Huiskamer Worship Set
“Bendirei o SENHOR
em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios” (Sl 34.1).
Huiskamer Worship Set
“Bendirei o SENHOR
em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios” (Sl 34.1).
“Pois ele
conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó” (Sl 103.14).
O salmista Davi
aniquila toda e qualquer dignidade que os homens porventura arroguem para si e
assevera que é em consideração a nossa miséria, e tão-somente isso, que Deus se
sente movido a exercer paciência para conosco. É preciso que observemos isso
uma vez mais e com muita prudência, não só com o propósito de vencer o orgulho
de nossa carne, mas também para que o senso de nossa indignidade não nos impeça
de confiar em Deus. Quanto mais miserável e deplorável é nossa condição, mais
inclinado se vê Deus a exercer misericórdia, pois à vista de sermos barro e pó
é suficiente para incitá-lo a fazer-nos o bem.
Para o mesmo fim
é a comparação imediatamente seguinte [v. 15], a saber: que toda a excelência
do homem fenece como uma frágil flor à primeira lufada de vento. É deveras
impróprio dizer que o homem floresce.
Mas como é possível alegar-se que ele é, não obstante, distinguido por um ou
outro dote, Davi admite que ele floresce como a erva, em vez de dizer, como tem
feito com razão, que ele é um vapor ou sombra, ou algo que se converte em nada.
Ainda que, enquanto vivermos neste mundo, sejamos adornados com dons naturais,
e, para nada dizer de outras coisas, “vivemos, nos movemos e temos nossa
existência em Deus” [At 17.28], todavia, como nada temos exceto o que depende
da vontade de outro, e que pode ser tirado de nós a qualquer momento, nossa
vida é apenas uma mostra ou sombra que passa. O tema aqui discutido é propriamente
a brevidade da vida, o que Deus leva em conta para mui compassivamente nos
perdoar, como lemos em outro Salmo: “Por que se lembrou de que eram de carne,
vento que passa e não volta” [SI 78.39]. Se alguém pergunta por que Davi, não
fazendo menção da alma, a qual todavia é a parte principal do homem, declara
sermos pó e barro, respondo que basta que Deus seja misericordiosamente
induzido a sustentar-nos, quando ele vê que nada excede nossa vida em
fragilidade. E ainda que a alma, depois de partir da prisão do corpo, permanece
viva, todavia, ao se dar assim com ela, isso não provém de algum poder inerente
que porventura exista nela. Caso Deus subtraísse sua graça, a alma não seria
mais que uma bolha ou sopro, ainda quando o corpo não passa de pó; e assim com
certeza não seria achado em toda a constituição humana outra coisa senão mera
vaidade.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Como um pai se
compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem” (Sl 103.13).
O salmista Davi não
só explica, à guisa de comparação, o que ele já havia declarado, mas também ao
mesmo tempo assinala a causa por que Deus tão graciosamente nos perdoa, a
saber: porque ele é um pai. Portanto,
é em decorrência de haver Deus gratuita e soberanamente nos adotado como seus
filhos que ele continuamente perdoa nossos pecados e, consequentemente, somos
atraídos àquela fonte donde emana a esperança de perdão. E como ninguém jamais
foi adotado com base em seu próprio mérito, segue-se que os pecados são
gratuitamente perdoados. Deus é comparado a pais terrenos, não porque ele seja
em todos os aspectos como eles, mas porque não há imagem terrena que forme
paralelo com seu amor para conosco, e o qual seja melhor expresso. Para que a
bondade paternal de Deus não fosse pervertida como um estímulo ao pecado, Davi
novamente reitera que Deus é assim favorável somente em prol dos que são seus
sinceros adoradores. É deveras uma prova de incomum paciência o fato de Deus
“fazer seu sol nascer sobre maus e bons” [Mt 5.45]; mas o tema aqui tratado é a
livre imputação da justiça por meio da qual somos reputados filhos de Deus.
Ora, esta justiça só é oferecida aos que se devotam inteiramente a um Pai tão
liberal, e reverentemente se submetem a sua palavra. Mas como nossa obtenção de
santidade neste mundo, qualquer medida que ela tenha, longe está da perfeição,
então só resta uma coluna de apoio sobre a qual nossa salvação seguramente pode
repousar: a bondade de Deus.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Mas a bondade do
SENHOR é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça,
sobre os filhos dos filhos, para com os que guardam a sua aliança e para com os
que se lembram dos seus preceitos e os cumprem” (Sl 103.17,18).
O salmista Davi não confina
sua esperança dentro dos limites do tempo; ele a vê como de duração
incomensurável com a graça na qual ela se fundamenta. À bondade [misericórdia] se anexa a justiça,
palavra que, como tivemos ocasião de observar reiteradamente, denota a proteção
por meio da qual Deus defende e preserva seu próprio povo. Ele é então chamado justo, não porque galardoa cada pessoa
segundo seu merecimento, mas porque ele trata fielmente seus santos, estendendo
sobre eles a mão de sua proteção. O salmista intencionalmente colocou esta
justiça depois da bondade, como sendo o efeito desta. Ele também assevera que
ela se estende aos filhos e aos filhos dos filhos, segundo as palavras textuais
em Deuteronômio 7.9: “Deus conserva a misericórdia até mil gerações”. É uma
prova singular de seu amor que ele não só recebe cada um de nós individualmente
em seu favor, mas nele também nos associa com nossa prole, como que por direito
hereditário, para que sejamos participantes da mesma adoção. Como nos lançaria
fora, ele que, ao receber nossos filhos e os filhos dos filhos em sua proteção,
nos mostra na pessoa deles quão preciosa a seus olhos é nossa salvação?
Além do mais,
como nada é mais fácil do que para os hipócritas bajular sob falso pretexto de
que estão bem com Deus, ou para os filhos degenerados infundadamente aplicar a
si as promessas feitas a seus pais, declara-se novamente, à guisa de exceção,
no versículo 18, que Deus só é misericordioso para com os que, de sua parte, guardam sua aliança, a qual os
incrédulos, por sua perversidade, tornam de nulo efeito. A guarda ou observância da aliança, que é aqui expressa em vez de o temor de Deus, mencionado no versículo
anterior, é digna de nota; pois assim Davi notifica que ninguém é verdadeiro adorador
de Deus senão aqueles que reverentemente obedecem a sua Palavra. O profeta, pois,
corretamente julga a piedade dos homens à luz de sua submissão à Palavra de
Deus e de seguirem eles ou não a regra que ele lhes prescreveu. Pois a aliança
começa com um solene artigo contendo a promessa da graça que requer fé e
oração, acima de todas as coisas, para a observância própria dela.
Tampouco
supérflua é a sentença adicional: que se lembram de seus estatutos;
pois embora Deus os esteja continuamente pondo em nossa mente, todavia tão
depressa corremos para as preocupações mundanas, nos deixando envolver por uma
multiplicidade de entretenimentos e arrastados por seduções variadas. E assim o
esquecimento extingue a luz da verdade, a não ser que os fiéis se estimulem de
tempo em tempo. Davi nos diz que essa lembrança dos estatutos divinos tem um
efeito revigorante quando os homens se aplicam a cumpri-los. Muitos se aplicam
demasiadamente a discuti-los com suas línguas, mas cujos pés são lentos demais,
e cujas mãos se acham quase que inertes em referência ao serviço ativo.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Honra a teu pai e a tua mãe, para que tenhas longa vida sobre a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá” [Êx 20.12].
TEOR E APLICAÇÃO DO QUINTO MANDAMENTO
A finalidade deste mandamento é: uma vez que
ao Senhor Deus apraz a manutenção
do que dispôs, importa que nos sejam invioláveis os graus de eminência por ele
ordenados. A síntese, portanto, será: que usemos de deferência para com aqueles
que o Senhor nos fez superiores e os tenhamos em honra, em obediência e em
grato reconhecimento. Donde se segue a proibição: que não denigremos nada de
sua dignidade, quer por desdém, quer por contumácia, ou por ingratidão.
Ora, o termo honra assim se
patenteia amplamente na Escritura. Por exemplo, quando o Apóstolo diz [1Tm 5.17] que os presbíteros que presidem bem sejam dignos de dobrada
honra, entende que se lhes deve não somente reverência, mas ainda a remuneração
que seu ministério merece. Mas, visto que este mandamento referente a nossa sujeição aos superiores se põe fortemente em conflito com a
depravação do espírito humano, que por isso é ele
intumescido do anseio de exaltação, a contragosto se deixa sujeitar, foi
proposta por exemplo essa forma de
superioridade a qual, por natureza, é mais para estimar-se e menos para
invejar-se, porque assim podia mais facilmente abrandar e
dobrar nosso ânimo ao hábito de submissão. Logo, o Senhor gradualmente nos
acostuma a toda legítima sujeição mediante essa forma que é a mais fácil de
tolerar-se, uma vez que, de todas, a razão é a mesma.
Com efeito, compartilha seu nome com aqueles a quem atribui eminência,
até onde se faz necessário para que ela seja
preservada. A ele tão-somente convém, segundo a Escritura, os títulos Pai, Deus e Senhor, de modo que, sempre que ouvirmos qualquer um
deles, nosso entendimento seja tocado com o senso de sua majestade. Portanto, aqueles
a quem faz participantres desses títulos ilumina-os como que com uma centelha
de seu fulgor, de sorte que sejam, cada um, dignos de honra em conformidade com
sua posição de eminência. Desse modo, aquele
que nos é pai, é próprio reconhecer
nele algo divinal, porquanto não sem causa é portador do título divino. De
igual modo, aquele que é um príncipe, ou
aquele que é um senhor, tem com Deus alguma comunhão de honra.
O PRINCÍPIO GERAL, ILUSTRADO
NA REVERÊNCIA PARA COM OS PAIS
Em vista desse fato, não deve ser ambíguo que o Senhor aqui estatui uma
regra universal, isto é, conforme tomamos conhecimento de que, por sua ordenação, alguém nos foi posto como
superior, que o honremos com reverência, obediência e reconhecimento, e com
quantas formas de servi-lo pudermos. Nem vem ao caso se aqueles a quem esta honra se defere são dignos ou indignos,
porquanto, não importa o que sejam, afinal não alcançaram esta posição,
entretanto, sem a providência de Deus,
em função da qual o próprio Legislador quis que fossem honrados.
Contudo, preceituou expressamente acerca da reverência de nossos pais, que nos trouxeram a esta vida,
com o que nos deve ensinar, de certa maneira, a própria natureza. Pois são
monstros, não seres humanos, os que infringirem o poder paterno por desrespeito
ou insubordinação! Por isso, o Senhor ordena que sejam mortos todos os
insubmissos aos pais, como indignos do benefício da luz, já que não reconhecem àqueles
por cuja obra a têm alcançado.
E, de fato, de variadas complementações da lei se evidencia ser
verdadeiro o que acabamos de assinalar, ou,
seja: que há três expressões da honra de que aqui se fala, a saber: reverência, obediência e reconhecimento. A
primeira dessas, a reverência, o
Senhor a sanciona quando preceitua que seja entregue à morte aquele que maldisser ao pai ou à mãe [Ex
21.17; Lv 20.9; Pv 20.20], uma vez que aí castiga o menosprezo e a insolência. A segunda, a obediência, sanciona-a quando decreta a pena de morte
contra os filhos contumazes e rebeldes [Dt 21.18-21]. Diz respeito à terceira a gratidão ou reconhecimento, o
que Cristo diz: que é do mandamento de Deus
que façamos o bem a nossos pais [Mt 15.4-6]. E quantas vezes Paulo faz menção
deste mandamento, entende que nele se requerer obediência [Ef 6.1-3; Cl3.20].
A PROMESSA ANEXA AO QUINTO
MANDAMENTO
Anexa-se a promessa, à guisa de recomendação,
para que mais advirta quão agradável é a Deus a submissão que aqui se nos
prescreve. Ora, Paulo aplica este aguilhão a espicaçar-nos o torpor,
quando diz que este é o primeiro mandamento com promessa [Ef 6.2], se bem que a
promessa que a precedeu na primeira tábua não foi especial e exclusiva de um
mandamento único, mas, ao contrário, se estendia
a toda a lei.
Na verdade, esta promessa deve ser assim entendida: o
Senhor estava falando privativamente aos israelitas a respeito da terra que
lhes havia prometido em herança. Portanto, se a posse da terra era um penhor da
benignidade divina, não nos admiremos se o Senhor quisesse atestar sua graça em
prometendo longevidade devida, mediante a qual acontecia que se colhesse o
fruto diário de seu benefício. Logo, o sentido é: “Honra a teu
pai e a tua mãe, para que,
pela longa extensão da vida, te seja concedido fruir duradouramente desta posse
da terra que te haverá de ser por testemunho de minha graça”.
Ademais, porque a terra toda foi abençoada para os fiéis, com razão
contamos a presente vida entre as bênçãos de Deus. Por isso, esta promessa diz
respeito, de igual modo, a nós, isto é, na medida em que a duração da presente
vida nos é um atestado da divina benevolência. Pois, não é ela prometida a nós,
ou foi prometida aos judeus, como se em si contivesse bem-aventurança, mas
porque aos piedosos é costumeiramente um sinal da divina complacência.
Isto posto, se acontece, o que não é raro, que um filho obediente aos
pais é arrebatado à vida antes da idade madura, a despeito disso está o Senhor
a perseverar persistentemente no cumprimento de sua promessa, não menos que se
contemplasse com cem geiras de terra aquele a quem havia prometido apenas uma.
Tudo nisto se situa: que reflitamos ser prometida vida longa até onde ela é uma bênção de Deus, que é, de fato, uma
bênção até onde é evidência da graça divina, que ele atesta a seus servos, e deveras o demonstra,
infinitamente mais copiosa e substancialmente, pela morte.
A MALDIÇÃO IMPLÍCITA NA DESOBEDIÊNCIA
AO QUINTO MANDAMENTO E QUALIFICAÇÃO
DA OBEDIÊNCIA REQUERIDA
Ademais, enquanto o Senhor promete a bênção da presente vida aos filhos
que tenham honrado aos pais com a consideração que convém, ao mesmo tempo acena
que mui certa maldição defronta a todos os filhos
contumazes e desobedientes. Para que isto não careça de execução, mediante sua
lei pronuncia-os passíveis à sentença de morte e a respeito deles manda que se exerça punição. Se escapam ao
juízo, ele próprio lhes provê o castigo, de qualquer modo que
seja. Pois vemos quão grande número desta espécie de homens perece ou em
combates ou em rixas; outros, porém, são afligidos de maneiras insólitas;
quase todos são por prova de que esta ameaça não é vã. Se bem que há os que escapam até extrema velhice. Uma
vez que, privados da bênção de Deus, nesta
vida vegetam nada menos que miseravelmente e se reservam para maiores
castigos no futuro, mui longe está de que se façam participantes da bênção
prometida aos filhos piedosos.
Mas, isto deve ser também assinalado de passagem: que se nos ordena
obedecer-lhes somente no
Senhor [Ef 6.1]. Nem equivale isto obscurecer o fundamento previamente
lançado, pois eles têm autoridade sobre nós enquanto Deus os tiver estabelecido
nela, comunicando-lhes uma parte da honra que lhe é devida. Portanto, a sujeição que para com eles é
exibida deve ser um passo para que o Pai Supremo seja contemplado com essa
honra. Portanto, se nos instigam à transgressão da lei, então, com justiça, não
devem ser por nós tidos por pais,
mas por estranhos, que nos estão tentando afastar da obediência do
verdadeiro Pai. Assim se deve considerar em relação aos príncipes, aos senhores
e a todo gênero de superiores nossos.
Pois seria coisa indigna e fora de razão que sua autoridade seja exercida para
rebaixar a alteza e majestade de Deus; já que, dependendo da autoridade divina
deve guiar-nos e encaminhar-nos a ela.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
“Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu
próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento,
nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”
(Êx 20.17).
Teor e Aplicação do Mandamento
O propósito deste mandamento é: visto que Deus quer que a alma toda seja
possuída do afeto do amor, de nossas disposições se deve alijar todo desejo
contrário à caridade. Portanto, a síntese será que não se nos insinue qualquer
pensamento que nos mova o espírito com uma concupiscência danosa e tendente ao
detrimento de outrem. A que corresponde o preceito oposto, que tudo quanto
concebemos, deliberamos, queremos, intentamos, seja isto associado com o bem e
proveito do próximo. Aqui, porém, segundo parece, surge-nos grande e
perplexiva dificuldade. Ora, se com
verdade dissemos anteriormente que sob os termos fornicação e furto se coibiam o desejo de fornicar e a intenção de prejudicar e
enganar, pode parecer ter sido supérfluo que depois se nos proibisse, em
separado, a cobiça dos bens alheios. No entanto, facilmente nos desatará este
nó ante a distinção entre intenção e cobiça. Porque,
a intenção, como já falamos sobre os mandamentos anteriores, é o consenso
deliberado da vontade, quando a concupiscência subjugou a mente; a cobiça pode existir aquém de tal deliberação e assentimento, quando a
mente é apenas espicaçada e titilada de objetos vãos e
pervertidos. Portanto, da mesma forma que até aqui o Senhor ordenou que a
norma da caridade presida a nossas vontades, a nossos esforços, a nossas ações, assim agora ordena sejam
conduzidos à mesma norma os
pensamentos de nossa mente,
para que não haja nenhum pensamento
corrupto e pervertido, que incite a mente em outra direção. Da mesma forma
que proibiu que a mente fosse inclinada e induzida à ira, ao ódio, à
fornicação, à rapina, à mentira, assim proíbe agora que ela seja sequer incitada a essas transgressões.
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba/PR.
GOD IK KIJK NAAR U -
“Olhai para mim
e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há
outro” (Is 45.22).
Deus, eu olho para Ti, pois então não
desanimarei
Mostra-me, Senhor, como Tu vês as coisas
Deus, eu olho para Ti, meu auxílio, meu solo firme
Dá-me sabedoria, Tu sabes o que devo fazer.
Eu Te amo, ó Senhor, minha força
Eu Te amo, ó Senhor, meu escudo
Eu Te amo, ó Senhor, minha rocha
Para todo o sempre, Senhor, eu Te amo.
Aleluia, Deus reina
Aleluia, Deus reina
Aleluia, Deus reina
Para todo o sempre, Aleluia!
“Este é o
discípulo que dá testemunho a respeito destas coisas e que as escreveu; e
sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. Há, porém, ainda muitas outras
coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem relatadas uma por uma, creio eu que
nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos” (Jo 21.24,25).
O significado da
palavra evangelho é bem conhecido. Na
Escritura, ela denota, a alegre e prazerosa mensagem da graça a nós exibida em
Cristo, a fim de instruir-nos a desprezar o mundo com suas passageiras riquezas
e prazeres, a desejar essa bênção de todo nosso coração e abraçá-la quando ela
nos for oferecida. É natural em todos nós aquela conduta que percebemos em
homens irreligiosos que cultivam extravagantes prazeres nos fúteis deleites do
mundo, ainda que sejam poucos, de modo que alguns se deixam afetar pelos
encantos das bênçãos espirituais. Com o propósito de corrigir esse erro, Deus
expressamente dá o título de evangelho
à mensagem que ele ordena seja concernente a Cristo. Desse modo, ele nos lembra
que em nenhuma outra parte se pode obter a genuína e sólida felicidade, e que
nele temos tudo que necessitamos para a perfeição de uma vida feliz.
Há quem
considere a palavra evangelho como se
estendendo a todas as preciosas promessas de Deus que se acham espalhadas
inclusive na Lei e nos Profetas. Tampouco se pode negar que sempre que Deus
declara que se deixará reconciliar com os homens e perdoará seus pecados, ao mesmo
tempo exibe Cristo cujo peculiar ofício onde que se manifeste, é jorrar por
toda parte os raios de sua alegria. Reconheço, pois, que os [antigos] pais
foram participantes juntamente conosco do mesmo evangelho, no que diz respeito à fé na salvação gratuita. Visto,
porém, que a declaração ordinária do Espírito Santo nas Escrituras é que o evangelho foi proclamado pela primeira
vez quando Cristo veio, abracemos também essa forma de expressão, bem como
conservemos a definição de evangelho
que tenho formulado, a saber: é a solene publicação da graça revelada em Cristo.
Por isso o evangelho é chamado de poder de Deus para a salvação de todo aquele
que crê [Rm 1.16], porque nele Deus exibe sua justiça. Ele é também chamado
embaixada por meio do qual Deus reconcilia
consigo os homens [2Co 5.20]; e, visto que Cristo é o penhor da
misericórdia de Deus e de seu paternal amor para conosco, assim ele é, de uma
maneira peculiar, o tema do evangelho.
Por isso, ele
veio para que as histórias que narram que Cristo se manifestou em carne,
morreu, ressuscitou dentre os mortos e, por fim, foi assunto ao céu tivessem
peculiarmente o mérito do título evangelho.
Pois ainda que, por razões já expressas, esta palavra signifique o Novo
Testamento, contudo o título que denota a totalidade, pela prática geral,
representa aquela parte dele que declara que Cristo se nos manifestou na carne,
morrendo e ressuscitando dentre os mortos. Mas, como a mera história não seria
suficiente, e de fato ela seria de nenhuma valia para a salvação, o evangelista
não relata simplesmente que Cristo nasceu, morreu e venceu a morte, mas também
explica com que propósito ele nasceu, morreu e ressuscitou, bem como qual o
benefício que recebemos desses fatos.
Deus nos abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“Porque amaram
mais a glória dos homens do que a glória de Deus” (Jo 12.43).
O Evangelista
João declara expressivamente que aqueles homens não eram guiados por alguma superstição,
mas apenas diligenciavam em evitar a desgraça entre os homens; pois se a
ambição tinha maior influência sobre eles do que o temor de Deus, segue-se que
não era um fútil escrúpulo da consciência que os fazia inquietos. Ora, que possamos
observar quão grande ignomínia se contrai diante de Deus, mediante a covardia
dos que, movidos pelo medo de serem odiados, dissimulam sua fé diante dos
homens. Pode alguma coisa ser mais tola, ou, melhor, pode algo ser mais bestial
do que preferir o fútil aplauso dos homens ao juízo de Deus? Mas ele declara
que todos quantos se esquivam do ódio dos homens, quando a fé pura deve ser
confessada, se deixam dominar por esse tipo de demência. E com razão, pois o
apóstolo, ao aplicar a inabalável firmeza de Moisés, diz ele que permaneceu
firme, como se visse aquele que é invisível [Hb 11.27]. Com estas palavras ele
tem em vista que, quando alguma pessoa fixa seus olhos em Deus, seu coração se
torna invencível e totalmente incapaz de ser movido. Donde, pois, provém a fraqueza
que nos leva a ceder à insidiosa hipocrisia, senão porque, aos olhos do mundo,
todos os nossos sentidos se embrutecem? Pois uma genuína visão de Deus
dissiparia instantaneamente toda névoa da riqueza e honras. Longe, pois, com
aqueles que consideram uma negação indireta de Cristo como sendo um escândalo
trivial, ou, como costumam chamá-lo, uma leve transgressão! [Mt 10.33].
Amar mais a glória dos homens
significa, nesta passagem, o anseio pelo desfrute de reputação entre os homens.
O apóstolo João, pois, tem em vista que aqueles homens eram tão devotados ao
mundo, que aspiravam mais o aplauso dos homens do que o agrado de Deus. Além
disso, ao acusar deste crime os que negavam a Cristo, ao mesmo tempo ele mostra
que a excomunhão, da qual os sacerdotes usavam e abusavam, contraria a tudo o
que era direito e lícito e era destituída de qualquer valor ou eficácia.
Deus nos
abençoe!
João
Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).
“Contudo, muitos
dentre as próprias autoridades creram nele, mas, por causa dos fariseus, não o
confessavam, para não serem expulsos da sinagoga” (Jo 12.42).
Pode-se imaginar
que o Evangelista João fala incorretamente, ao separar a fé da confissão; pois
é com o coração que cremos para a justiça, e é com a boca que fazemos confissão
para a salvação [Rm 10.10), e é impossível que a fé, que uma vez tenha sido
acesa no coração, não arroje suas chamas. Minha resposta é que ele realça aqui
quão fraca era a fé dos que eram tão mornos, ou melhor, frios. Em suma, João
tem em vista que abraçaram a doutrina de Cristo, porque bem sabiam que ela
provinha de Deus, mas que não possuíam uma fé vívida, ou uma fé tão vigorosa
como deveriam ter; pois Cristo não concede aos seus seguidores um espírito de medo, e sim de firmeza, para que ousada e destemidamente confessem o que
têm aprendido dele. Entretanto, não creio que ficaram em total silêncio, mas como
sua confissão não era suficientemente
pública, o Evangelista, em minha opinião, simplesmente declara que não faziam
uma confissão de sua fé, pois o tipo próprio de confissão era a declaração
pública de que eram discípulos de Cristo. Que ninguém, pois, se gabe, se em
algum aspecto oculta ou dissimula sua fé por medo de incorrer no ódio dos
homens; porque, por mais odioso que seja o Nome de Cristo, aquela covardia que
nos impele a nos esquivarmos, um mínimo sequer, da confissão dele, não admite
escusa.
Deve-se observar
ainda que os líderes (principais) têm
menos rigor e firmeza, porque a ambição quase sempre reina neles, a qual é a
mais escravizadora de todas as disposições e, para expressá-lo numa só palavra,
pode-se dizer que as honras terrenas são cadeias de ouro que prendem um homem
para que o mesmo não consiga cumprir seu dever com liberdade. Por esta conta,
as pessoas que são postas numa condição inferior e humilde devem suportar sua
sorte com maior paciência, porquanto estão, ao menos, isentas de muitas redes
nocivas. Não obstante, os grandes e nobres devem lutar contra sua elevada
posição para que esta não os embarace de se submeterem a Cristo. João afirma
que eles tinham medo dos fariseus,
não que os demais escribas e sacerdotes permitissem livremente que algum homem
se denominasse discípulo de Cristo, mas porque, sob a semelhança de zelo,
cruelmente ardiam no íntimo com mais intensa ferocidade. O zelo, na defesa da
religião, é uma excelente virtude, mas se adicionar-lhe a hipocrisia, não pode haver
praga mais danosa. Tanto mais solícitos devemos ser em rogar ao Senhor que nos
guie pela regra inerrante de seu Espírito.
Para não serem expulsos da sinagoga. Isto era o que os impelia ao medo da desgraça; pois teriam
sido expulsos da sinagoga. Daí vemos
quão grande é a perversidade dos homens, a qual não só corrompe e avilta a melhor
das ordenanças de Deus, mas as convertem em destrutiva tirania. A excomunhão
deveria ter sido o tendão da santa disciplina, para que a punição fosse prontamente
infligida, se alguma pessoa menosprezasse a Igreja. Mas os problemas atingiram
um ponto tal, que todo aquele que confessasse pertencer a Cristo era banido da sociedade dos crentes.
Deus nos
abençoe!
João Calvino (1509-1564).
*Visite a Igreja Presbiteriana do Brasil - Curitiba(PR).