"SER CRISTÃO É TER MENTE E CORAÇÃO DE CRISTO".



sexta-feira, 18 de abril de 2025

“A PALAVRA DE SALVAÇÃO” - Parte 3


“A PALAVRA DE SALVAÇÃO” - Parte 3

“E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.42,43).

3. Aqui vemos o sentido do arrependimento e da fé.

O arrependimento pode ser considerado sob vários aspectos. Ele inclui em seu significado e escopo uma mudança da mente acerca de, um desgosto por e um abandono do pecado. Todavia, há mais do que isso. Realmente, o arrependimento é a percepção de nossa condição perdida, é a descoberta de nossa ruína, é o julgamento de nós mesmos, é a confissão de nossa situação perdida. Não é tanto um processo intelectual, mas a consciência ativa na presença de Deus. E isso é exatamente o que achamos aqui no caso do ladrão. Primeiro ele diz ao seu companheiro: “Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?” (Lucas 23.40). Pouco tempo antes sua voz estivera confundida com a daqueles que estavam vilipendiando o Salvador. Mas o Espírito Santo estivera em ação sobre ele e, agora, sua consciência fica ativa na presença de Deus. Não disse ele: “Tu nem ainda temes o castigo”, mas: “Tu nem ainda temes a Deus?” Ele compreende Deus como sendo juiz.

E então, em segundo lugar, ele acrescenta: “E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam” (Lc 23.41). Aqui vemo-lo reconhecendo sua culpa e a justiça de sua condenação. Ele pronuncia sentença contra si mesmo. Ele não se desculpa e não tenta atenuar nada. Ele reconheceu que era um transgressor, e que, enquanto tal, ele merecia plenamente a punição por seus pecados, sim, que a morte lhe era devida. Você teve essa posição diante de Deus, meu leitor? Confessou abertamente a ele seus pecados? Já sentenciou a si mesmo e a seus caminhos? Está pronto para reconhecer que a morte é o que você merece? Suavize você o seu pecado ou prevarique acerca dele, estará impedindo a sua própria entrada a Cristo. Ele veio ao mundo para salvar pecadores — pecadores confessos, pecadores que realmente tomaram o lugar de pecadores diante de Deus, pecadores que estão cônscios de que estão perdidos e arruinados.

O “arrependimento para com Deus” do ladrão foi acompanhado da “fé em nosso Senhor Jesus”. 34 Ao contemplar sua fé notamos primeiro que ela foi uma fé de cabeça inteligente. Nos parágrafos iniciais do presente capítulo chamamos a atenção para a soberania de Deus e sua graça irresistível e vitoriosa que foram exibidas na conversão desse ladrão. Agora nos voltaremos a um outro lado da verdade, igualmente necessário de nele se insistir, um lado que não é contraditório com o que dissemos anteriormente, mas antes complementar e suplementar. A Escritura não ensina que, se Deus elegeu uma certa alma para ser salva, tal pessoa será salva independente dela vir a crer ou não. Essa é uma conclusão falsa tirada por aqueles que rejeitam a verdade. Não, a escritura ensina que o mesmo Deus que predestinou o fim também predestinou os meios. O Deus que decretou a salvação do ladrão agonizante cumpriu seu decreto dando a ele fé com a qual crer. Isso é o claro ensinamento de 2Tessalonincenses 2.13: “Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade”.

É justamente isso que vemos aqui em conexão com esse ladrão. Ele teve “fé na verdade”. Sua fé se apossou da palavra de Deus. Sobre a cruz estava a inscrição: “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”. Pilatos a havia colocado ali por mofa. Porém, ainda assim era a verdade, e após ele tê-la escrito, Deus não permitiria a ele que a alterasse. A tabuleta que portava essa inscrição havia sido carregada na frente de Cristo pelas ruas de Jerusalém e no lugar da crucificação, e o ladrão a lera, e a graça e o poder divinos tinham abertos os olhos de seu entendimento para ver que ela era verdadeira. Sua fé apanhou o sentido do reinado de Cristo, daí mencionar “quando entrares no teu reino”. A fé repousa sempre na palavra escrita de Deus.

Antes que um homem creia que Jesus é o Cristo, deve ter o testemunho diante dele de que ele é o Cristo. A distinção é frequentemente feita entre a fé da cabeça e a fé do coração, e isso com propriedade, pois a distinção é real, e vital. Algumas vezes a fé da cabeça é desvalorizada, mas isso é tolice. Deve haver essa antes que possa haver aquela. Temos de crer intelectualmente antes que possamos crer salvificamente no Senhor Jesus. Prova disso é vista em conexão com os pagãos: eles não têm fé alguma de cabeça e, por conseguinte, não têm fé nenhuma de coração. Prontamente admitimos que a fé de cabeça não salvará a menos que seja acompanhada pela fé do coração, mas insistimos que não há nada da segunda a menos que antes tenha havido a primeira. Como podem crer naquele a respeito de quem não ouviram? Verdade, pode-se crer acerca dele sem crer nele, mas não se pode crer nele sem primeiro crer acerca dele. Assim o foi com o ladrão agonizante. Com toda probabilidade ele nunca vira Cristo antes do dia da sua morte, mas vira a inscrição testificando o seu reinado e o Espírito Santo usou isso como a base de sua fé. Dizemos então que essa foi uma fé inteligente: primeiro, uma de tipo intelectual, o crer no testemunho escrito apresentado a ele; segundo, uma fé de coração, o descansar confiadamente em Cristo mesmo como o Salvador dos pecadores.

Sim, esse ladrão que agonizava exerceu uma fé de coração que descansou salvificamente em Cristo. Tentaremos ser muito simples aqui. Um homem pode ter fé de cabeça no Senhor Jesus e estar perdido. Um homem pode crer acerca do Cristo histórico e não estar nada melhor por causa disso, tal como não o está por crer acerca do Napoleão histórico. Leitor, você pode crer tudo acerca do Salvador — sua vida perfeita, sua morte sacrifical, sua ressurreição vitoriosa, sua ascensão gloriosa, seu retorno prometido — mas deve fazer mais do que isso. A fé evangélica é uma fé confiante. A fé salvífica é mais que uma opinião correta ou uma linha de raciocínio. A fé salvífica transcende a toda razão. Veja o ladrão agonizante! Era razoável que Cristo o notasse? Um assaltante crucificado, um criminoso confesso, alguém que há poucos minutos atrás o estivera insultando! Era razoável que o Salvador devesse reparar de qualquer forma nele? Era razoável esperar que ele fosse ser transportado da beira do inferno mesmo para o Paraíso? Ah, meu leitor, a cabeça raciocina, mas o coração não. E a petição desse homem veio do coração. Ele não tinha como usar suas mãos e pés (e não eram eles necessários à salvação: antes, a impediam), mas tinha o uso de seu coração e língua. Esses estavam livres para crer e confessar: “Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10.10).

Podemos reparar também que a sua fé era uma fé humilde. Ele orou com conveniente modéstia. Não foi “Senhor, honra-me”, nem “Senhor, exalta-me”, mas Senhor, se tu quiseres, pense em mim! Se tu somente contemplasses a mim — “Senhor, lembra-te de mim”. E, todavia, aquela palavra “lembra-te” era maravilhosamente perfeita e apropriada. Ele poderia ter dito: Perdoa-me, Salva-me, Abençoa-me; mas “lembra-te” incluía todas essas. Um interesse no coração de Cristo incluirá um interesse em todos os seus benefícios! Além disso, tal palavra era bem adequada à condição de quem a expressou. Ele foi um proscrito da sociedade — quem se lembraria dele! O público não pensaria mais nada a respeito dele. Seus amigos ficariam contentes por esquecer dele por haver desgraçado sua família. Mas há um a quem ele ousa confiar essa petição — “Senhor, lembra-te de mim”.

Finalmente, podemos notar que a sua fé era uma fé corajosa. Talvez não pareça à primeira vista, mas uma pequena consideração tornará isso claro. Aquele que estava pendurado na cruz do centro era um de quem todos viravam a cara para não olhar e para quem toda a vil zombaria de uma turba vulgar era direcionada. Toda facção daquele povo se juntou para escarnecer do Salvador. Mateus nos diz que “os que passavam blasfemavam dele” e que “da mesma maneira também os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos”. Enquanto Lucas nos informa que “também os soldados o escarneciam” (Lc 23.36). Portanto, é fácil entender por que os ladrões também se juntaram ao alarido de sarcasmos. Não há dúvidas de que os sacerdotes e escribas sorrissem benignamente sobre eles enquanto assim agiam. Mas, subitamente, houve uma mudança. O ladrão penitente, em vez de continuar a troçar e ridicularizar Cristo, volta-se para o seu companheiro e abertamente o censura, nos ouvidos dos espectadores ajuntados em redor das cruzes, clamando: “este nenhum mal fez”. Desse modo, ele condenou toda a nação judaica! Mais ainda; não somente testemunhou da inocência de Cristo, mas também confessou o reinado dele. E assim, de um só golpe, ele se retira do favor de seu companheiro e da multidão também! Falamos hoje da coragem necessária para abertamente testemunhar de Cristo, mas tal coragem nesses dias se desbota em expressa insignificância perante àquela mostrada naquele dia pelo ladrão agonizante.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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*Visite a Igreja Presbiteriana Silva Jardim - Curitiba(PR).
Av. Silva Jardim, 4155 – Seminário.

“A PALAVRA DE SALVAÇÃO” - Parte 2


“A PALAVRA DE SALVAÇÃO” - Parte 2

“E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.42,43).

2. Aqui nós vemos que o homem tem que ir ao fim de si próprio antes que possa ser salvo.

Contemplamos na primeira parte esse ladrão agonizante como um pecador representativo, um espécime que é amostra do que todos os homens são por natureza e prática — por natureza, em inimizade contra Deus e seu Cristo; por prática, ladrões de Deus, utilizando mal o que ele nos deu e não conseguindo retribuir-lhe o que é devido.

Devemos ver agora que esse ladrão crucificado foi também um caso representativo em sua conversão. E nesse ponto deter-nos-emos unicamente em sua situação de desamparo. Ver a nós mesmos como pecadores perdidos não basta. Aprender que somos corruptos e depravados por natureza e transgressores pecaminosos pelas nossas práticas é a primeira lição importante. A próxima é aprender que estamos totalmente arruinados, e que não podemos fazer nada que seja para ajudar a nós mesmos. Descobrir que nossa condição é tão desesperadora que está inteiramente além da possibilidade de conserto humano, é o segundo passo rumo a salvação — olhando-a pelo lado humano. Porém, se o homem é lento para aprender que é um pecador perdido e inapto para estar na presença de um Deus santo, ele o é ainda mais para reconhecer que nada pode fazer para sua salvação, e que é incapaz de operar qualquer melhoria em si próprio para se adequar para Deus.

Todavia, não é senão até que nos demos conta de que estamos “fracos” (Rm 5.6), que somos “impotentes” (Jo 5.3), que não é pelas obras de justiça que façamos, mas pela misericórdia divina que somos salvos (Tt 3.5), que não é senão até que nos desesperemos de nós mesmos, e olhemos para fora de nós mesmos para um que pode nos salvar. O grande tipo escriturístico do pecado é a lepra, e para a lepra o homem não pode inventar cura alguma. Somente Deus pode lidar com essa pavorosa doença. Assim o é com o pecado. Mas, como dissemos, o homem é lento para aprender essa lição. É como o filho pródigo, o qual, quando dissipara sua fazenda na terra longínqua, vivendo dissolutamente, e começou “a padecer necessidades”, em vez de imediatamente retornar ao seu pai, “foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra”, e foi para os campos a apascentar porcos; em outras palavras, ele foi ao trabalho. Igualmente, o pecador que é despertado para a sua necessidade, em vez de ir imediatamente a Cristo, tenta trabalhar por si mesmo para obter o favor divino. Mas ele não conseguirá coisa melhor que o pródigo — as bolotas dos porcos serão sua única porção. Ou então, como a mulher prostrada pela enfermidade por muitos anos. Ela tentou muitos médicos antes de procurar o grande médico: assim o pecador despertado procura alívio e paz primeiro numa coisa e depois em outra, até completar o fatigante ciclo das ações religiosas, e terminar “sem nenhum resultado, mas cada vez piorando mais” (Mc 5.26). Não, não é senão quando já tinha “gasto tudo o que possuía” que ela procurou Cristo; e não é senão quando o pecador chega ao fim de seus próprios recursos que recorrerá ao Salvador.

Antes que qualquer pecador possa ser salvo, deve ele ir ao lugar da fraqueza reconhecida. Isso é o que a conversão do ladrão agonizante nos mostra. O que ele podia fazer? Não podia caminhar pelas sendas da justiça, pois havia um prego atravessando cada um dos seus pés. Não podia executar nenhuma boa obra, pois havia um prego atravessando cada uma das mãos. Não podia começar vida nova e viver melhor, pois que estava morrendo. E, meu leitor, aquelas suas mãos que tão prontamente agem para justiça própria, e aqueles seus pés que tão rapidamente correm no caminho da obediência legal, devem ser pregados na cruz. O pecador teve de ser interrompido em suas próprias obras e feito desejoso de ser salvo por Cristo. Uma percepção de sua própria condição pecaminosa, de sua condição perdida, de sua condição de desamparo, não é nada mais, nada menos, do que o velho ensino da convicção de pecado, e tal é o único pré-requisito para vir a Cristo para salvação, pois Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A PALAVRA DE SALVAÇÃO” - Parte 1


“A PALAVRA DE SALVAÇÃO” - Parte 1

“E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.42,43).

Consideraremos agora o ladrão em si mesmo, suas várias declarações, seu pedido ao Salvador, e a resposta de nosso Senhor.

1. Vemos aqui um pecador representativo.

Nunca chegaremos ao centro desse incidente até considerarmos a conversão desse homem como um caso representativo, e o próprio ladrão como um caráter representativo. Há aqueles que procuram mostrar que o caráter original do ladrão penitente era mais nobre e digno do que o do outro que não se arrependeu. Mas isso não somente não corresponde à verdade dos fatos nesse caso, como serve para apagar a glória peculiar dessa conversão e remover dele a maravilha da graça divina. É de grande importância reparar que, antes do tempo em que um se arrependeu e creu não havia diferença essencial alguma entre os dois. Na natureza, na história, nas circunstâncias era um. O Espírito Santo foi cuidadoso em nos contar que ambos insultaram o padecente Salvador:

“E da mesma maneira também os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam: Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e crê-lo-emos. Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus. E o mesmo lhe lançaram também em rosto os salteadores que com ele estavam crucificados” (Mt 27.41-44).

Realmente terríveis eram a condição e a ação desse assaltante. À beira de adentrar a eternidade ele se une aos inimigos de Cristo no terrível pecado de escarnecer dele. Era de uma torpeza sem paralelo. Pense nisso — um homem na hora em que se aproximava sua morte ridicularizando o Salvador padecente! Ó que demonstração de depravação humana e de inimizade natural da mente carnal contra Deus. E, leitor, por natureza há a mesma depravação herdada dentro de você, e a menos que um milagre da divina graça seja operado dentro de você, existe a mesma inimizade contra Deus e seu Cristo presente em seu coração. Você pode não pensar assim, pode não sentir assim, pode não crer assim. Mas isso não altera o fato. A palavra dele que não pode mentir declara: “Enganoso é o coração, acima de todas as coisas, e desesperadamente perverso” (Jr 17.9). Essa é uma declaração de aplicação universal. Ela descreve o que todo coração humano é por nascimento natural. E outra vez a mesma escritura da verdade declara: “porque a mentalidade da carne significa inimizade com Deus, visto que não está em sujeição à lei de Deus; de fato, nem pode estar” (Rm 8.7). Isso, também, diagnostica o estado de todo descendente de Adão. “Porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.22,23). Inefavelmente solene é isso: todavia, necessita que nele se insista. Não é senão quando percebemos nossa desesperadora condição que descobrimos a necessidade de um Salvador divino. Não é senão quando somos levados a perceber nossa total corrupção e fraqueza que nos apressamos ao grande médico. Não é senão quando encontramos nesse ladrão agonizante um retrato de nós mesmos que o acompanharemos dizendo: “Senhor, lembra-te de mim”. Temos que ser humilhados antes de sermos exaltados. Temos de ser despidos dos trapos imundos de nossa justiça própria antes que estejamos prontos para os trajes de salvação.

Temos de vir a Deus como mendigos, de mãos vazias, antes que possamos receber o dom da vida eterna. Temos de tomar o lugar de pecadores perdidos perante ele se quisermos ser salvos. Sim, temos que reconhecer a nós mesmos como ladrões antes que possamos ter um lugar na família de Deus. “Mas”, dirá você, “eu não sou nenhum ladrão! Reconheço que não sou tudo que devo ser. Não sou perfeito. Na verdade, vou ao ponto de admitir a mim mesmo como pecador. Mas não posso consentir que esse ladrão represente meu estado e condição.” Ah, amigo, seu caso é, de longe, pior do que você supõe. Você é um ladrão, e ladrão da pior espécie. Você rouba a Deus! Suponha que uma firma no Leste designasse um agente para representá-la no Oeste, e que mensalmente lhe enviasse seu salário. Mas suponha também que, no fim do ano, os empregadores descobrissem que, ainda que o agente estivesse descontando os cheques a ele remetidos, ele tivesse servido uma outra firma durante o tempo todo. Não seria aquele agente um ladrão? Todavia, tal é precisamente a situação e o estado de cada pecador. Ele foi enviado a esse mundo por Deus, que o dotou de talentos e da capacidade de usá-los e valorizá-los. Deus o abençoa com saúde e vigor; supre cada necessidade sua, e fornece inúmeras oportunidades para servi-lo e glorificá-lo. Mas com que resultado? As próprias coisas que Deus lhe dá são mal empregadas. O pecador serve a um outro senhor, precisamente Satanás. Ele dissipa seu vigor e desperdiça seu tempo nos prazeres pecaminosos. Ele rouba a Deus. Leitor não salvo, na perspectiva do Céu, sua condição é desesperadora e seu coração, mau como o daquele ladrão. Veja nele uma figura de si mesmo.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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terça-feira, 15 de abril de 2025

“A PALAVRA DE SALVAÇÃO” - Introdução


“A PALAVRA DE SALVAÇÃO” - Introdução

“E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.42,43).

A segunda declaração de Cristo na cruz foi feita em resposta ao pedido do ladrão à beira da morte. Antes de considerarmos as palavras do Salvador ponderaremos primeiro sobre o que as ocasionou. Não foi acidente algum o fato de o Senhor da glória ter sido crucificado entre dois ladrões. Nada ocorre por acidente em um mundo que é governado por Deus. Muito menos poderia ter havido qualquer acidente naquele dia dos dias, ou em conexão com aquele evento dos eventos — um dia e um evento que estão situados no próprio centro da história do mundo. Não, Deus estava presidindo sobre aquela cena. Desde a eternidade toda ele havia decretado quando e onde e como e com quem seu Filho deveria morrer. Nada foi deixado ao acaso ou ao capricho do homem. Tudo que Deus tinha decretado veio a suceder exatamente como ele havia ordenado, e nada aconteceu que não tivesse ele eternamente intentado. Tudo quanto o homem fez foi simplesmente o que a mão e o conselho divinos “tinham anteriormente determinado” (At 4.28).

Quando Pilatos deu ordens para que o Senhor Jesus fosse crucificado entre os dois malfeitores, estava pondo em execução o decreto eterno de Deus e cumprindo sua palavra profética, coisas que lhe eram totalmente desconhecidas. Setecentos anos antes que esse dignitário romano desse sua ordem, Deus tinha declarado mediante Isaías que seu Filho deveria ser “contado com os transgressores” (Is 53.12). Quão totalmente improvável parecia isso, que o Santo de Deus devesse ser contado com os ímpios; que aquele mesmo cujo dedo havia inscrito nas tábuas de pedra da Lei do Sinai devesse ter um lugar designado entre os sem lei; que o Filho de Deus devesse ser executado com os criminosos — tal parecia completamente inconcebível. Todavia, na realidade, foi o que veio a ocorrer. Nem uma só palavra divina pode-se deixar escapar. “Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu” (Sl 119.89). Assim como Deus havia ordenado, e assim como havia anunciado, assim aconteceu.

Porque ele ordenou que seu Filho devesse ser crucificado entre dois criminosos? Certamente que Deus tinha uma razão para tal; uma boa, uma múltipla razão, quer possamos discerni-la ou não. Ele nunca procede arbitrariamente. Ele tem um bom propósito para tudo o que faz, pois todas as suas obras estão ordenadas pela sabedoria infinita. Nesse exemplo particular, várias respostas se insinuam à nossa inquirição. Não foi nosso bendito Senhor crucificado com os dois ladrões para demonstrar plenamente as insondáveis profundezas da vergonha em que havia descido? Em seu nascimento ele estava rodeado pelas bestas do campo e, agora, em sua morte, é contado com a escória da humanidade.

Outra vez, não foi o Salvador contado com os transgressores para nos mostrar a posição que ele ocupou como nosso substituto? Ele havia ocupado o lugar que era nosso, e o que era senão o lugar de vergonha, o lugar dos transgressores, o lugar dos criminosos condenados à morte!

Outra vez, não foi ele deliberadamente humilhado daquele modo por Pilatos para mostrar a avaliação pelo homem daquele inigualável — “desprezado” tanto quanto rejeitado!

Outra vez, não foi ele crucificado com os dois ladrões, de modo que naquelas três cruzes e nos que nelas estavam dependurados, pudéssemos ter a representação vívida e concreta do drama da salvação e da resposta do homem a isso — a redenção do Salvador; o pecador que se arrepende e crê; e o que insulta e rejeita?

Uma outra importante lição que podemos aprender da crucificação de Cristo entre os dois ladrões, e o fato de que um o recebeu e o outro o rejeitou, é a da soberania divina. Os dois malfeitores foram crucificados juntos. Estavam à mesma proximidade de Cristo. Ambos viram e ouviram tudo o que se tornou conhecido durante aquelas seis fatídicas horas. Ambos eram notoriamente perversos; ambos estavam sofrendo agudamente; ambos estavam morrendo, e ambos necessitavam urgentemente de perdão. Todavia, um morreu em seus pecados, morreu como tinha vivido — endurecido e impenitente; ao passo que o outro se arrependeu de sua maldade, creu em Cristo, recorreu a ele para obter misericórdia e entrou no Paraíso. Como explicar isso, senão pela soberania de Deus!

Vemos precisamente que a mesma coisa continua hoje. Sob exatamente as mesmas circunstâncias e condições, um é enternecido e outro permanece inalterado. Sob o mesmo sermão, um homem ouvirá com indiferença, enquanto outro terá seus olhos abertos para ver sua necessidade e sua vontade movida para perto da oferta da misericórdia divina. Para um, o evangelho é revelado, para outro, “oculto”. Por quê? Tudo o que podemos dizer é: “Sim, ó Pai, porque assim te aprouve”. E, contudo, a soberania divina nunca quer dizer destruir a responsabilidade humana. Ambas são claramente ensinadas na Bíblia, e é nosso dever crer e pregar as duas, quer possamos harmonizá-las ou compreendê-las quer não. Ao pregarmos ambas pode parecer a nossos ouvintes que nos contradizemos, mas que importa?

Disse o falecido C. H. Spurgeon, quando pregava em 1Timóteo 2.3,4: “Ali no texto se acha, e creio que é do desejo de meu Pai, que ‘todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade’. Mas eu sei, também, que ele não o quer, de modo que salvará a qualquer um daqueles, apenas se crerem em seu Filho; pois ele no-lo disse repetidas vezes. Ele não salvará homem algum, a menos que esse abandone seus pecados, e se volte para ele com pleno propósito de coração: isso eu também sei. E sei, ainda, que ele tem um povo a quem salvará, a quem, por seu eterno amor, elegeu e a quem, por seu eterno poder, ele libertará. Eu não sei como aquilo se ajusta com isso, que é mais uma das coisas que não sei.” E disse esse príncipe dos pregadores: “Eu permanecerei exatamente no que sempre hei de pregar e sempre tenho pregado, e tomo a palavra de Deus como está, possa eu reconciliá-la com uma outra parte da palavra divina ou não.” Dizemos novamente, a soberania de Deus nunca significa destruir a responsabilidade do homem. Devemos fazer uso diligente de todos os meios que ele designou para a salvação das almas. Somos ordenados a pregar o evangelho a “toda criatura”. A graça é livre: o convite é amplo o bastante para “quem crer” o aceitar. Cristo não despede ninguém que venha a ele. Todavia, após havermos feito tudo, após havermos plantado e aguado, é Deus quem dá o crescimento, e o faz de modo a melhor satisfazer sua soberana vontade.

Na salvação do ladrão agonizante temos uma visão clara da graça vitoriosa, como não encontrada em nenhum outro lugar na Bíblia. Deus é o Deus de toda graça, e a salvação é inteiramente por meio dessa. “Pela graça sois salvos” (Ef 2.8), e é “pela graça” do começo ao fim. A graça planejou a salvação, a graça proveu a salvação, e a graça assim opera sobre e em seus eleitos para sobrepujar a dureza de seus corações, a obstinação de suas vontades, e a inimizade de suas mentes, e assim os torna propensos a receber a salvação. A graça inicia, a graça continua, e a graça consuma a nossa salvação.

A salvação pela graça — soberana, irresistível, livre graça — é ilustrada no Novo Testamento tanto por exemplo quanto por preceito. Talvez os dois casos mais contundentes de todos sejam os de Saulo de Tarso e do Ladrão Agonizante. E esse último é até mais digno de nota que o primeiro. No caso de Saulo, que posteriormente tornou-se Paulo, apóstolo dos gentios, havia um caráter moral exemplar, para começo de conversa. Escrevendo anos depois sobre sua condição antes da conversão, o apóstolo declarou que, no tocante à justiça da lei, ele era “irrepreensível” (Fp 3.6). Ele era um “fariseu dos fariseus”: meticuloso em seus hábitos, correto em seu procedimento. Moralmente, seu caráter era imaculado. Após a conversão, sua vida foi de justiça no padrão evangélico. Constrangido pelo amor de Cristo, consumiu-se na pregação do Evangelho aos pecadores e no labor da edificação dos santos. Sem dúvida, nossos leitores concordarão conosco quando dizemos que provavelmente Paulo estivesse mais perto de atingir os ideais da vida cristã, e que ele seguiu após seu Mestre mais perto do que qualquer outro santo desde então.

Mas com o ladrão salvo foi, de longe, de outra forma. Ele não tinha vida moral alguma antes de sua conversão e nenhuma de serviço ativo depois. Antes dela ele não respeitava nem a lei de Deus nem a dos homens. Após sua conversão, ele morreu sem ter oportunidade de se ocupar no serviço de Cristo. Enfatizarei isso, porque essas são as duas coisas que são consideradas por tantos como fatores que contribuem para nossa salvação. Supõe-se que devemos primeiro nos adequar, desenvolvendo um caráter nobre diante de Deus, que nos receberá como seus filhos, e que depois dele haver nos recebido, para sermos experimentados, somos meramente postos à prova, e que, a menos que produzamos uma certa qualidade e quantidade de boas obras, “cairemos da graça e ficaremos perdidos”. Mas o ladrão agonizante não teve boa obra alguma, seja antes ou depois da conversão. Em consequência, somos levados à conclusão que, se ele foi salvo em absoluto, certamente o foi pela soberana graça.

A salvação do ladrão agonizante também arranja um outro apoio para que o legalismo da mente carnal se interponha para roubar de Deus a glória devida à sua graça. Em vez de atribuir a salvação dos pecadores perdidos à inigualável graça divina, muitos cristãos professos procuram explicá-las pelas influências humanas, instrumentalidades e circunstâncias. Seja o pregador, sejam circunstâncias providenciais ou propícias, sejam as orações dos crentes, tudo isso é visto como a causa principal. Que não sejamos mal entendidos aqui. É verdade que Deus com frequência se agrada de usar meios para a conversão dos pecadores; que amiúde condescende em abençoar nossas orações e esforços para levar pecadores a Cristo; que, muitas vezes, ele faz com que suas providências despertem e sacudam os ímpios para a percepção de seus estados. Mas Deus não está preso a essas coisas. Ele não está limitado às instrumentalidades humanas. Sua graça é toda poderosa e, quando lhe agrada, ela é capaz de salvar apesar da falta daquelas, e a despeito das circunstâncias desfavoráveis. Assim foi no caso do ladrão salvo.

Considere:

Sua conversão ocorreu numa época quando, exteriormente, parecia que Cristo havia perdido todo o poder para salvar, seja a si mesmo ou a outros. Esse ladrão havia marchado ao lado do Salvador através das ruas de Jerusalém e o tinha visto sucumbir sob o peso da cruz! É altamente provável que, como sua ocupação fosse a de ladrão e assaltante, esse fosse o primeiro dia que em que ele punha seus olhos no Senhor Jesus e, agora que o via, era sob toda a circunstância de fraqueza e desgraça. Seus inimigos estavam triunfando sobre ele. A maior parte de seus amigos o havia abandonado. A opinião pública estava unanimemente contra ele. Sua própria crucificação foi considerada como totalmente inconsistente com sua messianidade. Sua condição humilde foi uma pedra de tropeço aos judeus desde mesmo o início, e as circunstâncias de sua morte devem ter intensificado isso, especialmente a alguém que nunca o havia visto senão em tal condição. Mesmo aqueles que tinham crido nele foram levados à dúvida por causa de sua crucificação. Não havia ninguém na multidão que estivesse ali com o dedo apontando para ele e gritando: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” E, todavia, não obstante tais obstáculos e dificuldades no caminho de sua fé, o ladrão apreendeu a condição de Salvador e o Senhorio de Cristo. Como podemos explicar tal fé e tal compreensão espiritual em alguém em circunstâncias tais como a que se encontrava? Como podemos explicar o fato de que esse ladrão agonizante tomou um homem em sofrimento, sangrando e crucificado por seu Deus! Não pode ser explicado senão por intervenção divina e operação sobrenatural. Sua fé em Cristo foi um milagre da graça!

É para ser notado ainda que a conversão do ladrão ocorreu antes dos fenômenos sobrenaturais daquele dia. Ele exclamou: “Senhor, lembra-te de mim” antes das horas de trevas, antes do brado triunfante, “Está consumado”, antes do véu do templo se rasgar, antes do tremor de terra e do despedaçar das rochas, antes da confissão do centurião: “Na verdade, este era Filho de Deus”. Deus intencionalmente colocou sua conversão antes de tais coisas de modo que sua soberana graça pudesse ser engrandecida e seu soberano poder reconhecido. Ele calculadamente escolheu salvar esse ladrão sob as circunstâncias mais desfavoráveis para que nenhuma carne se glorie em sua presença. Ele deliberadamente dispôs essa combinação de condições e ambiente não propícios para nos ensinar que “a salvação é do Senhor”; para nos ensinar a não engrandecer a instrumentalidade humana acima da ação divina; para nos ensinar que toda conversão genuína é o produto direto da operação sobrenatural do Espírito Santo.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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segunda-feira, 14 de abril de 2025

“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 7


“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 7

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

7. Aqui vemos o triunfo do amor redentor.

Note atentamente a palavra com a qual nosso texto começa. “Então”. O versículo que imediatamente o precede é lido assim: “E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram e aos malfeitores, um, à direita, e outro, à esquerda”. Então, disse Jesus, Pai, perdoa-lhes. “Então” – quando o homem tinha feito o seu pior. “Então” – quando a vileza do coração humano foi demonstrada em maldade diabólica e climatérica. “Então” – quando com mãos ímpias a criatura ousou crucificar o Senhor da glória. Ele poderia ter expressado maldições terríveis sobre eles. Ele poderia ter lançado os raios da justa ira e os matado. Ele poderia ter feito a terra abrir a sua boca, de forma que eles caíssem vivos no abismo. Mas não. Embora sujeito à vergonha indizível, embora sofrendo dor excruciante, embora desprezado, rejeitado, odiado; todavia, ele clamou: “Pai, perdoa-lhes”. Esse era o triunfo do amor redentor. “O amor é paciente, é benigno... tudo sofre... tudo suporta” (1Co 13). Assim foi demonstrado na cruz.

Quando Sansão chegou na hora da sua morte, ele usou a grande força do seu corpo para abarcar a destruição de seus antagonistas; mas aquele que era perfeito exibiu a força de seu amor orando pelo perdão dos seus inimigos. Graça inigualável! “Inigualável”, dizemos, pois nem mesmo Estevão conseguiu seguir plenamente o exemplo bendito dado pelo Salvador. Se o leitor se voltar para Atos 7, descobrirá que o primeiro pensamento de Estevão foi sobre si mesmo, e depois foi que orou pelos seus inimigos – “E apedrejaram a Estêvão, que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu” (At 7.59,60). Mas com Cristo a ordem foi inversa: ele orou primeiro pelos seus adversários, e no final por si mesmo. Em todas as coisas ele tem a preeminência.

E agora, concluindo com uma palavra de aplicação e exortação. Se esse capítulo estiver sendo lido por uma pessoa não-salva, pedir-lhe-emos seriamente ponderar bem a próxima sentença – Quão terrível deve ser se opor a Cristo e à sua verdade conscientemente! Aqueles que crucificaram o Salvador não sabiam o que estavam fazendo. Mas, meu leitor, há um sentido muito real e solene no qual isso é verdade com respeito a você também. Você sabe que deve receber a Cristo como seu Salvador, que deve coroá-lo como Senhor de sua vida, que deve tornar a sua primeira e última preocupação agradá-lo e glorificá-lo. Fique então avisado; seu perigo é grande. Se você deliberadamente dá as costas a ele, dá as costas ao único que pode salvá-lo dos seus pecados, e está escrito: “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (Hb 10.26,27).

Resta-nos apenas adicionar uma palavra sobre a bendita inteireza do perdão divino. Muitos dentre o povo de Deus ficam intranquilos e perturbados sobre esse ponto. Eles entendem como é que todos os pecados que cometeram antes de receberem a Cristo como seu Salvador foram perdoados, mas amiúde não estão livres de dúvidas com respeito aos pecados que cometem após terem nascido de novo. Muitos supõem que é possível para eles pecar de uma forma que lhes coloque além do perdão que Deus lhes concedeu. Supõem que o sangue de Cristo trata somente com o passado deles, e que até onde diz respeito ao presente e ao futuro, eles tem que se cuidar por si mesmos. Mas de que valor seria um perdão que pode ser tirado de mim a qualquer momento? Certamente não pode haver nenhuma paz estabelecida quando minha aceitação para com Deus e a minha ida ao céu é feita dependente do meu agarrar-se a Cristo, ou da minha obediência e fidelidade.

Bendito seja Deus, o perdão que ele concede cobre todos os pecados – passados, presentes e futuros. Amigo crente, Cristo não carregou os “seus” pecados em seu próprio corpo no madeiro? E os seus pecados não eram todos futuros, quando ele morreu? Certamente, pois naquele tempo você não tinha nascido, e não tinha cometido nenhum pecado sequer. Muito bem então: Cristo verdadeiramente levou os seus pecados “futuros” tanto quanto os seus pecados passados. O que a palavra de Deus ensina é que a alma incrédula é tirada do lugar sem perdão para onde esse está ligado. Os cristãos são um povo perdoado. Diz o Espírito Santo: “Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado” (Rm 4.8). O crente está em Cristo, e ali o pecado nunca nos será imputado novamente. Esse é o nosso lugar ou posição diante de Deus. Em Cristo é onde ele nos contempla. E porque estou em Cristo, estou completa e eternamente perdoado; tão perdoado que o pecado nunca será mais será posto sobre mim como acusação no que toca à minha salvação, mesmo que eu permanecesse na terra por mais cem anos. Eu estou fora do alcance para sempre. Ouça o testemunho da escritura: “E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, (Deus) vos vivificou juntamente com ele (Cristo), perdoando-vos todas as ofensas” (Cl 2.13). Observe as duas coisas que são aqui unidas (e o que Deus ajuntou, não o separe o homem!) – minha união com um Cristo ressurreto é conectada com o meu perdão! Se então minha vida está “oculta com Cristo em Deus” (Cl 3.3), então eu estou fora para sempre do lugar onde a imputação do pecado é aplicada. Por conseguinte, está escrito: “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1) – como poderia existir, se “todas as ofensas” foram perdoadas? Ninguém pode lançar nenhuma acusação contra os eleitos de Deus (Rm 8.33).

Leitor cristão, junte-se ao escritor em louvor a Deus, pois nós somos eternamente perdoados de tudo.

*Deveria ser adicionado, à guisa de explicação, que é o aspecto judicial que temos tratado aqui. O perdão restaurador – que é o trazer de volta, novamente à comunhão, um crente que pecou – tratado em 1João 1.9 – é outra questão totalmente distinta.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 6


“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 6

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

6. Aqui vemos a grande e primária necessidade do homem.

A primeira lição importante que todos precisam aprender é que somos pecadores, e como tais, inaptos para a presença de um Deus Santo. É em vão que escolhemos nobres ideais, adotamos boas resoluções, e aceitamos excelentes regras pelas quais viver, até que a questão do pecado tenha sido resolvida. Não é de proveito algum tentar desenvolver um belo caráter e ter por objetivo obter a aprovação de Deus, enquanto há pecado entre ele e as nossas almas. Qual a utilidade dos sapatos, se os nossos pés estão paralisados? De que utilidade são os óculos, se somos cegos? A questão do perdão dos meus pecados é básica, fundamental e vital. Não importa se sou altamente respeitado por um círculo amplo de amigos, se ainda estou em meus pecados. Não importa se eu sou honesto em meu negócio, se ainda sou um transgressor não perdoado aos olhos de Deus. O que importará na hora da morte será: Os meus pecados foram expurgados pelo sangue de Cristo?

A segunda lição importantíssima que precisamos aprender é como o perdão dos pecados pode ser obtido. Qual é fundamento sobre o qual um Deus santo perdoará pecados? E aqui é importante observar que há uma diferença vital entre o perdão divino e muito do perdão humano. Como regra geral, o perdão humano é uma questão de complacência, frequentemente de frouxidão. Queremos dizer que o perdão é mostrado à custa da justiça e da retidão. Na corte humana da lei, o juiz tem que escolher entre duas alternativas: quando se prova que alguém no banco dos réus é culpado, o juiz deve aplicar a penalidade da lei, ou deve negligenciar os requerimentos da lei – uma é justiça, a outra é misericórdia. A única forma possível na qual o juiz pode tanto aplicar os requerimentos da lei e ainda mostrar misericórdia ao ofensor, é uma terceira parte oferecer sofrer em sua própria pessoa a penalidade que o condenado merece. Assim aconteceu no conselho divino. Deus não exerceria misericórdia à custa da justiça. Ele, como o juiz de toda a terra, não colocaria de lado as demandas da sua santa lei. Todavia, Deus mostraria misericórdia. Como? Através de um que satisfaria plenamente sua lei violada. Por intermédio de seu próprio Filho, tomando o lugar de todos aqueles que creem nele e carregando seus pecados em seu próprio corpo no madeiro. Deus poderia ser justo e ainda misericordioso, misericordioso e ainda justo. Foi assim para que a “graça reinasse pela justiça”.

Um fundamento justo tinha sido fornecido sobre o qual Deus poderia ser justo e ainda o justificador de todo aquele que crê. Por conseguinte, somos informados: “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse e, ao terceiro dia, ressuscitasse dos mortos; e, em seu nome, se pregasse o arrependimento e a remissão (perdão) dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” (Lc 24.46,47).

E novamente:

“Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê” (At 13.38, 39).

Foi em virtude do sangue que ele estava derramando que o Salvador clamou: “Pai, perdoa-lhes”. Foi em virtude do sacrifício expiatório que ele estava oferecendo que pôde ser dito que “sem derramamento de sangue não há remissão”.

Ao orar pelo perdão dos seus inimigos, Cristo foi diretamente na raiz da necessidade deles. E a necessidade deles é a necessidade de todo filho de Adão. Leitor, você tem os seus pecados perdoados, isto é, remidos ou levados embora? Você é, pela graça, um daqueles de quem é dito: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados”? (Cl 1.14).

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 5


“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 5

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

5. Aqui vemos uma exemplificação amorosa do seu próprio ensino.

No Sermão do Monte nosso Senhor ensinou aos seus discípulos: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mt 5.44). Acima de todos os outros, Cristo praticou o que ele pregou. A graça e a verdade vieram através de Jesus Cristo. Ele não somente ensinou a verdade, mas ele mesmo era a verdade encarnada. Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6). Assim, aqui sobre a cruz ele exemplificou perfeitamente seu ensino do monte. Em todas as coisas ele nos deixou um exemplo.

Observe que Cristo não perdoou pessoalmente seus inimigos. Assim, em Mt 5.44 ele não exortou seus discípulos a perdoarem seus inimigos, mas os exortou a “orar” por eles. Mas nós não devemos perdoar aqueles que nos maltratam? Isso nos leva a um ponto com respeito ao qual é necessária muita instrução hoje em dia.

A escritura ensina que sob todas as circunstâncias devemos perdoar sempre? Eu respondo enfaticamente: não, ela não ensina. A palavra de Deus diz: “Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe; e, se pecar contra ti sete vezes no dia e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me, perdoa-lhe” (Lc 17.3,4). Aqui somos claramente ensinados que uma condição deve ser satisfeita pelo ofensor antes que possamos pronunciar o perdão. Aquele que nos ofendeu deve primeiramente “se arrepender”, isto é, julgar a si mesmo por seu erro e dar evidência de sua tristeza por causa dele. Mas, suponha que o ofensor não se arrependa? Então eu não preciso perdoá-lo.

Mas que não haja má compreensão do que queremos dizer aqui. Mesmo que alguém que nos ofendeu não se arrependa, todavia, eu não devo abrigar sentimentos ruins contra ele. Não deve haver nenhum ódio ou malícia cultivada no coração. Todavia, por outro lado, eu não devo tratar o ofensor como se ele não tivesse cometido nenhum erro. Isso seria fechar os olhos à ofensa, e, portanto, eu estaria falhando em manter as exigências da justiça, e isso é o que o crente deve fazer sempre. Deus alguma vez perdoa onde não há arrependimento? Não, pois a escritura declara: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). Mais uma coisa. Se alguém me prejudicar e não se arrepender, embora eu não possa lhe perdoar e tratá-lo como se ele não tivesse me ofendido, todavia, eu não apenas não devo abrigar nenhuma malícia em meu coração contra ele, mas devo também orar por ele. Aqui está o valor do exemplo perfeito de Cristo. Se não podemos perdoar, podemos orar a Deus para perdoá-lo.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 4


“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 4

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

4. Aqui vemos a cegueira do coração humano.

“Porque não sabem o que fazem”. Isso não significa que os inimigos de Cristo eram ignorantes do fato de sua crucificação. Eles sabiam perfeitamente que tinham clamado: “Crucifica-o”. Eles sabiam perfeitamente que o seu vil pedido lhes tinha sido concedido por Pilatos. Eles sabiam perfeitamente que ele tinha sido pregado na cruz, pois eram testemunhas oculares do crime. O que, então, o Senhor quis dizer quando disse: “Porque não sabem o que fazem”? Ele quis dizer que eles eram ignorantes da grandeza do seu crime. Eles não sabiam que era o Senhor da glória que eles estavam crucificando. A ênfase não é sobre “porque não sabem”, mas sobre “porque não sabem o que fazem”.

E, todavia, eles deveriam ter sabido. A cegueira deles era inescusável. As profecias do Antigo Testamento que tinham recebido seu cumprimento nele eram suficientemente claras para identificá-lo como o Santo de Deus. Seu ensino era singular, pois seus próprios críticos foram forçados a admitir: “Nunca homem algum falou assim como este homem” (Jo 7.46). E o que dizer da sua vida perfeita? Ele viveu diante dos homens uma vida que nunca tinha sido vivida sobre a terra antes. Ele não agradava a si mesmo. Ele se ocupava de fazer o bem. Ele estava sempre à disposição dos outros. Não havia egoísmo nele. Sua vida foi de auto-sacrifício do princípio ao fim. Sua vida foi sempre vivida para a glória de Deus. Sobre sua vida estava estampada a aprovação do céu, pois a voz do Pai testificou audivelmente: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Não, não havia escusa alguma para a ignorância deles. Isso apenas demonstrava a cegueira dos seus corações. A rejeição do Filho de Deus por parte deles trouxe pleno testemunho, de uma vez por todas, de que a mente carnal é “inimizade contra Deus” (Rm 8.7).

Quão triste é pensar que essa terrível tragédia ainda está sendo repetida! Pecador, você faz pouca ideia do que está fazendo ao negligenciar a grande salvação de Deus. Você faz pouca ideia de quão terrível é o pecado de menosprezar o Cristo de Deus e repelir os convites de sua misericórdia. Você faz pouca ideia da profunda culpa que está unida ao seu ato de recusar receber o único que pode te salvar dos seus pecados. Você faz pouca ideia de quão medonho é o crime de dizer: “Não queremos que este reine sobre nós”. Você faz pouca ideia do que faz. Você considera essa questão vital com indiferença total. A questão se apresenta hoje da mesma forma como dantes: “Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo?”. Pois você tem que fazer algo com ele: ou o despreza e rejeita, ou o recebe como o Salvador de sua alma e o Senhor da sua vida. Mas, digo novamente, isso lhe parece um assunto de diminuta urgência, de pequena importância. Por anos você tem resistido aos esforços do seu Espírito. Por anos você tem posto de lado essa importantíssima consideração. Por anos você tem endurecido seu coração contra ele, tampado seus ouvidos aos seus apelos, e fechado seus olhos à sua excelsa beleza. Ah! você não sabe O QUE faz. Você está cego em sua loucura. Cego para o seu terrível pecado. Todavia, você não está sem escusa. Você pode ser salvo agora se quiser.

“Crê no Senhor Jesus Cristo e [tu] serás salvo”. Ó, venha ao Salvador agora e diga com alguém de outrora, “Mestre, que eu tenha vista”.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 3


“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 3

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

3. Aqui vemos a avaliação divina do pecado e sua culpa consequente.

Sob a economia levítica, Deus exigiu que a expiação devesse ser feita pelos pecados praticados por ignorância.

“Quando alguma pessoa cometer uma transgressão e pecar por ignorância nas coisas sagradas do SENHOR, então, trará ao SENHOR, por expiação, um carneiro sem mancha do rebanho, conforme a tua estimação em siclos de prata, segundo o siclo do santuário, para expiação da culpa. Assim, restituirá o que ele tirou das coisas sagradas, e ainda de mais acrescentará o seu quinto, e o dará ao sacerdote; assim, o sacerdote, com o carneiro da expiação, fará expiação por ela, e ser-lhe-á perdoado o pecado”. (Lv 5.15,16).

E lemos novamente:

”Quando errardes e não cumprirdes todos estes mandamentos que o SENHOR falou a Moisés, sim, tudo quanto o SENHOR vos tem mandado por Moisés, desde o dia em que o SENHOR ordenou e daí em diante, nas vossas gerações, será que, quando se fizer alguma coisa por ignorância e for encoberta aos olhos da congregação, toda a congregação oferecerá um novilho, para holocausto de aroma agradável ao SENHOR, com a sua oferta de manjares e libação, segundo o rito, e um bode, para oferta pelo pecado. O sacerdote fará expiação por toda a congregação dos filhos de Israel, e lhes será perdoado, porquanto foi erro, e trouxeram a sua oferta, oferta queimada ao SENHOR, e a sua oferta pelo pecado perante o SENHOR, por causa do seu erro” (Nm 15. 22-25).

É em vista de passagens tais como essas que encontramos Davi orando: “Expurga-me tu dos [erros] que me são ocultos” (Sl 19.12).

O pecado é sempre pecado aos olhos divinos, quer estejamos consciente dele ou não. Pecados cometidos por ignorância precisam de expiação tanto quanto os conscientes. Deus é santo, e ele não rebaixará seu padrão de justiça ao nível da nossa ignorância. Ignorância não é inocência. Na verdade, ignorância é mais culpada agora do que na época de Moisés. Nós não temos desculpas pela nossa ignorância. Deus tem revelado clara e plenamente sua vontade. A Bíblia está em nossas mãos, e não podemos alegar ignorância de seu conteúdo, exceto para condenar-nos por nossa preguiça. Ele tem falado, e por sua palavra seremos julgados.

E, todavia, permanece o fato de que somos ignorantes de muitas coisas, e o erro e a culpa são nossos. E isso não minimiza a enormidade do nosso delito. Pecados cometidos por ignorância precisam do perdão divino, assim como a oração do Senhor nos mostra claramente aqui. Aprenda, então, quão alto é o padrão de Deus, quão grande é a nossa necessidade, e louve-o por uma expiação de suficiência infinita, que limpa de todo pecado.

Deus nos abençoe!

Arthur W. Pink (1886-1952).

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“A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 2


A PALAVRA DO PERDÃO” - Parte 2

“Então, dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem" (Lc 23.34).

2. Aqui vemos Cristo identificado com o seu povo.

“Pai, perdoa-lhes”. Em nenhuma ocasião anterior Cristo fez tal pedido ao Pai. Nunca antes ele tinha invocado o perdão dos outros ao Pai. Até aqui ele mesmo perdoou. Ao homem paralítico, ele disse: “Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados” (Mt 9.2). À mulher que lavou seus pés com suas lágrimas, na casa de Simão, ele disse: “Perdoados são os teus pecados” (Lc 7.48). Por que, então, ele agora pediu ao Pai para perdoar, ao invés dele mesmo pronunciar diretamente o perdão?

Perdão de pecado é uma prerrogativa divina. Os escribas judeus estavam certos quando arrazoaram: “Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (Mc 2.7). Mas dirá você: Cristo era Deus. Com toda certeza; mas homem também – o Deus-homem. Ele era o Filho de Deus que tinha se tornado o Filho do Homem com o expresso propósito de oferecer a si mesmo como sacrifício pelo pecado. E quando o Senhor Jesus clamou “Pai, perdoa-lhes”, ele estava sobre a cruz, e ali ele não poderia exercer suas prerrogativas divinas. Repare cuidadosamente suas palavras, e então contemple a exatidão maravilhosa da Escritura. Ele tinha dito: “O Filho do Homem tem na terra autoridade para perdoar pecados” (Mt 9.6). Mas ele não estava mais sobre a terra! Ele tinha sido “levantado da terra!” (Jo 12.32). Além do mais, na cruz ele estava agindo como nosso substituto; o justo estava para morrer pelos injustos. Por conseguinte, ao ser suspenso como nosso representante, ele não estava mais no lugar de autoridade onde poderia exercer suas prerrogativas divinas, e, portanto, toma a posição de um suplicante perante o Pai. Assim, dizemos que quando o bendito Senhor Jesus clamou, “Pai, perdoa-lhes”, o vemos absolutamente identificado com o seu povo. Não estava mais na posição de autoridade sobre a “terra”, onde ele tinha o “poder” ou “direito” de perdoar pecados; ao invés disso, ele intercede pelos pecadores – como nós devemos fazer.

Deus nos abençoe!

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