanto, a suma é que uma evidência da eleição divina se revelara, não apenas no ministério de Paulo, na medida em que estava provido do poder do Espírito Santo, mas também na fé daqueles irmãos, de modo que esta conformidade é um atestado poderoso dela. Porém, ele afirma: “Fostes feitos imitadores de Deus e de nós”, no mesmo sentido em que é dito que o povo creu em Deus e no seu servo Moisés (Ex 14.13), porque ele operou poderosamente por meio deles, como seus ministros e instrumentos da verdade.

Paulo também diz: “recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo”, para que saibamos que não é pela instigação da carne, ou pelas sugestões da sua própria natureza, que os homens estarão prontos e zelosos por obedecer a Deus, mas que isto é obra do Espírito de Deus. A circunstância, que, em muita tribulação, eles haviam abraçado o evangelho, serve como ênfase. Pois vemos muitíssimos que, não indispostos ao evangelho por outros motivos, contudo o evitam por se intimidarem pelo medo da cruz. Concordemente, aqueles que não hesitam em abraçar, com intrepidez, juntamente com o evangelho, as aflições que os ameaçam, fornecem assim um exemplo admirável de magnanimidade. E, com isto, torna-se tanto mais claramente notório quão necessário é que o Espírito Santo nos auxilie nisto. Pois o evangelho não pode ser apropriada ou sinceramente recebido, a não ser com um coração jubiloso. Nada, porém, está em maior desacordo com a nossa disposição natural, do que nos regozijarmos nas aflições.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 30 de novembro de 2023

“PARA AGUARDARDES DOS CÉUS O SEU FILHO”

“PARA AGUARDARDES DOS CÉUS O SEU FILHO”

“E para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura” (1Ts 1.10).

A doutrina do evangelho visa a nos induzir a servir e obedecer a Deus. Ninguém é propriamente convertido a Deus, senão o homem que aprendeu a colocar-se totalmente em sujeição a ele. Contudo, como isto é algo simplesmente mais do que difícil, em tão grande corrupção da nossa natureza, ao mesmo tempo o apóstolo Paulo revela o que é que nos retém e nos confirma no temor a Deus e na obediência a ele – aguardar dos céus a Cristo. Pois, a menos que sejamos despertados para a esperança da vida eterna, o mundo rapidamente nos atrairá a si. Pois, assim como é apenas a confiança na bondade divina que nos induz a servir a Deus, do mesmo modo é apenas a expectativa da redenção final que nos impede de recuarmos. Portanto, que todos os que desejam perseverar em um curso de vida santa apliquem toda a sua mente à expectativa da vinda de Cristo. Pois, certamente, sem Cristo estamos arruinados e entregues ao desespero, mas, quando Cristo se revela, a vida resplandece para nós. Tenhamos em mente, porém, que isto é dito exclusivamente aos crentes, pois, quanto aos ímpios, assim como ele virá para ser seu Juiz, do mesmo modo eles só podem tremer ao esperá-lo. É isto que Paulo acrescenta na sequência – que Cristo nos livra da ira vindoura. Pois isto não é sentido senão por aqueles que, estando reconciliados com Deus pela fé, já têm a consciência apaziguada; do contrário, seu nome é terrível. É verdade que Cristo nos livrou pela sua morte da ira de Deus, mas a importância desse livramento se tornará visível no último dia. No entanto, esta afirmação consiste de duas seções. A primeira é que a ira de Deus e a destruição eterna são iminentes à raça humana, porquanto todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). A segunda é que não existe meio de escape senão através da graça de Cristo; pois não é sem bons motivos que Paulo lhe atribui este ofício. Contudo, é um dom inestimável que os que são piedosos, sempre que é feita menção ao juízo, saibam que Cristo virá para eles como um Redentor.

Além disso, o apóstolo afirma enfaticamente: a ira vindoura, para despertar as mentes piedosas, para que não fracassem ao considerar a vida presente. Pois, assim como a fé é a convicção de fatos que se não veem (Hb 11.1), nada é menos adequado do que estimarmos a ira de Deus de acordo com o que cada um é afligido no mundo; assim como nada é mais absurdo do que nos apegarmos às bênçãos transitórias de que desfrutamos, para que por elas tenhamos uma estimativa do favor de Deus. Portanto, enquanto, por um lado, os ímpios se divertem à vontade, e nós, por outro, definhamos em miséria, aprendamos a temer a vingança de Deus, que está oculta aos olhos da carne.

Deus nos abençoe!

João Calvino (1509-1564).

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quinta-feira, 23 de novembro de 2023

“VIVO OU MORTO?” parte III


“VIVO OU MORTO?” parte III

“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef. 2.1).

Deixe-me dizer, em terceiro lugar, como uma alma morta pode ser vivificada espiritualmente.

Que uma coisa fique bem clara: não conseguimos efetuar essa mudança gigantesca por nós mesmos. Não depende de nós. Não temos força ou poder para tanto. Podemos mudar nossos pecados, mas não podemos mudas os nossos corações. Podemos assumir um novo caminho, mas não uma nova natureza. Podemos fazer reformas e alterações consideráveis. Podemos deixar de lado muitos maus hábitos e começar a assumir deveres externos diversos, mas não podemos criar um novo princípio dentro de nós. Não podemos fazer algo a partir do nada. O etíope não pode mudar a sua pele, nem o leopardo as suas manchas, e nem nós podemos dar vida às nossas próprias almas (Jr 13.23).

Outra coisa que fique igualmente clara: nenhum homem poderá fazer isso por nós. Pastores podem pregar, orar por nós, receber-nos no batismo, admitir-nos à mesa da comunhão, oferecer-nos o pão e o vinho. Mas não podem outorgar vida espiritual. Podem pôr ordem em lugar de desordem, decência exterior em lugar de pecado franco, mas não podem atingir abaixo da superfície. Não podem alcançar nossos corações. Paulo pode plantar, Apolo regar, mas só Deus pode dar os frutos (1Co 3.6).

Quem, então, pode tornar viva uma alma morta? Ninguém a não ser Deus. Só aquele que do nada formou o mundo no dia da criação pode fazer de alguém uma nova criatura. Só quem formou o homem do pó da terra, dando vida ao seu corpo, poderá dar vida à sua alma. É ofício especial de Deus fazer isso, pelo seu Espírito, e só Ele tem poder para realizar tal coisa.

O Evangelho glorioso faz provisão para isso. O Senhor Jesus é um Salvador completo. A Cabeça viva e poderosa não tem membros mortos. Seu povo não é apenas justificado e perdoado, mas também vivificado juntamente com Ele, tornando-se participante de sua ressurreição. O Espírito une o pecador a Ele, e por essa união ergue-o da morte para a vida. Nele o pecador vive depois que creu. A fonte de toda essa vitalidade é a união de Cristo com a alma, iniciada e mantida pelo Espírito. Cristo é a fonte única de toda vida espiritual, e o Espírito Santo é o agente que transmite essa vida às nossas almas.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

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“VIVO OU MORTO?” parte II


“VIVO OU MORTO?” parte II

“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef. 2.1).

Em segundo lugar, permita-me dizer que todo homem precisa ser vivificado para tornar-se espiritualmente ressurreto.

A vida é a mais poderosa das possessões. Da morte para vida é a maior das transformações. E nenhuma transformação menor do que essa terá valor para capacitar a alma do homem para o céu.

O que se requer não é um conserto ou uma alteração, uma pequena limpeza e purificação, um pouco de pintura e remendo, uma folha nova no caderno da vida. É a entrada de algo totalmente novo, o semear em nós de uma mova natureza, de um novo ser, de um novo princípio, de uma nova mente; só isso, e nada menos que isso, poderá vir de encontro às necessidades da alma do homem. Não precisamos apenas de pele nova, precisamos de um coração novo.

Cortar um bloco de mármore e esculpir dele uma nobre estátua, derreter uma barra de ferro e forjá-la em molas de relógio - essas são mudanças imensas. Contudo, nada são em comparação com a mudança que um filho de Adão requer, pois são meramente o mesmo material sob nova forma. O homem precisa de uma transformação tão grande quanto a ressurreição dos mortos; precisa tornar-se nova criatura. As coisas antigas terão que passar, e tudo terá que ser novo. Precisa nascer de novo - nascer do alto, nascer de Deus. O nascimento natural não é mais necessário à vida do corpo do que o nascimento espiritual é necessário à vida da alma (2Co 5.17; Jo 3.3).

A mais rude folha de capim que cresce no campo, é um objeto mais nobre do que a mais linda flor de cera formada por um artista, por haver naquela algo que a ciência do homem não tem a capacidade de doar: a vida. A mais esplêndida estátua de mármore da Grécia ou Itália nada vale em comparação com a criança pobre e doente que engatinha pelo chão de um casebre, pois, com toda a sua beleza, a estátua é morta.

Você que já passou da morte para a vida, tem razão para ser grato! Lembre-se do que você era outrora, por natureza. Pense no que agora é pela graça de Deus. Veja os ossos secos que saíram dos túmulos. Você era assim; quem fez a diferença? Deus! Humilhe-se diante do estrado dos seus pés. Louve-O por sua livre graça. Diga-lhe com frequência: “Por que eu, Senhor? Por que foste misericordioso comigo?

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

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“VIVO OU MORTO?” parte I


“VIVO OU MORTO?” parte I

“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2.1).

Esta questão merece muita consideração. Examine seu próprio coração e não deixe de lado esta leitura sem fazer uma auto-avaliação. Você está entre os vivos ou entre os mortos?

Primeiro, permita-me dizer que por natureza, todos estamos espiritualmente mortos.

“Morto” é palavra bem forte, mas não foi minha invenção e nem é termo que eu escolhi. O Espírito Santo ensinou a Paulo para que ele escrevesse, referindo-se aos efésios: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2.1). O Senhor Jesus Cristo empregou esta palavra na parábola do filho pródigo: “porque este meu filho estava morto e reviveu” (Lc 15.24-32). Você encontrará também em 1 Timóteo 5.6: “A que se entrega aos prazeres, mesmo viva, está morta”. Deve o homem saber mais do que está escrito? Não deve cuidar em falar o que a Bíblia diz, nem mais e nem menos do que isso?

Estar “morto” é uma ideia terrível, que o homem não deseja receber. Não gosta de admitir a extensão do mal que aflige sua alma; ele fecha os olhos à verdadeira gravidade do perigo. Muitas pessoas estão prontas para admitir que naturalmente a maioria das pessoas “não é bem o que deveria ser, é egoísta, instável, não tem a devida seriedade”. Mas, mortos? Ah, não! Não devemos mencionar isto. É exagero dizer uma coisa dessas.

O que nos importa não é o que nos agrada na religião. A grande questão é: O que está escrito? O que diz o Senhor? Os pensamentos de Deus não são os pensamentos dos homens, e as palavras de Deus não são as palavras dos homens. Deus diz que toda pessoa viva que não é cristã genuína, seja ela importante ou humilde, rica ou pobre, velha ou jovem - que ela está espiritualmente morta. Não há nada mais correto, mais fiel e verdadeiro do que o que Deus diz.

Quando um homem tem o coração frio e desinteressado pela religião, quando suas mãos jamais se empregam na obra de Deus, quando seus pés desconhecem os caminhos de Deus, quando sua língua quase nunca é usada para o louvor ou para a oração, quando seus ouvidos são surdos à voz de Cristo no Evangelho e seus olhos cegos à beleza do Reino dos Céus, quando sua mente está repleta das coisas do mundo e não há lugar para coisas espirituais - quando encontramos essas marcas num homem, a palavra certa que o descreve é “morto”.

Deus nos abençoe!

J.C.Ryle (1816-1900).

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segunda-feira, 20 de novembro de 2023

“A FIGUEIRA MURCHA” - parte do segundo e terceiro ponto

“A FIGUEIRA MURCHA” - parte do segundo e terceiro ponto

“Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!” (Mt 21.17-20).

II. Já é hora de nos lembrarmos da verdade solene do nosso segundo ponto: Essas pessoas serão inspecionadas pelo Rei Jesus.

Ele Se aproximará delas, e quando chegar a elas, procurará fruto. Ele perscruta totalmente o nosso caráter, para ver se há alguma fé genuína, algum amor verdadeiro, alguma esperança viva, algum gozo que seja fruto do Espírito Santo, alguma paciência, alguma abnegação, algum fervor na oração, algum andar com Deus, alguma habitação do Espírito Santo; e se Ele não vir tais coisas, não ficará satisfeito com a frequência à igreja, às reuniões de oração, às santas ceias, às leituras bíblicas, aos sermões, porquanto todas essas coisas podem não passar de folhagem. Se nosso Senhor não vir em nós o fruto do Espírito, não ficará satisfeito conosco, e Sua inspeção levará a medidas severas. Notem que o que Jesus está procurando não são suas palavras, suas resoluções, suas alegações, mas sua sinceridade, sua fé interior, suas pessoas sendo realmente trabalhadas pelo Espírito de Deus para produzirem frutos dignos do Seu reino. Nosso Senhor tem o direito de esperar fruto quando Ele vem procurá-lo. Como cristãos, confessamos que somos redimidos dentre os homens, e que fomos libertos desta geração perversa. Cristo talvez não espere fruto provindo dos homens que reconhecem o mundo e suas épocas mutáveis como sua orientação suprema; mas certamente pode esperar fruto daquele que crê na Sua própria Palavra.

III. Agora, em terceiro lugar, pela ajuda do Espírito de Deus, quero considerar a verdade de que o resultado da vinda de Cristo será muito terrível para quem fez uma profissão precoce - porém infrutífera.

Onde poderia ter esperado achar fruto, aquele que procurou não achou nada senão folhas. Nada senão folhas significa nada senão mentiras. Seria essa uma expressão severa? Se eu professo a fé, sem a possuir, não se trata de uma mentira? Se eu professo o arrependimento, sem ter-me arrependido, não se trata de uma mentira? Se eu me reúno com o povo do Deus vivo, sem ter o temor a Deus no meu coração, não se trata de uma mentira? Se eu venho à mesa da comunhão, e participo do pão e do vinho, porém nunca discirno o corpo do Senhor, não se trata de uma mentira? Se eu professo que defendo as doutrinas da graça, mas não tenho a certeza da veracidade delas, não se trata de uma mentira? Se nunca senti minha própria depravação, se nunca fui chamado de modo eficaz, se nunca conheci minha eleição por Deus, se nunca descansei no sangue remidor, e se nunca fui renovado pelo Espírito, minha defesa das doutrinas da graça não seria uma mentira? Se não há nada senão folhas, não há nada senão mentiras, e o Salvador percebe que a situação é assim.

Deus nos abençoe!

C.H.Spurgeon (1834-1892).

*Parte do segundo e terceiro ponto do sermão “A Figueira Murcha”, por C.H.Spurgeon em 29/09/1889.

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“A FIGUEIRA MURCHA” - Introdução e parte do primeiro ponto


“A FIGUEIRA MURCHA” - Introdução e parte do primeiro ponto

“Cedo de manhã, ao voltar para a cidade, teve fome; e, vendo uma figueira à beira do caminho, aproximou-se dela; e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!” (Mt 21.17-20).

Que grande lição para as igrejas! Tem havido igrejas nas quais se destacaram os números e a influência, contudo a fé, o amor e a santidade não foram mantidos, e o Espírito Santo as deixou à exibição vã de uma profissão infrutífera; e ali ficam aquelas igrejas com o tronco da organização e com os galhos amplamente estendidos, mas estão mortas, e ano após ano tornam-se cada vez mais decadentes. Irmãos, temos nesta hora igrejas desse tipo entre os protestantes evangélicos. Que nunca seja assim com esta igreja! Podemos ter um bom número de pessoas que vem para ouvir a Palavra, e um grupo considerável de homens e mulheres que professam estar convertidos; mas a não ser que a piedade vital esteja em seu meio, o que são as congregações e as igrejas? Podemos ter um ministério de valor, mas o que ele seria sem o Espírito de Deus? Podemos ter grandes ofertas, e muitos esforços exteriores, mas o que valem sem o espírito da oração, o espírito da fé, o espírito da graça e da consagração? Eu ficaria apavorado se um dia nós chegássemos a ser como uma árvore precoce, ostentando uma profissão superlativa, mas sem valor aos olhos do Senhor, por estar ausente a vida secreta da piedade e da união vital com Cristo. Seria melhor o machado derrubar todo vestígio da árvore, do que deixá-la em pé sob o céu como uma mentira aberta, uma zombaria, uma ilusão.

I. Em primeiro lugar, então, há no mundo casos de profissão promissora, porém infrutífera. 

Os casos aos quais nos referimos não são tão raros assim. As pessoas envolvidas neles superam, em muito, tantas outras. Sua promessa é bem audível, e seu exterior é muito impressionante. Parecem árvores frutíferas; esperamos delas muitas cestadas dos melhores figos. Elas nos impressionam com a sua conversa, nos deixam assoberbados com os seus modos. Invejamos a elas, e açoitamos a nós mesmos. Essa última atitude talvez não nos faça mal; mas invejar hipócritas não pode deixar de ser danoso a longo prazo; isto porque quando for descoberta a hipocrisia delas, tenderemos a desprezar a religião, como também os que fingem ser religiosos. Acaso vocês não conhecem pessoas que na aparência são tudo e na realidade não são nada? Ó pensamento tenebroso! Nós mesmos poderíamos ser assim? Vejam o homem: ele está forte na fé, até o ponto da presunção; está alegre na esperança, até o ponto da leviandade; é amoroso de espírito, até o ponto de total indiferença quanto à verdade! Como é loquaz na conversa! Como está profundo na especulação teológica! Como é fervoroso em conclamar a movimentos de avanço! Nunca, porém, entrou no reino mediante o novo nascimento. Nunca foi ensinado por Deus. O evangelho chegou a ele somente em palavras. A obra do Espírito Santo lhe é desconhecida. Porventura não existem tais pessoas? Não há pessoas que são defensoras da ortodoxia, no entanto, heterodoxas na sua própria conduta? Não conhecemos homens e mulheres cujas vidas negam o que os seus lábios professam? Temos certeza de que assim é. Todas as vinhas já tiveram nelas figueiras cobertas de folhas, que se destacaram pela folhagem da sua profissão de fé, todavia não produziram frutos para o Senhor.

Deus nos abençoe!

*Introdução e parte do primeiro ponto do sermão “A Figueira Murcha”, por C.H.Spurgeon em 29/09/1889.

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“A FIGUEIRA MURCHA” - Conclusão

 

“A FIGUEIRA MURCHA” - Conclusão (Mt 21.17-20)

Sugiro que todas as pessoas aqui presentes clamem ao Senhor para nos tornar conscientes da nossa esterilidade natural. Amados irmãos, que o Senhor nos leve a lamentar nossa esterilidade, mesmo quando trazemos alguns frutos. Sentirem-se bem satisfeitos consigo mesmos é perigoso: julgarem-se santos, e até mesmo perfeitos, é ficar à beira da fossa do orgulho. Se vocês erguerem a cabeça tão alta, temo que vão batê-la contra a verga da porta. Se andarem sobre pernas de pau, temo que cairão. É muito mais seguro sentir: "Senhor, realmente sirvo a Ti, e não sou enganador. Amo-te realmente; Tu tens operado em mim as obras do Espírito. Mas ai de mim! Não sou o que quero ser, não sou o que devo ser. Aspiro à santidade; ajuda-me a alcançá-la. Senhor, devo ficar deitado no próprio pó diante de Ti quando penso que, depois de ter recebido o trabalho da escavação e da adubação, produzo tão poucos frutos. Sinto que sou menos do que nada. Meu clamor é: "Deus tem misericórdia de mim". Se eu tivesse feito tudo, ainda seria um servo de pouco proveito; mas tendo feito tão pouco, Senhor, onde esconderei a minha cabeça culpada?"

Finalmente, depois de terem feito essa confissão, e o bom Senhor ter ouvido, há um símbolo nas Escrituras que eu gostaria que vocês copiassem. Imaginemos que nesta manhã vocês se sintam tão secos, mortos e infrutíferos, que não podem servir a Deus como gostariam de fazer, nem sequer orar pedindo mais graça, conforme desejam. Então, estão como doze varas. Estão muito mortas e secas, porque ficaram sempre nas mãos de doze chefes, que as usaram como cetros do seu cargo oficial. Essas doze varas devem ser colocadas diante do Senhor. Esta aqui é a de Arão; mas está tão morta e seca como qualquer das demais. Todas as doze são colocadas onde o Senhor habita. Vemo-las no dia seguinte. Onze delas continuam a ser varas secas; mas vejam essa vara de Arão! O que aconteceu? Era seca como a morte. Mas vejam, brotou! Isto é maravilhoso! Mas olhem, floresceu! Há nela flores de amendoeira. São cor-de-rosa e brancas. É uma maravilha! Mas olhem de novo: produziu amêndoas! Aqui estão! Vejam estes frutos verdes, que parecem pêssegos. Tirem a parte carnuda, e aqui está uma amêndoa cuja casca vocês podem quebrar para achar a noz. O poder celestial veio sobre a vara seca, e brotou, e floresceu, e até mesmo produziu amêndoas. Frutificar é a prova da vida e do favor. Senhor, tome essas pobres varas hoje, e faça- as brotar. Senhor, aqui estamos, num feixe, realize aquele milagre antigo em mil de nós. Faça-nos brotar, florescer, e frutificar! Vem com poder divino, e transforma esta congregação de gavela em pomar. Quem dera que nosso bendito Senhor obtivesse um figo dalguma vara seca nesta manhã! — pelo menos um figo tal como este: "Deus tem misericórdia de mim, pecador!" Há doçura nessa oração. Nosso Senhor Jesus gosta do sabor de um figo tal como este: "Senhor, creio! Ajuda a minha falta de fé!" Aqui está outro: "Ainda que ele me mate, nele esperarei" — é uma cestada de figos temporãos, e o Senhor Se regozija na sua doçura. Vem, Espírito Santo, produza frutos em nós hoje, mediante a fé em Jesus Cristo, nosso Senhor! 

Amém e Amém!

C.H.Spurgeon (1834-1892).

*Parte conclusiva do sermão pregado por C.H.Spurgeon em 29/09/1889.

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